Capítulo 44

Se havia uma palavra para descrever o que Draco sentia naquele momento, era agonia. Por mais que soubesse que Hermione e ele tivessem tentado o melhor que poderiam, ainda assim lhe soava repugnante apenas sentar e esperar.

Não que fosse de sua índole se prontificar a fazer alguma coisa, longe disso, mas tinha atitudes que sabia que deveria tomar. Até por quê já sabia exatamente qual seria o resultado daquela noite se não ficasse por perto de Gina. Com seus cabelos vermelhos e o temperamento incendiário ela conseguia causar todo tipo de caos dentro e fora de sua mente. E por mais que a chance de perdê-la de verdade fosse pequena, somente o fato de existir tal possibilidade era o suficiente para tirar o Malfoy dos eixos.

Não demorou para que os membros da Ordem aparatassem em volta da casa e começassem a lançar contrafeitiços. Viu de relance professora Minerva explodir a porta de maneira impressionante, permitindo assim a entrada dos outros bruxos. Por um momento sentiu-se orgulhoso de todas as pessoas que conseguira reunir e, embora seu cérebro pedisse, seu coração não conseguia desacelerar nem por um instante.

- Malfoy... Está na hora.

A voz de Hermione soou baixinho em meio aos gritos que vinham de dentro da casa e Draco assentiu, quase hipnotizado, sem conseguir tirar os olhos do epicentro de todas as luzes e barulhos.

- Nós precisamos ir. Não podemos ficar aqui.

Insistindo de maneira paciente, Hermione umedeceu os lábios enquanto encarava a casa. Por mais que seu coração pedisse para ficar, sabia que tinha que terminar a missão que iniciara com Draco e tinha de ser urgente. Até por que preferia não estar ali para testemunhar ao vivo e a cores se tudo sairia conforme o planejado. Porém, o Malfoy não parecia partilhar de suas conclusões.

- Preciso ver se Gina está bem.

Completamente cego pelo desejo de colocar os olhos em Gina mais uma vez, Draco levantou-se determinado a caminhar na direção da casa. Hermione, entretanto, pulou na direção do Malfoy como um gato, agarrando em seu braço e puxando-o para baixo com a maior força que conseguiu. Os dois acabaram caindo sentados na grama e os dedos do loiro apoiaram-se no chão.

- O que pensa que está fazendo?

- Eu? O que VOCÊ pensa que está fazendo?! Se formos vistos, está tudo acabado! Ainda precisamos concluir uma etapa do plano e você tem que me ajudar!

Um grunhido tomou forma pelos lábios do Malfoy, que encarou Hermione da forma mais aterrorizante que seus olhos cinzentos tempestuosos conseguiam. Porém isso não pareceu surtir efeito na garota, que apenas revirou os olhos demonstrando impaciência.

- Se nós não formos, isso não vai acabar hoje. Você quer passar por isso de novo?

Só de lembrar da cena de Gina caída em seu colo foi o suficiente para fazer com que chegasse à uma conclusão. Ainda que quisesse ter certeza de que Blaise cumpriria com seu acordo, achou melhor ceder.

- Não. Uma vez foi suficiente.

X

Quando teve aquela ideia mais cedo, Hermione pensou que estava sendo visionária. Porém, agora, sentia-se apenas um pouco idiota. Quer dizer, tinha quase certeza de que seu plano funcionaria, mas seria muito melhor se pudesse contar com mais varinhas naquela situação. Temeu que somente ela e Draco não conseguissem executar com perfeição seu plano maluco e a ideia de falhar lhe fez engolir seco e quase engasgar.

A pergunta dele ainda ecoava em sua cabeça, um pouco mais baixo que algum tempo atrás, mas mesmo assim ainda fazia seu coração palpitar. "Quem é o escolhido, Potter ou Weasley?", poderia até parecer uma pergunta fácil, mas deixava a cabeça de Hermione toda confusa. E tudo que não precisava agora era deste tipo de distração.

Quer dizer, supondo que todos sairiam vivos daquele terrível espetáculo, talvez pudesse se dar ao luxo de responder àquela pergunta. Porém, seu desempenho seria crucial e era imprudente pensar neste tipo de assunto, especialmente durante uma caminhada noturna ao lado de Draco Malfoy no terreno de Pansy Parkinson.

Como esperado, não havia comensais, guardas, cobras, ou qualquer sinal de alguém tomando conta do esconderijo àquela noite. Hermione deduziu que, como Pansy estava muito certa à respeito da funcionalidade de seu plano ao colocar sorrateiramente uma cobra embolada na gola da blusa do Malfoy, não teria a menor suspeita de que haveria a mais remota possibilidade de sofrer um ataque aquela noite. E por isso, atacou a pequena casa com tudo que tinha, exceto uma coisa.

