Capítulo 9
Black entre lobos e festas
̶ Amato Animo Animato Animagus.
E então tomei a poção. No começo senti apenas um desconforto, mas em breve caí no chão gritando com uma dor incrível. Senti como se cada célula do meu corpo estivesse queimando, como se ocorresse uma explosão dentro de mim. Aos poucos a queimação vai passando, minhas roupas se uniram a minha pele ao mesmo tempo em que cresciam pelos no meu corpo. A primeira transformação é muito desagradável e desconfortável, sentir seu corpo esticando e encolhendo, modificando cada parte do seu corpo.
Depois de um tempo, sinto que a transformação tinha terminado. Dou os primeiros passos estabanados, tentando acostumar-me com aquela nova situação. Percebo que me tornei um animal terrestre, de quatro patas e uma calda. Saio da minha contemplação existencial, com a voz da professora Mcgonagall, puxando-me novamente para a realidade.
̶ Que belo animal você se tornou, senhorita Black. Dada as características da sua personalidade e do seu animal, digo que não estou surpresa. Este com certeza harmoniza contigo.
A professora ao terminar de falar transfigura um espelho e o coloca na minha frente. No reflexo pude ver um belo lobo com a pelagem tão negra como a noite e olhos azuis claros. Comecei a balançar a cauda de um lado para o outro dando pequenos pulos de alegria. De repente paro e olho para a professora com intensidade torcendo para que ela entenda minha aflição. Eu não sabia voltar para a minha forma humana. Graças a Merlin ela entendeu rapidamente.
̶ Para voltar é só mentalizar sua forma humana. E concentrar na sua magia.
Demorou alguns segundos até conseguir voltar. Quando percebo, estou de pé, com minhas roupas novamente e sem pelos. Repeti minha transformação algumas vezes mais até que a professora me encaminhou para dentro do castelo.
Durante as férias recebi a honra de ser escolhida como monitora, no entanto isso não me deixou sem tempo. Meu grupo de estudos avançados tinha sido desfeito, sendo que tanto Lucius como Rockwood haviam se formado. E o Nott tinha sido escolhido como capitão do time de quadribol, se dedicando mais ainda para o esporte. Narcisa não fazia nenhuma questão de continuar com o grupo, preferindo focar nos seus NIEMS e também curtir seu último ano na escola. Continuei apenas com as tutorias para os amigos do Severo. Além disso, a professora Mcgonagall mesmo depois de me tornar animago, continuou a me ensinar e por fim acabei tornando-me seu aprendiz para a inveja do professor Slughorn.
Durante os meses após minha primeira mudança, depois das minhas rondas como monitora passeava pelo castelo e pelos terrenos na minha forma animaga. Numa dessas minhas excursões noturnas, enquanto a lua cheia ilumina o caminho, avanço em direção a casa dos gritos. Passo por baixo da cerca de arame farpado, escorrego entre as tábuas que mal bloqueiam a entrada e entro na casa. Vou subindo as escadas dentro da casa até entrar em uma sala com um piano preto no centro dela. Ao lado do piano dou de cara com um lobisomem me encarando, mostrando os dentes de maneira territorial e ameaçadora. Percebo que invadi o território dele. Morrendo de medo e com instinto de preservação vou me abaixando lentamente até encostar a barriga e a cabeça no chão, em forma submissa. Solto um uivo longo e baixo, quando ele se aproxima e caminha em minha volta, enquanto que na minha mente rezo por Merlin. Ao chegar perto da minha cabeça, solta um rosnado que estremeceu até o último pelo do meu corpo. Fiquei completamente parada, enquanto ele me cheirava e remexia o meu pelo negro com o focinho. Após me farejar, volta a deitar-se ao lado do piano. Bem devagar vou me levantando e lentamente começo a caminhar pela sala enquanto ele só me observa. Tento sair por onde entrei, mas sou bloqueada por uma barreira invisível. Não vejo outra opção senão ficar lá até amanhecer e esperar o lobisomem voltar à forma humana. Pois imagino que essa barreira era para impedir a saída dele. Depois de alguns minutos de espera e perceber que o lobisomem não iria me destroçar, pego no sono.
