Dragon Ball não me pertence.

CAPÍTULO 25

O escândalo do século

— Cortejar a mamãe? - Trunks indagou surpreso. - Como assim? Você quer paquerá-la? - Trunks retrucou usando o único termo que conhecia para aquilo, deixando Vegeta rubro de vergonha, paquerar não era bem o termo que ele estava procurando.

— Não é isso, moleque! - o rei replicou constrangido. - Eu quero... Eu quero me aproximar dela. - Vegeta falou com muita dificuldade, aquilo era difícil e humilhante. - Quero tentar reconquistá-la.

— Entendi... - Trunks disse ponderando. - Mas, sendo assim, pra que eu deixe você paquerar, digo, cortejar a mamãe, - ele se corrigiu ante o olhar furioso do pai. - Eu quero saber antes quais são as suas reais intenções com ela. - disse estreitando os olhos, agora muito sério ao entender o que aquilo significava.

Vegeta não soube o que responder. Não estava óbvio?

— Eu... Eu quero me casar com ela. - ele respondeu por fim.

— E torná-la rainha? De forma oficial? - Trunks indagou desconfiado.

— É claro, pirralho! - Vegeta replicou aborrecendo-se.

— Sendo assim o senhor pode. - Trunks permitiu levando o assunto realmente a sério. - Mas claro que vou estar de olho. E também o senhor deverá fazer uma retratação, deverá pedir perdão pelo que fez.

— Mas, moleque, eu já lhe disse que sinto muito e que me arrependo de tudo que fiz. - Vegeta disse já impaciente.

— Não é a mim que você tem que dizer isso, papai. - Trunks disse encarando-o. - É pra ela.

Aquela noite, Bulma chegou a seu quarto após o jantar acompanhada de Trunks. Ela estava perturbada por que o menino havia deixado ela e Vegeta a sós diversas vezes durante o jantar, além de ter envolvido os dois em diversas conversas, perguntando o tempo todo sobre a infância dos pais. Fora constrangedor e cansativo para a cientista que não se sentia ainda a vontade para falar ao filho de seu passado e do difícil relacionamento com o pai dele.

A cientista estava cansada, mas decidida a conversar com Trunks aquela noite sobre seu plano de ir embora de Vegetasei, e logo que o menino vestiu o pijama de dormir e que ela já saía do banheiro vestindo sua camisola, ela chamou o filho para cama.

— Trunks, temos que ter aquela conversa que falei mais cedo. Lembra? - ela indagou ao ver que o menino ligava um aparelho de TV recentemente colocado no quarto a pedido dele.

— E sobre o que vamos conversar, mamãe? - Trunks indagou colocando a TV no modo mudo e indo até a mãe que estava sentada na cama.

Bulma respirou fundo e encarou o pequeno à sua frente.

— Trunks, temos que ir embora daqui. - Ela anunciou incisiva. - Temos que sair de Vegetasei. Juntos.

O menino ficou alguns instantes olhando pra mãe perplexo e sem dizer nada, Bulma ficou ansiosa esperando ele dizer alguma coisa.

— VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! - a resposta de Trunks veio em forma de grito e de um instante para o outro o menino ficou revoltado. Ele havia entendido o que a mãe estava dizendo e revoltou-se por ela propor aquilo pra ele. Como ela podia? Logo agora que finalmente ele se sentia bem, que finalmente tinha um pai, que poderia ter uma família. Ela não podia querer privá-lo novamente disso. Ele ficou apavorado diante da possibilidade de ter que ir embora dali. - EU NÃO VOU EMBORA! - Ele continuou assustando a mãe com sua fúria. - EU NÃO QUERO ME AFASTAR DO PAPAI!

— Trunks, por favor, vocês só estão se conhecendo a alguns dias... - Bulma insistiu desesperada. - Você mais do que ninguém sabe que seu pai e eu não demos certo.

— VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO, MAMÃE! - Trunks gritou. - EU NÃO VOU EMBORA! - ele repetiu incisivamente.

— Trunks, por favor... - Bulma pediu com veemência.

— NÃO, NÃO E NÃO! - o menino disse birrento, cruzando os braços.

— Está bem, está bem, acalme-se, filho... - Bulma pediu cansada percebendo que não teria sucesso naquele momento. Se quisesse convencer Trunks teria que pensar em algo, quando o menino ficava teimoso daquele jeito nada o persuadia, era igualzinho ao pai até nisso.

— Eu me acalmo, mas não peça mais isso! Certo? - ele perguntou acalmando-se, levantando a sobrancelha em desconfiança.

— Está certo. - Bulma disse com um suspiro, realmente cansada para lidar com aquilo naquele momento. - Outro dia conversamos... - ela falou deitando-se na cama no momento em que uma forte vertigem lhe atingiu.

Já Trunks relaxou um pouco. Pra ele, aquele assunto absurdo estava encerrado e quando seu pai conseguisse conquistar sua mãe, ela esqueceria aquelas ideias malucas de uma vez por todas.

O menino voltou a olhar para a tela de cristal líquido na parede em frente a cama, havia uma imagem conhecida ali.

— Olha, mamãe, você está aparecendo na TV. - Trunks disse olhando para o aparelho, Bulma sentou-se na cama e também olhou. Viu ela mesma muito mais jovem na foto que havia tirado para a galeria dos chefes de tecnologia anos atrás. De relance ela leu a legenda abaixo de sua foto e ficou espantada, estava escrito algo mais ou menos assim:

"Escândalo: filho do rei é fruto de abuso."

E mal havia aparecido a imagem seguinte, que era exatamente de Vegeta presidindo algum tipo de tribunal, Bulma havia tomado o controle da TV das mãos de Trunks e desligado o aparelho, torcendo para que o menino não tivesse entendido a legenda da notícia.

— Por que a senhora desligou a TV? - Trunks perguntou confuso e Bulma respirou aliviada por perceber que o menino não havia entendido a notícia.

— Ah, não é nada. - Ela mentiu. - Só acho que devíamos conversar mais um pouco, você ficou tão nervoso... - desconversou.

— Mas, mamãe, eu quero...- Trunks insistiu mas foi interrompido, pois ouviu bruscas batidas na porta do quarto.

