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Hermione fechou os olhos e inalou o odor de batatas assadas, o aroma trazendo pensamentos de casa e conforto e jantares em família. Ela manteve os olhos firmemente fechados contra a visão de Colin e Denis Creevey, que haviam atravessado Ron e Harry para se sentarem em frente a ela na mesa da ceia da Gryffindor. Ela soube por seu breve relance que Colin estava praticamente vibrando no lugar. Denis segurou um pouco mais o entusiasmo dele, mas foi por pouco. Ela sentiu uma forte pontada de simpatia por todos os professores ao longo dos anos, se era isso que eles tinham que lidar com ela nas aulas.

- O Professor Slughorn dará sua primeira aula de poções amanhã, - disse Colin.

Hermione estava ciente desse fato. Ela também estava ciente de que o Professor Slughorn, um homem baixo, com uma barriga grande e um enorme bigode prateado parecido com uma morsa, estava sentado à mesa principal ao lado do Professora Sinistra.

As primeiras duas semanas do período já haviam passado e o Professor Slughorn finalmente fez sua tão esperada aparição. Ela procurou o ex-professor na biblioteca. Ele não era o que ela teria imaginado como o homem que havia ensinado Poções para Snape. Ela esperava alguém rigoroso e metódico, como o próprio Snape. Em vez disso, o Professor Slughorn lembrou-lhe um cavalheiro de um romance da Regência, gostava de boa comida e vinho, cheio de bom humor jovial e propenso a usar roupas luxuosas e antiquadas. Ela até o encontrou certa noite no corredor, vestindo uma jaqueta marrom de veludo. Ela não conseguiu conter o sorriso diante da imagem mental desse homem ensinando a Snape um adolescente sombrio e carrancudo.

Snape. Havia outro assunto que ela estava evitando, como os Creevey e Slughorn.

Curvando-se ao inevitável, Hermione abriu os olhos.

- Colin, você realmente acha que uma aula de Poções será necessária este ano, já que o Professor Snape não a ensinará?

- Sim. Poções é difícil. - Uma sobrancelha levantada, ele acrescentou - Bem, difícil para mim, de qualquer maneira. E mesmo que o Professor Slughorn não seja tão assustador quanto o Professor Snape, não fará mal fazer a revisão.

- Revisão? Do que você está falando? Ron perguntou.

- Você sabe, aula de Poções da Hermione.

Ron lançou um olhar ponderado a Hermione antes de voltar sua atenção para Colin.

- Não, não posso dizer que sei. Conte-me sobre isso.

Colin, sempre ansioso por agradar, começou a falar tudo.

- Neville e eu estávamos reprovando em Poções. - Colin fez uma pausa e retrocedeu um pouco em sua explicação. - Ok, Neville estava reprovando em Poções e Hermione organizou uma aula de revisão para ajudá-lo. Eu meio que tive sorte. Acho que não teria uma nota tão boa se não fosse por Hermione. Ela foi um salva-vidas, e Neville e eu queremos que ela a ensine novamente, mas Hermione acha que como o Professor Snape não vai ensinar este ano, ela não precisa dar as aulas.

A atenção de Harry finalmente foi atraída para a conversa.

- Você estava ensinando Poções?

Hermione balançou a cabeça.

- Não, eu não estava ensinando Poções. Estava apenas revisando as coisas que o Professor Snape já havia ensinado na aula.

- Por que você não nos convidou?

- Realmente não havia motivo para convidá-lo, pelo menos no começo. Era só ajudar Neville sobre o medo do Professor Snape. Não era uma aula de verdade. E realmente, Ron, você realmente acha que iria para uma aula de Poções? Mal posso levá-lo à biblioteca.

- Você ainda poderia ter perguntado. Ei, talvez Harry devesse começar as aulas da AD novamente.

Hermione considerou a sugestão por um momento.

- Pode não doer começar uma aula de estudos de Defesa, mas Harry estava dando as aulas porque Umbridge não estava nos ensinando nada. Você realmente acha que vamos precisar disso?

- Se Snape estivesse nos ensinando certo...

- Oh, Harry. Você viu alguma coisa nas últimas duas semanas que o Professor Snape nos ensinou que não está correto?

Ele bufou em despedida.

- Estamos revisando o material do primeiro ano. Isso dificilmente ajudará quando chegar a hora de enfrentar os Comensais da Morte.

- Todo conhecimento é útil, - ela respondeu. - E aprender defesa do sétimo ano e contra-feitiços não nos ajudará se não tivermos os alicerces dos anos anteriores para construir. É por isso que ele está fazendo a revisão.

