Capítulo Sete
Killing Curses
(Maldições da Morte)
— Avea Apara. — Um domo de brilho alaranjado apareceu ao redor de Harry e Charlie, e Harry recuou, abaixando a varinha; o Estupore acertou inofensivamente a terra ao lado de seus tênis.
Um feitiço atingiu o domo e quicou, disparando para a direção oposta. O domo tremeu levemente, mas não enfraqueceu.
— Está aguentando bem? — perguntou Charlie, secando a testa suada.
— Por enquanto — ofegou Harry, apertando as costelas. O plano original, levar Harry para a floresta, tinha sido descartado quase imediatamente. Eles tinham se saído bem juntos, ele e Charlie, derrubando dois Comensais da Morte e levando outros três numa perseguição que tinha coberto boa parte do acampamento, antes de se verem cercados quando outros dois Comensais da Morte aparataram até ali.
Harry se abaixou por reflexo para desviar de um feitiço que nem sequer atravessou o domo de Charlie. Uma bola de fogo veio em seguida, e Harry ergueu um rápido Protego, mas o fogo simplesmente escorreu pela lateral do domo antes de sumir completamente.
— O que é isso?
— Bem legal, né? — ofegou Charlie. — Nós o usamos no trabalho... ele aguenta contra um dragão se quiser acreditar.
— Sério? — perguntou Harry e se abaixou quando quatro feitiços acertaram o domo no mesmo lugar; os bruxos se espalharam quando seus feitiços se voltaram contra eles. — Maneiro.
— Meio maneiro — corrigiu Charlie, sorrindo. — Não podemos mandar feitiços, o que é meio triste, e também não podemos nos mover. — Harry o olhou. — Mas eles não podem nos atingir.
Os cinco Comensais da Morte se reagruparam e os circulavam lentamente. Harry se virou, mantendo-os em seu campo de visão.
— E agora? — murmurou. — Esperamos?
— Até eu me recuperar, sim — respondeu Charlie.
Um dos Comensais lançou um feitiço neles casualmente. Ele quicou, e o Comensal da Morte deu um passo para o lado para evitá-lo, antes de avançar, a cabeça inclinada.
— Eles conseguem Aparatar aqui dentro? — perguntou Harry.
— Não.
— Então a gente também não consegue?
— Bom palpite. Certo, então meu plano...
Um feitiço verde surgiu na ponta da varinha de um dos Comensais da Morte antes de ser lançado na direção de Harry e Charlie. O cheiro de Charlie era arrogante, e Harry percebeu que ele não ia se mexer. Segurou o braço de Charlie e o puxou para o chão. O feitiço passou de um lado do domo para o outro, deixando um chamuscado numa barraca.
— Mas que...
— Maldição da morte — disse Harry, mal-humorado, já se levantando enquanto Charlie ficava boquiaberto. Vários Comensais da Morte ergueram suas varinhas, os sorrisos visíveis sob as máscaras, e Harry se colocou entre eles e Charlie, torcendo... Os sorrisos vacilaram, e os Comensais voltaram a se separar, claramente planejando circular o domo; Harry não podia proteger Charlie por todos os lados, e eles sabiam. — E agora que eles sabem que esse feitiço atravessa...
— Estamos enrascados, é — concluiu Charlie. Ele cutucou as costelas de Harry com a varinha, e Harry estremeceu quando um feitiço desconhecido se arrastou por sua pele. — Tem alguém por perto que não esteja usando uma máscara?
Harry se arriscou a desviar os olhos dos Comensais para olhar e aguçou os ouvidos, procurando por passos ou vozes.
— Não...
— Ótimo. Finite. — O domo sumiu. O encantamento seguinte se perdeu no fragor do fogo que ele conjurou. Não era Fogomaldito, disso Harry tinha certeza, mas o fogo que jorrava da ponta da varinha de Charlie parecia vivo de uma forma que fogos normais não pareciam. — Mexa-se! — O fogo se curvou numa bola e se jogou contra o Comensal da Morte mais próximo, que conjurou um escudo de água. O fogo encontrou a água com um estrondo estremecedor, e o escudo chiou e vaporizou. Um dos Comensais gritou algo que Harry não ouviu direito; ele e Charlie já se moviam na direção do Comensal distraído.
