29 – Perdoar e Esquecer

Jane saiu do banheiro, onde deixou sua irmã em um banho quente depois de se certificar que ela estava bem o suficiente para ficar sozinha. Aquele dia estava sendo uma montanha russa de emoções e ela realmente estava preocupada com a irmã e toda a pressão que ela estava suportando. Entretanto, ela deveria saber que Elizabeth era forte o suficiente para superar tudo aquilo.

Sabendo que Bingley e Darcy estavam no quarto ao lado, Jane entrou sem bater. "Você pode me dizer o que aconteceu para a minha irmã sair dessa casa no meio de uma tempestade e se embrenhar no último lugar que ela deveria estar em uma situação dessas? O que foi que a sua família insana fez com ela dessa vez?" Ela só não estava mais furiosa com Darcy porque eram nítidos a preocupação e o cuidado que ele tinha com Elizabeth.

"Eles chegaram aqui exigindo que eu me divorciasse, já que tudo tinha se tornado público... Elizabeth ainda não estava aqui, mas eu entrei em uma briga realmente grave com todos eles..." Darcy passou as mãos pelo rosto, cansado de pessoas dizendo o que ele deveria e não deveria fazer. "Certa vez a sua irmã me disse que chegaria o dia em que eu teria que colocar um basta em tudo o que eles fazem para tentar me controlar... eu tentei adiar isso o máximo possível, sempre acreditando que com o tempo, eles se acostumariam e me permitiriam viver conforme minhas próprias escolhas... hoje nós realmente chegamos a situação insustentável a que Elizabeth aludiu seis meses atrás."

Jane não sabia o que pensar. Ela conseguia enxergar a tristeza de Darcy. Ele perdeu o pai em um momento crucial da vida e se agarrou ao que ele pensava ser segurança. Provavelmente, perceber que o que ele acreditava ser seguro já não era mais foi como uma nova perda. Ela trabalhava com emoções e sabia que as coisas nunca eram tão simples, mas Elizabeth sempre seria a sua principal preocupação. "Eu sinto muito, Darcy... mas a minha preocupação agora é a minha irmã... eu acho que é melhor ela ficar um tempo comigo... longe de tudo isso..."

Darcy nem permitiu que ela terminasse de falar. "De jeito nenhum..." Ele se levantou. Ao mesmo tempo que ele entendia Jane, estava irritado com mais pessoas tentando levar Elizabeth para longe dele. "Ela só vai sair da nossa casa se for vontade dela. E eu vou fazer de tudo para convencê-la a ficar aqui... comigo. É onde ela pertence. Ninguém vai tirar ela de mim."

Jane ficou um pouco mais aliviada ao ver Darcy agir como o homem decidido que ele sempre aparentou ser. Ela sabia que Elizabeth precisaria que ele fosse forte e que garantisse a segurança a ela.

Darcy andou mais algumas vezes de um lado para o outro, sentindo que aquela era uma nova etapa em sua vida. Já tinha passado a hora de começar a chefiar o seu destino. "Embora eu fique triste com todo o acontecimento de hoje e com a provável ruptura total com parte da minha família, eu estou também aliviado... minha vida de agora em diante só diz respeito a mim e a minha esposa. Sem mais pressões externas, sem pessoas de fora dando conselhos, orientações... só eu e ela... sem mais mentiras também."

Isso chamou a atenção de Bingley. "Você contou para ela?"

Darcy balançou a cabeça, confirmando. "Sim... não foi da forma que eu gostaria, mas ela já sabe de tudo..."

Jane olhou de um para o outro sem entender. Ela virou o rosto para Bingley e estreitou os olhos. "O que eu ainda não sei?"

Bingley trocou um olhar rápido com Darcy, como se pedisse ajuda. Darcy fechou os olhos, se dando conta que Elizabeth não tinha contado para Jane o real motivo de ter fugido mais cedo. Ah, droga. Ele pensou. Ele acreditava que já estava na fase de contenção de danos... só para descobrir que elevaria a ira de mais uma Bennet aquele dia.

