Tenham uma boa leitura!
Diamond Heart
Capitulo 8
Seu corpo girou na cama inúmeras vezes. Sua mente estava cansada e conseguia sentir isso, mas simplesmente não conseguia pregar os olhos. Fazia alguns minutos desde que chegara após aquele massacre no galpão, logo amanheceria e com certeza seu humor estaria pior do que está agora. Deitou-se de barriga para cima encarando seu teto, em seguida sentou-se suspirando em irritação.
Overhaul grunhiu tentando manter a calma, mas sua mente apenas o fazia se recordar de Diamond. Da pele macia dela, dos cabelos com cheiro de lavanda, do corpo dela contra o seu e a água do mar batendo contra eles enquanto se mantinha um nos braços do outro.
Inicialmente ele não soube o que fazer com aquela sensação, não sabia o que acontecia com ele quando Diamond estava tão perto, mas de repente sua mente deu uma volta e a resposta pareceu tão clara quanto água.
Desejo.
Todas aquelas sensações que sentia quando sua mão a tocava, mesmo que ainda estivesse com sua luva. Aquela coisa que crescia dentro dele, tudo era apenas desejo. Ou seria algo a mais? Por trás daquele desejo teria outra coisa?
Ele não sabia, mas queria descobrir. Nunca sentira nada do tipo, nunca tivera alguém que ousava se aproximar dele sem sentir medo puro e Diamond apesar de saber que ele era perigoso era ousada e arriscava bater de frente com ele, mas também conseguia o acalmar. E de repente, ele estava jogando a coberta para o lado e levantando da cama, jogando tudo para o alto.
Foda-se sua fobia, foda-se sua gastura por não querer ser tocado, foda-se tudo. Ele apenas queria ela, queria de todas as formas que uma pessoa queria a outra.
E quando abriu a porta de seu quarto, teve uma surpresa, que o pegou desprevenido.
Diamond estava parada diante de sua porta, com uma mão erguida e fechada como se pronta para bater na madeira e anunciar que estava ali. Usava um pijama que compunha um short lilás curto e uma regata branca de alça fina, os cabelos soltos e exalando ainda mais forte aquele odor de lavanda. E havia outro aroma, que indicou a ele que ela havia tomado banho a poucos minutos.
Diamond estava perplexa, Overhaul estava bem à sua frente usando somente uma calça negra para dormir e seu peito nu estava exposto a ela. Como da última vez em que estivera ali no quarto dele buscando refúgio e proteção contra Oda.
Se encararam por longos minutos antes de Chisaki tomar a frente e puxa-la para dentro daquele quarto, a porta fora fechada com brusquidão e logo Diamond estava sendo prensava contra a mesma, enquanto Overhaul se deixava ser dominado por aquele desejo incontrolável. Ela não o impediu, permitiu que ele percorresse suas mãos ao longo do corpo dela, que erguesse sua blusa de alça fina deixando seus seios expostos a ele. Que abaixasse com certa pressa seu short levando junto sua calcinha.
Em seguida estava sendo deitada na cama, totalmente nua e sob o olhar frio e calculista de Overhaul, que naquele momento possuía os olhos dourados mais intensos. Ela não se importava, não como da primeira vez quando serviu de cobaia para ele, quando ainda era receosa e temerosa em relação ao líder da Shie Hassaikai. E sem tirar os olhos de cima dela, Overhaul retirou a própria roupa, deixando à mostra o quão afetado por ela, ele se encontrava.
Diamond mordeu o lábio inferior com a visão e Overhaul pareceu ter reagido a aquele gesto também. E sem querer perder tempo ela o puxou, fazendo ambos os corpos se colarem e ela o beijou, adorando o fato de que ele não estava com a máscara no rosto.
O contato os instigava a seguir adiante, a se tocarem e a se conhecerem. Tudo era de forma rápida e lasciva, tanto que Overhaul nem mesmo a preparou quando a invadiu com seu membro. Ambos gemeram e se deixaram levar novamente pela nova onda de prazer que os cercava, Diamond o abraçava pelo pescoço enquanto ele agarrava em sua cintura e investia contra ela com fervor e voracidade.
Em alguns minutos ele chegou a clímax, seguido por ela.
