Capítulo 10

A Festa de Augusto Montes - Parte 1


O dia mais esperado chegou, o dia da festa de aniversário da filha de Augusto Montes. Todos estavam terminando os preparativos finais antes do começo da festa, Vanilla estava organizando as flores que tinha encomendado da loja "Ouriços do futuro", na qual pertencia á Silver e Mephiles. Com a ajuda de seus assistentes, colocou delicadas rosas vermelhas nos arranjos das mesas, cada taça brilhava, cada talher, os guardanapos vermelhos delicadamente dobrados nas mesas no formato de triângulos, a festa era como se fosse para a rainha da Inglaterra.

Vanilla estava orgulhosa dos toques finais que ficou, os equipamentos de música e a área que o DJ estaria, que o próprio Augusto contratou, estavam organizados e aguardando a hora de serem usados. O sorriso de Vanilla desapareceu aos poucos, lembrou da noite passada, das palavras de Vector, que era conhecido por Croc, balançou a cabeça para esquecer por enquanto aquele problema, precisava e queria se concentrar no trabalho.

Cream estava no quintal brincando com Cheese, seu pequeno Chao, os dois estavam deitados de bruços em um pano para piquenique enquanto desenhava ela, Cheese e sua mãe de mãos dadas com varias borboletas ao redor e com um lindo arco-íris ao fundo. Cream não era tão apegada ao Vector, que na realidade a tratava como se não existisse. Apesar de Cream ter apenas 6 anos, ela já entendia a maioria das coisas, sabia que Vector não era seu verdadeiro pai, mesmo assim tentava demonstrar um amor de filha que podia dar, mas era sempre ignorada, até que com 5 anos ela desistiu de ter a atenção de Vector e se concentrou em sua mãe, que com azar, Vanilla estava sempre ocupada com o salão de festa.

Uns 6 meses atrás conheceu sua nova babá, que para sua surpresa, era um ouriço macho prateado, e não só isso, tinha mais dois no apartamento, se sentiu desconfortável no começo, mas depois, Silver fazia sua comida, Mephiles colocava desenhos e filmes que ela gostava, Shadow á ajudava a pintarseus desenhos e levava ela pra brincar no parque, era tudo o que ela queria. Um pouco de atenção. O que mais uma criança poderia pedir?.

Cream deu um sorriso e começou a desenhar um novo desenho, mas desta vez adicionando aqueles três ouriços que mudaram sua vida. Assim que terminou, sua mãe a chamou, já estava na hora de entrar e percebeu que já estava quase anoitecendo, pegou tudo que tinha trazido e Cheese levava o pano em que estavam deitados.


No apartamento de Rouge, os dois fotógrafos estavam terminando de se arrumar. Rouge terminando o retoque da maquiagem e Shadow no outro quarto tentando ajeitar a gravata azul, já estava ficando estressado, parecia tão fácil quando via seu tio fazer, mas parece que era mais complicado de fazer um simples nó.

- Ah!. Desisto!. -. Ele bufou jogando a gravata na cama-. Devia ter comprado uma daquelas gravatas de zíper. -. Suas orelhas tremem com o barulho da porta do quarto de hospedes se abrindo e revelando uma morcega com uma parte da cabeça-. Entra Rouge.

- Problemas com a gravata?. -. Rouge olhou para a cama onde a gravata estava e voltou seu olhar amigável para ele-. Quer ajuda?.

- Quero. -. Shadow suspirou e observou Rouge com a gravata em mãos-. Parecia tão fácil quando via meu tio fazer. -. Ele riu levemente, Rouge estava terminando de fazer o nó com um sorriso.

- Mas isso não é porque ele é ator e médico?. -. Rouge tinha um sorriso divertido nos lábios rosados-. E pronto!.

- Obrigado Rouge. -. Shadow se olhou no espelho-. E não, não é porque meu tio é ator e um ex médico que ele sabe dar nó em gravata, mas é porque o pai dele obrigou ele a ser advogado quando mais novo e ele foi obrigado a aprender a fazer a gravata.

- Poxa, forçar alguém a fazer o que não quer é bem difícil. -. Rouge suspirou triste, já havia passado por isso, mas rapidamente muda os pensamentos-. E o que ele queria ser de verdade?.

- Ele sempre sonhou em ser ator. -. Shadow deu um sorriso com lembrança do tio-. Ele sempre falava pra mim e pro Mephiles para fazemos o quê mais gostássemos, não sentir vergonha da profissão que escolhemos e muito menos nos importar com que os outros acham. -. Shadow pegou sua bolsa e ambos foram para a sala de estar.

- Sábias palavras. -. Rouge pegou a câmera dela e do Shadow que estava na mesinha de café em posição de ir pra bolsa, ela recebeu a mensagem de irem para o andar de baixo que o taxi já estava chegando-. Queria ter tido alguém assim na minha família, ao invés de me forçarem a ser uma executiva. Minha mãe sempre dizia "faça isso e você ganhará muito dinheiro". Tenho certeza que Alice fez isso, mas no fundo eu não queria ser aquilo, eu amava tirar fotos e a fotografia é minha paixão. -. Rouge abaixou os ouvidos-. É uma pena que ela nunca me ouviu, mas vamos deixar o passado para trás. E vamos que Douge e Vivi já estão chegando.

- Não se preocupe Rouge, um dia ela vai perceber a filha que perdeu e ela vai colher o que plantou. -. Shadow pegou as chaves do apartamento que dividia com seu irmão-. Vamos, gosto de ser pontual. -. Rouge deu uma risada e pegou as chaves para trancar seu apartamento.

- Isso eu sei. -. Assim que trancou olhou para Shadow-. E Shadow, muito obrigada, por tudo. -. Shadow deu um sorriso de resposta e um abraço de lado.


Hem frente ao hotel, a família de Maurice estava esperando a limusine que David tinha contratado durante a estadia em Nova York, já começava a ficar frio por ainda estarem na temporada de inverno. Maurice começou a esfregar as mãos procurando aquecer elas um pouco, Manic já estava pra desistir e voltar para o quarto, mas sua mãe foi falar com eles.

- Está começando a ficar frio. -. Aleena se aproximou de Maurice e colocou a metade do casaco fofinho nele, ela daria uma parte para Manic se não fosse o fato de ele ainda estar chateado com ela.

- Sim, quanto tempo mais será que vai demorar?. Estou começando a congelar aqui. -. Sonia se aconchegou com o casaco que estava usando.

- Eu espero que não demore e. ...

- Por que não esperamos lá dentro?. -. Manic perguntou chateado olhando com uma carranca para Aleena, enquanto tremia de frio.

- Manic, eu apenas pensei que seria melhor esperarmos aqui na frente ao invés de incomodar o motorista mandando mensagem ou ligando.

- Ah tá, e esse pensamento incluía estarmos com frio?!. -. Balançou a cabeça negativamente, olhou para a rua e murmurou-. Mal posso esperar pra esse filme acabar logo pra eu seguir a minha vida. -. Aleena ouviu claramente, suas orelhas se prenderam na cabeça e desviou o olhar do filho aguardando o carro chegar.

Passaram alguns minutos e finalmente a limusine chegou, o motorista moreno se desculpou e abriu a porta para eles entrarem, no caminho para o salão de festa, David ligou preocupado com a ausência deles no local e Aleena abaixou o volume sabendo como era o empresário, e como esperado, David explodiu de raiva de como o motorista poderia ser tão irresponsável. Aleena teve que aturar as reclamações de David durante toda a trajetória.