27 – Dez Vezes Positivo
Elizabeth acordou mais cedo do que Darcy e sentiu a mão dele em seu quadril. Desde que eles começaram a dormir juntos ele nunca deixou de ter pelo menos uma parte do corpo em contato com ela. Elizabeth suspirou, sentindo-se leve. Ela nunca imaginou que poderia ser feliz daquela forma.
Na noite anterior Darcy queria comemorar as duas semanas do que ele chamava noivado de renovação. Uma semana antes ele também quis comemorar, e Elizabeth desconfiava que seria assim todas as semanas até que finalmente eles realizassem a cerimonia de renovação de votos. Ela previa que depois, ele desejaria continuar comemorando e quase riu, achando graça do quanto ele parecia alegre e empolgado desde que eles se acertaram.
Sem conseguir resistir, ela se virou para poder olhar para ele e sentia o coração acelerar. Ele parecia tão calmo e inocente dormindo daquela maneira, um contraste perfeito com o homem ardente que ele tinha sido quase a noite toda, verdade seja dita, todas as noites desde que eles assumiram os sentimentos um pelo outro. Ela nunca imaginou o quanto ele poderia ser amoroso e atencioso com ela. Sempre arrumando um motivo para comemorar algum marco no relacionamento deles, seja o primeiro 'eu te amo', a primeira conversa civilizada, o primeiro abraço carinhoso... Elizabeth revirou os olhos para isso, começando a achar a situação toda hilária demais. Definitivamente ela e Darcy não eram convencionais.
Ela esticou o braço, agarrou seu celular e se inclinou em um cotovelo para olhar melhor para a tela quando se sentiu enjoada e tonta de repente. Elizabeth fechou os olhos e respirou fundo algumas vezes esperando a sensação passar, e quando se sentiu melhor, se sentou. Ela estranhou, pois não tinha exagerado nas bebidas na noite anterior. Na verdade, ela não exagerava no álcool desde seu casamento conturbado, decidida de que se ela foi capaz daquilo durante um porre, definitivamente deveria deixar esses dias inconsequentes para trás. Foi uma sorte que tudo acabou bem, pois aquela noite em Las Vegas poderia ter consequências terríveis. Darcy é um bom homem, o melhor na opinião de Elizabeth... entretanto, poderia não ser.
Era um pouco depois das oito da manhã. Elizabeth colocou o celular de volta na mesa de cabeceira e voltou seus olhos para Darcy, que naquele momento estava dormindo com a boca aberta, uma mão ainda fazendo contato com ela. Elizabeth se inclinou para colocar um beijo na testa dele, completamente tomada pelo sentimento que inundava seu coração ao observá-lo. Eles estavam verdadeiramente juntos há pouco mais de um mês e meio, mas para ela, era como se fosse um segundo e ao mesmo tempo uma vida inteira.
Assim que ela se dobrou para alcançar o rosto dele, o enjoo anterior voltou com força total. Elizabeth jogou as cobertas para o lado e correu para o banheiro, onde perdeu o conteúdo de seu estômago. Ela ficou agachada mais alguns momentos respirando profundamente, e quando acreditou estar no controle, se levantou, apenas para sua vista escurecer e ela sentir tudo ao redor dela girar. Elizabeth agarrou no balcão do banheiro para se firmar e esperou. Sua visão retornou aos poucos, mas tudo parecia em movimento, o que não ajudou muito seu estômago. "Aghhh... O que está acontecendo?" Ela sussurrou para si mesma. Suas mãos estavam frias e sua pele um pouco úmida. Ela não acreditava que aquilo era sintoma de uma crise de pânico ou ansiedade. Era muito diferente. Muito, muito diferente.
De repente, como se fosse atingida por um raio, Elizabeth ofegou. Ela fez rapidamente as contas na cabeça e chegava a uma conclusão aterrorizante para aquele momento. Não havia como negar, e ao mesmo tempo, ela não queria acreditar. Ela e Darcy só se tornaram verdadeiramente marido e mulher um pouco mais de um mês e meio antes, e ela tomava anticoncepcional religiosamente. "Não pode ser..." Ela sussurrou sentindo sua respiração ficar mais rápida e curta.
