Com a cabeça erguida, a força cresceu dentro do meu ser, a coragem e a vontade de poder fazer algo para ajudar aqueles que aprecio nesta vida, produziram em mim uma determinação da qual não retrocederia tão facilmente.

"Curtis estava aqui, eu o vi. Ele saía do nível quatro, onde o vírus G era mantido."

Lembrei-me do que Claire havia dito.

Sorri desafiadoramente, já faço parte desse duelo, dessa batalha contra o bioterrorismo.

Pressionei o botão número quatro. Eu inalei ar e exalei suavemente, pronta para qualquer coisa.

Não demorou muito para que as portas do elevador se abrissem, finalmente cheguei ao nível quatro. Eu olhei em volta, havia três zumbis vagando pelo corredor.

Caminhei devagar com cautela, olhei para o outro corredor, no chão jazia o corpo de um segurança banhado num lago de sangue.

Aproximei-me dele em busca de algum tipo de arma.

E bingo!

Achei um revólver, com um pouco de medo tirei da sua cintura a maleta com balas com a arma. Verifiquei se esta estava carregada e as outras balas com a caixa pendurei na cintura.

De repente, ouvi uma explosão e senti o tremor na superfície. Um alarme começou a soar e luzes vermelhas pulsaram por todo o lugar.

Os infectados viraram em minha direção e fui perseguida. Peguei o revólver e me preparei para me livrar deles.

Mirei e atirei um na cabeça e depois outro, ambos caíram no chão, o terceiro deixei vivo e corri desviando, já que o principal era reservar o máximo de balas possível para usar contra qualquer outra ameaça maior.

Afastei-me o suficiente dos infectados e resolvi caminhar, por um momento me senti perdida, até que ouvi um rugido terrível acompanhado de vários gritos.

Eu apurei meus sentidos auditivos e me preparei para seguir a origem daqueles foles.

Meu coração batia cada vez mais forte, tentei ignorar isso e continuar, porque talvez eu encontre o Leon lá, talvez ele esteja precisando de ajuda e eu estarei lá para ajudá-lo.

Cheguei a um corredor onde pela enorme janela consegui ver o jardim interno e lá estava Ângela, cara a cara diante de um enorme monstro, um mutante com o rosto deformado e um olho enorme no braço direito.

Merda! Ele vai atacá-la.

Eu bati na janela tentando fazer ela me ouvir.

- Ângela, corra! - Eu gritei.

Mas não funcionou. Kennedy logo chegou e interveio com uma faca. Ele tinha jogado no olho enorme da criatura.

- Incineração em trinta segundos. - Eu ouvi a voz nos alto-falantes.

Mas que diabos?

Eu pude ver como os dois agentes começaram a fugir do monstro. Por um momento, fiquei paralisada, sem saber o que fazer.

- Vinte, dezenove, dezoito, dezessete ... - Contou.

Naquele momento reagi e resolvi correr pelo corredor sem saber para onde ir, só queria me afastar o máximo possível para que as chamas não me alcançassem.

- Dez, nove, oito ...

Corre!

Corre!

Encontrei alguns zumbis no caminho, rapidamente atirei três para fazer meu caminho, até que de repente tropecei num cabo e caí no chão, o revólver escorregou das minhas mãos.

O outro infectado veio até mim e eu estava muito exausta.

- Três, dois, um. - Terminou a contagem.

Engoli em seco, estava suando como nunca, ouvi a explosão e a onda fez com que muitos cristais se rompessem.

Um enorme pedaço de vidro passou pela cabeça de um zumbi, seu sangue respingou na minha camisa e eu pude ver seu corpo cair no chão.

À distância, observei a aproximação das chamas.

Cadela!

Levantei-me rapidamente e com todas as minhas forças corri o mais rápido possível. Até que eu mergulhei atrás de um pilar e me agachei, cobrindo minha cabeça.

Naquele momento, senti o calor das chamas roçando meus ombros, meus braços e minhas pernas.

- Aaaaaghhh! - Gritei de dor.

Logo tudo acabou, eu lentamente olhei para cima e me inclinei totalmente contra o pilar, espalhando minhas mãos para os lados. Estiquei as pernas, o meu peito subia e descia, estava muito agitada, muito cansada.

Meu corpo estava muito quente, meus braços estavam manchados, sujos e queimados. Felizmente, a queimadura foi apenas leve.

Eu olhei para o meu lado, o corpo de um homem infectado jazia queimado e morto na superfície. Eu o observei com nojo e pena.

Eu me levantei e olhei ao meu redor, o lugar era um forno, era o inferno mesmo.

Devido à fumaça que cobria a atmosfera fúnebre, tossi e enxuguei com a camisa o suor, que escorria pela minha testa.

Vi o revólver no chão, tentei agarrar, mas estava tão quente que nem pude tocar. Suspirei, suponho que agora ficarei sem meios de defesa.

- Sistema de submersão do nível quatro pronto para ativação. - O computador falou nos alto-falantes.

Fiquei impressionada, nada mal para alguns alto-falantes, eles são muito resistentes.

- Sistema de submersão do nível quatro pronto para ativação. - Repeteu.

Naquele momento, percebi que estava em perigo.

Submersão?!

Merda!

Subi apressadamente as escadas de emergência. Cheguei a outro andar, felizmente não haviam infectados na área.

Eu estava um tanto confusa e perdida. O lugar estava escuro, mas consegui ver um pequeno buraco de luz. Por instinto resolvi ir até aquele buraco, que à medida que me aproximava cada vez ficava maior.

Tanto é que, quando cheguei ao fim do caminho, aquela lacuna de luz acabou sendo uma vista panorâmica dos níveis que submergiam.

Não demorou muito para eu ver Leon, Ângela e o monstro que os perseguiu. Observei que o loiro foi atingido por aquela criatura e o mandou voando de volta para o que parecia ser o nível quatro.

Nível quatro ...

Droga!

O computador começou a contagem regressiva e pude ver Leon correndo em minha direção com técnicas de parkour e numa velocidade incrível.

- Dez, nove, oito ...

Kennedy escorregou por baixo de alguns canos de ferro e se levantou para continuar correndo. Por um momento, fiquei admirando seu potencial. Ele era fantástico.

Logo o nível quatro começou a vacilar.

- Cinco, quatro ...

Leon estava a vários metros de distância, então decidi ir para a costa. Eu sabia que ele poderia não sobreviver.

- Três, dois, um...

O nível quatro entrou em colapso e perdi Kennedy de vista.

Não!

Decidi cair no chão além da borda e segurar sua mão com todas as minhas forças.

- Laura? - Ele perguntou confuso.

Eu sorri e o ajudei a ficar em segurança.

- Um pouquinho, certo? - Eu brinquei.

- Obrigado. - Ele disse e se levantou.

Por um momento, olhamos nos olhos um do outro. Até meu olhar vagar atrás dele. O monstro estava encurralando Angela.

Kennedy se virou. Vimos uma plataforma destruída, mas semifuncional, localizada muito perto de onde o agente e aquela aberração estavam.

Leon e eu olhamos um para o outro como se nossos pensamentos estivessem conectados.

- Vamos fazer-lo. - Murmurei e ele acenou com a cabeça.