Capítulo 6

Boa Leitura!!!

Ela devia mesmo ter herdado alguns dos genes dos Volturi, pensou com um sorriso irônico nos lábios.

Bella sempre pensara o contrário. Não tinha o cabelo grosso, preto e liso deles, nem a estrutura óssea dos Volturi, que dava um grande impacto ao rosto de sua mãe. A boca de Bella era larga demais, uma pele muito branca, mas aquele ponto final na amizade com Jéssica só podia ter vindo do sangue dos Volturi. Assim como a tendência de sempre se apaixonar pelo homem errado, como sua mãe. Como um raio que cai duas vezes no mesmo lugar, ou aquela coisa tenebrosa chamada destino.

Será que estava tudo escrito desde o dia do seu nascimento: que ela se apaixonaria pelo mercenário do Jacob e depois seria seduzida pelo rato vingativo do Edward? Ela o viu naquele momento, e teve que parar no topo da escadaria enquanto tentava fazer seu coração voltar a bater normalmente, porque ele parecia querer saltar do seu peito.

Ele estava em pé lá embaixo, ao lado da escada, esperando por ela, lindo como sempre. Aquele perfil perfeito, a pele sedosa cor de oliva, aquela boca bem desenhada que fazia o corpo dela tremer só de pensar nos beijos que ela dava. O cabelo acobreado dele a fazia pensar nas asas de um corvo, com as luzes batendo sobre ele. Na ânsia de acabar de uma vez com tudo aquilo, ela se questionou: você quer levar o tolinho logo embora para terminar o que já começou em nome da vingança? Parecia até que ele a ouvira, porque voltou o rosto para ela. Ele deu um sorriso calmo e afetuoso e começou a andar na direção dela.

— Eu já estava indo buscar você. — murmurou, com aquela voz intensa e sombria.

Bella estava pensando em lhe dizer para acabar com aquele sorriso mentiroso quando percebeu que os convidados ainda estavam no hall. Ela não ia dizer o que pensava de Edward com aquela plateia toda.

Edward parou dois degraus abaixo do que ela estava e pegou a mala.

— Gostei da jaqueta. — disse ele para quebrar o gelo. — Combina com o vestido.

— Podemos ir? — perguntou ela friamente.

Ele parou de sorrir, os olhos fecharam-se um pouco.

— Claro. — respondeu ele sem nenhuma mudança aparente no tom de voz, mas os sentidos dela ficaram confusos ao detectar uma mudança.

Ele estava habituado a orquestrar o humor dos outros sem alterar o próprio. Os dedos dele fecharam-se sobre os dela que seguravam a mala. Ele pegou a mala das mãos dela em silêncio. Ao andar para o lado, ele fez um gesto para que ela continuasse a descer a escada.

Quando ela passou por ele, Edward teve o impulso de ficar ao seu lado, como que querendo protegê-la daqueles olhares curiosos que recebiam. O que os convidados deviam estar pensando? Quantos deles sabiam sobre o que havia acontecido? Seria tida a pecadora na opinião deles por beijar Edward na noite de noivado, ou a merecedora depena por ter se apaixonado pelo manipulador do Jacob?

Jacob, Jacob, repetiu ela de repente. E sentiu uma dor forte como se o amor dela por ele tivesse ido pelos ares exatamente ali, naquela escadaria de mármore. Como ele podia ter feito isso com ela? Como pode tratá-la daquela forma? E como Jéssica pôde fazer aquilo com ela? Um choque tardio começou a abalá-la por causa das revelações daquela noite.

Quando desceram a escada, ela estava tremendo tanto que achou que fosse cair e dar mais esse vexame. Edward deve ter sentido isso porque colocou a mão nas costas dela para lhe dar apoio. Ela se arrepiou ao se lembrar que ele não era nenhum benfeitor, longe disso. Ele era tão culpado quanto os outros, todos tentando usá-la de acordo com seus interesses.

— Não me toque. — murmurou ela com um suspiro.

Ele fez o oposto. Pousou uma das mãos na cintura dela e puxou-a para perto dele. Foi aí que ele virou o corpo dela para que ficasse de frente para o dele e abaixou o rosto em direção ao dela. Seus lábios pousaram na orelha de Bella, sua respiração parecia cortar a face pálida dela.

— Comporte-se até sairmos daqui, ou então vou beijá-la. — alertou ele.