As respirações ainda estavam aceleradas e o calor que dominavam seus corpos não parecia que queria deixá-los por enquanto. Overhaul saiu de cima dela e deitou-se ao lado da mesma, que se encontrava corada na área das bochechas e ainda processando o que acabara de acontecer. Fora rápido, fora lascivo, mas não se arrependia, talvez o único arrependimento seja por ter sido rápido demais. Queria prolongar aquele ato com ele.
Senti-lo de todas as formas, mas estava contente com somente aquilo.
Diamond olhou para ele de relance e o mesmo encarava o teto enquanto tentava normalizar a respiração, seu peito estava suado assim como sua testa. E olhar para o corpo nu dele a deixou quente novamente, a fazendo morder o lábio inferior para conter a vontade de avançar contra ele.
O silencio predominou e ela não sabia o que dizer ou se ainda deveria permanecer naquele quarto, então com dúvida ela acabou levando da cama e se preparando para ir embora, mas a mão forte e ainda enluvada dele agarrou seu pulso ainda dolorido pelas correntes que a prendiam naquela gaiola.
- Fique – foi mais uma ordem do que um pedido, mas ela acatou e tornou a se deitar na cama – Eu ainda não acabei com você – emendou e outra onda de calor percorreu o corpo dela ao ter aqueles olhos dourados cravados em si.
Ele se ergueu um pouco e voltou a querer cobrir seu corpo com o dele, logo ela notou seu membro ganhar vida novamente, mas desta vez ela quem comandaria. Tanto que ela o empurrou, o fazendo se deitar na cama novamente e subiu em cima dele, sorrindo de lado.
- Acho que essa frase é minha – disse o encarando – Eu que não acabei com você ainda – e em seguida o beijou com fervor.
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O gemido animalesco que Overhaul deixou escapar preencheu os ouvidos de Diamond a fazendo atingir o clímax novamente. Já não sabia quanto tempo estavam ali, se amando, se devorando e se completando. Mas sabia que eram algumas horas, pois o sol já brilhava do lado de fora com intensidade, mas nenhum deles parecia querer deixar aquela cama ou deixar o corpo um do outro. Overhaul não sabia se odiava ou adorava aquilo, não importava quantas vezes ele se excitava e investia contra ela, seja calmamente ou de forma mais rude, ele não se cansava dela, não se entediava dela.
Quanto mais a possuía, mais ele queria. Seu corpo já estava todo suado, seu cabelo estava úmido pelo suor, se fosse com outra ele já estaria com nojo de si mesmo, já teria despachado a mulher daquela cama e tomaria um banho demorado para tirar todo e qualquer cheiro dela, mas com Diamond... ele não se cansava. Pouco importava se estava puro suor, igualmente a ela, seus fios loiros platinados grudavam na testa e pescoço, algumas gotas escorriam por seu corpo enquanto ele a penetrava.
E descobriu que adorava tudo nela, seus gemidos, suas caras quando atingia seu clímax, a forma como o abraçava ou enterrava suas unhas em sua pele. Sentia seu membro pulsar só para sentir mais daquilo, parecia que estava se viciando nela e ele não tinha a intensão de parar aquele vicio.
Diamond gemeu abaixo dele, deixando seu segundo ápice dominar seu corpo. Perdera a conta de quantas vezes atingiu seu limite enquanto era tomada por Overhaul, descansavam apenas alguns minutos antes de tornarem a se entrelaçar. Ela não conseguia manter as mãos longe dele e nem sabia se queria.
Overhaul deitou-se ao lado dela, a respiração mais do que acelerada e seu peito subindo e descendo rapidamente, enquanto ao seu lado Diamond ainda sentia os espasmos de seu orgasmo deixarem seu corpo. Eles estavam deitados para os pés da cama, a janela permitia a claridade adentrar com toda a força, já que as cortinas não estavam fechadas.
Fechou os olhos por um momento, enquanto deixava seu corpo normalizar seus sentidos e respiração. De repente sentiu um toque sutil em sua coxa, mas o toque logo parou, ao abrir os olhos avistou Overhaul sentado e olhando mais de perto sua coxa, na qual possuía um corte. Corte que ganhara na faca que Oda havia fincado em sua pele para mostrar aos convidados como sua individualidade funcionava.
Ela emitiu um 'ah' ao se recordar do motivo de ter ido ao quarto dele, o som atraiu a atenção dele que a encarou.
- Agora lembrei – disse um tanto sem graça – Foi por isso que vim aqui de madrugada. Meu corte na coxa está estranho – alegou.