— Quem será? - Bulma indagou alterada indo até a porta abrindo-a para dar de cara com o semblante de Vegeta. Ele estava visivelmente alterado.

— Temos que conversar. - o rei falou urgente mal viu o rosto da cientista.

Bulma já desconfiava qual seria o motivo da conversa que Vegeta queria ter com ela, por isso, abriu espaço para que ele entrasse no quarto.

— Trunks, me deixe a sós com seu pai. - ela pediu olhando o menino que observava os dois.

— Claro, - Trunks disse calmo, olhando significativamente para o pai enquanto se dirigia para a saída do quarto. - Mas, eu vou dormir aqui hoje... - ele avisou antes de sair olhando para o rei, o que deixou Vegeta irritado, pois o menino o estava constrangendo na frente de Bulma.

— Não vá para longe. - Bulma avisou ao filho antes de fechar a porta do quarto. - O que aconteceu? É sobre o que está na TV? - ela perguntou para Vegeta quando ficaram a sós.

— Está na TV também? Achei que era só nos jornais... - Vegeta disse mostrando um jornal amassado que trazia em uma das mãos ao mesmo tempo em que Bulma ligava a TV para mostrar o rosto de uma jornalista que comentava algo em uma bancada. Atrás da jornalista havia fotos de Vegeta, Bulma e Trunks.

— Essa maldita! - Vegeta resmungou olhando a jornalista na TV. - Eu devia ter banido ela quando tive oportunidade...

— Da onde eles tiraram essa história, Vegeta? - Bulma indagou também olhando a TV muda. Ela não esperava por aquilo, não naquele momento.

— Eu não sei, - Vegeta falou com o semblante pesado caminhando até a porta a varanda. - Meus guardas estão investigando. Ninguém sabia de nosso envolvimento naquela época além de eu, você, alguns guardas, Pirza e Kakkarotto. Os guardas estão sendo interrogados, Pirza jamais inventaria uma coisa dessas, e Kakkarotto...

— Ele não faria isso. - Bulma falou rapidamente com segurança. - Digo, ele nunca faria algo do tipo, ele é seu general... - completou sem jeito.

— Não é mais. - Vegeta retrucou olhando para o chão.

— Como? - Bulma indagou surpresa.

— Ele não é mais meu general. - Vegeta explicou sem olhá-la, como se dissesse algo muito incômodo. - Eu o destituí do cargo depois que descobri a verdade sobre vocês...

— A verdade? - a cientista indagou muito nervosa. - A verdade sobre nós? - ela engoliu em seco.

— Sim, a verdade sobre ele ajudar a ocultar você e Trunks durante todos esses anos. - Vegeta explicou olhando-a com desconfiança. - Tem alguma outra verdade além dessa?

— N-não. - Bulma retorquiu nervosa. - M-mas diga, o que você pensa em fazer diante dessa notícia? - ela perguntou como forma de desviar a atenção. - Vai punir a jornalista? Vai desmentir?

— Não vou fazer nada disso. - ele resmungou cruzando os braços. - Eu nunca persegui jornalistas e não vou começar agora, você sabe que, assim como papai, eu acredito que o povo tem o direito de expressar suas opiniões. Também não vou desmentir nada... - ele revelou com um pouco de dificuldade. - Ela pode ter aumentado as coisas, mas eu sei que não fui muito legal naquela época...

— Sim, mas você nunca abusou de mim. Nós concebemos Trunks por am... - Bulma deteve-se. - Enfim, o que pensa em fazer?

— Vou revelar toda a história perante o povo. A história de como eu não assumi você e preferi ficar com Maron. De quando perdi o controle da minha força e quase de machuquei por ciúmes. Enfim, vou contar toda a história... - ele falou meio sem jeito. - E... - continuou, parando um pouco ao olhar nos olhos da cientista, falar aquilo era muito difícil, muito difícil mesmo. - e pedir perdão.

Bulma baixou a cabeça quando ele disse aquilo, o nervosismo percorrendo seu corpo, nunca pensando que aquele dia chegaria.

— Bem, as pessoas vão perdoar fácil, todos te adoram... - ela falou sem jeito também olhando para o chão.

— Mas não é do perdão do povo que eu preciso... - ele replicou andando até Bulma, hesitando antes de levantar a mão e segurar o queixo dela, levantando-o para encarar os olhos da cientista. - Eu vou pagar... por tudo... até que um dia você me perdoe. - ele sussurrou, chegando mais perto, o nariz quase roçando no da cientista, os lábios quase se tocando e Bulma tendo quase certeza que seria beijada ou que desmaiaria de tanto nervosismo, pois estava completamente desarmada. Entretanto, um segundo antes de acontecer, ele se afastou bruscamente.

— Tenho que me apresentar agora em um sessão do conselho dos anciões, - Vegeta disse indo até a porta rapidamente, quase fugindo dela. - Os velhos querem que eu conte minha versão da história. - ele falou quase saindo.

— Vegeta... - Bulma chamou deixando seu transe antes de Vegeta sair. Ele estacou e a olhou.

— O quê?

— Nós sabemos que Trunks não foi fruto de um abuso, e eu sei que aquela noite foi um acidente, então... você não precisa contar toda a verdade... - ela falou subitamente tentando fazer algo para ajudá-lo.

— Eu vou contar tudo o que perguntarem. - ele replicou muito sério. - Não sou sayajin de meias palavras, nem de fugir a minha responsabilidade. E além do mais, eu devo isso... - ele hesitou. - a Trunks... e a você.— afirmou um segundo antes de desaparecer, teletransportando-se dali.

Bulma sentou-se na cama quando ele sumiu. Estava nervosa, preocupada e muito, muito emocionada. Por um breve momento, achou que se continuasse tendo tantas emoções, poderia até colocar em risco a vida da criança que carregava, pois cada onda de adrenalina que os sayajins de sua vida lhe causavam, a faziam sentir pontadas no ventre. Mas, era impossível ficar calma diante daquilo. Ela nunca poderia imaginar em sua vida, que Vegeta um dia agiria daquela maneira. Ele parecia tão decidido... ele praticamente tinha lhe pedido perdão, e ao modo dele, com atos e não com palavras, ele parecia estar querendo se desculpar de verdade.