Nem por um momento ela pensou que ele estivesse blefando. Outro homem com uma missão. Foi aí que ela viu a festa de despedida deles quando abriram a porta da frente. O senhor e a senhora Black estavam parados como soldados. Será que eles sabiam o que o filho deles havia feito? Será que eram coniventes com aquilo tudo? "Seus negócios estão seguros, pai, e não se esqueça qual de nós está pagando por tudo isso." É, eles deviam saber de tudo desde o começo, concluiu ela. Será que eles também sabiam por que ela estava sendo escoltada dali por Edward Cullen? Claro que sabiam, respondeu à própria pergunta. Todo mundo sabia. Todo mundo sabia tudo, menos ela.

— Odeio você! — murmurou ela.

Ele ignorou esta frase, suas mãos fazendo-a passar pela porta.

— Edward, precisamos conversar... — disse Billy Black assim que passaram por ele.

— Na próxima semana. — Edward interrompeu-o na mesma hora, passando por ele sem hesitar por um instante sequer. — E sem o seu filho — completou ele rudemente. — Se é que você ainda quer continuar tendo relações comerciais comigo...

— S-sim, claro. — concordou o pai de Jacob.

Sarah Black não disse absolutamente nada. Indo parecia um grande coup d'état do senhor Cullen. Ele não só havia tomado a mulher de Jacob, como também o apoio dos pais dele! Pelo menos era o que parecia.

A brisa noturna estava um tanto cortante. O carro de Edward estava estacionado perto dali. Ele a conduziu até ele e abriu a porta do passageiro para ela. Só então seus dedos soltaram a cintura dela, e quando Bella olhou-o, sua expressão era a de um verdadeiro cavalheiro.

Quando ela se sentou no estofado confortável de couro, a porta foi fechada de modo suave, ela observou-o colocar as coisas dela no porta-malas, e mordeu o lábio inferior num esforço para manter sua dignidade enquanto ele se sentava ao seu lado no carro. Era mais fácil olhar pela janela do que tê-lo em seu campo visual, mesmo que fosse pela visão periférica.

Pela janela, ela viu a porta da casa dos Black ser fechada. Aquela seria a última vez que ela olhava para aquela porta, pensou em meio ao silêncio. O motor do carro foi ligado, e a força da acelerado a jogou contra o encosto.

Ela não fazia ideia para onde ele a estava levando, e naquele momento nem se importava. A vida dela estava em cacos. Se alguém aparecesse com uma faca e a cortasse em tirinhas, ela não se sentiria pior do que estava se sentindo agora. Foi aí que ela descobriu que ainda podia se sentir muito pior.

— Muito bem. — disse ele. — Diga-me o que sua amiga andou falando para transformar você neste gato arisco.

Gatos e lobos estavam fazendo um grande show esta noite, pensou ela.

— Por que você acha que estou assim? Por causa de Jéssica? — perguntou ela.

— Porque ela era a única pessoa da qual eu não podia protegê-la. — respondeu ele.

Proteger? Os olhos dela arregalaram-se. Então, ele chamava aquilo de proteção? Ela virou o rosto novamente, recusando-se a responder. Por um bom tempo ela continuou olhando fixamente pela janela, com os lábios cerrados.

— Isabella. — chamou ele.

— Leah Clearwater.

Silêncio. Ela ficou ali parada esperando algum tipo de resposta. Mas nada aconteceu. Ela não estava respirando, mas ele estava, e com uma calma que a surpreendeu. Os olhos dela começaram a formigar, estava com vontade de chorar feito um bebê, e não sabia por quanto tempo mais seria capaz de conter as lágrimas.

Quando ele finalmente se moveu, ela foi obrigada a olhar para ele, sem saber o que aconteceria em seguida. Mas acabou que ele apenas se ajeitou no assento. Parecia até que ela nem havia mencionado o nome da irmã postiça dele. Tudo bem, pensou ela. Vamos fingir que eu não disse nada. Até que o silêncio dele me é conveniente, porque significa que não vou precisar ouvi-lo falando sobre por que estou neste carro com ele.

Ele começou a acelerar o carro, que corria na parte direita da pista, diminuindo um pouco a velocidade nas curvas, com os faróis cortando a escuridão à frente deles. Seus movimentos eram precisos, ele nunca errava as marchas. E os dois seguiam sob um silêncio absoluto que contribuiu para o encantamento que Bella começou a sentir, embora não quisesse.

