O duelo à meia-noite.
-Ah não –gemeu Lily –isso não pode ser bom.
-Pelo visto, ele me puxou mais do que esperávamos –disse James, em tom de desculpa –acho que dessa vez o problema não foi atrás dele, ele que foi atrás do problema.
-Ele precisava se parecer tanto com você?
-Desculpe? –pediu, incerto.
-Ah não se desculpe –murmurou –pelo visto vocês dois não tem jeito mesmo.
Harry jamais acreditara que fosse encontrar um garoto que ele detestasse mais do que Duda, mas isto foi antes de conhecer Draco.
Os alunos do primeiro ano da Grifinória, porém, só tinham uma aula com os da Sonserina, a de Poções, por isso não precisavam aturar Draco muito tempo. Ou pelo menos, não precisavam até verem um aviso pregado no sala comunal de Grifinória que fez todos gemerem. As aulas de voo começariam na quinta-feira – e os alunos das duas casas aprenderiam juntos.
-A melhor aula com aqueles Sonserinos? –resmungou Sirius –Não posso culpar Harry por duelar a meia noite!
-SIRIUS! –Lily gritou, o assustando –Não quero que você passe esse exemplo para o meu filho, estamos entendidos?
-Lily, querida –ele balançou a cabeça –não percebeu que ninguém precisou implantar isso em Harry? Ele descobriu sozinho!
Ela bufou alto, levantando-se para dar um tapa na cabeça do homem que escolhera para ser padrinho do filho.
– Típico – disse Harry, desanimado. – É o que eu sempre quis. Fazer papel de palhaço montado numa vassoura na frente do Draco.
-Você não vai fazer papel de palhaço! –exclamou James –está no seu sangue!
-James, você sabe que ele pode não ter o dom, né? Ele pode muito bem ter me puxado –disse Lily ao garoto.
-Eu sei, Lils –revirou os olhos –mas ele tem um reflexo excelente! Com certeza será um ótimo apanhador! Eu não diria isso caso achasse que ele é um desastre como a mãe.
-Eu não sou um desastre –resmungou, dando um soco leve em seu ombro –só não me interesso por quadribol o suficiente para querer ser uma excelente jogadora.
-Lily está certa, Prongs –falou Remus. Lily sorriu para ele –É claro que ela caiu da vassoura na nossa primeira aula de voo de propósito.
-REMUS! –gritou brava, enquanto os outros riam.
Ele estivera ansioso para aprender a voar, mais do que qualquer outra coisa.
James abriu um sorriso satisfeito, feliz com a possibilidade de seu filho amar tanto aquele esporte quanto ele.
– Você não sabe se vai fazer papel de palhaço – disse Rony, sensato. – Em todo o caso, sei que Draco vive falando que é bom em quadribol, mas aposto que é conversa fiada.
Draco sem dúvida falava muito de voos. Queixava-se em voz alta que os alunos do primeiro ano nunca entravam para o time de quadribol e se gabava em longas histórias, que sempre pareciam terminar com ele escapando por um triz dos trouxas de helicópteros. Mas ele não era o único: pelo que Simas Finnigan contava, ele passara a maior parte da infância voando pelo campo montado numa vassoura. Até Rony contava para quem quisesse ouvir sobre a vez em que ele quase batera numa asa delta montado na velha vassoura de Carlinhos.
-Já tinha me esquecido como primeiranistas podem ser mentirosos –gargalhou Sirius –nós já inventamos cada história.
-Vocês são primeiranistas até hoje? –Alice ergueu a sobrancelha, fazendo Frank e Lily rirem.
-Olha só...-começou James, abrindo um sorriso de lado.
-...quem está...-continuou Remus.
-...muito abusada hoje! –completou Sirius, dando um sorriso idêntico ao dos outros dois.
-Se vocês não tivessem características físicas tão diferentes, podia jurar que eram irmãos –falou Frank.
-E quem disse que não somos? –perguntaram em uníssono, erguendo a sobrancelha ao mesmo tempo.
-Meu Deus! –Lily resmungou alto –Olha só em que família eu fui me enfiar!
Todos, exceto Snape, riram de seu resmungo.
"Ainda dá tempo de mudar de ideia, Lily", pensou.
