Capitulo 8 Black em aulas, estudos e tutorias

Com as portas do grande salão se abrindo e a entrada dos novos primeranistas, começa mais um ano escolar. Dessa vez não ocorre nenhuma surpresa durante a seleção. Sentado a algumas cadeiras de distancia estava um sorridente e presunçoso Régulo Black, conversando animadamente com outro jovem que tinha sido selecionado para a sonserina junto com ele.

Vendo-o sorrir, percebo como ele parecia com o Sirius. Tinham a mesma cor dos olhos, cabelos negros ondulados e o mesmo sorriso travesso. A diferença entre eles é que o Régulo é mais baixo e menos corpulento do que o irmão. Apesar do Sirius ainda não estar ainda no time de quadribol, ele gasta muito tempo treinando, o que lhe garantiu ter um corpo mais forte, do que o irmão franzino.

O Régulo sempre foi mais calmo e tranqüilo do que o irmão. Aprendeu desde cedo, vendo as brigas do Sirius e de seus pais, que era muitas vezes preferível ficar quieto e abaixar a cabeça. Ele viu de perto os crucius que seu irmão recebia sempre que se rebelava. Muitas vezes no ano passado, ouvi as preocupações do Sirius sobre a influência dos seus pais no Régulo, sendo que ele passou um ano inteiro sozinho com eles. Como irmão mais velho Sirius sempre foi muito protetor com o irmão, preferindo muitas vezes quando era mais novo assumir a culpa por algo e tomar a punição no lugar dele. Seu maior medo durante o ano passado era que os pais transformassem Régulo em um bastardo preconceituoso.

Após o jantar, presencio uma cena que me corta o coração. Sirius tenta se aproximar do irmão após sair do grande salão, chamou por ele que o ignorou. Então corre até ele e puxa seu braço pra chamar sua atenção. Sirius é afastado rudemente com um empurrão, finalmente tendo Regulo olhando pra ele.

̶ O que você quer Sirius? Por que não fica lá com seus amigos grifinórios traidores do sangue? Verem nós juntos pega mal para mim. Estar do lado de um grifinório amante de trouxas é uma vergonha para mim. Esqueça-me, você não é mais meu irmão.

Antes que Sirius pudesse dizer algo, Régulo sai pelo corredor com seu amigo em direção ao salão comunal da sonserina. Percebo que os olhos de Sirius se enchem de lágrimas, tentando segura-las mordia o próprio lábio quase o fazendo sangrar. Pego na mão dele e o levo até uma sala vazia. Assim que fecho a porta, puxo-o para um abraço. Neste momento suas lágrimas descem pelo rosto. Tento passar conforto e acalmá-lo.

̶ Eu sabia que isso iria acontecer. O Reg é muito influenciável, ficou um ano inteiro ouvindo as loucuras dos nossos pais. Só poderia dar nisso. Eles me deixaram preso no quarto o verão inteiro e não consegui falar uma palavra com ele.

̶ Agora ele esta em Hogwarts longe da influência dos pais. Não precisa se preocupar.

̶ Longe dos nossos pais, mas cercado por sonserinos que pensam da mesma forma.

̶ Nem todos da sonserina pensam igual, Sirius. Fique calmo. Vou manter um olho nele.

Após alguns minutos passando confiança para o Sirius, saímos da sala e nos despedimos.

Havia se passado uma semana desde o início do ano letivo. Como é sábado, decido levantar mais cedo e aproveitar o silêncio da sala comunal para ler um dos livros que o Lucius havia me emprestado. Minha leitura é interrompida quando Régulo e seu amigo sentam ao meu lado no sofá.

̶ Régulo, meu primo. Como está sendo a primeira semana de aula?

̶ Está sendo bem tranqüilo. Os professores passaram poucas tarefas por enquanto. Deixa-me te apresentar o meu amigo, Bartolomeu Crouch Jr.

̶ Pode me chamar de Barty, senhorita Black. Está aproveitando a manhã?

̶ Sim, o silêncio é ótimo para ler.

̶ Posso ver o livro que a senhorita esta lendo? Talvez pudesse me emprestar depois de ler.

Fecho o livro que ainda estava aberto no meu colo e mostro a capa para ele, que ao ler o título da um pequeno sorriso travesso.

̶ "Mergulhando nas trevas" do Alex Travell. Acredito que este livro seja muito avançado para vocês. Foquem nos livros das aulas por enquanto. Tenho certeza que há muito pra vocês aprender neles. Vejo vocês mais tarde, preciso falar com meu afilhado.

Levanto e vou em direção de Severo que tinha acabado de entrar no salão comunal. Puxo-o para um canto e digo que vou apresentar ele para dois primeranistas, que eu quero que ele se aproxime deles para ficar de olho neles. Severo não tinha o velho e tradicional preconceito puro sangue, sendo um mestiço. Deixei claro para os garotos que Severo era meu protegido e deveria ser respeitado, apesar do status do sangue. Além de tentar controlar o preconceito sanguíneo do meu primo, essa ação garantiria uma amizade com uma família antiga como era a família Crouch. Isso iria beneficiar Severo no futuro.