Era perceptível que o corte estava estranho somente quando olhado de perto, de longe parecia um corte com sangue seco. No entanto, Chisaki não estava atento a aquele fato, mas sim ao fato de que ela não viera ao quarto com a mesma intensão na qual ele queria sair e ir atrás dela. De repente a sensação quente que envolvia seu corpo e coração começou a esfriar, da mesma forma que sua expressão se tornou mais séria que a habitual e Diamond notou a mudança repentina.
- Foi por isso que veio então – murmurou seco, mantendo-se sentado e encarando o lado oposto ao dela.
- Não foi só por isso – disse ao se sentar e encostar sua testa no ombro dele.
Na verdade, o corte na coxa era somente um pretexto para ir até o quarto dele e talvez ficar, mas quando foi puxada pelo mesmo e envolvida naquele ar de luxuria que durou o resto da madrugada e o iniciar do dia, tudo foi esquecido e ela apenas se deixou ser dominada por ele.
- E-Eu ia vir de qualquer jeito... c-com ou sem corte – confessou um tanto sem jeito, sentia a área das bochechas arderem, principalmente quando ele se virou para olha-la.
Aquelas orbes douradas queimando contra ela.
Ela tentou beija-lo, mas o mesmo se afastou, levantando-se da cama e dando ordens.
- Vista-se e volte para seu quarto – ordenou – Tome um banho e aguarde ser chamada – acrescentou. Ela o encarou confusa, então ele completou – Vou pesquisar sobre esse seu corte. Não é normal um corte sangrar e se fechar e ficar desse jeito – alegou.
Diamond assentiu e se levantou da cama também, passou por ele e foi até a roupa jogada diante da porta do quarto. Se vestiu e saiu, sem olhar para ele. E em seguida, Overhaul adentrou o próprio banheiro para tomar um longo banho e tentar colocar os pensamentos no lugar.
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Eram onze da manhã. Todos na casa estavam atarefados, mas os integrantes dos oito preceitos da morte estavam confusos com o fato do líder deles não ter acordado ainda. Porém, Chrono, Mimic e Nemoto eram os únicos que sabiam o motivo, já que parte da manhã eles ouviram os ruídos vindo do quarto do líder. O quarto dos demais eram mais afastados.
Mimic estava no escritório do mesmo contando um grande bolo de dinheiro, enquanto que Nemoto olhava para a janela apenas aguardando a ordem de vigiar Diamond novamente e Chrono estava arrumando os papeis que queria mostrar a Chisaki sobre a droga anti-herói.
A porta foi aberta de repente e os três encararam Overhaul que carregava uma face séria demais para alguém que passou a noite toda "se divertindo". Ele caminhou em silencio até sua mesa e se sentou na cadeira confortável.
- Ah, Overhaul-sama, pensei que não trabalharia hoje – Chrono se pronunciou, ainda ajeitando os papeis sobre as pesquisas – Ainda estou juntando toda a papelada sobre os avanços da nossa pesquisa, tanto de Diamond quanto de Eri – explicou.
Ele ouviu pacientemente, apesar de sua expressão demonstrar o contrário.
- E por que eu não trabalharia hoje, Chrono? – perguntou, o encarando.
- O senhor parecia bem ocupado... mais cedo – Mimic se pronunciou, era o único que tinha a ousadia de dizer algo sem pensar para Overhaul.
Ele suspirou. Eles haviam ouvido, tudo ao que parece.
- Era meio impossível não ouvir, a garota berrava mais do que tudo. Não sei como a casa toda não ouviu – Mimic disse e em seguida ganhou um tapa na nuca de Nemoto.
- Não que seja da nossa conta, apenas achamos que queria ficar com ela ao invés de trabalhar – Chrono tentou formular melhor a frase dita por Mimic.
Overhaul moveu a mão demonstrando que não ligava se a casa toda havia ouvido os gemidos de Diamond, o que talvez até fosse bom, pois assim evitava que outros chegassem perto dela. Ele não era alheio ao fato de que alguns membros da Yakusa a observavam de longe e até ariscavam alguns olhares mais intensos para ela.
- Nemoto, aguarde Diamond terminar o banho dela e depois a acompanhar até o subterrâneo – ordenou – Vamos ter que fazer uma nova pesquisa, Chrono. Aconteceu algo com a cicatrização da perna dela – fitou o amigo.
