Penúltimo capítulo! Tudo começa a fazer sentido. Esse capítulo foi particularmente difícil de escrever. Eu tive que voltar aos anteriores várias vezes para ter certeza de que não estava esquecendo de nada. No fim, acabou saindo da forma como eu idealizava. Espero que gostem!
Obscuridão
Capítulo 9 - Se Isso Significa Muito para Você
O tempo parecia estranhamente estagnado quando Sakura acordou na manhã seguinte.
Nuvens escuras tomavam conta do céu; sem abrir passagem para o sol, mas também sem libertar a chuva que prometiam. Era algo que Sakura podia relacionar-se, pois se sentia exatamente do mesmo jeito; querendo que algo bom para ela e Shisui saísse da reunião de hoje, mas com medo de construir muita esperança e acabar sendo decepcionada.
Ela tomou seu café nervosamente, mal conseguindo segurar a xícara com a maneira que suas mãos tremiam. Seu coração batia rapidamente enquanto procurava por roupas mais aceitáveis para uma reunião de clãs. No final, conseguiu uma boa combinação de gola alta com calça, suas botas usuais completando sua aparência.
Apesar do que Tsunade requisitou, Sakura mal conseguiu dormir naquela noite. Ela iria acordar várias vezes durante o sono e acabar pensando sem parar no que estava por vir, tornando quase impossível voltar a dormir. Era algo bom que isso estava prestes a acabar, de algum jeito. Se não do jeito que queria, pelo menos para não preocupar-se tanto mais.
Quando um de seus escrutínios cautelosos viu o relógio na estante de livros, na sala, marcar trinta minutos para as oito, Sakura engoliu sua ansiedade, respirou fundo e pulou a janela da cozinha, estabelecendo um ritmo decente através dos telhados. Ela estaria adiantada, mas pelo menos não teria que preocupar-se em estar atrasada… a situação já estava ficando ridícula em sua mente excessiva.
A torre estava praticamente vazia, assim como as ruas em Konoha, por motivos óbvios. Sakura correu por toda a escadaria e corredores até parar na porta da sala de Tsunade. A reunião não seria ali, mas Sakura não queria dar a impressão de estar muito afetada ou preocupada com a reunião chegando muito cedo, então ela deu duas batidas na porta do escritório da Godaime, abrindo antes mesmo de receber uma resposta.
Tsunade já estava de pé e preparada para o dia, pelo que podia ver. Na verdade ela parecia que nem havia dormido. Sua mentora a observou atentamente de sua mesa quando ela entrou e fechou a porta atrás de si. Finalmente achando o que procurava, Tsunade sorriu fracamente. "Teve uma boa noite de sono?"
Sakura apenas deu de ombros e se sentou na cadeira de frente a mesa.
Tsunade franziu a testa antes de voltar a pasta aberta em cima da mesa. "Vai ficar tudo bem."
Sakura suspirou cansadamente, mostrando que não estava totalmente indiferente. "Como você sabe?"
Mas Tsunade não respondeu porque no momento seguinte a pergunta de Sakura, Shizune entrou agitada pela porta, sem ar e com olhos negros arregalados. Sua boca estava aberta, prestes a dizer algo, quando seu olhar encontrou Sakura.
Instantaneamente seus lábios se fecharam. Shizune olhou Sakura por um momento em silêncio, depois desviou o olhar para Tsunade, que parecia transmitir uma mensagem para Shizune mesmo sem mudar sua expressão facial neutra.
"A sala já está pronta, Tsunade-sama," disse Shizune.
Tsunade assentiu uma vez, com seus olhos castanhos claros ainda fixados no espaço vazio à sua frente. Então, de repente, ela levantou, dissolvendo a ligeira tensão que havia aparecido na sala com o confuso comportamento de Shizune.
"Vamos então," Tsunade respondeu e Sakura seguiu a Godaime, que marchou até a porta com um ar todo poderoso. Shizune saltou para o lado e acertou o passo com Sakura, olhando-a em preocupação.
"Está tudo bem?" Shizune sussurrou, aproximando-se e tocando seu braço levemente. "Você está bem?"
"Sim," disse Sakura, sem tentar soar reconfortante como normalmente faria. Ela ainda lembrava do estranho comportamento de Shizune e Tsunade. "Ficarei bem quando isso estiver acabado."
Elas ficaram em silêncio depois disso. Os corredores estavam um pouco mais movimentados que antes, mas ainda não como costumavam ser. Shinobis saiam do caminho abruptamente enquanto Tsunade passava. Sakura e Shizune a seguiram até um corredor do outro lado do qual o escritório da Hokage era localizado. Elas pararam no final, em frente a uma porta larga e de aparência pesada que Tsunade abriu para revelar um grande cômodo, vazio de pessoas, mas com vários assentos rodeando as paredes e uma mesa no centro, perto da entrada.
