Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 41 - Mais um casamento.
Era uma noite tranquila e silenciosa, tanto que inclusive era possível perceber o voo de uma mosca pelo quarto. Toda essa passividade contrastava com a confusão que em algumas horas começaria, e no tremendo turbilhão de ideias que um encostado moreno tinha na sua cabeça, enquanto contemplava o vazio teto à sua frente, incapaz de dormir por mais que quisesse.
Sirius Black estava imerso em uma persistente insônia, uma insônia provocada pelo passo que estava a ponto de dar, em algumas horas estaria casado. Ninguém nem seus amigos, conhecidos nem mesmo ele tinham imaginado que algo assim aconteceria. Ele queria estar com aquela mulher, realmente queria, mas ainda assim não podia evitar sentir-se nervoso.
Por um breve momento, pensou no deboche de seus amigos sobre sair correndo. sS tinha que tomar cuidado para não acordar Lily, pois sabia que James não acordaria nem com uma bomba, mas esse impulso foi rapidamente acalmado pela lembrança dela, por aquela doce e terna mulher que dentro de algumas horas seria sua esposa, e que seria capaz de castrá-lo com um cortador de unhas se ele se atrevesse a deixá-la plantada no altar. E mesmo que conseguisse escapar até o abismo mais profundo do inferno, ela se encarregaria de encontrá-lo e de arrastá-lo de volta.
Mexeu-se incomodado na cama por mais alguns minutos até que finalmente o sono começou a aparecer, o melhor seria não pensar muito no assunto.
Sábado, 8:45 am, casa dos Potters.
Não tinha sido um sono exatamente reparador, mas foi tudo o que o moreno pôde conseguir naquela noite, os murmúrios vindos do primeiro andar não eram muito fortes, mas Black podia escutar claramente. Olhando o relógio, percebeu que ainda era muito cedo, pelo menos comparado com o horário que costumava se levantar em um fim de semana.
Conformado em não poder mais dormir, levantou-se da cama e se vestiu com o primeiro que encontrou. Não importava muito, pois em algumas horas teria que trocar de roupa para o casamento, a simples ideia fazia seu estômago revirar pelo nervosismo que sentia, isso estava sendo mais difícil do que tinha imaginado no começo.
Desceu ao primeiro andar e foi até a origem do ruído. Na cozinha, Lily estava preparando o café da manhã para todos na casa. Em um certo momento, a ruiva deu as costas e o recebeu com um sorriso amável.
— Bom dia, Sirius — o cumprimentou, servindo uma xícara de café.
— Bom dia, ruiva — devolveu o cumprimento, pegando uma xícara.
— Conseguiu relaxar? Porque é óbvio que não conseguiu dormir — ela perguntou.
— Como sabe que não dormi?
— Tá acordado antes das onze, não é muito normal. Se tivesse dormido bem, ainda estaria na cama.
— Sim, eu consegui dormir. Algumas horas, mas consegui.
— Nervoso pela sua brilhante ideia? — ela brincou.
— Sim, mas eu não vou fugir.
— Mesmo que tentasse, não adiantaria. Não acho que chegaria longe sem sua carteira, chaves ou carro.
— Pegaram a minha carteira e chaves? — ele impressionou-se.
— E os quatro pneus do carro, e só por segurança, escondemos também a chave do nosso onde nunca pensaria em procurar.
— Que maldosa — exclamou, mas no fundo achou divertido que tivessem feito tudo aquilo.
Estiveram conversando sobre qualquer coisa enquanto Lily terminava de cozinhar. A cerimônia seria às duas da tarde, então tinham um pouco de tempo. Quando o café estava pronto, a ruiva foi atrás de seu marido, mas antes puderam escutar o som da campainha da porta.
Depois de um tempo que ela saiu da cozinha, entrou Remus, perfeitamente arrumado como de costume.
— Bom dia, Sirius — saudou o castanho.
— Olá, Aluado — ele saudou de volta — Veio pra ter certeza que eu continuava aqui?
— Não, tinha certeza de que Lily e a imagem furiosa de Marlene te impediriam de correr — disse, debochadamente.
