Dragon Ball não me pertence
Capítulo 27
Testamento
O dia que se seguiu amanheceu escuro e tempestuoso. Vegeta acordou com seu scouter alarmando no chão onde ele o jogara juntamente com suas roupas na noite anterior. Ele levantou tentando não acordar Bulma que o estava abraçando e pegou o scouter no chão. Colocou o scouter, e viu que Kakkarotto o estava chamando.
— Onde você está? - Kakkarotto perguntou quando Vegeta ligou a função de comunicar.
— O que você quer tão cedo Kakkarotto? - Vegeta indagou irritado.
— Você está com Bulma, não está? - Kakkarotto perguntou sem esconder um sorrisinho.
— Isso não é da sua conta. - Vegeta reclamou mais irritado. - diga logo o que quer!
— Meu pai está lhe procurando para uma reunião com o conselho de anciãos. - Kakkarotto explicou.
— Ele que espere, não vou a nenhum lugar agora. - falou olhando para Bulma que acordara e o olhava de onde estava deitada.
— Você tem que vir, Vegeta. É a reunião para decidir sobre a sua coroação, é sua obrigação vir. - Kakkarotto explicou com paciência.
— E que horas será isso? - perguntou já aceitando a ideia.
— Dentro de uma hora na sala do trono.
— Estarei lá.
— Até lá então. - Kakkarotto falou contente. - Dê uma abraço a Bulma por mim, E...
— Insolente! - Vegeta resmungou desligando o scouter.
Quando desligou o scouter, o príncipe acalmou as feições ao ver Bulma ainda olhando-o, a garota tinha o lençol cobrindo-a timidamente até o pescoço, enquanto ele encontrava-se ainda completamente sem roupa de pé no meio do quarto.
— O que foi? - ele perguntou mais calmo, aproximando-se da cama e vendo que Bulma o olhava quase com medo.
— Você está com raiva de mim? - ela perguntou com receio, o lençol ainda cobrindo-lhe o corpo todo.
— Por que eu estaria? - ele perguntou sério enquanto tocava uma mecha do cabelo dela.
— Pelos terráqueos terem assassinado papai por minha causa. - disse quase as lágrimas.
— Não foi culpa sua. - ele falou aborrecido.
— Foi sim, eles queriam tirar você e papai do caminho por que queriam uma cientista! Eles deviam ter me levado – disse quase as lágrimas.
— Deixe de besteiras, garota! Você não tinha como prever isso. Você não teve culpa. Não estou com raiva! - falou suave beijando-a nos lábios.
Ela acalmou mais seu coração e começou a sentir novamente o desejo que só ele lhe causava. Ele puxou o lençol que a cobria. Fizeram amor com paixão novamente.
Uma hora depois Vegeta chegava ao salão do trono. Bardock, Kakkarotto e um grupo de cinco anciãos sayajins os esperava. Ele, que era acostumado a acordar cedo e bem disposto, chegou mal-humorado por ter que deixar a cama naquela manhã fria, principalmente, por que deixara Bulma nela. Além do mais, ele detestava conversar com aqueles velhos gagás, como os chamava, mas como eles eram encarregados de tomar conta das tradições e leis sayajins, por diplomacia, seu pai os escutava sempre. Já Vegeta não era tão diplomático quanto seu pai, e não suportava que os velhos ditassem regras, mesmo assim ele ainda resignava-se a ouvi-las, mas tinha resolvido que só se submeteria a esses velhos enquanto príncipe, não ouviria mais ninguém quando o fizessem rei, pensou ao ver o grupo de anciãos lhe aguardando.
Quando se encontraram, o grupo o reverenciou e seguiu para a mesa de reuniões na extremidade esquerda do salão do trono. Quando sentaram, um dos anciões, que Vegeta sabia que era o ser mais velho do planeta, levantou-se.
— Alteza, viemos para falar-lhe sobre a transição para o trono de seu pai. - o velho começou lentamente.
— Isso eu já sei, - Vegeta falou mal-humorado de onde estava sentando, ainda pensava em Bulma deitada nua pedindo que ele não saísse do quarto. - Vamos logo com isso.
