Capítulo final! Muito obrigada a todos por terem lido e tirado um tempo para favoritar e deixar comentários. Isso me deixa mais animada e motivada a escrever mais. Quem sabe eu poste mais histórias aqui em breve. Ideias é certamente algo que não me falta.

Espero que tenham gostado de Obscuridão do mesmo jeito que eu gostei de escrevê-la.

Novamente, Naruto não me pertence.


Obscuridão

Capítulo 10: Você é Tudo o que Eu Sei

Quando a reunião finalmente terminou, Shisui teve uma grande vontade de suspirar em alívio.

Depois de tantos argumentos entre os membros do clã que participavam do conselho, finalmente tinham chegado a uma decisão; e uma que o beneficiava indiretamente. Mesmo assim, Shisui não perdeu o discreto olhar insatisfeito que Arisu lhe deu, mas que ele preferiu ignorar veementemente. Aquele olhar não tinha nada a ver com ele escolhendo Sakura; ela provavelmente nem sabia sobre isso, vendo que Shisui preferiu não expor seu relacionamento ao conselho. Era algo muito importante para ele para ser manchado por política. Não, essa era uma luta por poder de dentro do clã, mais velha que ele mesmo, e que também não tinha nada a ver com ele.

Mesmo com seu avô considerando Mai uma sobrinha neta, eles eram familiares mais distantes. Mai e sua avó Arisu pertenciam a um ramo mais distante da família principal, enquanto Shisui era mais próximo de Itachi–o herdeiro de Fugaku–e Sasuke por seu avô ser irmão do avô deles. Ele e Mai casando-se não passava de uma tentativa de trazê-las mais perto do centro do clã. O casamento havia sido confirmado uma vez que uma quantidade maior de anciãos estavam favoráveis.

Conforme a sala foi esvaziando, Shisui começou a considerar deixar o seu assento. Tsunade e Shizune estavam paradas na frente da sala, rodeadas por pessoas interessadas na pesquisa. Shizune rapidamente analisava alguns papéis enquanto Tsunade parecia entediada. Tenten e Kō se beijaram discretamente no canto em que o clã Hyuuga havia ocupado, com o shinobi seguindo o restante de seus familiares, deixando Tenten andando calmamente para encontrar Hinata e Ino, que estavam próximas de Sakura…

Seu coração acelerou.

Shisui observou Sakura conversar com as outras três kunoichis; se a conhecia bem, e ele a conhecia, ela havia percebido parte do que estava ocorrendo durante a reunião e agora demandava saber o que havia acontecido por trás de tudo isso. Ele sorriu orgulhosamente. Coisinha inteligente.

Ele deixaria aquelas três terem um momento com ela; depois disso, Sakura seria só dele. Já havia esperado tempo demais por isso.

Por dentro, Shisui se segurava para não ir até lá, colocá-la no ombro e levá-la para casa com ele.

"Eu me perguntava o que sairia disso tudo. No fim, parece que você conseguiu o que queria."

Ele ignorou esse último pensamento tolo, lembrando que já havia feito algo parecido e que Sakura não agiu da melhor maneira, e poupou um olhar de soslaio para seu avô, de pé ao seu lado. Os olhos de Shin brilhavam com um olhar de sabedoria, seus dedos traçados em frente a si. A sala estava bem mais vazia agora e esse era provavelmente o motivo de Shin estar falando sobre isso com ele.

"Não só o que eu queria, pelo que fiquei sabendo," Shisui disse, agora olhando fixamente para onde Kaito e Mai ainda estavam parados juntos, conversando quietamente. "Eu sei que Ichiro-san tinha um grande interesse nessa união, assim como o senhor, Shin-ojii."

"Hmm." Shin assentiu, seu olhar distante. "Eu realmente tinha, sabe. Além de outros motivos quase proporcionalmente importantes, a tensa situação que você criou no conselho."

Shisui estreitou os olhos. Seu avô era uma das pessoas que mais merecia seu respeito dentro do clã; ele era único, excêntrico e com um interessante hábito de questionar decisões e tradições tomadas pelo conselho, em sua maioria, ultrapassadas. Mesmo assim, ele não era o único com o direito de decidir certas questões.