- Você sabe o que eu acho? Acho que ele está fazendo a chamada revisão para que possamos deliberadamente atrasar mais doze semanas. Para que estejamos fracos quando ele e seus amigos atacarem. - Harry levantou-se, as mãos apertadas ao lado do corpo. - Acho que uma aula de estudos de defesa seria ótima.

Ron assistiu com um olhar preocupado no rosto Harry se afastar. Hermione suspeitava que ela estivesse com a mesma feição.

- Alguém mais acha que ele está perdendo um pouco a cabeça?

- Dennis!

- Bem, ele está, - disse Colin, defendendo seu irmão. - Então, Hermione, sobre Poções?

- Tudo bem, Colin. Primeira aula amanhã, no horário habitual na Sala Precisa. Vamos discutir detalhes então, ok?

- Claro, Hermione. Isso vai ser ótimo. Vou contar para Neville.

Ron assistiu Colin e Dennis correrem e olharem de soslaio para Hermione.

- Se alguém é desvairado da cabeça, são esses dois.

Ela riu.

- Eles parecem estar bem.

- Uh, hein. Se você diz.

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Hermione entrou na biblioteca, com a intenção de encontrar uma cópia de um trabalho relacionado em seu livro de Aritmancia. Ela não entendeu bem a conexão que o livro estava fazendo e esperava que o texto proporcionasse uma explicação melhor. Além disso, ela precisava ficar quieta para pensar no que faria com a aula de Poções do dia seguinte.

A biblioteca na quarta-feira à noite era escassamente povoada por estudantes. Ela viu, distante, dividindo uma mesa, Harry e Ginny. Compartilhar possa ser uma palavra muito forte, ela decidiu, enquanto se dirigia na direção deles. Os dois podiam estar sentados à mesma mesa, mas havia uma distância quase palpável entre eles. Ela tinha que dar pontos para Ginny por sua perseverança e determinação em ficar com Harry apesar da cara dele.

Ginny deu um pequeno sorriso cansado.

- Ei, Hermione.

Harry olhou para as palavras de Ginny, deu um grunhido superficial em saudação e voltou sua atenção para copiar o livro aberto sobre a mesa.

Hermione, bem acostumada com as maneiras dos adolescentes, deu uma rápida olhada no livro.

- Ensaio de Defesa previsto para sexta-feira? - eEa perguntou a Ginny.

Ginny, que tinha sua própria pilha de livros e, no sexto ano, também estava sob o regime de 'pegar tudo que você perdeu' de Snape, assentiu.

- Eu nunca percebi o quanto perdemos nos últimos anos.

Hermione, que havia terminado seu próprio ensaio na noite anterior, deu um sorriso compreensivo.

- Pelo menos estamos aprendendo agora. - Ela deu uma olhada rápida ao redor. - Onde está Ron? Eu imaginei que estivesse aqui também.

- Surpreendentemente, meu irmão já terminou o dele. Ele desapareceu há mais ou menos uma hora nesta direção - Ginny acenou com a mão em direção a uma fileira sombria de estantes de livros - murmurando algo sobre ataques e simulações.

- Ataques e simulações?

Ginny deu de ombros.

- Meu irmão estranho agindo ainda mais estranho.

- Vou ver se consigo encontrá-lo. - Hermione disse com uma risada. Com um meio aceno, ela foi procurar Ron.

Ela o encontrou ajoelhado ao lado de uma mesa baixa, meia dúzia de livros abertos e espalhados por sua superfície.

- Ron?

Ele levantou a mão em um gesto calado, sua atenção nunca vacilando da mesa. Sua curiosidade despertou, Hermione deslizou para o outro lado. Um tabuleiro de xadrez foi montado no meio dos livros. Era menor que o tabuleiro normal de Ron e as peças pareciam mais peças mundanas trouxas do que peças altamente estilizadas e quase reais como peças de xadrez bruxas.

Ela ficou surpresa ao ver uma das peças de xadrez deslizar abruptamente sobre o tabuleiro, como se uma mão invisível a tivesse movido.

- Eu não sabia que os tabuleiros de xadrez podiam jogar sozinhos.

Ron estudou o quadro por um minuto e depois se virou para puxar um dos livros para mais perto, folheando rapidamente suas páginas.

- Eles não podem, - ele disse distraidamente, seus olhos nunca deixando o livro. - Este é um conjunto de jogadores remotos. Estou jogando com Snape. Ele tem um tabuleiro como este, onde quer que esteja; suponho que nas masmorras. Os tabuleiros funcionam em conexão um com o outro, refletindo os movimentos de cada jogador. Então, se um jogador precisa sair do jogo ou mover o tabuleiro, o jogo pode ser congelado e continuar posteriormente. - Ele virou mais algumas páginas e rosnou baixo na garganta antes de empurrar o livro para o lado e pegar outro.