Uma forte náusea invadiu-lhe quando imaginou Vegeta diante do conselho revelando tudo o que fizera e sem meias palavras, e como as sessões do conselho eram públicas e transmitidas ao vivo, ela sabia que logo todos no planeta estariam assistindo. Ela olhou para o jornal que ela acabara de encontrar sob a cômoda, um jornal que Vegeta trouxera em mãos e que deixara ali.

Bulma foi até a cômoda e pegou o jornal. Havia uma grande foto dela, a mesma da galeria dos chefes de tecnologia ao lado de uma foto de Trunks lutando com o pai no torneio de artes marciais, abaixo das fotos havia a seguinte matéria:

Violência e sexo dentro dos muros do castelo: A verdadeira face do adorado rei dos sayajins

Os muros do castelo real de Vegetasei guardam muitos segredos. Dentre eles, segredos sombrios e asquerosos. O código de honra dos soldados e guardas sustentam uma irmandade capaz de guardar de nossos olhos muitas verdades. Mas a coragem de alguém intrépido e inconformado, revelou uma verdade suja que quebrará para sempre a falsa imagem que temos do caráter irretocável de nosso soberano.

Isso mesmo caros leitores, Rei Vegeta II, um soberano que tem a aprovação de quase 100% do povo sayajin. Um rei que é idolatrado e endeusado por muitos como um ser perfeito, mas que hoje, revelaremos que não é bem assim.

Pelo olhos de uma testemunha ocular, descobrimos um escabroso segredo do rei. Um segredo que envolve uma menina terráquea que cresceu sob a sombra da família e real e esteve submissa a ela por todo a vida.

Essa menina, Bulma Briefs, filha de um falecido chefe de tecnologia, foi levada ao castelo ainda bebê após a morte de seus pais na Iha Cápsula, acontecida sob circunstâncias muito estranhas. A menina foi criada como uma agregada da família real, tendo sua existência ocultada dos olhos da comunidade sayajin.

Trancada dentro dos muros do castelo, a menina cresceu mimada pelo rei Vegeta I e perseguida por seu filho. Nossa testemunha revelou o que nosso atual rei, na época príncipe, submetia a garota a todo tipo de abuso.

"Ela não era uma simples agregada, - conta a fonte - era uma prisioneira, principalmente do rei Vegeta II, que era príncipe na época. Ele não deixava ninguém olhá-la ou tocá-la. Ela era belíssima, mas só podia ser tocada por ele. Ele a destratava, humilhava e ouso dizer que até a agredia, quem sabe? Ele era obcecado pela garota. Completamente obcecado. E ela só teve alguma paz enquanto rei Vegeta I viveu, pois ele a protegia parcialmente do terrorismo causado pelo filho."

Nossa testemunha narra que após a morte do saudoso rei Vegeta I, seu filho tomou conta não só do reino, mas da garota terráquea. Todos no castelo sabiam, mas não comentavam que o então príncipe, passou a tomar a garota em todos os lugares do castelo, nem se importando se havia alguém vendo ou ouvindo, como diz nossa testemunha.

"Ele a pegava, todos sabíamos, ela era um tipo de escrava psicológica dele. E tudo ia bem pra ele, até que uma noite ele tentou matá-la."

E a fatídica noite em questão, foi a mesma noite em que o imperturbável príncipe anunciou ao povo seu noivado com a ex-rainha Maron. Após a festa, o príncipe bebeu muito mais do que devia e partiu para o quarto onde mantinha a garota.

"Ele a enforcou com seus braços quase quebrando seu pescoço." conta a testemunha que revelou que fora preciso chamar o agora ex-general Kakkarotto para deter o príncipe, caso contrário teria matado a pobre menina.

"General Kakkarotto saiu pelo castelo com a garota nos braços, ela estava desacordada. Até hoje me perguntou como ela se salvou. Dizem que ele tentou matá-la por que descobriu sua gravidez e isso atrapalharia seus planos de casamento." revelou a testemunha.

Nossa fonte afirmou que após esse ato bárbaro, o príncipe manteve a garota em cárcere no planeta e pouco depois da coroação, houveram boatos da morte da menina em uma explosão de uma nave no oceano. Ela nunca mais foi vista até seu filho lutar com o rei no torneio de artes marciais dias atrás.

Essa é uma história horrível e revoltante para nós que acreditávamos ter um rei que, diferente dos soberanos de outras raças, tinha para nós um caráter irretocável. Vemos que não é bem assim, caros leitores. Tudo isso é surpreendente por que sabemos que rei Vegeta II é muito severo na punição de crimes que envolvam violência entre parceiros. Ele próprio os julga e sempre os condena, tratando ele mesmo da execução.

Seria isso mera representação ou uma forma de nosso rei abrandar a consciência pesada pelo terrível crime que cometeu? E nosso pequeno e já querido príncipe, o que será dele ao saber que fora fruto de tão terrível violência?

Esses questionamentos, deixo que a comunidade sayajin faça a vossa majestade.

Por Gali Cox, da redação

— Não pode ser... - Bulma disse baixinho para si ao terminar de ler o jornal. Seu coração batia descompassadamente de perplexidade, surpresa e revolta.

A história vista de fora, fazia dela uma vítima e Vegeta um monstro. Ela nunca se considerou uma prisioneira no castelo, ela se considerava parte da família. E ela não sabia o que pensar sobre ver aquilo tudo publicado.

Releu a parte em que falava sobre como Kakkarotto a carregou desacordada. Ela não lembrava dessa parte, apesar de lembrar que fora os olhos bondosos do ex-general, a primeira coisa que vislumbrara ao acordar no tanque de regeneração. Por um instante, sentiu falta do sayajin que tanto cuidara dela.

Preocupada, ela amassou o jornal, pois lembrara-se de Trunks. Não queria que o menino visse aquele jornal ou aquela notícia.

Nesse momento ela voltou a pensar em Vegeta, ele deveria estar enfrentando o conselho naquele momento. Pegando o controle remoto, ela ligou a TV e procurou o canal de TV do reino, a sessão dos anciões deveria estar passando ao vivo naquele momento.

