N/A: Gente, preciso dar um aviso muito importante!

Nessa primeira parte acontece uma N/C bem grandona. Então, se você se sente desconfortável com esse tipo de conteúdo, oriento a pular para a segunda parte direto. Vocês podem se orientar pelos símbolos "#" em negrito, ok?

Estão avisados, eim!

Boa leitura!

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Epílogo

Às vezes, Draco detestava morar em Londres.

Fosse pelo tempo, que era sempre extremamente frio, ou pelo custo de vida, que era caro independente da fortuna que você pudesse ter, mas especificamente por que Blaise estava irritantemente próximo. Inclusive, era por culpa daquele bastardo que estava agora, plena véspera de Natal, plantado no meio da Trafalgar Square no meio de um bando de trouxas e trouxas turistas.

Soltou um suspiro longo que fez uma fumacinha sair de suas narinas enquanto erguia o pulso e afastava a manga do sobretudo, olhando para o relógio. Sete e meia. Ainda dava tempo de voltar para o apartamento e tomar um banho, mas tinha no máximo vinte minutos.

Quando viu Blaise vindo com uma sacolinha no braço enquanto Gina ria ao lado dele de forma audível, imaginou que estivessem falando sobre ele, até por quê os dois eram peritos em se atrasar, coisa que o Malfoy abominava.

- Já acabaram?

Perguntou com certa impaciência na voz. Gina girou os olhos nas órbitas e Blaise assentiu, mostrando a sacolinha para Draco, que hesitou em segurá-la.

- Já sim! A Weasley salvou minha vida, Draco!

Passou os olhos diretamente para a sacolinha e pôde ver dentro um colar esquisito, de miçangas coloridas que não pareciam combinar. Então suspirou e deu um sorriso torto, colocando-o de volta dentro da embalagem e devolvendo para Blaise.

- É, é bem a cara dela.

Blaise virou-se para Gina mais uma vez, agradecendo por tê-lo ajudado a encontrar um presente e ela sorriu abanando a mão, dizendo que não precisava agradecer. Já devia haver mais ou menos um mês que o Zabini estava maluco, atormentando a gregos e troianos sobre opiniões para o famigerado presente de Natal para Luna.

Porém, quando o assunto chegou até os ouvidos de Gina, ela subitamente abraçou seu lado grifinório, pegou o problema para si e saiu em uma inesgotável caçada pelo presente perfeito pois, segundo ela mesma, "com certeza esse shipp vai para frente". Ainda que, mesmo assim, Blaise e Luna não fossem exatamente o que se pode chamar de casal. Quer dizer, desde o fim da guerra e a batalha com Pansy, com certeza alguma coisa estava acontecendo, mas ainda estavam só nos enrolos. Ao menos é como Draco pensava.

- Bom, que ótimo, que lindo, mas nós estamos com pressa Zabini, então um Feliz Natal para você e, por favor, só me procure depois do Ano Novo.

Dava para ver pelo olhar reprovador que Gina o lançou que não havia achado nem um pouco engraçado, mas Blaise não pareceu se importar. Ela não deixou a pressa de Draco lhe contagiar nem que um milímetro, virando-se para o Zabini e apontando para a sacolinha.

- Não esquece de contar para ela a utilidade! Ela vai adorar e vai perceber que você se esforçou para encontrar.

- Isso serve para afastar... afastar o quê mesmo?

- Zonzóbulos.

O Malfoy soltou um grunhido de impaciência e se agarrou no antebraço de Gina, puxando-a suavemente pelo caminho contrário, afim de sair do meio daquela praça o quanto antes.

- Boa sorte, Zabini!

Gina se despediu acenando com um sorriso, enquanto ia regulando seus passos ao lado de Draco. Iam deixando pegadas pelo chão levemente coberto por neve e chuvisco conforme se afastavam das pessoas. Assim que entraram em uma rua um pouco menos movimentada, os olhos castanhos se viraram na direção do loiro, que ainda mantinha o semblante impaciente.

- Te digo uma coisa, Draco. Se continuar a se desfazer assim das pessoas, vai acabar sem nenhum amigo no mundo. É isso que você quer?

Então os olhos cinzas subitamente se voltaram na direção de Gina ao mesmo tempo em que soltava uma risada de escarnio que fez a testa dela se enrugar.

- Ah, para com isso, Weasley! Minha amizade com o Zabini sempre foi assim e, honestamente, desde que eu tenha você, não me interessa muito o resto do mundo.

Por mais que tenha sido um elogio, Gina não se permitiu sorrir e apenas seguiu caminhando ao lado dele. Ela usava uma das blusas que a mãe fazia, com suas iniciais estampadas em letras garrafais e amarelas, o que a tornava praticamente um ponto de referência naquele dia frio e cinzento.

As luzes de natal cintilavam pelas ruas e aquela com certeza era a época favorita do ano para Gina. Inclusive, seria a primeira véspera de natal que passaria longe de sua família e seu coração apertava um pouquinho quando pensava nisso, mas o combinado que fizera com Draco era muito claro.

Desde que a guerra acabara, Draco teve de se desfazer da mansão. Além de ser caro mantê-la, ele insistia que o lugar era um antro de más recordações muito grande para somente a mãe e ele. Desta forma, preferiu se mudar para um apartamento menor em Londres, convenientemente próximo do Beco Diagonal, que era onde Gina trabalhava aquele período, ajudando na loja dos gêmeos que agora ficara somente para Jorge.

Narcisa, por outro lado, demandava cuidados especiais e Draco acreditou ser melhor mantê-la afastada da cidade, ao menos por um tempo. Como trabalhava durante a semana, não tinha capacidade de dar-lhe a devida atenção e acabou deixando-a na casa de verão que a família possuía na região dos lagos sob os cuidados de uma enfermeira contratada do St. Mungus.

Porém, algum tempo atrás prometera à Narcisa que iria visita-la no Natal, justamente para apresenta-la à namorada. Por mais que a bruxa não estivesse conseguindo ligar muito as coisas, ele sentia que era necessário promover esse encontro entre a mãe e Gina, mesmo que só a segunda pudesse se lembrar disso posteriormente.

