Dragon Ball não me pertence.

CAPÍTULO 26

A casa no meio da floresta

Ele respirou profundamente uma, duas, três vezes. Parecia um adolescente prestes a pedir a primeira namorada para sair e ele se odiava por isso. Insegurança era algo que, definitivamente, não combinava com o estilo de Vegeta, mas era impossível não sentir aquela sensação estando prestes a falar com ela, afinal, ele sabia que a chance de levar um "não" monumental era talvez, na melhor das hipóteses, de nove em dez.

Contudo, ele era um sayajin e um sayajin não foge à luta jamais. Tomou coragem, e já se levantou o punho fechado para bater na porta quando a mesma abriu-se sozinha.

Então, com o punho erguido no ar ele olhou para baixo e vislumbrou quem abrira a porta, Trunks o olhava interrogativo.

— Papai, por que estava aí há um tempão do lado de fora da porta sem bater? Senti o seu ki. - Trunks indagou olhando para Vegeta. Imediatamente a face do rei se tingiu de carmim. Por que aquele menino dizia aquelas coisas constrangedoras? Ele se perguntava enquanto observava Bulma de pé dentro do quarto olhando para os dois.

— Eu estava atendendo uma chamada no scouter. - Vegeta mentiu embaralhado, baixando o olhar para o filho de forma que não encarasse Bulma que estava olhando para os dois.

— Ah, tá certo. - Trunks respondeu convencido. - Mas o que queria, papai, veio me ver? - ele indagou animado.

— Não, vim ver sua mãe. - Vegeta disse levantando o olhar novamente para Bulma. - Tenho umas coisas para conversar com ela.

— Ah, tá... - Trunks disse entendendo. – Pois, pode ficar, eu já estava indo mesmo ao conservatório. Tio Tarble vai tocar hoje à tarde enquanto a gente joga trickster. - o menino disse já se dirigindo para a saída do quarto e passando pelo pai.

Vegeta ficou calado olhando Bulma quando ficaram a sós, meio paralisado, ele nem sabia por onde começar, sua sorte foi que ela falou primeiro.

— Então, a que veio? - Bulma perguntou também embaraçada, lembrando do beijo que haviam dado aquela manhã, por isso manteve uma distância de segurança do ex-amante. - Encontraram alguma pista da Maron?

— Nada ainda. - Vegeta respondeu sério. - Mas vão continuar procurando a vadia...

— Engraçado ouvir você a chamando ela assim. - Bulma não se conteve. - Ela foi sua esposa e seu caso por tantos anos... – disse irônica.

— Isso por que eu era um estúpido. - ele disse sem hesitar, surpreendendo Bulma que arregalou os olhos

— Bem, se não era isso... - ela continuou sem jeito. - Então o que quer?

Foi a vez de Vegeta ficar nervoso novamente

— Quero levar você a um lugar essa tarde. – ele falou meio inseguro.

— Que lugar? - Bulma indagou temerosa.

— Bem, eu não sei exatamente onde fica... - ele recomeçou. - Mas é uma casa, uma casa na floresta vermelha, nos bosques atrás da mansão.

— Você quer me levar para uma casa na floresta que não sabe direito onde fica? - Bulma observou desconfiada. - E o que lhe faz achar que eu aceitaria tal convite?

— Por que a casa aonde vamos, a casa que vamos procurar, é um lugar que meu pai me falou quando eu era criança. Ele disse que era uma casa construída pela mamãe. - Vegeta explicou nervoso. - E achei que seria uma boa ideia conhecê-la. Afinal, não temos nada para fazer mesmo por aqui a não ser ouvir Tarble tocar aquelas músicas horríveis ou jogar trickster com os paspalhos... quer dizer com seus amigos. – ele corrigiu-se rapidamente.

Bulma pensou sobre aquela proposta achando realmente estranha. O que Vegeta queria afinal lhe convidando para ir para o meio da floresta com o pretexto de visitar algo construído por sua mãe? Ela desconfiou do pretexto, mas logo pensou que pudesse estar sendo dura demais com o irmão adotivo. Ela sabia o quanto Vegeta venerava a mãe morta, e se essa casa existisse, ele com certeza ia querer conhecê-la. Então, mesmo sabendo que estava se aproximando dele mais do que era seguro, afinal teria que fugir mais cedo ou mais tarde, Bulma cedeu à curiosidade e tentação.

— Está bem, eu vou. - ela respondeu séria. - Mas, sem gracinhas, entendido? - alertou enquanto ia até o armário onde pegou uma mochila e colocou algumas cápsulas.

— Você sabe que não sou de fazer gracinhas. - Vegeta retorquiu enquanto cravava os olhos no short de Bulma quando ela estava abaixada pegando cápsulas que caíram no fundo do armário.

— Bem, - ela disse quando pegou o que queria. - Suponho que vamos a pé não é mesmo? – indagou pegando um par de botas cano curto e calçando. Depois, pegou um casaco vermelho e vestiu sobre a camiseta branca sem mangas. - Vamos?

Vegeta não disse nada, apenas seguiu Bulma que saiu na frente. No caminho para a saída da mansão, eles encontraram Marvin e Vegeta avisou o capitão sobre para onde estavam indo.

Quando saíram pelos jardins dos fundos da mansão, Bulma pôde ver ao longe o paredão de árvores de tronco avermelhado que anunciava a orla da floresta.