— E onde deixou minha sobrinha?
— Ontem a deixei com Andrômeda e Hollie — respondeu — A essa hora, talvez continue adormecida.
— E você como sempre se levantando com o sol, né? — acrescentou — Como vai o pequeno ludo?
— Quem?
— Seu filho, o pequeno ludo.
— Ludo? — repetiu estranhado — A gravidez de Dora tá bem — respondeu finalmente — Em alguns meses, ela vai dar a luz e...
— E teremos um novo maroto no grupo — comemorou o moreno.
— E em outros meses nascerá outro — acrescentou — Sinto pena pelo pai que terá.
— Ei, o que você quer dizer com... — sua reclamação ficou no ar porque o som de algo caindo no andar de cima os interrompeu — Acho que acordaram James.
Alguns momentos depois, Lily entrou novamente na cozinha seguida de perto de um moreno que esfregava a part traseira, deduziram que era onde tinha caído da cama.
— Doce despertar — debochou Sirius.
— Eu não sei o porquê ela é tão brusca pra nos acordar — exclamou James — Ela não acorda Aluado nem Harry assim.
— Eu não hiberno toda vez que durmo — defendeu-se o castanho — E Harry é seu filho, claro que não vai agir assim.
— Comam logo o café, não temos tempo a perder.
— Mas ainda temos tempo, Lils — exclamou James.
— Não tanto quanto pensa, e lembra que eu saio daqui a pouco pra ajudar a noiva, e vocês deveriam fazer o mesmo com esse daí, além do mais você— apontou para o marido — tem que voltar a por os pneus no carro.
— Certo, ruiva, mas "esse daí" tem nome.
Entre a comida, as conversas e as discussões entre os três amigos, conseguiram aliviar o ambiente, e conseguiram esquecer um pouco a atenção que um deles sentia a respeito, seria uma manhã agradável.
9:30 am, casa dos Tonks.
Quase todos do lar acolhedor já tinham acordado, uma castanha apenas pôde dormir durante a noite. O motivo, seu casamento. Apesar de já ter imaginado aquele momento, nunca pensou que chegaria tão rápido, ou era assim que pensava, e mais, se casaria com a pessoa por quem se apaixonou pela primeira vez.
Esse louco mulherengo que conheceu depois de ter um relacionamento com Remus, a primeira pessoa que conseguia fazê-la sentir amor e ódio igualmente, estava completamente eufórica ao pensar que em poucas horas uniriam suas vidas. E que alguns meses depois teriam mais para apreciar.
Como já tinham dito antes, contrataram tudo o necessário para o evento, aconteceria naquela mesma casa que pouco mais de um ano antes se casou certa Tonks. O motivo pelo qual decidiram isso foi porque parecia um bom lugar, um lugar familiar, além de que não puderam marcar uma igreja para esse dia e que conheciam a geografia do lugar, no caso de algum dos noivos resolvesse sair correndo.
Andrômeda e Hollie estavam ajeitando uns detalhes quando passos adormecidos chamaram a sua atenção, Nymphadora tinha acordado há pouco.
— Bom dia — cumprimentou a mulher sonolenta.
— Bom dia — responderam as duas — Madrugou, hein — disse Hollie com certa ironia — Pensei que continuaria na cama por mais um tempo.
— Culpa de Remus. Eu costumava dormir até mais tarde, mas ele sempre acorda cedo e acaba me acordando.
— Como que acaba te acordando? — perguntou Hollie, estranhando.
— Bom, às vezes ele me acorda de propósito, sabe, falando e me dando um beijo ou dois, mas outras eu acordo com o cheiro do café da manhã. Acho que me acostumei.
— Pensou que sua vida de casada seria assim?
— Claro que não, nunca pensei chegar onde estou. Ninguém poderia imaginar que Remus e eu terminaríamos assim.
— Eu não diria isso...
— Quê?
— Quero dizer, todos tínhamos certeza de que aconteceria algo entre vocês desde o primeiro dia — Hollie se defendeu — Por isso nos esforçamos tanto no casamento.
— Sei — disse não muito convencida, sentia como se ela estivesse lhe escondendo algo.