"Eu sei o que eu fiz e minhas motivações para isso, Ojii-san," Shisui respondeu seriamente. Olhos negros se encontraram com seus semelhantes e se entreolharam por alguns momentos.

Finalmente Shin quebrou o contato, deixando um pequeno sorriso presunçoso transparecer. "Eu sei que sabe. Eu confio em você, Shisui-kun." Ele inclinou o queixo em direção a Sakura, que agora parecia aliviada por alguma coisa, sorrindo levemente para as outras. Ela estava linda, como sempre. "Eu suponho que tenha muito o que conversar com sua motivação. Não vou tomar mais do seu tempo."

Shin já estava andando em direção a larga porta quando parou abruptamente e virou para enfrentá-lo novamente. "Ah, e Shisui?" Shisui o olhou com uma sobrancelha erguida. "Bom trabalho em defender a si e as suas decisões. Me deixou orgulhoso, apesar de tudo, e tenho certeza que seus pais também ficariam."

Shisui não respondeu, como costumava fazer quando seus pais estavam envolvidos, mas não era necessário porque seu avô já passava da porta. Em vez disso, ele olhou em volta. A sala estava quase completamente vazia, com alguns membros do clã Sarutobi conversando com Tsunade perto da entrada; Sakura, Tenten, Ino e Hinata em uma roda não tão distante; Mai e Kaito do outro lado dele. No mesmo momento Mai olhou na direção dele, encontrando seu olhar e assentindo solenemente. Para muita gente podia parecer um simples cumprimento educado, mas havia muito significado por trás.

Seu foco desviou para Sakura imediatamente. Como Shin corretamente supôs, Shisui precisava esclarecer muita coisa com sua motivação. Ele se aproximou do grupo devagar, seus olhos encontrando-se com os de Tenten. Silêncio seguiu sua chegada e quando suas mãos tocaram os ombros de Sakura levemente, as outras kunoichis os deixaram.

Quando aqueles vibrantes olhos verdes se focaram nele, Shisui sentiu uma grande sensação de realização atravessar seu corpo, junto com um calor muito familiar em seu peito. Depois de tudo que passaram, depois de todo o plano minucioso que traçaram e que ainda poderia ter dado errado, olhando-a agora de perto, sem brigas ou estranhezas entre eles, fez tudo valer a pena.

Seus parceiros de equipe ANBU poderiam chamá-lo de masoquista e Itachi podia dizer que Sakura tinha toda a razão em tudo que aconteceu entre eles, mas Shisui antecipava aquele brilho de desaprovação e irritação nos olhos dela quando ele finalmente explicasse tudo.


Sakura estava um pouco surpresa quando finalmente chegaram no destino que Shisui planejou, com uma inesperada claridade encontrando seus olhos, ao contrário de como a sala na torre estava. Pela primeira vez desde que foi transportada por ele, Sakura não sentiu nenhum tipo de desconforto–náusea, tontura ou qualquer outro sintoma. Ela terminou acostumando-se a técnica depois de tudo.

O lugar que estavam era bem aberto, pela falta de uma palavra melhor, o que explicava a iluminação do ambiente. Uma brisa leve e fria entrava pela larga janela em frente a eles, arejando todo o local e fazendo Sakura tremer um pouco. Do lado de fora da janela, ela viu uma fileira organizada de casas desconhecidas do outro lado de uma pequena rua.

Ela franziu o cenho e olhou em volta do lugar em que estavam. Parecia uma sala de estar, com um sofá e duas poltronas, uma estante com alguns livros e porta retratos espalhados em prateleiras. As paredes brancas possuíam alguns quadros e, quando Shisui se curvou para frente para fechá-la, ainda segurando-a ao redor da cintura, Sakura viu que a janela era, na verdade, uma porta deslizante de vidro.

O lugar tinha algumas plantas espalhadas ao redor, até algumas menores na estante. Algumas delas pareciam meio mortas, no entanto.

"Kaa-san gostava de plantas," Shisui declarou suavemente, voltando a abraçá-la. "Acho que não sou tão bom em cuidar delas quanto ela foi."

Não sabendo como responder a isso, Sakura olhou para o homem ainda segurando-a. Ele a assistia com uma certa expectativa. Seu coração começou um passo errático e ela engoliu contra isso. "Onde estamos?"

