Dragon Ball não me pertence.

CAPÍTULO 23

Filho do pecado

"Um filho que ainda não veio,

o início,

o fim

e o meio."

Gita, Raul Seixas

— Preso? - Tarble indagou assustado dando um passo à frente enquanto Kakkarotto apenas olhava com um semblante indecifrável para o guarda que dera ordem de prisão. - Escute aqui, guarda, general Kakkarotto acaba de salvar minha vida. Não há motivo para prendê-lo. Que absurdo é esse?

— São ordens do rei, alteza. - Spartaco disse com uma pitada de petulância enquanto reverenciava o príncipe ao mesmo tempo em que encarava Kakkarotto com superioridade.

— Acha que pode me prender, guarda? - Kakkarotto indagou seriamente. Já imaginava o motivo daquilo, aquela altura Vegeta já deveria estar sabendo de sua participação na conspiração para proteger Bulma. - O único que teria alguma chance de me prender nesse planeta é o rei. O que o faz pensar que eu iria com um fracote como você? - o general indagou com arrogância.

— General, tenho amarras sugadoras de ki e não vou hesitar em usá-las. - Spartaco ameaçou estremecendo.

— Como eu disse, guarda, o único capaz de me prender é Vegeta. E só ele poderá fazer isso. - Kakkarotto falou lançando uma pequena bola de energia contra Spartaco, um segundo depois o chefe da guarda voou mais de dez metros do lugar de onde estava, caindo inconsciente no meio da pista. - Alguém mais se habilita? - Kakkarotto perguntou inabalável para seus soldados de primeira classe enquanto descia a rampa da nave lentamente. O silêncio imperou entre eles. - Como eu imaginei. - Kakkarotto disse com segurança ao ver que ninguém se movera. - Alteza, vá acomodar sua companheira enquanto vou ver seu irmão. - Kakkarotto falou para Tarble que o seguia muito confuso.

— Mas, Kakkarotto, por quê?.. - Tarble indagou rapidamente.

— É uma coisa entre eu e Vegeta. - Kakkarotto disse calmo olhando o príncipe mais jovem. - Leve Ângela para seus aposentos e é bom que fique com ela até que tudo esteja resolvido.

— Tudo o quê? - o príncipe mais jovem indagou ainda mais confuso.

— Vá, Tarble. E confie em mim. - Kakkarotto encerrou antes de se tele transportar.

Bulma teve a vista ofuscada enquanto suas pupilas acostumavam-se as luzes do hall de entrada da mansão do general. Sentiu-se fraca e uma pequena vertigem lhe acometeu, fazendo Nadesna pegar-lhe a mão ao perceber que a moça estava vacilante.

— Por aqui, Milady. - Nadesna disse educada enquanto guiava a cientista pelo corredor até a espaçosa sala.

— Quem chegou, Nadesna? - a voz quase aguda fez-se ouvir quando alcançaram a entrada da sala.

— Nadine, é melhor ir embora. - a serviçal disse significativamente no momento em que Bulma encarava a mulher idêntica a outra que estava sentada no grande sofá da sala de estar. Bulma não percebeu o olhar estupefato que a mulher lhe lançou.

— Irmãzinha não é melhor eu ajudá-las? - Nadine falou ao levantar-se e ir até onde Nadesna caminhava com Bulma.

— Não, Nadine, saia daqui. JÁ! -Nadesna insistiu com veemência fazendo a irmã olhar a contragosto, - Goten, querido, acompanhe minha irmã até a porta. - pediu ao menino que as acompanhava.

— Não precisa, já estou indo. - Nadine disse chateada, pegando sua bolsa no sofá e saindo após dar uma boa olhada em Bulma enquanto essa se sentava no sofá, batendo a porta ao sair.

— O que aconteceu com você? - Nadesna perguntou assim que acomodou a cientista e ficaram a sós.

— É uma longa estória, - Bulma respondeu sentindo-se cada vez mais tonta. - Acho que... Acho que vou desmaiar novamente... - a cientista disse com a voz fraca ao desfalecer no sofá.

Vegeta olhava pela milésima vez as câmeras de segurança das ruas do Distrito Real. Conseguira achar uma gravação onde Bulma saía do aerocoletivo. Acalmou-se ao ver que estava bem e desacompanhada, embora estivesse suja, desgrenhada e visivelmente abalada, o que aumentou ainda mais a preocupação do rei em achá-la logo.

Vidrado nos monitores, ele não percebeu quando Kakkarotto teletransportou-se na sala trono, mesmo com o ki do general estando muito alterado.

— Onde ela está, Vegeta? -Kakkarotto indagou a guisa de saudação, fazendo Vegeta virar-se rapidamente para visualizar seu general.

— Você deveria estar preso. - Vegeta replicou sério levantando-se após a surpresa, andando até o general que estava no meio do salão.

— Por favor, você não queria realmente me prender, se quisesse não teria mandado aquele inútil com ki de inseto. - Kakkarotto disse sarcástico.

— Achei que ainda tinha sobrado alguma honra em você e que como um bom soldado teria acatado uma ordem de prisão dada pelo rei. Nem o verme do seu irmão se negou a atendê-la. - Vegeta sibilou aproximando-se vagarosamente.

— Não ouse falar de meu irmão. - Kakkarotto afirmou com raiva. - e me diga agora onde ela está.

— Ela? - Vegeta indagou com fingida confusão. - Não sei do que está falando...

— Não se faça de tolo! - Kakkarotto zangou-se. - Bulma, onde está ela? O que você fez com ela?

— Ah, a garota que você escondeu de mim por sete anos. - Vegeta retrucou com ironia. A raiva que sentia por Kakkarotto fazendo-o esquecer por instantes a preocupação com Bulma. - Eu não sei onde ela está.

— SABE! - Kakkarotto afirmou descontrolado, rapidamente pegando o rei pelo pescoço, voando com ele através da sala e pressionando-o contra a parede do outro lado do salão, fazendo-a rachar.