Por isso, especificamente aquele ano, Gina iria passar a véspera de Natal longe da família. E também somente por que conseguira convencer Draco a ir com ela no dia seguinte para o almoço n'A Toca. Era uma troca justa, deduziu, mas se perguntava se o Malfoy estaria tão nervoso quanto ela para esse tipo de reunião familiar.

Quer dizer, Gina recordava-se de Narcisa Malfoy, mas não fazia a menor ideia de que tipo de personalidade devia esperar dela. Draco sempre disse que era mais parecido com a mãe e isso a tranquilizava um pouco quando pensava na forma como ele a tratava agora, mas também assustava quando se recordava do comportamento dele em Hogwarts. Qual dos dois será que ele se referia, Draco ou o Malfoy?

Assim que chegaram na frente do prédio, Draco colocou a chave no contato e foi destrancando o portãozinho de ferro, dando passagem para Gina, que subiu os degraus e foi caminhando rumo à portaria enquanto ele trancava novamente. Nunca em um milhão de anos imaginaria que o Malfoy iria preferir se esconder em um edifício trouxa, mas segundo ele, era mais fácil conviver com vizinhos que não sabiam o que ele havia feito no verão passado.

Não demorou muito para que o elevador chegasse ao térreo e somente eles entraram, apertando o sétimo andar. Gina virou-se diretamente para o espelho, passando os dedos entre os cabelos e tentando arrumá-los, jogando para o lado de uma forma que a deixava um pouco mais adulta. Draco apenas observou seu reflexo movendo-se enquanto parecia levemente distante. Não dava para saber o que estava se passando naquela cabeça, mas a Weasley imaginou que seria sobre o jantar daquela noite.

Assim que chegaram ao andar, novamente abriu a porta para que Gina passasse primeiro. Ela foi logo tirando a chave do bolso da calça e colocando no contato, girando a fechadura e abrindo a porta do apartamento 702. Uma vez lá dentro, sacou sua varinha e as luzes se acenderam revelando um lugar já tão conhecido. Draco entrou logo atrás dela, fechando a porta e passando o trinco, olhando para o relógio em seguida e calculando que tinha pouco tempo até sair.

Os pés de Gina caminhavam pelo apartamento como se fosse dela. Virava a varinha e acendia luzes, ligava o aquecedor e até a vassoura começava a se mover sozinha. Foi diretamente para o quarto, largando seu corpo na cama king de Draco enquanto rolava os olhos chocolate para ele, que passou pela porta indo diretamente para o banheiro. Nem estranhava o silêncio, pois já estava acostumada com a falta de palavras que o consumia quando estava nervoso ou ansioso para alguma coisa. "Que bom", pensou, "não sou só eu".

Ficou olhando para o teto branco do quarto enquanto esfregava uma perna na outra e se livrava das botas marrons. Foi desarrumando os travesseiros que Draco fazia questão de ajustar milimetricamente toda manhã e engatinhou pela cama até o baú da cabeceira, puxando uma coberta para jogar nas pernas. Tinha certeza que ele lhe faria ajeitar tudo antes de saírem, mas não se importou muito com isso.

Quando ouviu o barulho do chuveiro, um pensamento malicioso se apoderou de Gina, fazendo com que se sentasse na cama quase que automaticamente. Estava ciente de que Draco tinha com pressa, nervoso e ansioso, mas será que era realmente com tanta pressa assim? Não é como se estivesse de horário marcado com Narcisa, certo?

"Bom, não estou fazendo nada mesmo", pensou divertida. Tirou as meias dos pés e deixou sobre a cama, enquanto ia caminhando ainda meio indecisa pelo corredor. Pela fresta da porta começava a sair um pouco de vapor, o que não era de estranhar, devido ao tempo frio que fazia. Engoliu em seco e seguiu o caminho, puxando a blusa de lã para cima e deixando a peça jogada no meio do corredor.

Assim que abriu a porta do banheiro, Draco pareceu ouvi-la, pois chamou seu nome de dentro do box esfumaçado.

- Gina?

Encheu os pulmões de ar e mordiscou o lábio inferior.

- Sim.

Foi baixando devagar a calça, deixando-a jogada no chão e observou que as roupas de Draco estavam penduradas no mancebo com uma organização que ela nunca possuiu ou possuiria em toda sua vida.

Tinha certeza que ele não conseguia vê-la de dentro do box e isso deu-lhe coragem para tirar sua regata, ficando só de lingerie, parada sobre o tapetinho cinza, encarando o box, decidindo se aquilo era uma boa ideia.

Fechou os olhos num lapso de coragem e terminou de se despir, apoiando sutilmente os dedos no vidro. Foi empurrando a porta devagar, sentindo o vapor que saia rapidamente pela fresta. Pôde ver que Draco virava-se na direção dela com um semblante surpreso que ficou congelado ao constatar que estava completamente nua. Por um instante, teve vontade de rir. Até parecia que era a primeira vez que a via daquela forma.

Foi se esgueirando para dentro do box, fechando a porta atrás de si e o encarando com os olhos castanhos entreabertos, que não pareciam mais precisar de uma confirmação sobre o que estava fazendo. As mãos de Draco foram ao seu encontro de uma maneira magnética, pousando diretamente em sua cintura e trazendo-a para perto, de modo que pudesse lhe capturar os lábios com um beijo. Nenhum dos dois precisou dizer uma só palavra.

Sentiu o corpo molhado e quente do namorado a medida em que seus braços iam contornando lentamente o pescoço dele e tomando-o como apoio pelos ombros. Os dedos longos e finos dele passearam por sua cintura daquela forma já tão familiar, molhando-a na água do chuveiro e grudando-a em seu tronco. O toque firme e paciente percorreu por toda a lateral de seu corpo e estacionou na curva das costas.

Até hoje, Gina não era capaz de descrever a química maluca e intensa que existia entre eles, mas ficava sempre muito visível quando trocavam carícias como aquelas. Era como uma reação em cadeia, que sempre ficava mais e mais forte a medida que o tempo ia passando. Todos os poros de sua pele gritavam pelo toque do Malfoy de uma maneira que a fazia ruborizar.

