Escarlate: roupas de segunda mão

Capítulo 6
Debaixo


A risada da loira com quem dividia uma garrafa de vinho era tão contagiante que mesmo em seus piores dias, era difícil para a bruxa não acompanha-la.

Ginevra Weasley e Luna Lovegood haviam se tornado ótimas amigas ainda em Hogwarts. Mas diferente de muitas outras amizades que manteve, essa perdurou para além dos anos de colégio. A lufa-lufa sempre esteve ao seu lado nos ótimos e não tão ótimos momentos de sua curta vida, e a grifinória realmente esperava que sua amiga pudesse dizer o mesmo dela.

Almoços com aquela bruxa eram sempre divertidos, mas jantares acompanhados de álcool eram mais ainda.

"Draco Malfoy, então." A loira disse, encostando-se na cadeira de madeira, tomando mais um gole do copo de vinho, já pela metade.

"Luna, ele é meu amigo." A resposta foi automática - e verdadeira, não?

"Isso é surpreendente." A voz devagar não fazia questão de esconder nem a surpresa nem a diversão.

"Talvez amigo seja demais, ele é meu colega de trabalho e-" Ginevra tentou arrumar, começando a pensar em alguma forma de mudar de assunto. Seria uma tarefa quase impossível, conhecendo bem a amiga semiembriagada à sua frente.

"Ainda surpreendente." Luna deu um meio sorriso, terminando com seu copo de vinho. Ginevra precisava urgente arranjar algumas taças. "Você precisa admitir que é surpreendente." E precisava admitir que sim, era surpreendente E estranho colocar Draco Malfoy e amigo na mesma frase. "Assim como precisa admitir que todas nós já tivemos vontade de ver esse bruxo sem roupa, tatuagem de caveira ou não." E as coisas sempre podiam piorar com aquela bruxa.

Terminou seu copo antes da próxima frase.

"Não tenho como negar isso." Suspirou, lembrando-se de como todas as garotas - ela inclusa - notavam o quanto Malfoy ficava mais atraente com o passar dos anos.

O problema dela era continuar achando aquilo. Pior: achar aquilo enquanto solteira, sem ninguém para controlar sua mente. Pior ainda: ele vestir todos os dias a combinação trouxa que a fazia ferver por dentro. Era como se o bruxo não tivesse nada além de um jeans azul e inúmeras camisetas brancas.

"E ele te traz almoços." E ela estava discutindo Draco Malfoy com Luna, ao invés de chorar todas as suas lágrimas sobre Harry Potter. Nem mesmo mais chorava pelo ex-namorado, ex há menos de uma semana. "E vocês discutem sobre música."

"Yep." Afirmou outra vez tudo que havia falado pelo celular com a amiga - abençoada sejam todos os bruxos amantes de tecnologia trouxa como Lovegood.

Era sexta feira, e Ginevra sentia-se contente sabendo que sua única preocupação era abrir a loja sábado pela manhã. Beberia com Luna até aquela garrafa de vinho barato acabar e a única comida restante ser os biscoitinhos da sorte. Deitaria e dormiria um sono sem sonhos, como sempre acontecia quando enchia a cara.

Nem mesmo estava preocupada com a fantasia de Halloween que permaneceria em seu armário naquele ano, a festa bruxa que deveria atender junto de Harry Potter há muito esquecida. Não, amanhã seria seu tipo de festa: ela, Shine, e filmes velhos e ruins. Engraçado como nunca conseguiria fazer aquilo ao lado do antes namorado: Harry detestava ver televisão.

Ginevra amava assistir filmes até dormir. Teria uma TV em seu quarto assim que salvasse dinheiro suficiente para uma nova. Talvez colocasse aquela no quarto.

Ninguém seria contra aquilo, agora.

Draco seria contra aquilo?

Draco. Ela se referia à ele pelo primeiro nome agora.

"Você brilha diferente quando está genuinamente feliz, sabia?" escutou da amiga, depois de um tempo quieta.

Revirou os olhos, mastigando mais um frango frito.

"Você é muito estranha." Não conseguiria desviar mais do assunto, sabia.

"E você acha que eu sou muito ingênua." Conseguira desviar do assunto por quarenta e cinco minutos, era quase um record. Luna provavelmente lhe dera um tempo maior antes do interrogatório por tudo que acontecera na semana. "Passe o macarrão. Eu vou terminar com ele, e enquanto eu como, você vai me contar o quanto você quer pegar o seu vizinho."