Todos os garotos de famílias de bruxos falavam o tempo todo de quadribol. Rony já tivera uma grande discussão sobre futebol com Dino Thomas, que também usava o dormitório deles.
Rony não via nada excitante em um jogo em que ninguém podia voar e só tinha uma bola.
-Não é tão cheio de adrenalina, mas também é legal –disse Sirius, de forma despreocupada –O que foi? –perguntou quando viu todos o encarando –Era divertido irritar Walburga colocando posters de futebol em meu quarto.
Harry surpreendera Rony cutucando o pôster em que Dino aparecia com o time de futebol de West Ham, tentando fazer os jogadores se mexerem.
Neville nunca andara de vassoura na vida, porque a avó nunca o deixara chegar perto de uma.
-Sendo desastrado como a mãe, é um decisão sábia –falou Remus, tendo que desviar de uma azaração da garota.
-Você anda muito engraçadinho, Lupin –resmungou ela.
No fundo, Harry achava que ela estava certíssima, porque Neville conseguira sofrer um número impressionante de acidentes mesmo com os dois pés no chão.
-Vou ter uma conversa séria com seu filho, Lils –avisou Alice.
A ruiva acenou, segurando a risada.
-Você sabe que eles tem razão, né? –Frank murmurou para que apenas a namorada ouvisse –É perigoso deixar Neville em uma vassoura.
-Fica quieto, Longbottom –resmungou –Se não é para me defender, fique calado –o namorado a olhou carinhosamente e deu um beijo em sua testa.
-Eu te amo –disse.
-Ah, agora você me ama, né? Na hora de defender a honra do nosso filho...-ele riu mais alto que pretendia, fazendo com que ela abrisse um sorriso ao ouvir o som gostoso da risada dele –Idiota. Também te amo –deu um beijo na bochecha dele.
-Urgh! –foram interrompidos por Sirius –Vocês são melosos demais!
Hermione Granger estava quase tão nervosa quanto Neville com a ideia de voar. Isto não era coisa que se aprendesse de cor em um livro – não que ela não tivesse tentado.
-Conheço outra pessoa que também tentou –Alice ergueu a sobrancelha sugestivamente para a amiga.
-Com certeza não dá certo –Lily fez uma careta.
-Não mesmo –falou Severo, sem perceber que tinha dito em voz alta.
-Nós tentamos juntos –a ruiva explicou para o resto da sala.
James forçou o sorriso, tentando passar a ideia de naturalidade com a antiga amizade dos dois. Mesmo que, fechasse os punhos de irritação, sem ao menos perceber.
No café da manhã de quinta-feira, deu um cansaço neles falando sobre macetes de voo que lera em um livro da biblioteca chamado Quadribol através dos séculos. Neville praticamente se pendurava em cada palavra que ela dizia, desesperado para aprender qualquer coisa que o ajudasse a se segurar na vassoura mais tarde, mas todos os outros ficaram muito felizes quando a conferência de Hermione foi interrompida pela chegada do correio.
-Ela fala demais –Sirius bufou, gerando um olhar feio de Lily.
Harry não recebera nenhuma carta desde o bilhete de Hagrid, uma coisa que Draco não demorara nada a notar, é claro. A coruja de Draco estava sempre lhe trazendo de casa pacotes de doces, que ele abria fazendo farol na mesa da Sonserina.
-Vamos mandar cartas para o Harry todos os dias –garantiu James, vendo a ruiva se mexer desconfortável no sofá.
-Vamos –ela concordou, agarrando a mão dele.
Uma coruja de curral trouxe para Neville um pacotinho da avó. Ele o abriu excitado e mostrou a todos uma bolinha de vidro do tamanho de uma bola de gude grande, que parecia cheia de fumaça branca.
-Um Lembrol –reconheceu Remus.
– É um Lembrol! – explicou ele. – Vovó sabe que sou esquecido. Isto serve para avisar que a gente esqueceu de fazer alguma coisa. Olhe, aperte assim e ele fica vermelho, ah... – e ficou sem graça, porque o Lembrol de repente emitiu uma luz escarlate
– ... você esqueceu alguma coisa...
Neville estava tentando se lembrar do que esquecera quando Draco, que ia passando pela mesa da Grifinória, arrancou o Lembrol de sua mão.