— Faz muito tempo desde que eu entrei nessa floresta. - ela comentou caminhando ao lado de Vegeta rumo a orla.

— Sim, faz mesmo. - Vegeta concordou enquanto olhava o céu. O firmamento estava coberto de nuvens brancas e algumas nuvens escuras aquela tarde, o tempo nublado deixava tudo muito triste. Ele continuou caminhando em silêncio ao lado de Bulma até chegarem a orla, lá tirou um pergaminho velho e amarelado do bolso.

— O que isso? - Bulma indagou aproximando-se quando ele abriu o pergaminho. - É algum tipo de mapa?

— Sim, é um mapa feito pela mamãe. - Vegeta explicou. - Está vendo esse ponto azul? - ele disse apontando no mapa. - é a mansão. - Essa linha é a orla da floresta onde estamos agora. E esse ponto roxo um pouco ao norte é casa que ela construiu.

— Fico impressionada que mamãe tenha construído uma casa sozinha dentro da floresta. - Bulma refletiu.

— Mamãe era uma grande sayajin. - Vegeta disse fechando o mapa. - Vamos fazer o seguinte: caminharemos pro norte no sentido do rio já que a casa fica próximo a ele. Isso deve levar uma hora, duas no máximo. Quando chegarmos lá, conhecemos a casa e eu registro a latitude e longitude exata de onde ela está, pois quero transformar o lugar em um local de preservação. Depois, voltamos. Devemos estar de volta no início da noite.

— Você não podia teletransportar a gente de volta? - Bulma indagou acompanhando Vegeta que entrava na floresta. -Vai ser muito cansativo andar tudo isso de volta.

— Preguiçosa... - Vegeta zombou. - Eu não posso me teletransportar a partir da floresta por que eu não conheço o rumo exato, nós poderíamos nos teletransportar de volta em cima de uma árvore e não seria bom... Mas eu trago você voando. - ele resolveu.

Bulma estremeceu. Pensar que voaria nos braços de Vegeta novamente fazia seu coração despencar até o estômago. Era ao mesmo tempo fascinante e aterrador.

Então, eles caminharam. Caminharam pela mata fechada e silenciosa por quase uma hora. Os únicos sons que ouviam eram o pio das corujas ou algumas trovoadas ao longe. O tempo nublado deixara a floresta escura quase como se fosse começo de noite. Vegeta ia na frente, abrindo caminho entre galhos e arbusto, Bulma o acompanhava de perto, horrorizada ao lembrar que haviam mastodontes e tigres dente de sabre naquela floresta, e embora soubesse que Vegeta poderia matá-los com um só dedo, ela temia que ele não pudesse fazer isso se ela fosse abocanhada de uma vez por algum bicho daqueles.

Em determinado ponto, um arbusto mexeu-se ao lado da cientista.

— Ahhhhhhhh! - Bulma gritou ao mesmo tempo que encolhia-se segurando o braço de Vegeta, o rei levou um baita susto pelo grito da mulher.

— O que foi? - ele indagou nervoso.

— ALI! - Bulma disse encolhida com medo apontando para um arbusto que se mexia. - TEM ALGUMA COISA ALI! – disse apavorada.

Vegeta olhou para o arbusto e sentiu o pequeno ki do animal que estava atrás dele.

— Não é nada. Pare de agir como uma menininha! - ele ralhou com a cientista enquanto ia até o arbusto e se agachava procurando algo entre as folhas.

— M-mas, mas eu sou uma menina! - Bulma disse indignada ainda encolhida contra o tronco de uma árvore.

— É só uma lontra, mulher. - Vegeta falou ao tirar o pequeno animal de dentro da mata e mostrá-lo para Bulma.

Bulma relaxou e se aproximou para olhar o bichinho.

— Mas e se, e se fosse um mastodontes ou um tigre dentes de sabre? - ela perguntou indignada enquanto Vegeta soltava o bichinho que correu de volta pro arbusto.

— Eles não estão nessa parte da floresta. - Vegeta explicou calmamente voltando a andar. - eles estão do outro lado do rio, onde acampamos daquela vez. Não precisa dar chiliques por causa disso. - falou maldoso.

— Mas eu não dei chilique! - Bulma replicou irritada.

— Deu sim, - Vegeta disse severo sem olhá-la, agora vamos seguir por que eu estou preocupado com o tempo. - disse enquanto olhava para cima, observando o pequeno pedaço do céu entre as árvores. As nuvens estavam cada vez mais escuras.

Eles voltaram a caminhar, Bulma agora mais relaxada ao saber que a floresta não estaria infestada de bichos perigosos e quando ela quase ira reclamar que já haviam andado demais, Vegeta apressou o passo, ela olhou para frente e percebeu que havia uma clareira.

Bulma andou mais depressa e acompanhou Vegeta, quando chegou à clareira, o ex-amante estava estático admirando a pequena casa de madeira a sua frente.

— Uma casa na clareira... - Bulma disse emocionada ao ver o lugar, lembrando-se de sua própria casa destruída. - É linda!- exclamou observando a pequena habitação. As paredes haviam sido construídas com troncos de árvores e o telhado era coberto por algum tipo de palha que parecia bastante resistente. Havia uma pequena janela fechada na frente, ao lado da porta. Uma pequena chaminé estava empoleirada em um dos lados do telhado.

Vegeta tomou a frente e caminhou até a porta, tirou do bolso algo parecido com uma antiga chave de ferro e abriu-a. Bulma o seguiu. Em poucos instantes estavam dentro do cômodo escuro.