"Eu contei para Elizabeth... para todo mundo na verdade... que quem foi o responsável pelo casamento em Las Vegas fui eu." Darcy tentou manter a voz o mais calma possível.

Jane o encarou por um momento, piscou algumas vezes e arregalou os olhos. "Você deu a ideia!" Ela quase gritou quando entendeu a implicação do que ele disse. "Não foi a Lizzy como todo mundo pensava... foi você." Jane soltou uma risada por um momento, sem acreditar na história e nem acreditar que estava achando aquilo extremamente engraçado. Ela não aguentou e riu novamente, batendo a mão na própria boca tentando conter a sua risada.

Darcy estava espantado com a reação. Ele realmente acreditava que Jane ficaria louca com ele e que ela tentaria levar a irmã para longe. Talvez ela tivesse muito mais semelhanças com Bingley do que a calma e a doçura.

Darcy também notou que Bingley mordia o próprio lábio para não rir, se aproximando de Jane o suficiente para ambos se apoiarem um no outro enquanto tentavam conter as gargalhadas.

"Eu não acredito que vou ter que suportar virar motivo de risadas novamente..." Darcy revirou os olhos. Ele deveria estar agradecido por Jane estar rindo. Ele realmente acreditou que ela poderia agredi-lo.

"Oh, não se engane com a minha risada... eu estou furiosa com você." Jane se virou para Bingley e deu um soco forte no braço dele. "E com você também."

"Arghhhh... isso doeu." Ele esfregou o braço golpeado fazendo uma careta de dor.

"Isso é para você aprender a nunca guardar segredos de mim." Ela o castigou.

"Não era o meu segredo para divulgar." Ele se defendeu.

"Eu não acredito que foi você quem instigou esse casamento..." Jane balançou a cabeça, ainda surpresa. "Eu realmente acreditei que só poderia ter sido a Lizzy... eu realmente acreditei que só ela teria essa ideia como uma forma de piada de mal gosto..." Ela olhou novamente para Darcy. "Ainda bem que pelo menos você se lembra daquela noite... ainda bem que você não bebeu tanto quanto ela..."

Darcy fez uma careta novamente. "Eu não estava bêbado."

"O QUE?" Jane se levantou, o encarando. "Eu achei... achei que você estivesse fora de controle... que estivesse sob efeito do álcool..."

Darcy jogou a cabeça para trás. "É por isso que Elizabeth está tão brava... por isso, e porque eu não esclareci quem era o culpado desde o começo e permiti minha família fazer tudo o que fez... eu reconheço que foi um impulso, mas eu estava consciente do que eu fiz o tempo todo. E..." Ele abaixou a cabeça, olhando para as próprias mãos. "E por mais que eu saiba que foi errado... eu não consigo me arrepender. Eu faria tudo de novo."

"Arghhh... será que não seria mais fácil conversar com ela e se declarar?" Jane jogou as mãos para o alto, exasperada. "Por que? Esclareça de uma vez por todas, por que você é sempre tão idiota quando se trata da minha irmã?"

Darcy arqueou uma sobrancelha enquanto a encarava. "Você consegue se lembrar como era a nossa relação naquela época? Elizabeth teria me recusado com bastante facilidade e entusiasmo...ela não pensaria duas vezes antes de virar as costas para mim."

"Você poderia insistir." Jane argumentou. "Poderia pedir para ela escutar o que você tinha para falar. Pedir para ela conviver com você por um tempo com o intuito de conhecer você melhor... tantas coisas mais simples do que essa bagunça toda..."

"Como? Ela estaria provavelmente no Japão neste momento... eu sei que foi péssimo... mas eu vi uma chance ali... e eu agarrei essa chance com tudo o que eu tinha." Ele contra argumentou.

