Passamos toda a manhã de sábado na cama, nos alternando entre fazer amor e dormir.
Pedimos para o nosso brunch, café e croissants. Eu aprendi que o porteiro do prédio ficava à disposição de Sasuke. Eu também aprendi que ter alguém a sua disposição é espetacular. Não falamos muito, mas eu gostei.
Meu cérebro não estava funcionando muito bem. Eu estava sofrendo de uma espécie de ressaca de sexo gostoso.
Sasuke me fazia sentir a mulher mais bonita do mundo. Ele adorava meu corpo com a sua língua, seu olhar, seu corpo.
Ele fazia com que eu me sentisse viva. Ele não estava com pressa para terminar o dia e me mandar para casa, mas no meio da tarde, achei melhor falar com Hanabi e ver como ela estava.
"Olá," eu disse quando ela atendeu ao telefone.
"Tudo bem?"
"Claro." O sorriso em sua voz era inconfundível. "Você está se divertindo?"
"Sim," Eu disse. Claro que sim. Talvez até demais.
"Talvez eu chegue em casa um pouco tarde."
"Amanhã," Sasuke murmurou, se aconchegando atrás de mim. "Diga a ela que você não vai para casa até amanhã. De noite."
"É ele?" Hanabi perguntou. "Qual é seu nome?"
"Eu, uh, tenho que ir," Eu disse rapidamente. "Me chame se precisar de alguma coisa." Desliguei antes que ela pudesse fazer algumas perguntas mais estranhas.
Sasuke rolou-me sobre o meu estômago e cobriu meu corpo com o seu próprio corpo. Ele esticou minhas mãos acima da minha cabeça e as segurou não tão forte com a sua mão, mas eu não conseguiria escapar. Não que eu quisesse. Eu queria ver o que ele faria comigo, queria senti-lo dentro de mim.
Ele afastou meu cabelo para o lado com a outra mão e se encostou ao meu pescoço. Ele fazia cócegas e comecei a rir, mas tudo isso foi esquecido quando ele separou as minhas pernas com o joelho. Eu levantei minha bunda, convidando-o, e ele entrou em mim por trás com seu pênis grosso. Ele gemeu. "Deus, você é muito gostosa Hinata. Eu amo fazer amor com você. Adoro estar dentro de você, sentir você tremer de desejo por mim, sentir o seu calor. Eu adoro ouvir meu nome em seus lábios, cheirar seu perfume quando você goza."
Eu nunca tinha pensado que algumas palavras podiam me levar para patamares mais altos, mas eu estava tão excitada, que ele podia fazer qualquer coisa comigo que eu não me importaria. Mas ele não se aproveitou. Ele colocou meu prazer antes do dele, e sempre me perguntava antes de tentar algo novo. Me senti sua parceira, me senti no mesmo nível que ele e no controle da situação. Não fazia sentido. Eu tinha esperado que Uchiha Sasuke na cama fosse exigente e controlador, porque é assim que ele é no mundo dos negócios. Mas ele foi o perfeito cavalheiro. Fez-me sentir ainda mais culpada.
"Sasuke" Eu disse quando mais uma vez ficamos abraçados e saciados. "Não posso ficar aqui hoje e amanhã."
Ele apoiou a cabeça na mão dele e com o seu dedo seguiu ao longo da curva das minhas costas. "Por que não?"
"Em primeiro lugar, eu não tenho roupa".
Ele beijou meu ombro. "Você não precisa de roupas."
"E, por outro lado, eu tenho que cuidar da minha irmã."
"Ela não é velha o suficiente para cuidar de si mesma?"
"Sim, mas ela é muito imatura. Não gosto de deixá-la sozinha por muito tempo."
Ele parou e olhou para mim. "Por que não? Ela está bem?" Eu engoli pesadamente. Não queria falar com ele sobre seus últimos problemas de saúde. Ela podia estar em remissão, mas ela estava sempre muito cansada e eu me preocupava com ela. Mas se eu contasse para ele eu me sentiria vulnerável. Resumindo, não podia deixá-lo chegar muito perto. Uchiha Sasuke não era para longo prazo. Sexo com ele eu poderia gerenciar; intimidade não.
