Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.

Capítulo 38 - A proposta.

O final de um dia quase normal estava chegando ao fim, e poderia-se considerar quase normal porque nem sempre recebe-se uma chamada de uma amiga para contar que outra amiga estava praticamente desaparecida depois de uma noite de bebidas.

Por sorte, as suposições de Remus acabaram sendo certas — como costumava acontecer —, e depois da ligação que fizeram a Sirius para comprovar que Hollie estava bem, puderam relaxar um pouco mais, embora se coçavam de curiosidade para saber o que tinha acontecido naquele apartamento.

Conheciam os dois suficientemente para saber o quão extremos podiam ser. Ou seja, segundo o temperamento deles, no apartamento podia ter acontecido algo muito bom ou muito ruim, poderiam fortalecer sua relação ou destruí-la em um segundo, então estavam inquietos.

Depois de sair para comprar algum desejo tanto de Dora quanto de Remus e deixarem tudo na cozinha, foram descansar um pouco na sala quando alguém bateu na porta. Estranhado pelo horário, Remus foi ver quem era, e através do visor da porta conseguiu ver um rosto conhecido.

— Olá, Hollie — cumprimentou o castanho com um sorriso depois de abrir a porta.

— Olá, Remus — ela devolveu o cumprimento — Ei, não queria te pedir isso, mas poderia emprestar uma grana pra pagar o táxi? — ela indicou o carro estacionado na frente da casa com uma careta — É que agora eu não tô com meu carro.

— Claro, entra — ele disse resignado, enquanto dava espaço para que ela entrasse e ia sair para pagar a conta.

Hollie entrou na casa com uma expressão um pouco estranha, um pouco apressada, andou até a sala onde encontrou a amiga de cabelo colorido sentada no sofá, comendo o que parecia chocolate.

— Vocês e esse vício — ela brincou para chamar a atenção.

— Hollie! E aí? — cumprimentou Dora alegremente, ficando de pé para ir abraçá-la — O que tá fazendo aqui a essa hora? — perguntou, levando-a até o sofá para que se sentassem.

— Precisava falar com alguém.

— Sobre o quê? — perguntou, já imaginando qual era o assunto, mas antes que pudesse responder, Remus tinha voltado, interrompendo a conversa.

— Querem tomar alguma coisa? — ofereceu — De preferência sem álcool — ele acrescentou debochado.

— Um chá seria bom — disse Hollie com um sorriso de lado.

As duas esperaram em completo silêncio até que o homem voltasse com as bebidas. Se tivesse sido por Dora, teriam começado a falar logo, mas a outra não parecia muito segura de como conversar a conversa.

— Aqui — Lupin levou as xícaras de chá — Bom, vou deixá-las a sós para...

— Não, espera — Hollie o interrompeu — Acho que devia ficar. No final, sei que a Dora vai acabar contando o que conversamos, e como vamos falar sobre o Sirius, acho que é o que conhece melhor aqui.

— Ei! Ele é meu primo! — reclamou Nymphadora.

— Sim, mas sobre o que quero falar... Bom, como ele age com as mulheres, Remus estava com ele quando era mulherengo.

— Não que isso me orgulhe — aceitou o homem, sentando-se — Direto ao assunto, o que te preocupa?

— Bom, ontem Julia e eu...

— Já sabemos — interrompeu Dora — Julia nos ligou cedo porque não sabia nada de você. Realmente não consigo acreditar que a deixou sozinha.

— Não acho que foi intenção dela, depois de bebermos, deve ter ficado mais perdida do que eu — comentou.

— Também sabemos que acabou no apartamento do Sirius, falamos com ele há umas horas para sabermos de você, mas não temos nenhum detalhe.

— Bom, então acho que já sabem de tudo — disse um pouco surpresa.

— É claro que não! Agora mesmo vai nos contar o que aconteceu em detalhes — ela exigiu.

Sem outra opção, já que não podia atrasar mais aquele momento, Hollie começou a contá-las sobre o que aconteceu desde que recobrou a consciência, quer dizer, quando acordou na cama de Sirius. Envergonhada, contou como ele brincou com ela, a conversa que tiveram na cozinha, e outras trocas de palavras que tiveram depois de muitas coisas e supostos relatos do que fizeram depois que chegou à noite.

— O que acham? — perguntou ao casal quando terminou.

— Eu não acredito que subiu no meu tio e gritou "irra!" como se fosse uma vaqueira.

— Tô falando sério, Nymphadora — reclamou, já arrependida de ter contado sobre aquela parte, sabia que era um erro.