Uma das mãos dele se ergueu e percorreu por sua mandíbula devagar, indo até os cabelos, onde afundou os dedos e a segurou, intensificando mais o beijo que os unia. Gina sentiu seu corpo praticamente derreter em meio àqueles toques e subiu, charmosa, uma das pernas. Ao percebê-la, o loiro imediatamente desceu a mão de suas costas para a coxa, prendendo-a bem encaixada no osso de seu quadril.

Dedilhou suavemente pelo peitoral molhado de Draco enquanto o sentia, definido, sob a palma de sua mão. Sabia o quanto ele gostava quando o fazia, por isso se dedicava e prosseguia sem pressa, sentindo-o relaxar. O calor do chuveiro, de repente, tornou-se menor que aquele que sentia crescendo dentro de si.

Ela rompeu o beijo ao mordiscar o lábio inferior de Draco e voltou sua atenção para o maxilar dele, grudando seus lábios num gesto passional. Subitamente o sentiu caminhar e ir guiando-a gentilmente na direção da parede, onde a encurralou. A mão que mantinha no emaranhado dos cabelos vermelhos de Gina se fechou e o punho a puxou para baixo, forçando seu pescoço a ficar evidente. O gesto inusitado fez um suspiro escapar pelos lábios da Weasley, que sentiu a excitação dele crescer entre suas pernas.

O rosto de Draco foi se encaixando aos poucos em seu colo, permitindo que os lábios finos traçassem uma trilha até a altura dos seios. Isso a fez arfar baixinho e movimentar suavemente o quadril contra o corpo do Malfoy, que pulsou em sua coxa como resposta. Os dedos dele se apertaram em sua pele com firmeza, puxando-a ainda mais para perto.

Sua urgência crescia conforme ouvia os suspiros tímidos de Gina cortarem o silêncio. Acabou seguindo de forma instintiva pelos quadris da garota, segurando-a pelas pernas e tirando-a do chão. Firmou-a entre ele e a parede, sem hesitar em se encaixar entre as coxas dela.

A sensação de tê-la assim, totalmente sob controle, era muito boa.

Gina passou os braços em volta de seu pescoço como se tentasse manter-se segura. Aquilo o fez achar graça, mas não impediu um arrepio de percorrer por sua espinha ao senti-la em sua intimidade. Deixou sua cabeça pender e sentiu suas testas se colarem. As respirações se embaraçaram antes que os olhares, finalmente, se cruzassem. Embriagado pela situação, colocou-se dentro dela com apenas uma estocada.

Assim que o sentiu, Gina apertou os olhos pelo impacto e gemeu. Suas pernas se apertaram em volta de Draco, que seguia investindo num movimento atraente de ir e vir. Contagiada pelo gesto, sentiu-se pulsar de forma ritmada, o que o fez arfar. Deu um meio sorriso e voltou sua atenção para o loiro, que mantinha os olhos cinzentos sobre ela, percebendo seus gestos e expressões.

- Me desce.

E Draco o fez, gentilmente saindo de dentro dela e colocando-a de volta no chão. Não deu muito tempo para Gina fizesse alguma coisa, pois as mãos do namorado envolveram seus pulsos subitamente, prendendo-a contra a parede. Trocaram um olhar antes que ele começasse a descer seus lábios pelo corpo da ruiva, iniciando pelo pescoço.

Foi se afobando aos poucos, conforme a beijava, só de lembrar por quanto tempo a desejou e a quis daquela forma. Não soube quanto tempo esperou por Gina, ansiou pelo seu cheiro, toques e olhares. Agora que a tinha, por vezes era acometido por uma urgência que o fazia apertá-la, como se contatasse que nada a tiraria de seus braços.

Quando seus lábios chegaram até os seios, deixou que os pulsos dela escapassem. Acomodou-se próximo a ela e foi sugando sutilmente pela pele alva, ouvindo-a suspirar. Quanto mais tempo se passava, mais suas mãos tomavam atrevimento e liberdade para passear por cada parte do corpo frágil da garota. Viu-se, por fim, dedilhando a parte interna das coxas da Weasley, indicando que queria que abrisse as pernas.

- Me chama.

Disse de forma arrastada, com a voz baixa em meio aos beijos que distribuía na região do ventre de Gina.

Ela, por outro lado, sentia cada batida de seu coração acelerado. Aquele caminho perigoso de beijos que ele trilhava na região de seus quadris a fazia arfar, ansiosa. Entretanto, teve o ímpeto de tornar as coisas mais divertidas, desafiando-o.

- Me faz te chamar.

Aquilo caiu como uma luva para Draco, que ergueu uma das sobrancelhas e sorriu. Pareceu aceitar o desafio, pois foi de forma afoita que afundou o rosto entre suas pernas. Gina chegou a achar graça, mas apenas apertou os dedos nos cabelos loiros do garoto e gemeu. Conseguia senti-lo lhe explorar gentilmente com lábios e língua, impedindo-a de conter qualquer suspiro.

Gina mal conseguia pensar em quão excitante e intenso era tê-lo ali, entre suas coxas. Ao mesmo tempo em que lhe fazia sentir vulnerável, não conseguia descrever o quão prazeroso era! E por isso se rendia, acompanhando o ritmo enquanto o calor crescia e seu cérebro pulsava.

Embora lutasse para se equilibrar, apoiando um dos braços na parede enquanto a outra mão mantinha-se afundada nos cabelos de Draco, não tinha sinal de pressa enquanto o sentia desfrutar da intimidade que compartilhavam. Jamais havia permitido que alguém tivesse aquele tipo de relação com ela, por isso sentia-se confortável em saber que somente o Malfoy tinha conhecimento total sobre cada centímetro de seu corpo. E, por Merlin, como ele sabia exatamente o que fazer ali!

Percebeu que se continuasse daquela forma, logo atingiria seu clímax, e Gina quis prolongar um pouco mais aquele momento. Não conseguiu impedir um gesto involuntário de rebolar do quadril e chamou baixinho o nome dele enquanto arqueava as costas na parede, como se o desse a vitória daquele pequeno desafio. Empurrou os dedos nos cabelos loiros, tentando tirá-lo dali. Não sabia por quanto tempo mais resistiria.