Dentre a chuva de cobras e os feitiços, Hermione não se lembrava de ter visto nenhum basílisco (e isto seria bem memorável). Se estes rumores fossem verdadeiros, assim como as cobras que a Parkinson controlava, então o animal teria de estar ali, escondido em sua sede em algum lugar, à salvo e pronto para ser colocado em campo. Não deveria ser muito difícil encontra-lo, especialmente considerando o tamanho, mas se tinha uma coisa que os sonserinos sabiam fazer era manter seus segredos muito bem guardados.

Afinal de contas, por centenas de anos o basilisco ficou escondido em Hogwarts e somente Harry foi capaz de encontrá-lo. E isso apenas por que a parte da alma de Voldemort que habitava nele conseguia se comunicar com cobras (o que ela testemunhara não acontecer mais após a morte do bruxo), caso contrário era bem capaz que aquele bicho estivesse dentro do castelo até hoje com Dumbledore dizendo que estava tudo bem e Hogwarts era completamente segura. Hum. Pois sim.

A cada passo que dava pelo terreno, direcionando-se ao castelinho no topo da colina, Hermione sentia-se mais ansiosa. Nunca estivera ali antes, era noite e seu único guia era um Malfoy. Se alguém lhe contasse isso dois anos atrás, com certeza gargalharia. Agora, contudo, não parecia tão engraçado. Seus olhos castanhos concentraram-se na figura de Draco, caminhando em silêncio, utilizando a varinha para iluminar o caminho enquanto seus olhos distantes pareciam não estar ali. Decidiu tentar puxar um assunto, era melhor que ficar ouvindo apenas a voz dos grilos pela propriedade.

- Se dois anos atrás alguém lhe contasse que você estaria no futuro, andando à noite, comigo, no terreno de Pansy para matar um basilisco, você acreditaria?

Pego de surpresa pela pergunta de Hermione, Draco virou os olhos para ela por um momento e sorriu de canto, olhando para o castelinho logo em seguida.

- Eu riria muito. Ou talvez achasse que foi uma piada de extremo mau gosto. Depende de quem me contasse.

- Entretanto, aqui estamos nós.

Hermione concluiu enquanto parava logo à frente da entrada do castelinho. Draco sacudiu a varinha e a luz se tornou um pouco mais intensa. Sua sobrancelha loira se levantou de uma forma engraçada, como se dissesse "pois é", mas sem exatamente mudar o restante do semblante.

- Sem ofensas, Granger, mas esse ainda é o último lugar em que eu gostaria de estar.

- Eu nem imagino o motivo.

Assim que passaram pela porta, um vento frio inexplicavelmente veio da entrada do andar inferior. Hermione parou de andar e começou a procurar nos bolsos por alguma coisa que Draco não imaginou de imediato. Logo em seguida, ela tirou dois pequenos espelhos e entregou um na mão do Malfoy, que apenas assentiu.

- Que belas armas nós temos.

- É uma pena que não trouxemos um galo.

Teve uma vontade genuína de rir do comentário de Hermione, mas não o fez. Apenas encarou o pequeno espelho redondo enquanto dava-se conta de que suas chances de sobrevivência eram exatamente daquele mesmo tamanho.

- Escute Granger, como foi mesmo que você disse que vamos matar essa coisa?

- Eu não disse.

Meio sem paciência, Draco virou os olhos para Hermione, que enrolava os cabelos cacheados num coque, como alguém que está prestes a ir para a guerra. Ela ergueu os olhos castanhos em sua direção e o Malfoy arquejou.

- Por Merlin, Granger, então diga!

Os ombros finos de Hermione se ergueram e baixaram algumas vezes enquanto ela esfregava as mãos nas pernas, tentando se esquentar um pouco. Ao perceber que Draco realmente não fazia a menor ideia de como iriam matar o basilisco, Hermione respirou fundo para tentar se manter calma.

- Ok, vamos lá, como se mata um basilisco?

Draco ergueu os ombros, como se a resposta dela houvesse lhe servido ainda mais de argumento.

- Com nada do que temos aqui, eu presumo.

- Pois presume errado.

O dedo indicador de Hermione praticamente se enterrou no espelho que Malfoy segurava. Ainda sem entender, ele a encarou confuso. Então um sorriso se formou nos lábios da garota, que assentiu lentamente,

- É isso aí. Ele vai dar uma olhadinha no espelho.

X

N/A: Oi pessoas lindas, tudo bem? Não morri não hahahahahaha Tomei vergonha na cara e to tentando terminar essa fanfic. Socorro. Enfim, desculpem pela demora. Não tem um motivo muito forte para que eu não tenha escrito mais nada, só que realmente não saiu mais nada "aceitável" até hoje, ai ainda fui ler a fanfic toda e fiquei achando tudo ruim, tudo péssimo, mas não quis reescrever 40 capítulos pq cá pra nós, haja tempo né ' ai acabei ficando meio desgostosa de terminar, mas em consideração à vocês que perderam seu tempo lendo isso aqui, eu sei que preciso concluir (mesmo sabendo que tá meio bosta).

Já entreguei nas mãos de Deus. Se tudo der certo, acabo nessa quarentena. Não desistam de mim! =D

Beijos e obrigada por todos os comentários s2 Vocês são incríveis s2