-Eu tenho um também, mas como ele não fala o que eu esqueci, acaba deixando de ser útil –falou Alice, suspirando. –E o que esse garotinho insolente pensa que está fazendo tirando coisas do meu filho da mão dele?
Harry e Rony puseram-se imediatamente de pé. Andavam querendo um motivo para brigar com Draco, mas a Profa. Minerva, que era capaz de identificar uma confusão mais depressa do que qualquer outro professor da escola, num segundo estava lá.
-Ela conhece seu pai –riu Remus –é claro que sabia que você também iria arrumar confusão.
Lily fez uma careta, dando um tapinha de levinho no braço de James, que sorriu largamente.
Amava que seu filho tivesse tanto em comum com ele e Lily. Era a mistura perfeita dos dois.
– Que é que está acontecendo?
– Draco tirou o meu Lembrol, professora.
Mal-humorado, Draco mais do que depressa largou o Lembrol na mesa.
– Só estava olhando – falou, e saiu de fininho com Crabbe e Goyle na esteira.
Frank bufou.
Às três e meia, aquela tarde, Harry, Rony e os outros garotos da Grifinória desceram correndo as escadas que levavam para fora do castelo para a primeira aula de voo.
Era um dia claro, com uma brisa fresca e a grama ondeava pelas encostas sob seus pés ao caminharem em direção a um gramado plano que havia do lado oposto à Floresta Proibida, cujas árvores balançavam sinistramente a distância.
Os garotos da Sonserina já estavam lá, bem como as vinte vassouras arrumadas em fileiras no chão. Harry ouvira Fred e Jorge Weasley se queixarem das vassouras da escola, dizendo que havia umas que começavam a vibrar quando voavam muito alto, ou sempre repuxavam ligeiramente para a esquerda.
-Eles não mudaram isso? –James fez uma careta –Essas vassouras estão em Hogwarts desde antes de nós entrarmos!
A professora, Madame Hooch, chegou. Tinhas cabelos curtos e grisalhos e olhos amarelos como os de um falcão.
-É uma ótima descrição –murmurou Frank –Harry realmente consegue colocar em palavras como a pessoa é fisicamente.
-De uma forma mais...desagradável –reconheceu Alice –Ele é bem crítico, mesmo que não seja intencional.
-Ele pode pensar o que quiser –James deu de ombros –Desde que não saia distribuindo insultos por aí.
-Como certas pessoas faziam –murmurou Severo.
Lily, que fora a única a ouvir, olhou feio para o ex melhor amigo.
-Concordo –ela disse para o futuro marido –O que pelo visto, não é o que ele faz. Pelo contrário, temos um filho bem gentil.
-Que puxou isso da mãe –ele piscou para ela, a fazendo abrir um sorriso enorme.
"No que depender de mim, esse sorriso não vai sair do seu rosto, ruiva", pensou, olhando para ela abobalhado.
– Vamos, o que é que estão esperando? – perguntou com rispidez. – Cada um ao lado de uma vassoura. Vamos, andem logo.
Harry olhou para a vassoura. Era velha e tinha algumas palhas espetadas para fora em ângulos estranhos.
James resmungou, e Lily riu ao seu lado. Quando James a olhou com um falso ultraje, ela riu ainda mais, pegando a mão do garoto e fazendo carinho.
– Estiquem a mão direita sobre a vassoura – mandou Madame Hooch diante deles – e digam "Em pé!".
– EM PÉ! – gritaram todos.
A vassoura de Harry pulou imediatamente para sua mão, mas foi uma das poucas que fez isso.
-Isso, meu filho! –elogiou James –Você tem um talento nato! Estou orgulhoso.
Lily deu uma risinha baixa, e tentou disfarçar com uma tossida.
-Você está rindo de mim, Evans? –falou, novamente em falso ultraje –Como você ousa?
-Ah, qual é –falou rindo abertamente –você fica bobo quando falam de quadribol, parece que vai babar.
-Ela tem razão –intrometeu-se Remus.
-Preciso concordar. É a mesma coisa quando você fala de Lily. –a garota corou –Ou quando a vê. Quase sai abanando o rabo atrás dela.
-Cala a boca, Padfoot –resmungou James, corado –Ou eu preciso lhe lembrar que o cachorro é você?