— EU NÃO SEI! É A VERDADE! - Vegeta falou usando muito de sua força para tirar a mão de Kakkarotto de seu pescoço.

— NÃO ACREDITO! O QUE FEZ COM ELA? - Kakkarotto esbravejou furioso quase atacando Vegeta novamente.

— EU NÃO FIZ NADA, KAKKAROTTO! - Vegeta retrucou alterado. - NADA! EU SIMPLESMENTE A MANDEI EMBORA DO CASTELO! - Ele gritou. - E agora não sei onde ela está... - concluiu com a voz em tom normal, quase envergonhada.

— Você o quê? - Kakkarotto indagou confuso e mais calmo. - Você a expulsou?

— Eu peguei meu filho e deixei ela ir. Simples assim. - Vegeta disse encarando o general.

— Assim, simplesmente? Mesmo ela tendo se escondido de você por todos esses anos? - Kakkarotto desconfiou. - Isso não é de você, Vegeta. No mínimo você a pulverizou quando estava com raiva. - insinuou com os olhos faiscando de fúria incontida.

— Eu não fiz nada com ela, bem que eu queria. - resmungou. - Mas, eu prometi a meu filho, prometi a meu herdeiro não machucar a mãe dele e cumpri minha palavra. Além do mais, - Vegeta continuou ao lembrar de sua desconfiança quando ao general e a cientista. A raiva lhe queimando com mais força. - Por que você se importaria se eu tivesse feito isso, Kakkarotto? - Vegeta indagou encarando o general, ansioso pela resposta. - Por quê? DIGA-ME!

Kakkarotto vacilou por um instante. Por mais que estivesse com raiva, por mais que estivesse agitado de preocupação, ao olhar o ex-amigo ele não teve coragem de dizer. Não teria coragem de confessar que traiu Vegeta da forma mais sórdida, principalmente agora que sabia que o rei procurara a cientista por todos aqueles anos.

— Ela é minha amiga. - Kakkarotto disse sem encarar o rei, baixando o olhar.

— E você traiu seu rei, foi capaz de jogar fora sua honra de soldado por uma simples amizade? - Vegeta perguntou acusativo, ainda desconfiado.

Kakkarotto vacilou novamente. Lembrar que rompera com sua honra doía quase ao ponto de não poder suportar. Mas, a lembrança de que Vegeta também contribuíra para aquilo, lhe deu força para falar.

— Valeu a pena. - respondeu agora encarando Vegeta. - Ela merecia. Merecia depois de tudo que você a fez passar.

— Eu não entendo como teve coragem. - Vegeta replicou olhando o amigo com repulsa, embora deixando de lado as desconfianças. - Me encarar todos os dias, mentir em todos os momentos, trair tão descaradamente! ME VER SOFRER ENQUANTO SABIA ONDE ELA ESTAVA O TEMPO TODO!

— EU NUNCA SOUBE QUE VOCÊ ESTAVA SOFRENDO, VEGETA! - Kakkarotto defendeu-se. - Você passou todo esse tempo governando, enchendo a cara e escolhendo uma puta por noite. Você nunca, NUNCA, me disse que sentia falta dela! - ele jogou na cara do rei. - A única coisa que você me disse é que a faria uma de suas concubinas caso estivesse viva. ERA PRA ISSO QUE EU IRIA LHE DIZER QUE ELA ESTAVA VIVA?

Vegeta hesitou por um momento ao reconhecer verdades nas palavras do sayajin a sua frente. Não soube o que responder sobre aquilo. Preferiu continuar acusando, jogando todas as suas raivas.

— E o meu filho? Você mentiu sobre o meu filho também! - ele acusou novamente. - Afastou meu herdeiro de mim por todo esse tempo, MENTIRAM PRA ELE DIZENDO QUE O VERME DE RADITZ ERA SEU PAI!

— Como sabe disso? - Kakkarotto indagou surpreso.

— Meu filho tentou me matar Kakkarotto. - Vegeta replicou melancólico. - Ele veio até mim para me assassinar e com isso limpar a honra da mãe dele. Bem o que um Vegeta faria... - murmurou. - E ele me odeia. ME ODEIA!

— Você tem culpa por ele lhe odiar. - Kakkarotto afirmou firme mesmo sentindo-se repentinamente culpado ao saber do que Trunks fizera.

— Eu posso ter minhas culpas, Kakkarotto. Mas isso não lhe absolve das suas. - Vegeta retrucou enfurecendo-se novamente. - Não retiro sua ordem de prisão e jamais, JAMAIS, vou perdoá-lo por ter sido desleal. Você será condenado por alta traição e eu mesmo o pulverizarei. - disse avançando até o general com o punho fechado e tremendo.

— VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO, IRMÃO. - A voz de Tarble foi ouvida fazendo os dois sayajins olharem para a porta do salão onde o príncipe se encontrava já há algum tempo sem ser notado pelos dois.

— Tarble? - Vegeta indagou olhando o irmão que agora caminhava até eles.

— Não pode condenar Kakkarotto! - o rapaz pediu. - Eu ouvi o que conversaram e me alegro que Bulma e seu filho estejam vivos, mas não posso permitir uma loucura dessas.

— Não se meta nisso, Tarble. - Vegeta falou rudemente.

— Kakkarotto me dê um minuto a sós com meu irmão. - Tarble pediu gentilmente sem ligar para a fúria do irmão mais velho.

— Mas... - Kakkarotto insistiu.

— Vegeta está falando a verdade, Kakkarotto. Ele não fez nada com nossa irmã, eu vi que todos lá fora estão procurando por ela. - o príncipe disse acalmando o general. - Aguarde um instante que quero conversar com meu irmão. Vamos lá fora, Vegeta.

— Eu não vou a lugar nenhum! Preciso liquidar esse imbecil! - Vegeta dizia descontrolado.

— Vamos logo. - Tarble insistiu - Por favor... - pediu devagar encarando o irmão.