Acordo junto com os primeiros raios do sol que passam pelos buracos do teto e das paredes de madeira. Olho em volta e percebo que o lobisomem tinha ido embora e em seu lugar está deitado um jovem completamente nu. Ainda na forma de lobo chego mais perto dele para ver quem seria ele e se estava ferido. No entanto, ele abre os olhos bem na hora e dá um pulo assustado quando me vê. Recuo um pouco e volto a minha forma de bruxa. Transfiguro um pano velho e sujo que estava jogado por perto em uma tolha limpa para ele poder se enrolar.
̶ Desculpe, não queria te assustar com minha forma animaga. Você é o Lupin, certo? Amigo do Sirius.
̶ Sim. Você se importa de se virar de costas para eu poder vestir minhas roupas?
Dando uma risada faço o que ele me pede e viro de costas enquanto ele pega as vestes que estavam dobradas em cima do piano.
̶ Por favor, não conta para ninguém que eu sou um lobisomem. Vão querer que eu saia da escola.
Virei de frente para ele e vejo suas mãos unidas me implorando. Seu rosto estava abatido e cansado. Aproximei dele e segurei sua mão, enquanto sutilmente o forço a sentar-se comigo no chão.
̶ Acalme-se Lupin. Juro pela minha magia que não contarei a ninguém sobre a sua licantropia. Quando que isso aconteceu? Quando te atacaram?
̶ Obrigado. Eu tinha oito anos quando um lobisomem chamado Fenrir Greyback irritado com meu pai atacou-me depois que pulou a janela do meu quarto. Você não tem medo ou nojo de mim?
̶ Por que eu teria? Você é apenas vítima da situação. Sua transformação ocorre apenas durante alguns dias do mês. Você não vai me atacar e morder em forma humana. E durante a lua cheia não será capaz de me machucar, afinal lobisomens não atacam animais, apenas humanos.
̶ Você ficou aqui comigo a noite toda? Estranho. Você conseguiu de alguma forma deixar meu lado lobo mais calmo. Normalmente acordo cheio de mordidas e arranhões.
̶ Nunca li nada sobre isso, mas acredito que a companhia, principalmente de outro lobo deve afeta-lo de forma positiva. Normalmente os lobos vivem em uma alcatéia, o seu lobo deve sentir-se solitário e preso, por ficar livre poucos dias. Energia acumulado ou algo assim.
̶ Eu sempre fui um garoto solitário. Nunca tive amigos, até que eu cheguei à escola. Ter o Sirius, o Tiago e o Pedro tem me ajudado muito, mas ter que passar pela transformação sozinha é difícil e doloroso.
̶ Imagino o quanto. Eles sabem sobre a licantropia?
̶ Eles descobriram no fim do nosso segundo ano. Desde então quando eu chego depois da lua cheia encontro uma barra de chocolate me esperando na minha cama.
̶ Você tem bons amigos. É melhor irmos. Não quero te deixar longe por mais tempo do teu chocolate.
Depois dessa noite, sempre que era tinha lua cheia, encontrava Remo na casa dos gritos. Algumas noites apenas ficávamos deitados juntos, outras noites mais agitadas, pulávamos um no outro a noite toda. Algo que eu não percebi é que em algumas dessas noites, os olhos felinos da professora Mcgonagall nos observava de longe. Satisfeita com a nossa amizade e orgulhosa de sua pupila, se gabava com o diretor e comentava alegre com essa nossa união.
Com os meus estudos e minhas aventuras noturnas os meses passam voando. E chega rápido a festa de ano novo está ocorrendo lá na mansão esse ano. A banda toca animadamente, os risos e as conversas rolam soltas pelo salão. Bruxos e bruxas com vestes elegantes afirmam alianças e fazem novos contatos, enquanto percorrem as mesas bebendo champanhe e firewisk. Meu pai esta sentado na mesa do ministro da Magia, junto com seu amigo Abraxas Malfoy e outros dois bruxos que não conheço. Conversam animadamente sobre alguma coisa, enquanto bebiam e fumavam charutos caros.
Depois de circular entre os convidados, sento-me à mesa mais próxima, onde estavam alguns dos meus amigos que já tinham saído da escola. Pego a cadeira vazia que era ladeada por Lucius no lado direito e Rabastan do lado esquerdo. Do outro lado de Lucius esta sentada sua bela noiva Narcisa, que fala baixinho com sua irmã Bellatrix, enquanto seu marido Rodolfo servia mais um copo de firewisk. Assim que me sento, Rabastan pega o copo que o irmão tinha servido e o passa para mim.
