Dragon Ball não me pertence

CAPÍTULO 31

Os dois princípes

O estrangeiro afirmou com a cabeça enquanto descia a rampa da nave, sua escolta o seguia.

Bulma, instintivamente, correu até a rampa e abraçou-lhe. Ele aceitou o abraço e o retribuiu com vigor.

— Você deve ser a Bulma. - Tarble falou enquanto a abraçava, enlaçando a cintura da cientista. - Continua linda como nas minhas lembranças. - completou emocionado enquanto olhava a cientista que o havia soltado do abraço.

Bulma baixou o olhar meio envergonhada. Vegeta olhava-os seriamente, parado de braços cruzados no mesmo lugar que estava quando a nave pousou. Estava dividido entre o que sentia em ver o irmão e entre o incômodo de ver Bulma abraçá-lo, só não admitia nenhum desses sentimentos.

Logo, Tarble levantou o olhar e percebeu que o irmão o fitava carrancudo. Ele caminhou até onde o irmão estava, ficaram frente a frente. Eram praticamente da mesma altura, extremamente parecidos, exceto por poucas diferenças no cabelo e nas feições, as feições de Vegeta eram mais duras, as de Tarble mais serenas.

— Então você que é o rico comerciante. - Vegeta concluiu sério encarando o irmão, um pouco de desdém na voz.

— É bom vê-lo também, irmão. - Tarble falou ignorando o comentário. - Sim, sou eu.

— Por que voltou? - perguntou ríspido. - se foi por que nosso pai morreu, saiba que ele não lhe deixou nada de herança. - Vegeta disse na defensiva, achando estranho o irmão aparecer logo após a morte de seu pai.

— Nosso pai me deu minha herança quando me mandou para as colônias, irmão. - Tarble explicou calmamente - Apesar de ter vergonha de mim e de me rejeitar como filho, o rei dos sayajins teve a decência de me deixar o que me cabia do seu espólio. - falou amargurado olhando o irmão. - Do contrário, onde você acha que um garoto conseguiria fortuna suficiente para comprar sua frota de naves super modernas? Touma, meu guardião soube administrar minha herança muito bem e me ensinou a fazer o mesmo.

Vegeta observou o sayajin de meia idade que acompanhava Tarble, era o guarda-costas que seu pai mandara com o garoto quando o exilou nas colônia anos atrás. Um sayajin sem família que, na época, ofereceu-se para tomar conta do pequeno príncipe.

— Então veio aqui apenas para comprar naves? - Vegeta indagou ainda irônico.

— Bem, agora que o rei está morto, queria ver você. E Bulma também.- Tarble respondeu amenizando o semblante e olhou carinhoso para a garota que tinha lágrimas nos olhos. - Também quero falar de negócios, é claro. - acrescentou.

— Então podemos falar na sala do trono. - Vegeta retrucou querendo encerrar logo aquela conversa pública, pois todos em volta os olhavam e ele não sabia como conter por muito tempo a emoção de estar diante de seu irmão de novo, principalmente se ele continuasse dizendo aquelas bobagens sentimentalistas.

— Como quiser, irmão. - Tarble respondeu.- Espero que sua gentileza se estenda em oferecer aposentados para mim e para minha comitiva. Ficaremos até amanhã.

— Será providenciado. - Vegeta confirmou sério. - Me acompanhe. - falou em tom de ordem para o irmão e todos os seguiram, incluindo Bulma.

— Você, - Vegeta voltou-se ao ver a garota segui-los. - Volte ao laboratório. - ordenou.

Bulma, apesar de querer ficar perto de Tarble, resolveu evitar confusão, apenas fez uma reverência e saiu acompanhada de Yajirobe.

— Nos vemos mais tarde, Bulma. - Tarble despediu-se como um cavalheiro quando Bulma saía.

— O que Bulma é aqui no palácio? - Tarble perguntou enquanto seguiam para o castelo. - Sei que trabalha nos laboratórios. Tem fama de ser uma grande cientista...