— Ah, claro. - o velho falou sem se importar, já era acostumado com o mau humor dos soberanos. Ele abriu um pergaminho velho sobre a mesa e começou a lê-lo em voz alta. - Vossa alteza, o príncipe Vegeta como único filho do nosso último soberano e por direito adquirido, será coroado rei de Vegeta-sei em um mês a contar da data do falecimento de seu pai.
— Só daqui a um mês? - o príncipe perguntou irritado. - Pensei que seria coroado hoje mesmo!
O ancião não se abalou, apenas continuou lendo.
— Vossa alteza será coroado ao final do período de luto por seu pai, que é de um mês. - o ancião explicou despreocupadamente. - A coroação equivale a entrega do colar real que seu pai usava e que encontra-se em nosso poder. Vossa alteza deverá usar esse tempo para organizar as bases de seu governo. Podendo já nomear líderes e reorganizar o exército ou qualquer outra atividade que seja relacionada ao poder.
— Resumindo, eu já sou rei, exceto pelo fato de que ainda não tenho título. - Vegeta finalizou mais calmo.
— Pode -se dizer que é isso. - O ancião explicou. - tem mais uma coisa, majestade. Vossa alteza deverá usar esse tempo para escolher uma esposa, pois deverá casar-se no dia de sua coroação.
— O que? - Vegeta quase levantou-se de surpresa. - Tenho que casar? Como assim tenho que casar? Não tenho planos para casar tão cedo...
— São as leis, alteza – o ancião explicou com paciência. - leis criadas pelos seus ancestrais. Vossa alteza deverá casar dentro de um mês ou não será coroado.
— Isso é um absurdo! - Vegeta gritou batendo na mesa com força que só não quebrou pois era reforçada para esse tipo de acesso de raiva sayajin.
— Não é absurdo, Alteza. É a lei. - Um outro ancião falou também calmo.
— Assim garantiremos a continuação da estirpe real. - O ancião que estava com o pergaminhou falou.
— Era só isso que tinham para dizer? - Vegeta falou furioso.
— Ainda há outra coisa, Alteza. - o ancião disse ainda calmo.
— O que é dessa vez? Já querem que a noiva suba ao altar grávida? - ele ironizou.
— Não é isso, é sobre o testamento de seu pai. - o ancião disse ainda calmo.
— Testamento? - Vegeta retrucou sem entender. - que testamento? Pensei que tudo passava para meu poder automaticamente.
— O poder e o governo, passam. Agora os bens que pertencem a coroa, são passados através de testamento. - Outro ancião explicou.
— E esse testamento não me passa tudo? - Vegeta perguntou alterado, estava tendo mais surpresas do que gostaria aquele dia.
— Nem tudo, alteza. - o ancião explicou e voltou-se para Kakkarotto. - Meu jovem, vá buscar a outra herdeira.
Kakkarotto acenou positivamente com a cabeça, levantou-se e foi até a porta do salão do trono, Vegeta olhava estupefato, já imaginando quem seria a outra herdeira. Kakkarotto entrou menos de um minuto depois acompanhado por Bulma, que vestia-se de preto e tinha os longos cabelos presos em uma trança. Ela seguiu o sayajin timidamente e ficou de pé ao lado da mesa.
— Sente-se, minha jovem. - o ancião falou bondosamente e Bulma sentou-se ainda assustada. Não queria estar ali, mas Bardock foi buscá-la logo que Vegeta saiu, dizendo que era obrigada a ir.
— Agora que estamos todos, vou começar a leitura do testamento. - o ancião pegou outro pergaminho que estava lacrado com o selo real. Ele mostrou a todos que o selo estava intacto e abriu o pergaminho.
Começou a ler com a voz lenta
— Eu, Rei Vegeta, soberano maior de Vegeta-sei, deixo os bens da coroa para meu filho, príncipe Vegeta que poderá usufruí-los no instante de minha morte. A esses bens, excetuam-se apenas, a mansão das montanhas vermelhas, a nave 0087, os campos de Island e as jóias e pertences da rainha que deverão ser repassadas para minha filha adotiva, Bulma Briefs. - o ancião lia em voz alta e todos ouviam com muita atenção. Ele olhou para todos e prosseguiu. - No entanto, esses bens, excetuando jóias e pertences da rainha, ficarão sobre o controle de meu filho, príncipe Vegeta, até que a jovem se case, de forma que sua herança configura-se como seu dote de casamento. A tutela da garota também ficara para meu filho, sendo ele o guardião legal da garota.