̶ Hogwarts esta muito chata após a nossa saída? Pode falar a verdade, sente nossa falta, não é?
̶ Não se sinta tão importante Rab, nossa Morgana aqui está sempre envolta do traidor para sentir sua falta.
̶ Engana-se Bella. Sinto muita falta deles e dos treinos. E quanto a andar com traidores, não sei o que você se refere. Gasto todo o meu tempo estudando para os NOMS e servindo como monitora.
̶ Não arranjou mais nenhum duelo oficial para dar uma treinada? Aquela coitada que tu destroçaste naquele duelo que foi como treino, estava esses dias no ministério tentando anular os efeitos e as conseqüências dele. É uma coitada mesmo, até parece que não sabe que é irreversível o desprestígio que ela causou para a própria família. Uma vergonha.
Narcisa debocha sem piedade da Mafalda Hopkirk. Eu e a Bella unimo-nos a ela na risada e no desprezo por aquela bruxa ridícula e medíocre.
̶ Ela teve o que mereceu por me desrespeitar. Aquela insolente. Bem que ela merece muito mais.
̶ Cuidado Morgana. O velhote do Dumbledore pode ficar de olho em ti e complicar tua vida.
̶ Eu sei disso Lucius. Não disse que vou atacá-la de novo. Só que ela merecia mais. Além disso, estou desenvolvendo um feitiço que quero te mostrar. É a união de dois feitiços que tinha naquele livro que tu me emprestaste.
̶ Com um gosto tão apurado para as trevas, alguém em breve vai querer conhecê-la.
̶ Quieta Bellatrix. Aqui não.
Antes de perguntar a quem Bella se referia, Rodolfo corta sua esposa. Alguns segundos depois, um fotografo aparece ao nosso lado e tira uma foto nossa para a coluna social para o profeta diário. Depois de algum tempo resolvo circular mais um pouco. Observo de longe um Severo sério encostado na parede, cercado pelos amigos, que conversam alegremente, ignorando o tédio dele. Severo é um anti-social clássico. Resolvo aproveitar que as pessoas já estavam bêbadas e saiu pelo jardim, sentindo o ar gelado vendo o céu estrelado. No caminho encontro o Sirius e o Tiago Potter sentados no banco do jardim. Me junto a eles puxando um cigarro que tinha guardado no decote e o acendendo.
̶ Cansou de bancar a puro sangue perfeita e resolveu falar com os puro sangues legais?
̶ Apenas pegando um ar aqui fora, mas tive o azar de encontrar vocês. – Disse brincando soltando uma fumaça entre a risada.
̶ Você é legal demais para andar com esse tipo de gente. Eu vi com quem você estava sentada. Parecia estar se divertindo. Mor, eles estão metidos com artes das trevas e são perigosos.
̶ Sirius, eu sei quem eles são, conheço eles a vida toda. E sobre mexerem com as trevas, bem, somos Black, sempre fomos rodeados por ele.
̶ Mas nem por isso é preciso mergulhar nele.
̶ Tiago tem razão, Mor. Andando com essa gente você só vai se afundar.
̶ Eu sei me cuidar, Sirius. Você sabe que assim como a Andrômeda eu sempre fui uma ovelha negra enrustida. Diferente de você. Você é o leão rebelde, eu sou uma cobra astuta. Sei como nadar nisso tudo e não me afundar.
Saí dali irritada com o Sirius, ele era um dos poucos que me conhecia realmente e fica fazendo esse discurso como se eu estivesse me tornando uma louca demente preconceituosa. Passei o resto da noite aos beijos com Theodore Nott e bebendo com Bella e Narcisa.
Depois do feriado do fim de ano passei muito tempo estudando para meus NOMS. E meu estudo foi recompensado, quando saiu às notas fiquei orgulhosa de minhas notas. Mandei uma carta para meu pai contando sobre minhas notas. Como premiação ganhei um lindo conjunto de jóias esmeraldas que tinha pertencido a filha do último Czar russo. Além do valor econômico a peça tinha um imenso valor histórico. E além disso, durante as férias iria realizar uma viagem para conhecer a Rússia.
