Esclarecimento: Só reiterando que esta história não me pertence, ela é uma adaptação do livro de mesmo nome, de Mary Lyons, que foi publicado na série de romances "Julia", da editora Nova Cultural.
Capítulo 9
Tremendo como uma folha ao vento, Sakura olhava, perplexa, para o homem que caminhava pela sala em sua direção.
Apenas o som de seus passos firmes e ritmados quebrava o silêncio sepulcral. Até mesmo os alunos, após perceberem-lhe o rosto pálido e o corpo tomado por incontroláveis estremecimentos, voltaram-se para o desconhecido.
Só depois que ele se deteve ao lado da tribuna, ela conseguiu se controlar um pouco. Tentou falar, mas suas cordas vocais pareciam estar tão paralisadas quanto sua mente. Na segunda tentativa, a voz soou rouca e insegura:
- Shaoran ? O que... está fazendo aqui ? - ela se agarrou à tribuna com toda a força para que os joelhos não cedessem ao peso do corpo.
- Isso é pergunta que se faça ? Quero falar com você, é claro - ele respondeu, a voz grave e profunda ecoando pelas paredes da imensa sala.
- É impossível ! Quero dizer, aqui não é possível. Não, não neste momento - ela gaguejou, tentando afastá-lo com uma das mãos, enquanto a outra ainda estava firmemente agarrada à tribuna.
- Quer apostar ? - Shaoran a desafiou - Eu estive procurando-a pelas últimas seis semanas, sem sucesso - ele pegou-lhe a mão - Agora que a encontrei, querida, acha que vou esperar ? Sinto muito, mas aqui estou e aqui ficarei até que resolvamos um ou dois assuntos pendentes.
- Mas... você não está me entendendo ! Eu estou no meio de uma palestra - ela sussurrou, tentando desesperadamente se livrar da mão que a segurava diante da platéia, que os olhava com considerável interesse. A chegada inesperada do estranho obviamente era uma forma diferente de entretenimento para quem estava acostumado a aulas secas e monótonas.
- Quero saber por que não respondeu a nenhuma de minhas cartas ou aos meus inúmeros telefonemas - ele a fitava intensamente enquanto exigia uma resposta.
- Não recebi carta alguma e muito menos telefonemas. E, pelo amor de Deus, fale baixo ! - ela implorou, incapaz de impedir que o sangue lhe aflorasse ao rosto conforme notava os sorrisos de alguns dos alunos.
- Nós precisamos conversar e...
- Não posso falar com você agora. Preciso terminar a aula - ela protestou, ainda lutando para se libertar.
- Quero que sua aula se dane ! - ele esbravejou, as palavras provocando um murmúrio entre a audiência.
- Oh, Shaoran ! Você vai acabar com a minha reputação nesta escola - ela suplicou - Falo com você depois. Por favor, vá embora !
Ele a fitou em silêncio por um momento e em seguida se virou para a classe.
- Desculpem-me por interromper a aula, senhoras e senhores. Entretanto, espero que compreendam que estão diante de um homem desesperado ! - antes que Sakura percebesse suas intenções, viu-se presa entre seus braços.
- Shaoran ! - ela gemeu, mas qualquer outra coisa que quisesse dizer tornou-se impossível, pois ele possuiu-lhe a boca com urgente determinação. Lutando para se libertar dos braços que se fechavam ao redor de sua cintura como tentáculos, sentiu um calor traiçoeiro invadi-la.
Gradativa e imperceptivelmente, a pressão sobre seus lábios diminuiu, e o beijo tornou-se apaixonado e persuasivo, minando-lhe todas as resistências. Seu coração disparara, o pulso estava acelerado e ela se abandonou, fora de controle, de encontro ao peito igualmente arfante. Estava perdida.
Afundava sob uma súbita onda de desejo e era impossível não corresponder à carícia daquele beijo sensual.
Assobios ruidosos ecoaram pela sala. Se não fosse por isso, ela não saberia quando e se teriam parado ! Mas, mesmo assim, demorou um pouco para Sakura voltar à realidade. Shaoran, entretanto, parecia calmo e feliz ao lhe sorrir.
- Então ?
- Hum ? - ela o fitou. Completamente alheia e sem fôlego, o único pensamento claro em sua mente era o de gratidão, por estar amparada. Sem o apoio dos braços de Shaoran em sua cintura, sem dúvida teria tropeçado.
- Acho que o melhor que temos a fazer é nos casarmos o mais breve possível, você não concorda ?