Tanto Vegeta quanto Bulma estavam espantados com a leitura do testamento. O rei deixara para a menina uma de suas naves mais poderosas, uma de suas melhores mansões e campos que produziam muito alimento e que eram uma fonte de renda quase inesgotável, além das jóias e de tudo que pertenceu a rainha, e que não deveria ser passado para Bulma e sim para a futura rainha. Bulma não entendeu muito daquilo, não entendeu que agora era imensamente rica, ela entendeu o fato de que era Vegeta quem administraria seus bens até que ela se casasse, o que para Bulma, diante dos últimos acontecimentos, era algo praticamente impossível de acontecer. A não ser que fosse com ele.
— Bulma, você agora é muito rica! - Kakkarotto disse contente, ignorando a cara de espanto da garota.
— Eu...não sei o que dizer. - a garota falou aturdida, estava muito emocionada pelo rei ter lembrado-se dela, mas isso a fez lembrar que ele não estava mais ali. - Acho que não posso aceitar...- disse pensando que Vegeta ficaria irado por ela ficar com parte de sua fortuna. Mas, descobriu logo que estava enganada.
— Não seja tola, garota. - Vegeta falou ríspido do lugar que estava sentando sem olhá-la. - Se meu pai lhe passou esses bens, você tem obrigação de aceitá-los. Assunto encerrado.
Bulma nada disse, apenas baixou a cabeça resignada. Vegeta estava sendo indiferente com ela na frente das pessoas, apesar de terem feito amor a pouco menos de uma hora. Isso lhe mostrou claramente como seriam as coisas entre eles dali em diante.
— Agora terminamos, Alteza. - um ancião falou com um quase sorriso para o príncipe. - vamos nos retirar.
Os anciões levantaram-se, fizeram uma reverência e saíram da sala do trono, deixando os demais calados em seus lugares.
— Velhos insolentes! - Vegeta murmurou olhando os anciões saírem.
— Sr. Bardock, o que significa tutela? - Bulma perguntou passado um tempo, ficou intrigada sobre qual era a verdadeira a ligação que havia entre ela e Vegeta, de acordo com o testamento. Vegeta a olhou interessado.
— Significa a guarda legal, menina. - Bardock falou bondoso.
— Significa, nesse caso, que eu sou seu tutor e dos seus bens. - Vegeta interrompeu sério. - Em outras palavras, que você só poderá fazer algo com a minha autorização.
— Bem, isso não é novidade...- Bulma falou irônica, se ele ia lhe tratar com indiferença em público, ela também não ficaria por baixo. - E eu só vou poder usar de meus bens quando me casar? Por que se for isso, acho que não vai acontecer nunca, então. - ela falou sarcástica.
Vegeta ficou intrigado com a garota. Estava tentando ser indiferente a ela em público, para as pessoas não notarem seu envolvimento, mas não estava gostando que ela fizesse a mesma coisa.
— Você pode dispor das jóias, roupas e outros pertences da rainha. - Bardock explicou olhando Bulma. - é só solicitá-los no cofre real. Só não pode dispor da nave, das propriedades e da renda delas.
— Não quero nada, sr. Bardock. - Bulma falou decidida. - eu sou apenas uma empregada do laboratório. Pra que eu ia ficar andando por aí com as jóias da rainha? Seria ridículo. Prefiro que fiquem no cofre. - disse com amargura.
Essa outra resposta surpreendeu Vegeta ainda mais. Bulma pensava em continuar sendo empregada do laboratório, mesmo agora que estavam juntos? Então, ele lembrou que tinha que casar dentro de um mês. E como ele queria que fosse com Bulma! Mas não podia, não devia. Ela era um plebeia, podia dar-lhe filhos fracos e que não seriam sayajins de sangue puro. Ele não queria nem pensar nessa ideia, nem na ideia de deixá-la.
— Bulma, deixe-nos a sós. - Vegeta ordenou sério, porém sem sua brutalidade característica. - Preciso conversar com Kakkarotto e Bardock.