Depois disso o ano passou rápido e sem alterações. Consegui dividir o meu tempo perfeitamente, para que eu pudesse ter meu tempo sozinha meditando, treinando minha oclumência e também passar algumas horas com meus amigos e colegas.

Pelo menos duas vezes por semana acontece um grupo de estudos entre membros seletos da sonserina. Além de trocar ideias sobre as matérias de aula, realizamos estudos mais aprofundados e praticamos duelos e magia negra. Fazem parte desse pequeno grupo eu, Lucius Malfoy, Augusto Rockwood, Teodor Nott e Narcisa Black. Eles são alunos do sétimo e sexto ano, consigo aprender bastante com eles, sendo que estou somente no quarto com os duelos, que são bem desafiadores.

Em outro dia da semana auxilio e observo um grupo pequeno que Severo fazia parte. Entre eles se encontram Alex Mulciber, Barty Crouch Jr. e Régulo Black. Depois de muito me pedirem, aceito ajudar eles com conteúdos do primeiro, segundo e até o terceiro ano. Assim ajudando eles se adiantarem um pouco nas matérias e ao mesmo me recordava dos assuntos desses anos.

Com aulas, estudos e tutorias os meus dias passam voando. Ainda mais com a temporada de jogos de quadribol já começou e sempre em dia de jogo, a Brenda me arrastava para torcer por ela nas arquibancadas e depois das vitórias contrabandeamos bebidas e comemoramos muito.

Num dia desses aproveito os raros momentos de paz para dar uma volta pelos corredores de Hogwarts. Lá fora o sol brilha forte e a maior parte dos alunos foram para Hogsmead. Aproveitando a calmaria pego um livro na biblioteca sobre animagia e caminho até um ponto distante do castelo, sentando embaixo de uma grande árvore solitária.

Depois de um tempo lendo, interrompo minha leitura quando percebo uma jovem vindo em minha direção. Quando ela chega mais perto vejo que é a amiga do Severo, Lilian Evans, a nascida trouxa. No momento que ela percebe que alguém já ocupa aquele local, caminha com mais cautela para mais perto pra ver quem esta lá.

̶ Desculpe, não queria te atrapalhar. Não sabia que tinha alguém aqui.

̶ Não tem problema. Pode sentar aqui comigo, eu não me importo. Seu nome é Lilian, não é?

Ela concorda e senta ao meu lado na sombra da árvore.

̶ Você vem sempre aqui, Lilian?

̶ Sim, depois da biblioteca, este é meu lugar favorito. Venho sempre que quero ficar em paz. O salão comunal da grifinória é aconchegante, mas nunca é silencioso.

Ficamos conversando até perto do anoitecer. Falamos sobre a amizade dela com o Severo, sobre a ciumenta irmã trouxa dela e sobre a teoria da magia. Esse encontro inesperado foi realmente bom e interessante. Ao longo do ano, esses encontros com Lilian aconteceram diversas vezes. Parece que ela não se importava de conversar comigo apenas naquele lugar. Seria complicado, tanto pra mim como pra ela explicar para nossos colegas de casa, que com toda certeza acreditariam que estávamos traindo nossas casas.

Após a pausa do ano novo, volto para a escola decidida a me tornar um animago. Nesse período li diversos livros sobre o assunto e conversei com meu pai, que me deu total apoio e ainda me aconselhou a falar com a professora Mcgonagall sobre isso, tendo a possibilidade dela me tutoriar. No final da aula de transfiguração, fui até a professora, que apesar de ser chefe da grifinória, sempre foi justa comigo. Fiz o pedido para ela que me questionou o motivo de querer de aprender.

̶ Eu pesquisei muito sobre o assunto. Sei que é algo complicado, mas acredito no meu potencial. A magia é algo incrível e penso que se temos potencial de expandir nosso conhecimento e habilidade é a nossa obrigação de fazer.

̶ Para tornar-se animago é preciso ter muita determinação, pode demorar meses ou anos para conseguir. Além de ser muito perigoso, se não tiver acompanhamento adequado e algo der errado, pode ficar com partes de animal de modo irreversível.

̶ Estou determinada a me tornar uma bruxa cada vez mais poderosa. Não importa o tempo que levar. E quanto ao perigo, foi por isso que vim até a senhora. Para pedir que me ajude nessa empreitada.

̶ Bem, senhorita Black. Se esta tão determinada como diz, eu aceito ser sua tutora. Para ter sucesso em se tornar um animago é preciso ter um bom conhecimento em transfiguração e poções. Suas notas na minha matéria são muito boas e Horacio vive jogando seus talentos na cara dos outros professores, então acredito que não tem nenhuma dificuldade em poções.