Sirius latiu, fazendo o resto da sala rir, com exceção de Snape, que só conseguia achá-lo idiota.
A de Hermione Granger simplesmente se virou no chão e a de Neville nem se mexeu. Talvez as vassouras, como os cavalos, percebessem quando a pessoa estava com medo, pensou Harry; havia um tremor na voz de Neville, que dizia com demasiada clareza que ele queria manter os pés no chão.
-É uma boa comparação –falou Frank, pensativo.
Madame Hooch, em seguida, mostrou-lhes como montar as vassouras sem escorregar pela outra extremidade, e passou pelas fileiras de alunos corrigindo a maneira de segurá-las. Harry e Rony ficaram contentes quando ela disse a Draco que ele segurava a vassoura errado havia anos.
-Toma essa, Malfoy –riu Alice. –O quê? –perguntou quando todos a encaravam –Esse garoto mimado maltrata o meu filho.
– Agora, quando eu apitar, deem um impulso forte com os pés – disse a professora. – Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo um pouco para a frente. Quando eu apitar... três... dois...
Mas Neville, nervoso, assustado, e com medo que a vassoura o largasse no chão, deu um impulso forte antes mesmo de o apito tocar os lábios de Madame Hooch.
-Ah não –gemeu Alice, escondendo o rosto no peito de Frank, que estava igualmente preocupado.
– Volte, menino! – gritou ela, mas Neville subiu como uma rolha que sai sob pressão da garrafa, quatro metros, seis metros.
Harry viu a cara de Neville branca de medo espiando para o chão enquanto ganhava altura, viu-o exclamar, escorregar de lado para fora da vassoura e...
O casal de namorados ficava mais pálido a cada palavra.
-Meu Mérlin –Remus ficou tenso.
BUMBA! – um baque surdo, um ruído de fratura e Neville caído de borco na grama, estatelado. Sua vassoura continuou a subir cada vez mais alto e começou a flutuar sem pressa em direção à Floresta Proibida e desapareceu de vista.
Madame Hooch se debruçou sobre Neville, o rosto tão branco quanto o dele.
– Pulso quebrado – Harry ouviu-a murmurar. – Vamos, menino, levante-se.
-Ele conseguiu ser pior que Lily –disse Remus, olhando para a ruiva incrédulo. Ela e Alice, que pegou a ofensa do filho para ela, resmungaram.
-Pobre Neville –suspirou a mãe do garoto –Pena que não estou aí para te dar um abraço.
-Vai estar –garantiu Frank, com firmeza.
Virou-se para o restante da classe.
– Nenhum de vocês vai se mexer enquanto levo este menino ao hospital! Deixem as vassouras onde estão ou vão ser expulsos de Hogwarts antes de poderem dizer "quadribol".
-Vamos, querido.
Neville, o rosto manchado de lágrimas, segurando o pulso, saiu mancando em companhia de Madame Hooch, que o abraçava pelos ombros.
-Tadinho do meu bebê –suspirou Alice.
Assim que se distanciaram e ficaram fora do campo de audição da classe, Draco caiu na gargalhada.
– Vocês viram a cara dele, o panaca?
-Moleque nojento –resmungou Frank, em alto e bom tom. Os outros concordaram com a cabeça, exceto Snape, que embora não dissesse, concordava com Draco.
Os outros alunos da Sonserina fizeram coro.
– Cala a boca, Draco – retrucou Parvati Patil.
– Uuuu, defendendo o Neville? – disse Pansy Parkinson, uma aluna da Sonserina de feições duras. – Nunca pensei que vocêgostasse de manteiguinhas derretidas, Parvati.
– Olhe! – disse Draco, atirando-se para a frente e recolhendo alguma coisa na grama. – É aquela porcaria que a avó do Neville mandou.
O Lembrol cintilou ao sol quando o garoto o ergueu.
– Me dá isso aqui, Draco – falou Harry em voz baixa. Todos pararam de conversar para espiar.
-Nem venha me culpar, Lils –falou James a menina, que até então o olhava com raiva, como se dissesse "a culpa é sua se Harry é assim" –Você faria a mesma coisa. Inclusive já fez, defendendo o Snape em diversas ocasiões.
