Nota da autora: Penúltimo capítulo. O próximo é continuação do que acontece nessa visita.

Prometi que postaria no dia no meu aniversário e consegui :D Mandem comentários de presente.

Obrigada por lerem e comentarem. Se acharem digno de um comentário, ficarei feliz em recebê-lo.

Acompanhem notícias sobre a atualização no meu perfil no FFnet ou no Twitter (usuário: ukitaketai).


Kazoku no Kizuna

Laços de Família

Cena 9: A família do pai

O senhor e a senhora das Terras do Oeste terminavam de observar os últimos os detalhes da nova propriedade onde morariam pelos próximos meses antes de saírem para realizar uma visita vespertina.

Melhor dizendo: apenas a senhora das Terras do Oeste que parecia maravilhada com tudo e ainda observava os detalhes. Ela identificava cada flor do papel de parede para as gêmeas e elas se divertiam contando quantas havia em casa lado dos cômodos. Sesshoumaru estava do lado de fora, observando os céus no meio do jardim.

Próximo do vilarejo onde Rin foi criada pela sacerdotisa Kaede, nova casa tinha quatro quartos, paredes de papel decorado com as flores que representavam as filhas, um jardim para elas correrem, árvores e flores. Rin ficaria mais à vontade para visitar os amigos. O meio-irmão e a esposa dele também estariam por perto.

-Estou esperando, Rin. – Sesshoumaru avisou.

-Já vamos! – ele ouviu a esposa dizer.

Em poucos minutos, estavam ela e as filhas saindo da propriedade, as meninas de mãos dadas com a mãe. As três usavam quimonos lilases com detalhes de borboleta, vestimentas feitas do mesmo tecido. Eram como três vasos. As gêmeas queriam na verdade combinar com Rin.

Ao se aproximarem do lorde, Rin deu um sorriso. Depois pareceu lembrar-se de alguma coisa e abaixou-se, ficando quase da mesma altura das crianças.

-Towa... Setsuna... – ela começou – Vamos agora com o papai conhecer algumas pessoas.

As duas olharam para ela e para o pai com curiosidade.

-Vamos conhecer o irmão do papai e a mulher dele. – ela falou com um sorriso.

-Meio-irmão. – Sesshoumaru a corrigiu.

-Vamos conhecer o meio-irmão do papai e a mulher dele. – Rin repetiu sem alterar o sorriso – E também os amigos e a mãe adotiva da mamãe.

-Bobó? – Setsuna franziu a testa olhando para os céus. Achava que a avó paterna apareceria a qualquer momento das nuvens.

-Não, é outra avó. – Rin forçou um sorriso. Elas iam conhecer tantas pessoas de uma vez e ainda teriam que aprender o cheiro delas – Vocês vão conhecer também o tio InuYasha.

-Meio-tio InuYasha.

-Não existe meio-tio, existe? – Rin franziu a testa.

O lorde não respondeu.

-Inu... – Towa começou.

-Yasha. – Setsuna completou.

-Yashainu. – a mais velha arriscou.

-Yainu. – a mais nova quis tentar também.

-Vamos, vamos. – ela empurrou levemente as filhas na direção de A-Un – Vamos visitar nossos amigos.


Sesshoumaru chegou ao vilarejo alguns segundos antes de A-Un aparecer na frente da casa de Kaede. Tinha na sela Rin e as meninas. Elas pareciam ter gostado do passeio, porque queriam que a mãe pegasse as rédeas para que a fera de duas cabeças subisse novamente.

-Ah, Sesshoumaru-sama já chegou! – ele ouviu a voz de Jaken anunciar. O diabinho verde havia ido horas antes para avisar sobre a chegada da família e deve ter ficado para conversar com InuYasha e o grupo dele.

-Feh! – ouviu o meio-irmão falar e sair por detrás da cortina de palha do casebre daquela sacerdotisa que criara a esposa – Quem é vivo sempre aparece.

-InuYasha-sama. – Rin deu um sorriso e se curvou educadamente numa reverência – Obrigada por nos receber.

-Ah, Rin-chan... – uma mulher grávida saiu por trás da cortina de palha seguido de uma idosa – Que saudades!

-Kagome-chan! Kaede-sama... Que saudades!

Sesshoumaru sentiu o cheiro de lágrimas da esposa. Olhou atentamente a face dela. Nada escorria pelo rosto. Ela estava apenas emocionada.

Rin já tinha conhecimento que ele não apreciava os momentos em que ela chorava. Ele não sabia se era de alegria ou de tristeza. Ele não gostava de ver a esposa chorando, ponto.

E ela estava sorrindo. Sorrindo imensamente.

-Towa, Setsuna... Digam "olá" para essas pessoas. – ela se abaixou e ficou atrás das filhas, apontando para as pessoas – Vovó Kaede. Tia Kagome-chan. Tio InuYasha.

-Meio-tio. – falaram InuYasha e Sesshoumaru ao mesmo tempo.

-InuYasha é irmão do papai. – ela explicou calmamente.