Elizabeth se abaixou lentamente até o chão do banheiro e colocou a cabeça entre os joelhos, se concentrando no ar entrando e saindo dos seus pulmões e tentando se acalmar. Lentamente, ela sentiu-se bem o suficiente para se levantar. Ela escovou os dentes, lavou o rosto e se olhou no espelho. Ela parecia um pouco pálida, mas nada de anormal para aquela hora da manhã.
Quando voltou para dentro do quarto, viu que Darcy estava exatamente na mesma posição. Elizabeth piscou rapidamente impedindo as lágrimas de caírem. "Se isso for verdade, o que ele vai pensar de mim?" Ela se perguntou insegura. Apenas duas semanas antes ela confessou que colocou seu apartamento para alugar, dizendo que não tinha vontade de sair de perto dele. "Ele vai pensar que eu estou tentando prendê-lo, como muitos pensam?" Ela murmurou petrificada na entrada do quarto, ainda assistindo o sono dele.
Na ponta dos pés, Elizabeth entrou no quarto que ocupava anteriormente em direção ao closet onde estavam as suas roupas. Ela pegou o primeiro jeans e camiseta que viu, calçou um par de tênis e saiu em direção a garagem. Por sorte, ela não se deparou com ninguém. Ela entrou no carro e dirigiu para a farmácia mais próxima. Lá, comprou uma quantidade ridícula de testes de gravidez.
Elizabeth dirigiu até o seu apartamento. Ela se lembrou que apenas no mês anterior tinha se sentido estranha ao entrar lá, mas naquele momento, ela estava grata por tê-lo ainda disponível.
Por causa da manhã conturbada, ela se deu conta agradecida de que nem pensou em esvaziar a bexiga quando acordou. Então, ela conseguiu o suficiente para todos os testes que comprou. Todos os dez. Ela os deixou organizados lado a lado sobre a pia do banheiro e saiu de lá, não suportando ficar parada esperando.
Elizabeth caminhou pelo apartamento sentindo seu corpo trêmulo e gelado, e olhando ao redor, sabia que realmente não pertencia mais àquele lugar. Ela ficou um pouco triste por seu primeiro instinto ser correr para lá. Darcy merecia melhor. Ele demonstrou o tempo todo o quanto se importava com ela e o quanto a amava. Elizabeth fechou os olhos e respirou fundo, entendendo que aquela era uma situação excepcional. Ela se acostumaria a correr para ele no futuro.
O som do celular indicando a passagem dos minutos necessários interrompeu seus devaneios, e cheia de medo, Elizabeth retornou para o banheiro. Lá, antes mesmo de se aproximar, Elizabeth conseguiu notar todos os testes com o mesmo resultado. Dez vezes positivo. Era impossível que dez testes falhassem, então, ela se deu conta que era verdade. Ela estava realmente grávida. "Oh, meu Deus... oh, meu Deus..." Ela disse para si mesma enquanto instintivamente colocava as duas mãos sobre a barriga.
Por quase um minuto inteiro, ela não conseguiu se mexer. A novidade e a emoção correndo por suas veias, pulsando em seus ouvidos. Ela se encostou na parede e sentiu as lágrimas transbordarem de seus olhos, pingando em sua camisa azul clara e deixando manchas molhadas. Foi quando seu celular fez um som de mensagem recebida.
Elizabeth o tirou do bolso automaticamente e leu a mensagem. Era de Charlote, parecendo bastante preocupada.
'Lizzy, você já viu as notícias de hoje? Ligue para mim se precisar de alguma coisa. Você sabe que eu sempre vou te apoiar em tudo. Char.'
Elizabeth estreitou os olhos, completamente confusa, e abriu um site qualquer de notícias para ver do que se tratava, então, ela se deparou com a pior situação para aquele momento. Fotos dos quartos da mansão de Darcy demonstrando que eles viviam separados, cópias do infame contrato de casamento formulado pelo tio de Darcy, depoimentos de pessoas dizendo que nunca souberam que os dois estavam juntos antes do casamento, fazendo a sugestão de que como Darcy precisava de mais respeito do conselho administrativo, decidiu forjar um casamento para aparentar ser mais maduro e responsável. Algumas especulações de que Elizabeth estava sendo paga por serviços de acompanhante, corroborado por artigos do contrato destacados em negrito e informando as somas que ela receberia no decorrer do tempo. Vários comentários maldosos fazendo piadas e dizendo que Darcy inventou um novo tipo de prostituição. Tudo foi colocado de uma forma para parecer o mais sujo e vulgar possível.