Shizune se apressou até as janelas e abriu todas as cortinas, sem ter muito resultado vendo que o céu ainda estava bem nublado lá fora. A sala inteira mostrava que a última reunião de clãs que tiveram realmente era algo feito para Kaito. Não havia mesas com comidas, lanternas acesas contra o céu da noite e pessoas bem vestidas. Essa sala era uma das coisas que mostrava a seriedade da situação. Não teria ninguém conversando de maneira descontraída entre si. Seriam apenas discussões políticas.
"Vocês ficarão ao meu lado," Tsunade disse, sentando na mesa posicionada na frente da sala.
Sakura franziu a testa e olhou para Shizune, mas ela não parecia surpresa nem pronta para protestar. "Eu sei quase nada da pesquisa," ela respondeu Tsunade. "E vendo o que vocês vão tentar conseguir com isso, talvez fosse melhor se eu não estivesse envolvida."
Tsunade piscou, mas ainda parecia certa de sua decisão. "Eu não esperaria que você se envolvesse nisso, Sakura. Mas, como minha aluna e assistente, você está envolvida, de certa forma. Você fica. Nem se for apenas como um suporte silencioso."
Sakura olhou para Shizune novamente, que sorriu suavemente de volta. Ela olhou de volta para Tsunade e assentiu.
"Então, Shizune," disse Tsunade, "e o clã Hyuuga?"
Shizune parecia lembrar de onde estava. Ela deu um pequeno salto, saindo de seu estado de distração, e voltou a andar por volta da sala, arrumando coisas aleatórias em seu caminho. "Eles chegarão em breve, eu espero, Tsunade-sama. Hiashi-sama disse que tudo está dentro do esperado." Ela parou um pouco, juntando alguns pergaminhos perdidos em cima de um dos bancos e guardando-os em um armário na parte de trás da sala. Ao contrário do que Shizune havia dito antes, não parecia que a sala estava pronta. Shizune se voltou a elas. "E sobre–"
Mas Tsunade parecia saber exatamente o que Shizune queria saber porque ela a cortou abruptamente, suas sobrancelhas loiras franzidas profundamente e de forma severa. "Eles vão estar aqui um pouco mais tarde."
Seu tom tinha uma nota de finalidade e restou para Sakura sentar em uma das cadeiras e pensar sobre quem estavam falando.
Então, pelos próximos quinze minutos, ela continuou imaginando o que poderia estar acontecendo que estava fazendo as pessoas ao seu redor agirem de forma tão misteriosa. Sakura nem havia percebido quando isso começou acontecer; sua primeira pista foi Shisui e então, com uma ajuda de Mai, ela relutantemente admitiu a si mesma, tudo ficou mais claro. Ainda sim, por mais que tentasse, nada vinha à cabeça.
Mas no momento não tinha mais tempo para entreter esses pensamentos porque a larga porta se abriu e, exatamente como Shizune havia predito, membros do clã Hyuuga entraram pela porta. Sakura se levantou rapidamente e andou até o lado de Tsunade, vagamente ciente de que Shizune fazia o mesmo.
Tsunade levantou, arrumando seu manto. Ela assentiu para Hiashi, que liderava o grupo. Logo atrás Hinata, parecendo um pouco cansada, deu um pequeno sorriso para ela. Ao lado, sua irmã, Hanabi, sorriu mostrando um pouco mais de dentes. Então anciãos completavam o grupo e por último, para a perplexidade de Sakura, Tenten e Kō.
Sakura sentiu seu queixo cair. Ela não estava em uma missão com Ino? Tenten parecia pensar o mesmo pois sorriu apologeticamente como cumprimento. Depois que o grupo havia passado e escolhido lugares para sentar, Tenten rapidamente sussurrou em seu ouvido, "Eu explico depois." E com um aperto em seu braço, ela se apressou para sentar-se.
O que Tenten fazia ali de qualquer maneira? Ela, semelhante a Sakura, não fazia parte de clãs que tinham um dever específico com a aldeia. Sakura apenas estava ali porque Tsunade insistia…
Vários grupos de pessoas entraram momentos depois, inclusive Ino, que sorriu descaradamente e fez um sinal de paz com os dedos. Sakura mal se conteve de rolar os olhos; só Ino para fazer algo assim em uma ocasião séria. Shizune já estava organizando documentos e Tsunade apresentava uma expressão mais sombria a cada minuto que se passava; evidentemente incomodada com a presença dos anciãos–a maioria deles que esperavam por essas ocasiões para vangloriar-se para as outras famílias.
Sakura engoliu em seco, desejando que não estivesse tão nervosa. Agora que estava aqui, sua ansiedade parecia piorar com o humor de Tsunade ficando azedo, com a animação fora de lugar que podia sentir emanar das pessoas que estavam ali e a realização de que, depois disso, Shisui poderia estar prometido a outra pessoa…
Bile começou a subir de seu estômago, em direção a garganta, ao mesmo tempo em que seus pulmões falharam em puxar ar, como se uma mão invisível impedisse suas vias aéreas de funcionarem. Sakura sentiu-se um pouco tonta, vendo a sala e diferentes rostos girarem…
A porta se abriu novamente e mais um grupo entrou, com Uchiha Fugaku liderando. Sakura não se importou com ele, no entanto. Logo atrás, vários centímetros mais alto que o tio, Shisui apareceu na porta, parando por um segundo para escanear a sala. Seus olhos pararam nela e instantaneamente Sakura esqueceu de qualquer desconforto que havia sentido. Os olhos dele brilharam em reconhecimento e então ele piscou para ela, um pequeno sorriso insinuando-se em lábios carnudos.