— Ela é minha chefe de tecnologia – Vegeta disse sério sem olhar para o irmão.

— Só isso? - Tarble indagou para Vegeta – Imaginei que ela já seria mais do que isso. Ela ficou de tirar o fôlego. Se eu estivesse no seu lugar, acho que não teria o mesmo sangue frio. - ele comentou informalmente. - Ela já seria minha amante, ou até minha rainha.

— É mais você não está no meu lugar. - Vegeta resmungou irritado tentando com todas as suas forças conter-se para não arrebentar o irmão que ele tanto adorava.

Tarble e Vegeta encaminharam-se até a sala do trono. Ao chegar próximo a porta de carvalho, Tarble pediu que sua comitiva acompanhasse os serviçais do castelo até seus aposentos. Desejava conversar a sós com o irmão.

Vegeta entrou na sala do trono com seu modo imponente, o irmão o seguia, o porte não menos altivo. Pararam na mesa de reuniões. Vegeta observou que Tarble olhava curiosamente cada detalhe daquele lugar.

— O que foi? O que você tanto olha? - Vegeta perguntou bruscamente quando chegaram a mesa de reunião.

— Nada. - Tarble respondeu ainda olhando o ambiente. - É que tudo aqui lembra nosso pai. Eu tinha muito medo dessa sala no passado.- confessou.

— Hum. - Vegeta resmungou desconcertado com a naturalidade com que seu irmão expressava suas fraquezas. - Você não fala como um sayajin.

— Não me deixaram ser um, caro irmão. - Tarble rebateu. - Fui expulso desse planeta pelo simples fato de não ter nascido com um alto poder de luta.

— Você acha isso um simples fato? - Vegeta perguntou sério. - Se você respeitasse seu sangue sayajin saberia que o poder de luta é a coisa mais importante para nós sayajins. A nossa sobrevivência depende disso, se formos fracos padeceremos diante dos inimigos.

— Nem todos os fracos padecem. - Tarble retrucou tão sério quanto o irmão. - Eu deveria ter morrido nas colônias por ser fraco, mas reconheci meu pontos fracos e trabalhei nos fortes, como minha inteligência. Fiz fortuna com isso, mesmo tão jovem. E você, nunca pensei irmão, que você fosse ficar tão parecido com nosso pai. - falou num tom de voz quase decepcionado.

— Nosso pai fez o certo, Tarble. É o que manda a lei sayajin. - Vegeta replicou referindo-se à expulsão de Tarble do planeta. - Nós não podemos nos deixar levar por sentimentos tolos e sim pelo que é correto para o bem dos sayajins. E você tinha que servir de exemplo, temos que expulsar os fracos de Vegeta-sei e manter nossa raça pura.

— Expulsar crianças universo a fora sem ter a mínima condição de sobrevivência, você quer dizer. - Tarble falou amargurado. - Você faria isso irmão? Você expulsaria um filho seu, sangue do seu sangue, simplesmente por que ele não nasceu com o poder de luta ideal?

— Eu não vou ter filhos fracos. - Vegeta rebateu sério, em um flash Bulma veio em sua cabeça e ele temeu por um segundo.

— Pois bem, vejo que você é quase a cópia dele. - Tarble rebateu - E eu que achei que você era o oposto.

— Pare de drama, Tarble! - Vegeta perdeu a calma, não queria relembrar as aflições do passado. - diga logo por que quer falar comigo a sós. Era só pra isso, pra se reclamar que nosso pai o expulsou? Eu não posso fazer nada quanto a isso. Maldição! Eu não podia naquela época e não posso agora. - gritou transtornado.

— Certo, então vamos encerrar esse assunto. - Tarble falou ressentido e calmo ao ver o irmão alterar-se, coisa que ele sabia que não era boa. - não foi por isso mesmo que vim falar com você. Eu disse que ia falar de negócios e é sobre isso que vamos falar.

— Menos mal. - Vegeta falou acalmando-se e ajeitando-se na rica cadeira de veludo azul royal da mesa de reuniões. - Do que se trata?