- Draco...

Chamou inutilmente uma última vez, rendendo-se em seguida completamente às carícias dele. "Maldito". Draco já a conhecia suficientemente bem para saber que estava prestes a atingir seu êxtase e decidiu que não iria parar até que conseguisse. Afinal de contas, por mais que houvesse vencido, tinha sido desafiado e queria se provar ainda mais.

Antes que pudesse perceber, aqueles dedos atrevidos do garoto passearam por entre suas pernas. Foi adentrando-se aos poucos e pôde senti-lo deslizar sutilmente um deles para dentro dela, que arfou em resposta. Tentando retomar um pouco o controle, Gina passou uma das mãos pelo rosto úmido, afastando os cabelos da frente dos olhos. Quis pedir para que ele parasse, quis continuar de outra forma, mas simplesmente não conseguiu segurar mais.

Assim que atingiu o clímax, suas costas se arquearam na parede e ela fechou os olhos. Sentiu aquela desejada onda elétrica correr por todo seu corpo e fazê-la arfar de maneira insistente. Foi movimentando o quadril para intensificar a sensação enquanto o ar escapava curto por seus lábios entreabertos. Draco não parou até que ouvisse sua respiração amenizar um pouco, subindo para a frente dela e virando-a de costas num gesto brusco de suas mãos no corpo de uma Gina levemente atordoada.

Quando deu por si, Draco já a pressionava contra a parede, segurando sua coxa e puxando a perna para cima, dando-o espaço para que se encaixasse. Prendeu a respiração ao senti-lo dentro dela, iniciando as estocadas. Os lábios alcançaram-lhe a nuca, sugando devagar de uma forma que a fazia perder completamente o chão.

Por sua vez, Gina empinou o bumbum e rebolou no ritmo das estocadas de Draco, pulsando para ele conforme o ir e vir de seus quadris. Uma mão do Malfoy segurava firmemente a coxa da ruiva enquanto a outra deslizava da barriga até a altura do seio, que ficou contornado pelos dedos dele.

O ritmo das estocadas aumentou e a mão de Draco desceu para o quadril de Gina, forçando-a a se movimentar em um ágil ir e vir de acordo com as investidas dele. A ruiva apoiou as mãos na parede, tentando manter o equilibro enquanto ouvia o Malfoy arfar baixinho e o acompanhava, ainda embriagada no próprio prazer. Não demorou para que ele chegasse ao clímax, tencionando os braços e apertando os dedos no corpo dela até o momento se esvair.

Assim que pararam de se mover, sentiu o nariz do loiro bater em sua cabeça enquanto ele respirava. Ficaram ali, parados por alguns instantes, até que ele tivesse a iniciativa de sair de dentro dela suavemente, afastando-se na direção do chuveiro.

Os dedos de Gina enfiaram-se nos cabelos ruivos, afastando-os do rosto conforme ela voltava-se de frente para Draco com um sorriso travesso, como se tivesse feito alguma coisa errada. E o Malfoy sorriu ao vê-la assim, colocando-se debaixo do chuveiro e permitindo que a água escorresse dentre seus cabelos loiros.

A Weasley caminhou sorrateira até ele, encaixando-se entre seus braços ao mesmo tempo que se colocava na ponta dos pés e sussurrava no ouvido do Malfoy.

- Acho que nos atrasamos.

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Gina não sabia que Draco podia se mexer tão rápido.

Pelo reflexo do espelho, podia vê-lo correndo pelo apartamento enquanto abotoava a camisa branca. Os olhos castanhos de Gina rolaram, voltando sua atenção novamente para si mesma enquanto penteava os cabelos úmidos. Havia trocado de roupa e agora usava um vestido azul petróleo de lã que ia respeitavelmente até quase a altura de seus joelhos. Julgou que seria melhor se produzir um pouquinho, por mais que não se importasse muito com o que Narcisa ia achar da qualidade de suas roupas, se obrigou a ter algum esforço em consideração à Draco.

Novamente o viu passando pelo corredor, abotoando o relógio e indo diretamente para o banheiro.

Mais um rolar de olhos.

Foi se colocando dentro de sua meia calça preta enquanto pensava o que diabos faria com o cabelo. Não quis ir com ele simplesmente solto, pois mostrava pouca preocupação, mas também não achava que devia elaborar algum penteado só para ir até a casa de veraneio dos Malfoy. Quer dizer, não é como se fosse haver uma festa lá, era só a mãe dele.

Por fim, achou melhor só jogar de lado, como havia feito antes no espelho do elevador, e teve o capricho de utilizar um pente desta vez, para ficar com os fios um pouco mais alinhados. Um suspiro ecoou pelo quarto no momento em que Gina agradeceu mentalmente por não ser lá um evento muito corriqueiro visitar Narcisa. Merlin que lhe livrasse de ficar se embonecando toda para passar a noite sentada no sofá da sala.

- Já está pronta?

A voz de Draco lhe tirou dos pensamentos quando apareceu parado na soleira da porta, lhe encarando cheio de expectativas. Gina lhe virou um rosto de poucos amigos enquanto terminava de pentear os cabelos.

- Quer que eu vá descalça? Espera um pouco. E você esqueceu de colocar um cinto.

Imediatamente Draco baixou a cabeça e constatou que Gina estava certa. Andou correndo mais uma vez até o closet e começou a escolher entre os cintos que tinha.

Irritante.

Não conseguia mesmo entender para quê Draco fazia tanta firula, como se estivesse indo visitar a rainha da Inglaterra. Preferia muito mais seu relacionamento simples com os Weasley, podia passar o Natal até de robe que ninguém notaria.

Lançou o pente sobre a cama e girou os dedos em volta do ouvido, fazendo com que um par de brincos de bolinha se instalassem. Estava quase pronta, só faltava mesmo colocar as botas. Então se sentou na cama e ficou encarando-as com certo desinteresse. Coçou suavemente a testa ao constatar que não combinavam muito com aquele vestido, mas não tinha alternativas. Aquele era o calçado mais bem conservado que tinha, então teria que ser ele mesmo.