Shisui ergueu uma sobrancelha e sorriu lentamente. "Na minha casa."

Seus olhos embaçaram enquanto olhava Shisui. Esteve esperando para conhecer a casa dele desde o dia que ele começou a frequentar seu apartamento. Então estavam mesmo no distrito do clã Uchiha; era por isso que não havia reconhecido os arredores. Esteve no distrito Uchiha apenas poucas vezes, em nenhuma das vezes lembrava de ter estado naquela área. Frequentava muito mais o distrito do clã Hyuuga por causa de Hinata.

E falando em Hyuuga…

"Acredito que temos muito o que conversar," Sakura disse, mantendo seus olhos focados no rosto dele, não querendo perder nenhuma reação, mínima que fosse.

Para sua surpresa, Shisui apenas assentiu. Nada de desculpas ou de ser assunto do clã ou qualquer outra coisa que fosse. Era sério então. Dessa vez ele realmente abriria o jogo sobre o que estava acontecendo e todos os envolvidos…

Shisui ergueu uma mão novamente. Sakura não hesitou em pegá-la dessa vez. "Vamos para outro lugar. Aqui é muito aberto. Pessoas passando podem enxergar aqui dentro."

Ele a guiou para fora da sala, para um corredor com diversas portas dos dois lados. Sakura supôs que seria menos suspeito se não os vissem juntos por hora, ainda mais se realmente fizeram o que ela estava pensando e orquestraram algo contra o conselho do clã Uchiha. No final do corredor, Shisui abriu a última porta, ainda segurando sua mão na dele. Era um quarto, com uma grande cama desarrumada, um armário e uma janela. Em um canto, em cima de um pequeno armário de cabeceira, estavam o tantō, a hitai-ate e a bolsa de armas dele. Fora isso, não tinha muito a ser visto. Era algo bem Shisui, inclusive a cama desarrumada.

Sakura arqueou uma sobrancelha quando Shisui alcançou ao seu redor para fechar a porta depois que ela passou. "No seu quarto?"

Ele riu baixo e sentou nos pés da cama, batendo no espaço ao lado dele para ela sentar-se. "Sim? E qual seria o problema com a minha escolha, senhorita?"

Sakura balançou a cabeça em reprovação, mas não disse nada, apenas se sentou onde ele indicou. O humor entre eles ficou mais tenso com o súbito silêncio, mais sério. Sakura observou o perfil dele por um momento antes de suspirar longamente. Os olhos dele se voltaram em direção a ela. "O que aconteceu, Shisui? Me explica do início."

Shisui exalou profundamente, então pegou uma de suas mãos nas dele. A pele dele estava quente apesar do clima sombrio. "Antes de começar você precisa saber disso." Ele a olhou nos olhos intensamente. "Pode parecer repetitivo, mas eu não queria me casar com Mai; eu não queria me casar com ninguém. Eu gosto de você, entende? Você."

As palavras foram ditas com tanto ímpeto, tanta certeza, que Sakura apenas assentiu. Isso a fez lembrar do momento que tiveram no campo de treinamento onze. Ela acreditou nele lá e acreditava nele agora.

"E Mai não gosta de mim," ele continuou, os lábios inclinados para baixo. Ele parecia pensar em algo desagradável. "Eu acho que ela nunca gostou desta forma." Ele gesticulou entre eles. "Ela gostava da ideia de estar casada comigo…" Sua expressão ficou confusa. "Ou algo assim. Itachi chegou a essa conclusão e eu não acho que ele esteja errado."

O pequeno franzir das sobrancelhas dele a fez sorrir gentilmente.

"Eu sei. Eu pude perceber isso nesses últimos dias," disse Sakura, olhando para suas mãos juntas brevemente. "Apesar de que eu acho que você importa para ela de alguma forma."

Shisui franziu o cenho, observando seu rosto atentamente. "O que você quer dizer?"

"Eu não sei se você ficou sabendo disso, mas ela me procurou ontem e disse algumas coisas que eu…" Sakura parou e olhou para ele, incerta. "Na verdade você deveria começar. Acho que tudo vai ficar mais claro uma vez que você expor todo esse plano de vocês."

