– O que o professor Snape queria? – Harry perguntou assim que Hermione sentou-se à mesa do salão
– Me entregar um pacote que aparentemente eu esqueci lá onde... Bem, você sabe... – Respondeu ela percebendo que os olhos de Dolores estavam fixados da sua feição – Além disso, eu não me lembro de ter comprado nada e ele disse que o pacote passou pela avaliação da professora McGonagall para ser entregue a mim.
– A professora Minerva?
– Eu não conheço outra. Você conhece? – ela olhou furiosamente para o amigo e depois para Ron quem estava com a boca cheia e uma coxa assada na mão – o mais estranho é que ele respondeu todas as minhas perguntas até eu perguntar por Marlene. Eu tive a sensação de que ele se espantou e então ele começou a me expulsar
– Já não é estranho o suficiente ele não te ignorar e responder as tuas perguntas? – Perguntou o ruivo deixando a colher cair ruidosamente com uma porção de comida, sujando a sua camisa
Hermione inspirou profundamente e rolou os olhos a ponto de pegar o vulto negro assentar na mesa dos professores e olhar com o desdém mutual para o salão e os colegas de classe. Minerva uma vez ou outra tentou chama-lo a atenção, mas o homem permanecia aéreo com seu desdém conhecido e a sua carranca ignorando todos ao redor, incluindo o prato a sua frente e dando atenção somente a taça de prata com vinho até levantar a vista e deparar com o olhar de Hermione o encarando. Snape precisava dar um jeito de saber do velho o motivo de ele ter mandado a Marlene McKinnor ao campo quando o mesmo prometeu que jamais tocaria em ninguém do círculo estrategicamente protegido por ele. E Snape sequer lembrava-se de ter a visto na reunião antes da prova.
Ele queria ter conseguido alertá-la sobre algumas coisas que viriam à tona em mais alguns dias, ou anos. E o melhor que ele poderia fazer era entrar na mente do Potter e procurar a memória sobre ela, perguntar a Dumbledore quais motivos o fizeram mandá-la ao campo no lugar de qualquer outro auror responsável e quais as circunstâncias que a fizeram ir. Snape se lembrava da lealdade de Marlene com os marotos e também com os Black, e como se fosse uma lamparina que estivesse aceso, a sua mente clareou
– Black!
Momentos depois de Severus ter abandonado ao salão atrás da sua capa de viagem, Hermione abandonou a mesa do jantar levando consigo o embrulho, a companhia de Harry e a atenção de Dolores quem imediatamente se pôs atrás da dupla.
– Senhorita Granger, Senhor Potter um momento. – Ela gritou alto suficiente obrigando-os a parar – O que vocês carregam aí consigo?
– Um cachecol que eu havia esquecido em Hogsmead e a professora McGonagall me garantiu que fosse entregue
– Dê-me o pacote para que eu o verifique agora – a mulher estendeu a mão e Hermione quase congelou – Ou em algo a esconder?
– Poderia ser no meu dormitório?
– Por qual motivo eu abriria um pacote suspeito no seu dormitório, senhorita Granger?
Hermione deu um passo até ficar próximo o suficiente da professora e então sussurrou
– Eu não quero que as minhas roupas intima sejam examinadas a vista de todos aqui nesse salão. E a própria professora McGonagall e professor Snape já verificaram o pacote e como você e eu sabemos, eles estão sobre o juramento de não irem contra a ordem máxima deste castelo, – Ela de um passo para trás e olhou a professora de cima a baixo – seja ela qual for. Agora se a senhora me der licença, eu preciso guardar meus pertences e terminar meus estudos.
Vários sons de surpresa ecoaram pelo salão enquanto Hermione via o riso de aprovação da diretora da sua casa e um discreto brinde de Filius Flitwich que levou imediatamente a taça a boca assim que a mulher retornou à atenção a mesa do corpo docente
Hermione saiu apressada do salão com Harry no seu encalço e não demorou muito para que Ron também se aproximasse
– O que foi aquilo, Mione? – O garoto perguntou arfante
– Eu não sei. Estamos quebrando todas as regras impostas naqueles quadros e... Eu fiquei me perguntando o porquê não de quebrar mais uma
– Mione, mas responder a um professor?
– O que Snape fez com você nas masmorras?
– Foi o mesmo bastardo de sempre – Ela murmurou abaixando a cabeça
– Espera – Ron parou os dois pés bruscamente obrigando os amigos, alguns passos à frente, virarem para o encarar – Desde quando você chama o professor Snape de bastardo?
– Não conscientemente, mas... Por Merlim, eu estou desrespeitando professores agora! Se me pegam limparei caldeirões e armários de vassouras pelo restante da minha vida e... oh, não. Se eu reincidir, poderei ser expulsa
– Eu não acho que isso poderia acontecer. Harry faz isso o tempo todo e cá estamos no quinto ano.
