Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 42 - A carta de Caroline Tonks.
O casamento tinha sido um sucesso. Naquele momento, o casal já devia estar na estrada, indo para a sua lua de mel. Quase todos os convidados já tinham ido, exceto os Potters e os Lupins, que continuavam ali ajudando Ted e Andrômeda a recolherem e acomodarem algumas coisas. No dia seguinte, com a luz do sol, poderiam ajeitar tudo como era devido, além de que naquela hora já estavam cansados.
Na cozinha, Andrômeda estava com sua filha, terminando de lavar uns pratos de prata que foram usados. Eram os pratos que a defunta Caroline tinha dado a senhora Tonks de heranças. Através da janela, podiam ver como seus maridos acomodavam algumas cadeiras enquanto conversavam animadamente.
— Foi uma linda cerimônia — comentou Dora.
— Concordo — apoiou Andrômeda — Fico feliz que esse cabeça dura tomou uma atitude.
— Sim, mas logo vai ter que suportar as mudanças de humor de Hollie — brincou a rosada.
— Eu sei — garantiu a mulher com um sorriso travesso — E como vai com a gravidez?
— Bom, eu acho. Já me acostumei com algumas mudanças, já não tenho vontade de comer coisas estranhas, embora... — ficou em silêncio e virou a cabeça para olhar seu marido através da janela.
— Teve impulsos luxuriosos.
— Mãe! — reclamou.
— Quê? É normal! Quando eu te esperava, ataquei seu pai mais de uma vez.
— Por favor, mamãe! Que tipo de conversa tá tendo com a sua filha?
— Como eu disse, é normal — ela deu de ombros — E eu aproveitaria, se fosse você, porque no último trimestre não vai ter o mesmo ímpeto.
— Não seja ridícula, mamãe — disse, desviando a vista —, mas hipoteticamente, se decidisse fazer isso — acrescentou sem olhá-la —, como seria?
Sem desfazer o sorriso debochado que tinha sua mãe ao ouvir isso, secou as mãos com um pano e saiu da cozinha para voltar pouco depois com o que parecia ser um livro nas mãos, passou para sua filha que leu a lombada.
— Mas o que é isso?
— É um livro hindu que tem posições...
— Não é isso — a interrompeu — Por que tá me dando?
— Porque assim vai saber como fazer, olha — abriu o livro nas suas mãos e pôs em uma página específica — Essa posição seria a melhor para você, assim não poriam pressão na barriga, e se querem melhorar a experiência, poderiam...
— Sério, mãe, como pode falar disso com a sua filha com tanta naturalidade? — ela reclamou, mas sem deixar de ver a ilustração e ler o conteúdo.
— Bom, acho que já terminamos, pelo menos agora — Remus tinha chegado, assustando-as. Em um segundo, Dora fechou o livro e o escondeu em suas costas — Aconteceu alguma coisa? — perguntou ao ver como elas reagiram.
— Não, nada — exclamou Tonks — Então já vamos?
— Bom, sim, a menos que queira ficar, seu pai nos ofereceu um quarto...
— Não, acho melhor nós irmos — disse depois de pensar um pouco, diante do riso debochado de Andrômeda.
— Então vai seguir meu conselho? — Dora a olhou séria enquanto Remus as encarava estranhado — Bom, é melhor irem que tá ficando tarde — disse, apressando-os.
Como disseram, Remus e Nymphadora saíram da cozinha, ela levando o livro nas mãos. Despediram-se tanto dos Tonks quanto dos Potters, os quais fizeram o mesmo e já preparavam-se para sair. Foram para seus respectivos carros e com uma última despedida, arrancaram e empreenderam o caminho para suas casas. Os Tonks voltaram para dentro, e iam para seu quarto, tinha sido um dia cansativo e precisavam descansar um pouco.
— Sabe? Fiquei surpreso que Dora e Remus não quisessem ficar aqui — disse Ted.
— Eles são casados, e tem suas coisas pra fazer.
— Suas coisas? — repetiu, estranhando — O que você aprontou, Dromeda? — a mulher o olhou sorridente e respondeu.
— Lembra daquela vez quando eu tava no segundo trimestre da gravidez?