"Não agora... não nesse momento..." Elizabeth sentiu suas pernas cederem. Ela escorregou pela parede lentamente e se agachou no chão do banheiro. Ela queria ir para Darcy e se abrigar no abraço dele, mas ela não conseguiria encará-lo naquele momento.
"Jane!" Elizabeth sempre poderia contar com a irmã. Com as mãos trêmulas, ela ligou para Jane e implorou para encontrá-la no apartamento. Jane, que tinha acabado de olhar as notícias do dia, correu ao socorro de Elizabeth, preocupada com o peso emocional que a irmã estava carregando.
Jane tinha a chave do lugar e entrou sem bater. Ela ficou ainda mais aflita ao encontrar Elizabeth abraçada a si mesma, com os olhos perdidos e vazios voltados para a janela. "Lizzy..." Jane correu para a irmã e passou os braços ao redor dela a balançando suavemente, como faria com uma criança assustada. "Não fique assim, querida... vai dar tudo certo... não fique assim..."
"Jane... eu..." Elizabeth engoliu em seco, mas antes de continuar a falar, Jane a cortou.
"Eu sei, querida... eu vi as notícias hoje... eu sinto muito, Lizzy." Jane se afastou um pouco para olhar o rosto da irmã, retirando as mechas que grudavam no rosto molhado de lágrimas. "Como o William está? Como ele reagiu?"
Elizabeth olhou para baixo, se sentindo um pouco envergonhada. "Eu não sei... eu saí cedo e ele ainda estava dormindo."
"Você veio buscar alguma coisa aqui?" Jane olhou ao redor, procurando algo fora do lugar.
Elizabeth segurou a mão da irmã com mais força, ganhando a atenção dela e fazendo a preocupação dela aumentar. Elizabeth estava com o corpo todo tremendo. "Jane... eu... tive que vir aqui... eu precisava saber se era verdade..."
"Lizzy... vai dar tudo certo, querida. Isso tudo que foi publicado não é verdade. Mesmo quando você achou que era verdade, não era. Você e o William estão bem. Vocês se amam. Não se preocupe com o que essa gente pensa... com o tempo isso nem vai ser lembrado." Jane a confortou. Ela ficaria ao lado da irmã o tempo todo.
Elizabeth se encolheu um pouco antes de fazer a confissão que precisava. "Jane... hoje de manhã eu me senti mal..."
"Você está doente?" Jane automaticamente colocou a mão na testa de Elizabeth, sentindo a temperatura dela.
Elizabeth conseguiu sorrir um pouco para aquele gesto, mas tirou a mão da irmã de seu rosto para segurar firmemente. "Jane... eu estou grávida."
Por alguns segundos Jane ficou petrificada olhando para Elizabeth com olhos arregalados, e então, ela agarrou a irmã em um abraço apertado enquanto chorava copiosamente, ombros sacudindo em um choro forte. Elizabeth estranhou aquela reação, até Jane começar a falar. "Eu estou tão emocionada... somos só nos duas há tanto tempo..." Jane se afastou e olhou com adoração para a irmã. "Eu sempre estive constantemente aterrorizada com a possibilidade de acontecer alguma coisa com você, Lizzy... nós perdemos todo mundo... um por um... eu só tinha você. Eu sempre tive tanto medo de ficar sozinha...sem nenhuma família..." Jane abraçou novamente a irmã com força e ao mesmo tempo que chorava, começou a rir. "Eu vou ter mais alguém para cuidar e amar..." Ela se afastou novamente, parecendo enérgica. "Eu vou levar essa criança para passear, e vou comprar brinquedos e roupas... oh... vai ser tão divertido. Eu juro que sempre vou ter doces..."
Elizabeth finalmente sentiu seu coração mais tranquilo e começou a rir. "Acalme-se, Jane... eu não quero que essa criança seja um monstro mimado."
Jane bufou. "Ninguém vai chamar meu sobrinho ou sobrinha de mimado na minha frente."
Elizabeth arqueou uma sobrancelha, não reconhecendo o comportamento da sua doce e calma irmã. Mas então, Jane se recompôs para fazer a pergunta que precisava. "Você está se sentindo melhor? Quer que eu acompanhe você até um médico?"
