Aviso importante, não mais criarei notas iniciais como está. Eu acabo por gastar um tempo demasiadamente desnecessário à escreve-las e ninguém ou quase ninguém as lê. É um tempo perdido que sinceramente, só me cansa. Vou limita-las à avisos sobre a estória e sobre os capítulos em si, como eu imagino que elas tenham sido pensadas para ser, não?
E já entrando no embalo: Eu demorei-me para postar este capítulo pois gastei o último final de semana inteiro acertando o planejamento desta fanfic. Não ficou o fino do fino, mas ficou ok. Depois disso eu demorei um pouco para pegar o ritmo de escrever de novo, mas cá estamos nós. Se tudo der certo, até a próxima quarta não só eu terei recuperado estes capítulos de atraso como terei alguns capítulos escritos em off e prontos para serem postados. Até lá, esperem um pouco, tá bom, queridos?
Ah! A partir DESTE PONTO, a fic sofre uma guinada de roteiro e tende a ficar mais tensa, então, acabou a paz, acabou a brincadeira.
Boa leitura.
Disparos de pólvora enchiam o ar como se canhões atirassem contra um inimigo invisível, e depois uma vez mais as explosões foram ouvidas.
As karpas de pegar peixe já estavam no ar e, com sorte, elas trariam de volta algo que pudesse ser usado para talvez sujar as panelas de Sanji.
Usopp não se contentou com as karpas, no entanto.
Não havia tempo para se desperdiçar, assim como não havia mais espaço disponível por sobre os corrimões do Sunny.
Todos estavam agora empenhados na pesca.
Não era por menos.
Estupidez era a única palavra que poderia ser usada para definir. Talvez estupidez e incompetência fossem a dupla mais certeira para definir o momento pelo qual passava.
Estupidez pois haviam se descuidado, e feio. Talvez seja porque todos estavam apreensivos demais depois de fugirem de Wano deixando tudo para trás, talvez seja porque eles estavam cansados da ação desenfreada e o ritmo frenético que eles tiveram que manter desde que chegaram ao Novo Mundo.
Independe.
O fato era de que eles não haviam um estoque de comida muito farto quando passaram a ser perseguidos pelos dois Yonkou - não era como se o país de Wano fosse um paraíso onde da terra nasciam fontes ilimitadas de alimento para todos os que ali viviam, e toda a comida do país se perdeu naquele maldito festival.
E eles não foram exatamente um exemplo do que fazer em casos de escassez de modo geral. Sanji até tentou impor algo parecido com um racionamento, mas tudo foi por água abaixo quando eles tiveram a genial ideia de fazer um banquete em comemoração ao aumento das recompensas do bando.
Sendo que, em alguns casos, esse aumento era desmerecido.
Oh, incompetência.
O que havia ele para oferecer como explicação para os seus 736 milhões? Que competência tinha ele que lhe valesse tanto?
Há semanas vinha falhando em trazer para o Sunny um peixe sequer, e agora aqui estavam eles.
Um navio de desesperados onde há três dias ninguém sabia o que era comer. Não à toa o empenho de todos estava nisso agora.
Varas de pescar agora dominavam completamente as bordas do Sunny. Usopp já havia perdido a conta de quantas karpas ele havia lançado na esperança de que alguma lhe trouxesse uma resposta positiva, mas nada. Sanji, assim como Jinbe, estavam mergulhando para tentar encontrar uma pista de algo comestível, o Sanji usando seu Blue Walk e o Jinbe... bem, sendo o Jinbe.
Franky estava enfiado na casa das máquinas tentado, de algum jeito, acelerar o passo das pás do Sunny de maneira que o combustível do navio não se acabasse antes de chegarem de fato até a próxima ilha.
Nami e Robin estavam no convés superior, Robin lendo na biblioteca em busca de algo que servisse de ajuda nessa situação e Nami cuidando das suas laranjeiras e, vira e meche, espiando por entre as vigas do corrimão para o Luffy de maneira desconfiada. Luffy, por outro lado, assim como ele e Chopper estavam vigiando as varas e linhas de pesca.
Brook, por fim, partiu correndo por sobre as águas em uma direção aleatória na esperança de ver uma sombra de peixe que valha algum fio de esperança, vasculhando as águas com sua alma.
E assim se foi o primeiro dia.
E o segundo.
Três dias se passaram sem qualquer sucesso ou novidade.
No quarto dia, uma das karpas acabou por acertar Brook enquanto ele corria, dando uma falta esperança de que talvez eles tivessem pegado algum peixe de tamanho mediano para, quem sabe, sujar os dentes deles por uns dias que fosse.
Brook foi linchado naquele dia.
No quinto dia, Franky entrou para o grupo de pesca, mas eles não tiveram qualquer sucesso.
Tampouco o obtiveram no sexto.
À exceção de Franky e Brook, cujos corpos já não eram totalmente orgânicos, a fome já havia dominado todos os membros do bando por completo.
Carrancas de irritação dominavam os semblantes de rostos cada vez mais magros da tripulação nos dias que se seguiram.