"Claro que ela está bem," eu disse, talvez um pouco alegre demais. "Por que não estaria?"
A mão dele ficou imóvel nas minhas costas. "Eu vou te levar para casa sempre que você quiser."
"Tudo bem. Eu posso pegar um táxi."
"Não, eu vou te levar."
"Sasuke, eu sou uma menina grande. Posso apanhar um táxi."
Ele não disse nada enquanto saiu da cama e pegou o telefone. Tinha tocado o dia todo, mas ele não tinha atendido.
"Não digo agora," eu falei sentando na cama. "Posso ficar mais tempo."
Ele assentiu sem levantar a cabeça do visor. "Me desculpe, Hinata, eu tenho que retornar algumas ligações." Ele saiu do quarto descalço.
Eu suspirei. Droga. Eu tinha arruinado o momento e o tinha ofendido, insistindo em apanhar um táxi. Bem feito, Hinata.
A voz dele parecia longe, mas eu conseguia perceber o que ele dizia. A maior parte das ligações parecia relacionada com o trabalho, mas uma chamou a minha atenção. Ele cumprimentou seu irmão, Shisui, mas seu tom tornou-se rude e então ele deve ter se afastado ainda mais porque não consegui ouvir mais nada. O instinto me fez ir atrás dele na ponta dos pés. Encontrei-o no que parecia ser um estúdio, suas costas nuas encostada na porta. Fiquei perto da porta, mas fora de vista.
"Não é da sua conta," ele disse no telefone. "Não quero falar sobre isso." Ele fez uma pausa, ouviu e, em seguida, acrescentou, "Não quero falar sobre isso também." Mais silêncio, seguido por "fala para a mamãe e para o papai que não é sobre eles. Não se trata de nenhum de vocês. Meu negócio é fazer dinheiro para os meus clientes e eles estão interessados em construir um hotel no local. A localização é perfeita."
Ele ouviu novamente, em seguida, suspirou. "Sim, sei que ela é," ele disse em resposta a algo que Shisui tinha dito. "Mas ela pode ter outro estúdio em outro lugar. Ela não é minha responsabilidade." Mais silêncio e então o grito de Sasuke fez meu coração saltar na minha garganta. "Porra deixe ela fora disso! Nem tudo é sobre ela. Você está me ouvindo? Você acha que tudo o que eu faço é moldado pelo o que aconteceu, mas ouça-me, irmão, às vezes é só pelo dinheiro."
Ele deve ter desligado porque algo no quarto quebrou. O telefone? Eu rapidamente corri de volta para o quarto e deitei na cama. Ele não voltou, e no momento seguinte ouvi barulho de água no banheiro. Eu verifiquei o estúdio novamente e claro, o telefone estava no chão em pedaços. Algo que Shisui tinha dito tinha feito Sasuke ficar furioso. Algo a ver com uma mulher e um incidente que Sasuke estava envolvido. Eles tinham discutido sobre Kushina?
Voltei para o quarto e olhei no armário procurando um roupão. Era melhor eu ir embora já que ele estava de mau humor, mas eu precisava de um banho primeiro. O armário era tão grande como o meu quarto, mas meio vazio. Parecia uma pena desperdiçar um espaço tão grande com um homem.
"Ei," veio à voz suave de Sasuke atrás de mim. Eu me virei, incerta da reação que eu receberia, mas não havia nenhuma evidência de sua raiva anterior. Ele era todo sorrisos e olhos amorosos novamente.
"Eu estava procurando algo para vestir," eu disse. "Pegue qualquer camisa que você queira. Mais tarde. Por agora, quero que você venha comigo." Ele pegou minha mão e me levou para o banheiro. Senti o perfume das flores mesmo antes de entrar. A água ainda estava correndo e percebi que não era o chuveiro, mas uma jacuzzi. "Eu pensei que poderíamos tomar um banho juntos," ele disse com as mãos nos meus ombros, o peito nas minhas costas. Levantei minha cabeça para olhar para ele.