Charlie bateu no escudo com um tentáculo de fogo, enquanto os outros se enrolavam no ar, desviando feitiços e impedindo que os outros se aproximassem. Harry teria gostado de assistir por mais tempo, mas sabia que precisava continuar correndo. Desviou de um feitiço perdido e deu a volta no escudo de água, mandando um estupore para a lateral do corpo do Comensal antes que ele pudesse se defender.
Outra bola de fogo se ergueu, mas foi desviada para outra parte do acampamento.
Harry ouviu o feitiço e desviou, sabendo que não teria tempo de bloquear. Tentou desarmar um dos Comensais que circulavam Charlie, mas errou. Os outros três Comensais cercavam Charlie e só prestavam atenção em Harry quando precisavam bloquear um de seus feitiços ou lançar algo contra ele. Harry teve a impressão de que faziam isso para distraí-lo, não por realmente quererem machucá-lo; tinha certeza de que um dos feitiços que tinha bloqueado era um Feitiço das Pernas Bambas inofensivo. Mas, inofensivo ou não, os feitiços faziam exatamente o que deveriam fazer: impediam que ajudasse Charlie e o mantinham ali, em um único lugar.
— Vá! — gritou Charlie, e Harry imaginou se ele tinha percebido a mesma coisa.
Era a melhor opção; o fogo de Charlie era ótimo, mas era óbvio que ele estava ficando cansado, e Harry achava que era por isso que esperavam. Mas se Harry fosse embora, certamente um deles o seguiria e isso melhoraria as chances de Charlie. Harry sabia disso tudo e, ainda assim, parecia errado fugir, era frustrante não conhecer nenhum feitiço grade, que mudasse as coisas, nem feitiços como o de fogo de Charlie, que permitiria que atacasse vários oponentes ao mesmo tempo.
— Harry, vá! — disse Charlie com mais urgência.
Harry apertou os dentes, virou e saiu correndo.
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— ... e vocês duas e Ron chegaram pouco depois — disse Ginny, abraçando-se. Marlene olhou para Fred, sentado imóvel enquanto Dora corria a varinha por seu ombro machucado. George segurava a mão de seu gêmeo com força, e Ron estava sentado ao lado deles, um pouco trêmulo como o resultado da Maldição Cruciatus que o afligira quando Marlene e Dora aconteceram de o encontrarem.
Marlene tinha sido jovem durante a primeira guerra e em seus dias de Ordem. Ela lutara naquela época para que as coisas fossem melhores para ela e para seus amigos, lutara porque as coisas que os Comensais da Morte faziam eram erradas. Ela não pensara muito em como era jovem, porque ela, como todos os adolescentes, tivera certeza de que era crescida e madura o bastante para fazer as próprias escolhas. Ao olhar para os quatro Weasley – pálidos e silenciosos, os dedos apertados ao redor das varinhas –, Marlene soube que realmente tinha crescido, ainda que só por se sentir enojada ao pensar nessas crianças tendo de lutar. Até Dora, que era uma Auror com um ano a mais de treinamento, casada e prestes a se tornar mãe, parecia jovem demais para estar envolvida nisso tudo. E ainda assim, ela era mais velha do que Marlene tinha sido em seus dias na Ordem.
— Como está? — perguntou Dora, tocando gentilmente no ombro de Fred.
— Melhor — respondeu ele, apesar de parecer bastante desconfortável.
— Ron?
— 'tô bem. — Marlene ergueu as sobrancelhas em vez de dizer algo, mas Ron pareceu ouvir do mesmo jeito; ele se moveu como se fosse encolher os ombros para sua descrença, mas fez uma careta e desviou os olhos.
— Não há muito que possamos fazer aqui — suspirou Dora, levantando-se do tronco. Ela pressionou uma mão na base na coluna e fez uma careta, antes de se aproximar de Marlene com cuidado. — Os feitiços anti aparatação ainda estão erguidos? — Marlene girou, concentrando-se num lugar a poucos metros, mas não saiu de onde estava. Assentiu. — Caramba.
— Não é como se você pudesse aparatar — lembrou Marlene.
— Hoje eu arriscaria — murmurou Dora e, apesar de ela estar com a expressão fechada, Marlene sabia que era para esconder uma grande preocupação; Dora mal argumentara quando Remus sugerira que ela encontrasse um local seguro na floresta enquanto ele ajudava, e Dora ficara visivelmente aliviada quando Marlene se ofereceu para acompanhá-la.