- Sim, senhor – Nemoto afirmou – Ela está... – ficou meio sem jeito de perguntar, mas agradeceu pelo líder ter entendido e após soltar outro suspiro disse:
- Está no quarto dela – contou.
- Depois de tudo ela ainda consegue andar? – Mimic se pronunciou outra vez – Ai! – grunhiu após ganhar outro tapa na nuca desta vez por Chrono.
Em seguida Nemoto saiu e se encaminhou para o quarto de Diamond, onde ficou aguardando do lado de fora. Mimic saiu com suas notas altas de yien e foi terminar de conta-las em outro cômodo, antes que acabasse por falar algo e tivesse o corpo destroçado por Chisaki e depois trago de novo ao normal. Chrono agradeceu e após ficar sozinho encarou o amigo.
- Não parece bem – comentou.
- Não há nada com o que se preocupar – murmurou – O que já temos sobre a pesquisa da droga anti-herói?
- Ainda não é o suficiente, mas com o que temos já dá para fazer as primeiras balas e testa-las. Em quatro dias poderemos usa-las em Diamond e ver como reagirá no corpo dela – alegou.
- Ótimo – disse somente.
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De banho tomado e com Nemoto ao seu lado, Dimaond se encontrava já dentro da sala tão conhecida por ela aguardando por Overhaul e por Chrono. Em questão de minutos a porta foi aberta e os dois adentraram o cômodo, com apenas um olhar Chisaki despachou Nemoto, ficando somente os três no recinto.
Chrono foi direto aos armários pegar os utensílios que seriam usados para avaliar o corte em sua perna, que por incrível que pareça, não estava doendo ou dolorido.
Overhaul ainda agia estranho, evitava contato visual e nem se quer tinha direcionado alguma palavra a ela, apenas se limitava a responder algo que Chrono perguntava ou comentava. Logo depois ambos estavam parados diante da maca em que ela estava sentada, Diamond usava um short jeans e uma camiseta branca sem estampa. Ela se deitou e deixou que "trabalhassem".
O corte na coxa dela parecia um corte normal feito por uma faca de tamanho médio, tipo de um jogo de facas de cozinha, perfeita para cortar carne. Mas ao olhar mais de perto era possível notar algo de diferente, principalmente na forma como a casca do sangue se formava ao longo da extensão do corte. Com uma pinça, Overhaul mexia no ferimento e cutucar, notou que o sangue seco não exatamente sangue seco.
- Mas o que diabos é isso? – Chrono deixou escapar ao avaliar tão de perto quanto Chisaki.
A casca formada no corte se foi retirada, em minúsculos pedaços e de diferentes formatos. Pareciam pedrinhas de sangue, mas levando em consideração a individualidade de Diamond, Overhual soube logo o que era. Apesar de estar bem curioso em como o corpo dela formou aquilo.
- Rubis – a voz grave dele ecoou e Diamons ergueu a cabeça vendo os dois homens surpresos e curiosos.
- Rubis?! – ela exclamou se sentando e flexionando levemente a perna com o machucado – O sangue que deveria formar uma casca se tornou rubi?
- Ao que parece – disse Overhaul, ainda olhando atentamente o pequeno rubi preso na pinça – Mas vamos precisar de mais detalhes para saber como seu corpo fez isso.
Pela feição dele, o mesmo não parecia contente, parecia até preocupado com o fato e irritado. Aquilo a incomodou, pois ela sabia da fobia dele em questão de individualidades além da de sujeira, sentiu o peito se apertar com medo de que ele se afastasse por conta disso. Temia que o breve momento de amor que tiveram ficasse apenas na lembrança e que logo seria esquecido.
Sem contar que ela também ficou receosa em relação a droga que estava sendo feita, pois talvez a droga não fizesse efeito caso ela tivesse duas individualidades. Uma de transformar suas lágrimas em diamantes e outra de quando um corte era cicatrizado o sangue na ferida virada rubi. No entanto, aquilo nunca tinha acontecido, já havia sido ferida antes e socorrida por Naoko e nunca que seu sangue cicatrizado havia mudado.
O que diabos estava acontecendo?
Overhaul raspou o corte, retirando vários pequenos rubis. Na verdade, ele raspou tudo até sobrar somente uma marca avermelhada e frágil ao toque em sua coxa.