Entre o décimo terceiro e o décimo quinto dia de jejum Franky começou a montar máquinas e mais máquinas para tentar pescar.
Algumas não passavam de autômatos que cumpriam a simples função de atirar o anzol com a isca em direção ao mar. Outro, mais moderno, ficou na função de vigiar as várias varas e linhas de pesca para puxar automaticamente, mas a máquina nunca chegou a puxar as linhas. Uma outra, mais passiva, agia como um filtro por onde a água subia por debaixo do leme e caia como cascata pelas laterais do casco.
A mais robusta e agressiva de todas as invenções era uma espécie de canhão mirado para a face da água por onde os tripulantes - por dentro de uma cápsula segura - eram atirados a toda força metros e mais metros em direção ao mar profundo para tentar encontrar comida.
Participavam das expedições Luffy - com uma roupa especial totalmente vedada desenvolvida por Usopp -, Sanji - impulsionado pelo seu Blue Walk -, Zoro - que até então haviam esquecido que estava na torre de vigia -, Jinbe - cuja capacidade natatória Franky havia esquecido-se completamente enquanto desenvolvia sua máquina -, Franky - por meio de uma modificação submarina de si mesmo -, Usopp - que fora o único a se lançar mar abaixo sem qualquer roupa ou capacidade especial - e Brook - que enviara a própria alma com o grupo.
Era impressionante o quão cristalina eram aquelas águas, pois, mesmo do fundo oceânico dava para ver todo o caminho até os infernais raios de sol sem qualquer turvidão.
Era possível também enxergar a total falta de peixes que ali havia.
Mesmo assim, esse se mostrou o método mais produtivo.
Encontraram assim algumas moedas de ouro, duas fotos, um par de botas, uma coroa enferrujada, os restos imortais de uma boa espada, três esqueletos abraçados, quatro taças quebradas, uma garrafa fechada de um bom vinho, mas nada que lhes enchesse a barriga.
Como o Sunny andava a passo de tartaruga, foi assim no primeiro, no segundo, no terceiro, no quarto, no quinto, no sexto e no sétimo dia.
No oitavo dia, um dia particularmente quente, Usopp agarrou-se à uma truta que estava de passagem e que parecia ter o dobro de seu tamanho, além de dez vezes o seu peso.
E ele deu combate só, pois os demais companheiros de fundo do mar estavam longe demais para ver e socorre-lo.
O animal era veloz, forte e arrisco, debateu-se sobre o agarre do homem e tentou morde-lo para se livrar. A poeira do solo marinho ergueu-se com o confronto dos dois guerreiros do mar, e Usopp, cujo cansaço e a fome já cobravam seu preço sobre seu corpo, lutava contra a truta, contra o calor, contra o peso d'água e contra si mesmo para manter-se consciente e trazer o alimento para casa.
Ele abraçou por completo o tronco do bicho, tanto com suas mãos quanto com suas pernas, seus dedos cravaram-se e apertaram as escamas do animal, enfiando até mesmo por entre as guelras do pobre bicho e Usopp mordeu a barbatana dorsal para evitar que ele conseguisse fugir.
O peixe o arrastou, o acertou, o mordeu, o fez bater com a própria cabeça contra o chão, fez de tudo para soltar-se, mas Usopp estava determinado a mata-lo ainda debaixo das águas antes de subir com seu troféu.
Uma luta brutal onde ele seu corpo sangrou na medida que se cortava nas escamas do peixe.
Uma batalha que ele teria ganho se não tivesse sido puxado de volta para o navio por seus companheiros que nele permaneciam.
Ou era o que havia acontecido na cabeça do pobre homem.
Quando dias depois ele acordou, um magro Doutor Chopper explicou o que lhe ocorreu.
A fome, o cansaço, a fadiga, o calor o fizeram delirar. Uma alucinação perigosamente realista se somou à uma série de convulsões no solo do mar e Usopp desmaiou ao dar com a testa contra uma pedra.
Era um milagre que ele sequer tenha sobrevivido e não mais haveriam expedições para evitar que algo do tipo voltasse a ocorrer.
Usopp recebeu a noticia sem se abalar e manteve-se forte diante do médico. Manteve-se forte diante de seus companheiros. Manteve-se forte diante da fome. Manteve-se forte diante da dor. Mas na calada da noite, quando ele estava sozinho na enfermaria do outro lado de onde estavam todos os seus amigos, como manter-se forte diante de seu próprio fracasso?
Mais uma estória de pescador.
Mais uma farsa.
Uma piada de mal gosto que dava-lhe anseia só de ser contada.
E assim ele dormiu.
E num salto ele acordou.
Todos pularam de suas camas de sobressalto na manhã do trigésimo segundo dia de jejum forçado.
Todos correram para o convés as pressas.
—RÁPIDO!- gritava uma Nami de aspecto esquelético e pele tão pálida quanto leite. —É O LUFFY!- reportou ela lutando contra uma corda que puxava e escorregava contra seu aperto. —ELE TÁ SE AFOGANDO!
É isso queridos, boa quarta e um bjo. Papai ama vocês, até amanhã!
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