Trunks ficou espreitando no corredor enquanto seu pai e sua mãe conversavam no quarto. Ele havia sentido o ki de seu pai alterado e ficou preocupado, por isso observava a movimentação, estava curiosíssimo para saber o que andava acontecendo.

Em pouco tempo ele viu a porta do quarto de sua mãe abrir e seu pai teletransportar-se dali muito alterado. Trunks resolveu que não iria voltar ao quarto para falar com sua mãe, ele queria procurar seu pai e saber o que havia acontecido para seu pai estar tão nervoso.

Procurou o ki de Vegeta e encontrou na sala do trono. Correu até lá e mal pôs as mãos nas grandes portas de carvalho fora detido por um dos guardas.

— Desculpe, alteza, mas não pode entrar aí. - Um dos guardas que protegia a porta do salão o abordou com respeito. - Vossa Majestade está na reunião do conselho ancião.

— E por que eu não posso entrar nessa reunião do conselho de velhos? - Trunks indagou contrariado.

— Ordens do rei, alteza, desculpe. - o guarda respondeu com respeito.

Trunks deu as costas pra sala, mas não estava determinado a ir embora dali, ao contrário, sua curiosidade só aumentara ao saber que algo importante estava acontecendo na sala do trono. Procurando uma janela, ele voou para o jardim, e se esgueirando dos olhares dos guardas, ele achou uma janela no canto esquerdo do castelo, a última das que dava para a sala do trono, e nela, ele pode observar o interior do salão.

O jovem príncipe achou aquela reunião muito parecida com um tribunal. Ele nunca tinha visto um tribunal ao vivo, só pelos jornais, mas aquilo parecia muito com um.

Havia uma bancada onde estavam vários velhos sentados. De frente pra elas, haviam muitas cadeiras, todas ocupadas por sayajins e por pessoas que tiravam fotos. No meio daquilo tudo estava seu pai, mas ele não estava como sempre, na posição do juiz, ele estava sozinho no centro, na posição de réu.

E na cabeça de Trunks, imediatamente soou um alarme. Seu pai estava sendo julgado?

Trunks aproximou-se mais do vidro, pois via um ancião que falava, ele tentou ouvir o que era dito dentro do salão.

— Vossa majestade conhece as acusações citadas pela jornalista Gale Cox na edição dessa tarde do jornal The Moon?

— Sim. - Vegeta respondeu friamente, encarando o chefe do conselho ancião.

— Então, admite que manteve um caso com a Lady. Bulma Briefs após a morte do rei Vegeta II?

— Sim, admito. - ele respondeu impassível.

— E admite, que manteve esse caso com a garota terráquea, mesmo sabendo que teria que escolher uma esposa, mesmo sabendo que ela não seria a a escolhida? - o ancião pressionou.

— Eu não sabia que não a escolheria. - Vegeta respondeu em um tom de voz mais alto, meio sobressaltado.

— Então, vossa majestade cogitou a possibilidade de torná-la rainha. - o ancião afirmou interessado. - Por que não o fez?

Vegeta hesitou um pouco, era difícil admitir aquilo, aquela fora sua grande fraqueza.

— Eu temi que ela me desse filhos fracos por ser terráquea, e eu não queria um filho mestiço. - ele respondeu sentindo a culpa lhe consumir. - Hoje vejo que estava errado. - admitiu após alguns instantes, mesmo tendo que engolir muito orgulho para dizer aquilo.

A cada resposta de Vegeta, um burburinho intenso se instalava no salão. O líder dos anciãos pediu ordem e bateu um martelo de madeira três vezes.

— E seu filho, príncipe Trunks, é fruto desse caso? - o ancião perguntou após recomeçar.

— Sim, ele é. - Vegeta admitiu.

— Então, majestade, admite que mesmo considerando a garota terráquea para tê-la como esposa, mesmo tendo um caso consensual com ela, mesmo até, talvez, ela estando grávida de um filho seu, mesmo com tudo isso, vossa majestade quase sufocou Lady Bulma Briefs na noite do anúncio de seu noivado? - o ancião perguntou incisivo fazendo todos no salão prenderem o fôlego.

— Sim, eu admito. - Vegeta respondeu de olhar erguido causando um burburinho intenso no salão ao ponto de o líder ancião precisar pedir silêncio por várias vezes.

E só algum tempo depois, quando todos finalmente acalmaram-se, o ancião recomeçou.

— Majestade, sabes que cometeu um crime que é punido com a morte por uma lei escrita por vós. - o ancião continuou. - Vossa majestade tem imunidade a lei e portanto não pode ser-lhe imputado castigo algum. Contudo, precisávamos esclarecer os fatos, pois o povo exige repostas.

— Eu não preciso de uma pena, velho, eu já venho cumprindo a minha há muitos anos. - Vegeta respondeu de forma amarga.

O chefe ancião dirigiu ao rei um olhar condolente.

— Bem, para terminar ainda tenho uma inquisição. - o ancião recomeçou. - Se seu relacionamento com a garota era consensual, se até cogitou escolhê-la para rainha, por que a atacou aquela noite?

Vegeta demorou um pouco para responder. Queria sair logo dali, tudo estava tornando-se ridículo.

— Por Kame, eu... eu estava com ciúmes, velho! - Vegeta explodiu já irritado com aquilo tudo. O conselho já tinha tirado mais palavras dele aquela noite do que em sua vida toda. - Achei que ela houvesse me traído, me ceguei pelo ódio e perdi o controle da situação. Mas eu não quis machucá-la. Eu perdi o controle da minha força, foi um terrível acidente.

— E vossa majestade se arrepende?

— Cada dia da minha vida. - ele anunciou após um longo silêncio. - Mas não quero que sintam pena e que me perdoem, vou pagar pelo que fiz até o último dia. Por ela, por meu filho e pela raça sayajin. - o rei disse com decisão encarando o conselho.

E naquele momento, diante da declaração sincera do soberano, cada pessoa presente no salão se levantou, e juntos fizeram uma reverência em respeito a honestidade de seu rei.