Ginevra quase cuspiu o vinho que tinha na boca.

"Eu não quero-"

"Harry terminou com você-"

"Nós terminamos-"

"E você superou em menos de uma semana, Gina."

"Não tinha mais nada ali-"

"E então você me manda o ocorrido por mensagem, diz que está bem, e quando eu entro na loja hoje você está rindo-"

"Luna, você está interpretando mal-"

"Com Malfoy! Você estava rindo com Malfoy e comendo um donut!"

"Qual o problema?" perguntou irritada, já esperando a resposta que viria. Malfoy, o problema era que aquele era Draco Malfoy.

Como sempre, Luna sempre a surpreendia.

"Nenhum!" a bruxa serviu-se de mais vinho. "Não tem problema nenhum, Gi! Mas você precisa começar a ser mais verdadeira com você!" Gina respirou fundo, copiando o gesto da amiga.

"Eu sou verdadeira comigo!" mentiu entre uma risada nervosa e mais um gole, e agradeceu por ter engolido todo o conteúdo que tinha na boca antes de ouvir a próxima frase.

"Então admite logo que você pensa no que tem debaixo daquele jeans!"

Não tinha o que responder par aquilo, simplesmente porque era impossível olhar naquele par de olhos claros e mentir na cara dura. Ginevra já não era a melhor pessoa do mundo para contar mentiras, ela conseguia ser pior ao quadrado quando se tratava de Lovegood.

Mas a bruxa admitia aquilo para ela mesma, estava admitindo aquilo desde a madrugada que ouvira os gemidos que a fizeram começar a pensar no que havia ali em primeiro lugar. Sabia que queria ver o que tanto as meninas de Hogwarts fofocavam sobre quando era menina. Assim como sabia que nada de bom aconteceria se enfim matasse sua curiosidade.

"Por Merlin Luna, é Malfoy. Ele é meu funcionário. E não vá me soltar um e daí, ok?" disse, já vendo a amiga ameaçar abrir a boca. "Eu sei que não estou exatamente triste com o fim do meu namoro, e sim, ter uma distração que anda e me trata bem ajuda." Juntou coragem para enfim admitir em voz alta o que só estava até agora em sua mente. "E sim, eu já pensei algumas vezes no que pode ter debaixo daquele jeans. Mas não é como se eu fosse fazer alguma coisa."

Luna a olhou com uma mistura de admiração e desapontamento - uma combinação tão típica vinda daquela bruxa.

"Eu não consigo agir sem pensar nas consequências, não mais. Não desde o meu primeiro ano." Engraçado como Luna era uma das poucas pessoas que sabia daquele seu segredo. Uma das poucas que entendia o quanto aquilo ainda a fazia se guardar tanto de gente nova.

Sacudiu a cabeça, tentando não lembrar do quanto o bruxo andava sendo agradável desde a última quarta-feira. Não, bruxos como Draco eram perigosos demais para serem qualquer coisa além de amigos. Talvez até amigo fosse demais, visto que o bruxo no caso era um Malfoy.

Mas ela não precisava se preocupar com aquilo, certo? Malfoy dava suas escapadas com uma - ou umas - bruxa, pelo que ela bem lembrava. O colírio desgraçado tinha alguém - ou várias -, e ela não era nada - e nem nuca seria - além de sua chefe e colega de trabalho. E aquilo estava bom. Imagina-lo enquanto deitada estava mais do que bom.

"E eu nunca conseguiria dar para esse bruxo o que ele precisa."

"Você não conseguiria dar uma boa foda para Draco Malfoy?" E daquela vez o vinho manchou metade da mesa.


Talvez o pior daquele sábado fosse passa-lo considerando se ela conseguiria ou não ser o que sua amiga havia perguntado. Afinal, desistir da festa de Halloween trouxa que sempre ia com Harry, Hermione e seu irmão mais novo não havia sido tão difícil. Na verdade, não havia sido em nada difícil.

Era estranho como aqueles últimos dois nem mesmo haviam entrado em contato - ao menos Ronald. Duvidava que continuaria vendo Herrmione em sua vida se essa não fosse esposa de seu irmão e melhor amiga de seu namorado. Ex-namorado. Mas Ronald era seu irmão.