— Bom, em primeiro lugar, isso deve ter sido invenção do Sirius — disse Remus, conciliador, embora também sorria pela piada — Quanto ao resto, acho que o que te preocupa é se é verdade ou não.

— Sim! Acha que realmente poderíamos ter, bom, uma relação séria?

— Não pode esquecer o passado do meu amigo e da sua incontável lista de conquistas — Dora o lançou um olhar, dizendo silenciosamente que não estava ajudando —, mas, francamente, não acho que seja coisa de uma noite. Ele nunca se esforçaria tanto se fosse só isso, acho que podem sim ter uma relação séria, mas teria que falar com ele pra ter certeza.

— Nesse caso, a pergunta é se você estaria disposta a se arriscar — completou Tonks.

— Eu não sei. Eu quero e às vezes tô a ponto de aceitar, mas em outras...

— Sempre existirão dúvidas em uma relação, isso é algo que não dá pra evitar, mas não vai ganhar nada se deixar que as dúvidas ganhem — lhe aconselhou Remus.

— Experiência própria?

— Valeu pela lembrança, hein — ironizou Dora, lembrando de tudo o que eles passaram para aceitarem estar juntos.

— Mas também tem isso — esfregou a própria barriga enquanto dizia — O que teria acontecido se daquela vez eu tivesse realmente ficado grávida?

— Meu tio teria assumido, você sabe disso, não sei por que se preocupa tanto, não acho que com uma vez é suficiente — Remus estava a ponto de dizer que uma vez podia ser suficiente quando...

— Na verdade... — Hollie mordeu o lábio, não querendo continuar.

— Na verdade o quê?

— Bom, faz menos de uma hora que saí do apartamento de Sirius e vim pra cá, passamos toda a manhã e tarde juntos, e não estivemos jogando cartas — terminou corando.

— Que pervertida! — exclamou divertida.

— Fala como se não tivessem feito a mesma coisa pra esse bebê estar aí — a lembrou, apontando sua barriga.

— É, mas o que você vai fazer? — Dora perguntou.

— Esperar. Tenho que pôr a cabeça no lugar.

— E não consegue com meu tio em cima de você te...

— Dora! — os dois castanhos reclamaram ao mesmo tempo — Bom, deixando isso de lado, posso dormir aqui? — ela continuou.

— Claro — confirmou Remus — E amanhã vamos naquele bar pegar o seu carro, imagino que ficou lá.

— Provavelmente.

— Bom, vou fazer o jantar.

O resto da noite foi bastante tranquila, durante o jantar os três estiveram conversando sobre qualquer banalidade enquanto conviviam como os amigos que eram. Quando o sono se fez presente, ajeitaram o segundo quarto com cama, que era antes de Nymphadora, para que Hollie pudesse passar ali a noite.

A verdade é que depois do dia tão movimentado, queria relaxar um pouco e felizmente conseguiu, já não tinham tocado no assunto de Sirius, o que foi uma sorte para ela, e agora que estava naquele tranquilo quarto, poderia pensar um pouco na sua situação com a cabeça fria.

Sem dúvidas não tinha como voltar atrás no que fizeram naquele dia, e talvez assim era melhor, mesmo quando não quisesse aceitar, se foi atrás de Sirius bêbada não foi por causa do álcool, ela no fundo realmente queria ficar com ele. Movendo-se na cama, pensou no que passaria agora, no final decidiu deixar de escutar essas dúvidas que a dominavam de vez em quando, se arriscaria outra vez, mas antes queria saber como ele reagiria, especialmente depois que pudesse confirmar se estava grávida ou não.

A noite deu lugar ao dia e depois novamente a noite, o certo foi que aquele domingo não aconteceu nada verdadeiramente relevante, além de Hollie ter ido buscar seu carro no bar. A razão foi que durante todo aquele dia, Sirius desapareceu completamente, não puderam encontrá-lo no seu apartamento, nem ligar no seu celular porque ele tinha desligado, e nem mesmo nos bares ou refúgios que costumava frequentar.

Obviamente Remus pôs James e Lily a par da situação, mas nem mesmo o moreno que era quase seu irmão conseguiu lidar com ele, tanto eles quanto Hollie queriam falar de frente com ele, mas no final não foi possível. Só podiam esperar que ele aparecesse para trabalhar na segunda-feira.

Fazia uma hora desde que a construtora tinha aberto as portas e nem sinal de Sirius Black. Embora isso não diferenciasse muito do seu comportamento habitual, os únicos que se preocuparam com aquela ausência foram James e Remus, que estavam no escritório do primeiro, com o ocorrido com Hollie do outro dia estavam preocupados que seu amigo cometesse alguma estupidez.