̶ Minha melhor matéria é defesa contra as artes das trevas, mas não tenho nenhuma dificuldade nas outras. Consigo manter um bom rendimento em todas.

̶ Ótimo. Venha até meu escritório amanhã depois do jantar para começarmos.

No dia seguinte, no horário marcado, bato na porta do escritório da professora. Após alguns segundos de espera a porta se abre sozinha e entro no escritório, encontrando um gato que estava sentado em cima da escrivaninha ao lado de uma pilha de livros e objetos. O gato salta da mesa e se transforma na professora, que me sorri ao ver meus olhos impressionados e empolgados.

̶ Sente-se senhorita Black. Diga-me se já leu algum desses dez livros sobre animagia.

̶ Destes livros só não li dois deles. O animal dentro de si, do Jofrey Seni e o Relato de uma bruxa coelho, da Loesy Lan.

Ela olhou-me impressionada por eu já ter lido mais da metade daqueles livros. Explico que alguns deles li durante o ano e na pausa do fim do ano e outros já tinha lido quando era mais nova. Principalmente o livro escrito pela própria Morgana Le Fay, onde tinha relatos sobre sua transformação animaga em corvo. Sempre gostei e admirei muito ela por todo seu poder.

̶ Alguns desses livros são bem raros.

̶ Eu sempre tive as bibliotecas Black e Malfoy a minha disposição. São consideradas as bibliotecas particulares mais bem servidas da Grã-Bretanha.

̶ Sorte sua ter esse privilégio. Então como eu disse ontem, precisa ter muita determinação para tornar-se um animago. Tem vários passos precisos que devem ser realizados. O primeiro passo é passar um mês inteiro com uma folha de mandrágora na boca. Você não pode tirar ela da boca em nenhum momento, senão vai ter que começar tudo desde o começo. Você pode colocá-la na boca daqui uma semana, que vai ser o primeiro dia de lua cheia.

Saí do escritório com os dois livros de baixo do braço, uma folha de mandrágora no bolso e muita determinação no coração. No entanto não foi fácil manter aquela folha na boca, por duas vezes enquanto almoçava engoli a folha junto. Então tive que repetir três vezes o processo.

Após conseguir ficar um mês inteiro com a folha de mandrágora na boca, a coloquei num frasco de cristal enquanto era banhada pela luz da lua cheia. Tive sorte por estar um céu claro, sem nenhuma nuvem. Junto da folha, coloquei um fio do meu cabelo, então com uma colher de feita completamente de prata peguei o orvalho de um lugar que não tinha recebido a luz solar por sete dias. Depois disso tudo, coloquei também uma crisálida de uma Aquerôntia, que é uma espécie de mariposa. Após esse processo tranquei o frasco em uma caixinha de madeira, para que não entrasse nenhuma luz do sol e nem ser tocada ou olhada por ninguém, nem por mim mesma.

Precisei esperar cinco meses até a primeira tempestade do ano ocorrer. Durante esse tempo, todos os dias, no nascer e no pôr do sol, precisei apontar a minha varinha para o meu peito e recitar o feitiço " Amato Animo Animato Animagus". Após a primeira vez que recitei o feitiço comecei a sentir um segundo batimento cardíaco, como um segundo coração batendo no meu peito. No começo era fraco e lento, mas com o tempo tornou-se mais forte e rápido. Esse segundo batimento mostrava que eu estava no caminho correto, pois se não o sentisse era porque algo estava errado e teria que começar tudo novamente.

Durante todo esse período a professora Mcgonagall encontrou-se comigo pelo menos uma vez por semana. Além de trabalhar o meu processo pra animago, também me ensinou algumas transfigurações mais avançadas e complexas. Neste período de tempo ficamos muito próximas. A professora tinha um humor ácido e crítico, sempre atenta aos detalhes para melhorar nosso desempenho mágico. Apesar de ter uma aparência severa, é cheia de energia e sempre disposta a dar um elogio quando merecido.

Nesses cinco meses de espera pelos raios, terminou e começou um novo ano letivo. Mesmo nos dois meses de férias mantive contato com a professora. E caso acontecesse um tempestade de raios nesse período, tinha a liberação para ir até Hogwarts para completar o processo.

Foi somente no início de outubro que finalmente o céu ficou escuro e repleto de nuvens pesadas, imediatamente que começou a escurecer, peguei o frasco que estava guardado e junto com a professora Mcgonagall corri para o lugar afastado onde sempre me encontrava com Lili. Abri o frasco e dentro tem um único gole de uma poção vermelho-sangue. Antes de tomar a poção apontei a varinha para meu peito e novamente recitei o feitiço.

̶ Amato Animo Animato Animagus.

E então tomei a poção. No começo senti apenas um desconforto, mas em breve cai no chão gritando com um dor incrível