"Eu estou bem... acho que hoje de manhã foram somente sintomas normais de gravidez... os primeiros sintomas..." Elizabeth, novamente sem pensar, colocou as duas mãos sobre a barriga.
Sem conseguir resistir, Jane apoiou as mãos sobre as da irmã. "Eu mal posso acreditar que tem um bebê se formando aí dentro... Como o William reagiu?"
"Ele não sabe." Elizabeth fechou os olhos com força. "Eu acabei de descobrir... os testes ainda estão em cima da pia do banheiro..."
Jane ficou em silêncio por um momento antes de apertar as mãos de Elizabeth, que ainda estavam apoiadas em seu abdome. "Você está com medo da reação dele?"
"Sim." Elizabeth sussurrou. "Jane... eu devo ter engravidado na primeira vez... e eu tomo anticoncepcional... como isso foi acontecer?" Elizabeth fechou os olhos e gemeu. "Fui eu que sugeri que deixássemos o preservativo de lado... que eu estava segura tomando a pílula... nós dois estávamos a mais de dois anos sem nos relacionarmos com ninguém, estamos saudáveis... eu não vi necessidade em usar camisinha... mais uma vez a culpa é minha..."
"Não começa com isso de novo, Lizzy... a culpa não é sua..." Jane se apressou a corrigi-la. Mesmo que a ideia do casamento fosse dela, Darcy concordou. E se ele não viu problemas em deixar a camisinha de lado, ele também era responsável.
"Nós acabamos de nos entender... ele me pediu em casamento novamente há apenas duas semanas..."
"Ohhhh... Ele pediu você em casamento?" Jane parecia emocionada de novo. Seus olhos já vermelhos ficando brilhantes novamente. "Você não percebe, Lizzy... esse homem ama você. Como ele poderia ficar menos do que eufórico com essa novidade?"
Elizabeth se afastou, se abraçando. "Eu não sei... é tudo tão recente...e agora, com essas notícias... todo mundo vai falar que eu estou prendendo ele a este casamento. Que eu estou aproveitando a oportunidade..."
Jane fitou a irmã incrédula. "Querida, desde quando você se importa com o que as outras pessoas pensam?"
"Não sou mais apenas eu e você, Jane... agora eu preciso pensar em William, em tudo o que ele representa... em Georgiana, e até em Charles..." Elizabeth olhou para baixo, em direção a sua barriga. "E eu tenho que pensar neste pequeno também..."
Jane sentiu seu coração derreter. Só de pensar que em alguns meses um bebê estaria entre eles ela sentia seus olhos lacrimejarem. Sorrindo e novamente colocando as mãos sobre a barriga da irmã, ela olhou para Elizabeth. "Essa criança vai ser tão amada, Lizzy... mesmo na pior das hipóteses, e eu quero dizer, impossível hipótese, onde Darcy não fique feliz, essa criança terá você e a mim..." Jane riu um pouco. "E eu aposto que a tia Georgiana também vai ficar eufórica... eu já estou até me imaginando competindo pela atenção desse bebê. Quem vai ser a tia preferida?"
Elizabeth riu, agradecendo silenciosamente por ter Jane em sua vida. Segurando a mão da irmã, elas foram até o sofá, se sentaram e se cobriram com a colcha. Abraçadas, elas ficaram em silencio pensando sobre o futuro. Jane cheia de alegria e esperança e Elizabeth sentindo tudo isso, mas também medo. Ela temia a reação de Darcy ao saber daquela notícia.
Se lembrando que saiu de casa e nem mesmo avisou, ela pegou o celular rapidamente e enviou uma mensagem dizendo que precisou resolver assuntos de última hora, sem especificar exatamente o que era. Alguns minutos depois ela recebeu uma mensagem de volta.
'Eu acordei assustado sem você ao meu lado... eu já estava me preparando para sair do quarto e fazer uma busca pela casa inteira. Vou contar os minutos esperando por você. Te amo.'
Elizabeth sorriu com carinho, percebendo pela mensagem que ele ainda não sabia sobre as fofocas publicadas sobre os dois. Ela se perguntava como ele iria reagir. E mais do que tudo, ela se perguntava se era isso que o faria romper de vez a ligação que tinha com seus parentes intrometidos.