Mas então, Ronald era Ronald. Talvez ele ainda nem soubesse. Ou apenas não soubesse como agir, como sempre.

Bem, passar a noite de sábado no sofá não seria de todo ruim. Tinha doces e todos os filmes de terror trash possíveis em DVD. Trancou a porta da frente do brechó após apagar a luz da entrada, atravessando a rua correndo e dando de cara com justo o bruxo que ela havia dispensado do trabalho naquele final de semana.

"Por que não está vestida como uma bruxa safada indo para alguma festa trouxa?" Foi a primeira coisa que ouviu do homem que também naquele sábado vestia a mesma combinação que acabava com sua paz mental. "Vai virar a velha dos gatos se ficar enfurnada dentro de casa. Logo mais a branca ganha um irmão." A observação irritante foi feita com ele abrindo a porta da frente do prédio, outra coisa que nunca imagino que Draco Malfoy algum dia faria - ao menos não para ela.

Ele fazia aquilo porque os dois eram amigos. Colegas de trabalho. Ela era sua chefe, e Draco estava apenas sendo educado.

"A festa do meu sofá é muito mais interessante." respondeu, ambos subindo as escadas do prédio antigo. "E tem a Shine e sorvete." Mas morar no primeiro andar não dava muito tempo para manter qualquer conversa. O loiro já estava com a chave na mão quando a bruxa decidiu não manter as próximas palavras apenas em seus pensamentos. "Eu tenho o bastante para dividir."

Era óbvio que ele teria algo de muito mais interessante para fazer naquela noite, a garrafa de vinho que tinha nas mãos lhe contava aquilo.

"Tem de chocolate?" Ginevra definitivamente não esperava aquela resposta.

"Sempre tem chocolate na minha casa." Abriu a porta, ainda não acreditando no que tinha acabado de fazer. Depois de mais de cinco anos indo na mesma festa de Halloween, naquele trocava tudo pela companhia de um Malfoy. Não que ela considerasse ir para a festa de Harry Potter, mas ainda assim. "Assim como filmes trouxas que você tanto gosta." Sua família surtaria se soubesse daquilo.

"Só vou pela gata."


E agora, era oficial: aquele loiro sabia ser uma ótima companhia quando queria.

"Você ama doces." Jogou na cara dele quando viu o bruxo pegar mais uma colher de sorvete.

Uma Weasley e um Malfoy, sentados lado a lado num sofá, vendo um filme trouxa e dividindo um pote de sorvete napolitano. Que realidade estranha era aquela que fora parar?

"Eu nunca disse que não gostava."

"Então por que você nunca comia nada que eu te oferecia?" O lembrou de todos os donuts negados. "Eu achava que você detestava açúcar - mas era só você sendo insuportável como sempre."

"Deve estar sendo muito difícil passar o Halloween com uma companhia tão insuportável." O bruxo encheu novamente o copo de Ginevra, outra vez vazio. Ela precisava comprar taças. "E eu como todos os malditos biscoitos que você me dá. Antes que eu me esqueça, eles são ótimos. Pode continuar me oferecendo - pode continuar com os chás, também."

"Oh Merlin, Draco Malfoy elogiando meus biscoitos." Riu, sacudindo a cabeça "O inferno vai congelar."

"Ou talvez isso tenha sido uma indireta para eu ganhar mais biscoitos." Draco respondeu, enchendo o próprio copo.

"Talvez você devesse pedir biscoitos para a bruxa com quem está saindo." Ela disse, dando um tapa no ombro do bruxo. "Você está saindo com uma bruxa, não está?" Perguntou, não imaginando que fosse ganhar uma resposta.

"Não mais, por que?" Oh, merda. Realmente tinha uma boca grande nas piores horas.

"Eu-" Desviou o olhar para televisão, dando um gole gigantesco no copo. "Aconteceu alguma coisa?" Arriscou a pergunta antes de conseguir manter a boca fechada.

"Astoria queria mais do que eu estava disposto a dar. E quando viu que nunca ganharia o que precisava, ela foi embora." Draco disse, não parecendo desconfortável em responder uma pergunta tão pessoal. "Acho que seu azar amoroso está passando para mim, Escarlate." Ele a cutucou no ombro, como um amigo de velha data.