"Então," Shisui começou novamente, passando o polegar no dorso de sua mão. "Bom, para mim começou depois daquela horrível reunião de clãs. Até aquele dia eu ainda estava tentando convencer o clã de que casar não era uma boa ideia, mesmo falhando espetacularmente. Ninguém me ouvia. Até que um dia eu fiquei frustrado e acabei fazendo algo que ainda não sei se foi um erro terrível ou não."

Sakura franziu as sobrancelhas em pensamento, lembrando de uma noite em um beco escuro e algo similar ao que ele estava dizendo. Parecia muito distante agora. "Espera. Uma das coisas que Mai disse foi que você quase fez algo contra o clã. No fim ela percebeu o que estava fazendo e não terminou de dizer."

Shisui não parecia surpreso. "Tenho certeza que ela mencionou. Mai sempre falava demais quando éramos crianças. Enfim." Ele parecia um pouco incerto. "Foi em uma das reuniões do clã. Eles ainda insistiam com a ideia do casamento acontecer, dizendo até que já tinham a aprovação de Tsunade-sama. Eu fiquei um pouco irritado e acabei deixando algo subentendido. Apesar de meu avô dizer que todos os presentes entenderam perfeitamente o que eu quis dizer."

"Que foi…?" Sakura questionou lentamente, quase temendo a resposta.

Shisui suspirou novamente e olhou para as mãos unidas deles. "Resumidamente eu os levei a acreditar que eu renunciaria da minha posição como um membro do clã Uchiha se não desistissem da ideia. Isso foi em uma reunião interna, no dia seguinte ao da reunião com Tsunade-sama e os outros clãs."

Sakura segurou o som de espanto que estava prestes a deixar seus lábios. Ela o olhou com olhos verdes arregalados. "Shisui, você o–"

"Eu sei," ele a interrompeu, olhando para cima rapidamente. "Eu já tive muitos deles me dizendo que estava cometendo um grande erro de julgamento, mas eu não consigo me arrepender disso porque eu senti que era necessário. Eu faço tudo pelo clã e por Konoha, por vontade própria, mas isso já é demais. Isso é minha vida pessoal que estão tentando controlar e eu precisava falar por mim mesmo e tomar minhas próprias decisões."

Sakura não tinha argumentos contra isso, mas ainda sim estava surpresa. Shisui renunciaria do clã por causa dela? Claro, tinha uma narrativa mais complexa envolvida, mas era basicamente isso. Pensar logicamente não evitou que uma sensação quente se espalhasse por seu peito. Shisui renunciaria do clã Uchiha se eles continuassem insistindo em casá-lo contra a sua vontade–e parcialmente por causa dela. Ela nunca tinha ouvido falar de algo assim antes.

Sakura inadvertidamente sentiu-se bem importante.

"Certo," ela respondeu suavemente, passando sua mão livre nas costas dele em conforto e sentindo irradiar calor. "Eu entendo seus motivos, é claro. O que aconteceu então?"

"Bom," disse Shisui, "depois tudo fluiu rapidamente. Suas amigas me acharam em meio a um treinamento com Itachi um dia e me contaram o que planejavam. Até então elas já estavam com metade do plano realizado. Shizune já havia acertado com o clã Hyuuga, que era a parte mais complicada porque nem todos aceitavam. Saber disso me deixou ansioso, mas eu confesso que só comecei a acreditar que pudesse dar certo quando ouvi que Tsunade-sama estava envolvida.

"Então era só questão de falar com alguém do clã que tivesse interessado em realizar o que estávamos planejando. Eu falei com Shin-ojii e Fugaku-oji, porque eles foram contra o casamento, e eles resolveram tudo com Ichiro-san."

"E depois Tenten e Ino escoltaram Ichiro-san até a residência do daimio," Sakura concluiu. "Mas por que você continuou me seguindo? Não seria mais prudente passar despercebido para que ninguém do seu clã pudesse desconfiar? Qualquer um indo ao hospital poderia ver você comigo."

Shisui passou uma mão em cabelos negros recém cortados, jogando-os para trás. "Eu pensei nisso de início, mas elas me pediram para mantê-la distraída para você não notar tanto a ausência delas. Você não deveria saber de nada do que estava acontecendo." Shisui tinha uma expressão presunçosa de repente. "E é claro que eu não os deixaria me pegar. Shunshin no Shisui, lembra?"