– Se sobrevivermos a isso, eu nunca mais responderei um professor na vida – Hermione sorriu – além do mais, eu preciso de feitiços multiplicadores para repassar o conteúdo a vocês.
– Vou escrever a mamãe. Talvez ela conheça algum.
– Ron. Molly Weasley!
– Sim. É esse o nome da minha mãe.
Hermione olhou para os lados e então aproximou trazendo Harry pelo braço.
– O que eu vou contar aqui não pode sair daqui até que eu decida que pode, estamos entendidos? – os dois balançaram a cabeça que sim – Snape sabem quem é Marlene. Ele até falou no sobrenome e eu acredito que ele a tenha conhecido na ordem. Outra integrante da ordem é Molly Weasley quem poderá esclarecer a ligação do professor Snape com ela e o que eu tenho a ver com isso. Assim podemos saber o que aconteceu a Cedric aquela noite.
– Você acha que mamãe Molly vai mesmo contar? – Perguntou Harry – Digo, este ano estão todos agindo estranhos ao nosso redor sem deixarem de ser gentis. Comigo deve ser o fato de que eu sou órfão e a Mione a magia que ela só tem contato aqui no nesse mundo
– Mamãe realmente começou agir estranha depois do torneio. Ela ficou abatida e se essa Marlene foi amiga dela? Ou pior, se essa Marlene foi algo do professor Snape e ele ameaçou a todos para que não contassem?
– Não. O professor Snape não parecia ter algo com ela. Quando eu mencionei que era ela no campo e não Cedric ele quase demonstrou surpresa. Se ele tivesse algo, certamente ele saberia dessa informação
– Mas Mione, o que sabemos do professor Snape? Absolutamente nada. Ele pode até ser um vampiro!
– Ghoull, o nosso vampiro, garante que ele não é.
– Garotos, vocês não acham que temos pelo menos muita coisa para nos preocuparmos com a vida pessoal do professor Snape? Algumas aulas decentes de DADA como exemplo, que ninguém aqui sabe nada além de feitiços simples e eu duvido muito que alguém da ordem nos ensine no feriado.
– Certo. Então eu vou escrever a mamãe essa noite para aproveitar que amanhã é o dia do correio. Também preciso de meias novas, vou lembrar-me de pôr isso no pergaminho.
– Ron – Hermione o chamou – Feitiço de multiplicação indetectável e Marlene. Não esqueça.
– Não, claro que não.
O trio passou para a escadaria que levava ao seu salão comunal quando Hermione pegou Snape indo em direção a entrada. Ela pediu para os meninos irem a frente e então escondeu-se atrás dos pilares até chegar o portão principal de entrada e ver Snape alguns metros a sua frente aparatando.
Ela apertou o pacote com ambos os braços olhando esperançosa que seus olhos apenas tenham se confundido em não notar que Snape estava coberto pela escuridão do lado de fora. Mas Argus Fitch a empurrando para dentro e fechando o portão atrás de si garantiram que não. Não havia mais ninguém no lado de fora e se ela não quisesse ser arrastada até a sala de Dolores, deveria estar no seu salão comunal.
Meio desconsolada pois a única pessoa quem também fora citada, de acordo com o relato embaraçado do Potter, havia desaparecido sabe-se Merlim para onde, Hermione teria de se contentar com esperar até sexta pela manhã pela recepção do correio e quem sabe uma resposta de Molly.
Subiu as escadas com cuidado com a movimentação delas e chegou um pouco exausta ao retrato da mulher gorda
"Pastel de amêndoas" era a senha da semana e Hermione se perguntava seriamente qual era o distúrbio alimentar de Minerva aquele mês enquanto bocejava buraco adentro. O sono foi rebatido com Harry e Ronald correndo em sua direção e gritando para chamar atenção.
– Mione, eu fui pegar um pergaminho com Harry e achamos essa foto da Ordem – Sussurrou o ruivo e garoto de óculos estendeu a fotografia onde diversas pessoas posavam sorridentes próximo a Dumbledore sério
Harry mostrou uma mulher no canto, pouco escondida no canto direito da fotografia entre duas mulheres que Hermione ainda não reconhecia e quem foi afastada levemente por Harry
– Sirius disse uma vez no terceiro ano que o sobrenome dela era McKinnor e eu ainda não tinha nenhuma associação a pessoa até Ron puxar a foto do meu malão hoje.
Hermione desviou o olhar da mulher para o amigo e viu sinceridade atrás das lentes finas. Então ela observou mais uma vez vendo que as anteriores haviam retornado ao seu lugar original e devolveu a Harry
– Não Mione, eu quero que fique com você para se inspirar na bravura quando começar a passar nossos pergaminhos na semana que vem – Harry sorriu gentilmente e Hermione baixou brevemente o olhar para a fotografia em sua mão – Eu tenho certeza que você fara jus a eles.