Ela prendeu a respiração.
- O quê ?... - ela gaguejou, incrédula - O que você... disse?
- Eu te amo, e estou pedindo para que se case comigo, Sakura - Shaoran falou com firmeza entre os aplausos dos estudantes e as ordens para que se calassem, por parte das alunas mais inclinadas ao romantismo, que queriam ouvir o que a dra. Kinomoto tinha a dizer.
A dra. Kinomoto, entretanto, estava impossibilitada de dizer qualquer coisa. Isto é, qualquer coisa inteligível, pois seu cérebro não conseguiria funcionar enquanto o corpo não parasse de tremer. Será que ele realmente a pedira em casamento ? Não, era evidente que não. Tratava-se apenas de uma louca alucinação. Ela estava sonhando e logo acordaria, e então...
Os lábios de Shaoran se alongaram num sorriso.
- Vamos, querida, não me torture. Quer se casar comigo ? Sim ou não ? - ele indagou, hesitante.
- Isso é uma loucura ! Eu não posso, isto é... não daria certo ! - ela gritou, indecisa.
- Sim ou não ? - ele insistiu, a expressão tornando-se rígida, os olhos brilhando com uma determinação que parecia sugar-lhe toda a força de vontade.
- Se não o quiser, eu o aceito ! - uma linda estudante ruiva lhe gritou, a oferta imediatamente provocando novos assobios e comentários vulgares.
O rosto de Sakura estava queimando de vergonha. O homem era absolutamente imprevisível. O que poderia responder ? Ela precisava de tempo para pensar, para considerar...
- Sakura, sua garota maluca e enlouquecedora ! - ele a sacudiu furiosamente - Eu quero uma resposta ! Agora !
- Oh, por favor ! Sim... sim, eu me casarei com você - ela finalmente concordou - Agora, daria para você ir embora ?
- É claro que não ! - Shaoran sorriu triunfante - Está tudo bem, garotos ! A aula terminou, por hoje - ele se dirigiu para a classe com um sorriso tão quente e maravilhoso que várias alunas jamais esqueceriam.
Uma delas chegou a gritar:
- Se ela mudar de idéia, meu nome é Minako Sugahara.
- Obrigado pela oferta. Se Sakura me der muito trabalho, eu voltarei aqui imediatamente ! - ele sorriu divertido, enquanto puxava Sakura para fora da sala.
- Seu comportamento foi ridículo ! - ela protestou, ao descer a escadaria de mármore - E a minha bicicleta? - ela gritou, ao ser empurrada para dentro de um Rolls-Royce com motorista e tudo - Saiba que o seqüestro é um crime ! - ela continuou, enquanto o veículo percorria velozmente a cidade - Não vou entrar ! - ela resmungou quando o automóvel estacionou diante do Hotel Randolph - E o que pensa que vai fazer ? - ela indagou, ao ver que Shaoran fechava a porta da luxuosa suíte e a tomava nos braços.
Os ombros de Shaoran se sacudiam com a sua risada.
- Acho que em primeiro lugar vou despi-la e em seguida faremos amor apaixonadamente pelo resto do dia ! - ele respondeu, enquanto tirava-lhe a capa de chuva e descia o zíper do vestido, para depois levá-la em direção ao quarto - Alguma objeção ? - ele continuou, tomando-a entre os braços e carregando-a para a cama.
- Oh, não ! Nenhuma ! - ela suspirou, inebriada de felicidade. Mal podia acreditar que estava sendo fortemente abraçada e beijada pelo homem por quem ansiara desesperadamente nas longas e dolorosas semanas após seu retorno à Inglaterra - Querido ? - ela murmurou sem fôlego, quando ele lhe tirou a última peça de roupa - Ainda não me contou como conseguiu sair da Síria...
- Agora, não... falaremos sobre isso mais tarde - ele suplicou, trêmulo, ao sentir as mãos de Sakura sobre o seu peito, desabotoando-lhe a camisa - Muito... muito mais tarde ! - ele acrescentou, antes que sua boca se fechasse sobre a dela, fazendo com que ambos perdessem toda a noção de tempo e espaço. A única realidade, para Sakura, era o calor e a força daquele corpo bronzeado, o êxtase de suas carícias íntimas e sensuais, a excitação erótica com que ele sempre a envolvia, até que ambos explodiram no orgasmo daquela paixão tempestuosa.