O avô de Shisui apareceu logo depois dele, olhando-a curiosamente, ela percebeu vagamente pois ainda seguia Shisui com os olhos. Felizmente ninguém mais pareceu notar essa troca. Depois de alguns anciãos, Mai entrou na sala, vestida de acordo, como sempre parecia ser o caso, e estranhamente contida. Ela assentiu quando passou Sakura, que quase não respondeu por estar olhando-a desacreditada.
Shizune fechou a porta com finalidade e a sala finalmente ficou em silêncio.
Algo estava realmente acontecendo.
"E por fim," Tsunade disse, alto e claro. Nenhum ruído podia ser ouvido juntamente com sua voz. Ela assentiu para Shizune ao seu lado, que ficou de pé. "O real motivo de ter convocado vocês aqui hoje."
Sakura apertou suas mãos juntas em seu colo para evitar de enterrar seu rosto nelas. Era hora.
Shizune andou até o centro do cômodo com sua espessa pasta na mão, enfrentando as pessoas presentes, mas de costas para Sakura e Tsunade. "Bom dia."
Ninguém respondeu, mas Sakura podia ver que Shizune possuía toda atenção. Ino e Hinata se entreolharam de onde estavam sentadas, com seus respectivos clãs, mas ainda sim próximas uma da outra. Tenten se mexeu um pouco em seu assento; sua mão esquerda estava posicionada longe de seu corpo, quase tocando a perna de Kō, que sentava logo ao seu lado. Quando ele discretamente pegou a mão de sua amiga e apertou, Sakura se permitiu um pequeno sorriso, mas logo estreitou os olhos, observando cada rosto cuidadosamente. Shisui tinha uma postura tão relaxada que contrastava horrivelmente com o restante do clã; Mai, que não estava próxima a ele, parecia particularmente impassível, com as costas eretas e as mãos descansando calmamente em seu colo–muito calmamente para ser natural até para ela.
"Bem," começou Shizune, limpando a garganta levemente. Ela soava tão tranquila que parecia falar para uma sala vazia. "Alguns de vocês sabem mais que outros, mas acredito que não seja nenhuma novidade para todos que tenho me dedicado a uma pesquisa com o intuito de avaliar os efeitos que uniões entre familiares próximos podem causar em crianças que desejam seguir uma carreira ninja.
"Os indivíduos foram escolhidos de acordo com resultados de exames realizados no nascimento, exames esses que testam a rede de chakra e sua resposta a estímulos. Nesses exames, crianças nascidas dessas uniões tiveram uma resposta mais lenta e fraca se comparada às outras. Depois dessa seleção, procurei pessoalmente cada criança–agora genin, em fase de desenvolvimento do controle do chakra–para testes mais especializados.
"Entre todos esses indivíduos, gerados de um pai e uma mãe de um mesmo clã, vinte e oito por cento mostraram possuir preocupantes deficiências de controle de chakra em atividades fáceis de se realizar para um shinobi–como andar sobre a água ou subir em árvores sem usar as mãos. Eles conseguem se adaptar eventualmente, inclusive com um efeito satisfatório, mas tomando o dobro do tempo em comparação a outros genins."
Shizune andou até um Akimichi sentado na lateral esquerda da sala e passou a pasta em sua mão. Ele prontamente abriu e observou atentamente as páginas com o restante do clã.
"Essa pasta," Shizune continuou dizendo, um dedo indicando a pasta agora em posse dos Akimichis, "contém os resultados dos exames feitos recentemente, cópias dos testes feitos em recém nascidos e relatórios dos senseis de cada genin–onde, será possível observar, já existiam relatos dessas complicações. É muito importante chamar atenção para o fato de que, embora o número pareça pequeno, teve um grande aumento desde quando o Sandaime voltou a governar Konoha, junto com o aumento de casamentos dentro de certos clãs."
Esse último detalhe não parecia ter sido bem recebido, pois a sala parecia mais fria de repente. Shizune recebia olhares de admiração, genuína curiosidade e interesse; nenhum desses vindo de Uchihas.
Sakura mordeu o lábio inferior. Ela já sabia que seria assim, foi avisada por Tsunade e pela própria Shizune que poderiam receber comportamentos intolerantes com essa pesquisa. Mesmo assim, ela não imaginava que deixariam tão claro.
Ela se sentiu mal por Shizune.
"Isso é certamente interessante," disse uma anciã Uchiha que Sakura reconheceu imediatamente como sendo prima do avô de Shisui: a mesma que estava na sala de Tsunade, meses atrás. Ela soava tudo menos interessada. "Mas qual é o ponto?"
