"So keep breathing, 'cause I'm not leaving you anymore
Believe it, hold on to me and never let me go."
(Far Away - Nickelback)
.oOo.
(Cinco anos e meio depois...)
"Parabéns!" disse a Dra. Rost, parecendo satisfeita. "Fiquei sabendo do casamento."
"Obrigado," Draco assentiu, tocando a própria aliança num gesto que começava a se tornar inconsciente.
"Onde vocês passaram a lua de mel?" a bruxoterapeuta quis saber.
"Nós passamos alguns dias na Grécia," Draco esclareceu. Na verdade, eles nem consideravam aquela a lua de mel oficial. Partiriam em outra viagem no dia seguinte, um cruzeiro bruxo de quinze dias pela América.
Eles tinham decidido adiantar a cerimônia para que Scorpius pudesse participar antes de ir para Hogwarts, mas Draco se vira relutante em desperdiçar os poucos dias que ainda lhe restava com o filho, por isso eles tinham ficado apenas um final de semana na casa (ou mansão, segundo Harry) que Theodore Nott ainda mantinha na Grécia e voltaram para Londres para acompanhar o garoto até a Estação.
"Muito bom, fico feliz por você," a Dra. Rost sorriu. "Seus pais devem estar orgulhosos."
"Sim, eles estão. Minha mãe, especialmente." Draco soltou o ar pelo nariz. "Ela não perde uma oportunidade de paparicar o genro."
Na verdade, Draco suspeitava que era ela quem tinha vazado a foto que foi parar no Profeta, já que a cerimônia fora bastante restrita e aquela era a única foto em que os noivos posaram com os pais de Draco.
"E seu filho, como está? Ele vai para Hogwarts este ano, não vai?"
"Começou na semana passada," Draco esclareceu.
"Ah, sim, já estamos em setembro, é verdade! E como você está se sentindo a esse respeito? Imagino que tenha sido uma despedida difícil..."
Draco pensou na melhor maneira de descrever o que sentira ao assistir seu filho partir no Expresso de Hogwarts. Astoria tinha aguentado firme até o trem se afastar e então desabara em prantos bem no meio da Plataforma. Felizmente, Alice - a irmã mais nova de Scorpius - ficara em casa com o pai e não presenciara a cena.
Harry também estivera lá, tanto para Scorpius quanto para a afilhada, Rose Weasley. Era o primeiro ano dela, também. Com tantos afilhados para praticar, Harry aparentava saber exatamente como agir numa situação daquela, parecendo o poço de autoconfiança de sempre.
Obviamente, a reação de Draco não fora nada parecida com a de Astoria, mas ainda assim...
"Não foi fácil," Draco admitiu. "Eu o vejo toda semana desde que ele tinha quatro anos! Só de pensar que ele só volta para casa no Natal..."
"Eu entendo," a bruxa comentou, compreensiva.
"Mas ele tem escrito todos os dias e é bem provável que eu o encontre algumas vezes, quando tiver que entregar poções para a enfermaria."
"Então você continua preparando as poções para Hogwarts?"
"Sim, agora sem restrições de ingredientes."
"Então… Já fazem três anos!" A Dra. Rost pareceu orgulhosa por um momento. "Como você se sente?"
Já fazia três anos que Draco terminara o tratamento, libertando-se por completo dos medicamentos para depressão. Por sugestão da Dra. Rost, ele ainda fazia algumas sessões de terapia de tempos em tempos para acompanhamento, mas mesmo essas estavam se tornando cada vez mais espaçadas.
"Eu me sinto ótimo," Draco admitiu.
"Como estão as coisas com Astoria e o bebê? Quero dizer, se é que ainda podemos chamá-la de bebê. Com quantos anos ele está?"
"Alice tem um ano e meio. Elas estão muito bem, obrigado. Scorpius adora a irmãzinha."
"Ótimo, ótimo. E suas pesquisas? Como vão indo?"
"Nada mal. Andei publicando alguns dos meus trabalhos recentes em algumas revistas científicas."
"Parabéns! Fico feliz por você estar sendo reconhecido pelo seu trabalho. Mais alguma novidade? Alguma que não tenha saído nos jornais, para variar?" a bruxoterapeita perguntou, numa tentativa de humor.
"Acredito que não. Tem sido difícil fugir da imprensa ultimamente, como você já deve imaginar. Apesar de que já vivi momentos piores nesse sentido, então não tenho do que reclamar, não de verdade."