Depois disso ela foi dispensada, iriam fazer pesquisas para saber se eram realmente rubis ou apenas seu sangue que ficou no formato de pequenas pedrinhas semelhante a rubis. Preocupada e com medo ela deixou o cômodo, se aquilo fosse realmente rubi ela estaria ainda mais em perigo do que antes, se as pessoas já iam atrás dela por causa dos diamantes, imagina o que não fariam após souberem que seu sangue pode virar rubi quando sua pele era cortada e o ferimento fechado.
Com medo até mesmo das pessoas da Yakusa, Diamond voltou para seu quarto e pediu que Nemoto ficasse na porta. Se sentiria mais segura sabendo que ele estava ali.
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Dias depois, Overhaul se encontrava em seu escritório revendo o que conseguiu coletar de informações sobre o pequeno corte na coxa de Diamond. As primeiras balas já estavam prontas e se encontrava em um pequeno compartimento onde cabiam quatro delas, de coloração vermelha elas chamavam atenção em contraste com a cor preta onde estavam guardadas.
Sua atenção estava toda voltada para os papeis, mas então o cheiro característico da lavanda preencheu o ar e ele não precisou erguer os olhos para saber que sua perdição estava ali naquele cômodo. Nos dias passados, Diamond tentou a todo custo ficar ao seu lado, seja em silencio ou conversando com ele e aos poucos ele se acostumou a tê-la ali por perto.
Logo sentiu as mãos sutis dela em seus ombros, fazendo com que sua pele se arrepiasse inteiramente. Ainda se irritava pela forma como agia perto dela, mas ele também não a impedia, apenas permitia que ela se aproximasse.
Diamond sempre falava que havia ido até ele porque queria vê-lo ou porque estava entediada, depois de coletar os rubis na perna dela, ele não tem mais feito pesquisas com ela. O que resulta em nada para Diamond fazer naquele lugar silencioso.
- Sério que vai me ignorar? – ela indagou, fingindo-se ofendida.
- Estou trabalhando – disse usando a mesma desculpa de sempre.
As coisas ficaram meio estranhas entre eles desde aquela noite, passaram a noite toda embrenhados no lençol daquela cama e depois por um comentário apenas, Overhaul passou a ignorar novamente a presença de Diamond, que irritada, começou a fazer de tudo para chamar a atenção dele. Até que ele se deixou levar e passou a se acostumar com ela sempre ali.
Mas confessava que estava mais irritado consigo mesmo do que com ela, ainda achava que havia sido tolo ao se deixar ser levado pelos seus instintos e seu desejo desenfreado por ela. Enquanto que Diamond – na visão dele – apenas queria ir até seu quarto para falar do corte. Se sentia um bobo por ter sido controlado por tais sentimentos.
- São as balas anti-herói? – indagou ela, ao puxá-lo e se sentar em seu colo.
Overhaul chegou a cadeira com rodinhas para trás para dar espaço para ela se sentar em seu colo, enquanto assentia em resposta à pergunta dela.
- Quando serão testadas? – o encarou.
- O quanto antes. Ainda tem alguns pequenos detalhes a acertar – alegou.
- Podemos testar em mim... agora! – ela falou, eufórica e animada para testar aquilo o quanto antes.
Overhaul ergueu uma das sobrancelhas em questionamento.
- Tem certeza? – perguntou, ele queria esperar um pouco mais, pois aquelas balas eram apenas um protótipo, ainda tinham muito o que fazer até acertarem a perfeição – São apenas protótipos – explicou.
- Não tem problema. Só quero me livrar disso logo – disse olhando para as próprias mãos.
- Como quiser então – disse e em seguida a fez se levantar, ele abriu uma gaveta na mesa de madeira e pegou uma pistola onde a bala seria introduzida, colocou a bala dentro da mesma e se levantou, ficando a uma boa distância dela – A ação será instantânea. Me fale tudo o que sentir, até mesmo se sentir dor – avisou.
Diamond assentiu em concordância e esperou pelo tiro. Que veio em segundos, uma picada no braço um pouco mais forte e intensa que uma picada de agulha ao tirar sangue. Overhaul a encarou esperando pelos detalhes.
- Sinto meu corpo formigar, é como se tudo estivesse ficando dormente – contou, abrindo e fechando a mão, sentindo algo esquisito percorrer seu corpo.
- Apenas isso? – indagou, ainda a fitando e temendo qualquer efeito que fosse machuca-la ao invés de cura-la.