— Está bem. - ela falou resignada, levantando-se. - vou ao laboratório, tentarei trabalhar um pouco.
— Você acha que tem condições de trabalhar? - Vegeta perguntou tentando esconder sua preocupação.
— Não sei. - ela falou séria voltando-se para os sayajins. - Mas preciso manter minha mente ocupada, e além do mais, preciso ver os outros interessados em comprar a frota de naves que Pilaf encomendou, já que estão prontas, ele não pagou por elas. - falou eficiente e fria.
Ela fez uma rápida reverência e saiu.
Vegeta não gostou da frieza da garota. Mas estava satisfeito que ela estivesse melhor, não parecia mais a mesma zumbi do dia anterior.
— Ela é muito eficiente. - Bardock comentou quando Bulma saiu. - Seu pai a admirava muito.
— Vamos ao que interessa. - Vegeta cortou, querendo esquecer Bulma naquele momento e concentrar-se no seu governo. - Bardock, quero fazer algumas mudanças na estrutura militar. Kakkarotto será meu general a partir de agora.
— Acho justo. - Bardock disse sério. - eu era general de seu pai por que conhecia o modo dele de fazer as coisas, acho que meu filho já conhece o seu.
—É. - Vegeta confirmou. - Mas quero lhe dar uma última missão. Agora que matei o rei da Terra, o planeta está sem líder. O quero para mim. Quero que parta com um grupo de soldados e domine o planeta antes que outro tome o controle. Vamos transformá-lo em colônia, será nosso entreposto comercial na galáxia norte, e quero que você seja o governador de lá.
Ser entreposto comercial não era o único motivo pelo qual Vegeta queria a Terra, a queria também por que era o planeta de Bulma e queria estar de olho em tudo que fosse relacionado a garota. Mas ele não revelaria isso a Bardock.
— Tem certeza disso, alteza? - Bardock perguntou, não gostara muito da ideia de ir para outro planeta. Temia deixar o planeta a mercê das ambições de Vegeta, sabia que Kakkarotto era facilmente manipulado pelo príncipe, temia pelo que pudesse acontecer.
— Absoluta. - Vegeta retrucou – organize-se o mais breve possível.
— Como quiser. - Bardock respondeu resignado.
— Pode se retirar agora, quero falar com Kakkarotto a sós. - Vegeta ordenou sem olhá-lo.
Bardock levantou-se, fez uma reverência e saiu.
Quando ficaram a sós, Kakkarotto, que se mantivera calado até aquele momento. Começou a falar contente.
— Quando vai anunciar seu casamento com Bulma? - perguntou como se fosse a coisa mais normal do mundo e Vegeta o odiou por sempre adivinhar os assuntos que ele queria discutir e não sabia como começar.
— Insolente! - ele quase gritou- quem te disse que vou me casar com ela?
— Vocês estão dormindo juntos, eu achei que era óbvio. - falou inocente.
— Não, não é.- Vegeta disse preocupado. - Esqueceu que ela é uma plebeia? e o pior, que não é sayajin? Não posso arriscar ter um filho fraco com ela, seria o fim da nossa raça, sem um rei forte para proteger nosso império, tudo desmoronaria.
— E quem disse que seus filhos com ela seriam fracos? - Kakkarotto retrucou.
— E quem garante que não serão?
— Pois decida-se logo, então. - Kakkarotto falou anormalmente sério. - Se não vai ficar com Bulma, deixe de ficar com ela antes que seja tarde demais. Ela é honrada, não vai aceitar ser sua amante quando escolher se casar com outra.
— Eu ainda não decidi nada. - Vegeta argumentou confuso. - e enquanto isso, não conte a Bulma que preciso escolher uma rainha dentro de um mês e não conte a ninguém sobre minha relação com ela. - acrescentou autoritário.
— Eu não concordo com isso, mas acho que sou obrigado a lhe obedecer, não é?. - Kakkarotto falou muito sério. - Só peço que tome cuidado para não fazer uma escolha que o atormente o resto da vida.
— Deixe de besteira Kakkarotto. - Vegeta aborreceu-se, não queria mais pensar naquilo – Está dispensando, deixe-me em paz!
Kakkarotto saiu deixando o príncipe mais atordoado do que nunca.