Sakura se segurou para não rolar os olhos, escolhendo por estreitá-los, mas sem muita seriedade. "Eu não entendo," ela disse, inconscientemente entrelaçando seus dedos juntos aos dele. Os olhos de Shisui brilharam em resposta. "Se eu não deveria saber, por que Mai veio falar comigo como se eu soubesse de algo?"

"Ela não sabia que você não sabia. Ino-san esqueceu de mencionar," Shisui respondeu quietamente, com nenhum vestígio de seu humor anterior. "Infelizmente só fiquei ciente disso depois que ela foi falar com você. Isso poderia ter arruinado tudo"

"Tem isso ainda. Ela agia como se eu tentasse estragar o plano de vocês." Sakura balançou a cabeça ao lembrar da ocasião.

Ele abaixou a cabeça novamente, passando uma mão nos lábios como se estivesse envergonhado de algo. "E isso é minha culpa, provavelmente. Eu contei a ela o que aconteceu no campo de treinamento."

Olhos verdes arregalaram em surpresa e, quase imediatamente, desgosto. "O quê? Por quê? Você contou o que nós…" Sakura começou hesitante, com medo da resposta.

"Não assim." Shisui interrompeu rapidamente, segurando suas mãos nas dele novamente. "Mai me procurou, querendo uma garantia de como as coisas estavam indo. Eu mencionei que você ainda estava desacreditada de que tínhamos uma chance, mas nunca imaginei que ela fosse até você."

Sakura não sabia o que pensava de Shisui sendo tão próximo de Mai assim, a ponto de conversarem sobre algo íntimo deles. O sentimento ruim que tinha por Mai pareceu só aprofundar em seu peito ao lembrar da noite passada, do encontro das duas. "Ela veio até mim porque achou que eu não estava cooperando," Sakura concluiu friamente. "Ela achava que podia me ameaçar."

"Parece que sim." Shisui confirmou sem hesitar. Era claro que ele esperava algo assim da própria prima.

Sakura suspirou, olhando para baixo, para as mãos deles juntas. "Eu ainda não consigo realmente acreditar que vocês fizeram tudo isso," ela afirmou suavemente.

"Eu te disse antes," Shisui disse, segurando um lado de seu rosto com a palma da mão, o polegar dele traçando a sua têmpora. "Eu não vou deixar o clã, nem ninguém, tirar você de mim."

Seu tom de voz possuía tanta veemência que questionar nem passou pela cabeça de Sakura. Ela apenas assentiu um pouco e encostou a cabeça no ombro dele. Shisui passou um braço ao redor dela, beijando sua testa lentamente.

Depois de alguns momentos em silêncio, Sakura pensou em uma conversa boba que teve meses atrás e que nunca havia chegado a um consenso.

"Você disse que Ino, Tenten e Hinata te acharam treinando com Itachi?"

Ela sentiu ele mover a cabeça levemente contra a sua. "Hm? Sim, foi exatamente isso que aconteceu. Por quê?"

"Bem," Sakura sussurrou, um pouco envergonhada. Agora já havia começado e não tinha volta. "No início, quando eu estava começando a desconfiar que você estava escondendo alguma coisa e pedi que elas me ajudassem, Ino sugeriu que eu deveria seguir você. 'Se tivermos sorte, vamos encontrar aquele seu namorado gostoso sem camisa' eu acredito que tenham sido suas palavras exatas."

Ela terminou com o rosto sério, mas segurando-se para não rir com Shisui, que gargalhou baixo ao seu lado. Ele deu outro beijo em sua testa antes de replicar, "Não me diga… só por curiosidade, o que você pensou sobre isso? Sobre me achar treinando sem camisa?"

Sakura deu de ombros com bom humor. Ela levantou a cabeça de onde descansava no ombro dele e fingiu uma expressão desinteressada. "Não seria oposta à isso, eu suponho."

Shisui observou seu rosto por vários momentos. Ele sorriu lentamente, um brilho diferente em seu olhar com o que quer que tenha encontrado, e se aproximou. Sakura sentiu dedos quentes contra a pele de seu abdômen e quase pulou de susto. Os dedos dele seguravam a bainha de sua blusa, erguendo pouco a pouco.