-Pode ser que você esteja certo –murmurou, sem querer admitir que era verdade.
-Pode ser? É claro que tenho razão –falou, bagunçando os cabelos –E você sabe bem disso.
-Tá bom tá bom –disse depressa, antes que ele a enchesse de cócegas novamente –você tem razão. Ele puxou nós dois nisso –ele lançou-a uma piscadela, na qual ela admitiu para si mesma que tinha sido bem charmosa.
Draco soltou uma risadinha malvada.
– Acho que vou deixá-la em algum lugar para Neville apanhar, que tal em cima de uma árvore?
– Me dá isso aqui – berrou Harry, mas Draco montara na vassoura e saíra voando.
-E os berros são definitivamente seus, Lily –falou Remus, rindo. A garota suspirou, sabia que era verdade.
Lily sempre foi explosiva; perdia o controle com facilidade e saía gritando para expressar sua raiva; claro, não fazia de propósito, mas não conseguia se controlar.
James, contudo, por mais que não fosse nenhum sangue frio, perdia o controle raramente; em momentos como esse, ele preferia fazer um comentário sarcástico ao invés de gritar, mas quando ele perdia o controle...aí ninguém conseguia pará-lo.
Ele não mentira, sabiavoar bem, e planando ao nível dos ramos mais altos de um carvalho desafiou:
– Venha buscar, Potter!
-Eu tomei isso como algo pessoal –James ergueu a sobrancelha para o livro.
Harry agarrou a vassoura.
– Não! – gritou Hermione Granger. – Madame Hooch disse para a gente não se mexer. Vocês vão nos meter numa enrascada.
-Intrometida –disse Sirius, baixinho demais para que Lily ouvisse.
Harry não lhe deu atenção. O sangue palpitava em suas orelhas. Ele montou a vassoura, deu um impulso com força e subiu, subiu alto, o ar passou veloz pelo seu cabelo e suas vestes se agitaram com força para trás – e numa onda de feroz alegria ele percebeu que encontrara alguma coisa que era capaz de fazer sem ninguém lhe ensinar – isto era fácil, era maravilhoso.
-Ah! –exclamou James –Parabéns, Harry! Ah, ele me puxou –disse à Lily, com emoção –Meu filho voa muito bem! Ele vai ser um jogador de quadribol. –a abraçou forte.
-Vai mesmo –sorriu Lily para ele –Vai ser um ótimo artilheiro.
-Apanhador, Lils –riu, satisfeito.
Puxou a vassoura para o alto para subir ainda mais e ouviu gritos e exclamações das garotas lá no chão e um viva de admiração do Rony. Virou a vassoura com um gesto brusco ficando de frente para Draco, que planava no ar. O garoto estava abobalhado.
– Me dá isso aqui – mandou Harry – ou vou derrubar você dessa vassoura!
– Ah, é? – retrucou Draco, tentando caçoar, mas parecendo preocupado.
-Ninguém segura meu filho! –James disse, claramente orgulhoso.
Lily sorriu de lado ao ver a expressão fofa que ele exibia.
Harry de alguma maneira sabia o que fazer. Curvou-se para a frente, segurou a vassoura com firmeza com as duas mãos e ela disparou na direção de Draco como uma lança.
-VAI HARRY! VINGA MEU FILHO! –gritou Alice, animada.
Draco só conseguiu escapar por um triz; Harry fez uma curva fechada e manteve a vassoura firme. Algumas pessoas no chão aplaudiram.
– Aqui não tem Crabbe nem Goyle para salvarem sua pele, Draco – berrou Harry.
O mesmo pensamento parecia ter ocorrido a Draco.
Alice riu, de forma sombria.
-Acaba com ele, Harry Potter –incentivou.
Lily não a repreendeu, sabia o tanto que era difícil ter que ouvir pessoas maltratando o filho, sem estar por perto para defendê-lo.
– Apanhe se puder, então! – gritou, atirou a bolinha de cristal no ar e voltou para o chão. Harry viu, como se fosse em câmara lenta, a bolinha subir no ar e começar a cair. Ele se curvou para a frente e apontou o cabo da vassoura para baixo – no instante seguinte estava ganhando velocidade num mergulho quase vertical, apostando corrida com a bolinha – o vento assobiava em suas orelhas, misturado aos gritos das pessoas que olhavam – ele esticou a mão – a uns trinta centímetros do solo agarrou-a, bem em tempo de levar a vassoura à posição vertical, e caiu suavemente na grama com o Lembrol salvo e seguro na mão.