E ali estava ela, fazendo amizade com Draco Malfoy. Ainda queria saber o que tinha debaixo daquele jeans, que o bruxo insistia em usar até naquela noite? Queria, quem não gostaria, tendo o bruxo sentado em seu sofá? Mas até ontem, não achava que iria dividir nada além de fantasias com aquele nome.

E hoje, já queria saber quando seria a próxima vez que dividiriam vinho e sorvete.

"Que sorriso é esse? Feliz por me ver no seu sofá?" Também.

"É a primeira vez que você me responde qualquer coisa da sua vida. Eu olho para sua cara todos os dias já faz dois meses, e só sei que você gosta de chá."

"Não era importante. Mas não force a sorte," O bruxo continuou antes que ela pudesse responder. "Já basta eu ter virado sofá de gato." Draco apontou para a bola branca que dormia em suas coxas. "E agora é minha vez. Por que diabos você desistiu do Quadribol? Você era ótima."

Outch, ela era bom em pegar nos pontos fracos dos outros, então. Ginevra realmente não queria se alongar naquela resposta, mas não tinha como não dizer nada. Ou tinha?

"Não o suficiente."

"Eu não elogio perdedores, Escarlate." O ex-sonserino insistiu. "Por que um brechó ao invés de Quadribol? Precisa ter algum significado esse amor por coisas velhas e trouxas."

Suspirou, esvaziando mais uma vez o copo.

"Eu te conto quando você me contar o que está fazendo na minha loja. Não vale dizer que está trabalhando." Advertiu.

"Mas eu estou trabalhando."

"Pela primeira vez na vida."

"Besta." Ele revirou os olhos.

"Trouxa." E ela copiou o gesto no segundo seguinte.

"Nem tenho como negar, até vestido como um eu estou." Draco brincou - brincou -, dividindo o vinho que ainda restava na garrafa entre ambos. Desejou saber o quanto o bruxo seria receptível à todas as outras perguntas que ela gostaria de fazer. "Pergunte logo." Escutou-o dizer, como se lendo sua mente. "Sua cara diz tudo, Escarlate. O máximo que vai acontecer é não ganhar uma resposta."

Seus olhos foram inconscientemente para sua mão direita, pela primeira vez em meses sem nenhum machucado. Ela poderia perguntar aquilo, não poderia? A resposta seria tão pessoal para lhe ser negada?

"Como você consegue usar magia sem sua varinha?"

Pela cara que o bruxo fez, sabia que sim, era bem pessoal. Então quando Draco enfim deu uma resposta depois de colocar o copo vazio sobre a mesa de centro, Ginevra mal escondeu a surpresa e o contentamento no rosto.

"Eu só consigo fazer algumas coisas, como o que te mostrei." Sentiu a mão quente do bruxo tocar na dela por um breve momento. "Demorou um verão inteiro e muito medo da parte de minha mãe para eu aprender, Escarlate. Ela queria que eu conseguisse me defender caso eu ficasse sem. Isso foi no verão do quinto para o sexto ano." Sexto ano. Fora o ano que Harry estava tão paranoico quanto ao bruxo sentado na sua frente - com razão.

O ano que Draco ganhara a marca, não?

"Intuição de mãe é difícil de falhar." Ela lembrava de notar as olheiras gigantescas que acompanhavam os olhos claros toda vez que Harry fixava o olhar no bruxo sangue-puro. "Não sei se você sabe ou lembra, mas eu fiquei sem a minha varinha."

E sim, ela lembrava. Lembrava do ex-namorado contando que fora ele quem tirara a varinha de Malfoy.

"Agora pare de me assediar e preste atenção no filme. Essa é a melhor parte."

"Você já viu esse filme?" Deixou a pergunta sair numa voz desacreditada, aceitando que já havia ganhado informações suficientes, e que o loiro, como ela mais cedo, gostaria de mudar de assunto.

"Clássico do horror - e eu amo filmes de terror. Vai ter que aturar isso se quiser continuar dividindo um sofá." O bruxo respondeu, aumentando o volume. "Todos nós temos algum segredo obscuro, Escarlate."


Acordou intoxicada com o cheiro que estava aprendendo a gostar, doce e cítrico. Maçã verde. Tinha ouvido algum barulho, com certeza, mas o barulho era a última coisa em sua mente assim que abriu os olhos. Havia pegado no sono, e sua cabeça descansava no ombro do bruxo com quem estava dividindo seu Halloween, o filme que passava na TV há muito terminado.