— Primeiro eu queria dizer que não é a primeira vez que faço negócios com nosso planeta. - Tarble confessou.- Desde que Touma recebeu minha herança ele vinha comprando material bélico e tecnológico através de representantes, foi vendendo esse material pelo universo que consegui minha fortuna. Foi por isso que saímos das colônias de Vegeta-sei para que nosso pai não descobrisse que estávamos usando seu próprio dinheiro para comprar sua tecnologia.

— Esse Touma deve ser muito esperto, então. - Vegeta resmungou irônico.

— É muito esperto, mas não é muito forte, por isso não era um bom sayajin. - Tarble comentou irônico. – Bem, voltando ao assunto: enriqueci por que a tecnologia daqui é de ponta, os projetos do sr. Briefs e agora de Bulma não são encontrados em muitas parte do universo, acredito que papai não conhecia bem esse poder que tinha nas mãos, por que nunca explorou mercados mais longínquos.

— Já ganhamos o bastante vendendo pros planetas de nossa rota. - Vegeta explicou.

— Bem, mas Touma me ensinou a explorar esses mercados, e não estou aqui só pela minha pessoa, irmão, estou representando muitos empresários intergalácticos que estão interessados nessa tecnologia e temos uma oferta pra você.

Vegeta fitou o irmão ainda sério. Tarble, apesar da pouca idade, era muito maduro e falava com ele como qualquer chefe de estado. Vegeta concluiu que seu irmão não era alguém que se intimidava facilmente, havia algo sayajin ali, mesmo não havendo poder de luta.

Tarble retirou uma cápsula do bolso, explodiu-a e apareceu uma pasta. Ele pegou um pergaminho e entregou a Vegeta.

— Esse é o valor de nossa oferta.

Vegeta examinou o valor. Era muito alto. Nunca vira tantos zeros em tantas moedas diferentes. Fazendo os cálculos, ele descobriu que se fechasse o negócio com Tarble, ele seria um dos seres mais ricos da galáxia conhecida, talvez até mais rico do que os que lhe faziam essa proposta, pois ele já tinha sua fortuna para juntar a essa.

— É interessante. - Vegeta falou desdenhoso devolvendo o papel a Tarble. - e vocês querem pagar tudo isso pelo nosso parque tecnológico?

— Não. - Tarble respondeu encarando o irmão. - queremos pagar tudo isso por Bulma.

Vegeta arregalou os olhos de perplexidade. A raiva invadindo cada fibra de seu ser conforme escutava seu irmão.

— Vocês querem comprar a Bulma? - Vegeta quase gritou muito alterado levantando-se da cadeira.

— Queremos montar um parque tecnológico em um planeta desabitado e queremos que ela seja a chefe. - Tarble explicou com a voz alta, levantando-se também para encarar o irmão.

— Eu não posso vendê-la! - Vegeta esbravejou e se tocou que estava transparecendo desespero. Tentou arranjar argumentos razoáveis. - Não posso vender uma pessoa, Tarble. O tempo da escravidão já passou. Ela foi abolida desse planeta quando nosso pai assumiu o trono, e você sabe disso.

— Vamos ser francos irmão. - Tarble disse calmamente. - Você é o tutor legal de Bulma, eu sei disso por que tenho contatos, e você manda e desmanda nesse planeta. Você é o chefe dela. Se você mandá-la para nosso planeta, ela não terá outra opção a não ser ir para lá. - Tarble argumentou com propriedade, fazia muitos anos que espionavam o parque tecnológico de Vegeta-sei, e sabia que Bulma era um ponto crucial para seu empreendimento industrial.

— Não. - Vegeta sentenciou. - Não negocio a cientista.

— Eu sei que você quer tê-la para produzir tecnologia aqui, mas temos uma proposta para isso, irmão. - Tarble retrucou- Você pode ser um de nós, um sócio de nossa organização comercial, então tudo que produzirmos irá continuar gerando lucros para você. - Tarble insistiu.