Ele era um homem completo: era lindo, tinha um corpo lindo e muito estilo. Ele ainda era rico, poderoso e muito inteligente. Seu jeito apaixonado de persuadir, suas palavras que pareciam cassetetes que acabavam com seus oponentes. E ele dirigia o carro com uma segurança, uma autoridade que a faziam pensar nele como um predador do topo da cadeia alimentar. Nada nem ninguém poderia afetá-lo.

Eles passaram pelo Palazzo do tio de Bella. Assim que ela reconheceu o local, falou na mesma hora impulsivamente:

— Você pode...

— Cale-se! — disse ele cometendo o primeiro erro ao passar as marchas, como se o som da voz dela fosse a causa do erro.

Bella ajeitou-se no assento enquanto outro pensamento invadia sua mente: de que adiantaria pedir que ele a levasse para a casa do tio, se havia uma grande chance de o velho homem se recusar a abrir a porta.

Quando a desilusão ataca, ataca pra valer, percebeu ela, acrescentando Marcus Volturi à sua lista negra. Nunca mais vou procurá-lo, pensou consigo mesma. Ele não se importava a mínima com ela, nem ao menos fingia se importar.

O brotar quente das lágrimas que ameaçavam cair fez com que ela fechasse os olhos e se encolhesse no assento. Assim que esta viagem chegar ao fim, vou voltar para a Inglaterra, e nunca mais volto a pôr os pés na Itália, prometeu. Não é à toa que minha mãe nunca voltou para cá. E também não era à toa o jeito que ela ficava quando a Itália, ou Roma, era mencionada em uma conversa. Ela era esperta, sabia o que estava fazendo. Por que diabos não segui os conselhos de minha mãe, pensou Bella. Podia ter poupado muitas tristezas.

O carro fez uma curva que a fez voltar a pensar em sua situação atual. Seus olhos piscaram. E agora, o que vai acontecer?

— E-Eu quero...

— Você não sabe o que você quer.— interrompeu ele.

Ele apagou os faróis e parou o carro de um jeito que deixou claro que ele ainda estava irritado. Um pequeno barulho soou quando ele tirou o cinto de segurança. Em seguida, abriu a porta do carro e saiu para a escuridão.

Os olhos apreensivos de Bella seguiam a silhueta dele. O coração dela começou a bater forte. Será que ele a expulsaria do carro e a deixaria ali, no meio do nada, agora que ele não precisava explicar-se?

A porta dela foi aberta. Um vento frio deixou sua pele arrepiada. Ele se inclinou para tirar o cinto de segurança dela e ao aproximar seu rosto Bella notou a determinação de Edward estampada na linha plana da boca dele.

— Não vou sair do carro. — anunciou ela de jeito teimoso.

— E você acha que tem escolha? — perguntou ele, agarrando-a pela mão e puxando-a para fora do carro.

Ela ficou ao lado dele em um estado de pânico entorpecido, visões e sons tocaram seus sentidos ao mesmo tempo que o corpo dele. Ele pousou o braço em voltada cintura dela.

Nesse momento, ela ouviu a porta do carro bater e ouviu um outro barulho, que ao olhar para trás percebeu ser um portão de ferro enorme e grosso balançando fechado sob uma pedra que ela nem havia notado.

Tonta e desorientada, ela se deu conta das pedrinhas do chão, desniveladas sob seus sapatos, e virou a cabeça novamente tentando mais uma vez descobrir em meio a toda aquela escuridão para onde ele a havia levado.

A boca de Bella tocou o lábio dele, quando ela se moveu e o som sussurrado que ele emitiu em resposta fez o rosto dela parar em frente ao dele. Ela não via nada no rosto de Edward, a não ser a chama ardente do desejo brincando naqueles olhos verdes. Ela sentiu o próprio corpo contrair-se, e ficou chocada ao perceber o que aquilo queria dizer.

Bella baixou o olhar, que recaiu sobre a boca dele, aquela boca firme, bravia, que já anunciava o que estava prestes a acontecer.

— Não... — Ela conseguiu dizer esta única palavra em protesto, antes de ele estabelecer um contato total.