"Como sabia que os meus músculos precisavam disso?"
Ele beijou minha boca. "Apenas um palpite." O homem tinha uma capacidade incrível para substituir uma emoção por outra. Ou era uma máscara, e não uma substituição? Em seu íntimo, ele ainda estava furioso com seu irmão, mas determinado a não me deixar ver? Ou ele estava determinado a esquecer? Esquecer a conversa, esquecer a mulher misteriosa e tudo o que tinha acontecido entre eles?
Entramos na jacuzzi e me deitei contra seu peito, minha cabeça em seu ombro. Ele suavemente massageou minhas coxas por baixo da água, mas não fez esse ato se transformar em algo sexual. Eu fechei os olhos e suspirei.
"Assim?" ele murmurou no meu ouvido. Balancei a cabeça.
"Me sinto no Céu. Obrigada, Sasuke. Eu tinha medo que eu o tivesse ofendido sobre o táxi."
Eu senti ele encolher os ombros. "Você não quer que eu conheça sua irmã ainda," ele disse. "Tudo bem. Eu entendo."
"Você já a conheceu."
"Não como seu..."
"Chefe?" Claramente ele estava tendo problemas, de como classificar o que éramos agora um para o outro, assim como eu.
"Chefe," ele concordou.
"Vamos ver onde isto nos leva. Não há pressa. Além disso," me aventurei, "você não parece muito ansioso para discutir sua família também."
"Você conheceu o Shisui"
"Não porque você nos apresentou."
"Eu teria."
Eu estreitei meu olhar para ele. "Eventualmente," admitiu, olhando para longe.
"E os outros? Shisui me contou sobre Itachi e os mais jovens. Ele chamou-os criadores de inferno."
Ele sorriu. "Eles são. Um pode encantar qualquer mulher para a cama e o outro é simplesmente selvagem. Manter os dois fora de problema é um trabalho em tempo integral para os nossos pais."
"É a primeira vez que você realmente fala sobre seus irmãos," eu disse. "Me conte sobre eles." Ele mudou suas mãos para os meus seios, massageando-os e colocando seus dedos sobre os mamilos até ficarem formigando. "Não há nada para dizer."
Eu levantei meus braços e envolvi sua cabeça, incentivando-o a continuar. "E os seus pais?" Eu sussurrei minha mente já totalmente fora da conversa. "Você não fala sobre eles também."
"Você quer falar sobre os meus pais agora?"
"Hmmm, talvez mais tarde. Parece que você teve êxito em evitar o tópico por causa dos seus dedos mágicos."
"Mágicos, hein?" Ele mexeu nos meus mamilos, enviando um choque direto para minha vagina. Eu gemi.
"Toque-me aqui," eu disse, guiando as mãos dele para baixo.
"Você faz isso. Eu quero ver você se masturbar e gozar."
Meu rosto e minha garganta pareciam fogo. Eu nunca tinha feito isso na frente de ninguém antes. Eu puxei minha mão para longe, mas ele apanhou-a novamente.
"Está tudo bem, querida. Não fique envergonhada. Tudo o que você faz é lindo e surpreendente, inclusive isso." Ele dirigiu minha mão para baixo, até ficar na posição correta. "Coloque o dedo." Ele segurou minha mão por baixo dele, e avançou o meu dedo médio dentro de mim.
"Sinta como você está quente," ele murmurou, sua voz como mel na minha pele. "Sinta como os seus dedos são mágicos. Agora se masturbe para mim." Eu achava que não poderia fazê-lo com uma audiência, mas depois de alguns momentos, eu já não me importava. Eu queria que ele me visse. Eu me masturbava enquanto ele colocava suas mãos nos meus seios e esmiuçava meus mamilos tornando-os gloriosamente duros e doloridos. Saudei o calor familiar que chegou e gritei o nome dele quando meus próprios dedos me enviaram para o Céu. Deitei-me em seus braços, meu corpo uma poça lânguida.