"Entendo perfeitamente. Bem, você parece mesmo ótimo, se quer minha opinião. Na verdade, se você não tiver nenhuma objeção, acredito que é seguro dizer que você já não precisa mais desse monitoramento. Obviamente que estarei à disposição caso você precise de algo, ou queira conversar, mas esta será nossa última sessão de acompanhamento."
"Obrigada, doutora," Draco agradeceu, aliviado. Por mais que tenha aprendido a respeitar a profissão e o método da mulher, Draco continuava achando aqueles momentos extremamente invasivos e incômodos.
Assim que a mulher se despediu, Draco rumou para o escritório de Harry, em sua nova casa em Godric's Hollow. Harry o havia convencido a se mudar da mansão para que seus pais pudessem voltar a Londres. Draco tinha pouco interesse em ter seus pais por perto novamente, mas acabara cedendo ao perceber que poderia gostar de morar num lugar menor e desprovido de lembranças desagradáveis de um passado que não poderia estar mais distante.
"Já acabou?" Harry perguntou, surpreso. "Ou nem aconteceu?"
"Estou oficialmente de alta," Draco falou, satisfeito. "Por Salazar, finalmente, estou livre dessas sessões inúteis."
"Sério? Parabéns!" Harry comemorou, levantando-se para beijá-lo. "Que ótima notícia! Mas por que só agora? Quero dizer, já faz tanto tempo que você já não toma mais nada..."
"Eu é que sei?" Draco encolheu os ombros. "Talvez ela tivesse esperanças de ser convidada para o casamento e, agora que a chance já passou, resolveu que não vale mais a pena perder tempo comigo."
Harry sorriu e meneou a cabeça.
"Bem, tenho certeza que você não facilitou a vida dela."
"Por que facilitaria? Pelo tanto que ela recebeu em todos esses anos, não há nada mais justo do que fazê-la suar um pouco. Até porque qualquer um pode saber tudo que acontece na minha vida pelos jornais, ultimamente."
"Nem tudo, eu espero," Harry falou, deslizando a mão pela cintura do esposo para trazê-lo para mais perto.
"Bem, ela não sabia sobre seus roncos, então… Não, nem tudo."
"Ei! Eu não ronco!" Harry deu um tapa no traseiro de Draco. "Você não teria se casado comigo, se roncasse."
"Verdade," Draco concedeu. Ele esticou a cabeça para a escrivaninha de Harry, onde havia um pergaminho de aparência decrépita. "O que você está fazendo? Achei que tínhamos entrado num acordo sobre você deixar o trabalho de lado por uns dias!"
"Ah, bem," Harry coçou a cabeça, "na verdade, isso não tem nada a ver com trabalho. Venha, vou mostrar a você."
Harry fez com que o loiro se sentasse na sua escrivaninha, diante do pergaminho. Franzindo o cenho, Draco pegou o objeto para examinar, concluindo que estava em branco.
"O que é isso?"
"Bem," Harry respirou fundo, sentando-se na beirada da mesa, de frente para ele, e ajeitando os óculos, "já faz algum tempo que venho debatendo comigo mesmo sobre dar isso a você. Não porque eu não confie em você, mas porque sei por experiência o quanto isso pode deixar uma pessoa… obcecada."
"Diga logo do que se trata, Potter!" Draco apressou-o, impaciente.
Harry assentiu, respirando fundo.
"Tudo bem, faça o que eu disser, sem fazer perguntas."
Draco sacou a varinha e disse as palavras um tanto estúpidas que Harry pediu que repetisse e então… Seu queixo quase caiu. Ele estendeu o pergaminho em toda a extensão da escrivaninha, examinado cada canto do Castelo enquanto Harry explicava o funcionamento e a razão de existir aquela preciosidade.
"Aqui está ele," Harry apontou para o pontinho de Scorpius Malfoy na sala de Transfiguração, junto com o restante de sua classe.
Draco ficou sem palavras por um momento, resistindo à vontade de acariciar o pontinho no papel.
"Ouça," Harry continuou, colocando a mão sobre o mapa para chamar a atenção do esposo, "sei que vai ser difícil para você resistir observar isso a todo o momento nos primeiros dias, mas tente não focar muito nisso. Deixe para quando a saudade estiver muito forte ou a preocupação bater. Confie que ele estará bem. Ele está seguro lá, Neville, Hannah e os outros professores ficarão de olho nele... Ele já fez amigos! Não é nada saudável ficar focado nisso o tempo todo, além de ser bastante intrusivo..."