Tendo raramente visto Ron tão apaixonado por qualquer coisa que tivesse a ver com livros, Hermione sentou-se em uma mesa próxima para assistir.

Mais uma vez, Ron começou a folhear páginas, de vez em quando olhando para o tabuleiro. Neste ponto, Hermione tinha quase certeza de que ele havia esquecido que ela estava lá. Ela inclinou a cabeça levemente para ver melhor a coluna de dois livros, Xadrez Mágico: Estratégias de Abertura e Mago vs Trouxa: Jogos de Xadrez Modernos. Nem o título do livro lhe deu nenhuma informação útil nem explicou o que Ron estava fazendo. Ela achou encorajador, porém, que Ron ainda estivesse jogando com Snape e levando isso muito a sério.

Ron murmurou algo rude para o tabuleiro que fez Hermione cobrir a boca com a mão para que ele não olhasse e a visse sorrindo para ele.

- Arrá! - Ele apontou o dedo para a página. - Eu sabia. Você está tentando adotar a Decisão de Farrakan. Acho que não. - Outras páginas foram viradas. - Vamos lá... vamos lá. Estratégia de Peão. Tem que ter uma estratégia de peão... Aí está. Peguei você agora.

Hermione observou Ron deixar o livro de lado e depois se recostar no tabuleiro de xadrez. A próxima série de movimentos foi rápida e precisa. - Você move o cavaleiro... Meu castelo vai para lá... Então, sim, eu vejo onde... Muito inteligente isso. O que significa que a rainha é... Oh, entendo. Corra o risco de perder ou ganhar tudo de uma vez se cair... tudo bem, vamos tentar do seu jeito. - Ron estendeu a mão e moveu outra peça, mas seu corpo a impediu de ver qual. Os resultados, no entanto, nunca foram questionados, pois Ron se levantou com um brado.

- Ron!- Ela sussurrou - Fique quieto.

Ron colocou a mão na boca e olhou em volta com culpa. Felizmente, Madame Pince não foi encontrada em lugar algum e ele soltou um suspiro.

- Desculpe. - Então ele sorriu. - Mas eu ganhei.

Ela soltou uma risada suave.

- Com uma pequena ajuda dos livros.

Dando-lhe um sorriso torto, Ron começou a guardar o tabuleiro de xadrez.

- Tudo é válido no amor, guerra e no xadrez, Hermione. Além disso, Snape não joga como ninguém que eu já vi. São todos os padrões, estratégias e coisas que eu nunca ouvi falar antes, muito menos visto. É como se ele jogasse com código. Ainda estou perdendo mais do que estou ganhando, mas estou melhorando.

Tabuleiro na mão e com dois dos livros fechados debaixo do braço, Ron apontou para a frente da biblioteca.

- Você vem?

Ela balançou a cabeça.

- Tem algumas leituras que quero fazer. Vejo vocês na sala comunal mais tarde.

Puxando um dos livros que a Professora Vector entregou a ela, Hermione se recostou para ler. Quem teria pensado. . . Ron Weasley fazendo pesquisas na biblioteca. Uma tosse suave chamou sua atenção de volta. Ron ainda estava lá, com o tabuleiro e os livros ainda nos braços. Ele parecia nervoso.

- Ron?

- Eu não disse nada... bem, você também não... E... Você já pensou sobre isto?

Ela largou o próprio livro, dando-lhe toda a atenção.

- Isto?

- Isso. Você sabe... O que está por vir.

- Ron.

- Tenho certeza que sim, - disse ele, como se ela não tivesse dito o nome dele. - Você pensa em tudo. É o que faz de você ser você. Mas, você pensa em nós e... Harry.

- Pare! - Ela levantou a mão. Se essa era a conversa que ela pensava, ela não queria que fosse ouvida por nenhum dispositivo de escuta do Professor Dumbledore. Puxando sua varinha, ela apontou para Ron chegar mais perto de sua cadeira e, em seguida, lançou um feitiço Silenciador ao redor dos dois.

Por causa expressão interrogativa dele, ela sacudiu a cabeça.

- Sabe que as paredes têm ouvidos. Mas acho que estamos bem agora. E sim, penso muito sobre isso. Penso em meus pais, sua família, em todas as bruxas e bruxos que desapareceram sem vestígio, e Harry e a profecia e o que isso significa para ele. Eu me preocupo com - Ela prendeu a respiração e continuou suavemente - Eu me preocupo com muitas pessoas.

Aqui estava a conversa que eles não tiveram; o elefante na sala.

- Ele está piorando em vez de melhorar.

- Ron...

- Você sabe o que ele está fazendo. - Era uma afirmação e não uma pergunta.