Ela ficou um pouco desorientada na escuridão, mas logo essa foi quebrada quando Vegeta acendeu a pequena lareira de pedra com uma rajada de ki.

Bulma olhou em volta. A casa era um pequeno cômodo único um pouco maior que seu quarto na mansão, havia uma portinha na outra extremidade e ela abriu-a. Era um pequeno banheiro. Na frente da lareira havia um grande tapete que nada mais era que a pele amarela de um tigre dentes de sabre. A cabeça estava conservada. Havia uma pequena mesa com duas cadeiras perto da janela fechada e uma escrivaninha. Bulma deixou sua mochila sobre a mesa enquanto olhava a escrivaninha. Lá havia alguns livros infantis e ela pôs se a folheá-los, pois Vegeta havia saído da casa. Foi quando abriu um livro cheio de ilustrações sobre uma garota e uma floresta que um velho papel amarelado caiu, Bulma abriu-o e leu.

Queria Mélory,

Espero que goste da casa que construí para você. Essa é melhor e mais segura que aquela que meu amigo Vegeta destruiu. Gostaria de estar aí quando você chegar, mas tenho que voltar para o Distrito, parece que algo aconteceu com papai.

Aproveite bastante.

Amor, Bardock

Bulma terminou a leitura perplexa. Difícil acreditar que aquela caligrafia infantil pertencera ao ex-general Bardock. Mas, por que ele fez uma casa para sua mãe adotiva? Ela não entendeu.

— O que está vendo? - Vegeta indagou quando voltou pela porta trazendo algumas toras de madeira frescas.

— Não é nada. - Bulma disse quando dobrou rapidamente o papel e escondeu dentro do livro. Não achou bom que Vegeta visse aquilo, poderia lhe levantar suspeitas que ele não merecia ter. - Eu estava vendo esse livro, parece que foi comprado na Terra. - ela disse olhando uma etiqueta dentro da capa - e dado a sua mãe por um tio dela.

— Sim, - Vegeta explicou enquanto arrumava as toras ao lado da lareira. – foi um tio dela que a criou. Dizem que tinha o humor parecido com o meu. - falou com um meio sorriso. - Deveria ser um velho esperto...

— Esse livro parece muito interessante. - Bulma disse folheando-o e cuidando para que a carta não caísse dele, viu até que tinha mais outros papéis dentro do livro. - É sobre uma garota que vai para um lugar chamado OZ. Eu gostaria de ficar com ele. Algum problema pra você?

— Não, nenhum. - Vegeta disse indo até a mesa e sentando-se. Desencapsulou algo que parecia um pequeno computador e ligou, depois, pôs-se a digitar.

— O que está fazendo? - Bulma perguntou aproximando-se e guardando o livro na mochila.

— Estou tentando gravar as coordenadas exatas desse lugar, eu lhe disse que esse era meu objetivo aqui. - ele falou concentrado enquanto usava um programa de posicionamento global.

Bulma ficou realmente surpresa, registrar o lugar era mesmo o objetivo da viagem e ela que achava que ele estava procurando um pretexto para ficarem a sós.

— Maldição!- Vegeta exclamou irritado. - Essa porcaria de programa só dar erro.

— Me deixe tentar. - Bulma pediu sentando na outra cadeira. - Antes que você quebre o computador.

— Fique a vontade. - Vegeta disse virando a tela do computador para o lado da cientista.

Bulma entrou no programa que conhecia, procurou a casa e em questão de minutos registrou o lugar no programa, anotando as coordenadas em um papel que tirara da mochila e entregando a Vegeta.

— Coloque essa localização em sigilo. - Vegeta mandou enquanto Bulma trabalhava. - Não quero que conheçam a casa ainda.

— Ok, estou fazendo... - Bulma disse concentrada e Vegeta ficou embasbacado olhando-a trabalhar. Era maravilhoso a forma como ela fazia.

— Pronto. Terminei. - Bulma disse instantes depois tirando Vegeta do transe. - E agora?

— Agora vamos voltar, - ele disse levantando-se.

Contudo, como uma força divina, no instante em que Vegeta levantou-se um ensurdecedor trovão foi ouvido, e depois dele o barulho de grossos pingos d'água que batiam contra o telhado.

— Droga, essa não! - Bulma disse levantando-se da cadeira, alarmada. - chuva?

— E não parece pouca. - Vegeta exclamou indo fechar a porta da frente.

— E agora? - Bulma perguntou aflita. - Vamos ter que voltar nessa chuva?

— Na chuva nós não vamos voltar. - Vegeta disse incisivamente. - Lembra da última vez que você tomou uma chuva em Vegetasei? - ele indagou lembrando do episódio onde a menina quase falecera de uma pneumonia após um acidental banho de chuva. – A chuva desse planeta é veneno para seu sistema imunológico frágil. Lembro bem que os médicos do castelo disseram isso.

— E então, vamos esperar aqui? - Bulma indagou nervosa.

— Não, vou me comunicar com a mansão e pedir um aerocarro. - Vegeta disse calmamente tentando ligar o scouter. - Diabos, por que não dá sinal? - indagou irritado.

— Ás vezes, as chuvas torrenciais quebram toda a comunicação aqui no planeta, lembra? - Bulma perguntou como se fosse óbvio. – E isso pode acontecer principalmente aqui na floresta com toda a interferência das árvores. - Você poderia ir voando pedir ajuda e eu espero aqui, acho que é o único jeito. - Bulma sugeriu.