Jane arregalou os olhos se lembrando. "Oh... eu tinha me esquecido disso..." Ela exalou e mordeu o lábio inferior, e pela primeira vez, Darcy e Bingley conseguiram enxergar uma semelhança nas irmãs. "Ela já tinha confirmado a ida para o Japão. Ela já estava até procurando um lugar para alugar lá..." Ela voltou os olhos para Darcy e Bingley, fazendo uma careta. "Seria muito egoísmo estar satisfeita por você ter feito toda essa bagunça para mantê-la aqui? Na época eu não queria desencorajá-la, mas eu realmente não gostaria que ela fosse..."

Darcy sorriu um pouco, pela primeira vez naquele dia. "Se for me ajudar com a sua irmã, não..."

Eles escutaram a porta do banheiro do quarto ao lado se abrindo e trocaram olhares. Jane foi a primeira a se pronunciar. "Eu acho melhor eu e Charles descermos... nós estaremos na sala... vocês dois realmente precisam conversar." Ela trocou um olhar rápido com Bingley. "Não se apressem... eu e ele vamos assistir a um filme ou alguma outra coisa..."

Bingley sorriu e pegou a mão de Jane, ansioso por um momento de tranquilidade depois de uma manhã tão conturbada. E não seria nada mal aproveitar a sala de entretenimento de Darcy também.

"Obrigado." Darcy respondeu antes de se dirigir até a porta que separava os dois quartos, parando um momento para respirar fundo.

Darcy fechou a porta atrás dele e se deparou com Elizabeth parada no meio do quarto. Ela vestia um moletom amarelo pálido que fazia com que ela parecesse ainda menor. Os olhos dela demonstravam uma miríade de emoções que fez Darcy engolir em seco.

"Lizzy..." Ele começou.

"Você mentiu para mim... você sabia o quanto eu me sentia culpada e usou isso para me prender." Ela acusou. Sua voz baixa e calma era pior do que se ela estivesse gritando com ele. "Você poderia ter esclarecido tudo isso desde o começo... poderia ter evitado toda a dor de cabeça que eu tive com a sua família, evitado as coisas horríveis que eles falaram de mim... esse escândalo inteiro por causa desse maldito contrato provavelmente nem teria acontecido..." Algumas lágrimas escorreram dos olhos dela. "Estão me chamando de prostituta em todos os tabloides... uma prostituta glorificada..."

Ele sentiu aquelas palavras como um golpe. Um golpe que ele atingiu em si mesmo. "Eu..." Darcy fechou os olhos, realmente com medo de perde-la. "Eu sinto muito..." Ele se aproximou um pouco e ficou feliz quando ela não recuou. "Não foi premeditado... eu não faria você se casar comigo em Las Vegas... eu queria só conversar com você e fazer você entender o que eu realmente sentia. Eu tentei várias vezes me aproximar, mas eu nunca conseguia. Sempre tinha alguém perto de você... e quando você me convidou para dançar... quando me beijou de volta... quando disse que também me queria... simplesmente aconteceu..."

Elizabeth tinha o olhar confuso enquanto parecia pensar profundamente. "Eu... eu beijei você? Eu disse que queria você?" Ela fechou os olhos, tentando em vão se lembrar. "Então... você simplesmente me pediu em casamento e eu aceitei?"

Darcy desviou os olhos, um pouco envergonhado. "Você..." Ele mordeu os lábios, olhando para baixo. "Eu acho melhor você não se lembrar de tudo..."

"Responda-me!" Ela exigiu.

"Você queria que fôssemos para o meu quarto... não era casamento que estava em sua mente..." Ele sabia que ela se sentiria horrível com isso.

Elizabeth arregalou os olhos e em seguida os fechou, mortificada. "Eu me ofereci a você..." Ela sentiu seus olhos derramarem mais lágrimas. "Eu estou tão irritada e envergonhada..." Ela abaixou os olhos, se sentindo mortificada. Então, ela se lembrou de algo que ele disse no restaurante, quando a pediu em casamento pela segunda vez. "O anel... você disse que era da sua mãe... eu sou tão burra... a verdade estava na minha frente o tempo todo..." Ela balançou a cabeça, se sentindo péssima, em seguida, estreitou os olhos para ele novamente. "Você disse que nós dois não fizemos sexo aquele dia... você... você mentiu?"