Shisui franziu o cenho e contraiu a mandíbula, olhando para a anciã com desgosto com a aparente despreocupação.
Quando Tsunade se focou nela, seus olhos eram meras fendas. "O ponto, Arisu," a voz dela era cortante e Sakura fez uma careta, "é gradualmente colocar um fim nisso porque, como comprovado," Tsunade gesticulou para a pasta agora passando o clã Hyuuga, sem nenhum membro ao menos abri-la, e indo para os Aburames, "pode se tornar um sério fardo para a nossa aldeia em um futuro muito próximo, pela maneira que anda crescendo."
A senhora chamada Arisu não respondeu, apenas pressionou os lábios severamente. Conversas começaram a soar de diversas direções, o que fez com que o nervosismo de Sakura voltasse com toda a força. Alguns deles não pareciam tão certos de que o que Tsunade implicava era inteligente; outros estavam totalmente indiferentes–como Yamanaka, Akimichi e Hyuuga. Os dois primeiros já não usavam mais casamentos arranjados entre familiares; Hyuuga, por outro lado… Sakura não fazia ideia de como interpretar essa informação.
"Hokage-sama," disse outro ancião do clã Uchiha, ficando de pé graciosamente apesar de sua idade avançada. Seus cabelos grisalhos ligeiramente longos e as linhas profundas embaixo dos olhos o deixavam fácil de reconhecer. Esse era o pai de Fugaku, avô de Itachi e Sasuke. Uchiha Hoshi.
Tsunade apenas ergueu uma sobrancelha.
"Eu posso ver suas razões, mas certamente não seríamos forçados a mudar algo que pertence a nossa cultura há séculos, sim?" Suas sobrancelhas cinzas com alguns espaços ocupando fios negros se ergueram minimamente em descrença. "Com todo respeito, mas é óbvio que isso não seria possível; qual clã mudaria tão precipitadamente?"
Em vez de ficar com raiva, como Sakura esperava, Tsunade sorriu presunçosamente, como se ela esperasse receber essa exata pergunta. "Vamos ver, então," ela murmurou apenas para Sakura ouvir.
"Como chefe do clã, eu declaro que o Hyuuga mudaria."
Os olhos verdes de Sakura arregalaram, assim como os da maioria das pessoas presentes quando essas palavras deixaram a boca de ninguém menos que Hyuuga Hiashi. Ele também se levantou, mas muito mais graciosamente que o ancião Uchiha. O lugar se encheu de sussurros novamente. O semblante calmo e sério do chefe do clã Hyuuga foi provavelmente o que evitou muitas pessoas de questionarem o que ele quis dizer diretamente, além do fato de ser óbvio. Hyuuga Hiashi não era um homem de fazer piadas.
Estranhamente, um pequeno número de pessoas não pareciam surpresas; Ino se aproximou de Hinata para dizer algo em seu ouvido; Tenten parecia um pouco nervosa, mas longe de surpresa; Kō e o restante dos Hyuugas assistiam Hiashi calmamente, como se nada estivesse fora do normal.
Shisui tinha o mesmo sorriso presunçoso de Tsunade, assistindo a cena e a expressão de seus familiares com grande interesse; Mai, por outro lado, se esticou na cadeira, como se tentasse parecer mais alta, seu rosto ainda com uma falta de expressão.
"Inclusive," ele continuou claramente e a sala ficou silenciosa mais uma vez, "já começamos a tomar as medidas cabíveis. A segurança de Konoha é de grande importância para nós."
Com essas palavras, todos começaram a falar ao mesmo tempo. Ninguém parecia ter considerado a questão da segurança de Konoha antes de Hiashi mencionar. Se isso continuasse, essas complicações, pequenas atualmente, poderiam evoluir para algo mais grave no futuro, como a possível falta de controle de chakra e uma instabilidade na realização de técnicas de qualquer tipo, inclusive kekkei-genkais.
"Se isso for verdade, então vocês já vinham trabalhando nisso antes." Disse Arisu, olhando para os membros do clã Hyuuga através de olhos estreitos, seu rosto ficando ainda mais enrugado.
"Correto," Hiashi respondeu, virando um pouco para ficar de frente para os Uchihas, suas mãos juntas em frente ao seu corpo, escondidas pelas largas e longas mangas do yukata branco que usava. "Minha filha mais velha assistiu Shizune-san com parte da pesquisa, inclusive selecionando alguns genins do clã Hyuuga para avaliação. É terrível que isso esteja acontecendo a nossas crianças e queremos ajudá-la de qualquer forma que pudermos, Tsunade-sama," ele disse, virando-se para Tsunade novamente.
Sakura não conseguia detectar nada além de seriedade em Hiashi e isso fez seu coração acalmar-se um pouco. Essa era exatamente a resposta que queriam receber; que todo esse trabalho fosse tratado com a seriedade que necessitava. Apesar desse detalhe, a maioria das pessoas ali presentes ainda não pareciam tão convencidas, pelo olhar de ceticismo que podia ver em algumas faces. Tsunade parecia pensar o mesmo, pois seu sorriso de antes desapareceu para dar espaço a um franzir de sobrancelhas pensativo e irritado.