— E deixar você aqui sozinha perto do rio? - Vegeta indagou como se ela tivesse dito algo estúpido. - Vê essas marcas nos móveis e nas paredes? – perguntou mostrando as marcas. - Se o rio subir enquanto eu não estiver aqui? Não vou arriscar.

— Então vamos esperar aqui parados? - Bulma indagou chateada. - As chuvas em Vegetasei duram dias.

— É, mas essa não vai durar muito. - ele falou com segurança, até por que tinha previsto a chuva que cairia e prenderia Bulma ali com ele. - A temporada chuvosa ainda não começou, essa chuva vai durar apenas algumas horas... - disse despreocupado.

— Então, o que faremos? - Bulma perguntou atordoada.

— Vamos sentar e esperar. - Vegeta disse despreocupadamente sentando-se novamente à mesa e desencapsulando uma toalha, depois alguns pratos e talheres e por fim vários pratos de uma refeição que estavam cuidadosamente cobertos com papel filme.

Bulma olhou perplexa aquilo e desconfiou instintivamente.

— Vegeta, você não planejou tudo isso? Planejou? - ela perguntou zangada. - Por que se isso tudo foi armado eu juro que...

— Como eu posso ter planejado isso, mulher? - Vegeta replicou calmamente servindo-se de comida. - Você me culpa por tudo, eu sou culpado até pela chuva agora? Eu só trouxe a refeição por que achei que teria fome. Você não?

Bulma sentiu o estômago roncar baixinho. Ela tinha comido muito pouco aquele dia por conta dos enjoos e estava realmente faminta. Convencida, sentou-se novamente à mesa. Nem observou o sorriso de canto que Vegeta lançou ao olhá-la.

Kakkarotto amassou a edição vespertina do "The Moon" depois de ter lido a mesma notícia quase uma centena de vezes. Aquela notícia o deixou preocupado com Bulma por ela ter sido exposta daquela maneira, e apesar de Vegeta estar sendo, finalmente, responsabilizado pelo que tinha feito, o sayajin não conseguia sentir-se feliz, no fundo, ele tinha pena pelo ex-amigo, principalmente depois da noite anterior quando tinha visto o rei na TV assumindo sua culpa. Ele tinha que admitir, Vegeta podia ter sido um grande bastardo, mas demonstrava honra e fibra moral.

"Honra" uma palavra que Kakkarotto remoía cada segundo nos últimos dias junto com o sofrimento e desengano de ter sido abandonado por Bulma. Ele estava trancado no quarto há três dias do mesmo modo que ela o deixou quando saiu. Levantara poucas vezes para ir ao banheiro e só comia por que Nadesna lhe trazia as refeições regularmente. Aliás, comer era uma definição muito forte, ele apenas beliscava e só sabia do que estava acontecendo no mundo pelo que a serviçal vinha lhe informar, como o jornal em suas mãos ou a confissão de Vegeta na TV.

Nadesna não deixara seu filho entrar no quarto, não queria que Goten visse o pai naquela situação, e isso ele achava até bom, pois sentia-se derrotado e sem saber o que fazer. Perder o título de general e a patente de guerreiro o haviam despedaçado e as palavras escritas naquele bilhete de Bulma haviam lhe dado o golpe de misericórdia.

A verdade é que o outro super sayajin da raça estava definhando.

E quando o céu escureceu e começou a chover naquela tarde, tudo parecia ainda mil vezes mais triste, mil vezes mais desesperador. Kakkarotto fechava os olhos desesperadamente procurando um sono que não vinha, por que dormir ultimamente era seu único consolo. Contudo, ele imediatamente desistiu da ideia quando a porta bateu.

— Nadesna, se veio me trazer outra proposta de emprego, repita que eu não estou procurando nada. - ele disse sem se virar para olhar a serviçal. - E se for novamente falar dos jornalistas, diga que eu quero que aqueles abutres se explodam.

— Senhor, eu não vim pra isso. - Nadesna falou calmamente enquanto depositava uma bandeja com várias frutas, sucos e pães sobre a mesa de cabeceira. - Mas já que tocou no assunto, o rei Ferrar do planeta Kriskon enviou uma proposta para liderar o exército dele, assim como o rei Laster do planeta Yoros. Vou juntar as propostas deles com as outras dezessete que recebi hoje, caso queira vê-las outro dia.

— Nadesna, eu não me lembro de você falar tanto. - o ex-general disse irritado olhando para a mulher que estava de pé ao lado da cama dele, olhando-o com um olhar doce e uma postura firme.

— Senhor, eu estou tendo que tomar as rédeas dessa casa e dessa situação desde que o senhor resolveu ficar preso nessa cama como um trapo velho. - ela disse com sinceridade. - Não tenho mais tempo para ficar bancando a servil agora que estou sendo pai e mãe para seu filho.

— Goten? - Kakkarotto indagou preocupado. - Ele está bem?

— Não graças ao senhor. - Nadesna retorquiu severamente, mas mudando a expressão para preocupada ao olhar o estado do patrão. - Senhor, precisa sair dessa cama, precisa enfrentar a vida! Por Kame! O mundo não vai parar de girar esperando o senhor se reconstruir desse baque. Seu filho precisa do senhor, NÓS precisamos! - ela disse sem conter a emoção. - Olhe, eu trouxe comida. - falou mais calma. - Tente comer de verdade dessa vez.