— Diante disso, acho que já sabemos a decisão do povo. Sessão encerrada! - o líder dos anciões bateu o martelo e dispensou todos.

— Por que fez isso, majestade? - Marvin indagou para Vegeta quando todos saíam da sessão. - Por que admitiu tudo? Foi suicídio político!

— Eu não me escondo atrás de mentiras. - Vegeta disse sério. - Se o povo quer saber a verdade, agora eles a têm, só tenho que aguardar o julgamento que eles farão de mim, embora eu não precise dele. - disse despreocupado enquanto saíam do salão do trono.

— Não precisa, mas se importa. - Marvin declarou.

— Não diga besteiras, - Vegeta replicou irritado.

— Majestade! Majestade! - Vegeta virou-se para ouvir quem o chamava. Era Spartaco que vinha acompanhado de dois guardas que traziam um corpo inconsciente.

— Orloff? - Marvin indagou ao ver quem era o soldado machucado.

Mal Bulma terminou de ver a sessão dos anciões pela TV, Trunks entrara no quarto. Ela estava muito agitada por ouvir tudo que Vegeta dissera e muito perturbada por vê-lo admitir que cogitou escolhê-la para rainha, mas que não o fizera pelo medo de ter filhos fracos. Embora ficasse surpresa por isso, no fundo ela estava um pouco decepcionada, pois apesar de admitir que a queria, ele nem se quer mencionou nada sobre sentimentos. Uma dúvida recorrente pra ela, saber se um dia ele chegou a amá-la.

Contudo, ao entrar no quarto, Trunks a tirou de seus pensamentos. E o menino a surpreendeu pois simplesmente a abraçou sem dizer nada.

— Eu te amo, mamãe. - ele falou enquanto a abraçava. Isso a deixou mais emocionada ainda, parecia que Trunks havia ouvido seus pensamentos. Pois se o pai dele nunca sequer mencionou esse sentimento, o menino o admitia abertamente pra ela. Na verdade, Trunks tinha ouvido a confissão de seu pai, e estava muito emocionado por sua corajosa mãe que sofrera tanto, e embora estivesse conseguindo aos poucos perdoar seu pai, ele não deixava de sentir a dor pelo sofrimento que sua mãe passara.

E Bulma estava contente em ter Trunks ali e poderia passar o resto da vida abraçada confortavelmente com o pequeno, mas novamente batidas na porta atrapalharam o momento.

— Deixe que eu abro. - Trunks anunciou saindo dos braços da mãe. Quando abriu a porta, viu um dos guardas.

— Alteza, Vossa majestade os aguarda em quinze minutos na plataforma de lançamento. - o guarda disse respeitoso para Trunks quando esse abriu a porta.

— Plataforma? - Bulma indagou aproximando-se da porta, fazendo o guarda desviar o olhar para o lado, pois ela estava apenas de camisola. - Pra onde vamos?

— Pras montanhas vermelhas, milady. - o guarda falou ainda sem olhá-la. - Com licença. - disse saindo o mais rápido possível dali.

Trunks fechou a porta meio surpreso.

— Vamos viajar? - ele indagou para sua mãe.

Bulma não teria arrumado seus poucos pertences e os de Trunks e não estaria na plataforma de lançamento na hora certa se Vegeta não tivesse sido sábio o bastante para mandar Pirza para buscá-la. A amiga da cientista a convenceu de que o objetivo daquela breve viagem seria afastar Trunks dos falatórios e do escândalo que estava acontecendo no planeta, muito embora, ela soubesse que a viagem também tivesse outro objetivo: Vegeta queria reconquistar a cientista e queria um lugar belo e afastado pra isso.

A cientista entrou no avião sem ao menos ver o rei. A última vez em que viajara em um avião daqueles fora quando acamparam nas montanhas vermelhas muitos anos antes. Só que naquela vez, era Vegeta ao seu lado na poltrona, e agora era Trunks, que também insistiu para ficar do lado da janela. Estavam também no avião Marvin, Pirza a alguns guardas e empregados. Vegeta não estava no avião e Bulma achou que ele estivesse mandando apenas e ela e Trunks.

A cientista adormeceu mal o avião decolou e só acordou novamente horas depois quando pousaram. Ao descer do avião foi grande sua surpresa ao ver que Vegeta já os esperava ao final da rampa de desembarque.

— Viajaram bem? - ele perguntou quando ela, Trunks, Marvin e Pirza se aproximaram e Bulma achou aquilo muito, mas muito estranho. Vegeta nunca perguntava se alguém viajara bem.

— Mamãe apagou até aqui. - Trunks respondeu calmamente. - E que lugar é esse? - o menino indagou olhando a imponente e suntuosa mansão ao fundo.

— Essa era a casa de minha mãe, - Vegeta explicou com prazer. - Agora ela pertence a sua mãe. - disse encarando Bulma que sobressaltou-se.

— Me pertence?

— Sim, você não queria sua herança? - Vegeta desafiou. - Essa é a mansão que papai lhe deixou em testamento.

— Mas... mas eu não sabia que era a casa da mamãe... - Bulma respondeu confusa.

— Ele passou tudo que ela possuía pra você, lembra-se? - Vegeta perguntou. - Você ficou com tudo que era dela e eu fiquei com tudo que era dele. Mais do que justo, eu acho.

— Mas esse lugar é lindo! - Pirza se intrometeu olhando em voltando, quebrando o assunto entre Vegeta e Bulma. - Podemos explorar?

— Amanhã, Pirza. - Marvin interrompeu. - É madrugada, estamos todos cansados. - ele disse olhando significativamente para Vegeta.

— Sim, estamos. - o rei respondeu entendendo. - os serviçais vão levar todos a seus aposentos, eu ficarei aqui para conversar algo com Marvin.

Assim, Trunks, Bulma e Pirza acompanharam os serviçais e Vegeta permaneceu nos jardins ao lado de Marvin.

— Majestade, tens que mudar de ideia. - Marvin falou assim que ficaram a sós. - Spartaco não pode ser general.