— Bom, chega de conversa que já estamos atrasadas — exclamou Andrômeda — Lily vai chegar logo pra nos ajudar, então vamos comer e trocar de roupa. Não pode continuar de pijama pelo resto do dia.
— Você nunca vai deixar de ser mãe, não é? — comentou Dora, divertida.
— E você logo logo vai me entender, jovenzinha.
1:00 pm, casa dos Tonks.
A apenas uma hora do evento, tudo dentro de casa tinha se tornado um caos. Na parte de trás, Ted supervisionava a tenda e o banquete para que tudo estivesse no lugar, enquanto que as mulheres estavam dentro da casa, arrumando a noiva para o grande momento. Andrômeda tinha feito alguns reparos no vestido de Hollie, entre eles abrir um pouco mais o decote, o que considerou que seria de agrado do seu primo.
Já os homens se encarregavam de arrumar o seu amigo e noivo do casamento, já estavam arrumados e esperando a hora de ir. Sirius não parava de esfregar as mãos e mover a cabeça, o nervosismo que tinha tido durante a noite tinha voltado com tudo e por mais que tentassem, não conseguia afastá-lo.
Quando os três chegaram finalmente a casa dos Tonks, puderam ver o quão bem arrumado estava tudo, praticamente todos os convidados já tinham chegado, assim como foi no casamento de Remus e Dora, eram apenas os amigos e colegas mais próximos, o que garantia não só uma pequena cerimônia como também algo mais íntimo.
Tudo estava em seu devido lugar, os padrinhos, o noivo e o padre estavam em seus lugares, esperando pela aparição da noiva. Todos aguardavam com expectativa e alguns deles, sem acreditar ainda que estavam no casamento de Sirius Black, sentiam-se um pouco estranhos e até orgulhosos de terem sido convidados. Entre os presentes, os merecedores conseguiram ver claramente seu antigo diretor, Albus Dumbledore, que sorria enigmaticamente, mas muito feliz de que finalmente aquele mulherengo conseguisse o amor que tanto lhe fazia falta.
A música mudou em um momento e as damas de honra começaram a desfilar. Todas com seus vestidos rosas e cara de alegria por sua amiga, e por parte de Dora, uma barriga de grávida. Quando ficaram em suas posições, começou a marcha nupcial e a noiva fez ato de presença com seu lindo vestido branco. Caminhava devagar pelo tapete, decidida a chegar ao altar. Pôde ver na frente dela aquele idiota que tanta dor lhe causou, mas que amava com muito mais intensidade. Não estranhou que ele estivesse mais nervoso do que em toda a sua vida, e onde estava pondo a sua vista naquele momento.
Quando chegou perto dele, se olharam por alguns segundos, nos quais ela só conseguiu dizer.
— Meus olhos são em cima, Sirius — disse em um murmúrio quando ficou olhando seu decote por mais tempo do que o necessário.
— Desculpa.
Com um sorriso, ambos deram a volta e encararam o padre. A cerimônia por fim começou, o casal prestando a maior atenção possível, mas sua concentração estava posta na pessoa ao seu lado. Os padrinhos e damas de honra estavam sorrindo e dando todo o apoio, esperando impacientes pelas últimas palavras do padre.
— Você, Sirius Black, aceita Hollie Carter como esposa, esquecer de todas as outras — ressaltou essa parte por pedido de James, o padrinho —, guardar-se para ela, querê-la e amá-la até que a morte os separe?
Sirius engoliu em seco nesse momento antes de sentir como a castanha segurava a sua mão e lhe dava um forte aperto, talvez um pouco mais forte do que deveria ser. Ele interpretou como um "se disser não, eu te mato".
— Aceito — respondeu com um meio sorriso no rosto, ela realmente o tinha na coleira.
— E você, Hollie Carter, aceita Sirius Black como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe?
— Aceito — respondeu sem hesitar.
Trocaram as alianças e com a desnecessária indicação do padre, ambos deram um profundo beijo que foi acompanhado por uma salva de palmas e gritos de felicidade por parte dos convidados.