Kakkarotto olhou a bela bandeja de comida e sentiu o estômago roncar. As palavras da serviçal pairavam em sua cabeça.

— Senhor, ficar aí sentado não vai mudar nada do que aconteceu... - ela disse por fim.

— Tem razão, Nadesna. - Kakkarotto disse tentando convencer-se, pegando a bandeja da mesa de cabeceira e colocando sobre seu colo. - Tenho que reagir. - ele disse mais para si do que para ela. - Pode fazer algo por mim?

— O que quiser, senhor. - Nadesna falou mal acreditando na reação dele.

— Prepare um banho, por favor.

— Sim, senhor. - Nadesna disse prontamente indo até o banheiro do quarto do general.

Kakkarotto comeu com gosto, limpando tudo o que tinha naquela bandeja em questão de poucos minutos, parecia que fazia séculos que não provava nada. Mal ele terminara a última fruta, Nadesna reaparecia no quarto.

— Seu banho está pronto, senhor. - a moça disse eficiente.

— Obrigada, Nadesna. - Kakkarotto agradeceu enquanto levantava-se e cobria-se apenas com um lençol.

— De nada. Espero que se sinta melhor, senhor. – Nadesna disse e já ia saindo do quarto quando o sayajin foi até ela e segurou-lhe o braço.

— Nadesna, sabe fazer massagem? - Kakkarotto perguntou de repente. - sinto cada músculo de meu corpo tensionado. - falou sincero.

— S-Sei, senhor. - Nadesna respondeu um pouco nervosa pelo contato tão próximo com o general.

— Se importaria de fazer massagem nas minhas costas enquanto estou na banheira?

— C-Claro. – Nadesna respondeu corando furiosamente.

Ela o acompanhou até o banheiro e de costas esperou o general entrar na banheira coberta por sabão. Foi até a pia e pegou um óleo aromático, depois, sentou-se na borda da banheira, colocou um pouco de óleo nas mãos e pôs-se a massagear os ombros tensionados do ex-general.

Kakkarotto mantinha os olhos fechados e Nadesna passou a massagem dos ombros para o pescoço e depois para os braços, fazendo o general relaxar completamente.

Nadesna se viu dentro de algum de seus muitos sonhos e mal podia acreditar que, naquele momento, era a dona do corpo dele. Ela estava quase em transe de tanta felicidade, estava adorando tocar na pele da pessoa com quem ela sonhava a tanto tempo.

— Eu agradeço por se preocupar comigo, Nadesna. - Kakkarotto disse de repente, ainda de olhos fechados. - Acho que se não fosse pelas suas palavras eu ainda estaria sentado naquela cama. – o general confessou enquanto sentia-se totalmente relaxado e inebriado pelo cheiro doce do óleo que as mãos delicadas de Nadesna passavam em seu corpo.

E ele não soube se foi pela situação em que estavam ou se pela grande falta que ele sentia no momento, mas a verdade é que o toque dela em seu corpo o estava deixando mais excitado do que devia, e naquele momento, ele não sentia vontade nenhuma de deixar de lado a excitação que sentia.

Então, ele pegou o braço da serviçal quando sua mão passava novamente pelo ombro dele. Nadesna se assustou, e Kakkarotto virou-se para olhá-la.

Ela o olhou com os olhos arregalados e Kakkarotto apenas observou como nunca tinha olhado aquela mulher de perto. Os olhos negros profundos e os cabelos negros, embora presos em um coque, caíam esparsos no rosto de forma natural e bonita.

Ele aproximou mais o rosto do dela, observando os lábios agora trêmulos da mulher. Ela não se afastou, pelo contrário, ele observou que ela estava com a respiração quase ofegante.

Então, finalmente ele se aproximou totalmente e tomou a boca dela em um beijo que foi quase imediatamente retribuído.

Nadesna, embora, estupefata por estar beijando o general, não sentiu medo e levou as mãos embebidas de óleo ao redor do pescoço dele. Com facilidade ele a trouxe da borda para dentro da banheira molhando completamente o uniforme preto de duas peças. A água molhou o uniforme deixando bem delineada cada curva delae e Kakkarotto ainda beijando-a, levou uma das mãos para dentro da blusa da serviçal sem nenhum pudor, arrancando-lhe os botões. A saia dela já estava muito acima das coxas, levantada pelas mãos do sayajin que a colocava sobre seu colo.

Ele abriu a camisa dela completamente e arrancando-lhe o sutiã, levou os lábios ao seios de mamilo rosado e ela gemeu completamente perdida no que estava acontecendo, sem oferecer nenhuma resistência, nada que pudesse fazer o ex-general parar o ato que estava prestes a consumar.

Kakkarotto sentia uma necessidade selvagem. Uma necessidade como raras vezes sentira na vida, algo para preencher o vazio que ele sentia. E foi essa necessidade que o fez rasgar a saia de Nadesna e posteriormente a pequena peça íntima que havia por baixo. Então, Kakkarotto a levantou e com a ajuda de Nadesna, encaixou-se no corpo dela.

Então, sem pensar em mais nada, apenas guiado pelos gemidos da sayajin, Kakkarotto continuou o movimento sentindo a onda de prazer cada vez mais próxima chegando ao ápice em poucos minutos, escutando apenas os gritos da mulher que também chegara ao clímax.