— Está bem. - Vegeta disse contrafeito. - Um minuto. Dê-me sua mão.

Tarble estendeu a mão e Vegeta a segurou, Um segundo depois estavam no jardim do castelo, próximo à fonte.

— Diga o que quer, Kakkarotto pode fugir enquanto estamos aqui batendo papo. - o rei disse mau humorado ao soltar a mão do irmão.

— Sabemos que Kakkarotto não fará isso. - Tarble rebateu com segurança.

— Eu não sei mais de nada em relação a ele. - Vegeta resmungou. - Diga logo o que quer.

— Você não pode condenar Kakkarotto por traição. - o mais novo disse com firmeza ao encarar o irmão. - Kakkarotto é seu general! E também é seu amigo desde que se entendem por gente. Ele é mais seu irmão do que eu! Não pode simplesmente condená-lo e pulverizá-lo.

— Você perdeu seus miolos no espaço? - Vegeta disse com raiva. - Ele cometeu alta traição! Ele escondeu de mim o meu filho e a mulher que eu am- a voz faltou antes de Vegeta dizer as últimas palavras.

Tarble o olhou com incredulidade.

— Ama? - Tarble completou impressionado. - Eu entendi mesmo o que você ia dizer, Vegeta? Devem ter saído mil almas do purgatório nesse momento...

— Cale-se. Isso não vem ao caso. - Vegeta cortou atordoado. - Kakkarotto cometeu um crime que é punido com a morte e assim será.

— Ele cometeu, mas tem direito a clemência. - Tarble replicou com segurança.

— Não. Ele não tem. - Vegeta esbravejou.

— Kakkarotto salvou um membro da família real. Devemos uma vida de nossa linhagem a ele, o que, segundo a lei, lhe concede o que eu quiser lhe dar como recompensa, nesse caso, quero lhe dar clemência. - Tarble argumentou.

— Você não pode! - Vegeta retrucou furioso, sabia que o irmão estava certo.

— No fundo você não quer matá-lo, Vegeta. - Tarble contra-argumentou calmamente. - Você nem imagina o fardo que estou lhe tirando...

—Eu quero muito matá-lo. - Vegeta reafirmou com um olhar assassino. - Mas não vou fazê-lo, por sua causa. - disse um pouco mais calmo e em um tom perigoso. Tarble deu-lhe um meio sorriso. - Só não pense que ele sairá livre, será castigado e com algo que para ele será pior que a morte. Seu minuto acabou, Tarble.

— Mas, Vegeta... - o príncipe insistiu no momento em que seu irmão se teletransportava novamente.

— Tarble pediu clemência por tê-lo salvo. - Vegeta disse friamente ao encarar Kakkarotto que olhava os monitores.

— E o que fará comigo? - Kakkarotto virou-se para encarar o amigo novamente. - Conhecendo você, eu não sairei ileso.

— E você acatará o que eu disser? - Vegeta indagou com ironia. - Traidores não são confiáveis.

— Diga logo o que vai fazer, Vegeta. - Kakkarotto disse impaciente.

— É majestade pra você. - Vegeta falou aproximando-se, rapidamente levando a mão ao peito do general, Kakkarotto abaixou a cabeça para ver o que Vegeta fazia, percebendo o símbolo real de Vegetasei sendo arrancado de seu peito, bruscamente. - Isso por que você não é mais meu general, você não é mais do meu exército e a partir desse momento, você não é mais um guerreiro de primeira classe. - disse friamente pegando a insígnia na palma da mão.

Kakkarotto encarou o rei e engoliu em seco. Aquilo não havia lhe passado pela cabeça. Ficou, imediatamente, arrasado. Preferia pagar com a vida do que perder seu título de guerreiro, finalmente percebeu onde seus atos o levaram, finalmente estava desonrado. Contudo, um rosto que apareceu em sua mente, deu-lhe forças para continuar olhando Vegeta com dignidade enquanto o rei pulverizava sua insígnia de general.

— Acho que não tenho mais nada para fazer aqui. - Kakkarotto falou com a voz engrolada. - Tenho assuntos mais importantes para tratar. - completou ao levar os dedos à fronte.

— Kakkarotto, - Vegeta chamou antes do outro se teletransportar, também sentia uma dor imensa naquele momento. Como se uma faca invisível estivesse cortando um grande laço entre eles. Vegeta queria dizer algo, mas as palavras não saíram, então lembrou-se de Bulma, e do perigo que o outro representava. - Eu vou achá-la primeiro. Ela não precisa mais de sua proteção.

O agora ex-general não disse nada, apenas se teletransportou dali.

Kakkarotto teletransportou-se para a casa da clareira. A dor e a vergonha que sentia por seu rebaixamento estavam dominados naquele momento pela preocupação com Bulma e a vontade de vê-la.

O ex-general ficou chocado quando ao chegar ao lugar, ao invés de deparar-se com a casa escura, deparou-se com um amontoado de escombros e ferro retorcido sendo revirado por guardas do salvamento.

Olhando atordoado em volta, viu Marvin que já vinha em sua direção.

— General Kakkarotto, - O capitão falou batendo continência. - o que faz aqui?

— Marvin, por Kame, o que aconteceu? - perguntou desesperado. - Vegeta fez isso ao matar Bulma!?

— Calma, general. - Marvin pediu. - Não foi rei Vegeta que fez isso e ele não matou Lady Bulma.

— Quem incendiou a casa, então?

— Ainda não sabemos. - Marvin afirmou cansado.

— E ela? Onde ela está? - Kakkarotto indagou visivelmente abalado.

— Também não sabemos, senhor. Lady Bulma saiu daqui durante o incêndio e seu paradeiro ainda não é conhecido.

— Então ele estava falando mesmo a verdade... - Kakkarotto murmurou para si mesmo. - Ela não estará com nossos amigos?

— Não senhor. Eles não estavam na ilha quando aconteceu e o rei os proibiu de manter contato com ela. Eu já fui na casa de todos, estão sozinhos e também preocupados.