"Não. Eu não menti." Ele respondeu rapidamente. Pelo menos disso ele poderia se defender. Pelo menos isso ele não fez. "Eu não queria você sem ter a certeza que você me amava também, com eu amo você..." Ele sabia que isso a envergonharia. Sabia que ela arrumaria uma forma de se culpar. E ele não poderia permitir isso novamente. "Lizzy... eu sei que você sentia algo por mim... se não amor, pelo menos atração... eu estava tão desesperado que aceitaria qualquer coisa. Entretanto, não era só uma noite de sexo que eu queria... eu queria mais. Muito mais." Ele estava doendo de vontade de abraça-la. De confortá-la.

"E então... você se casou comigo... e no outro dia... foi aquele caos..." Ela estava novamente com o olhar perdido, tentando se lembrar do máximo de detalhes que conseguia.

Ele engoliu em seco enquanto encarava o rosto sem expressão de Elizabeth. "Nunca me passou pela cabeça que você não se lembraria de nada no dia seguinte... eu achei que você se arrependeria de ter agido por um impulso bêbado, mas que se lembraria de tudo o que eu falei... que se lembraria do quanto eu prometi te amar e ser paciente até que você me amasse também..." Darcy olhava para ela implorando com os olhos que o entendesse. "Eu estava com tanto medo, Lizzy... com tanto medo de você ir embora, de não ver você por meses e meses... medo que você não voltasse... medo que você conhecesse outra pessoa... naquele momento, eu faria qualquer coisa para manter você por perto."

Elizabeth pareceu confusa por um momento e de repente se lembrou. "Eu estava de partida para o Japão..." Elizabeth fechou os olhos, entendendo melhor, mas em seguida os abriu novamente. "Você tentou me contar antes, não tentou?" Ela o fitava ainda atordoada quando mais algumas lembranças a atingiam. "Eu nunca permiti... não era intencional, mas eu nunca permiti..."

"Eu deveria ter insistido e contado... eu sabia que você acreditava ser a culpada, mas eu não sabia que você se sentia tão mal com essa culpa... tão mal quanto eu estava por saber que a culpa na verdade era minha..." Ele deu mais um passo em direção a ela, ainda sem tocá-la. "Eu sinto muito, Elizabeth, eu sinto muito que eu não defendi você como eu deveria... era a minha obrigação ter calado a minha família há muito mais tempo e eu me arrependo por não ter colocado um basta nas atitudes deles desde o primeiro momento... contudo... eu não consigo me arrepender desse casamento. Nem por um minuto. Eu queria que tivesse acontecido de uma maneira diferente, mas o resultado nunca será lamentado por mim."

Elizabeth ainda estava furiosa com ele. Ela realmente estava. Mas ela também estava feliz com aquele resultado. Se ela fosse honesta consigo mesma, ela estava aliviada por não ter partido para o Japão e por ter tido a oportunidade de realmente conhece-lo durante os últimos meses.

"Eu ainda estou furiosa com você." Ela declarou, sua voz soando mais decepcionada do que irritada.

"Eu sei." Ele se aproximou um pouco mais dela.

"Vai demorar um bom tempo para que eu possa confiar em você como antes. E quando eu digo um bom tempo, eu quero dizer um tempo muito, muito longo..." Ela insistiu.

"Eu vou passar o resto da vida recuperando essa confiança." Ele prometeu.

"Eu não vou mais aceitar nenhum insulto, nem uma única palavra menos do que educada de qualquer membro da sua família." Elizabeth passou os braços protetoramente em volta de si mesma.