"Espera…" Draco franziu o cenho quando algo lhe ocorreu. "Todas aquelas vezes que você parecia saber exatamente onde eu estava…"
"É, era porque eu sabia exatamente onde você estava." O Auror teve a decência de parecer envergonhado.
"Bem, isso explica muita coisa," Draco falou, sarcástico.
"Olha, eu não me orgulho disso. Eu passei grande parte do nosso sexto ano em Hogwarts obcecado com esse mapa e posso dizer com certeza que é muito fácil tirar conclusões erradas quando se está olhando apenas uma informação, sem conhecer o todo, mas espero que ajude que você não se sinta tão preocupado sabendo que pode encontrar Scorpius quando sentir que precisa."
O coração de Draco batia acelerado. Não apenas pela perspectiva de poder saber exatamente onde o filho estava naquele imenso castelo, nem pelas confissões um tanto questionáveis que Harry acabara de fazer, mas pelo que aquele gesto significava. Harry estava entregando em suas mãos uma das poucas lembranças que tinha do seu pai e dos amigos dele, algo cujo valor ultrapassava em muito a engenhosidade daquela invenção. Draco levantou os olhos para encará-lo, encontrando-o apreensivo. Ele alcançou a mão do esposo e apertou-a.
"Obrigado," disse com sinceridade.
Mesmo depois de todos aqueles anos, Draco ainda tinha dificuldade de expressar seus sentimentos mais profundos. No entanto, entre as muitas discussões e reconciliações, de algum modo, eles acabavam se entendendo. Draco nunca se deixara convencer por meras palavras, mas Harry havia provado dia após dia que não estava disposto a desistir do que tinham e Draco fazia questão de demonstrar que a recíproca era verdadeira.
A expressão do moreno se suavizou.
"Não é nada, de verdade."
"Para mim, significa muito."
"Somos casados agora," Harry encolheu os ombros. "O que é meu é seu e o que é seu…"
"Harry, se você está tentando fazer com que eu deixe você colocar aquela sua coleção estúpida de vassouras em miniatura na minha biblioteca…"
"Minha coleção não é estúpida! E achei que fosse nossa biblioteca."
"Você sabe muito bem que sua contribuição foi percentualmente insignificante."
"Tudo bem, tudo bem, eu desisto." Harry espalmou as mãos em rendição, fingindo não perceber a mudança de assunto repentina. "Prometo que sua biblioteca está a salvo. Que tal você me ajudar a terminar de fazer minhas malas agora?"
"Você ainda não terminou? Achei que disse que terminaria ontem!"
"Não consigo decidir o que levar! Devo levar roupa de banho? Botas para neve? Você acha que um casaco é pouco? E quanto àquela camisa xadrez verde e púrpura..."
"Você quer dizer a camisa xadrez que Luna deu no seu aniversário?" Draco perguntou, horrorizado. "De jeito nenhum que você vai levar aquela monstruosidade! E não me olhe com essa cara. Luna é uma grande amiga, mas o senso de moda dela é apavorante."
"Não é assim tão mal…" Harry encolheu os ombros e Draco estreitou os olhos.
"Quer saber, talvez seja mais seguro se eu repassar suas roupas mesmo."
Harry sorriu, vitorioso, e Draco rolou os olhos, instigando-o a seguir primeiro rumo ao quarto que agora dividiam, fingindo não perceber que acabara de ser manipulado pelo marido para fazer suas malas.
.oO Fim Oo.
Agradecimentos:
Ao Matt, que betou a fic e fez sugestões muito pertinentes, sempre atento aos detalhes. O resultado ficou muito melhor por causa dele.
A Lala também revisou tudo e me ajudou a gostar mais da fic.
A Dany Ceres, que está sumida, mas me incentivou durante os primeiros anos, quando a fic ainda era um bebê manhoso. Dany, se você aparecer por aqui, saiba que sou muito grata e que a música da Celestina Warback foi dedicada a você. xD
A todos os que leram e que ainda lerão esta fic. Nunca me arrependo por postar minhas fics, por todo o carinho que recebo de volta de vocês. Be safe!
P.S.: caso alguém se interesse pelo arquivo PDF desta fic, pode mandar e-mail que eu mando assim que finalizado: amy(ponto)lupin(arroba)yahoo(ponto)com(ponto)br