- Ei, Weasley.

De pronto, Gina virou o rosto na direção de Draco que lhe deu um meio sorriso, escorado na porta do closet enquanto segurava uma caixa vermelha com uma fita verde de laço no topo.

"Eba, presente!"

Um sorriso enorme habitou pelo rosto de Gina e ela correu descalça pelo chão coberto pelo tapete cinza felpudo. Parou bem à frente do loiro, que ergueu uma das sobrancelhas achando engraçado como o humor da ruiva mudava rapidinho quando se tratava de presentes.

Mesmo que não estivesse super maquiada, usasse um penteado simples e uma roupa comum, Draco a achava intensamente bonita. Não precisava de muitos recursos para ser chamativa, com aqueles cabelos de fogo e os olhos expressivos era impossível que Gina passasse desapercebida. Apreciou que, por mais que à contragosto, ela tivesse se esforçado ao menos um pouquinho para lhe agradar.

Ela lhe deu um selinho carinhoso antes de tomar a caixa de suas mãos e correr para a cama, se sentando com as pernas esticadas sobre o colchão. Foi desfazendo o nó com habilidade e Draco sentou-se ao lado dela para poder ver de perto sua reação. Era cinquenta por cento de chance de se zangar e cinquenta de adorar, qual será que iria acontecer?

Quando levantou a tampa da caixa, foi tirando algumas folhas de papel que envolviam seu presente. Então constatou que era nada mais, nada menos que um par de sapatos.

Pareciam muito com os do uniforme de Hogwarts, no estilo boneca e pretos, mas eram visivelmente melhores e mais charmosos, especificamente por um único pontinho de strass que reluzia sobre a fivela. Ela lembrou-se subitamente de tantas vezes em que seus sapatinhos plec plec os salvaram e colocaram em apuros e não pôde deixar de rir.

- Você é insuportável.

Disse virando o rosto na direção de Draco e dando mais um selinho. Sentiu-se aliviado, esperou que levaria um belo cascudo mas ainda tivera a sorte de ganhar um beijo. Gina ergueu os olhos para ele mais uma vez e sorriu.

- Seu presente está lá n'A Toca. Amanhã eu te entrego, tá bem?

- Não se preocupe com isso, sabe que eu não espero nada em troca.

A ruiva assentiu, encarando os sapatinhos e os achando um pouco mais apropriados que sua bota para fazer par com o vestido. Então decidiu calçá-los, abotoando com cuidado enquanto maneava a cabeça.

- É, eu sei, mas eu gosto de te dar presente também.

E o Malfoy assentiu suavemente, como se aprovasse a escolha dos sapatos para aquela ocasião.

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Assim que a chave de portal os deixou de frente para o jardim da casa de veraneio dos Malfoy, Gina percebeu que era muito maior do que ela esperava que seria. Quer dizer, eles haviam se livrado da mansão, mas aquela casa era praticamente uma! Não tinha nada a ver com a casa do lago que estava imaginando, era grande e tinha uma baita decoração natalina.

Apoiou-se no antebraço de Draco quando sentiu a vertigem da viagem lhe acometer e ele demonstrou suporte, embora também houvesse ficado enjoado. Julgou que por mais que se passassem anos, nunca se habitaria com aquela sensação desagradável.

Permaneceram parados ali fora alguns instantes. Draco olhava para Gina de rabo de olho e não soube dizer se ela estava se recuperando da vertigem ou se preparando para conhecer Narcisa. Os olhos castanhos oscilavam pelo jardim, entre as pequenas árvores envoltas em luzes coloridas e as renas iluminadas escondidas entre os arbustos. Lembrou-se então o motivo de gostar tanto daquele lugar, quando criança. Era muito mais acolhedor que a mansão Malfoy.

- Podemos entrar?

Perguntou suavemente para Gina, que balançou a cabeça negativamente, provocando uma risada em Draco.

- O que foi, Weasley? Onde está seu espírito grifinório? Que falta de fibra!

Gina virou o rosto na direção de Draco imediatamente.

- Olha só quem fala! Para ir na Ordem você fez todo um showzinho, imagina amanhã!

A cabeça de Draco sacudiu negativamente enquanto ele mantinha uma expressão cínica.

- Mas eu só tenho uma mãe, você tem toda uma toca me esperando, é bem diferente.

Seu cotovelo movimentou-se abruptamente na direção da costela de Draco, que se abaixou ao sentir o impacto. Encheu o peito de ar e fitou a casa com seus olhos apreensivos, dando finalmente o primeiro passo sem desgrudar os dedos do antebraço do Malfoy, como se ele fosse mesmo seu porto seguro naquele momento.

Seguiram pelo caminho entre a grama até chegarem à porta. O coração de Gina batia acelerado e seu estômago parecia frio, de puro nervosismo. Assim que atravessaram a soleira e entraram, ficou ainda mais arrependida de não ter comprado uma roupa melhorzinha.

A entrada era pela sala de estar e dava para ver que não haviam poupado despesas, desde a decoração de gesso no contorno do teto até o piso branco que Gina sabia que jamais poderia pagar por sequer uma peça daquelas. Cortinas de seda cinza nas janelas, abajures com detalhes dourados que ela quis acreditar que não era ouro e um enorme tapete desenhado no chão que faria Molly Weasley tirar os sapatos para pisar.

O queixo de Gina caiu e Draco não podia achar mais engraçado, segurando-se muito para não começar a rir da expressão embasbacada que ela mantinha enquanto seus olhos percorriam por cada detalhe da sala. Então ela aproximou-se dele devagarzinho, ainda meio anestesiada.

- Vou te dar o golpe do baú, Malfoy. Juro que vou.

E ele riu, puxando-a na direção do próximo cômodo.

- Ainda bem que você não vai conhecer os empregados, por que acho que ficaria ainda mais tentada.

Os olhos de Gina viraram-se para ele sorrateiramente.

- Empregadosssss? Com "s" no final?

Mais uma risada.

- Eu os dispensei por causa do feriado. Não se preocupe, você terá outras oportunidades.