- Está bem, eu concordo que o governo sírio estivesse embaraçado com o seqüestro de seu ministro do Interior, também entendo que quisessem manter segredo sobre você, com medo de uma investigação internacional por parte dos Estados Unidos. Mas o que não posso entender - Sakura acrescentou, provocante, ao assoprar uma bolha de sabão no rosto de Shaoran - é o motivo de você ter demorado tanto para entrar em contato comigo.
- Mas eu já lhe disse, quando a encontrei na sala de aula, que estive tentando localizá-la todos os dias, nas últimas seis semanas - ele ergueu o pé até a torneira, fazendo com que mais água quente caísse na banheira - Que tal ? - ele quis saber.
- Perfeito ! - ela murmurou - Contudo, eu repito e afirmo que não recebi nenhuma carta e nenhum recado. Na verdade, de sua parte só havia o silêncio, desde o momento em que o helicóptero aterrissou na base aérea próxima de Damasco, até hoje de manhã.
Até aquele instante, aliás, Sakura ainda não estava cem por cento segura de que não estava sonhando, após tudo o que lhe acontecera na Síria, tanto física como emocionalmente, e em tão pouco tempo. Era realmente possível que estivesse deitada numa banheira junto com o homem por quem se apaixonara tão perdidamente ? O mesmo homem que, a princípio, julgara o mais detestável, o mais irritante que tivera a infelicidade de encontrar ? Isso não fazia o menor sentido.
- Você tem idéia de quantos Amamiya residem em Oxford ? - ele se defendeu - Pois existem milhares de pessoas com o mesmo sobrenome. Eu sei, porque devo ter falado com cada uma delas.
- Nossa ! - ela o olhou espantada - Você não fez todas as ligações lá dos Estados Unidos, fez ? Deve ter lhe custado uma fortuna !
Ele sorriu.
- Sem levar em conta o fato de que eu sou, como você disse, "podre de rico", posso lhe garantir que eu teria pagado qualquer quantia para encontrá-la. E por que não deveria, se toda a minha vida futura, se toda a minha felicidade estava em jogo ?
- Oh, Shaoran - ela o fitou com lágrimas nos olhos - Que romântico !
- Tem certeza de que não queria dizer "insuportável" ?
- Bem... - ela fez uma pausa, tentando não rir enquanto olhava para o teto como se estivesse refletindo - Bem... talvez... ohh ! Com certeza ! - Sakura afirmou, alguns instantes depois, com o rosto corado - Eu jamais conheci alguém com um comportamento tão "insuportável" !
- É melhor ir se acostumando, pois estou começando a gostar de minha nova imagem - ele caçoou.
- É mesmo ? Mas um chuveiro frio resolveria o problema ?
- Oh, não, já tomei banhos frios o suficiente. Primeiro naquele castelo na Síria, e depois em minha casa de Boston. Eu estava ficando maluco tentando localizá-la - ele suspirou - E, quando finalmente consegui descobrir seu endereço, nem você nem sua tia se encontravam em casa. Todas as vezes que eu ligava, era um estranho que atendia. Da última vez, fui informado que sua tia ainda estava viajando. Quanto a você, ninguém sabia seu paradeiro. Disseram-me que você não ia para casa nem para dormir. Não imagina o que senti quando recebi essa informação - ele a fitou, acusador.
- Sou inocente - ela se defendeu - Eu não podia ocupar meu lugar, com tantos refugiados necessitando de uma cama para dormir, por isso passei as últimas seis semanas na faculdade, calma e monotonamente.
- Oh, sim ! - ele riu com ironia - Acha que vou acreditar que justamente você, com seu talento inato para encrencas, e que ainda por cima é extremamente inteligente, bonita e sensual, não teria deixado um séquito de admiradores por todas as ruas da cidade ? Simplesmente não acredito que você seja capaz de levar uma vida monótona.
- Mas sou - ela garantiu, secretamente lisonjeada por ser considerada uma mulher atraente - Para ser sincera, nunca fiz nada interessante em minha vida, e nunca participei de uma aventura excitante até viajar para a Síria - ela ergueu a cabeça para fitá-lo e lhe sorriu timidamente - E como eu poderia ter olhado para outro homem, se meus pensamentos estavam todos voltados para o banqueiro por quem me apaixonei ?
- Querida ! - ele a abraçou com tanta ternura e beijou-a tão docemente, que ela ficou emocionada - Eu estava desesperado por não poder viajar imediatamente para a Inglaterra e encontrá-la. E ainda por cima não sabia nem o nome da faculdade em que trabalhava. Entretanto, meus esforços foram recompensados. Consegui localizá-la esta manhã... e o resto não importa.
