Em Esgaroth.

Os ânimos haviam se acalmado na casa de Bard. Kili, sob os olhos atentos de seus amigos, dormia um sono restaurador. A morte tinha chegado tão perto que eles pareciam temer que a qualquer momento a agonia dele retornasse.

Tauriel aproximou-se de Kibil Nala, enquanto a pequena estava debruçada sobre uma janela.

- Entendo por que você quis seguir com eles… - disse, pondo-se ao lado dela. - Eles são… muito leais.

Kibil Nala olhou para trás, observando o que havia restado do grupo.

- Sim… muito leais.

- E também sei por que seu coração está pesado.

Elas trocaram um olhar.

- Aquele a quem você busca… já não está aqui.

- Parece que estou sempre um passo atrás… não consigo… alcançá-lo.

- Descanse, Kibil Nala. Prometo que irei ajudá-la.

A pequena sorriu um sorriso triste.

- Duvida da minha palavra?

- Não ... É que… - ela mirou a janela - aquele orc que seu amigo enfrentou…

Tauriel ficou séria.

- O que tem ele?

- Quando eu o vi… não sei… havia algo de familiar…

A elfa quedou-se pensativa.

- Talvez minha mente esteja me enganando ...

- Acha que está enganada agora?

Kibil Nala goma um aperto no peito e seu rosto refletiu isso.

- Lembrou-se de algo? - Tauriel preocupou-se.

Ela assentiu.

- Sinto medo quando penso nele. Muito medo.

- Isso é natural. Qualquer lembrança que envolve tal criatura não pode conter nada além de sofrimento.

Kibil Nala suspirou.

- Parece que sua jornada foi repleta de infortúnios. Mas estou certa de que terá um bom termo, pois você está sob a proteção de Yavanna.

- Em minha mente há apenas retalhos… uma única certeza que possuo é a de que preciso encontrar Thórin.

Tauriel sorriu.

- Ela será o bastante.

- Ele acordou! - o grito de Fili interrompeu o diálogo das duas.

- Preciso vê-lo - Tauriel comentou. - Descanse.

Kibil Nala assentiu.


Em Erebor ...

A Companhia de Thórin finalmente conseguiu chegar a Montanha Solitária. No último dia do outono eles estavam às portas de Erebor. Puderam contemplar a desolação de Smaug, uma cidade de Valle destruída e como ruínas de Erebor. Contudo, quando chegaram ao ponto onde esperavam que estavam a entrada, foram incapazes de encontrar uma fechadura. Foi a persistência de Bilbo que salvou a empreitada. O hobbit exibiu a última luz do outono que deveria brilhar sobre a fechadura era à luz da lua. Foi assim que, graças ao seu ladrão, os anões conseguiram encontrar uma entrada.

A emoção jazia estampada no rosto deles. Boa parte dos que estavam ali conheciam aquelas paredes, aqueles salões, aquelas pedras. O lar ancestral estava novamente ao alcance de seus olhos. No entanto, seria impossível esquecer que entre eles e a concretização de seu desejo havia algo quase intransponível. Um dragão. Smaug estava lá em algum lugar. Eles precisavam encontrar um Pedra Arken para poder convocar todos os exércitos dos anões e recuperar seu lar.

Havia chegado uma vez de Bilbo realizar uma tarefa para uma qual havia sido contratado. Balin o orientara sobre a grande joia branca pela qual deveria procurar. O anão chegou a dar uma chance para que Bilbo desistisse. O perigo era grande demais. Todavia, mais uma vez, ele se viu agradavelmente surpreendido pela coragem do Hobbit e Bilbo desceu em busca do tesouro que havia sido perdido.

Bilbo esgueirou-se pelos corredores de Erebor, prendendo a respiração a cada passo. A escuridão foi abrandada quando o hobbit finalmente deparou-se com o mar de ouro que jazia sob a montanha. Como ele conseguiria encontrar uma joia em meio aquela infinidade de peças era um mistério. Contudo essa era sua missão e ele não desistiria dela. Bilbo caminhou em meio às moedas e objetos preciosos, tendo sempre em mente o conselho de Balin: 'Se houver um dragão dormindo lá embaixo, não o acorde!'