— Precisamos encontrá-la, Marvin.

— Já estamos procurando, senhor. - o capitão disse no momento em que ouviu o scouter de Kakkarotto alarmar.

Kakkarotto não imaginou quem ligaria agora que não era mais um guerreiro, por um segundo de loucura achou que fosse Vegeta, mas ao atender percebeu ser Nadesna.

— Senhor, os guardas me avisaram que havia chegado. - a mulher disse um tanto alterada.

— Agora não posso atender, Nadesna. Logo que puder estarei em casa. - Kakkarotto cortou-a apressado.

— Mas, senhor. É urgente. - a garota apressou-se em dizer.

— O quê? O que aconteceu Nadesna? - Kakkarotto indagou preocupado. - É Goten?

— Não, senhor. O menino está bem. É outra coisa.

— Diga logo. - Kakkarotto pediu impaciente.

— É ela senhor, a cientista, ela está aqui.

Kakkarotto teletransportou-se imediatamente sem dar atenção a Marvin que não entendeu nada, e em menos de um segundo estava encarando uma agitada Nadesna na sala de sua casa.

— Onde ela está? - o general perguntou olhando em volta.

— Lá em cima, senhor. No quarto de hóspedes da ala esquerda. - Nadesna disse servilmente. - Senhor ela...

Kakkarotto não ouviu o que a mulher falou, levou os dedos a fronte e teletransportou-se para o quarto.

Ao chegar nele, encontrou o ambiente escuro apenas iluminado pela luz das luas que entrava pelas portas de vidro da varanda. O volume sobre a cama revelava que havia alguém ali, alguém que não se podia sentir o ki.

Kakkarotto aproximou-se emocionado, tinha o coração descompassado. Sentou-se na cama e levou a mão ao rosto da mulher que dormia.

Ele assustou-se quando ao simples toque a mulher acordou de uma vez, encolhendo-se rapidamente na cabeceira da cama.

— Quem... Quem é você? - Bulma indagou assustada encarando o vulto no escuro.

Kakkarotto debruçou-se um pouco a frente fazendo-a encolher-se mais, não disse nada, apenas ligou o abajur de uma das mesas de cabeceira, revelando-se para a cientista.

Contudo, Bulma não pareceu relaxar ao vê-lo. O que o deixou desconfortável.

— Eu vim em paz. - Kakkarotto disse afastando-se um pouco. O coração enchendo-se de calma em vê-la bem e o corpo sentindo-se quente ao ver as pernas descobertas da cientista que vestia apenas um blusão de treino de inverno, um blusão dele.

Ele sentiu o ki da mulher relaxar um pouco, mas não totalmente, Bulma cobriu as pernas com um lençol.

— Está com medo de mim? - perguntou incomodado.

Bulma hesitou um pouco antes de falar.

— Não foi exatamente tranquilo da última vez que conversamos... - ela disse meio tensa, as palavras saindo de forma trêmula.

— Não, não foi. - ele confirmou lembrando-se da briga na madrugada. - Mas aquilo é passado. Estou apenas aliviado em ver que você está bem. - disse sincero apesar de sentir angústia ao lembrar o motivo da briga daquela noite.

— Não sente mais raiva de mim? - ela perguntou temerosa, sem acreditar.

— Hoje não. Hoje estou apenas preocupado com você. - ele falou levando a mão bronzeada até onde a mão pálida dela estava. Quando as mãos tocaram-se, Bulma perdeu o medo e receio e avançou para o corpo do sayajin, abraçando-o com força, chorando compulsivamente.

— Ele... Ele tomou o meu filho. - ela disse com a voz abafada pelo choro e pelo rosto que estava prensado contra o ombro do general. - Minha casa, meus amigos, tudo...

— Shiii... Ele não tomou tudo de você. - Kakkarotto confortou brandamente enquanto aspirava o perfume dos cabelos ainda úmidos dela e passava as mãos nas costas da cientista, tentando acalmá-la.

Depois de alguns instantes, Bulma afastou-se e o encarou, o guerreiro a olhava docemente e ela percebeu naquele instante que sempre teria abrigo naqueles braços, não importava o quanto mal fizesse a ele. Percebeu como os dois eram diferentes... E ao mesmo tempo iguais.

— O que foi? - Kakkarotto perguntou inseguro ao ver que ela apenas o observava. Ele parecia tão doce e amável. Isso a fez sentir uma vontade incontrolável de beijá-lo.

Então, ela própria inclinou-se e encostou os lábios nos dele, surpreso, mas imensamente extasiado e sentindo a energia fluir por seu corpo, Kakkarotto enlaçou o corpo pequeno em volta do seu e trouxe-o para si. Beijavam-se agora vorazmente, e as próprias mãos da cientista percorreram a armadura do general, ela não notou a falta da insígnia quando seus dedos percorreram toda a extensão até encontrar os fechos que destravavam a vestimenta de luta do corpo do guerreiro. Quase sem deixar de beijá-la, ele deixou a armadura cair ao chão onde já jazia seu scouter ao mesmo tempo que ela já abria os fechos da malha que ele vestia por baixo da armadura. Suas mãos experientes já sabiam exatamente como tirar aquela roupa de guerreiro, pois o havia tirado muitas vezes daquele corpo e de outro que ela havia esquecido naquele momento.