- Não importa, não é ? Nem os comentários que irão se espalhar por toda a faculdade sobre como transcorreu a palestra da dra. Kinomoto ? Especialmente o que dirá aquela garota horrível, Minako Sugahara...
- Você está com ciúmes ! - ele riu.
- Não, não estou ! - ela protestou, o rosto corado diante daquele sorriso malicioso - Estou apenas preocupada com as fofocas. Aposto que me puxarão o tapete, depois do que aconteceu.
- Relaxe ! Você não precisa mais voltar para lá. Sua única preocupação, agora, será atualizar seu passaporte junto ao consulado americano.
- Não seja bobo. É claro que voltarei para a faculdade.
- Não vai não. Nós vamos nos casar e, após uma longa e maravilhosa lua-de-mel, iremos morar em Roma. Por falar nisso, também precisaremos passar no consulado italiano...
Sakura levantou-se da banheira e olhou-o perplexa.
- O quê ?
- Está bem. Vamos começar pelo começo - ele saiu da água e envolveu-se num roupão atoalhado - Você me ama, certo ?
- Sim, você sabe que sim.
- E vai se casar comigo, portanto...
- Espere um pouco ! - ela respondeu, enquanto ele a enrolava numa toalha e a tirava da banheira - Não vai dar certo. Quero dizer, nós não temos nada em comum. Minha vida é aqui e a sua é nos Estados Unidos.
- Amo-a, Sakura, com todo o meu coração - ele se declarou mais uma vez - Nada me importa a não ser esse fato. Amo-a e sem você minha vida não tem sentido. Além disso, você prometeu que se casaria comigo diante de uma platéia inteira de testemunhas... e eu vou cobrar essa promessa - ele acrescentou, as mãos se infiltrando por dentro da toalha e acariciando lentamente o corpo trêmulo.
- Oh, Shaoran, isso não é justo... - ela gemeu.
- Os banqueiros não são apenas ricos - ele riu - Também são insistentes - ele murmurou em seus ouvidos, carregando-a para a cama - Agora quero que ouça o que eu tenho a lhe dizer, está bem ?
- Sim.
- Reconheço que não tivemos muito tempo para nos conhecer, mas sinto como se já tivesse vivido com você em outras vidas. E sei, com absoluta certeza, que a amo e que nunca me senti assim com nenhuma outra mulher.
- Oh, Shaoran... - ela murmurou, inebriada de prazer e felicidade.
- Pensei muito em nós - ele prosseguiu - No início, admito que fiquei preocupado por nossos estilos de vida serem tão diferentes, mas depois comecei a encarar o problema sob um ângulo completamente diferente. Embora não houvesse possibilidade de transferir meus negócios para a Inglaterra, eu sabia que você não gostaria de abandonar a sua carreira acadêmica aqui em Oxford. É claro que você poderia tentar arrumar um emprego em Radcliffe, que é a universidade feminina mais famosa dos Estados Unidos e que não fica muito longe de minha casa, mas descartei a idéia - ele fez uma pausa momentânea - Que tal uma taça de champanhe ?
- Sim, obrigada - ela sorriu.
Enquanto desarrolhava a garrafa, Shaoran se parabenizou mentalmente pelo progresso que estava conseguindo. Não havia razão para que Sakura não gostasse de Boston e não se sentisse completamente feliz com a vida acadêmica de Radcliffe. Entretanto, após o ataque histérico de sua mãe ao saber que, em vez de Yuna Kobayashi, ele pretendia se casar com uma jovem inglesa, pareceu-lhe melhor esperar alguns anos antes de voltar a Beacon Hill com uma esposa e, quem sabe, uma porção de filhos. Shaoran nunca tivera problemas ao lidar com a mãe, mas não gostaria que aquela mulher dominadora causasse dificuldades à sua nova esposa.
- A propósito - ele colocou uma taça nas mãos de Sakura - , como se sente em relação a filhos ? Eu sempre detestei ser filho único, e acho que três ou quatro seria um número ideal.
– Também já me senti terrivelmente solitária por muitas vezes - ela concordou - Mas acho quatro um pouco demais. Que tal dois para começar ? Um menino e uma menina seria perfeito !
- Sou um homem de sorte ! - ele exclamou, inclinando-se para beijá-la - Onde é que estávamos mesmo ? - ele quis saber após alguns momentos.
- Você havia descartado Oxford e Boston de seus planos - ela o lembrou - Mas ainda estou querendo saber a respeito de Roma.