"E nem eu vou aceitar... eu os ameacei com uma ordem de restrição hoje... e eu falei sério." Darcy garantiu. "Na segunda-feira eu emitirei um comunicado a todos os funcionários, investidores, sócios e à imprensa de que meu tio está fora do conselho administrativo. Eu ordenei a todos os seguranças que impedissem a entrada deles em qualquer das nossas casas. Eu juro, Elizabeth, que você nunca mais vai precisar escutar acusações, ameaças e insultos de ninguém, ou Deus me perdoe, eu vou destruir quem fazer você sofrer."

Elizabeth sentiu seus olhos transbordando de lágrimas, odiando estar se sentindo tão emotiva. "Eu acho bom, e eu vou cobrar isso, William, porque eu vou precisar de você mais do que nunca agora... vou precisar de você mais do que de qualquer outra pessoa..." O queixo dela tremia enquanto ela abraçava a si mesma com ainda mais força, parecendo vulnerável e quebrada naquele momento.

Ele se aproximou um pouco mais, ainda com medo de toca-la e ser rejeitado. Sua mão esfregando sua aliança como se quisesse fundi-la em seu dedo. "Oh, Lizzy... não chore, por favor... eu sempre vi você enfrentando minha família com tanta coragem... partiu meu coração ver você tão magoada com as palavras horríveis do meu tio... eu sinto muito, querida..."

"Eu estou grávida." Elizabeth declarou de repente, cortando qualquer outra coisa que ele poderia falar, e prendeu a respiração esperando a reação de Darcy.

Darcy ficou paralisado por um instante, olhos arregalados enquanto permitia que aquela informação se instalasse em sua mente. E então, sem suportar mais a distância, ele deu um passo e Elizabeth estava dentro dos seus braços.

Pela segunda vez naquele dia, Elizabeth se viu engolida por um abraço. E pela segunda vez, ela sentiu o corpo que a abraçava se sacudir em um choro violento. Mas diferente da sua irmã, Darcy não pronunciou nenhuma palavra. "William..." Elizabeth tentou chamar a atenção dele.

"Obrigado." Ele sussurrou contra os cabelos dela. "Obrigado." Ele repetiu em meio ao seu choro. "Eu sinto que você me dá tudo, o tempo todo... enquanto eu só tiro coisas de você sem retribuir com nada... me perdoe... e obrigado..." Ele continuou a sussurrar.

"Na verdade, eu acredito que você também contribuiu com isso... eu não criei essa criança sozinha, você sabe..." Ela sorriu contra o peito dele e sentiu os lábios dele formarem um sorriso, ainda assim, ele não a soltou e nem diminuiu a força do seu abraço.

"Mesmo assim... é você quem sempre me dá os melhores presentes... Sua presença, seu amor, seu companheirismo, sua sabedoria, sua força, sua alegria, sua vivacidade... e agora... um filho..." Ele beijou os cabelos dela, finalmente conseguindo controlar sua emoção. "Eu prometo, Elizabeth, eu prometo que passarei o resto da minha vida tentando fazer você tão feliz quanto você me faz... e o nosso filho..." Ele se afastou apenas para se ajoelhar na frente dela e encostar o rosto na barriga de Elizabeth. "E o nosso filho vai ser a criança mais amada que já existiu..." Ele beijou o local onde sabia que o bebê estava. "Eu amo você e o nosso bebê tanto que não existem palavras para explicar."

"Eu também te amo." Elizabeth colocou a mão na cabeça dele e sentiu seu corpo relaxar. Ela sabia que durante muito tempo ficaria irritada, mas... se ela quisesse ser feliz com ele, e ela realmente queria... teria que aprender a perdoar e esquecer.

De repente, Darcy se levantou eufórico. "Oh, meu Deus... eu vou ser um pai." Ele riu e abraçou Elizabeth novamente, a tirando do chão enquanto a girava. "Oh, Lizzy... esse era para ser um dia terrível, e você transformou em um dos melhores dias da minha vida."