Deixando a roupa deslizar pelos músculos enquanto beijava o pescoço perfumado dela, ele a deitou colocando-se por cima ao mesmo tempo em que suas mãos subiam puxando para cima o blusão que ela vestia, com pressa, ele o tirou com ajuda dela para ver que ela não usava nada por baixo dele. Ao afastar-se e admirá-la nua, por um instante, um simples instante fugaz um sentimento ruim lhe perpassou, algo que o fazia sentir-se como um ladrão, prestes a levar algo que não lhe pertencia, sentimento esse que foi esmagado pela estrondosa excitação ao ver o corpo perfeito dela. Sem pensar em mais nada, ele afundou o rosto contra os seios, tomando-os com a boca, à medida que seus dedos começaram a acariciá-la abaixo do ventre fazendo-a gemer e tornar-se úmida. A mente enuviada dela, enuviou-se ainda mais ao sentir as deliciosas sensações que começaram a tomá-la quando ele lhe acariciou. Ela precisava abandonar-se ali e esquecer todo o sofrimento que lhe acometia, naquele momento ela não era uma mãe, não era uma cientista, não era uma princesa, era apenas uma mulher sozinha que precisava estar nos braços em que sentia-se segura. E Kakkarotto sempre a fizera se sentir assim.

Também foi ela própria que empurrou a cabeça do amante de seus seios para mais embaixo, e entendendo o que ela queria, após anos juntos, ele parou de acariciá-la com os dedos e usar a própria boca para isso. Ela suspirou e gemeu ao sentir ele fazer aquilo que sabia de melhor. Ela tivera apenas dois amantes na vida, dois amantes incríveis cada um a seu modo, e naquele momento ali ela não lembrou de Vegeta. Tudo que ela podia sentir naquele momento de luxúria eram os lábios dele, a língua dele afundando-se nela, umedecendo-a.

E como sempre, ele só parou quando a fez gozar pela primeira vez aquela noite, em êxtase, ela entreabriu as pernas para que ele entrasse, retribuindo o prazer que lhe sentiu-o acomodar-se dentro dela, espalhando sensações delirantes por seu corpo. Enquanto ele beijava seu pescoço, ela podia sentir a respiração dele descompassar e escutou os seus gemidos que a avisavam que ele esta próximo de terminar, então ela pressionou-se contra ele, sentindo-o cada vez mais e também já gemia. Ele chegou ao clímax pouco depois dela. Ela sentiu-o sair rapidamente, como sempre fizera, quando o corpo dele desabou contra o seu, ofegante e suado.

Após alguns instantes, ele rolou para o lado e trouxe-a para perto de si, abraçando-a. Ficaram em um logo silêncio enquanto suas respirações acalmavam-se. As mãos deles procuraram as mãos dela como ele sempre gostava de fazer depois que faziam amor e ao encontrá-las, ele entrelaçou os dedos de uma de suas mãos com os dedos das mãos delas, sentindo apenas aquele toque macio enquanto observava sua mão bronzeada e rude sobre a mão pálida e delicada. Rapidamente, o guerreiro perdeu-se em pensamentos, à medida que o êxtase se esvaía, preocupações voltaram a assolá-lo.

— Eu não queria isso. - Ele confessou baixinho enquanto olhava reflexivamente a mão dela entrelaçada à dele.

— Como? - Bulma perguntou sem entender. Ela própria estava afundada em suas reflexões.

— Eu não queria isso. - Kakkarotto repetiu. - Eu amo aquele sayajin como um irmão, mais do que amei meu próprio irmão.

— Do que está falando, Kakkarotto? - Bulma indagou um tanto preocupada.

— Do que sinto por você. - ele disse olhando-a. - Algo que eu não pude dominar, mais forte que minha própria força, eu não tive culpa disto. Nem você. - Falou tocando-a no rosto com a mão livre. - Bulma, diga-me, também não sente-se balançada por mim, eu sei que o ama, mas me diga se não sente nada por mim.

— Eu não poderia dizer que não sinto nada por você, sou uma péssima mentirosa, não é? - ela falou emocionada com a confissão dele.

— Não tivemos culpa disso, - ele disse pegando-lhe o rosto e beijando calidamente os lábios. - eu nem gostava de você... - falou zombeteiro cortando o clima tenso. - Você era uma menininha impertinente com um estranho cabelo azul. - disse pegando uma mecha com delicadeza. Encararam-se por um longo momento. - Você sabe que terá que fazer sua escolha, não sabe? - ele falou sério e calmo sem deixar de encará-la. - Não poderá passar o resto da vida pulando da minha cama para a de Vegeta.

Bulma cortou o contato visual ao olhar para o lado, perturbada.

— Não vou fazer nenhuma escolha. - ela disse decidida após um tempo de silêncio. Kakkarotto a olhou confuso. - Não vou mais submeter minha vida aos sentimentos que tenho por vocês dois. - afirmou firmemente. - O único sayajin a quem quero pertencer é Trunks. E vou arriscar qualquer coisa pra isso.

— Como assim? Vai subjugar toda sua vida por causa do seu filho? - ele perguntou levemente irritado.

— Você não faria a mesma coisa? - ela desafiou fazendo Kakkarotto sentir-se culpado.

— Sim, acho que faria. - ele disse com sinceridade, após pensar um pouco, lembrando-se de Goten.

— Pois bem, Kakkarotto. Vou assumir a conta e o risco por minha vida daqui pra frente. - Ela falou calma e segura. - Vou fazer qualquer coisa para recuperar meu filho e vou seguir em frente com ele.

— Você não sabe o que está falando. Vegeta nunca a deixará em paz. - Kakkarotto retrucou um pouco exaltado.

— E você deixará? - ela perguntou encarando-o.

— Eu não sei. - ele respondeu sincero.

— Eu não posso mais me submeter a esse jogo perigoso. - Bulma replicou decidida. - Diga-me, Kakkarotto, o que você faria se estivesse no lugar de Vegeta e descobrisse sobre nós dois?

— Eu mataria os dois. - Kakkarotto respondeu sem pestanejar.

— Vamos dormir. - Bulma disse abalada após alguns instantes. Ocultando seu nervosismo, ela deu um beijo leve nos lábios do sayajin e deitou-se de costas pra ele. - Abrace-me. - ela falou baixinho.

Ainda perturbado, Kakkarotto abraçou o corpo pequeno contra o seu e levou muito tempo para adormecer enquanto sentia o perfume do corpo de Bulma. Mal sabia ele que a cientista falava muito a sério, que ela acabara de tomar sua decisão e que estava se despedindo dele aquela noite.