— Bom dia! — a porta abriu-se logo e gritando a todo pulmão entrou Sirius, dando de cara com seus dois amigos, que começaram a olhá-lo interrogativos — Por que essas caras? Alguém morreu?

— Sirius, tentamos falar contigo desde ontem e...

— Eu sei, Pontas, mas o que posso dizer? Tinha coisas a fazer — o interrompeu, estar usando seus apelidos era sinal de que estava muito feliz — E o que temos pra hoje?

— Não vamos desviar o assunto assim tão rápido — disse dessa vez Remus — O que você fez? — disse com uma careta característica, isso indicava que seu amigo falava sério e que não seria bom para ele tentar disfarçar.

— Okay, você venceu, Aluado. Imagino que já sabem o que aconteceu — eles assentiram — Então, depois que Hollie saiu, eu fui pensar...

— O que pode ser tão bom quanto ruim — comentou James.

— Eu fui pensar — repetiu Sirius, ignorando o comentário — em todos os problemas que tivemos e das coisas que disse, ela acha que não tô levando a sério, então tive uma ideia pra que saiba que é verdade.

— Que ideia? — perguntou James que, assim como Remus, temia o pior.

— Vou pedi-la em casamento!

— Quê? — eles exclamaram ao mesmo tempo — Sirius, isso é muito sério, não pode decidir isso assim — continuou o castanho.

— Ele tá certo, Almofadinhas — acrescentou o moreno — É uma decisão que precisa pensar com calma.

— Mas é esse o caso, ela pensa que não sou capaz de me comprometer com alguém, então assim demonstro que tô levando a sério.

— Mas não pode chegar assim do nada e pedi-la em casamento — retrucou James.

— E por que não? Estivemos muito tempo juntos e além disso, no final acabaríamos nos casando — exclamou em sua defesa — Pra quê perder mais tempo se sabemos que vai acontecer?

— Talvez tenha razão — concedeu Remus —, mas seria muito precipitado que a propusesse assim, principalmente depois do fim de semana.

— É isso — interveio James — Hollie poderia interpretar mal. Precisa pensar bem como e quando pedir a mão dela, ainda mais considerando o histórico de vocês dois...

— Tá bem, tá bem, vamos trabalhar — disse querendo terminar com a conversa de uma vez, mas algo em seu olhar os fez desconfiar.

— Sirius, diga que não pensou em uma loucura — pediu James.

— E muito mais importante — acrescentou Remus —, que não levou a cabo essa ideia — esperaram um momento.

— Então...

No segundo andar de um edifício de escritórios em Londres, uma mulher estava focada em alguns documentos, tinha a responsabilidade de administrar a herança de sua amiga. Tudo estava encaminhado muito bem com esse assunto, então permitiu-se pensar nos seus assuntos, aquele estranho desaparecimento de Sirius no dia anterior a estava incomodando um pouco, principalmente porque começava a ter um pressentimento.

Seus pensamentos foram subitamente interrompidos por um imenso barulho vindo da rua na frente do escritório, uma música estridente e em movimento estava tocando, ao mesmo tempo em que explodiam foguetes e pólvora, era impossível não se distrair com tanto barulho. Cansada disso, abriu a janela para ver o que acontecia e gritar para que fossem embora, mas quando fez isso paralisou, e sentiu como jogavam um balde de água nela.

Justo embaixo da sua janela tinha uma boa quantidade de pessoas, algumas tocando a música enquanto soltavam foguetes que, ao vê-la, começaram a acenar e tocar com mais empenho, outras seguravam imensos arranjos florais que rodeavam seis enormes palavras que formavam uma frase. Em algum momento, as pessoas começaram a apontar para o céu onde dois aviões seguravam cada um longas bandeiras de onde estava escrito a mesma frase que formavam os arranjos flores.

"Hollie, quer casar comigo? Sirius".

Ela não sabia o que dizer nem como reagir, uma parte pela impressão e outra pela imensa vergonha que seu nome estivesse tão presente em todo aquele show. Se o escritório inteiro já não tinha descoberto, não demoraria muito para isso. Com o rosto inteiro vermelho, entrou e fechou a janela com pressa. Nunca imaginou receber uma proposta dessas de Sirius e muito menos de um jeito tão chamativo.

Em uma nova olhada na multidão, percebeu que o dito cujo não estava ali fora. Tinha enormes vontades de sair do escritório e ir atrás dele, mas não sabia se era para estrangulá-lo pela enorme vergonha que a estava fazendo passar ou para dar uma resposta. O que sabia era que teriam muito o que falar da próxima vez que se vissem.