Droga, ele era inteligente. Ele teve sucesso em não falar sobre seus pais e eu continuei sem saber nada sobre a sua família.
Passamos o resto do dia e grande parte da noite juntos, mas eu voltei para casa sábado de madrugada num táxi que ele chamou para mim. Ele parecia ter aceitado o fato de que eu ainda não estava preparada para que Hanabi soubesse que ele e eu estávamos dormindo juntos, talvez porque ele não estava pronto para me apresentar a família dele também. Foi um estranho final para um fim de semana maravilhoso.
A festa do prazer tinha feito uma corrente de doçura e tinha me pegado de surpresa e o feitiço de Sasuke tinha me sugado. No entanto, a distância entre nós continuava grande como sempre. Era muito evidente que ele não queria que eu fosse uma parte de sua vida fora de seu quarto e do escritório. E estava tudo bem para mim. Totalmente. Completamente. Tudo bem. Não queria chegar mais perto do homem a quem eu deveria arruinar. O pequeno buraco que tinha sido aberto no meu coração ia se curar uma vez que tudo acabasse e eu tivesse a chance de seguir em frente e esquecê-lo.
Hanabi me cumprimentou com risos e perguntas, mas eu consegui evitar dar respostas para ela. Passamos o domingo juntas fazendo trabalhos domésticos e nos espreguiçando até que ela quis pintar alguma coisa e eu não conseguia mais ficar longe do trabalho. Eu estava ciente de que agora eu tinha a atenção de Sasuke, e completar meu trabalho para Tsunade não ia demorar muito tempo mais. Então, era assim que as acompanhantes se sentiam quando dormiam com seus alvos. Poderosas, no controle. Mas como elas fechavam seus corações? Como elas lidavam com a ansiedade e a horrível sensação de mau agouro? Isso me assombrou o domingo inteiro. Eu mal pude comer alguma coisa e eu mal dormi naquela noite, pensando em tudo que poderia dar errado. Pensando o quanto eu queria que as coisas não dessem erradio. Garota estúpida. Eu fiz a única coisa que eu tinha jurado não fazer. Eu tinha me apaixonado pelo Uchiha.
As flores frescas na minha mesa foram uma boa surpresa e um bom sinal de que ele não ia me arrastar para fora do escritório. Enquanto meu computador se inicializava, eu bati na sua porta e entrei. Ele me cumprimentou com um infame sorriso Uchiha Sasuke, torto de sensualidade.
"Ei," ele disse, chegando do outro lado da mesa. Ele apertou meu rosto em suas mãos. Os polegares acariciando as minhas bochechas com ternura. "Senti sua falta ontem."
"Eu também."
Nos beijamos apaixonadamente, como se nós não nos víssemos há meses. Quando nos separamos, percebi que a porta estava aberta. Qualquer pessoa que saísse do elevador poderia nos ver. Ele seguiu meu olhar
"Você não quer que ninguém no escritório saiba sobre nós," ele disse categoricamente. Eu tentei avaliar seus pensamentos, mas era impossível dizer o que ele estava pensando por trás da sua fachada de gelo. Graças a Deus o telefone tocou na minha mesa, me salvando de responder. Trabalhamos separados pelo resto da manhã, só nos vendo nas reuniões.
Ao meio-dia, ele veio até a minha mesa e me pediu para ir almoçar com ele. Eu recusei. Ele cruzou os braços sobre o peito e franziu a testa. "Deixei passar sexta à noite," ele disse, suas palavras cuidadosamente medidas. "Era um ambiente louco e os paparazzi estavam esperando. Mas agora... Hinata, há algo de errado comigo para que você não queira ser vista comigo em público?"
"Não. Claro que não."
"Não sou seu padrão habitual de companhia?" Dei-lhe um olhar fulminante e ele me devolveu um encolher de ombros inocente.
"Sim, eu sempre saio com trillionários gostosos, e você é apenas um bilionário, então..."