"E quais são essas medidas cabíveis, então, Hiashi-san?" Disse Hoshi, uma leve nota de desprezo em seu tom.
"Você vê," Hiashi disse para toda a sala, estóico e ignorando Hoshi. "Meu sobrinho." E ele gesticulou em direção a Kō, que até o momento estava calmamente sentado ao lado de Tenten. Ouvindo seu nome, Kō ergueu o rosto para cima, em direção ao tio, e levantou do assento, Tenten tentativamente ficando de pé também. Havia manchas vermelhas nas bochechas de Tenten. "Kō e Tenten-san estão noivos."
Sakura teve que colocar uma mão na boca para abafar o alto engasgar de surpresa que a deixou… Tenten estava noiva? Como isso poderia ter acontecido? Ela não fazia a menor ideia… Claro, Sakura sabia que havia algo acontecendo entre eles, era óbvio para qualquer um que visse os dois juntos! Mas noivos, isso era uma outra história.
Novamente, algumas pessoas, diferentemente de todo o restante, não pareciam nem um pouco surpresas, e eram as mesmas pessoas de antes. Tenten entrelaçou seus dedos com os de Kō, corando profundamente agora, e olhou em volta, seus olhos castanhos parando em Sakura culposamente.
Sakura sentiu uma batida de decepção em seu peito. Estava claro que, entre as três, ela era a única que não sabia dessa notícia, o que realmente doía. Até Shisui e Mai e todos os Hyuugas reunidos ali pareciam estar cientes. Ela olhou de volta para Tenten friamente. Depois disso, todos eles se sentaram silenciosamente.
"Então é isso?" Shikaku quebrou o silêncio ao lado direito do cômodo. A voz dele soava distante, como se ele não estivesse prestando muita atenção ao que estava acontecendo. "Teremos que adaptar a essa realidade, sim?"
"Eu não posso forçá-los e eu acredito que não é o jeito apropriado de se fazer isso, de qualquer jeito." Tsunade assentiu para Shikaku. Então falou com toda a sala, "Mas eu certamente espero a cooperação de todos aqui presentes."
Shikaku deu de ombros um pouco, algo quase imperceptível. Ele olhou para seus familiares e, depois de dois segundos de uma conversa silenciosa, voltou para Tsunade, dizendo levemente, imperturbável, "Tudo bem, então."
Quase todos os presentes pareciam chegar ao mesmo acordo; ninguém gostaria de ir contra Tsunade, afinal. Os Uchihas eram outra história, no entanto…
Sakura podia ver que não estavam satisfeitos pelo olhar sombrio na maioria dos presentes. Se fazer o clã Hyuuga de exemplo–um clã tão tradicional e importante quanto o Uchiha–foi a ideia de Tsunade para ajudar a persuadir os anciãos do clã Uchiha, então algo definitivamente estava acontecendo. Fugaku calmamente discutia algo com a anciã Arisu, que sussurrava de volta raivosamente, alguns fios soltando-se de seu coque apertado para cair em seu rosto na agitação. Shisui agora estava apreensivo, roubando olhares em direção a seu tio e a seu avô (que, surpreendentemente, permaneceu quieto durante toda a reunião). Mai também parecia agitada, encarando a porta com bastante intensidade.
"E o que faremos em relação aos casamentos já arranjados?" perguntou Hoshi.
"Serão desfeitos," disse Tsunade.
"Espere um pouco!" Arisu disse de repente, terminando sua conversa com Fugaku abruptamente e levantando-se, seu rosto vermelho. "Você disse que não podia forçar ninguém–"
Tsunade rosnou baixo, seus olhos brilhantes com irritação. "Mostre respeito, Uchiha!"
"Hokage-sama, é claro, me perdoe," Arisu disse com uma leve inclinação de cabeça, o rosto neutro e o tom plano, provavelmente sem realmente estar arrependida. "Mas a senhora disse, sim, que não forçaria nenhum clã. Como irá proceder se resolvermos manter os casamentos?"
Antes que Tsunade pudesse responder, Sakura quase pulou da cadeira quando uma voz masculina que conhecia muito bem rosnou do fundo da sala de forma ameaçadora.
"Então vocês terão que lidar com as consequências que resultarão disso."
Shisui, provavelmente por ter perdido a paciência, estava bem diferente agora do que esteve durante todo o dia. Seu rosto estava endurecido, seus olhos brilhavam em fúria… Vários pares de olhos se viraram para olhá-lo em espanto e surpresa, inclusive seus próprios familiares. Ele olhava diretamente a frente, entretanto. Ignorando a todos.
Era muito perturbador vê-lo tão zangado.
Sakura engoliu em seco, sentindo a tensão no ar aumentar. A única pessoa que não dava atenção a Shisui era Mai, mas pela maneira que sua mandíbula contraía contra a pele, ela se controlava para não olhar, por algum motivo.