- Quero que entenda que, até minha viagem à Síria, eu estava plenamente feliz com a vida que levava - ele se pôs a andar de um lado para o outro - Só após conhecer uma garota inglesa completamente maluca é que percebi que minha existência era insípida. E que, nesse processo, eu também havia me tornado maçante e...
- Insuportável ?
- Sim - ele riu - Por isso, ao retomar para os Estados Unidos, eu decidi que queria fazer algo mais interessante do que apenas trabalhar em meu banco. Com todos os contatos que mantenho no Departamento do Estado, e após a experiência na Síria, passei a ser a personalidade do mês. Também, devo admitir, o fato de ser "podre de rico" ajudou um pouco - ele acrescentou, com um sorriso - Por isso, após espalhar por todo o Capitólio o que eu tinha em mente, posso lhe dizer que você está diante do novo embaixador dos Estados Unidos em Roma.
- Por essa eu não esperava !
- Para falar a verdade, nem eu ! É claro que vai haver algumas formalidades a serem cumpridas antes da nomeação oficial. Terei de me apresentar ao Comitê Congressional e precisarei fazer um curso rápido de italiano, mas creio que a aprovação para o cargo é quase certa.
- Meus parabéns. Eu...
- Talvez você não esteja muito entusiasmada com a perspectiva de viver em Roma - ele continuou rápido, antes que ela pudesse prosseguir - Mas, se pensar sobre todas as possibilidades que as cidades de Florença e Veneza oferecem...
Sakura olhou-o confusa.
- Não estou entendendo...
- Você é professora de História Medieval, certo ? E, como acaba de escrever um livro sobre as guerras e armas do tempo das Cruzadas, ocorreu-me que talvez você quisesse partir para um outro estudo - ele riu, ao ver que ela concordava inteiramente - Que tal, então, se dedicar aos Medici, Lorenzo, Machiavelli ?
- Oh, Shaoran ! Você andou estudando a História italiana ?
- Exatamente. E posso lhe dizer que é bastante complicada. Garanto que você terá com o que se preocupar por muito tempo. O que acha ? - ele se aproximou da cama e sentou-se ao lado dela.
- Bem... - ela hesitou, mas quando viu a incerteza e a tensão no rosto de Shaoran, soube imediatamente que não deveria continuar brincando - Shaoran, querido, amo-o com todo o meu coração ! - ela atirou os braços ao redor de seu pescoço - Eu ficaria feliz e orgulhosa em me casar com você, mesmo que estivesse desempregado e nós tivéssemos de morar numa cabana. Adoro a idéia de irmos morar na Itália, e se você realmente acha que serei capaz de ser a esposa de um embaixador, eu...
Com um grito de alegria, ele a tomou nos braços e beijou-a inúmeras vezes.
- Por favor ! Não devemos fazer tanto barulho - ela o aconselhou, olhando para o relógio na mesa de cabeceira - Sabia que são apenas duas horas da tarde ?
- Nós somos uns depravados, não ? Mas como está chovendo e não temos nada para fazer, que tal aproveitarmos o conforto desta cama ?
- Se você realmente não consegue pensar em nada melhor para fazer... - ela murmurou estremecendo quando ele tirou a toalha que a cobria.
- Absolutamente nada ! - ele garantiu, a voz embargada de paixão - E, como já estou com trinta e quatro anos, acho melhor começarmos a praticar a arte de fazer bebês...
- Uma arte maravilhosa... - ela respirou fundo ao sentir as mãos de Shaoran tocando-a íntima e possessivamente.
- Só há mais um pequeno detalhe que eu preciso lhe dizer - ele murmurou, a voz rouca - Na minha família é comum nascerem gêmeos. Um primo distante até conseguiu gerar trigêmeos...
- Trigêmeos ? - Sakura repetiu, espantada - Até agora eu não me sentia tão maluca, como você sempre insistiu em me chamar, mas com trigêmeos... terei de concordar com você !
P. S.: E aqui chegamos ao final da minha décima terceira adaptação, a primeira adaptação com o fandom de Card Captor Sakura, e, obviamente, também a primeira adaptação com o ship Sakura/Shaoran. Aliás, eu mudei de idéia mais de uma vez sobre essa história (a princípio, eu queria adaptá-la, depois voltei atrás e desisti, e depois mudei de idéia de novo e decidi, sim, adaptá-la). E eu espero que vocês gostem dela.
E, se gostarem... reviews, pode ser ?