Na manhã seguinte, Bulma não acordou nada melhor do que estava no dia anterior. Com esforço, tirou o braço de Kakkarotto de cima de seu corpo e correu para o banheiro. Vomitou o que não existia em seu estômago enquanto uma sensação terrível de fraqueza tomava conta de seu corpo. E enquanto lavava-se, a tontura e o enjoo voltando, lhe levaram a uma terrível suspeita que a fez gelar no instante em que surgiu.

Os fatos vieram a sua mente com força. Enquanto limpava-se entre as coxas, tremia pela terrível suspeita. Kakkarotto não terminara dentro dela aquela noite, mas ele já havia feito isso, há mais de um mês. Do mesmo modo Vegeta fizera apenas duas semanas depois. E embora tivesse tomado a poção em ambas às vezes, desde então ela lembrou-se que suas regras não haviam descido novamente. E suas regras só haviam atrasado outra vez em sua vida: quando estivera grávida de Trunks. Pensou com os olhos arregalados.

Só o pensamento era completamente aterrador e a fez regurgitar e vomitar quase nada no chão do box.

Não, aquilo era loucura. Suas regras viriam. Quanto tempo tinha de atraso? Ela fez as contas mentalmente enquanto fechava o chuveiro. Já havia mais de três semanas que ela deveria ter sangrado, concluiu.

Desesperada, Bulma pegou a toalha que estava próxima e enxugou o corpo que tremia. Olhou-se no espelho do banheiro, estava pálida.

Ainda tremendo, ela correu ao quarto e vestiu o blusão que Nadesna lhe dera na noite anterior. Precisava confirmar suas suspeitas, mas também precisava colocar em prática o que havia decidido.

Correu escada abaixo e na sala procurou pela serviçal, entrando por um corredor que dava na cozinha, ela quase esbarrou em Nadesna que vinha com uma bandeja.

— Lady Bulma, bom dia. - Nadesna disse com educação ao ver Bulma estacar a sua frente, tentando ignorar as lembranças dos gemidos que ouvira na noite anterior. - Precisa de algo? Eu estava indo deixar o café da manhã de Goten...

— Preciso Nadesna. - Bulma falou agitada. - Mas não posso lhe pedir aqui. Conseguiu falar com Gohan conforme pedi noite passada?

—Sim, - Nadesna falou colocando a bandeja sobre um móvel do corredor e procurando algo nos bolsos do vestido branco. - Aqui está a senha. - falou entregando um papel a Bulma, - Ele pede desculpas por não ter vindo pessoalmente, mas disse que o rei mandou vigiá-los. Disse que fica contente em saber que está bem e que vai dizer a todos, disse também que é só usar essa senha e poderá comprar o que quiser.

— Obrigada, Nadesna. - Bulma disse sem dar muita atenção ao papel.

— Mais alguma coisa? - Nadesna pediu já voltando a sua bandeja.

— Sim, Nadesna. Poderia ir ao centro do Distrito comigo?

Bulma sentiu uma grande onda de nostalgia invadir-lhe. Uma em meio às muitas emoções que a tomavam naquele momento. Vestindo o vestido rosa sem mangas que Nadesna lhe dera, ela lembrava-se da vez em que vira Chichi com aquele vestido. Foi na primeira noite que a amiga chegou para dormir no castelo. Quando ela conhecera Kakkarotto.

Olhando o sayajin esparramado na cama, coberto apenas por algumas partes do lençol, ela sentiu novamente aquele sentimento de culpa lhe invadir, sentia-se uma intrusa na casa que fora de sua amiga. Pedindo perdão silenciosamente ao espírito de Chichi, Bulma foi até a cômoda, sentou-se numa cadeira e pôs-se a escovar os cabelos. Voltando a sua preocupação mais recente: temia estar grávida.

Os sintomas eram visíveis para uma mente aguçada como a dela. E seu estômago despencava ao pensar na imensa tragédia que seria se aquilo se comprovasse. Primeiro, ela não podia identificar quem era o pai daquela criança. Ela dormira com os dois sayajins em um espaço de duas semanas, mas em qual ocasião ela estava fértil? Em ambas havia tomado a poção contraceptiva, em qual delas a poção falhara?

Era algo sem jeito. Vegeta jamais acreditaria que o filho era dele, visto que nem sabia que haviam dormido juntos, corria até o risco de enlouquecer de fúria ao vê-la grávida. Kakkarotto aceitaria a criança, mas como seria ela com um filho de Kakkarotto? Um filho nascido do pecado que cometeram. O que seria de uma criança nascida de uma relação forjada na mentira e na deslealdade? E ainda tinha Trunks, o que diria a Trunks quando sua barriga começasse a crescer? Bulma bateu a cabeça contra a cômoda. Não haveria solução para aquele impasse, sua única solução era não estar grávida. Levantado a cabeça, ela olhou-se no espelho e enxugou os olhos reforçando a postura que decidira ter naquele momento. Fosse como fosse, ela teria que enfrentar daquela vez, e por conta própria.

Jogando aquelas preocupações para depois, resolveu se focar no seu plano para aquele dia, antes de tudo, pegou papel e caneta e começou a escrever um bilhete para Kakkarotto.

Todos na loja de luxo pararam quando Bulma saiu do trocador. O vestido azul celeste rendado e sem mangas que ia até os pés contornava seu corpo como uma segunda pele. Era talvez a décima roupa que ela provava naquela manhã e como as anteriores, havia ficado perfeito.

Depois de pagar, Bulma saiu à rua acompanhado de Nadesna ainda vestindo o vestido azul celeste, chamando atenção agora também nas ruas. As duas pararam em um salão onde ficaram cerca de uma hora e de onde Bulma saiu majestosa com um coque no cabelo que a fazia parecer uma rainha. E era assim que ela queria parecer aquele dia. Tudo estava indo bem, o que Bulma não sabia é que enquanto andava pelas ruas agora a procura de uma farmácia, estava sendo observada.