Hoshi exalou abruptamente e virou em seu assento para enfrentar Shisui. Suas mãos tremiam. "Garoto, não com–"
"Garoto não," Shisui disse entre dentes. "Se avançarem com isso, não vou ter outra escolha."
A partir daí eles voltaram a conversar entre si em sussurros impacientes. O restante da sala permaneceu em silêncio, esperando ansiosamente. Certamente estavam todos imaginando o que acontecia entre o clã…
No meio tempo, Shizune se levantou novamente para recolher a pesada pasta que agora estava com os Naras, recebendo elogios de cada um dos membros. Tenten também se levantou, indo em sua direção. Sakura franziu o cenho enquanto ela sentava no lugar anteriormente ocupado por Shizune.
Tenten parecia culpada. "Eu não podia dizer nada."
Isso a deixou com um sentimento de deja vu bem forte. "E por que não?" ela demandou baixo, percebendo que Tsunade poderia escutá-las. "Eu não diria a ninguém!"
Tenten balançou a cabeça. "Era um plano e precisávamos mantê-lo em segredo o máximo possível, com mínimas pessoas sabendo."
"Plano? Que tipo de plano?" Sakura cruzou os braços.
Tenten suspirou profundamente. "Eu prometo que nós vamos te contar tudo assim que essa reunião acabar. Mas é imprescindível que esperemos. Você vai ver," ela adicionou apressadamente quando Sakura abriu a boca para protestar.
"Nós?" Sakura disse fracamente em vez disso.
"Sim," Tenten replicou, levantando da cadeira quando podiam ver Shizune retornando. "Eu e as meninas… e algumas outras pessoas. Preciso ir!"
Mai estava certa, então; estavam escondendo alguma coisa. E que tipo de plano era esse?
Sakura não teve tempo de especular porque no mesmo momento os representantes do clã Uchiha pareciam voltar a si, cada um parecendo profundamente perturbado. O cabelo de Shisui estava uma bagunça, como se ele tivesse passado as mãos várias vezes através dos fios no pequeno intervalo de tempo; Arisu, na verdade, parecia furiosa, seus lábios tão finos que formavam apenas uma linha severa; Hoshi e Fugaku estavam resignados com o que quer que tinham decidido; Mai e o avô de Shisui permaneciam perfeitamente calmos.
"Então, Tsunade-sama," disse o avô de Shisui e Sakura sentiu seu coração pular até a garganta. Essa era a hora, ela tinha certeza. "Decidimos que vamos tentar… tentar nos adaptarmos… vai ser definitivamente complicado e nós não prometemos isso de todos imediatamente," ele adicionou rapidamente, suas sobrancelhas franzindo, formando uma linha entre elas. "Mas estamos dispostos a tentar."
Sakura não conseguia dizer o que o ancião pensava sobre isso; ele parecia bem impassível durante as respostas. Mas o que ele havia dito em si não era algo para se perder. Ela olhou para Shisui, que certamente a olhava de volta, com o maior sorriso que já havia visto nele. Seu coração acelerou, mas em alívio dessa vez. Mesmo assim, ela fixou um olhar cauteloso de volta e balançou a cabeça de forma quase imperceptível. Não queria que presenciassem a interação e tivessem uma ideia errada sobre tudo isso; que só aconteceu para o bem dela e de Shisui. O casamento de Shisui deixando de acontecer era apenas uma consequência de algo muito maior e importante… mesmo que, aparentemente, teve a mão de muita gente por trás apenas para esse propósito.
Quase como uma reflexão tardia, seus olhos encontraram Mai, esperando ver algo… Ela não sabia exatamente o que esperava ver, mas com certeza não era o olhar ansioso que tinha presente, enquanto continuava olhando a porta; quase como se esperasse que alguém entraria a qualquer minuto.
Mas com certeza, assim que Sakura pensou isso, três curtas batidas soaram. Ao seu lado Shizune se apressou para ficar de pé e quase tropeçou em uma das pernas da cadeira em sua ânsia de chegar até a porta. Quando ela abriu, Sakura ouviu vozes sussurradas do lado de fora e Tsunade, do seu outro lado, bater com as unhas na mesa impacientemente. Quando as pessoas na porta finalmente entraram, Sakura sentiu seus olhos arregalarem pela terceira vez naquela manhã.
O que Kaito e Ichiro faziam ali?
Kaito sorriu calorosamente para ela ao entrar, Ichiro logo atrás, assentindo educadamente. Eles pararam no meio da sala como se tivessem o direito de estarem ali em primeiro lugar. Quase todos na sala se entreolharam. Como Sakura, muitos pareciam surpresos. Outros por outro lado… Shizune continuou de pé com os recém chegados, como se esperasse por eles a reunião toda; Tsunade olhava a frente inexpressivamente, mas também não parecia surpresa; Arisu e o avô de Shisui trocaram um longo olhar, e então o canto dos lábios da anciã se ergueram levemente com o que quer que haviam concluído em silêncio; e, finalmente, Shisui, Ino e Tenten sorriam presunçosamente.