"Ei," ele disse, "Eu estou trabalhando nisso."
Joguei meu lápis nele e ele o apanhou, sorrindo, embora houvesse algo incerto por trás. "Passamos uma noite juntos," eu disse. "Vamos aguardar e ver para onde isso vai nos levar antes que todos fiquem sabendo. Está bem?"
Ele curvou a cabeça e acenou. "Se você não vai sair para almoçar comigo, parece que eu tenho que pedir almoço para nós dois." Ele voltou para seu escritório e fechou a porta. Trinta minutos mais tarde, um serviço de catering chegou com uma cesta de comida para Sasuke. Liguei para ele informando.
"Está com fome?" ele perguntou. Olhei para a porta do elevador fechando. "Você quer que eu almoce com você aqui?"
"Não. É muito público, e não fiz 1 trilhão de dólares na última meia hora. Parece que você vai ter que se esconder em meu escritório e comer em segredo até que eu receba uma ligação do meu corretor."
"Ha ha. Você é muito engraçado."
Ele pegou a cesta e me seguiu até seu escritório. Ele já tinha colocado um cobertor de piquenique perto da janela onde estava batendo sol, com uma garrafa de vinho branco gelando em um balde. Ele colocou a cesta no chão e me convidou a sentar, em seguida, serviu-me o almoço composto de uma seleção de queijos, saladas e carnes frias.
"Isso é muito carinhoso da sua parte, Sasuke. Obrigada."
Ele me olhou sobre a borda do copo dele. "Você está me olhando como se você não esperasse eu ser capaz de fazer algo assim."
"Admito que pensei que você não fosse capaz."
"Vejo que a minha reputação como um idiota me precede outra vez."
Eu mastigava o interior da minha boca e decidi ser honesta com ele. Ou parcialmente honesta. "Ouvi muitas coisas sobre você, mas as palavras implacáveis e cruéis sempre se repetem."
"Cruel," ele murmurou. "Foi Kushina quem disse que sou cruel?"
Não queria dar-lhe uma resposta. Se eu dissesse para ele não, ele poderia continuar a perguntar e eu não podia falar sobre Tsunade. Eu não podia.
"Sasuke, o que aconteceu entre vocês dois? Por que ela te odeia tanto?"
"Ela acha que eu vou derrubar sua casa."
Espera um pouco, o quê? "Ela acha que você vai derrubá-la? Isso significa que você não vai?"
"Admito que esteja tendo dúvidas."
Opa. "Desde quando?"
"Desde sábado."
Eu franzi a testa, mas ele não me olhou nos olhos. O que tinha acontecido no sábado? Eu tinha estado com ele o tempo todo e ele não tinha falado nada sobre voltar atrás. Talvez uma das ligações de telefone o tivesse feito mudar de ideia, ou talvez algo que Shisui tenha dito fez o truque.
"O empreiteiro desistiu?" Eu perguntei. "Ou um dos seus clientes voltou atrás?" Ele balançou a cabeça.
"Não lhes contei ainda. Eu ainda estou pensando na melhor maneira de dar a notícia. Eles não vão ficar felizes."
"Você vai perder muito dinheiro." Ele encolheu os ombros. Eu esperei, mas ele não falou mais nada.
O homem era um enigma envolvido em um mistério. Por um lado ele parecia se importar profundamente sobre como ganhar dinheiro para seus clientes e, por outro lado, ele estava preparado para enfrentar a ira deles para salvar a casa de uma velha amiga. Uma velha amiga que parecia odiá-lo agora.
"A Kushina não gosta de você, vai mais longe do que isso," Eu disse meio que adivinhando. "Na verdade, ela falou que não gosta de toda a sua família."
"Não de todos nós. Ela se dá bem com Shisui. Lembre-se, todo mundo se dá bem com ele."
"Você está evitando o tópico novamente."
"Sem muito sucesso," ele disse ironicamente.
"Tudo bem se você não quiser falar sobre isso. Eu sou sua PA, não sou sua... confidente."