"Quer saber o que eu acho?" Seu sussurro deixou seu estômago fazendo coisas engraçadas em resposta. Ela assentiu devagar, olhando o rosto dele através de olhos verdes entreabertos.

Shisui beijou seus lábios demoradamente, seus dedos levantando mais centímetros da blusa dela. Ela sorriu quando ele quebrou o beijo. "Eu acho que gostaria de ver você sem camisa."


Cinco meses depois.

Aquela parte do distrito Uchiha, que era rodeada por uma nascente do rio Nakano, estava lindamente decorada, com flores aparecendo em quase toda superfície que podiam ver. Era um dia quente de primavera, então não era difícil de se ver flores aparecendo em árvores. Talvez fosse por causa da estação que escolheram realizar o casamento em uma manhã, ao ar livre.

Sakura respirou fundo, sorrindo um pouco quando raios de sol atingiram seu rosto. O som que o rio Nakano fazia, próximo de onde a cerimônia seria realizada, era calmante e parecia enchê-la de vitalidade.

Mai estava linda vestida de noiva, Sakura tinha que admitir, apesar de trajes brancos não combinarem com ela exatamente; talvez por sempre avistá-la em tons sóbrios, escuros. Ela usava um vestido longo e esvoaçante, seus cabelos curtos estavam presos pela metade no topo da cabeça, com suaves ondas caindo ao redor de seu rosto e pescoço. Mai estava tão bonita que Sakura sentiu que todos ali eram meros mortais na presença de uma deusa. Kaito também estava bem vestido, com roupas escuras e com um ar de caras. Ao contrário de Mai, que permanecia impassível, ele sorria alegremente para todos que via.

Havia cadeiras arranjadas em fileiras, ao lado do rio, onde os convidados se sentavam. Apesar de ser o casamento do filho do daimio com uma integrante do clã Uchiha, não tinha tantos convidados presentes. Havia guardas rodeando todo o local, no entanto, vendo que o daimio e seus outros filhos estavam presentes. Shisui prontamente zombou quando chegaram e avistaram a cena, sem conseguir esconder o desprezo que sentia em relação a rica família; entretanto, permaneceu quieto quanto a isso.

A cerimônia foi um pouco longa. Sakura nunca havia ido em casamentos de clãs tradicionais para dizer se isso era uma tradição ou não, mas não se importou; Shisui sussurrava comentários derrogatórios em seu ouvido sobre cada pessoa que passava por eles no corredor central, especialmente Uchihas, fazendo-a ter que esconder suas risadas baixas com uma mão. Por sorte Kō e Tenten ocupavam as cadeiras ao lado, porque nem Mai escapou das piadas e nesse momento foi quando ela riu mais. Kō estava confuso, mas Tenten possuía um brilho conhecedor no olhar.

Depois da cerimônia, Sakura se afastou um pouco da conversa que Shisui estava tendo com Tenten e Kō e parou perto de uma mesa de comida. Não demorou muito para Kaito parar ao seu lado, rindo como uma criança.

"Talvez eu possa morar em Konoha."

Sakura franziu o cenho, virando-se para enfrentá-lo enquanto segurava um pequeno prato de bolo. "Sério?"

Kaito assentiu, alcançando por um prato de espetos de dangos que ele tanto gostava. "Tou-san diz não se importar; eu não lido com assuntos importantes do País do Fogo de qualquer jeito," ele disse, dando de ombros. "E essa seria a melhor opção. Eu duvido que Mai-chan aceitaria ir embora comigo. Ela ainda continuará como uma kunoichi ativa."

Ela ignorou a voz que dizia querer ver a cara de Mai com Kaito colocando o honorífico em seu nome. "Bom," Sakura disse, "eu suponho que ela não desistiria da carreira por causa do casamento. Ainda mais com o clã que pertence."

"E eu nem quero que ela faça isso," Kaito respondeu, de repente mais sério. Suaves mechas castanhas caiam na testa dele. "Ela deve fazer o que a faz feliz."

Ela sorriu, sentindo uma estranha sensação de orgulho florescer em seu peito com as palavras. De início não podia negar que estava um pouco incerta com a repentina união, mas com o passar dos meses, Sakura viu que não precisaria. Eles estavam dando-se muito bem pelo pouco que via e pelo que as pessoas ao seu redor comentavam.