Depois daquilo, ela não foi capaz de fazer ou dizer mais nada, pois a boca de Edward encobriu a dela, invadida por sua língua. Foi como ser eletrocutada. Ela sentia o calor e o prazer envolverem seu corpo, e chegarem às suas coxas. Ela gemeu e agarrou-se aos ombros dele, tão chocada com sua própria reação, que tentou afastar-se dele, o que era um esforço vão, pois ele só precisava usar a palma da mão estendida sobre a base da espinha dela para grudá-la no corpo dele, e fazê-la sentir os joelhos bambos.

Ele sentiu todo o corpo dela tremer, e ouviu-a liberar um leve gemido de prazer. Se ele queria que aquele beijo fosse uma punição, então o tiro saiu pela culatra, pensou ela enquanto ele a trazia ainda para mais perto do corpo dele, e ela o beijava como nunca beijara outra pessoa, com um apetite voraz e ardente que a deixou em transe.

De repente, uma luz muito forte cobriu os dois, que pararam de se beijar na mesma hora. Amaldiçoando aquela luminosidade, Edward virou o rosto ainda com Bella agarrada nele e escondendo o rosto no paletó dele.

— Desculpe-me, senhor. — murmurou uma voz masculina em italiano. — As luzes de segurança não estão funcionando. Tive que vir eu mesmo para...

— Tire essa tocha maldita da minha cara, Demetrio. — mandou Edward com a voz áspera.

Logo em seguida, estavam envolvidos pela escuridão novamente. Bella conseguiu desgrudar os dedos do pescoço de Edward.

Segundos antes ela estava ardendo em prazer, agora estava sendo envolta em horror e vergonha. Ela o odiava! Como podia ter reagido daquela forma se realmente o odiasse? Tentou afastar-se dele, mas a pegada dele tornava-se mais firme enquanto mantinha uma discussão com aquele homem que ela presumia ser o segurança, embora não tivesse certeza de nada no momento.

Os pés dela estavam estranhos, como se não lhe pertencessem. Sua perna formigava dos tornozelos até os quadris. E o desejo que começava a sentir entre as coxas era devastador. Logo em seguida ela se viu sendo puxada pelo braço de Edward.

— Solte-me. — disse ela.

Estar tão perto dele daquela forma parecia um pesadelo. Na verdade, aquela noite toda parecia um grande pesadelo.

— Vai demorar um pouco para eu a soltar, querida. — respondeu ele ironicamente, e de um jeito tão sensual que a fez tropeçar.

Ele continuou fazendo-a andar sobre pedrinhas irregulares. Ele a manteve tão perto dele enquanto andavam que ela mal podia ver à sua volta. Mas percebeu que andavam em um quintal cercado por muros. Ela também podia ouvir o som de uma fonte vindo de algum lugar.

Pararam em frente a uma porta. Ele se inclinou para girar a maçaneta enquanto ela observava tudo, sentindo os seios dela intumescidos. Sentiu uma onda de calor. Se a jaqueta jeans não escondesse o que estava acontecendo com ela, ela morreria de vergonha.

A porta foi aberta com o girar da maçaneta, e eles entraram em um hall amplo, com paredes de cor azul. Andavam sobre um belíssimo piso em mosaico. Passaram por escadarias, e ela pôde ver verdadeiras obras de arte dentro da casa. Tudo que via era muito bonito e chique, o que a fez lembrar-se da casa dos Black.

Outra porta foi aberta. Entraram em um quarto com todas as paredes e chão trabalhados em mosaico, desta vez marrom e preto, com detalhes em ouro.

— O-Onde estamos? — perguntou ela. — Por que você me trouxe aqui?

O sorriso dele tinha um quê de sinistro. O jeito pelo qual ele cruzou os braços no peito, que apoiou os ombros contra a porta, e até o brilho em seus olhos, demonstrava sua provocação arrogante, o que deixou cada nervo do corpo dela em alerta.

— Bem vinda ao Palazzo dos Cullen's — murmurou ele. — O lar da minha família ao longo dos últimos quatro séculos; e agora, meu amor, o local em que vou possuí-la. Em nome da vingança, claro.

Edward observou o rosto de Bella tornar-se pálido. O tom sarcástico dele deixara-a abalada, mas ele estava bastante irritado para não se importar. Não, ele estava mais que irritado. Ele estava furioso! Afinal, ele a havia protegido, apoiado diante de todos aqueles rostos escandalizados, e salvou-a daquela situação toda o mais rápido que pôde. E o que ela havia feito? Acreditou na palavra daquela vagabunda que se dizia sua amiga e passou a vê-lo como inimigo!