— Senhor, encontrei a mulher foragida. - um guarda que avistou Bulma nas ruas disse ao contatar o scouter, falava com Spartaco.

— Onde estão? - o outro replicou ansioso.

— No centro, na Rue Drive.

— Estarei aí em cinco minutos. Não a perca de vista.

— Sim, senhor. - O soldado disse eficiente antes de desligar.

Bulma saiu da farmácia acompanhada de Nadesna e com um teste de gravidez em uma de suas sacolas. Mal saiu e sentiu o sol ser ensombrado por um vulto alto que estacou em sua frente. Bulma levantou a cabeça para ver quem era, reconhecera aquele rosto.

— Ora se não é a mulher que o rei procura. - Spartaco disse satisfeito lançando um olhar indecente a Bulma.

— O que quer comigo? - Bulma disse com raiva. - Vegeta me mandou embora do castelo. Não tenho mais nada a discutir com você.

— Mas agora ele quer vê-la novamente. - Spartaco falou olhando para o decote generoso do vestido que Bulma usava. - E vou levá-la ao castelo de qualquer maneira, por bem ou por mal. - disse ameaçador.

— Não precisa me levar por mal, seu energúmeno. Eu estava indo pra lá mesmo. - Bulma disse com um sorriso irônico.

— Então essa é a oportunidade, pro carro agora. - Spartaco mandou apontando o aerocarro oficial estacionado a frente.

— Nadesna, Obrigada pela companhia. - Bulma disse gentilmente – Já avisei para seu patrão aonde eu iria, não se preocupe.

Nadesna assentiu temerosa e Bulma rumou para o aerocarro, sentando-se no banco detrás colocando suas sacolas aos seus pés. Spartaco entrou e sentou ao lado dela, quase preenchendo todo o banco, fechou a porta com força e deu uma ordem brusca para o motorista seguir.

O grandalhão pegou um controle remoto que havia no canto e fechou à janela de comunicação que havia entre eles e o motorista, deixando-o totalmente sozinho com Bulma, ela se encolheu um pouco em seu banco.

— Está com medo? - Spartaco indagou sentindo-se poderoso. - Não tenha. O rei vai gostar muito de você. Ainda mais vestida assim... - disse já levando uma das mãos em direção ao decote de Bulma.

— Eu não tocaria se fosse você. - Bulma falou com coragem antes da mão de Spartaco tocar sua pele. - Vegeta odeia que toquem no que é dele, você sabe como ele é possessivo. Meu filho Trunks também é muito ciumento. - disse em tom ameaçador, vendo a face do guarda contrair-se. - Você o conhece, não é? Ele é o novo príncipe herdeiro...

— Você se acha muita coisa, não é vadia? - Spartaco replicou com despeito, embora tivesse recolhido a mão e desistido de tocar em Bulma. - Abre as pernas pra um sayajin poderoso e já se sente a rainha de Vegetasei.

— Vadia ou não, rainha ou não, eu ainda sou a mãe do príncipe herdeiro e você vai ter que engolir isso. - Bulma retrucou com arrogância tentado uma postura firme.

— Você não passa de uma putinha qualquer que vai ser fodida até sangrar pelo rei daqui apouco. - Spartaco sibilou fazendo Bulma estremecer um pouco no momento em que sentiram o carro estacionar.

— Posso ser, mas vai ser por ele e não por você. - Bulma retrucou petulante quando um guarda abriu a porta do aerocarro.

Spartaco saiu furioso do carro e fez sinal para que Bulma lhe seguisse. Caminharam rapidamente por corredores que ela sabia, davam para a sala do trono. Em poucos minutos estavam de frente à imponente porta lustrosa.

— Vamos entrar. - Spartaco disse ao puxar a maçaneta de ferro pesado.

Por um momento, Bulma não percebeu que Vegeta estava no salão. Demorou a perceber que havia alguém sentado de costas para eles na poltrona principal da mesa de reunião olhando monitores que passavam imagens de ruas de Vegetasei.

— Majestade estou aqui com a procurada. - Spartaco disse imponente em alto tom de voz.

Vegeta, contudo, não se mexeu na cadeira.

— Majestade?! - Spartaco indagou. - Majestade?!

— Estamos dormindo, imbecil. Vá embora!— uma voz se fez ouvir da cadeira, uma voz que não era de Vegeta.

Bulma reconheceu aquela voz e imediatamente correu até a cadeira do rei antes que Spartaco pudesse impedi-la.

— T-Trunks?! - ela chamou emocionada ao olhar o filho que estava na cadeira aninhado sobre o peito do pai, dormindo.

— M-mamãe? - o menino disse sonolento abrindo os olhos devagar. - MAMÃE! - ele gritou ao ver que era Bulma quem estava a sua frente. Pulando da cadeira do pai e abraçando a cintura da mãe. Vegeta se mexeu por conta do barulho e foi acordando aos poucos. Ao abrir os olhos, ele imaginou que estivesse sonhando, pois havia um belo ser celestial abraçando seu filho ali na sua frente.

— Mamãe, achei que estivesse perdida... - Trunks falou enquanto os pequenos bracinhos abraçavam as costas da mãe que abaixara-se para abraçá-lo.

— Mas... O q..? - Vegeta disse atordoado ao despertar completamente. - B-bulma? - falou ao ver a mulher que abraçava Trunks, percebendo que ela era real.

— Mamãe, procuramos você à noite toda. - Trunks disse quando a soltou. Vegeta observava os dois apalermados. - Primeiro achei que você tivesse morrido quando nossa casa pegou fogo, mas quando acordei tia Pirza falou que você estava bem, só estava perdida. Então vim aqui e ajudei papai a procurá-la nos monitores.

— Trunks, como você o chamou? - Bulma indagou impressionada.

— Sim, do que você me chamou? - Vegeta perguntou nervoso. - Você me chamou mesmo de pai?