"Sim. Você está certo," Sakura respondeu, sorrindo.

Kaito riu de volta, mas logo se desculpou e saiu, dizendo que ia procurar o daimio. Sakura voltou ao seu prato de bolo, observando Ino, Sai e Hinata conversando com Shin não muito distante dali, todos com taças na mão. Era definitivamente interessante o fato de Mai ter convidado suas amigas para o casamento. Sakura ainda debatia consigo mesma se foi como forma de agradecimento pelo plano que traçaram ou se foi apenas para agradar Kaito.

Mai com certeza teve uma mudança de comportamento depois da reunião que Sakura não sabia exatamente ao que atribuir. Será que ela genuinamente gostava de Kaito? Ela precisaria vendo que já estavam casados. Pelo menos era o que parecia em público.

Nesses últimos meses Sakura começou a ver mais e mais deles. Assim que conseguiu extrair-se dos braços de Shisui, Kaito a encontrou em seu apartamento para agradecê-la profundamente por tê-lo ajudado em Konoha, mas que a partir de então não seria mais necessário porque Mai estaria sempre com ele. Sakura gostava de Kaito, e não podia dizer que seu tempo mostrando Konoha a ele tenha sido ruim, mas não podia evitar de sentir-se aliviada de ter menos uma responsabilidade em seus braços.

Um movimento do canto do olho a fez olhar para seu lado. Sem erro, Mai andava em direção a ela em toda a sua glória de noiva, com mechas curtas voando ao redor do rosto. Sakura se virou totalmente em direção a Mai quando ela se aproximou.

Seu rosto estava mais suave, menos sarcástico e duro como costumava ser para Sakura. Mai olhou ao redor delas impassível e Sakura procurou por algo para falar, não querendo ficar perto dela dando a impressão de que estava desconfortável. "Parabéns pelo casamento," ela disse educadamente.

Mai direcionou seu olhar para Sakura novamente, assentindo uma vez em agradecimento. "Eu imagino que em breve você e Shisui estarão noivos."

Sakura não sabia o que dizer em relação a isso, mas vendo como esse era o caminho mais óbvio, ela assentiu de volta. "Eu suponho que sim."

Elas ficaram em silêncio por um tempo; Sakura determinada a não olhar para Mai e o sentimento parecia ser mútuo. Podiam ser mais civilizadas entre si agora, mas o ar estranho entre elas não mudaria tão rápido.

"Kaito te considera uma amiga," Mai disse de repente e Sakura finalmente decidiu olhá-la. Ela olhava em direção a família do daimio. "Você parece deixar Shisui-kun feliz e ele te adora." Mai murmurou algo para si mesma que soava como 'claramente', então ela se voltou a Sakura, parecendo um pouco hesitante. "Eu acho… que deveríamos ser mais tolerantes uma com a outra. Pelo menos… por eles."

Sakura não podia dizer que estava surpresa com o pedido. Ao seu ver, já estavam fazendo isso quando Mai deixou de "cumprimentá-la" com hostilidade, em vez disso apenas assentindo educadamente. Ela nunca entendeu todo esse tratamento de qualquer jeito.

"É um bom plano," ela respondeu, sorrindo um pouco. Então ergueu uma mão em direção a Mai, que observou por um instante antes de erguer a sua oposta. Elas apertaram juntas antes de soltar ao mesmo tempo. Mai devolveu o sorriso com um sarcástico, muito familiar.

Shisui escolheu aquele momento para aparecer, beijando-a na têmpora antes de parar ao seu lado com as mãos nos bolsos.

"Está tudo bem por aqui? ele perguntou, uma nota de preocupação em sua voz.

"É claro que sim," Mai prontamente respondeu, olhando para Shisui como se a questão fosse um absurdo. Ele não parecia entender que ela estava brincando.

Sakura, por outro lado, entendeu rapidamente. "Por que não estaria?"

Shisui olhou entre elas em genuína confusão. Sakura suprimiu uma risada quando essa mesma expressão continuou.

"Agora com licença, eu vou procurar o meu marido." Mai assentiu para os dois, então se direcionou a Sakura com um brilho peculiar no olhar. "Te vejo por aí, Haruno."