— Claro que lembro. Com todo o respeito, você enlouqueceu e praticamente me vio... Ah — então pareceu entender — É mais informação do que eu gostaria de saber.
— Bom, talvez eu poderia te ajudar a esquecer — ela disse de forma sugestiva, aproximando-se dele.
Não é preciso dizer o que aconteceu aquela noite, tanto no quarto dos Tonks quanto no dos Lupins. Talvez uma das melhores formas de terminar um bom dia, estar com a pessoa que amava.
Se passaram alguns dias desde o casamento, o casal mandava cartões postais e ligavam para seus amigos contando o bem que estavam passando, embora claro, cada um contava a história de seu ponto de vista, e geralmente a versão de Sirius costumava ser mais pervertida.
Era um dia tranquilo, era pouco antes do meio dia, então Remus estava no trabalho enquanto Dora procurava alguma coisa para passar o tempo. Depois de um tempo vendo televisão, levantando apenas algumas vezes para ir buscar algo na cozinha, a campainha começou a tocar.
Com certo esforço, e um pouco de preguiça, levantou-se do sofá para atender quem quer que fosse. O último que esperava era encontrar-se com uma pessoa que tinha tomado uma enorme aversão.
— Você! — exclamou imediatamente, ao abrir a porta.
— Bom dia, senhora Lupin — era Kingsley Shacklebolt, o advogado de sua defunta avó.
— O que faz aqui? — perguntou — Caso não tenha percebido, meu casamento tá ótimo e não tem...
— Acalme-se, por favor, não vim por causa disso — lhe interrompeu o homem.
— Então por que veio? — alfinetou.
— Só cumprir com uma missão — disse, tirando um envelope branco (um tanto grosso) de sua jaqueta.
Dora praticamente arrancou a carta das mãos dele. Depois daquele primeiro encontro, e os que vieram depois, esperava que qualquer coisa estivesse escrita, algo que com certeza lhe traria muitos problemas. Esperava por qualquer coisa, menos que no envelope estivesse escrito seu nome com uma caligrafia quase inconfundível.
— Isso... isso é...
— Da sua avó — disse Kingsley — Antes de falecer, a senhora Caroline escreveu e selou o envelope que está em suas mãos, e me deu instruções muito precisas de quando deveria entregá-lo — explicou — E, segundo as informações da senhorita Carter, ou melhor, senhora Black, é o momento para entregá-lo.
— Hollie? — disse estranhada a jovem — O que Hollie tem a ver com tudo isso?
— Suponho que a carta que acabo de entregar tem todas as respostas — respondeu — Devo dizer que ignoro completamente o seu conteúdo.
— Quais eram as condições pra que me entregasse?
— Como eu disse, sua avó me deixou muitas instruções, mas basicamente posso resumir em duas: uma era que faltasse menos de três semanas para cumprir dois anos de seu casamento obrigatório. Ou que você fosse feliz e, bom, digamos que está nessa condição atual — acrescentou, olhando para sua barriga.
— Minha vó disse isso?
— Disse — garantiu — Teria gostado de entregar o envelope antes, mas faz pouco tempo que voltei do estrangeiro. Na verdade não queria perturbá-la com sua condição, mas a senhora Caroline foi muito clara que não queria que eu a entregasse depois do parto.
— Não entendo, tá me dizendo que minha vó sabia que isso aconteceria? — indicou a própria barriga ao dizer isso.
— Acho que ela esperava que isso acontecesse — a jovem não entendeu muito bem — É melhor ler a explicação, de próprio punho de sua avó. Nos vemos, senhora Lupin — dito isso, deu as costas e foi.
A situação era cada vez mais estranha. Não tinha ideia do que pretendia sua avó em deixar uma carta depois de tudo o que teve que fazer pelo testamento, e o que tinha querido dizer com "ela esperava" que terminasse grávida. E outra coisa, onde tinha ficado aquele seu olhar arrogante e petulante que viu nas últimas vezes que se encontraram, tinha passado pouco mais de um ano desde a última vez e ninguém podia mudar tão rápido o seu comportamento.