"Eu quero te contar," ele disse baixinho. "Mas existem algumas coisas que não se pode falar. Você entende?"
Eu entendia e disse para ele. Alguns problemas eram tão profundos que suas raízes estavam presas, embrulhadas em torno de um alicerce, e falar sobre eles seria semelhante a deslocar este alicerce e puxá-lo inteiro para a superfície novamente onde você não gostaria que ele ficasse.
"Obrigado." Ele apertou minha mão e abraçou seus dedos com os meus. "Eu gosto de você, Hinata. Não quero que você pense que você é apenas minha PA, porque há mais entre nós agora. Concorda?"
Ele parecia tão diferente do Uchiha Sasuke das últimas semanas que fiquei surpresa e vulnerável. O que aconteceu com este cara para mudá-lo completamente em poucos dias? Desde sexta-feira à noite, na verdade. Certamente não tinha nada a ver comigo. Eu queria acenar e dizer para ele que sim, havia mais entre nós do que o chefe e a PA. Eu queria beijá-lo até a incerteza deixar os olhos dele. Mas não consegui. Eu precisava substituir o calor com frieza novamente. Eu precisava da distância e do controle do velho Uchiha de volta. Era mais fácil assim. E mais seguro. Uma batida na porta dele me salvou de responder. Ele respirou e perguntou quem era. Um dos seus gerentes seniores respondeu de volta.
"É melhor ir para a minha mesa," eu disse, colocando às pressas as coisas do piquenique na cesta. "Meu chefe é um tirano e odeia que eu tenha almoços demorados." Ele riu e me ajudou. Juntos nós removemos todas as provas de nosso piquenique e eu abri a porta, com caneta e bloco de notas na mão.
"Desculpa," eu disse para o homem parado. "Nós tínhamos que terminar um memorando." O homem olhou por sobre a minha cabeça para Sasuke e piscou. Eu saí fechando a porta.
Eu trabalhei na minha mesa até as cinco, quando Hanabi me ligou no meu celular. "Eu vou ficar com Kushina por mais algum tempo," ela disse. "Ela precisa de alguém para conversar e me ofereci para ficar depois da aula."
"Ela está bem?" "Ela ainda está chateada sobre a casa e o estúdio."
"Não tem outra pessoa com quem ela pode conversar?"
"Por que ela não pode falar comigo?" ela surtou.
"Ela pode," eu disse rapidamente. "É que ela sabe que você esteve doente e não deve ficar sobrecarregada."
"Jesus, Hinata, agora eu estou bem."
"Você ainda fica cansada."
"Eu só estou falando com ela, não vou correr uma maratona!"
"É mais uma coisa sobre seus ombros quando você já tem tanta coisa para lidar." Ela suspirou e murmurou algo que eu não consegui ouvir. "Liguei só para te dizer. Queria não ter te ligado."
"Eu vou te buscar as sete."
"Eu posso pegar o ônibus para casa."
"Não, espere por mim. Não vou por sua causa." eu disse antes que ela pudesse protestar.
"Tem uma coisa que eu quero perguntar para Kushina." Saiu da minha boca antes que eu tivesse a oportunidade de pensar. Se Sasuke não queria me contar, talvez Kushina quisesse. O único problema era como lhe perguntar com Hanabi lá e não as deixar saber por que eu estava interessada.
O subúrbio de Serendipity Bend era uma mistura de casas velhas e novas com uma coisa em comum: — todas eram enormes. As terras formavam acres e acres de jardins bem cuidados, às vezes com lagos e com estruturas extravagantes construídas para melhor visualização da casa. Eu sabia tudo isso, porque eu tinha visto um documentário no canal Lifestyle onde os proprietários eram os anfitriões em torno de suas mansões com mais de cem anos.
Meu único conhecimento desse lugar era a rua em que Kushina morava. Dizer 'pior casa na melhor rua' não podia ser mais exato. Willow Crescent seguia a curva do rio com as propriedades de um lado. Eram estas casas que comandavam os preços mais elevados. Não que algum proprietário já tivesse vendido. As casas em Willow Crescent passavam de geração para geração, para horror dos corretores de imóveis.