Ela balançou a cabeça.

- Não. Não de verdade. Não tenho certeza. É apenas um palpite.

- Hermione, eu apostaria em suas suposições contra os fatos de outras pessoas qualquer dia. - Ron deu um pequeno sorriso para ela. - O que você acha?

Hermione se perguntou se Ron iria acreditar ou negar.

- Eu acho que ele está brincando com Magia Negra.

Os ombros de Ron caíram.

- Sim, isso também foi meu palpite.

Os dois ficaram em silêncio por um momento, olhando um para o outro. Finalmente, Ron perguntou.

- Tem algum plano brilhante e sangrento que vai salvar o dia e nos tirar dessa bagunça?

Ela deu uma risada curta, embora mesmo para seus ouvidos houvesse pouca alegria.

- Nenhum. Embora você esteja realmente realizando um ótimo trabalho fazendo o que está fazendo.

Isso pareceu realmente surpreendê-lo.

- Estou? O que estou fazendo?

- Você toca nele.

As duas sobrancelhas de Ron se levantaram, quase desaparecendo em sua linha do cabelo.

- Uh huh.

- Oh, não me olhe assim, - ela bufou. - Quero dizer que você o toca - uma mão no braço dele, batendo no seu ombro - Todas as pequenas maneiras pelas quais duas pessoas se tocam. Estive lendo...

- Surpresa aí, - disse ele, brincando.

- Eu tenho lido algumas coisas, - ela repetiu insistentemente. - O toque humano transmite uma riqueza de informações. Os trouxas fizeram muitos estudos sobre o toque humano e como reagimos a ele. E embora a sociedade bruxa não tenha feito muita pesquisa real, há muitos livros que mencionam o toque humano e como trabalha a favor e contra a magia. O toque pode denotar conforto, carinho e amor. Ele pode nos fundamentar e nos lembrar de onde estamos e quem somos. E Ron, Harry precisa desesperadamente lembrar quem ele é. Quem é Harry Potter; não apenas o garoto que sobreviveu, ou o indivíduo sem nome em uma profecia que supostamente derrota o mal. Acho que ele esqueceu isso.

Ela tocou o espelho no bolso do roupão.

- Acho que Harry esqueceu muitas coisas, e ele as esquece ainda mais com o passar do tempo.

- Então o que fazemos? Vamos a Dumbledore?

- Não. Eu não acho que o Professor Dumbledore seja o caminho certo a seguir.

- Por que não?

O Professor Dumbledore está levando Harry para aulas especiais desde o verão e Harry escondeu com sucesso o que eles estão fazendo. Ele tem pressionado Harry a ser o salvador do mundo bruxo. Eu. . . não sei o que Dumbledore faria se subitamente descobrisse que Harry estava usando Artes das Trevas.

Olhos arregalados, Ron empalideceu.

- Você não está sugerindo—

- Não, - ela respondeu rapidamente. - Eu não acho que o Diretor faria qualquer coisa para machucar Harry. Acho que ele realmente se importa com ele. Só não tenho muita certeza de como ele reagiria a Harry sendo... não sei, menos do que intocado aos olhos dele.

Ron estava olhando para ela, sua expressão de profunda concentração. Lentamente, como se as palavras que saíam de sua boca fossem uma surpresa para ele, mesmo quando as dissesse, Ron perguntou.

- Hermione, você gosta do Professor Dumbledore?

- Às vezes. - Ela deu de ombros meio que enquanto tentava ordenar seus pensamentos e colocar em palavras tudo o que até esse momento eram apenas sentimentos e impressões. - Eu respeito ele e suas habilidades. Acho que ele está fazendo tudo o que pode para garantir que o mundo bruxo sobreviva a Voldemort. Mas não posso dizer que sempre concordo com seus métodos, e não seguirei cegamente o que ele disser sem pensar nisso de maneira boa e difícil. Ele tem os melhores interesses do mundo bruxo no coração? Sim. Ele tem os melhores interesses das pessoas envolvidas? Sim e não. Às vezes. - Ela deu de ombros novamente. - Acho que para ele depende do indivíduo e da situação.

- Você é completamente idiota. Dumbledore é-

- Cálculista e afetuoso. Manipulativo e determinado. Atencioso e corajoso. O tipo de homem que não deixa sua compaixão atrapalhar o que acha que deve ser feito.

Gostaria de saber se Ron sabe o quão completamente chocado ele parece.

- Você faz ele parecer um slytherin.

- Eu o faço parecer um slytherin misturado com partes iguais das outras casas.

- Ele era um gryffindor!