"Eu estava com medo da sua reação..." Elizabeth confessou.

"Com medo?" Darcy a colocou no chão e a fitou nos olhos. "Querida, eu não poderia estar mais feliz... na verdade, eu acho que nunca existiu homem mais feliz do que eu."

Elizabeth riu. "E eu que já achei você o homem mais mal-humorado do mundo..."

"Até conhecer você." Ele a corrigiu.

"Você continuou mal-humorado durante um ano inteiro depois de me conhecer." Ela o lembrou.

"Era tudo um ato... eu me regozijava em chamar a sua atenção, não importava de que forma. Mesmo quando você discutia comigo, me criticava ou apenas olhava para mim em desaprovação... tudo o que importava era que a sua atenção estava focada em mim, e nenhuma outra pessoa... principalmente, em nenhum outro homem..." Darcy a abraçou novamente, não suportando ficar sem contato com qualquer parte do corpo dela. "Eu queria estrangular Richard em Las Vegas, o tempo inteiro ao seu lado, conversando, rindo, brincando com você de uma forma que eu nunca tinha conseguido..."

Elizabeth começou a rir. "Por isso que você estava mais irritado e mal-humorado do que o costume?"

Ele abaixou os olhos, parecendo um pouco envergonhado. "Sim... eu estava com tanto ciúme... e me sentindo um imbecil também por não ter coragem suficiente para dizer o que eu sentia por você..." Ele acariciou o rosto de Elizabeth com carinho. "São tantas desculpas que eu preciso pedir a você..."

Elizabeth balançou a cabeça e sorriu. "Chega de desculpas... eu não vou dizer que eu não estou brava, porque eu estou, mas... vamos deixar isso para trás." Ela encostou o rosto no peito dele e fechou os olhos. "Nós somos pais, agora, William... está na hora de crescer..."

Mais cedo naquele dia, ele tinha sentido aquilo, entretanto, com as palavras de Elizabeth, ficou ainda mais forte. A responsabilidade e o dever eram pesados, mas diferente de quando seu pai morreu, eram bem-vindos. Ele estava feliz por ocupar aquele lugar na família Darcy, como marido e pai. E ele se sentia pronto para assumir com entusiasmo e felicidade o que a vida estava dando para ele de presente.

"Você está certa... como sempre..." Ele sentiu o corpo dela balançar com uma pequena risada. "Nós estamos bem, não estamos?"

"Sim... nós estamos bem." Ela respondeu, se aconchegando ainda mais nos braços dele. "Você tem o melhor abraço do mundo... daqui alguns meses eu não vou poder me enterrar assim em você..."

Darcy imaginou a barriga dela grande com o bebê deles e quase chorou novamente, seu coração ainda mais cheio de amor por ela. "Eu vou dar um jeito de continuar te abraçando." Ele esfregou o rosto no pescoço dela, aspirando o perfume delicioso e se acalmando ainda mais.

Elizabeth poderia sentir a exaustão do dia pesar em seu corpo. "Eu estou com tanto sono... tão cansada..."

Sem dizer nenhuma palavra, ele a levantou em seu colo e a levou para a cama, a abraçando da forma que ele sabia que a relaxava. "Durma um pouco... deixe eu cuidar de você, meu amor..." Ele fechou os olhos. "Eu fiquei tão preocupado com você quando começou a chover... e eu não sabia onde você estava... eu estava em pânico. Se eu já tivesse o conhecimento de que você estava grávida, eu nem sei o que eu faria..."

"Por um momento eu perdi o controle, eu pensei que eu iria desmaiar... mas eu lembrei que precisava manter a calma porque provavelmente tudo o que eu estava sentindo o bebê também estava...eu não sei... eu não entendo muito dessas coisas..." Algumas lágrimas começaram a cair dos olhos dela. "Eu não quero que o nosso filho herde as minhas fobias..." Elizabeth deitou de lado, de frente para Darcy, seu rosto molhado de lágrimas e preocupado.