Kushina era uma exceção, embora essa venda tivesse sido tratada em particular. O portão da frente estava aberto, ao contrário das outras casas na rua. Eu passei pela casa da família Uchiha que ficava ao lado. Além do portão de ferro tinha uma garagem pavimentada alinhada com árvores frondosas que escondia a casa. Não havia nenhum sinal de Shisui ou de qualquer outra pessoa. Eu dei a volta e atravessei o portão de Kushina.
A casa dela era certamente velha, mas ao contrário das outras casas de Willow Crescent, ela estava mostrando a sua idade. Rachaduras apareciam como fraturas ao longo de algumas paredes e uma janela na parte de cima tinha sido fechada permanentemente. Eu sabia que Kushina vivia na ala leste, tendo fechado o resto da casa, quando se tornou antieconômico esquentá-la no inverno.
Seu estúdio se localizava no jardim de inverno do lado onde ficava o rio, uma vez que a luz era muito melhor lá. Eu encontrei Kushina e Hanabi sentadas no alpendre com bebidas em suas mãos, Kushina com vinho branco e Hanabi com limonada. Kushina me cumprimentou com um beijo na minha bochecha e foi para dentro para ir buscar outro copo.
"Você está bem?" Eu perguntei para Hanabi.
"Claro. Por que não estaria?" Ela colocou seu cabelo atrás da orelha, mas ele não ficou preso. Eu resisti ao impulso de fixá-lo de volta para ela.
"Só estou perguntando," eu disse, tentando soar alegre.
"Eu não entendo por que você está aqui, Hinata. Tem algo errado?" Ela baixou o copo no colo.
"Nós ainda podemos pagar as aulas, certo?"
"É claro. De jeito nenhum eu iria te forçar a desistir, Hanabi. Sei que você ama pintar."
"Sim, mas se é dinheiro —"
"Não é." Eu falei enquanto Kushina retornava. Ela me deu o copo e sentou-se na cadeira de vime ao meu lado. Ela jogou seus longos cabelos vermelhos por cima do ombro e atirou-me um sorriso.
"Suponho que você está aqui para me perguntar sobre os meus planos. Sei que você está preocupada e quero te agradecer por todo seu apoio."
"Estou preocupada," eu disse. "Mas talvez ajudasse se eu soubesse por que você está tão relutante em deixar esta casa. Por que você não pode se mudar para outro estúdio em Roxburg? Seus alunos vão te seguir."
"Não posso fazer um estúdio em nenhum outro lugar de Roxburg. Não posso. Esta é aminha casa. Está na minha família há gerações. Minha irmã..." Ela tomou um longo gole de vinho, mas não escondeu o brilho nos olhos dela.
"Eu sei," disse compreensiva. "Deve ser difícil para você pensar em Uchiha Sasuke entrando com seus tratores e tirando a sua casa". Ela assentiu com a cabeça. "Talvez possa explicar algo para mim porque eu não entendi. Por que ele está querendo derrubar esse adorável lugar e substituí-lo por um hotel? Não pode ser apenas por dinheiro ou ele iria fazê-lo em outro lugar, em algum lugar longe da casa de sua própria família. Deve haver outra razão."
"Hinata," Hanabi falou. "Não é da nossa conta."
"Tudo bem," Kushina disse para ela.
"Certamente a família dele é contra isso," eu disse.
"É o que me disseram," Kushina falou ironicamente. "Mas Uchiha Sasuke não os escuta. Ele não os escuta há muito tempo. Não desde..." Ela pressionou seus lábios e estudou o vinho dela.
"Você não precisa responder." Hanabi olhou para mim.
Kushina virou seus enormes olhos para mim. "Não é nenhum segredo. Além disso, quero que o mundo saiba que Uchiha Sasuke é um idiota."
Eu segurei meu copo tão apertado que temia que ele fosse se quebrar. "O que ele fez?"
"Ele matou minha irmã."
...