- Na verdade, eu acho que ele é um slytherin. Apenas pense em Ron, como você seria esperto, em ser um slytherin e, deliberadamente, se colocar em gryffindor?

Ron engasgou com o pensamento.

- Idiota. Completamente idiota.

Ela riu.

- É apenas uma teoria que funciona.

- Uma teoria completamente desagradável. E doce Merlin, Hermione, nunca compartilhe essa teoria com Harry. Nossa, você fez meu cérebro doer. Em seguida, você estará dizendo que Malfoy é uma ravenclaw disfarçado.

- Bem . . . .

- Não. Eu não estou ouvindo. - Então, abruptamente, seu bom humor sumiu. - Certo. Não Dumbledore. Acho que descobrimos como ajudá-lo juntos.

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Hermione esmagou a pontada de culpa com o pensamento de que ela já havia envolvido Snape, mas ela deu a Ron a resposta que ele precisava ouvir.

- Vamos encontrar um jeito e ajudá-lo juntos.

Ela não tinha certeza de quanto tempo havia passado entre Ron a deixando e quando ela captou o som de vozes ásperas. Ela não quis escutar; foi mais a consciência do tom das vozes que a fez prestar atenção na conversa e ela não gostou do que ouviu. Portanto, mesmo que ela não estivesse escutando ativamente, ela não teria perdido o som inconfundível das vozes provocadoras das crianças. Tinha uma cadência universal de cantar, com um fio sublinhado de malícia auto-satisfeita que a tornava inconfundível.

Hermione levava seus deveres de monitora muito a sério. Deixando os livros e se levantando da mesa, ela seguiu o som de vozes jovens e agudas pelas prateleiras altas até avistar um grupo de quatro crianças mais velhas, segundo ou terceiro anos pelo tamanho, as cores os identificando como dois gryffindors, uma ravenclaw e uma hufflepuff, de pé em volta de uma garotinha slytherin de aparência nervosa, no primeiranista se a memória, um tanto confusa de Hermione, da cerimônia de seleção daquele ano estivesse correta.

As provocações foram feitas para ferir, embora Hermione notasse que a garota, embora um pouco número, tinha o queixo para cima e uma tentativa muito boa de uma máscara indiferente no rosto.

- Todo mundo sabe que os slytherins são todos bruxos e bruxas das trevas.

- Nada além de um monte de assassinos.

Hermione já ouvira o suficiente. Utilizando a tática do Professor Snape de sair inesperadamente das sombras, Hermione não anunciou sua presença.

- Bem, bem, bem. Eu posso ver que alguns estudantes não estão prestando atenção na aula de História da Magia do Professor Binns. - Mesmo sem perceber, ela caiu em sua personalidade de Professora Granger-Snape, sua voz assumindo um tom zombeteiro e frio quando se dirigiu aos outros alunos.

Cinco rostos assustados giraram em sua direção, quatro deles com graus variados de culpa e um que ainda estava lutando para ser impassível diante de seus atormentadores. Hermione sentiu sua raiva aumentar um pouco com o olhar de resignação no rosto da garota mais jovem. Ela esperava que Hermione se juntasse à diversão.

Foi vendo a culpa nos rostos dos dois gryffindors deslizando em antecipação presunçosa e triunfante que explodiu o topo da raiva fervente de Hermione diante da situação. Ela tinha visto essa mesma expressão muitas vezes no rosto de Malfoy quando o Professor Snape se colocava numa briga entre Malfoy e Harry, apenas para ficar do lado da Slytherin sem nem ouvir o que estava acontecendo.

Os olhos de Hermione se estreitaram. Se eles achavam que ela os deixaria escapar do bullying, eles teriam uma decepção. E considerando todas as leituras que vinha fazendo ultimamente sobre as Artes das Trevas e os slytherins em geral, ela sabia exatamente como fazê-lo.

- Sr. Thomas, - ela começou dirigindo-se ao única hufflepuff do grupo, - acho bastante estranho que você jogue pedras em outra casa sobre a produção de bruxos e bruxas das trevas. Afinal, é de conhecimento geral que uma das bruxas mais sombrias da história era uma hufflepuff. Na verdade, ela era uma das melhores e mais brilhantes protegidas de Helga Hufflepuff. Isso até ela matar mais de cem crianças trouxas e bruxas. Você sabia que as crianças trouxas ainda têm lendas sobre ela? Chamam-na de Bloody Mary. Incrível realmente, o que acontece com a história distorcida dessa hufflepuff que precisa ser nutrida pelas Artes das Trevas. E não vamos esquecer todas as hufflepuffs que formaram os seguidores de Grendelwald. As hufflepuffs são famosas por causa dos problemas nos se meteram em nessa época.

Ela olhou para a ravenclaw do grupo.