-Meio-irmão. – falaram os dois a um só ritmo.

Sem se abalar, ela continuou:

-E tia Kagome-chan é a esposa dele.

-Vocês podem me chamar só de Kagome. – ela se abaixou para ficar na mesma altura das meninas, ainda um pouco distante delas, abrindo os braços para recebê-las – Eu posso abraçar vocês?

As gêmeas olharam a mãe pedindo permissão. Towa tinha ainda o dedo na boca. Setsuna continuava séria.

-Vão lá com a titia. – a mãe incentivou.

-Meia-titia. – InuYasha corrigiu.

-InuYasha... – Kagome começou e ele sentiu um frio percorrer a espinha com o tom de aviso da esposa.

As gêmeas correram até a jovem e abraçaram, recebendo afagos na cabeça.

Rin se aproximou da velha sacerdotisa Kaede e tocou nos ombros dela.

-Meninas, essa aqui foi a mulher que criou a mamãe.

-Bobó. – Towa comentou.

-Bobó! Bobó! – Setsuna tinha os braços para cima.

-É, é a vovó Kaede. – Rin parecia feliz demais por apresentar Kaede para as filhas – Ela esteve lá no castelo quando vocês nasceram.

-E vocês eram pequenininhas, pareciam duas batatinhas. – Kaede também afagou o topo da cabeça delas – Como cresceram!

-Nossas filhas não são "batatinhas". – Sesshoumaru falou com frieza e InuYasha deu um sorriso de deboche.

-InuYasha, você não vai falar com as suas sobrinhas? – Kagome revirou os olhos diante da reação do marido.

-São as minhas meia-sobrinhas! – ele falou num tom impaciente para a esposa.

-InuYasha... – o tom de aviso de Kagome estava lá e ele já sabia o que viria – Osuwari!

InuYasha tombou de cara no chão na frente de todo mundo. Estava tão fundo no chão que as gêmeas se aproximaram com cautela.

-Kagome... – ele rosnou e ergueu o rosto lentamente do chão, encontrando o olhar curioso das sobrinhas.

E sabia exatamente o que elas estavam querendo pegar.

-Ohh... – elas falaram ao mesmo tempo, cada uma pegando uma orelhinha.

-Deixem as minhas orelhinhas! – ele murmurou com raiva, mas não fez nada para impedir que elas a tocassem.

-Sesshoumaru, Rin. – Kaede começou – Vamos entrar e conversar um pouco até a hora de Miroku e Sango retornarem de outro vilarejo. InuYasha pode tomar conta das meninas por enquanto.

-Feh! – ele se sentou e cruzou os braços. As gêmeas não largavam as orelhas de cachorro.

-Claro. Vamos, Sesshoumaru-sama. – Rin o chamou. Kagome e Kaede entraram primeiro, Jaken seguiu atrás da senhora dele.

-Towa, Setsuna. – o pai as chamou e elas pararam de tocar as orelhas do tio.

Nada foi dito por vários segundos. Parecia que os três – pai e filhas – se comunicavam mentalmente. Eles apenas trocavam olhares. Elas pareciam atentas.

Depois ele deu as costas e se afastou, deixando InuYasha sozinho com elas.

-Bem... do que vocês querem brincar? – ele arriscou. Tinha o olhar fixo nelas.

InuYasha tinha experiência com crianças. Ele foi o parceiro de brincadeiras das gêmeas de Miroku e Sango. Shippou dissera uma vez que o considerava o melhor amigo, apesar de todas as briguinhas durante as jornadas atrás dos fragmentos. Ele sabia lidar com aquele público.

Observou com cuidado as sobrinhas, notando a cor dos olhos, do cabelo, as orelhas. Será que o futuro bebê teria orelhas como Kagome ou como ele? Como foi que as sobrinhas nasceram com as orelhas da mãe e não como as do pai? Aquelas mechas vermelhas no cabelo eram as marcas que o irmão tinha no rosto?

As gêmeas o observavam com muito cuidado. A menina de cabelo prateado não tirava o dedo da boca. A de cabelos castanhos como os de Rin era séria que nem o pai.

-Não querem brincar de nada? – ele tentou novamente.

As duas quebraram o contato visual e se entreolharam. Towa tirou o dedo da boca e Setsuna arqueou uma sobrancelha.

Finalmente elas o encararam com um sorriso maligno e uma aura sombria. Ele nem teve chance de reagir ao vê-las se darem as mãos e chutarem o rosto dele.

Para completar, Towa pegou Tessaiga como se não fosse uma coisa muito difícil e saiu correndo.

Ao se dar conta do que havia acontecido, InuYasha vociferou:

-MALDITO SESSHOUMARU! VOCÊ FALOU PRA ELAS FAZEREM ISSO, NÉ?

Dentro da cabana, Sesshoumaru, ao lado de Rin, falou suavemente a ponto de o irmão ouvir do lado de fora.

-Não seja idiota, InuYasha. Elas querem brincar de "oni" com você. Vá atrás delas ou elas perderão a sua espada.