— E eu deixaria — respondeu Marlene, recebendo uma expressão divertida em resposta.
E aí várias coisas aconteceram rapidamente:
Ginny e Ron se viraram para olhar duramente na direção das árvores quando um feitiço amarelo voou em direção ao local em que Marlene, Dora e Ginny estavam paradas. No segundo que Marlene demorou para perceber que não reconhecia o feitiço e, portanto, não sabia se conseguiria bloqueá-lo, Ginny já tinha desviado, então Marlene segurou Dora e tentou puxá-la para o lado. Dora tentou, mas ou não conseguia se mexer desse jeito por causa da barriga ou só não conseguira ser rápida o bastante. O feitiço a acertou um pouco acima do coração e ela caiu com um ofego.
Marlene não pensou. Ela ergueu a varinha na direção de onde o feitiço viera e, apesar de não ter nenhuma figura encapuzada lá, havia uma leve distorção no ar, como um péssimo feitiço de desilusão.
Ela conjurou.
Não foi como na última vez que usara o feitiço, nas celas de contenção, em Sirius, havia tantos anos. Naquela época, estivera desesperada e meio enlouquecida por um antigo luto, mas, no fundo, não estivera convencida. Dessa vez, enquanto sua mente gritava sobre Dora, sobre o bebê e sobre as crianças Weasley, sua convicção era inabalável.
Seu feitiço era de um tom doentio de verde e foi fatalmente preciso. Ela ouviu um baque quando o atacante foi ao chão e não pensou mais nele; virou-se para ver Ginny deitada desajeitadamente sob Dora, como se tivesse tentado segurá-la e não tivesse tido força o suficiente.
Dora estavam tendo uma convulsão e não respirava. Marlene deixou Ginny onde ela estava.
— Finite — disse, seu tom urgente. Dora arqueou, ofegando, e ficou imóvel. Marlene conseguia ver sua respiração se condensar levemente no ar da noite.
Acenou a varinha e sua leoa prateada tomou vida.
— Sirius — disse ela —, mande o Monstro para as coordenadas do meu Auxiliar agora.
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O menino desviou a tempo para que o Estupore de Dmitri passasse por cima de seu ombro e virou, a varinha erguida. Ele não parecia ser grande coisa — era só mais um adolescente magricelo e sujo —, mas Dmitri sabia que esse era o garoto que, por sorte, habilidade ou ambos, tinha frustrado seu Lorde e Wormtail vária vezes. Ele não devia ser subestimado.
Mas isso não significava que Dmitri não podia se divertir um pouco com ele.
— Olá, Harry Potter — disse, girando a varinha entre os dedos.
— Dmitri — falou Potter, soando resignado. As sobrancelhas de Dmitri se ergueram antes mesmo que pudesse impedi-las.
— Me conhece, é? — perguntou.
— Talvez — respondeu Potter. — Ou só foi um palpite de sorte.
Não pode ser subestimado, lembrou-se Dmitri. Deu um passo para a direita, e o garoto o imitou, os olhos tão verdes e afiados quanto as agulhas de um pinho. Havia uma intensidade neles que deixava Dmitri feliz por Harry Potter não ter muito mais tempo de vida; ele era um incômodo agora, mas em um ou dois anos, ele seria um verdadeiro problema.
Os olhos de Potter foram levemente para algo atrás de Dmitri e voltaram para ele. Dmitri desviou, girando quando um feitiço veio por trás, e Potter conjurou algo vermelho — talvez um estupore, talvez um Desarmar. Dmitri se levantou, desviando de um terceiro feitiço.
O padrinho tinha chegado e ele parecia... irritado. Mas Dmitri estava mais irritado ainda.
— Avada Kedavra. — A varinha de Black cortou o ar, e um emaranhado de lona e cordas entrou no caminho do feitiço antes de se lançar contra Dmitri, que se jogou para o lado, erguendo um escudo rápido para se proteger de qualquer que fosse o feitiço que Potter lançara em sua direção.
— Sabe — disse Black, mostrando os dentes de um jeito bastante feroz —, é malvisto ter uma conversa importante com menores de idade sem que seus pais ou guardiões estejam presentes. — Dmitri lançou outra Maldição da Morte na direção do homem, para mostrar que não se importava com pais ou guardiões. — Desculpe ter demorado — adicionou, olhando rapidamente na direção de Potter, que balançou uma mão para dispensar o pedido de desculpas.