- Tenho certeza de que não preciso lhe contar, senhorita Cheshire, sobre as menos que nobres ravenclaws que são conhecidas na história.

Ela se dirigiu à garota slyhterin de olhos arregalados que não estava mais tentando esconder seu espanto com essa mudança inesperada de eventos.

- Os ravenclaws, como você vê, têm uma tendência a deixarem suas atividades intelectuais atrapalharem sua compaixão e humanidade, o que leva a pessoas como Cornelius Evertop, começarem a matar pessoas por ingredientes de alquimia e depois se ramificaram na experimentação humana. - Hermione voltou-se para a ravenclaw agora vermelha como beterraba. - Cheshire, lembra-se de quantas pessoas ele matou antes de ser capturado? - No silêncio da garota, Hermione deu de ombros. - Acho que os números realmente não importam. Afinal, um assassino é um assassino.

Em seguida, Hermione voltou sua ira verbal aos dois gyffindors.

- Todos os bruxos das Trevas vêm da Slytherin, não é? Os gryffindors são imunes? Vamos citar alguns gryffindors que foram para o lado das trevas? Que tal Matilda Coleridge? Que tal Nathan Cammert? Que tal um mais próximo? Que tal Peter Pettigrew, o suposto melhor amigo do pai de Harry Potter, que entregou os pais de Harry para Voldemort, matou uma dúzia de pessoas, trouxas e mágicas, e depois jogou esses assassinatos em Sirius Black enquanto o bravo gryffindor se escondeu por vinte anos? Saiu do esconderijo para poder ficar ao lado do próprio Voldemort?

- Mas Você-Sabe-Quem-

They scattered with an alacrity that brought a smile to her face.

- ... era um slytherin? - Hermione terminou. - Então? O diretor de St. Mungus também é um slytherin. Mais de sessenta por cento dos ministros da Magia são slytherins. Nos últimos quinhentos anos, uma boa porcentagem das inovações e avanços mágicos foram feitos pelos slytherins. Você quer arriscar um palpite sobre o porquê? - Sem resposta, Hermione respondeu por eles. - A razão é ambição. Os slytherins sempre trabalharão para serem os melhores, a nata, se você preferir. Os slytherins, em regra, não gostam de ficar em segundo lugar ou ter que cortejar o favor de outra pessoa. É por isso que eles são ministros, chefes de departamento, diretores e principais pesquisadores de feitiços e poções.

Todos estavam olhando para ela agora, o garoto da Hufflepuff Thomas, estava na verdade pressionado contra uma das estantes de livros na tentiva fugir dela. Provavelmente emitindo faíscas azuis novamente, ela pensou. Tinha que descobrir como controlar isso.

- Vinte e cinco pontos de Ravenclaw, Hufflepuff e cinquenta de Gryffindor para vocês dois. Agora voltem para as suas salas comunais.

Eles se espalharam com uma vivacidade que trouxe um sorriso ao rosto dela.

A garota de Slytherin estava olhando para ela, olhos estreitados em avaliação. Hermione estava prestes a perguntar seu nome, quando a garota saiu em direção à frente sem dar uma palavra.

Num acesso de irritação auto-indulgente, ela a disse.

- De nada.

Hermione deu um pulo com a risada suave que soou atrás dela.

- Ela não vai agradecer.

Ela sentiu as bochechas corarem de vergonha quando se virou.

- Eu não fiz isso por agradecimento. – Com a testa erguida, ela acrescentou - Eu fiz isso porque era a coisa certa a fazer.

- Talvez. Que ela não volte para morder você, - disse ele com um pequeno aceno de cabeça antes de desaparecer nas sombras das pilhas.

Ela deu um suspiro suave diante da forma de retirada.

- Oh, eu tenho certeza que sim.

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Severus afundou em sua cadeira favorita. Albus não estava em no escritório, mas Severus sabia que ele chegaria em breve. Enquanto isso, ele se sentava, absorvendo os cheiros, chá, gengibre e limão, e os sons, o constante clique e o turbilhão dos muitos dispositivos na sala, e deixou a tensão fluir para fora dele enquanto esperava, com a mente a vagar. O encontro na biblioteca que ele acabara de testemunhar entre Granger e outros estudantes.

Com um bater de asas, Fawkes sentou-se ao lado dele no braço da cadeira, várias penas longas caindo para se acomodarem no tapete estampado.

Severus olhou para ele.

- Você está um pouco enlameado, pássaro.

Fawkes inclinou a cabeça e encarou Severus com um olho roxo. Ele chilreou suavemente uma nota que parecia reprovadora.

Severus murmurou em falso aborrecimento.