Então ela assentiu num gesto suave com a cabeça, reparando ainda nos sofás que pareciam especialmente fofinhos e mal podia esperar para experimentá-los! Não admirava que Draco fosse nojento do jeito que era, era só olhar para aquela casa para perceber que ele estava mesmo acostumado com tudo do bom e do melhor.

No momento em que pisou na cozinha, Gina não soube para onde olhar.

Armários de madeira (e madeira da boa!), cortinas, balcão, marfim, mármore, mesa, a maior geladeira que já vira na vida! Merlin do céu, será que a de Hogwarts era daquele tamanho?

Atrás do balcão de mármore, porém, estava uma quase irreconhecível Narcisa Malfoy. E vê-la fez com que o semblante divertido de Draco praticamente morresse. Seus olhos cinzentos tornaram-se opacos ao ver a mãe que, antes era tão vaidosa, sem usar sequer um colar. Estava com um vestido vinho simples, de mangas compridas que se mantinham arregaçadas enquanto ela rodopiava a varinha, distraída, aparentemente cozinhando alguma coisa.

Contava com um avental azul preso em sua cintura, sujo de farinha assim como o restante de suas roupas. Dava para ver que se tratava de uma das tortas de maçã que ela preparava quando Draco era criança. Assim que notou a presença deles, virou o rosto na direção da porta e deu um sorriso débil.

- Draco, você veio!

Um pouco acanhado, ele deu um passo à frente e foi na direção da mãe, abraçando-a meio sem jeito. Os olhos azuis de Narcisa viraram-se na direção de Gina e ela genuinamente não parecia lembrar-se da Weasley, que sentiu-se um pouco insegura de dizer seu sobrenome. Dava para ver que havia alguma coisa diferente naquela mulher, pois não parecia a mesma que via ao lado do Malfoy no beco Diagonal durante as compras escolares.

Seus cabelos loiros e lisos estavam soltos de uma maneira que nunca havia visto antes, como se tivesse desistido deles. Seu rosto parecia cansado, por mais que estivesse sorrindo. E ela não demorou em separar-se do filho e ir até Gina com uma expressão de curiosidade, erguendo os dedos e passando nas mechas ruivas antes que a garota tivesse tempo de recuar.

- Você me lembra alguém.

Engolindo seco, Gina ergueu as sobrancelhas e tentou esconder o susto, sorrindo da forma mais cordial que conseguiu. Draco agradeceu mentalmente por Gina não ficar encolhida como um ratinho assustado e relaxou um pouco os ombros.

- P-Prazer em conhece-la, senhora Malfoy.

- É a sua namorada?

Narcisa virou o rosto na direção de Draco, que se escorou no balcão e assentiu suavemente com o rosto um pouco mais tranquilo, o que fez o sorriso da mãe aumentar. Gina ainda não sabia exatamente como se sentir e se a bruxa poderia amaldiçoa-la quando descobrisse que era uma Weasley, mas a preocupação foi se esvaindo conforme a Malfoy mostrava-se alheia à distinção pelo sobrenome.

- Adorei seu cabelo, querida! Me lembrou de alguém que eu gostava muito.

- Poxa, que bom! Fico feliz em saber.

"Tomara que ter um rosto familiar te faça gostar de mim", Gina completou em pensamento enquanto sorria, um tanto desconcertada.

- Como é seu nome, querida?

Gina prendeu o ar.

"É agora que essa torta de maçã voa na minha cara".

- Ginevra Weasley, mas pode me chamar de Gina!

Gina pensou que talvez a velocidade das palavras pudesse confundir um pouquinho a cabeça de Narcisa, mas não foi exatamente esse o caso. A mãe de Draco franziu a testa e olhou para o teto, murmurando o sobrenome "Weasley" algumas vezes. Logo em seguida, ela virou o corpo para o filho.

- Weasley... O sobrenome dela me é familiar?

Ao que Draco respondeu apenas com um suave erguer de ombros, fingindo que não sabia. Narcisa fez um movimento com a mão, descartando a ideia e foi indicando uma das cadeiras para Gina, que se sentou aliviada.

- Fique à vontade, querida.

Os olhos castanhos de Gina alcançaram Draco, que mantinha um meio sorriso triste e olhava para a ruiva como se dissesse "eu te avisei que não tinha perigo". E por um instante, o coração da Weasley se apertou, observando a bruxa terminar sua torta de maçã.

Será que ela, justamente ela, que fora responsável pela morte de Bellatrix, merecia mesmo estar naquela cadeira aguardando um pedaço daquela deliciosa sobremesa?

- Muito obrigada, senhora Malfoy.

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Já devia haver uma meia hora desde que regressaram para o apartamento, mas nenhum dos dois tivera coragem de dizer nenhuma palavra. Na verdade, era Gina que estava sem coragem de falar nada. Draco só parecia tão imerso em seus pensamentos que sequer notava os olhos aflitos de Gina lhe fitando.

Seus dedos longos se mexiam quase involuntariamente pelos cabelos de Gina, que estava apoiada em seu ombro desde a hora que se deitaram na cama, assim que chegaram. Sentir o calor dela ali era reconfortante, especialmente após o jantar.

Era tão difícil ver Narcisa daquele jeito.

Por mais que não conseguisse imaginar uma véspera de Natal mais tranquila que aquela, caso a mãe estivesse em pleno gozo de suas faculdades mentais, no fundo Draco pensava que preferia ter um baita problema com ela do que simplesmente vê-la desconexa e perdida, com a memória confusa e o semblante abalado.

E isso por que ela havia melhorado depois de sair da mansão.

Só de pensar na mãe andando perdida por aí, seu estomago revirava. Lembrava-se que ela era sua única fonte de afeto e afeição, sempre com um sorriso para lhe mostrar, um brinquedo novo na bolsa, uma receita deliciosa na manga e aqueles olhos azuis serenos e cheios de graça e compostura. Se Draco havia conseguido manter alguma parte do próprio temperamento por todos aqueles anos, a culpa era somente de Narcisa.

Ao menos a torta ainda tinha o mesmo sabor.

O que lhe tranquilizava é que Gina havia demonstrado uma incrível aptidão para lidar com aquela situação, sem fazer com que Narcisa se sentisse mal ou até que o próprio Draco pudesse ver de maneira escancarada seu desconforto. Obviamente estava cautelosa, atenta às palavras e gestos, mas se saíra muito, muito bem.