— Avada Kedavra — repetiu Dmitri, e Black girou para desviar, lançando um feitiço laranja que parecia desagradável. Dmitri conjurou uma parede de pedra para ser atingida em seu lugar e, depois, a despedaçou e lançou os pedaços afiados na direção de Black.
Black acenou a varinha, e as pedras se transformaram em água, molhando-o, mas não o machucando.
Potter murmurou algo, e Dmitri desviou do feitiço dele antes que estivesse perto e em seguida lançou um Estupore, um Confundus e um Corpo-Preso em rápida sucessão na direção do menino. O Estupore foi bloqueado com um Protego, ele deu um passo para o lado para desviar do Confundus, mas o Corpo-Preso acertou seu quadril e o fez cair. A boca de Dmitri se curvou levemente para cima, e ele se jogou na direção de Potter, planejando aparatar com o menino, mas Black parecia ter previsto; seus dedos estavam a poucos centímetros do ombro imóvel de Potter quando Dmitri foi puxado no ar pelo tornozelo.
Ele xingou, defendeu-se do próximo feitiço de Black e apressou-se a usar o contrafeitiço — esse era um feitiço que Wormtail já tinha usado nele, e agora ele sabia como se soltar. Caiu — não foi gracioso, mas pelo menos estava em pé e o feitiço de Black passou por ele, baixo demais para ser útil.
— Gelius! — gritou Dmitri, e o feitiço pegou Black de surpresa. Era uma pena que tivesse sido esse feitiço a acertar, não uma das Maldições da Morte, mas era uma boa segunda opção; ele acertou a mão de Black, cuja varinha caiu quando sua mão empalideceu e congelou. Black se curvou, provavelmente sentindo dor, e Dmitri sorriu, erguendo a varinha...
Potter entrou na frente de Black.
Dmitri sentiu seu sorriso amargar; parecia que o último feitiço de Black tinha feito alguma coisa.
— Harry — chamou Black por entre os dentes cerrados, enquanto Potter se esticava, assumindo uma posição claramente defensiva. Ele não parecia tão assustado quanto Dmitri teria gostado e havia um quê desafiador na tensão de seu maxilar. Black sibilou e procurou por sua varinha com a mão que não estava congelada.
Dmitri moveu a varinha, e Potter se moveu para proteger o padrinho mais uma vez.
— Mexa-se, moleque — disse. — Eu vou passar por cima de você se precisar. — E passaria mesmo. O Lorde das Trevas não gostaria muito, mas acabaria aceitando; ter sido morto por Dmitri ainda era ter sido morto.
— Não, não vai — falou Potter. — Voldemort me quer vivo...
— Não há nada que ele queira menos que isso — respondeu Dmitri, divertido.
— Ele prefere que eu esteja vivo, não que eu seja morto por outra pessoa — falou Potter, erguendo uma sobrancelha. — Foi a piedade dele que o manteve vivo nos últimos meses, Dmitri. — Seu tom era suave e completamente diferente do tom do Lorde de Dmitri, mas as palavras eram as mesmas e elas o congelaram. — Você realmente acha que ele será misericordioso se você me matar?
Dmitri rangeu os dentes, mas se sentia frio por dentro, e achou que Potter sabia. Sentiu-me um pouco melhor por não ser o único; os olhos de Black também estavam no menino e ele parecia enervado.
Um movimento veio de trás de Dmitri, que se virou a tempo de bloquear o feitiço do Auror que acabara de chegar, mas aí algo atingiu suas costas. Ele ficou duro e caiu para frente.
Um Corpo-Preso. Parecia que Potter tinha um senso de humor, o...
— Muito bem, Potter. — Cordas se enrolaram em Dmitri, e uma mão sem o dedinho arrancou a varinha da mão de Dmitri. — Tudo bem, Black?
— O braço dele... — disse Potter.
— Gelius — falou Black, sucinto, e ouviu passos e um suspiro de alívio. Os músculos de Dmitri relaxaram por tempo o bastante para que alguém o colocasse sentado, e aí o Corpo-Preso estava de volta. O Auror se afastou para olhá-lo.
— Quem é ele?
— Dmitri Polkov — respondeu Black, massageando a mão. Ela estava bastante rosada, Dmitri notou com satisfação. Esperava que estivesse doendo. — Um do Voldemort. — O Auror soltou um som nada impressionado. — Chegou bem na hora, aliás. — O Auror sorriu ironicamente e tirou algo dourado do bolso.