"Shhhhh, Elizabeth... não chore, querida... não se preocupe com isso, meu amor... nosso bebê será perfeito, e tão amado..." Ele acariciou os cabelos dela, assistindo Elizabeth se acalmar e aos poucos adormecer. Ele ficou durante um longo tempo a observando para ter certeza que ela estava mesmo dormindo.

"Que dia..." Ele sussurrou para ele mesmo, sem tirar os olhos dela e ainda afagando os seus cabelos. "Eu vou ser pai." Ele continuou a sussurrar, maravilhado com aquela noticia incrível. Ele olhava para ela, parecendo tão frágil e vulnerável, e tinha vontade de cerca-la com o próprio corpo, mantendo-a protegida, segura e quente dentro dos braços dele. Ele esfregou o rosto nos cabelos dela, precisando sentir o perfume dela, sentir a respiração dela em sua pele, assim, ele conseguiria acalmar o coração dele que batia errático por tudo o que sentia naquele momento. Ela era um bálsamo, e ela era dele para cuidar, proteger e amar.

Sem querer perturba-la e se lembrando que Bingley e Jane estavam no andar de baixo aguardando e provavelmente bastante preocupados, ele se inclinou e a beijou na testa. "Eu já volto, meu amor." Ele arrumou a coberta sobre ela antes de se levantar e sair do quarto.

Darcy estava eufórico. Ele desceu as escadas com o coração cheio de emoções. Não só Elizabeth o perdoou, mas ela queria ficar com ele e ainda estava carregando o bebê deles. Ele abriu a porta da sala onde Jane e Bingley esperavam com os olhos brilhantes de lágrimas não derramadas.

Assim que viu o rosto de Darcy, Jane se levantou. "O que aconteceu? Lizzy está bem?"

Darcy balançou a cabeça e sorriu, uma lágrima escapando de seu olho. Em seguida, olhando para os seus dois amigos, ele não se conteve. "Eu vou ser pai."

Jane relaxou e sorriu, sentando-se novamente no sofá. "Eu sabia que você ficaria feliz... eu tentei convencer a minha irmã disso mais cedo."

Bingley já estava abraçando Darcy com força e dando alguns tapas amigáveis nas costas dele. "Parabéns, William... Parabéns..." Ele se afastou, e segurando a mão de Jane, a puxou para os braços dele também. "Nós vamos ser tios..." Ele disse entusiasmado, levantando Jane do chão e a girando.

Jane, que desde que recebeu essas notícias não conseguia conter suas lágrimas de alegria, retribuiu o abraço de Bingley e também deu os parabéns para Darcy. Ela estava realmente aliviada que tudo estava entrando nos eixos.

"E os seus planos de renovação de votos, como ficam?" Bingley perguntou curioso.

"Nós ainda não conversamos... mas agora mais do que nunca eu quero realizar essa cerimônia. Elizabeth estava cansada e eu a deixei dormindo... mas assim que tudo estiver mais calmo, nós vamos conversar." Ele sorriu e suspirou. "Eu estou tão entusiasmado..."

Jane não queria destruir aquela alegria, mas precisava perguntar. "E a sua família? Como você acha que eles vão reagir?"

"Minha família é Elizabeth, nosso filho, Georgiana e vocês dois... vocês reagiram muito bem e eu tenho certeza que eu precisarei conter o entusiasmo da minha irmã... qualquer outra pessoa não me interessa." Ele respondeu.

"Mesmo assim..." Jane insistiu, mas foi cortada por Darcy.

"Jane... hoje foi um ponto de virada. Mesmo antes de saber que Elizabeth estava grávida eu já tinha tomado minha decisão. Mesmo que eles agirem com educação e cortesia, nunca mais vai ser a mesma coisa. Eu e Elizabeth somos os chefes dessa família, e isso não vai mudar." Darcy, com o rosto sério, nunca pareceu tão decidido na vida.