Sakura sorriu com confiança enquanto passava um braço ao redor da cintura de seu namorado, que franzia o cenho enquanto observava Mai criticamente. "É claro, Uchiha."


"O que foi aquilo entre você e Mai antes?" Shisui questionou no momento em que ele apareceu na sala de estar novamente, retornando da cozinha com duas xícaras de chá.

Já eram horas depois do fim do casamento e eles estavam descansando na casa dele, que era a mais próxima. Depois que Sakura finalmente teve a oportunidade de conhecer a casa dele, eles revezavam, mas ainda sim, passavam mais tempo no apartamento dela.

Sakura sorriu levemente enquanto pegava a sua xícara. Ela se encostou no sofá novamente. "Ela acha que devemos tentar… aceitar melhor uma a outra, por assim dizer."

Shisui sentou ao lado dela e franziu as sobrancelhas em pensamento. Sakura se inclinou em direção a ele e passou dois dedos entre sobrancelhas negras suavemente, do mesmo jeito que Shisui fazia com ela. "Pensando em você e Kaito. Kaito é meu amigo e Mai é sua prima. Eu acho que ela tem razão."

"Não sei," Shisui disse depois de pegar sua mão e plantar um beijo rápido no dorso. O tom de voz dele mudou para um de provocação. "Você e Mai concordando com uma trégua? Eu não achei que fosse viver para ver algo assim acontecer."

Sakura deu um tapa no braço dele quando ele caiu em risadas. "Nós achamos necessário. Eu nem sei por que Mai não gostava de mim."

"É porque eu só tenho olhos para você." Shisui sorriu provocativamente quando Sakura rolou os olhos. "Mas sério. Mesmo ela não gostando de mim dessa maneira, não deve ser bom noivar com alguém interessado em outra pessoa e isso sendo uma ameaça."

Fazia sentido, mesmo com Sakura querendo que fosse algo além de uma típica briga entre duas mulheres por um homem. Mas felizmente não estavam brigando mais; Kaito e Mai pareciam felizes juntos, além de formarem um belo casal. Sakura certamente estava feliz com Shisui.

"Ela também disse algo sobre eu e você estarmos noivos em breve," Sakura afirmou calmamente, assistindo a reação dele. Ela tomou um gole do chá quando Shisui novamente adquiriu uma expressão contemplativa. "Mais como uma declaração, na verdade."

Shisui a olhou através de olhos estreitos, também tomando um pouco da bebida. "É o curso natural, não? Nós estamos juntos, eventualmente vamos casar. Pelo menos eu sei que eu quero. Eu sou seu enquanto você me quiser."

A última frase era algo que ele sempre estava dizendo a ela, depois de tudo que aconteceu, como se estivesse tentando tranquilizá-la de qualquer dúvida que podia ter em relação a eles. Era algo que nunca falhava em fazer seu pulso acelerar ao ser lembrada dessa decisão porque Sakura não achava que chegaria um dia em que deixasse de querer Shisui.

Ela colocou a xícara ainda quente e pela metade na pequena mesa de centro em frente ao sofá e se sentou mais próxima a ele. Shisui fez o mesmo e voltou para observá-la curiosamente.

"Eu te amo, sabia disso?"

Os olhos dele se arregalaram comicamente, como nunca tinha visto antes. Ele olhou toda a extensão de seu rosto sorridente com algo que só podia ser descrito como admiração. Ele posicionou uma mão em sua cintura enquanto a outra inclinou seu rosto para cima gentilmente. Olhos negros se focaram em seus lábios.

"Diga de novo," Shisui implorou, um polegar acariciando sua bochecha.

Sakura sorriu suavemente. "Eu te amo, Uchiha Shisui."

Shisui fechou os olhos e inspirou profundamente antes de exalar da mesma forma, seus ombros largos caindo com o movimento. Ele continuou dessa forma por um momento e quando abriu os olhos, eles haviam mudado para sharingan. Ele focou em todo o seu rosto dessa vez.

"Eu te amo mais, meu amor," ele sussurrou e Sakura entendeu o motivo do sharingan estar ativado quando sentiu seu rosto esquentar e seus lábios se partirem levemente.

Shisui a puxou para perto, beijou seus lábios e, depois disso, nada mais importava.