Ele murmurou algo que Dmitri não ouviu para abrir o objeto e disse:
— É Robards. Os feitiços de anti aparatação já caíram? Capturamos um.
— Ainda não. — A voz do outro lado soava distintamente frustrada. — Weasley chegou aqui há alguns minutos e acha que já está quase terminando, então... — Mas antes que Dmitri pudesse ouvir mais, o Auror, Robards, franziu o cenho e se afastou.
— Acho que você não quer facilitar pra gente e nos dizer qual era a finalidade de hoje, onde Voldemort está e o que ele planeja, né? — Black se agachou ao seu lado e cutucou sua bochecha com a varinha. Primeiro, Dmitri achou que era uma tática de intimidação, mas aí percebeu que Black tinha tirado o Corpo-Preso de seu rosto. Cuspiu em Black, que se afastou num pulo, uma carranca no rosto.
— Hoje foi para lembrar o mundo do poder e influência do Lorde das Trevas — falou Dmitri. — Eu achei que fosse óbvio.
— E Harry? — perguntou Black. Atrás dele, Potter observava com uma expressão endurecida. — O que você queria com ele?
— Ele mesmo disse — falou Dmitri, sorrindo para Potter. — Meu Lorde o quer morto e ele mesmo quer matá-lo. Eu ia facilitar. Ele teria me recompensado além...
— Qual você acha que será sua recompensar por ter sido capturado? — interrompeu Potter, inclinando a cabeça para o lado.
Dmitri apenas sorriu. Ele tinha sido capturado e certamente seria repreendido, mas não continuaria capturado. Wormtail o libertaria antes que pudessem levá-lo ao Ministério, ou Crouch o libertaria assim que chegassem lá. Eles não tinham escolha; ele sabia demais e, apesar de conseguir resistir à Veritaserum por um tempo, não achava que conseguia por muito tempo. E se usassem Legilimência, o que tinha certeza de que fariam, não duraria muito... Não, Dmitri sabia coisas demais para ser deixado com o Ministério, era importante demais.
Era uma sensação inebriante e reconfortante. Qualquer outro Comensal da Morte — exceto por Wormtail ou Crouch — era dispensável, mas Dmitri servira bem ao seu Lorde, tinha sua confiança e, portanto, não podia ser deixado para trás.
Como se tivesse sido convocado por seus pensamentos, Dmitri viu a cabeça de Wormtail aparecer atrás de uma barraca a várias fileiras dali.
Seu sorriso se alargou.
Robards se juntou a Potter e Black.
— As proteções vão cair logo mais — disse ele. — Aí a gente leva ele.
— Nós vamos levá-lo para as celas de contenção — falou Black —, mas depois temos que ir ao St. Mungos. — Ele esfregou uma mão no queixo. Robards assentiu, mas Potter olhou para ele, parecendo temeroso pela primeira vez naquela noite.
— Quem? — perguntou ele e soou como a criança que era. — Não o Charlie? — Black balançou a cabeça. — Padfoot.
— Dora — falou Black rispidamente. — Fred também.
— Dora... mas...
Wormtail não saíra de seu lugar atrás da barraca. Dmitri não esperava que ele o fizesse; Wormtail não era conhecido por assumir riscos, e enfrentar sozinho dois Aurores e Potter não era um risco que Wormtail correria. Mas da forma que Dmitri entendia as coisas, ele não tinha escolha: ou Wormtail faria algo independe dos riscos ou ele teria de encontrar mais algumas pessoas para contrabalançar as coisas.
— Robards. — Robards segurava seu objeto dourado mais uma vez.
— Caíram — disse a voz do outro lado. Dmitri olhou para Wormtail; com sua audição, ele teria ouvido e saberia que era agora ou nunca.
Certamente, Wormtail estava mais perto do que antes e sacou a varinha enquanto Dmitri observava, a expressão desgostosa.
Os outros três estavam de frente para Dmitri, aproximando-se, e nenhum deles tinha notado Wormtail. Uma luz verde saiu da ponta da varinha de Wormtail, e o sorriso de Dmitri passou a ser arrogante.
Black ou Robards?, perguntou-se Dmitri.
Morreu antes de perceber que Wormtail não atacara nenhum dos dois.
Continua