Algo finalmente clicou na mente de Sakura ao ver Mai sentar-se ainda mais ereta, seu queixo erguendo-se de maneira estranhamente importante. Ela gemeu baixo, escondendo o rosto com as mãos. Mas é claro. Como ela poderia não ter pensado nisso, era tão óbvio! O motivo de Ichiro-san ter ido visitar o distrito do clã Uchiha sozinho; como encontrou Tenten e Kō argumentando sobre algo no corredor do hospital; Hinata tão ocupada com o próprio clã nesses últimos dias…
O aviso de Mai, que achava que Sakura sabia de tudo que estava acontecendo. E quando Mai percebeu que esse não era o caso e havia cometido um erro, ela avisou Sakura a não tentar descobrir mais sobre isso.
Ela apostava que Shisui estando ao seu redor naquela semana era uma parte do plano, provavelmente para mantê-la distraída e não notar a falta de suas amigas. E essa ideia certamente tinha o dedo de Ino. Eles realmente a enganaram direitinho, ao ponto de não desconfiar que os comportamentos incomuns faziam parte desse plano o tempo inteiro…
"Vê, Tsunade-sama, Hiashi-san," disse o avô de Shisui batendo palmas uma vez alegremente, seus olhos enrugando com o sorriso, lembrando muito o próprio neto. "O clã Uchiha também está tomando medidas cabíveis."
Sakura olhou para Tsunade. Sua mentora tinha o olhar mais frustrado que já tinha visto–o olhar que reservava para anciãos. E só de olhar Sakura sabia que Tsunade se segurava para não rolar os olhos na frente de tanta gente. "Tenho certeza que sim, Shin. Vá em frente, então. Fale sobre essas medidas."
Mas Tsunade não parecia surpresa; aquele brilho que iluminou toda a face dela era em satisfação, como se soubesse exatamente o que lhe diria.
"Então," continuou Shin, falando com toda a sala agora. "Minha querida sobrinha neta, Mai-chan, também está noiva, a partir desse momento, a Kaito-san," ele gesticulou para Kaito com uma mão, como se ninguém soubesse quem ele era, "o filho do daimio."
O título, de certa maneira, foi dito com tanto orgulho que fez Sakura pensar que Shisui realmente era um Uchiha em um milhão.
Mai esticou seus lábios em um lindo sorriso, levando-se e pegando a mão estendida de Kaito. Ele beijou o dorso da mão dela, enquanto Ichiro, assim como Shin anteriormente, bateu palmas uma vez, com uma expressão satisfeita. "Excelente! Eu vou comunicar daimio-sama o mais rápido possível!"
"Vê?" disse Shin para Tsunade. "Esse foi um passo; talvez seremos capazes de dar outro em um futuro próximo."
Sakura tinha certeza de que ninguém perdeu o olhar descarado que Shin rapidamente jogou a Shisui. Ela podia sentir suas bochechas esquentarem levemente.
"Talvez," Tsunade respondeu e havia definitivamente uma nota satisfeita em sua voz.
Depois disso, os grupos foram vagarosamente dispersando-se pela porta, um por um, e antes mesmo de pensar em sair Sakura se viu rodeada por suas amigas. Elas seguraram seus braços e a levaram para um canto vazio na sala.
Ela cruzou os braços, olhando cada uma seriamente. "Finalmente vão explicar o que aconteceu aqui? Por que não me disseram nada?"
"Você é muito boa," disse Tenten suavemente. "Você aceitaria que fizessemos isso se soubesse que estávamos tramando contra a decisão do conselho de um clã e basicamente forçando-os a fazer as coisas do jeito que queríamos?"
Se fosse ser honesta, ela estava um pouco assustada com o rumo da conversa. Tinham mesmo feito algo assim? "Eu provavelmente tentaria impedir vocês," Sakura respondeu, hesitante.
Tenten assentiu com certeza.
Quando o silêncio se esticou, elas se entreolharam um pouco hesitantes. Então Hinata a olhou calmamente nos olhos. "Foi minha ideia."
"Parcialmente," Ino interveio e Tenten assentiu.
"Então?" Sakura questionou novamente, quando não recebeu outra explicação.
"Eu tive essa ideia," Hinata começou em um tom baixo, após olhar em volta, "depois que Ino-chan tentou convencer Mai-san de que casar não era uma boa ideia." Hinata olhou Ino de soslaio e a kunoichi loira corou; a memória de algo, talvez do momento em que falaram com Mai, parecia passar entre elas. "Bem, mais ou menos isso."
Ino sorriu. "Fico feliz em ter sido sua inspiração."
"Você deve se lembrar," Hinata disse suavemente, ignorando o comentário de Ino. Sakura estava impressionada. "Tenten-chan foi até você no hospital para evitar que Mai-san a encontrasse. Enfim, foi quando tive a ideia inicial de apresentá-la a Kaito-san."
Sakura franziu o cenho. "Eles já se conheciam…" Uma ideia passou por sua cabeça, algo que não tinha uma resposta, mas que agora era óbvio. "Então foi assim que Kaito ficou sabendo sobre eu e Shisui. Através de Mai," Sakura concluiu amargamente, mais para si mesma. "E como fariam essa ideia acontecer se o problema era com o clã? Se tivessem uma escolha, Shisui teria escolhido contra o casamento."