Depois disso, foram para as mesas se prepararem para o banquete. Os garçons que contrataram serviram bebidas a todos, exceto para os que não podiam beber álcool. Já nesse momento, Sirius Black estava mais tranquilo, não podia acreditar que algo tão simples o deixasse tão nervoso, e agora que já tinha acabado e que eram marido e mulher, pensou que poderia passar o resto do dia sem preocupações, mas então chegou a hora do brinde.
O tilintar de uma taça chamou a atenção de todos, que ficaram em silêncio. Depois disso, um moreno levantou-se de seu lugar, disposto a dar o discurso.
— Sirius e Hollie se casaram — começou James — Algo que pensamos que nunca aconteceria, pelo menos por causa de Sirius — alguns sorriram —, mas não pensem mal. Eles se casaram por amor, e não porque o idiota do meu amigo a engravidou.
— James! — reclamou o moreno.
— Mas é verdade, Almofadinhas, tiveram que ajustar o vestido três vezes porque a barriga cresceu.
— Isso não é verdade! — reclamou Hollie, envergonhada.
— Durante o casamento — continuou o padrinho —, quando a Hollie disse que aceitava ser esposa do Almofadinhas, deu vontade de gritar "Sério?" — alguns riram — É que casar com Sirius é suportar as suas bebedeiras, a sua fome sem fim, seu mau humor, os gritos que solta toda vez que o seu time perde, não querer lavar o banheiro mesmo que seja ele que suja, os roncos à noite, o hálito de cadáver de manhã, o...
— Potter! — gritou o moreno, pondo-se de pé, disposto a jogar alguma coisa.
— Apenas a verdade, parceiro — defendeu-se James — Apesar dos muitos defeitos de Sirius, e alguns de Hollie, eles se amam. Meu amigo não é perfeito, e infelizmente nunca será — o mencionado fez um sinal ameaçador com a mão —, mas sei que sempre a amará. E Hollie é uma mulher forte, corajosa e sem dúvidas, a melhor pra cuidar do meu amigo — alguns soltaram algumas exclamações de ternura — Então, Almofadinhas, por favor, não estrague tudo. Saúde! — gritou antes que Sirius voltasse a reclamar.
— Saúde — disseram em coro os convidados, alguns ainda rindo.
Depois desse animado brinde, serviu-se a deliciosa comida, mas nem sequer com esses manjares, Sirius deixou de olhar para seu irmão com intenções homicidas. Teve que passar toda a refeição e várias carícias e beijos por parte de Hollie para conseguir acalmar-se. Já ela estava muito feliz, tinha finalmente conseguido o que nunca pensou que seria capaz, ter aquele homem como seu legítimo esposo, e também ajudou que não disseram tantas coisas sobre ela quanto fizeram com Dora.
Depois da comida, começaram a pôr uma música lenta, e já fosse por casais ou sozinhos, os convidados se reuniram no centro para dançar no ritmo da melodia. Em um certo momento, Sirius aproximou-se de seus amigos — que estavam dançando com suas esposas — e segurando-os pelo traje, os arrastou-os para um lugar onde pudessem conversar diante do olhar atônito e divertido de seus pares.
— Que diabos foi isso, Potter? — reclamou Sirius quando puderam falar com tranquilidade.
— Foi o que você teria feito — respondeu com um sorriso de lado.
— Bom, sim... mas... esse não é o ponto — não sabia o que dizer — Foi um infeliz. Se soubesse que faria isso, teria chamado Aluado para ser meu padrinho.
— Mas foi ele que me ajudou a escrever o brinde.
— Quê?
— Você procurou isso com o que fez no nosso casamento — explicou o castanho.
— Vocês são uns...
— Nós também te amamos, Almofadinhas — eles disseram.
— Ei, voltem pra festa! — disse Hollie — Depois da lua mel, podem se agredir.
O dia começou a dar lugar a noite, e alguns dos convidados começaram a ir embora. Os recém casados pediram aos Tonks que guardassem os presentes, pois naquela mesma noite sairia o avião que os levaria a uma linda praia para que pudessem passar a lua de mel e dar início a sua vida de casados.