— Minha decisão já está tomada. - Vegeta falou seriamente para Marvin. - Ele foi o mais merecedor depois de você. Além do mais, ele conseguiu achar o guarda traidor que contou para a imprensa sobre Bulma e eu.

— Mas, majestade, nós nem ouvimos a versão de Orloff! - Marvin insistiu. - Ele estava inconsciente. Não é justo condená-lo sem ouvirmos.

— Não poderemos mais ouvi-lo. - Vegeta replicou andando até a casa, Marvin o acompanhaiou. - Fui informado agora a pouco que Orloff não resistiu aos ferimentos causados durante sua captura e morreu agora a pouco no centro médico do castelo. E além do mais, eu já assinei a nomeação de Spartaco, amanhã pela manhã sairá no Diário Oficial do Reino.

— É bem conveniente Orloff morrer... - Marvin murmurou desconfiado. - Escute, Majestade, Spartaco não é a pessoa certa! - insistiu.

— E quem seria, você? que não aceitou o cargo... - Vegeta ironizou.

— Seria Kakkarotto, o único sayajin digno de ocupar esse posto.

— Kakkarotto é um traidor! - Vegeta falou revoltado. Pensar em Kakkarotto o machucava. - Proíbo que fale sobre ele novamente na minha presença! E sabe o que mais? Deixe-me em paz, Marvin! Você tem uma mulher bonita aquecendo sua cama, vá aproveitá-la e deixe de me aporrinhar. - Vegeta replicou saindo dali a passos largos.

E enquanto isso, há milhares de quilômetros dali, no Distrito real em um apartamento de cobertura do centro, um casal quedava-se exausto e suado após uma transa quase violenta.

O sayajin grandalhão, pegou na mesa de cabeceira outra taça do espumante no balde de gelo e bebeu de uma só vez.

— Isso que é comemoração! Uma boa foda e uma boa bebida. - Spartaco falou contente para mulher nua ao seu lado.

— E nossa comemoração só está começando querido. - a sayajin de cabelos negros e curtos disse sensualmente. - Amanhã você vai ser general e eu vou ser a jornalista mais bem paga de Vegetasei.

— Graças a mim, querida Gali.

— Claro que foi graças a você, meu queridinho. - disse manhosa. - Mas, sabe, pode ficar melhor ainda... Você já sabe dizer pra onde o rei viajou com a terráquea e o menino?

— Foram para as montanhas vermelhas, a mansão do tio da rainha Mélory. - Spartaco respondeu. - Vai mandar alguém pra lá?

— Claro que vou! - Gale falou muito contente. - Ah, obrigada meu amor! Você vai fazer de mim uma mulher rica! E pra agradecer isso, vou dar um presentinho pra você hoje. - disse manhosa.

— Será que é o que estou pensando?

— É isso mesmo. - ela disse sedutora. - Vamos fazer isso do jeito que os sayajins gostam.

— Como quiser, - Spartaco falou já excitado novamente. - Vou acabar com você.

Quando Bulma acordou Trunks não estava mais no quarto com ela. Uma serviçal veio avisar-lhe que o café da manhã já fora servido no salão de refeições e que todos a aguardavam.

A cientista tomou um banho e vestiu um short jeans, um top amarelo e pôs uma pequena bandana na cabeça. Ela aprendera a se vestir naquele estilo terráqueo nos sete anos que passara na ilha Cápsula e comprara algumas dessas peças na Rue Drive novamente. Vestir-se como terráquea era outro aspecto de sua personalidade que só se acentuara quando Vegeta saíra de sua vida. Olhando-se no espelho com trajes parecidos aos que tinha, ela sentiu muita saudade da Ilha Cápsula, de sua casa destruída, de seus amigos.

Contudo, deixando a tristeza pro lado e louca para rever o filho e também Vegeta depois da noite anterior, ela saiu do quarto e andou pelo caminho indicado mais cedo pela serviçal.

Ouviu muito barulho ao aproximar-se do salão de refeições, e a medida que se aproximava, não acreditava que pudesse estar acontecendo o que ela estava achando, embora os sons fossem familiares, ela achou que estava se confundindo, mas não podia ser confusão o fato de ao entrar no salão deparar-se com uma grande mesa de café da manhã e nela estarem presentes Gohan, Videl, Dezoito, Kuririn, as crianças Pan e Maron, Mestre Kame, Oolong, Pirza, Marvin, Tarble, Ângela, Trunks e Vegeta na cabeceira da mesa.

Todos pararam a balbúrdia imediatamente quando ela entrou. Bulma ficou sem palavras e ficou emocionada ao olhar para os amigos.

Não foi preciso dizer nada. Todos os moradores da Ilha Cápsula que ali se encontravam, levantaram-se e foram até Bulma. Videl a abraçou primeiro. Depois disso um a um chegou-se ao abraço e fizeram um grande e silencioso abraço coletivo na cientista. Quando separaram-se os olhos dela estavam encharcados de felicidade.

— Eu estava com tanta saudade de vocês! - ela disse olhando em torno para os amigos que também estavam emocionados.

— Nós também estávamos com muita saudade! - Videl respondeu segurando as mãos da amiga entre as suas.

— É, a gente mal acreditou na nossa sorte quando o rei nos convidou pra vir aqui lhe ver. - Kuririn falou enquanto mantinha a filha nos braços.

— Vegeta chamou vocês? - Bulma indagou surpresa levantando o olhar para ver Vegeta na cabeceira da mesa de jantar lhe olhando.

— Sim, e ele mandou um nota de retratação por ter nos prendido. - Oolong contou baixinho. - Era uma nota muito carinhosa, dizia "vocês não são inocentes, seus vermes inúteis, mas me retrato por tê-los prendido e agradeço por terem cuidado de meu filho e de Bulma."

— Sério que ele mandou isso? - Bulma indagou baixinho.

— Ei, vocês! Não vamos esperar o dia todo! - Vegeta levantou a voz de onde estava, não parecia de bom humor. - Parem com essa melação e venham tomar café antes que eu mande tirar a mesa.

— O que ele tem? Estava de bom humor agora a pouco! - Gohan comentou com Bulma quando retornavam a mesa.