— Se você encostar em mim, arranco seus olhos! — respondeu ela ameaçadoramente.

Ele sorriu para ela.

— Nós dois sabemos que você vai adorar que eu encoste em você.

Era como dar um doce a uma criança, percebeu ele. Ela teve que engolir aquelas palavras. Em algum canto escuro da irritação dele, ele gostou de vê-la contorcer-se de raiva. Ele chegou a mudar de posição como se fosse aproximar-se dela só para ver como ela reagiria. Ela deu um passo para trás.

— Fique onde você está. — ela exigiu.

Mas sua boca estava pedindo para ser beijada de novo e de novo. Se os olhos dela escurecessem mais um pouco, ficariam tão marrons quanto chocolate, o que o deixou curioso, pensando o quão escuros ficariam aqueles olhos quando arrebatados pela paixão.

— Não vou ser vítima de ninguém. Muito menos sua!

— Por que não minha? Se você não pensa duas vezes antes de se tornar vítima de qualquer um que apareça contando-lhe mentiras?

— Você está se referindo às mentiras de quem? — Ela fez uma cara irritada.

Ele nunca pensou que uma cara fechada pudesse ser tão sexy. Sentiu os ombros tensos dentro do paletó.

— Você quer dizer que Leah Clearwater não é sua irmã postiça?

— Não. — suspirou ele. — Não estou dizendo isso.

— Então, o que você está querendo dizer? Você acha que tive uma noite muito agradável hoje? Você acha que quero ficar aqui escutando você fazendo esses joguinhos ridículos com as palavras só para se divertir um pouco? — Ele ia responder, mas não lhe foi dada a chance. — Eu não tenho culpa se Jacob fez isso ou aquilo com sua irmã. — disparou ela tremendo. — Até onde eu soube, eles haviam acabado o relacionamento quando Leah voltou a estudar em Paris. — gritou ela. — Eu não roubo homens de outras mulheres. E não tenho culpa se sua irmã sofreu com tudo isso. Sei quer se vingar, vingue-se de Jacob, e demonstre um mínimo de classe saindo da frente e me deixando sair por esta porta!

Demonstre um mínimo de classe, repetiu ele para si mesmo, e quase sorriu quando aquela observação cortante abalou seu orgulho.

— E aqui estava eu, esperando que você fosse desculpar-se por ter acreditado nas palavras daquela vagabunda que se dizia sua amiga e que botou na sua cabeça que eu queria usá-la para me vingar.

A voz dele vinha carregada de ainda mais raiva, e ela o olhava com olhos arregalados e chocados.

— Eu... — começou ela.

— Achei que fôssemos continuar o que começamos lá fora. — continuou ele sem deixá-la falar. — Que faríamos um sexo apaixonado e intenso, de preferência na minha cama grande e confortável, onde acabaríamos com as suas tristezas desta noite. "E depois do sexo poderíamos falar sobre Leah e como todo o clã Cullen está em falta com você por fazer os Black acreditarem que a fortuna dos Volturi seria mais acessível que a dela."

Pelo menos ela estava começando a perceber que esta conversa tinha outras nuances.

— No entanto... — continuou ele. — Se você prefere deixá-los fazer isso. —Ele saiu do caminho, para que ela pudesse passar. — Tem um telefone no hall e um bloquinho do lado dele com o número de um serviço de táxi muito bom. Se eu fosse você, pediria que o motorista recomendasse um hotel para passar a noite e evitaria voltar para o seu apartamento, porque você pode dar de cara com seu noivo e sua melhor amiga se agarrando no tapete da sala de estar.

Tendo feito este comentário cortante, ele caminhou para o outro lado do quarto com a certeza de ter recuperado seu ego. À custa dela, claro. Um dos dois tinha que baixar as armas, mas como ele não tinha a menor intenção de fazê-lo, devia ser Bella.

Afinal, ele tinha o sangue dos Cullen. Ela era Volturi apenas pelo lado da mãe. E ele ainda estava muito irritado, apesar do discurso. Havia um milhão de coisas que ele poderia estar fazendo lá fora, em vez de devotar todo o seu tempo e atenção a Isabella Swan e a seu estado de Cinderela.

Cinderela, criticou ele ao se aproximar do armário francês encostado em uma das paredes. Se isso fazia dele o príncipe encantado, ele não estava fazendo um bom trabalho, considerou enquanto olhava o armário que sua madrasta trouxera de Paris quando se casara com seu pai.