Quando seu corpo se acalmou, Kakkarotto não soube o que dizer, não conseguia nem abraçar a mulher sobre seu peito.

Foi como se o imenso vazio houvesse voltado novamente.

— Foi... maravilhoso, senhor. - ele ouviu a voz arfante de Nadesna enquanto olhava pelo basculhante da janela a chuva que caía lá fora.

— Nadesna, é melhor você ir. - Kakkarotto disse vendo que a mulher se aconchegava mais em seus braços. Estava muito confuso com que havia feito.

Nadesna ficou rígida imediatamente. Finalmente, se tocando que seu sonho terminava ali.

— S- Sim, senhor. Me... me desculpe. - ela disse se levantando rapidamente deixando a mostra o belo corpo e os longos cabelos negros e lisos que Kakkarotto jamais havia reparado, pois estavam sempre presos em um coque.

— Nadesna, espere... - ele pediu pegando a mão da serviçal assim que ela saiu da banheira. Queria dizer alguma coisa, se desculpar, dizer que sentia muito, mas não queria humilhá-la.

— Eu não quis usar você. – ele falou encarando-a. - entende isso?

— Sim, senhor. Eu entendo. - Nadesna respondeu com firmeza, aliviada por ele tentar fazer daquilo o menos constrangedor possível. - Eu concordei. - ela disse seriamente. - E se isso serviu para deixar o senhor melhor, eu não me arrependo, por que também gostei.

Kakkarotto ficou impressionado com a afirmação da garota sem entender o que ela queria dizer com aquilo.

Nisso, Nadesna soltou a mão do patrão e pegou um dos roupões que estavam em ganchos na parede, cobrindo-se com eles.

— Posso preparar o jantar para o senhor lá embaixo? - ela perguntou torcendo os cabelos molhados tentando manter a naturalidade. - Goten está ansioso para vê-lo.

— S-sim, p-pode. - Kakkarotto disse meio atônito pelo modo como a garota estava lidando com a situação.

— Que bom, vou avisá-lo. - ela disse quase saindo do banheiro, mas antes disso estacou e retornou.

— Senhor, há uma coisa que não lhe contei sobre o dia em que saí com Lady Bulma. - Nadesna começou sentindo uma necessidade imensa de ser sincera com ele naquele momento.

— E o que é, Nadesna? - Kakkarotto perguntou sentindo o estômago revirar ao ouvir o nome da ex-amante.

— Ela... ela estava comprando testes de gravidez. - contou séria e Kakkarotto sentiu imediatamente o coração descompassar.

Fazia duas horas que chovia. Trunks já estava impaciente dando voltas e mais voltas na grande e luxuosa sala da mansão. Todos os hóspedes estavam ali. Alguns jogando trickster, outros lendo em frente a lareira acesa, ou conversando próximo as altas janelas de vidro que eram fustigadas pela chuva torrencial que caía lá fora.

— Eu vou atrás do papai e da mamãe! - o menino disse por fim muito agitado.

— Trunks, tenha paciência. - Tarble pediu do sofá onde estava deitado lendo com Ângela. - Eles logo estarão de volta.

— Mas faz horas que eles saíram! - o menino disse exaltado. - E se tiver acontecido algo com a mamãe? - ele perguntou nervoso.

— Seu pai estará lá para protegê-la. - Gohan falou calmamente enquanto jogava trickster em uma mesinha com Videl.

— E se ELE fizer algo com a mamãe? - o menino indagou arrancando um olhar preocupado e nervoso de todos. Ninguém soube o que dizer.

— Escute, menino. Já está mais do que na hora de confiar no seu pai. - Marvin disse severo se aproximando do pequeno. - Ele está em uma casa na floresta com sua mãe e sabe muito bem o que está fazendo. - Marvin explicou parte do plano que Vegeta lhe contara na hora do almoço. - então fique na sua que pela manhã eles estarão de volta sãos e salvos.

Trunks olhou para Marvin fungando de raiva pelo modo que o capitão falou, mas o menino não podia negar que o capitão estava certo.

— Marvin, não precisa ser tão duro com o menino. - Pirza ralhou indo até os dois e abraçando Trunks.

— São ordens do pai dele, meu amor. - Marvin disse severo enquanto recebia um olhar superior de Trunks que tinha a cabeça recostada sobre o colo de Pirza.

— Sim, mas não precisa ser tão duro, - Pirza retrucou ainda abraçando o garoto. - Trunks é um bom menino. E querido, - ela falou olhando para Trunks. - Se não quiser dormir sozinho, pode ir dormir com a tia Pirza hoje a noite. - a mulher falou carinhosa fazendo Marvin lhe lançar um olhar de repreensão.

— Claro, tia Pirza. - Trunks falou abraçando-a novamente enquanto olhava novamente debochado para o impotente capitão. Estava se divertindo tanto com aquilo que até já esquecera a preocupação com os pais.

Bulma havia terminado o jantar e deitou-se sobre o grosso e felpudo tapete de peles em frente à lareira. Pegou o livro que fora de sua mãe adotiva tendo o cuidado de tirar os papéis que tinha dentro dele e pôs-se a ler. Enquanto isso, Vegeta estava sentado à mesa com os braços cruzados apenas olhando a parede escura à sua frente.