Todos sentaram-se e restou uma única cadeira para Bulma, era ao lado direito de Vegeta e ela não teve outra opção a não ser sentar-se ao lado do rei. Trunks estava ao lado esquerdo de Vegeta.

Ele a olhou de soslaio com uma carranca enorme que Bulma não entendeu. Pela cara de mal humor de Vegeta, ninguém se atreveu a retornar a conversa. Ficaram em silêncio. Bulma, que estava muito bem ao levantar, comeu um pouco do bacon com ovos para se arrepender amargamente depois. Uma forte ânsia de vômito surgiu no meio do café da manhã.

— Bulma, o que você tem? - Pirza foi a primeira a notar que a cientista deixara o prato de lado e levava a mão ao estômago.

— Não estou bem. - Bulma replicou segurando a náusea. - Acho que vou vomitar... - falou levantando-se apressada e saindo rapidamente para fora do salão. Pirza a seguiu.

Mal chegou no corredor, Pirza ouviu um barulho de vômito vindo de um banheiro à frente do salão, ela entrou para encontrar Bulma suada na pia, acabara de vomitar o café da manhã no vaso.

— Bulma, por Kame! O que você tem? - Pirza indagou preocupada olhando a amiga. - Não é a primeira vez que te vejo desse jeito...

Bulma não respondeu, apenas olhou seriamente para a amiga.

— Você... - Pirza recomeçou pasma, entendendo. - Você não está...? está?

— Estou. - Bulma respondeu enquanto secava o rosto com uma toalha de papel.

— Oh por todos os Kaiohs! - Pirza indagou perplexa. - Vegeta... ele vai ficar realizado!

— Por favor, não conte nada a ele! - Bulma pediu alarmada.

— Mas ele precisa saber que vai ser pai novamente. - Pirza insistiu. - Foi aquele dia no bar, não foi?

— Pirza, por favor, me mantenha segredo, eu estou pedindo. - Bulma disse veementemente sem coragem de dizer para a amiga que não sabia se Vegeta era o pai da criança.

— Tá bom, não se preocupe. - Pirza disse contente. - Que maravilhoso! T.K vai ficar tão feliz!

Bulma acenou com a cabeça.

— Vamos voltar a mesa do café. - ela pediu a Pirza.

— Você está bem? - a amiga indagou.

— Estou, vamos. - Bulma disse desconfortável.

Quando retornaram, todos estavam apreensivos, Bulma foi até seu lugar e sentou.

— Estou bem, pessoal. - ela afirmou diante do olhar que todos lhe lançavam, inclusive Vegeta. - Só acordei indisposta devido a viagem de avião durante a noite.

— Você nunca enjoou em avião... - Vegeta disse desconfiado.

— É mas eu tinha comido muito no jantar, por isso enjoei. - ela desconversou enquanto pediu que lhe servissem café preto, a única coisa que lhe entrava pela manhã desde que engravidara.

— Que seja. - Vegeta disse conformado voltando a atenção pro seu prato. - quero falar com você após o café. - ele disse sem olhá-la, e não era um pedido, era uma ordem.

Quando o café terminou todos combinaram de encontrar-se em alguns minutos nas piscinas do jardim. Tarble e Ângela se enturmaram fácil com o pessoal da ilha Cápsula e Trunks estava muito confortável com eles sendo mimado exaustivamente por Pirza e Ângela.

Todos saíram deixando Vegeta e Bulma sozinhos no salão de refeições, quando levantaram o rei tocou o ombro da cientista e mal ela percebeu estavam em um quarto da mansão.

— Você devia avisar quando se teletransporta. - Bulma ralhou quando percebeu que tinha se teletransportado, ela pensou no bebê e imaginou se aquela técnica não era prejudicial a ele. - O que você quer aqui? - perguntou com um frio na espinha ao olhar em volta e ver que estavam no quarto onde o rei estava instalado.

— Quero conversar uma coisa. - ele disse se aproximando e ficando frente a frente a ela, estavam próximos a grande cama de dossel.

— Pode falar. - Bulma disse um pouco nervosa olhando pra cama perto deles.

— Não quero mais que use essas roupas indecentes. - ele disse muito sério e quase zangado.

— Que roupas? Essas? - Bulma indagou surpresa.

— Sim, essas roupas terráqueas indecentes. - Vegeta confirmou. - Gostava mais quando você usava seus vestidos sayajins.

— Vegeta, foi-se o tempo em que você dava pitaco no que eu vestia. - Bulma falou firmemente. - Eu gosto de minhas roupas terráqueas, gosto também das roupas sayajins, mas essas expressam minha identidade, é isso que eu sou.

— Mas... - ele replicou segurando-se para não explodir com ela, sua ideia era conquistá-la, não afastá-la. - Mas essas roupas são ridículas! Você parece uma adolescente, não uma mãe. Não tem vergonha do seu filho?

— Trunks cresceu me vendo usar shorts e tops. - ela disse encarando-o. - E não venha me dizer que vestir isso me faz parecer uma vadia e que sou assim por que tenho sangue plebeu! Esses argumentos não colam mais, ok?

— Eu não ia dizer isso. - Vegeta falou um pouco constrangido,. - E você não parece uma vadia. Você está... está linda. - ele disse sem se conter, arrependendo-se em seguida.

— Sério? - Bulma replicou surpresa. Vegeta realmente não estava em seu estado mental normal, ela pensou.

— Eu não gosto que sua beleza fique exposta, eles não merecem. - ele confessou olhando pro lado. - Acho que por isso implico com as roupas.

— Você devia ter admitido isso anos atrás, teria me poupado de passar muita raiva. - Bulma respondeu pasmada. O Vegeta antigo nunca diria aquelas coisas, nunca admitiria que não gostava das roupas por que estava com ciúmes.

— Er... então se você não vai tirar a roupa é melhor irmos. - ele disse constrangido.

— Se alguém escutasse você dizer essa frase dentro desse quarto, imaginaria outra coisa. - Bulma brincou e sorriu.

Ele sorriu de canto de volta entendendo o duplo sentido. Se perdera no tempo a última vez em que os dois teriam rido juntos.

E depois do riso, ficaram em silêncio apenas se encarando.