Pensar nos Fitzwilliam e nos de Bourgh fez o estômago de Elizabeth revirar. Ela descobriu naquele momento que suportaria bem insultos direcionados a ela, mas não conseguiria fazer o mesmo com insultos contra o seu bebê. Ela continuou com sua técnica de prestar atenção na própria respiração para se acalmar e acalmar seu estômago revoltado. Ela realmente não estava preparada para presenciar seu marido quando ele descobrisse tudo.
Elizabeth pegou novamente o celular para enviar uma mensagem dizendo que também o amava, mas percebeu tarde demais que tinha acabado de ficar sem bateria. Ela olhou em direção ao carregador reserva sobre um dos armários, suspirou e desistiu de levantar. Ela estava física e emocionalmente exausta demais.
"Quando você pretende contar para o William?" Jane quebrou o silêncio.
"Hoje." Elizabeth se encolheu um pouco. "Eu não quero guardar segredos... isso não é certo. Eu já me sinto péssima por correr para cá ao invés de conversar com ele."
"Isso não foi inesperado." Jane explicou. "Aqui é o lugar onde você se sentia segura antes de todas essas mudanças. Correr para cá é como voltar no tempo, onde tudo era mais simples."
"Quanto eu devo pela sessão de terapia?" Elizabeth estava aos poucos recuperando o seu humor.
Jane riu, balançando a cabeça para as bobagens da sua irmã. "Eu só conheço você bem demais para saber do que se trata."
"Eu não me sinto mais segura aqui... eu amo morar com o William." Elizabeth suspirou e encostou a cabeça no ombro de Jane. "Mesmo com toda essa confusão, mesmo antes de nos declararmos um ao outro, até mesmo antes de saber que eu o amava... eu já era feliz lá, com ele..."
Jane riu e passou um braço pelos ombros de Elizabeth. "Eu deveria ter percebido... vocês dois simplesmente se encaixaram perfeitamente depois do casamento. Era como se estivessem juntos desde sempre." Ela riu novamente, dessa vez com mais humor. "Se você soubesse tudo que eu planejei para acalmar você, ou para consolar você até esse casamento completar um ano... e no final, não precisou de nada... tudo o que você realmente precisava era ele."
Elizabeth sorriu, sentindo a tranquilidade se instalar novamente em todo o seu corpo. "Ele não vai achar ruim, não é mesmo? Ele vai ficar feliz... talvez um pouco assustado, como eu... mas feliz, não é mesmo?"
"Sinceramente?" Jane fitou a irmã nos olhos. "Eu acredito que ele vai ficar radiante." E então, ela ficou mais séria. "E se ele não ficar, Lizzy... você tem a mim, Georgiana e Charlote. Nem você e nem essa criança vão sofrer por falta de amor."
"Obrigada." Elizabeth sussurrou sentindo seus olhos lacrimejarem, contudo, por mais que estivesse aliviada por todo o apoio que sabia que receberia, a reação mais importante para ela era a de Darcy.
"Eu estou tão feliz... eu vou ser tia... nós teremos mais um membro para a nossa família pequenininha." Jane sentiu seus olhos marejados. Ela sabia que seriam meses emocionada daquela forma. Elizabeth teve todo o trauma das experiências de infância, mas Jane carregou toda a tristeza em silencio, o que também não foi fácil.
Elizabeth riu e olhou para a irmã que parecia até mais emocionada do que ela mesma. "Você sabe, Jane... você sempre pode fazer um bebê para você..."
Jane olhou para baixo, parecendo um pouco menos alegre do que segundos antes. "Eu..." Ela suspirou. "Eu não sei... Charles está estranho ultimamente... parecendo distraído... às vezes eu acho que ele está pensando em terminar tudo..."
Elizabeth estreitou os olhos em confusão. "Não... impossível, Jane. Eu vejo como ele olha para você. Durante o jantar que tivemos em casa eu percebi o quanto ele é atencioso. E ele praticamente me implorou para ver suas fotos de infância... isso não é atitude de um homem que está pensando em terminar o namoro..."
Jane balançou a cabeça para afastar os seus pensamentos. "Eu não sei... às vezes pode ser apenas coisas da minha cabeça..." Mais uma vez ela sorriu, completamente feliz, e abraçou a irmã. "Eu vou ser tia... nada mais importa no momento."