E quando deu a terceira hora dessa situação, tendo Bulma terminado de ler o livro sobre a menina Dorothy que se perdia no mundo de Oz, ficou realmente com pena de Vegeta sentado naquela cadeira dura de madeira. Ela já estava convencida que teriam que passar a noite ali e sentiu muita pena de deixá-lo ali naquela cadeira e com frio, já que o único lugar aquecido na cabana era o tapete de frente a lareira.

— Vegeta, - ela chamou um pouco nervosa após guardar o livro na mochila. - Por que não vem aqui para frente da lareira, tem lugar pra dois e deve estar frio aí.

Bulma não viu o olhar de vitória que Vegeta lançou e seu sorriso no canto da boca, pois ele estava sentado de costas para ele. O rei sabia que o coração da cientista se amoleceria, se fazer de "coitadinho" era uma estratégia que ele nunca usara antes, mas que agora sabia que funcionava.

— Eu estou bem aqui. - ele respondeu sério, queria ser adulado.

— Vegeta, deixa de ser orgulhoso! Está frio pra caramba aí. - Bulma protestou. - Esse tapete é bem grande, cabe nós dois.

— Está bem, está bem... - ele disse ao se levantar. - Mas só por que você insistiu. - Falou ao ir até o tapete e sentar-se ao lado dela. Estava comemorando por dentro.

— Bem, acho que vamos ter que dormir aqui. - ela disse tímida olhando para o fogo. - E como já estou com um pouco de sono, quero me deitar. Você pode se deitar ao meu lado.

— Claro. - Vegeta confirmou dando espaço para que ela deitasse do lado próximo ao fogo. Logo ele deitou também do lado dela, porém sem encostar-se.

Permaneceram em silêncio depois disso, porém, ambos sem conseguir dormir. E para mantê-la acordada, Vegeta resolveu falar algo, algo que queria perguntar há muito tempo.

— Como era Trunks quando bebê? - ele perguntou de repente, fazendo Bulma abrir os olhos.

— Trunks? Ele era bem esperto. - Bulma falou depois de um instante. - Quebrava quase tudo dentro de casa por conta da força que ele tinha... Mas também era muito inteligente. - disse lembrando-se do filho ainda bebê e ficando emocionada. - Além de tudo, era um bebê lindo. Eu tive medo por que ele herdou essa sua cara carrancuda, mas depois ele ficou lindo.

— O quê? Eu não tenho cara carrancuda! - Vegeta disse indignado, Bulma sorriu. - Queria ver uma foto dele bebê... - falou depois.

— Eu tinha muitas. - Bulma recordou. - Pena que foi tudo queimado junto com minha casa. Eu devia ter umas duas mil fotos dele no computador do meu laboratório, mas tudo foi destruído... - disse desanimada.

— Seu laboratório não foi destruído. - Vegeta falou lembrando-se do laudo do incêndio da casa. - Só a casa que foi.

— Sério? - Bulma disse virando-se de lado e ficando cara a cara com o ex-amante.

— Sério. - Vegeta respondeu encarando-a e fazendo-a estremecer. - E quando voltarmos, você poder ir até ele, aliás, pretendo reconstruir sua casa.

— Nossa Vegeta, obrigada! - ela disse emocionada tentando abraçá-lo em agradecimento, mas na posição em que estavam, deitados de lado não permitia. A única coisa que a cientista conseguiu foi deixar seu corpo muito junto do corpo do rei e era exatamente isso que ele queria.

E foi nessa hora que Vegeta teve que tomar uma decisão. Ela o olhava bem de perto e ele queria beijá-la. Contudo, se a beijasse, poderia acontecer das duas uma: ela correspondia e ele alcançava seu objetivo ou ela o rejeitava e tudo que ele tinha conseguido até aquele momento ia por água abaixo. E então, no tempo em que Vegeta perdeu tentando tomar aquela decisão, ele foi surpreendido quando a própria Bulma o beijou.

Tudo o que ele pôde fazer foi corresponder ao beijo. Colocando o braço sobre o quadril dela, ele a trouxe mais para si, enquanto ela continuava a beijá-lo. Bulma não sabia por que tinha feito aquilo, por que tinha tomado a iniciativa. Ela simplesmente sentiu uma vontade enorme de beijá-lo e sua mente acompanhou os movimentos quase involuntários de seu corpo e agora que começara, ela não conseguia parar.

Tanto que ela própria ajudou-o a tirar a armadura e abriu o zíper do collant. Pra quê enganar a si própria? Ela passara o dia inteiro achando que Vegeta estava armando algo para seduzi-la e era ela quem estava fazendo aquilo naquele momento. Ele também não se fez de rogado, extremamente satisfeito que o objetivo de tê-la nos braços fora alcançado. Então, sem perder tempo e imitando a atitude dela, ele tirou-lhe o casaco vermelho e a ajudou a tirar a camiseta branca. Deixando-a apenas de short e sutiã.

Nesse momento, desejando olhá-la completamente, ele rolou sobre ela, colocando seu corpo por cima do corpo da cientista. Vendo-a com o brilho dourado pela iluminação do fogo da lareira.

— Você tem razão, mulher, esses shorts são magníficos. - disse enquanto subia as mãos pelas coxas nuas dela, indo até o short e descendo-o aos poucos, maravilhando-se com a imagem da pequena peça íntima que ela vestia por baixo.

Bulma não disse nada por que se abrisse a boca teria que pedir que ele parasse por que aquilo era errado e ela não queria pedir isso, ela queria pedir mais. Ela o olhou completamente sem roupa sobre seu corpo e então puxou ela mesma a calcinha que vestia, ele a ajudou a terminar de retirar a peça. O sutiã também tombou em questão de segundos, mal Vegeta encontrou o fecho ao levar uma das mãos as costas dela.