Draco escolheu o mesmo momento para abrir os olhos, e Ginevra sentiu o coração acelerar quando as órbitas cinzas azuladas focaram nela.

"Eu não quis te acordar." A voz saiu rouca, baixa, denunciando que como ela, o bruxo havia dormido. "E acabei pegando no sono."

Tão perto. Ele estava tão perto, os lábios estavam tão perto, aquele cheiro, o braço que estava protetor em sua cintura. Ela ainda apoiava a cabeça nele quando o bruxo se acomodou no sofá, de algum jeito a puxando para ainda mais perto dele.

Ginevra sentiu as pernas moles e um frio na barriga que havia a muito desaparecido de sua vida. Oh merda, ele conseguia ouvir o quão rápido seu coração batia? Estaria ele fazendo aquilo de propósito, só para no final jogar na sua cara o quão ridícula era a jovem, o quanto um Malfoy nunca, jamais-

"Escarlate, eu-" E então, a porta da frente abriu.

Demorou mais de um segundo para Ginevra registrar o que acontecia, e alguns segundos a mais para se afastar do par de braços confortáveis e olhar para seja lá quem fosse que interrompia aquele momento.

"O que está acontecendo?" Nunca viu aqueles olhos tão magoados.

"Nós estamos dormindo juntos, é isso que está acontecendo." E então, lembrou justamente quem era a pessoa que dividia um sofá com ela.

Oh, merda. Ela realmente estava xingando muito mais que o habitual - mesmo que fosse em pensamento.

"Harry, não é o que você está pensando!" Foi a primeira coisa que saiu de sua boca, e só quando ouviu percebeu o quão ruim a frase tinha sido. "Nós pegamos no sono, é só isso." Era só isso? "Malfoy-" E por um segundo, os olhos que antes demonstravam carinho, agora a encaravam tão machucados quanto os verdes.

"Voltamos para o Malfoy, Ginevra?"

E era por isso que não deveria ouvir conselhos de Lovegood. Era por isso que Ginevra deveria ter ouvido sua intuição e ter passado com Shine o Halloween, sozinha com seu sorvete de chocolate.

"Vai pra casa." disse, enfim se afastando do bruxo e começando a andar até Harry, que encarava os dois com um sorriso irônico. Ela deveria mesmo fazer aquela escolha? Deveria mesmo mandar embora a pessoa que escolhera ficar com ela aquela noite?

Mas como poderia fazer aquilo com quem foi seu companheiro por tantos anos?

E por que Draco não levantava de seu sofá?

"Vai pra casa, Malfoy! Eu sou sua chefe!" Saiu de sua boca antes que pudesse se conter. Ginevra odiava brigas por causa daquilo: nunca conseguia controlar seu temperamento, assim como nunca conseguia sair por cima de qualquer uma.

E um sorriso muito similar ao de seu ex-namorado foi parar no rosto do ex-sonserino.

"Não sabia que estávamos trabalhando." Agradeceu e amaldiçoou quando Malfoy levantou-se. Tudo que havia construído com ele até então, qualquer ponta de amizade, fora destruído naquele último minuto. Teve a certeza daquilo com o último olhar que lhe fora dado, antes do loiro passar por Harry. "Meu salário a noite é o triplo, Escarlate."

E o bruxo se foi, batendo a porta. Então era aquele o momento que ele finalmente a mandaria pro inferno - e por culpa dela.

Achava engraçado agora o que considerava antes ser a pior coisa daquele dia.

Talvez a pior coisa de seu sábado de Halloween era vê-lo sair pela porta depois de olha-la como se estivessem de volta nos tempos de Hogwarts. Ou saber que deveria querer conversar com Harry Potter, e não deixa-lo sozinho e correr atrás do bruxo que dividia com ela o sofá até minutos atrás.

Ou ter a certeza de que, não fosse pela sua porta destrancada, teria finalmente descoberto se aqueles lábios eram tão bons como ouvira falar.


Nota da autora: Espero que ninguém queira me matar por esse final - não ia ser tão fácil uma pegação entre os dois, ÓBVIO, justo comigo escrevendo que curto um drama e espera eterna. Mas espero que tenham gostado!

Como sempre, me falem o que estão achando! Adoro as opiniões e comentários - me dão sempre ótimas novas ideias!

Beijão,

Ania.