— Tarble, - Vegeta perguntou quase explodindo com o irmão. - Acho estranho uma coisa, por que você e seus parceiros comerciantes nunca fizeram essa proposta a meu pai? Por que só agora essa proposta vem e ainda encabeçada por você?

— Essa proposta foi feita várias vezes a meu pai, mas ele sempre recusou. - Tarble explicou. - Todos os empresários já sabiam que nosso pai não cederia Bulma, por considerá-la como uma filha. Mas agora que ele está morto e sabemos que você almeja o poder, achamos que você adoraria a proposta.

Vegeta não soube o que dizer. Seu próprio irmão achava que ele era um escroto. E ele sabia que até era mesmo em alguns momentos, mas isso não se estendia a Bulma. Só o pensamento de vendê-la já o revoltava.

— Diga a seus colegas que eu não vendo a cientista. Ela continua a trabalhar para mim, continua sob a minha guarda e continua no meu planeta. - Vegeta sentenciou sério. - E avise-os que aquele que vier até mim com outra proposta dessas será pulverizado instantaneamente. Agora sei por que te mandaram, acharam que eu não faria isso com meu próprio irmão.

— Você não está sendo racional, irmão. - Tarble insistiu. - Você pode se tornar mais rico do que jamais pensou.

— Eu já sou rico, Tarble. E os negócios de Vegetasei andam cada dia melhores.

— Então me diga, por que não deixar que eu leve Bulma? - Tarble lançou a pergunta provocativo. - Me dê apenas um motivo, por que financeiro eu sei que não é.

— Eu não quero e pronto. - Vegeta retrucou bravo.

— Nesse caso deve haver um motivo que você não quer me contar. - Tarble provocou, os espiões industriais haviam colocado no relatório dados sobre a "intimidade" entre a cientista e o príncipe e Tarble agora achava que era verdade. - Diga-me irmão: nossa irmã adotiva é algo a mais para você?

— Não fale tolices. - Vegeta disse virando o rosto.

Mas Tarble já tinha concluído o por que de o irmão não ceder a cientista.

Quando Tarble chegou em seu quarto tempos depois, Touma o abordou ansioso.

— E então, seu irmão fechou o negócio?

— Ele não vai fazer isso. - Tarble falou enquanto despia-se.

— Mas, por que? Oferecemos um proposta irrecusável.

— Por que ele está envolvido com Bulma. - Tarble falou cansado.

— Não acredito que ele vá deixar um negócio desses para ter uma amante qualquer. - Touma comentou.

— Nunca mais fale assim de Bulma. - Tarble falou anormalmente sério indo até o guarda-costas.

E Touma temeu que o príncipe mais novo não tivesse esquecido seu primeiro amor.

Tarble pensou sobre o acontecido com seu irmão enquanto tomava um banho quente. Não sabia que as coisas haviam se complicado tanto entre Vegeta e sua irmã adotiva. Na infância, ele achava que só ele era apaixonado por Bulma e que o irmão a desprezava. Mas não podia culpar o irmão por isso, Bulma era realmente linda, inteligente e tinha um sorriso capaz de derreter o coração mais duro, como o de Vegeta. Tarble guardava-a entre as melhores lembranças de sua infância, seu sorriso e seu grandes olhos azuis apareciam em todos os momentos felizes. Ela fora seu primeiro amor, sua paixonite de infância e ele sempre sentiu sua falta, assim como sentiu falta de seu irmão mais velho. O príncipe mais novo estava chateado por não ter fechado o negócio não tanto pelo dinheiro, mas por que sonhava em levar Bulma para trabalharem juntos no projeto do parque tecnológico. Só que Vegeta tinha complicado tudo, e ele nem sabia se o irmão pretendia ficar mesmo com Bulma, Tarble só sabia que o irmão teria que anunciar uma esposa em três semanas e não havia nenhuma evidência de que aquela seria Bulma. Ele resolveu sondar aquilo. Se Vegeta estivesse com planos de fazer de Bulma sua rainha, ele sairia da jogada, mas se o irmão fosse mantê-la ali como amante ou algo do tipo, ele convenceria Bulma a ir embora com ele.