Ao abrir as portas do armário, sentiu o cheiro de madeira antiga. A parte de dentro havia sido transformada para guardar bebidas. Esme havia gostado, e isso era o que importava. Essa era a única peça de mobília sua que era herança, e ela adorou vê-la naquela casa linda, rica e elegante que pertencia aos Cullen há séculos. Mas as outras coisas que ela trouxera para aquela casa foram bem mais valiosas: amor e felicidade.

Ao pegar a garrafa de conhaque e um copo, ele estava ciente de que Bella ainda não havia saído do quarto. Enquanto abria a garrafa de conhaque, ousou lançar-lhe um olhar de lado. Ela parecia um fantasma pálido e desnorteado, observou ele. Os olhos dela estavam arregalados, e as lágrimas que ameaçavam cair causaram um leve tremor em seus lábios. Ela estava tentando se controlar e manter algum orgulho e dignidade. Mas ela não estava de pé onde ele estava e não estava vendo o que ele via.

Ela parecia vulnerável, exausta, tão abalada que era difícil acreditar que ainda estava inteira. A pele dela estava tão pálida que parecia de cera. E seu penteado queria desfazer-se. Mas não por muito tempo, ele prometeu a si mesmo enquanto se virava. Ele daria um jeito no cabelo dela muito em breve. Retiraria aquela presilha e deixaria o cabelo despencar solto pelos ombros. E ele umedeceria aquela pele de cera até que ela derretesse, ele tiraria aquela jaqueta jeans idiota dela e aquele vestido romântico com o qual pretendia agradar Jacob Black.

A raiva borbulhava dentro dele. Seus lábios fecharam-se para não deixar sair o som que vibrava em seu íntimo. Ele tiraria toda a roupa dela e começaria a reconstruí-la pelo lado de fora. Mas, por enquanto, ele não podia agir porque ela parecia um passarinho na gaiola tentando encher-se de coragem para escapar. E se ela o fizesse, ele teria que impedi-la.

Ele se serviu de uma dose generosa de conhaque e fechou a garrafa. Ao se virar novamente para ela, ficou aliviado ao ver que havia se movido, e não estava mais olhando fixamente para o nada, e sim para um retrato pendurado acima da imensa lareira em que seu pai aparecia abraçando Esme, linda com seus olhos dourados.

Esme estava olhando para cima enquanto o pai olhava para baixo, e apenas um cego não perceberia o amor e o afeto entre os dois.

— Você se parece com ele. — disse ela.

— Mm — reconheceu ele com um sorriso tímido. — Esme foi a segunda mulher do meu pai — explicou enquanto andava em direção a ela. — Minha mãe morreu quando eu era muito pequeno.

Ele ofereceu o copo a ela. Bella fez que não com a cabeça com a atenção ainda fixa no retrato.

— Podia ser Leah aqui com ele. — afirmou ela.

— Você acha que Esme parece ser tão jovem assim? — perguntou virando o retrato para ele. — É, parece. — Ele respondeu a própria pergunta. — Meu pai deixou Roma inteira chocada quando voltou de uma viagem de negócios com uma noiva tão jovem nos braços.

Ele tomou um gole do conhaque enquanto as lembranças invadiam sua cabeça, e, em seguida, deu uma risada leve.

— Ele tinha 54 anos e ela 23. Leah era uma cópia exata de sua mãe, e eu era um moleque rancoroso de 19 anos, chocado com a ideia de ter uma madrasta que eu teria dado em cima se a tivesse conhecido primeiro.

— Teria mesmo? — perguntou ela olhando para ele ironicamente.

Levou alguns minutos para que ele entendesse por que ela estava dizendo aquilo.

— Ah. — Ele sorriu. — Esqueci que não tenho escrúpulos.

Ele não devia ter dito aquilo. Ele percebeu no exato momento em que o comentário sarcástico deixou sua boca. Ela se virou para ele por um segundo, virou-se novamente e saiu correndo.

Ele saiu correndo atrás dela, tendo que parar para de desviar do armário e deixar o copo que segurava para trás. Ela já havia aberto a porta e estava desaparecendo pelo hall.

Ele xingou em italiano. Aquele passarinho engaiolado havia fugido, mas na ânsia de escapar dele pegou o caminho errado.

Kkkkkk esses dois são como gato e rato! Um fugindo do outro! Comentemmm meninas!!! Bjimmm!!!