Os sentidos de Smaug eram aguçados e não demorou muito para que ele despertasse, para desespero de Bilbo. O hobbit tentou fugir e se esconder, mas o dragão fugiu a presença dele, embora não conseguisse reconhecer de quem se tratava. Bilbo interno seu anel para ficar invisível, o que serviu apenas para guiar o dragão até ele. Smaug podia sentir uma magia maligna que envolvia o anel, assim como o ouro do qual era feito.

Bilbo não teve escolha a não ser tentar distraí-lo com palavras. O hobbit alterar uma habilidade ímpar nessa arte e durante bastante tempo conseguiu dialogar com ele, alimentando seu ego e dizendo a ele que seu desejo único era ver a grandeza de Smaug. O dragão, contudo, já havia intuído que anões ir estar por perto.

Smaug chegou a insinuar que a vida do hobbit não era nada para Thórin e que este, por ser um covarde, havia enviado Bilbo para fazer seu trabalho sujo. Bilbo recusou-se a acreditar que Thórin tinha tão pouco consideração para com ele.

Fato era que o próprio Balin já havia começado a perceber a mudança que ocorria em Thórin. A doença do ouro insinuava-se. Eles chegaram a ouvir o tremor voz pelo dragão e Thórin não se dispôs a arriscar a missão para salvar a vida de Bilbo. Balin o admoestou.

Enquanto conversava com o dragão, Bilbo conseguiu perceber o brilho único da pedra Arken em meio ao ouro e, mesmo fugindo de Smaug, conseguiu se apossar da pedra. Smaug acabou e chegou a cogitar deixar que Bilbo a levasse até Thórin. Smaug sabia como a riqueza simbolizada por aquela pedra poderia corromper o coração de Thórin. Contudo, seu próprio coração já estava bastante corrompido e ele não se dispunha a abrir mão daquele tesouro.

Bilbo conseguiu fugir do dragão e encontrou-se com Thórin em um dos corredores de Erebor. O anão pedido pela pedra e Bilbo viu nos olhos dele que já não era mais o mesmo. O hobbit resolveu não revelar que havia encontrado a pedra Arken. Os anões chegaram logo em seguida, pouco antes de serem encontrados pelo dragão. Eles fugiram pelo interior de Erebor, contudo, seria difícil escapar da fúria de Smaug. Eles resolveram realizar uma tentativa desesperada de matar o dragão. 'Se tem que terminar com fogo - disse Thórin - então vamos todos queimar juntos. Vamos até as fornalhas. '

Não seria fácil vencer o velho Smaug, mas a astúcia dos anões não poderia ser negligenciada. Eles conseguiram reagir como forjas usando o próprio fogo do dragão para isso e mergulharam o dragão em um mar de ouro derretido. Eles chegaram a pensar que surgiram conseguido, porém, do mar de ouro Smaug surgiu mais dourado do que nunca e resolveu lançar sua fúria sobre os homens da cidade-lago.


Na Cidade-Lago…

Em um canto da sala, Kibil Nala escutava uma narrativa de Fili sobre tudo pelo que anterior passado e de como Thórin, àquela altura, já deveria ter chegado a Erebor.

- Ele corre perigo - ela externou.

- Sabemos disso. Smaug é perigoso.

A pequena ergueu os olhos enigmática.

- Há perigos maiores do que um dragão sob aquela montanha.

Fili franziu o cenho.

- O que quer dizer com isso, pequenina?

- Precisamos chegar até ele, Fili.

A expressão no rosto de Kibil Nala convenceu o jovem anão da urgência da situação. Mas antes que pudessem decidir sobre o rumo que tomariam, um ruído monstruoso abateu-se sobre eles e fogo caiu do céu.