- Só. Está ardendo um pouco no local onde você atirou, mas fora isso não sinto mais nada – confessou – Está até parando – alegou.
- Acha que consegue chorar agora? – questionou.
- Ah, acho que não – coçou a nuca.
Ele assentiu. E em seguida retornou para a cadeira voltando a sua atenção nos papeis que antes lia e assinava ou escrevia alguma informação que faltava.
- Me avise assim que conseguir e quero tudo detalhadamente – pediu.
Ela apenas assentiu e saiu do cômodo, ao notar que ele realmente queria trabalhar sem ser interrompido. Então se retirou do local e foi atrás de Rick para contar que a droga havia sido aplicada nela e que os efeitos começariam ou já estavam começando.
Overhaul notou a animação crescente nela ao sair do recinto e algo morno cresceu no peito ao ver o sorriso dela e era aquela reação que ele esperava das pessoas que iria curar naquele mundo. O que o fez mergulhar no trabalho novamente, para acelerar o processo de seus planos.
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O jantar logo seria servido, depois de muito custo, Kurono conseguiu arrumar outra cozinheira para a base e esta veio de recomendação de uma outra sede da Yakusa, então ela sabia com o que estaria lidando e saberia fazer seu serviço. Diamond passou o restante do dia com Rick e falando sem parar sobre a bala que fora testada nela e em como sua vida seguiria dali por diante. O rapaz estava feliz por ela, apesar de que sentiria falta quando ela fosse embora, isso se Overhaul deixasse.
Antes de comer, ela decidiu tomar um banho, sabia que o líder da Shie Hassaikai iria ficar no escritório até tarde, então pensou em jantar com ele para que não comesse sozinho. Tomou um banho caprichado e vestiu uma calça jeans, uma camiseta branca sem estampa e sapatilhas nos pés, uma vez que todos andavam ali de sapatos, sem usar os típicos chinelos para andar dentro de casa.
Andou até a cozinha e encontrou a nova cozinheira terminando de arrumar a mesa para que todos pudessem entrar ali e fazer seu prato e ir comer na sala de jantar ou em outro lugar da casa.
Yuna, a nova cozinheira, lhe lançou um sorriso simpático. Mas a diferença entre ela e Yukina eram bem grandes, Yuna possuía estatura mediana, cabelos negros e curtos até metade do pescoço, olhos achocolatados, era mais magra em relação a Yukina que era mais gordinha. Yuna apenas fazia seu trabalho e obedecia tudo sem pestanejar, quase não conversava, mesmo você tentando puxar assunto.
Diamond fez seu prato e procurou pelo prato feito de Overhaul.
- O prato de Overhaul está pronto? – indagou.
- Ainda não.
- Poderia faze-lo, eu mesma irei levar para ele – sorriu.
Tinha certeza de que ele não se recusaria a jantar com ela e estava louca para ver aquele rosto totalmente, ao invés de somente aqueles olhos analíticos e quase sem expressão. Yuna rapidamente o fez e assim que pronto, Diamond levou os dois pratos em direção ao escritório dele, porém, ao entrar – sem bater -, se surpreendeu ao não encontra-lo ali.
Tinha certeza de que ele estaria ali ainda, concentrado e mergulhado naqueles papeis que ela nunca se importou em saber do que era. Já que nunca se interessou também. A caneta que ele sempre usava estava largada sobre alguns papeis esparramados sobre a mesa de madeira escura, a janela fechada impedia do ar da noite adentrar e fazer aquilo tudo voar.
Calmamente depositou os pratos na mesinha de dentro entre os sofás e foi até a mesa, dando uma olhada desinteressada no conteúdo dos mesmos. No entanto, ela parou ao notar uma ficha entre os inúmeros papeis com incontáveis anotações a mão e percebeu a escrita perfeita de Overhaul. A ficha continha o nome de uma mulher chamada Eri, não havia sobrenome ou idade, apenas um nome e anotações que pareciam inconclusivas a respeito da individualidade dela, que nem mesmo lendo Diamond conseguiu entender o que era o poder dessa mulher.
Deixando aquilo de lado, ela se afastou e se sentou no sofá, resolvendo aguardar pelo retorno dele, apesar de temer que o jantar de ambos esfriasse.