Durante o resto da tarde, a jovem artista esteve dando voltas a tudo o que tinha passado. Era claro que estava escrito com a letra de Caroline, então não podia ser algo ruim, mas ainda tinha algo que a alterava. Tinha uma grande quantidade de dúvidas se devia ler o que estava escrito ou não. Viu um pouco mais de televisão, preparou algo para comer, inclusive subiu ao seu estúdio para tentar pintar algo, mas o envelope não saía de sua cabeça. Por fim decidiu voltar para a sala, pegou o envelope que estava sobre o sofá todo aquele tempo e trancou-se em seu quarto.
"Para minha querida neta Nymphadora"
Só isso estava escrito no exterior. Com cuidado, virou o envelope e foi rasgando para ver o que tinha. Surpreendeu-se em ver que dentro tinham outros dois envelopes também selados, um tinha escrito na parte frontal "antes de cumprir dois anos", supôs que era a que teria que ler com a primeira condição que Kingsley mencionou, então o deixou sobre a cama — que era onde estava — e se apressou em ver o outro. À primeira vista, não tinha nada de especial, mas depois de um tempo o choque a preencheu.
"Nymphadora Tonks Lupin"
Não era possível. Se o que Kingsley tinha dito era verdade, e segundo o tipo de escrita na frente dela, sua avó devia ter escrito tudo aquilo antes de morrer, e tinha acabado de romper o lacre. Então como era possível que tivesse escrito aquilo? Era impossível que ela soubesse que estaria casada com Remus naquele momento.
Com muito menos cuidado, abriu o segundo envelope, tirando uma carta. Só deu uma olhada para confirmar que tudo estava escrito pela mão de Caroline Tonks. Respirou fundo e mais ansiosa do que nunca, começou a ler.
"Para minha querida neta,
Dora, se está lendo isso, é porque as coisas aconteceram da melhor forma possível, ou pelo menos, da forma que eu gostaria que tudo acontecesse".
Isso chamou muita a sua atenção, mas continuou lendo.
"Não entendo muito bem o porquê escrevo isso, mas nada do que ponha mudaria a vida que deve ter agora. Talvez só quero livrar minha culpa, ou comemorar que tudo saiu como queria," — Dora soltou um leve sorriso — "mas também pode ser porque merece saber de toda a verdade.
A felicidade da minha família é o mais importante para mim, e ainda quando sei que é feliz, sempre quis que tivesse alguém especial com quem compartilhar sua vida, esse tipo de felicidade que não conhecia, mas nunca permitiu que ninguém se aproximasse, e ninguém podia convencê-la por mais que tentasse. E então ele chegou"
Dora parou a leitura, surpresa, mas não demorou em continuar.
"Remus Lupin, esse jovem com quem esteve tão próxima quando era apenas uma menina. Nunca pensei que isso poderia passar de uma simples paixonite infantil, mas depois que os vi juntos, naquele dia em que nos reunimos depois que voltou da Escócia, eu vi novamente aquele brilho em seus olhos. Esse brilho que tinha quando era uma menina quando me falava sobre ele.
Nesse dia que o vi, queria contar-lhe sobre sua casa e retorná-la, mas quando chegou e começaram a conversar, supus que essa casa seria de utilidade, provavelmente estarão morando aí agora".
Isso era cada vez mais estranho, inclusive se sentia um pouco assustada. Sua avó era por um acaso um tipo de bruxa ou tinha algum poder estranho de vidência? Esquecendo-se dessas loucas ideias, voltou a focar na carta.
"Senti que minha morte estava próxima, então decidi tomar uma decisão drástica. Depois de escrever essas cartas, chamei Kingsley e Hollie, nessa noite escrevi o meu testamento. Não sei como deve se sentir agora, mas sei que deve ter ficado furiosa quando o leram e descobriu que teria que se casar para ter acesso a herança. Peço desculpas, mas depois de muito pensar, só descobri essa forma para te obrigar a se casar, mas não seria suficiente, então deu ordens a Kingsley para que fosse o mais grosseiro e petulante que pudesse, queria que te provocasse para que aceitasse as condições, esperava que cometesse uma de suas loucuras".
— Como me conhece, vovó — sussurrou, foi exatamente o que tinha acontecido, mas ainda não entendia o que Remus tinha a ver com tudo, então continuou lendo.