- Eu não sou Albus e não vou me curvar à sua vaidade. Você está no início do seu ciclo de muda, e não vou lisonjear um pássaro que não consegue manter suas próprias penas.

Severus estendeu a mão e passou as costas de uma junta suavemente pelo peito de Fawkes, suas ações em desacordo com a acidez de suas palavras. Várias outras penas flutuaram ao toque. Fawkes não fez nenhum protesto, apoiando-se no dedo acariciado. Então ele chilreou uma nota, o tom aumentado, antes de esticar o pescoço longo e puxar uma mecha dos cabelos finos de Snape. A fênix recostou-se com um sorriso presunçoso.

Ele quase riu então. Maldito seja o pássaro por trocar sua própria plumagem, que não era estelar. Mas rir desse ponto significaria que Fawkes vencera essa rodada. Isso nunca faria. Afastando-se do pássaro, ele estreitou os olhos em ameaça.

Fawkes baixou a cabeça e deu o tocou com o bico.

- Pelo menos eu-

Albus aproveitou a oportunidade para entrar na sala pela porta mais distante, seus olhos observando a cena.

- Severus, você está discutindo com Fawkes de novo?

Severus sentou-se e deu uma fungada desdenhosa.

- Eu não discuto com pássaros.

A seu lado, Fawkes esticou as asas e deu um trinado igualmente desdenhoso antes de se lançar no ar para se estabelecer em seu poleiro regular.

- Claro que não, - Albus disse com uma risada. – Perdoem-me, vocês dois. - Instalando-se em sua própria cadeira atrás da mesa, Albus deixou o humor do momento anterior desaparecer. - Tom o chamou?

Severus sentindo a mudança no humor de Albus, se endireitou.

- Não, mas recebi vários avisos através da Marca. Ele me chamará em breve. Seria melhor se estivermos preparados.

- Você sabe que eu tenho trabalhado com Harry. Quando ele chamar você, conte a ele sobre essas sessões. Isso deve alertá-lo a ter cautela.

- Não por muito tempo.

- Não, mas pode nos dar algum tempo. - Albus o estudou com dedos entreabertos. - Você falou com Miranda?

- Sobre as equações dela? Sim. Eu vi a linha do tempo acelerada que ela está prevendo.

- Você viu a outra?

- Sim.

- Não leve isso a sério, Severus. - Albus retrucou.

Severus deu um leve sorriso.

Já discutimos isso. A matriz de Miranda deixa claro o caminho que devo seguir. Não muda nada.

- E quanto à senhorita Granger?

- O que ela faz? O caminho dela é tão claramente marcado com o meu. Você sabe que farei o que puder para protegê-la, mas esse é um caminho em que você mesmo ajudou a colocá-la. Você realmente espera que eu acredite que agora você se preocupa com a segurança dela? Que você não está preparado para nos sacrificar a todos, se isso significa que Harry Potter derrotará o Lorde das Trevas?

- Eu não desejo sacrificar ninguém, - disse Albus bruscamente. - Mas você sabe o que é mais importante melhor do que eu.

Severus suspirou.

- Aquilo que eu faço.

Fawkes mexeu as asas, perturbando o silêncio que havia chegado.

- Você verificou o motivo da singularidade dela?

- Não. A garota é simplesmente ela mesma, Albus. Ela tem muito pouca associação comigo neste momento. Nossa única conexão é o que estou ensinando a ela, e mesmo essa interação é mínima. - Ele pensou novamente no que acabara de testemunhar na biblioteca. - Por mínima que tenha sido, ela aprendeu com nossas interações. Porém, dado seu temperamento e experiências normais de vida, ela teria chegado a isso sozinha.

- Severus Snape, você gosta da garota.

- Você não precisa fazer parecer uma coisa tão extraordinária. Eu também gosto de você, embora Merlin saiba o porquê. - Divertiu-o surpreender o Diretor. Na verdade, eram as pequenas coisas da vida, fazer chorar toda uma classe de hufflepuffs, tirar pontos dos Gryffindors e surpreender Albus Dumbledore. O último era especialmente gratificante, pois acontecia tão raramente.

Albus ergueu as sobrancelhas

- Sim, eu gosto da companhia da srta. Granger. Você sabe quanto tempo se passou desde que eu tive uma discussão com alguém que não girava em torno de poções, o Lorde das Trevas ou a minha morte iminente?

- Severus!

Ele abaixou a cabeça.

- Desculpas, Albus. Isso foi desnecessário. Mas, para responder à pergunta que você não fez não acredito que os estudos da senhorita Granger comigo sejam o que está representado na matriz. Vector concorda.

- Mas o momento-

- Parece ser apenas uma coincidência, ou, pelo menos em parte, uma coincidência. Os estudos da garota são parte disso, mas não são tudo. Hermione Granger ainda não revelou seu verdadeiro objetivo.