E então, depois que a última peça caiu, estavam os dois completamente nus sobre o tapete de pele de tigre dentes de sabre, iluminados apenas pelas chamas douradas da lareira enquanto a chuva fustigava a pequena casa de maneira. E enquanto Vegeta olhava o corpo dela, Bulma sentiu um arrepio.

— Está com frio? - ele perguntou ao ver o mamilo dela se enrijecer e a pele se eriçar.

Bulma apenas afirmou com um gesto de cabeça, tamanho seu nervosismo.

— Sei de uma forma de esquentar a gente.

E ao dizer isso, o que Bulma achou se apenas uma frase sensual, era algo realmente que Vegeta sabia.

Ela assustou-se quando sentiu o corpo dele esquentar e uma aura de energia crescer. Ele, de repente, levantou os braços e gritou muito alto. O chão e as paredes da cabana tremeram.

Impressionada, Bulma viu os olhos dele tornarem-se verde e os cabelos loiros na medida em que uma aura dourada tomava o corpo do parceiro.

— Você... - ela comentou assim que ele transformou-se completamente.

— Eu me transformei em super sayajin. - Vegeta disse olhando-a contente.

— E como a cabana não explodiu? - Bulma perguntou atônita.

— Eu já sei controlar muito bem essa transformação – Vegeta disse deixando o corpo cair sobre o da cientista. - Mas isso não importa... Agora, quero fazer amor com você.

— Engraçado... - ela disse excitada e um pouco nervosa.

— O que é engraçado? - Vegeta indagou confuso.

— Hoje... nós... aqui... - ela disse envergonhada. - Eu me sinto... me sinto como se fosse uma adolescente com o namorado.

— Você sempre será uma namorada pra mim, mulher. - ele disse ao ouvido dela no mesmo instante que encaixou-se no corpo de Bulma. E nesse momento, ele se sentiu completo novamente.

Ela apertou a nuca de cabelos loiros, suando cada vez mais pelo calor do corpo dele. Beijando-lhe a boca e o pescoço, olhando nos olhos um do outro, ele foi contra o corpo dela, uma vez, duas, três... até que sentiu-a tremer por completo. Só então permitiu-se chegar ao clímax ele mesmo.

Tombou suado sobre o corpo da amada, o suor transpirando a medida que sua transformação se desfazia, rolou para o lado e puxou Bulma para perto de si, pois voltava a sentir o vento frio da noite. Bulma não disse nada, apenas se aconchegou no corpo dele aproveitando cada minuto em que ainda pudesse estar com o sayajin.

Com os olhos pesando, logo ela adormeceu. Vegeta, no entanto, não conseguiu dormir, ficou deitado observando o corpo dela enquanto dormia e tentando guardar em sua memória cada sensação que sentira, além de buscar acreditar que aquilo era real.

Admirando-a, ele desceu a ponta do dedo indicador por toda a extensão do pescoço dela, passando pelo ombro e depois pelo braço. Ao chegar ao pulso, ele observou a pulseira ocultadora de ki. A única coisa que Bulma usava naquele momento.

Então, pensando em sentir o ki dela novamente depois de tantos anos, Vegeta, delicadamente, retirou a pulseira do braço da amada.

E o que sentiu depois não poderia ter o surpreendido mais.

Não havia um ki ali.

Não havia somente o ki que ele conhecia mais que sua própria vida. O corpo de Bulma, libertou de forma violenta dois kis no exato momento em que ele retirou a pulseira.

Com os olhos arregalados, Vegeta constatou que um ki era de Bulma, o outro, menor, mas muito agitado também vinha dela, e levando a mão ao ventre nu da amada, ele constatou que o ki vinha de dentro dela. Um ki que se agitou ainda mais quando ele pôs as mãos sobre o ventre de Bulma. Um ki que fez a cientista sentir alguma coisa enquanto dormia, uma sensação que a fez se encolher e sorrir.

E Vegeta não dormiu aquela noite, pois havia constatado que Bulma estava grávida.

O sol surgiu nos céus de Vegetasei espantando as nuvens e a chuva, encontrando Vegeta ainda de olhos abertos ao lado da amante no chão da casa da floresta.

Havia um silêncio sepulcral no lugar. Um silêncio que só fora quebrado quando o scouter de Vegeta apitou revelando que estava funcionante.

Irritado, o rei sayajin levantou-se e foi até a mesa pegar o scouter. Colocou-o e viu a imagem de Marvin.

— Eu não disse para não me ligar. - Vegeta disse mal-humorado à guisa de saudação para Marvin.

— Desculpe, majestade. - Marvin disse constrangido ao ver o ombro nu do rei. - Eu estou ligando apenas por que temos algo muito importante. - explicou agitado.

— O que aconteceu? - Vegeta perguntou preocupando-se. - Trunks está bem?

— Não é Trunks, majestade. - Marvin falou sério. - É outra coisa. Uma nave.

— Que nave? - ele indagou apreensivo.

— Uma nave oficial vinda da Terra. Ela pousou agora a pouco nas pistas do castelo.

— E?

— Parece que não temos boas notícias. – o capitão disse encarando seriamente seu o rei, e o semblante de Vegeta não poderia estar mais apreensivo.