"Realmente tive uma boa impressão dela, Draco. Veja se não estraga tudo"

A mãe advertiu quando o abraçou uma última vez antes de retornar para casa. Draco remoeu o pensamento de que aquela frase jamais sairia da boca de Narcisa se ela estivesse com a consciência em dia. O que era uma pena, pois a única forma de fazê-la ver Gina além de seu sobrenome era mesmo nesta terrível situação.

Quando sentiu o olhar de Gina sobre si, ele inclinou o rosto e pôde ver que ela parecia preocupada.

- Que cara é essa, Weasley?

E ergueu as sobrancelhas, tentando fazer graça, mas Gina não riu.

- Eu sinto muito pelo que aconteceu com sua mãe.

Draco soltou um suspiro, apertando o braço em volta de Gina e erguendo os olhos para o teto. Ficou um tempo em silêncio, mexendo nos cabelos da ruiva enquanto elaborava alguma coisa para dizer.

- Ela está bem agora. Era muito pior na mansão.

- Eu nem posso imaginar.

Novamente seus olhos se cruzaram. Os de Gina ainda preocupados, fizeram com que se aproximassem um pouco mais. O nariz de Draco agora tocava a testa dela, que se apertava em seu corpo de forma gentil. Beijou suavemente a pele sardenta e fechou os olhos por um momento.

- Você se saiu muito bem, sabia? Ela gostou de você.

- E quem não gosta?

Surpreso, Draco deu-lhe uma cutucada de leve, o que a fez rir baixinho.

- Conta comigo, tá? Sempre que precisar de alguma ajuda com ela, pode contar comigo.

Ele assentiu, fechando os olhos novamente e apenas aproveitando um pouco daquele momento de calmaria. Já devia passar de meia-noite e até mesmo na rua o barulho havia silenciado. Dava agora para ouvir apenas a sua respiração e a de Gina, que fluíam descompassadas. Foi quando se lembrou.

- Feliz Natal, Ginevra.

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A Toca era quente como o Três Vassouras.

E nem tinha cereja amanteigada.

Por isso que Draco preferia ficar do lado de fora, no quintal, observando a vista bonita das árvores e colinas distantes enquanto rodopiava sua varinha entre os dedos, levemente entediado. Além do mais, ali não havia nenhum cabeça de fogo para lhe tirar o juízo, somente ele e o silêncio.

Tudo tão diferente de sua casa, tão diferente de seus natais.

Respirou fundo, sabendo que já estava do lado de fora por bastante tempo e que, provavelmente, se não entrasse logo, Gina ia ficar brava por estar fugindo da família dela. Então levantou-se do degrau da varanda e entrou na casa.

Assim que entrou ficou feliz ao dar de cara com Gina.

- Ah, aí está você!

E o segurou pelo pulso, puxando pelas escadas até seu quarto. Draco não se atreveu a questionar, apenas se deixou guiar pelos passos apressados da Weasley, que parecia entusiasmada. Era a segunda vez que entrava naquele quarto e ficou feliz de que agora não estava no meio de uma discussão.

Gina o indicou a cama e ele se sentou, observando-a abrir as portas do armário e tirar uma pequena embalagem coberta por embrulho e uma fita vermelha. Soltou um sorriso involuntário, apanhando o embrulho e sentindo o peso para tentar adivinhar o que poderia ser.

Quando Draco abriu o embrulho, viu que era uma espécie de globo de vidro, um pouco maior que o comum, sem neve ou castelos dentro, mas sim um pequeno dragão verde que voava de um lado para o outro, claramente obra de algum feitiço. E Gina sorriu, colocando as mãos na cintura.

- E ai, gostou? Deu um trabalhão para aprender!

- Foi você que fez o feitiço?!

A ruiva assentiu sorrindo e sentou-se ao lado dele na cama. Draco ainda observava o dragão, completamente admirado, o que fez Gina rir e dar-lhe um beijo na bochecha.

- Feliz Natal, Malfoy.

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Sinceramente, Draco não sabia onde estava com a cabeça quando concordara com aquilo.

Provavelmente em alguma das chantagens que Gina fazia com maestria.

- O que você acha deste vestido?

Ela surgiu pela porta do quarto, dando uma voltinha e mostrando-lhe um vestido violeta que tinha ganhado da Granger no natal. Era de gola alta e mangas compridas, mas não chegava nem até a metade das coxas e Draco se questionava sobre a lógica da moda que imaginava alguém que sentia frio somente na parte de cima do corpo.

- Não vai ficar com frio?

Os olhos de Gina rolaram, como se não fosse óbvio.

- Já inventaram a meia calça, sabia?

- Mentira. Caramba, que informação privilegiada.

Os dois se entreolharam com o mesmo olhar de deboche e alerta. Gina bufou primeiro, batendo um dos pés no chão e apontando para a peça de roupa.

- Quero saber se ficou bonito, seu idiota.

- Eu acho que seu pijama lhe cai melhor.

E Gina grunhiu, batendo o pé e voltando para o banheiro.

Foi pura conspiração dela e da Lovegood para obrigar Draco e Blaise a sair de casa naquele frio para uma festa em pleno ano novo. A pior parte é que era bem capaz do Zabini estar ansioso, se arrumando todo, pronto para cair na gandaia como se fosse uma criança recém-chegada na adolescência.

Ah, que cansativo.

De toda forma, achou que era uma boa hora para atazanar um pouco a vida de Gina, já que era por culpa dela que teria que sair. Se não fosse aquela alma grifinória comemorativa, poderia se empanturrar de doce de abóbora até a hora de dormir, mas não...

- E que horas nós vamos voltar? Não vou ter que passar a noite toda lá não, né?

- Não vem não! Não vou te falar um horário por que você vai ficar parecendo um alarme, me chamando para ir embora.

- Esse é o lance com horários, Ginevra.

Terminou de abotoar a camisa e passou os dedos pelos cabelos, tentando organizá-los, mas estava com tanta preguiça que nem se importou de ser malsucedido. Caminhou até a sala e se jogou no sofá, esperando até que Gina terminasse de se arrumar.