Enquanto aguardava, tentava relembrar o que ainda sentia em relação a droga "injetada" nela, pois depois dos primeiros minutos de dormência ela não sentiu mais nada e até aquele momento não tinha chorado para ver se realmente funcionou. Então, ela resolveu testar. Pegando a faca que trouxera da cozinha junto dos garfos, ela mirou a ponta na lateral de seu braço e rapidamente o fincou lá a fazendo sentir uma dor latente e os olhos começaram a arder.
Ela sabia que não era o ideal se machucar daquela maneira, mas era necessário para saber se sua individualidade havia sumido ou se ainda continuava lá.
Quando as primeiras lágrimas caíram e as gotas atingiram sua calça, formando pequenas bolas molhadas e não sentiu mais nada em seu corpo – pois ela sabia quando sua individualidade era ativada -, uma onda de alegria tomou todo o seu ser. Um sorriso se abriu e a única coisa que ela queria era contar para Overhaul que a droga dele havia dado certo. Mesmo sendo apenas um protótipo.
E não aguentando esperar, ela resolveu ir atrás dele, ignorando o jantar ainda a espera na mesinha dentro diante dela.
Pela casa ela correu chamando por ele, foi quando Nemoto apareceu em um dos corredores carregando seu prato vazio e se encaminhando para a cozinha.
- Nemoto, você viu o Overhaul? Preciso falar com ele, é urgente! – havia um sorriso brilhante nos lábios da garota, que Nemoto não conseguiu compreender.
- Está no subsolo fazendo umas pesquisas – ele respondeu, ao passar por ela – Mas é melhor...
Ela nem esperou que ele terminasse a frase, simplesmente saiu correndo e foi até a passagem para o subterrâneo, local onde mesmo depois de dois meses morando naquele lugar, ela ainda sentia arrepios ao andar.
O local como de costume estava vazio e silencioso, causando arrepios pela sua espinha.
A maioria dos corredores estavam iluminados, porém, ela passou por a sua esquerda que se encontrava completamente na escuridão e mesmo que não soubesse bem o motivo de ter entrado ali, Diamond simplesmente seguiu por aquele caminho. O corredor era longo e parecia não ter fim, quando achou que era melhor dar meia volta e ir embora, ela avistou uma linha de luz mais a frente.
A porta do cômodo estava meio aberta, curiosa ela se aproximou e foi onde ouviu vozes.
Duas na verdade e muito conhecida por ela. Overhaul e Kurono estavam ali dentro, porém, a voz do líder se sobressaia mais e dava para ver que ele estava muito irritado, mas não parecia ser com o amigo. Ela se aproximou mais para ver dentro do cômodo e foi onde viu vários equipamentos caros e tubos interligados, uma cadeira que de longe parecia confortável, mas que de perto devia dura como o concreto daquelas paredes. A luz ali dentro era forte, havia mais utensílios de médicos do que um hospital poderia ter.
Mas foi ao olhar para com quem Overhaul falava que seus olhos se arregalaram. Havia uma garotinha sentada naquela cadeira, presa pelos pulsos e tornozelos, os cabelos platinados e olhar vago, vestia uma roupa simples demais. Ela devia ter no máximo uns seis anos de idade, não mais do que isso. Dali, mesmo de longe, Diamond conseguiu ver os cortes no antebraço e na canela, inúmeros cortes e alguns ainda estavam cicatrizando.
A garotinha ergueu o olhar suplicante para Overhaul, que simplesmente ignorou e a encarou.
- Tornar as coisas difíceis será pior para todos ao seu redor. Você faz parte de um plano maior, algo que somente você pode fazer nesse mundo doente e decadente – a voz dele ecoava como o soprar do vento do inverno, gélido e cruel. Causando uma paralisia em Diamond que ela não conseguiu mais se mexer – Não se mexa e não tente me morder de novo, sabe que as consequências serão piores... Eri – ao dizer o nome da garota, Diamond sentiu um baque e só então ela soltou o ar que prendia e seu corpo conseguiu se mover novamente.
Eri... era o nome da garota daqueles papeis onde Overhaul fazia anotações, ela viu apenas as anotações onde faltavam conclusões sobre como a individualidade dela funcionava e outros pequenos detalhes, mas ver a menina presa naquela cadeira e clamar por socorro com aqueles olhos tão apagados e sem vida, a fez tremer dos pés à cabeça.
O que diabos Overhaul estava fazendo com aquela menina?