— É isso que você é meu, não é? - Trunks retrucou meio constrangido. - Pelo menos você está se portando como um. - o menino disse sem jeito. - Mas não pense que ainda estou de bem com você por conta disso. - Avisou. - Mamãe, você está linda. - Trunks disse direcionando novamente sua atenção para Bulma. - Como chegou aqui?

— Ele me trouxe. - Bulma replicou olhando com desgosto para Spartaco.

— Ah, ele... - Trunks falou com igual desgosto. - Mas, mamãe, você veio pra ficar? - o menininho perguntou ansioso.

— Não, T.K. Vim pra falar com seu pai. - Bulma disse séria olhando Vegeta que observava os dois. - Você nos deixa sozinhos um pouquinho?

— Você quer mesmo ficar sozinha com ele? - o menino indagou preocupado, magoando ambos os pais com tal dúvida. Ele ainda não confiava em Vegeta.

— Quero sim, não se preocupe. - Bulma reafirmou.

— Está bem. - Trunks falou para mãe um pouco contrafeito. - Estarei lá fora se precisar. - falou como um pequeno guerreiro sayajin lançando um olhar perigoso para Vegeta antes de sair. Vegeta, constrangido, fez sinal para que Spartaco acompanhar seu filho.

Quando a pesada porta bateu, Vegeta já havia levantado de sua cadeira e puxado uma para que Bulma sentasse.

— Ele tem razão. Você está linda. - Vegeta disse quando Bulma passou por ele e sentou-se na cadeira oferecida. Ainda conseguiu aspirar um pouco o cheiro dela antes de voltar a sua própria cadeira.

— Sou eu que estou maluca ou sequestraram o rei de Vegetasei e colocaram outro no lugar. - Bulma replicou o elogio com ironia. - Em todos os nossos anos de convivência você nunca me fez qualquer elogio. Tanto que acho perigoso ouvir um agora.

Vegeta ficou meio sem jeito com aquela resposta. A Bulma ácida e arisca que raramente ele via estava ali aquele dia.

— Que seja. - ele replicou enquanto desligava os monitores com um controle remoto. Em seguida, afastando sua cadeira até ficar a frente da que Bulma estava.

— Eu quero fazer um acordo, Vegeta. - Bulma disse depois de um momento. - Quero ter Trunks ao meu lado e farei qualquer coisa que você quiser para tê-lo.

— Qualquer coisa? - Vegeta indagou com malícia interessado na conversa. - Qualquer coisa mesmo?

— O que você quiser que eu faça. - ela falou tomando coragem. - desde que me deixe ficar perto dele.

— Qualquer coisa? Tem certeza? - ele disse levando um dedo até o decote onde Spartaco tentara tocar. Tocando-a. - Eu poderia sugerir muitas coisas indecentes. - disse malicioso ao ver que a vantagem estava ao seu lado.

— Eu já disse, qualquer coisa. - Ela falou estremecida pelo toque. - Serei sua escrava, desde que me deixe ficar ao lado de Trunks. É o que você sempre quis, não é?

— Está bem, - ele disse por fim, mal acreditando na sua sorte. - Parece um bom acordo em que todos saímos ganhando.

— Então, o que quer? - ela perguntou, o medo lhe tomando de conta.

Vegeta pensou muito no que falar. Sabia exatamente o que queria.

— Você fica no castelo sob as mesmas regras de antigamente. - ele começou. - Além de voltar ao cargo de chefe de tecnologia, é claro.

— E? - Bulma indagou achando que ele deixaria o pior para o final.

— Por enquanto mais nada. - Vegeta disse encarando-a. - Vou pedir que levem suas coisas aos seus aposentos antigos. - falou ao olhar as sacolas que ela trouxera. - Teremos um pouco de dificuldade de tirar Trunks de seu quarto, ele se apossou de lá desde que chegou. - concluiu bem-humorado ao levantar-se.

Bulma, muito surpresa, viu Vegeta lhe estender a mão. Receosa, ela retribuiu o aperto de mão, contudo, quando Vegeta pegou sua mão, levantou-a e levou-a aos lábios. Depositando um leve beijo sobre ela enquanto olhava fixamente para a cientista.

"O que ele quer?" ela perguntou-se em pensamento.

Fora realmente difícil tirar Trunks do antigo quarto de Bulma. O menino insistiu para ficar no mesmo quarto que a mãe e apenas deu-se por vencido quando Vegeta deu-lhe uma ordem dura para que ele reunisse suas coisas e fosse para o outro quarto do corredor, que era um pouco distante já que o quarto de Bulma era o único da torre.

Para a surpresa de Bulma, Trunks obedeceu à ordem de Vegeta, coisa que era muito incomum do menino fazer, contudo, O garoto só saiu do quarto quando seu pai saiu junto, de forma que deixaram Bulma completamente sozinha ali.

Cansada, ela olhou em volta reconhecendo cada detalhe daquele lugar. Jamais imaginou estar ali novamente. Passou a mão sobre a colcha de sua velha cama e viu como tudo estava exatamente igual, exceto pela pequena bagunça que Trunks havia feito.

Quando viu a porta do banheiro aberta ela lembrou-se do teste que tinha nas sacolas. Uma preocupação substituída por outra. Rapidamente procurou a caixinha e na posse dela partiu para o banheiro. Em frente ao seu antigo espelho ela repetiu a cena que fizera com Pirza há sete anos, pegara a pequena agulha e espetara o dedo anular. Pressionou o dedo derramando duas gotas do líquido carmim contra a plaquinha de resultado, exatamente como aprendera há sete anos. E quando levou o dedo a boca para sugar o sangue que sobrara, olhou para a plaquinha, olhou por longos minutos quando viu a primeira linha vermelha se formar, e quando viu a segunda linha se formar aos poucos, ela não precisou olhar na caixa nem perguntar a ninguém, ela sabia aquele resultado.

Estava grávida novamente.