- Além do mais, depois seu pai fica zangado que você não vai dormir em casa.

- Se você quiser, eu posso ir.

"Não foi isso que eu disse", Draco pensou enquanto rodopiava a varinha entre os dedos. Então Gina voltou a falar, lá do banheiro, com a voz reduzida pela distância.

- Draco, eles estão quase engatando alguma coisa! A gente precisa ajudar!

- Eu sabia que era só por isso que você queria ir! A gente não precisa nada, Ginevra!

- Não seja ranzinza! Onde está sua fibra?

- Não use meus argumentos contra mim, Weasley!

Quando ela apareceu na sala ao seu lado, viu que o vestido tinha ficado mesmo muito bonito com a meia calça, mas não disse nada só para não dar o braço a torcer. O que o deixava com raiva era o jeito com que Gina sorria, como se soubesse exatamente o que passava em sua cabeça sem que precisasse dizer uma só palavra.

Ela estendeu a mão.

- Anda, vai ser divertido.

Ele aceitou.

- Eu duvido seriamente.

Estava pronto para aparatar quando Gina apoiou as mãos em seus ombros, tentando segurá-lo. Voltou seus olhos na direção dela, que ficou na pontinha dos pés para lhe alcançar os lábios e roubar um beijo. Quando agia daquela forma, com seus carinhos e sorrisos, Draco conseguia entender as formas que ela usava para lhe manipular.

O problema é que, mesmo sabendo, não conseguia evitar.

"Por que te amo, sua maldita Weasley chantagista", concluiu quando abriu os olhos e a viu sorrindo.

- Vamos, Malfoy! Caso cinquenta galeões que vai rolar um beijo hoje!

Riu.

- É fácil apostar quando se tem informações privilegiadas, não é Weasley?

- Me fala você, não é assim que você faz?

E aparatou.

- Ah, maldita!

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N/A:

Agradecimentos:

Pessoal, é isto. Chegamos ao final após três anos.

Sei que deve ter sido chato para vocês em todas as vezes que eu sumia e não dava sinal de vida e quero me desculpar de coração por isso, se eu tivesse um pouquinho de vergonha na minha cara, isso aqui já estava terminado há muito tempo. Não que isso sirva para me tirar a culpa, só que as vezes a vida da gente acontece e nos tira do eixo. Demora até que a cabeça volte para o lugar, não é? Acho que foi um pouco disso que aconteceu comigo.

Vocês acompanharam um trecho do meu namoro, meu casamento e até a adoção do meu primeiro dog (que tá super me irritando agora por que ele fica pulando na cama que nem criança, mas ok hahaha). Só tenho a agradecer pela companhia deliciosa e pelas amizades que fiz aqui (oi Rê! S2). Com certeza este foi meu maior projeto dentro de Fanfics e estou orgulhosa dele.

Acho que podia ser melhor? Acho. Mas a Carolina de 2017 fez o melhor que podia para escrever e estou orgulhosa que tenha digivolvido para essa Carolina de 2020 que conseguiu finalizar esse projeto.

Preciso agradecer ao meu marido, que ficou me ouvindo elaborar essa saga inteira em 2017 e ainda me ajudou a pensar em alguns detalhes, por mais que ele não seja fã de fanfics. Foi uma das maiores provas de amor que eu recebi na minha vida hahahahaa não que ele vá vir aqui e ler isso, mas enfim, um agradecimento especial para ele =)

Logo em seguida para Gi (a primeira a acompanhar essa bagunça que é essa fanfic hahahaha) que me incentivou muito com seus comentários, teorias e me fez dar muita risada durante todo o processo. Quando a chegou então, criamos um grupo de comentários sobre o capítulo e nossas impressões sobre Hogwarts! Hahahaha, meninas, essa fanfic não teria sido a mesma para mim se não fosse por vocês. Obrigada de coração por todo o tempo que dedicaram, pela paciência e carinho com a Conluio. Vocês fizeram parte desse projeto comigo e sou muito, muito grata pela parceria! Espero vê-las por aí, caso eu volte com mais alguma fanfic =)

Um abraço especial para a Ania também, que faz umas fanfics tão incríveis (e eu preciso ir lá me atualizar, inclusive. Não te esqueci não, viu, mulher! To indo lá logo mais!) Seu jeito de ver o Draco e a Gina me ajudaram a clarear muitas coisas em meus pensamentos e até hoje ainda acho que sua ideia de escrever A Promessa FOI GENIAL. Tira patente, viu? Ficou incrível!

Outro super abraço pra Grazy, pra Bella e pra Cassiopee. Muitas vezes os reviews de vocês me deram uma bateria nova para escrever, me animaram e foram fundamentais para não desmotivar e continuar escrevendo. Não tenho como agradecer à dedicação e ao carinho de vocês. Meu mais sincero obrigada! Adorei conhecer um pouquinho de vocês nas reviews, valeu mesmo por partilharem um pouquinho de suas vidas comigo! Beijos, meninas!

Também gostaria de agradecer a Rosalind 67, Kait Weasley e Lika Slytherin pelos comentários e ânimo para continuar durante esses últimos capítulos! Muito obrigada pela coragem de ler mais de 40 capítulos e fazerem-se presentes aqui, comentando sempre! Fiquei muito feliz de tê-las aqui, espero encontra-las por aí mais vezes =D

E é isso, pessoal! Me perdoem se eu esqueci de mencionar alguém, mas é que dessa vez realmente bastante gente apareceu por aqui para me deixar felizinha! Muito obrigada a todo mundo, inclusive para as que acabaram chegando já por agora, no finalzinho da Fanfic. Muito obrigada por todas as reviews, eu faço questão de ler todas e juro que fico toda emocionada, com cara de idiota, olhando para tela do computador.

Foi incrível!

Mais de 210 comentários, eu não poderia estar mais feliz!

Fiquem ligadas, viu? Vem surpresa por aí!

Um grande beijo a todas, estou meio emotiva aqui e não tô conseguindo soar muito animada hahahahaha.

Até a próxima! =*