E não se sabe como aconteceu, ou quem tomou a atitude primeiro, mas apenas um segundo depois, os dois agarraram-se com enorme fervor em um beijo intenso .

Os braços de Bulma foram parar na nuca do rei por vontade própria, puxando-lhe os cabelos. As mãos de Vegeta desceram naturalmente pela cintura da cientista através do top de algodão indo parar entre o top e o short que ela vestia. Bulma pôde sentir em seu ventre o volume que cresceu rapidamente entre as pernas do rei, tamanha era a excitação de ambos. E ela apenas colocava o corpo ainda mais de encontro a excitação dele. Mal podiam respirar enquanto beijavam-se. A mão dele já quase descia pelo short dela, que já estava úmida aquela altura.

Eles teriam, inevitavelmente, transado se não tivessem batido na porta.

Os dois afastaram-se com a respiração ofegante e entrecortada e Bulma desamarrotou a roupa enquanto Vegeta ajeitou os cabelos com as mãos.

— Já vai! - o rei respondeu irritado enquanto ia até a porta.

Quando abriu a porta, encontrou Marvin e Pirza que imediatamente olharam surpresos para Bulma que estava dentro do quarto. Todos ficaram constrangidos, era inegável o que estava se passando ali.

— O que querem? - Vegeta perguntou tentando parecer natural.

— A análise dos peritos sobre o incêndio na casa de Lady Bulma chegou. - Marvin respondeu entregando uma pasta de papel pardo a Vegeta.

— O que descobriram sobre a minha casa?- Bulma indagou aproximando-se, Vegeta olhava o relatório que estava na pasta.

— Como achávamos, o fogo aconteceu de fora pra dentro e foi criminoso. - Marvin começou. - O guarda que estava na casa, morreu por sufocamento ocasionado pela fumaça, parece que e ele não percebeu o incêndio de imediato... e na análise das pistas dos suspeitos, parecem que foram ao menos três... Dois seres grandes e um menor, ao que parece uma mulher...

— Maron... - Vegeta murmurou ao ler o relatório.

— Foi ela? - Bulma indagou.

— Foi encontrado um fio de cabelo azul no entorno da casa. Analisamos para saber se era seu, na noite em que milady estava desaparecida. - Marvin explicou. - Daí descobrimos que não era, e agora, depois de comparar com o DNA de muitas mulheres, descobrimos que era o DNA da ex-rainha.

— Maldita! - Vegeta resmungou ainda olhando a pasta. - Mas, como pôde? Como ela pode estar em Vegetasei?

— Mas, ela está. - Bulma afirmou lembrando-se. - Eu a vi.

— Onde? - Pirza indagou.

— No seu bar! Na noite em que fui procurá-la e acabei indo para o castelo. - ela disse constrangida olhando para Vegeta. - Eu tinha acabado de encontrá-la quando você me chamou.

— Era aquela perua com uma roupa vermelha de couro? - Pirza falou lembrando-se vagamente.

— Você lembra? - Marvin indagou impressionado para a companheira.

— Nunca esqueço uma pessoa cafona. - Pirza replicou sarcástica.

— Calem-se! Isso não é importante. - Vegeta interrompeu furioso. - O importante é que essa vadia está em Vegetasei e já sabe que Bulma está viva, por isso tentou matá-la. Voc deveria ter nos contado antes! - ele ralhou para Bulma em tom de reprovação.

— Desculpe, mas foi tudo tão estranho daquele dia pra cá... - Bulma disse em tom de desculpas. - Acabei esquecendo.

— E poderia ter morrido por isso! - Vegeta ralhou novamente.- Maron é maluca e ela quer a sua cabeça. E se arranjou algum idiota pra ser comparsa, pode estar muito perigosa. De agora em diante, você e Trunks estarão sob forte vigilância até pegarmos essa mulher. E quando pegarmos eu não serei mais um sayajin divorciado, serei viúvo. - falou com decisão.

Vegeta mandou ordens para seu novo general. A ordem do dia era procurar a ex-rainha Maron por todo o planeta, debaixo de cada pedra, em cada casa, cada caverna, cada ilha... Ele não ia cometer o mesmo erro que cometeu com Bulma e a não ser que Maron também tivesse uma pulseira ocultadora de ki, ela seria encontrada.

E enquanto era procurada em todo o planeta, a dita cuja, encontrava-se naquele momento em seu esconderijo gelado, ainda se maldizendo pelo insucesso de sua última empreitada, pois Nadine já havia lhe comunicado há muito tempo que seu plano havia corrido por água abaixo e Bulma permanecia viva.

— Olhe pelo lado bom, ao menos Freeza não soube de nosso fracasso... - Zarbon dizia pela milésima vez enquanto sentavam desanimados a mesa após o café da manhã rançoso.

— E por falar no diabo... - Dodoria disse ao receber um alarme do scouter, Freeza estava chamando os três no comunicador.

Zarbon levantou e foi até a tela comunicadora que havia em um painel ali perto e a ligou. Dodoria e Maron lhe acompanharam.

Quando a tela se iluminou eles viram Freeza. Mas não parecia muito com Freeza, eles viram um ser gigante com a cabeça achatada, Maron não identificou de começo, parecia um feio gafanhoto, mas Zarbon e Dodoria o reconheceram na hora, eles já tinham ouvido falar que Freeza poderia se transformar. E naquele momento, o lagarto estava no segundo estágio de suas transformações e estava muito, muito assustador.

— Olá inúteis, impressionados com meu maravilhoso poder? - o lagarto indagou ao ver seu trio de servos.

— Sim, imperador, é maravilhoso! - Maron mentiu e os outros dois concordaram com acenos de cabeça.

— Claro minha querida, sabia que ia gostar. - o lagarto disse cheio de si. - Mas não estou aqui para encantá-los com meu poder majestoso. - ele recomeçou. - Tenho uma missão para vocês, uma missão crucial para meu plano de vencer os sayajins. Uma missão em que não admitirei fracassos, e que custará suas vida, se falharem.

— E o que seria essa missão, caro imperador? - Dodoria indagou receoso.

— Vamos realizar um sequestro. - o lagarto afirmou significativamente.