Jane alcançou a mão dele e deu um leve aperto. "Eu fico feliz por ouvir isso... confesso que eu estava preocupada..."

Darcy devolveu o aperto e sorriu. "Você não precisa... eu protegerei minha esposa e o nosso filho de qualquer coisa."

Depois de se despedirem, Bingley estava dirigindo de volta para a sua casa distraidamente. Ele estava planejando fazer um grande evento, talvez um baile com todos os seus amigos, funcionários e parentes, e no final da festa pedir Jane em casamento em um telão ou algo parecido... mas observando Darcy e Elizabeth expostos daquela forma e detestando cada minuto, ele mudou de ideia. Talvez grandes gestos românticos fossem superestimados.

Ele observou Jane entrando em sua casa com um rosto cansado e seu coração doía por ela. A preocupação que ela demonstrou pela irmã aquele dia e todos os dias anteriores eram comoventes, e por mais que soubesse que ela estava aliviada que agora Elizabeth tinha Darcy para cuidar dela, ele sabia que de certa forma ela estava triste por ser 'substituída'.

"Jane... será que nós dois podemos conversar?" Bingley perguntou um pouco sem jeito, indicando um sofá para ela se sentar.

Ele estranhou o olhar triste e quase amedrontado no rosto dela, mas decidiu que tinha chegado a hora.

Jane respirou fundo e se sentou. Ela escutaria o que ele queria dizer e se ele terminasse tudo, ela se consolaria que nos próximos meses tinha uma irmã grávida que provavelmente precisaria dela. Ela se concentraria nisso.

Bingley andou de um lado para o outro, tentando encontrar palavras grandiosas e românticas para aquele momento, mas decidiu apenas dizer o que estava pensando nos últimos meses, e principalmente, nas últimas semanas desde sua conversa com Darcy. "Eu tive uma conversa com o Darcy algum tempo atrás que me fez pensar bastante..."

Jane estreitou os olhos sem entender. O que Darcy tinha a ver com aquela conversa? Mas Bingley continuou se explicando. "Antes mesmo da sua irmã e ele se entenderem, ele me disse que contava os minutos para ir para casa todos os dias... apenas para estar com ela..." Ele viu um pequeno sorriso nos lábios dela e decidiu que estava no caminho certo. "Eu nunca tive isso, Jane... nunca tive um lar. Meus pais não era o que se pode chamar de um casal amoroso... minhas irmãs só se importam com dinheiro e status... por um tempo, eu me iludi pensando que poderia muda-las... que nós poderíamos ser uma família mais unida... mas eu cheguei à conclusão que não depende só de mim... e eu também entendi, que eu posso ter isso de outra forma..."

Bingley se aproximou dela e se abaixou com um joelho no chão. "Eu quero contar os minutos para chegar em casa todos os dias para ver você, Jane... eu quero construir uma família amorosa com você... eu quero ser tudo o que eu sempre quis com você ao meu lado." Ele tirou a pequena caixa do bolso, que ele já estava carregando há semanas, e abriu, entregando a ela. "Você quer tudo isso também, Jane? Você quer tudo isso comigo?"

Jane não conseguia acreditar que ainda tinha lágrimas para derramar aquele dia, mas seu rosto molhado era a prova de que seu estoque pelo visto era ilimitado. Ela se jogou nos braços de Bingley sentindo uma felicidade que ela não acreditava ser possível. "Sim... sim... é claro que eu quero..."

Bingley riu e a beijo, totalmente satisfeito por finalmente ter conseguido. Realmente não era necessária uma multidão de testemunhas para ser romântico. Tudo o que ele precisava era de Jane. Se levantando do chão e a puxando com ele, Bingley a levantou nos braços, feliz quando ela gritou e riu de surpresa. "Eu acho que nós temos muito o que comemorar hoje, você não acha?"

"Com certeza, Sr. Bingley..." Jane passou os braços ao redor do pescoço dele. "Que dia incrível."