"Mas isso também não era suficiente, com certeza tentaria obrigar alguém para que se fizesse passar por seu noivo, e não podia deixar que se casasse com qualquer um. Embora isso soe terrível, eu tinha decidido que teria que se casar com Remus, e aí entrou Hollie. A ela dei a missão que descobrisse o que faria, a reunião que com certeza devia ter com Kingsley para apresentar seu futuro marido também foi ideia minha".
Certo, isso sim a deixou surpresa.
"Hollie devia usar a desculpa da casa para fazer com que Remus fosse ver Kingsley no mesmo dia e hora que você, e também deveria se encarregar de que esse pobre infeliz que escolheu para fazer passar por seu noivo não chegasse a tempo".
Isso explicava muitas coisas. Desde a repentina ligação de Hollie na noite que leram o testamento até o atraso de Charlie naquele dia. Foi ela mesma que disse que usaria o ruivo, então depois deve ter falado com ele, ou simplesmente mexeu no seu carro e depois "casualmente" passou para buscá-lo. Sim, esse era mais o seu estilo, sem dúvidas.
"Como farão para fazer tudo dar certo, nunca poderei saber, mas esperava que conseguissem e que em um ato de loucura, obrigasse Remus a participar dessa farsa.
Talvez seja egoísta de minha parte fazer tudo isso e obrigar a vocês dois a se casarem, mas sinto muito potencial em vocês. Nesse momento, como eu indiquei a Kingsley, deve estar esperando por seu primeiro filho. Um filho que espero que tenha nascido do amor entre vocês e, claro, que seja de Remus".
Dora sorriu um tanto melancólica.
"Que momento para brincar".
"Por último, só quero te dizer que o outro envelope que deve ter é apenas o pedido de uma velha, caso depois desses dois anos não tenham perdido o amor que tenho certeza que devem sentir.
Minha passagem por esse mundo esteve repleta de bênçãos, e a mais importante foi sem dúvidas meu querido filho, e agora você sentirá a mesma felicidade que senti ao ter o seu pai, e a que sem dúvidas sentiu sua mãe ao te carregar entre seus braços pela primeira vez. Espero que cuide bem do meu bisneto, que eu teria gostado de conhecer, e também espero que possam me perdoar, vocês dois, pela armadilha que os fiz cair.
Adeus minha querida neta,
Caroline Tonks".
Com algumas poucas lágrimas silenciosas, terminou a leitura. Dobrou lentamente o papel e o guardou novamente em seu envelope. Então tudo o que aconteceu foi por ela, foi ela quem planejou tudo momentos antes de sua morte. Não era sorte ou coisa do destino. Todo o tempo foi ela quem forjou.
Levantando-se da cama, foi ao armário e procurou um livro colorido que ela tinha guardado. Um livro cheio de fotos de família. Sentando-se novamente, começou a passar folha por folha, detendo-se naquelas onde estava com sua avó. Até chegar a uma em especial de um natal, naquela em que lhe presenteou suas primeiras telas.
— Me desculpe, vovó, mas não posso perdoá-la — começou a falar em voz baixa — Não posso te perdoar porque só posso te agradecer. Obrigada por me obrigar a ficar com Remus, obrigada por tudo isso, obrigada.
Uma batida na porta a sobressaltou. Não esteve consciente de que as horas tinham se passado, e tão focada estava em sua descoberta que nem sequer conseguiu escutar o momento em que seu marido estacionava o carro e entrava em casa.
— Remus — exclamou surpresa ao ver o homem, que abria a porta depois de batê-la.
— Dora, o que houve? Aconteceu alguma coisa? — perguntou um pouco preocupado, notando os olhos vermelhos da jovem, prova de que esteve chorando.
— Sim, não, não aconteceu nada — respondeu, secando as lágrimas.
— Tem certeza? — perguntou, aproximando-se dela.
— Sim, sim, eu tô bem, é só que... — voltou a olhar para a foto de sua avó, e depois de acariciar o seu rosto com a mão, voltou a olhá-lo — Vem cá — o convidou a sentar-se junto com ela — Tenho que te contar uma coisa.