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Hermione ficou do lado de fora da Sala Precisa. Colin, Dennis e Neville estariam lá dentro esperando por ela. Ela olhou para as vestes da escola e debateu, deveria mudar para o que Neville havia chamado Granger-Snape ou esperar? Ainda não, ela decidiu. Ela precisava conversar com eles e descobrir o que eles estavam esperando primeiro. Ela sorriu. E então visto as roupas cerimoniais.

Hermione entrou na sala, a porta batendo alto contra a parede. Logo depois da porta, ela parou abruptamente. Havia estudantes lá. Muitos estudantes.

- Colin!

Quando o menino mais novo se encolheu, ela sabia que havia acertado o culpado.

- Agora, Hermione-

- Lá fora, - ela rosnou. - Agora!

Colin lervantou do assento e saiu da sala, os ombros curvados ao redor das orelhas. Quando a porta da Sala Precisa foi fechada, Hermione virou-se para Colin.

- Diga.

- Eu não sabia que tantas pessoas apareceriam. Eu estava apenas empolgado. E, bem, todo mundo percebeu o melhor desempenho de Neville no ano passado. Eu contei a eles sobre e eles quiseram ter ajuda também. Eu não achei que você se importaria. Juro Hermione, acabei de mencionar para algumas pessoas como você ajudou Neville e mim.

Hermione caiu contra a parede, a cabeça baixa.

- Neville e eu.

- O que?

- Se fala Neville e eu, não Neville e mim. - Ela soltou uma risada estrangulada. - Isso não vai funcionar, Colin.

- Mas-

- Não.

Ela se afastou da parede.

- Vamos.

Colin a seguiu de volta para a sala como um filhote de cachorro chicoteado. Uma sala cheia de olhos a seguiu enquanto ela caminhava para a frente. Graças a Deus eu decidi esperar para me vestir como Snape. Isso teria sido um desastre.

- Todo mundo, eu quero agradecer por terem vindo hoje à noite, mas eu tenho medo disso- - Hermione parou quando a porta no fundo da sala se abriu. Várias pessoas se viraram em suas cadeiras para olhar para trás. Hermione sentiu seu coração bater forte quando uma figura curta deslizou pela moldura da porta. Era uma primeiranista de Slytherin a que estava na biblioteca.

Um queixo agudo levantou-se uma fração de desafio.

- Eles disseram que você dá de poções. Preciso de ajuda.

Os olhos de Hermione varreram os outros estudantes, Gryffindors, um casal de Ravenclaws e alguns Hufflepuffs e tomou uma decisão. Pelo menos um slytherin, ao que parecia, ela tinha feito sua escolha e Hermione se condenaria se deixasse escapar essa oportunidade de unidade da escola.

- Qual o seu nome?

- Agnes Worth.

Hermione sorriu para a garota.

- Então entre senhorita Worth. Estávamos prestes a conversar sobre como será esta reunião de estudo.

oooOOoooOOooo

N/T.: Ahhhh o amor, fazemos cada concessão por causa dele... seja bem-vinda ao grupo Mione. Beijos para E. ( este também foi grande, acho que daqui para frente a tendência será esta) e Ravrna (Também gostei da ideia do celular, foi genial). Desculpem pelos erros. Cuidem-se e até o próximo.

N/A.: Uma nota de rodapé para o folclore e a história a respeito da lenda de Bloody Mary, também conhecida como Mary Worth. A história mais comum é que Mary Worth era uma bruxa que se interessou pelas artes das trevas. Ela foi descoberta e executada. Acredita-se amplamente que as origens dos nomes "Mary Worth" e "Bloody Mary" vieram de uma ligeira mistura de personagens da história. Maria I, rainha da Inglaterra, ou Mary Tudor, que reinou durante o período Tudor, também era conhecida como "Bloody Mary". O apelido de "Bloody Mary" se apegou a ela quando ela violentamente executou e queimou pessoas na estaca por heresia durante seus cinco anos de reinado como rainha da Inglaterra. Há outra sugestão de que o nome "Mary Worth" tenha sido derivado de uma vítima dos julgamentos das bruxas de Salem. Outra origem possível é a lenda de Elizabeth Bathory, ou Condessa Drácula, como ela foi chamada. Ela era da realeza húngara e havia boatos de que matou meninas e se banhou no sangue para preservar sua beleza juvenil. É claro que o nome dela não era Maria, mas de alguma forma as histórias dessas mulheres cruéis foram inseridas na lenda. Os japoneses têm sua própria versão, chamada Kuchisake Onna ou The Slit Mouth Woman.