"Nós percebemos o nosso erro na hora," disse Ino, assentindo. Sua voz também se tornou amarga. "Mai não nos deixou esquecer, afinal. Foi então que tive a ideia de procurarmos alguém que poderia ajudar com isso."
"Tsunade-sama," Sakura respondeu. Estava claro; Tsunade era a única que poderia mudar algo envolvendo política.
"Sim," disse Tenten. "Mas não tinha muito o que ela pudesse fazer. Ela não podia simplesmente proibir o casamento porque vocês já estavam em um relacionamento. Então, enquanto estávamos discutindo as possibilidades, Shizune entrou pela porta, com parte da pesquisa em mãos, e foi quando tudo se encaixou."
Hinata assentiu. "Foi ideia de Tsunade-sama de que poderíamos convencer um grande clã de Konoha, que ainda usava casamentos dentro do clã, a mudar isso. Assim possivelmente ajudaria a mudar o pensamento dos Uchihas."
"Então Shizune teve a brilhante ideia de convencer o clã Hyuuga desde que ela já tinha conversado com um dos anciãos na última reunião e ele parecia muito interessado na pesquisa," Ino concluiu com um grande sorriso.
Sakura arregalou os olhos. "Então, como exemplo…" ela parou de falar aos poucos e olhou para Tenten apreensivamente.
A kunoichi apenas sorriu da maneira mais doce possível. "Kō e eu estávamos juntos há algum tempo. Eu sei que vocês provavelmente perceberam." Tenten olhou acentuadamente para Ino, que parecia muito satisfeita consigo mesma. "Iria acontecer cedo ou tarde. Enfim. Estou muito feliz em ser a primeira a mudar essa tradição para os Hyuugas."
Sakura não podia deixar de sorrir em satisfação. Não conseguia acreditar que suas amigas, e até Tsunade e Shizune, fizeram tanto por ela.
"E aquela missão de vocês?" ela perguntou, olhando Tenten e Ino. "O que era?"
"Oh. Nós escoltamos Ichiro-san de volta ao distrito do daimio. Aquilo é imenso, você não tem ideia," Tenten continuou com a explicação. "Ele precisava comunicar ao daimio o que estavam planejando. Não poderia ser por correspondência, então levamos ele lá. Ichiro-san só havia conversado sobre isso com aquele avô de Shisui-san, que parecia muito satisfeito com o plano. Os dois estavam muito confiantes de que iria funcionar."
"E Mai?" Sakura de repente sentiu-se preocupada de que Mai e Kaito estavam fazendo algo forçado, apenas para a felicidade do clã e do daimio–e pior ainda, por ela. "Eles não foram forçados a fazer isso, foram?"
Ino sacudiu a cabeça. "Como você disse antes, eles já se conheciam. Eu suponho que já existia algo ali, por mais improvável que possa parecer. Quando mencionamos Kaito-san na sala de Tsunade-sama, Mai pareceu bem interessada e eu não acho que ela faria algo apenas para o seu benefício." Ino a olhou acentuadamente. Ela tinha razão, é claro. "E quanto a Kaito, ninguém pode negar que ele está genuinamente feliz com a escolha. Quero dizer, olha para ele."
Sakura virou para onde havia visto os dois da última vez e certamente lá estava Kaito, ainda perto de onde Mai se sentava, mas agora estavam lado a lado, engajados em uma conversa baixa, seus dedos entrelaçados e balançando de um lado para o outro levemente.
Assistindo a cena, um outro nome veio a mente. "E Shisui? Ele sabia sobre isso também."
"Sim, ele sabia," respondeu Ino, parando a seu lado. "Acho que nem preciso dizer que ele ficou estático, mas ainda estava meio estranho em relação a Kaito. Levou um tempo, mas eu acho que Mai teve algum tipo de conversa com ele sobre você e Kaito ou algo assim."
Sakura fez uma careta. "Eu não quero nem saber."
Todas riram.
Mas logo em seguida duas mãos caíram sobre seus ombros levemente. Sakura viu Tenten e Hinata se entreolharem antes de dar desculpas para sair. Ino pressionou os lábios juntos para evitar de sorrir e seguiu as outras sem uma palavra, apenas um aceno.
"Podemos conversar?" A voz profunda e familiar de Shisui alcançou seus ouvidos.
Sakura piscou e se virou aos poucos. Olhando para ele, Sakura viu que Shisui usava uma expressão séria, mas os cantos dos lábios tremiam como se estivesse forçando-se a não sorrir.
Ela ergueu uma sobrancelha. "Parece ser só o que fazemos ultimamente, não?"
Ele sorriu dessa vez, apertando seu queixo carinhosamente antes de oferecer uma mão. "Sim, parece."
Sakura sabia o que ele pretendia, mas não hesitou dessa vez. Ela colocou sua mão na dele e o mundo ao seu redor sumiu completamente.