-EU DISSE! EU DISSE! MEU FILHO É APANHADOR! E DOS BONS! –James gritava, com orgulho.
-Ele é incrível mesmo, Prongs –riu Sirius, gostosamente.
-Melhor até que você –gargalhou Remus.
-É melhor que eu mesmo –deu de ombros –Mas eu não ligo, eu que fiz esse menino! –e gargalhou, a felicidade estava emanada em seu rosto.
-Ele é maravilhoso mesmo –disse Lily, sendo contagiada pela felicidade do Maroto –e eu suponho que tenha perdido uma aposta –fez uma careta.
-É, minha cara ruivinha –falou James, passando o braço pelos ombros dela –acho que alguém terá aulas de voo particulares com o bonitão aqui!
-Não seja metido, Potter –resmungou.
-Ah, minha linda, eu tenho certeza que você no meu lugar já estaria fazendo uma dancinha da vitória –ela corou –mas eu vou me contentar em só esfregar na sua cara por um tempo.
-Ridículo, Potter.
-Preciso te lembrar que daqui uns anos esse será o seu sobrenome também, meu amor? –e piscou para ela, passando a mão nos cabelos –E nem adianta me xingar, Lils, eu só estou feliz com a talento do nosso filho. Você não? –ela bufou, mas se aconchegou no abraço do garoto.
– HARRYPOTTER!
-Eita –Sirius fez uma careta, sendo acompanhado de James.
Ele perdeu a animação mais depressa do que quando mergulhara. A Profa. Minerva vinha correndo em direção à turma. Ele se levantou tremendo.
– Nunca... em todo o tempo que estou em Hogwarts...
-Isso é um belo de um exagero –Sirius revirou os olhos –já fizemos coisas muito piores que só voar.
A Profa. Minerva quase perdeu a fala de espanto e seus óculos cintilavam sem parar, "... como é que você se atreve... podia ter partido o pescoço..." .
– Não foi culpa dele, professora...
– Calada, Srta. Patil...
– Mas Draco...
– Chega, Sr. Weasley. Potter, me acompanhe, agora.
-Ela não vai brigar com ele –murmurou James a Lily, que ficou tensa.
-Como você sabe?
-Eu a conheço. Ela gosta de quadribol tanto quanto eu. Ela deve até quebrar as regras para colocar Harry no time esse ano ainda. –Lily o olhou desconfiada, mas preferiu não contestar.
Harry viu as caras vitoriosas de Draco, Crabbe e Goyle ao sair acompanhando, espantado, a Profa. Minerva, que seguiu para o castelo. Ia ser expulso, sabia.
-Pessimista e dramático –riu Remus. –Já explodimos tanta coisa nesse Castelo e ainda assim, continuamos por aqui.
Queria dizer alguma coisa para se defender, mas parecia ter acontecido alguma coisa com a sua voz. A Profa. Minerva caminhava decidida, sem nem olhar para trás; ele tinha que correr para acompanhar seu passo.
Agora se enrascara. Não tinha durado nem duas semanas. Estaria fazendo as malas dali a dez minutos. Que iriam dizer os Dursley quando ele aparecesse à porta da casa?
-Não vai acontecer –Lily disse, com firmeza.
Subiram os degraus da entrada, subiram a escadaria de mármore, e a Profa. Minerva continuava a não dizer nada. Escancarava portas e marchava pelos corredores com Harry trotando infeliz atrás dela. Talvez ela o levasse a Dumbledore. Pensou em Hagrid, aluno expulso a quem tinham permitido continuar na escola como guarda-caça. Talvez virasse assistente de Hagrid. Seu estômago revirava só de pensar, observando Rony e os outros se tornarem bruxos enquanto ele andava pela propriedade carregando a bolsa de Hagrid.
A sala riu, mal acreditando na imaginação fértil de Harry.
A Profa. Minerva parou à porta de uma sala de aula. Abriu a porta e meteu a cabeça para dentro.
– Com licença, Prof. Flitwick, posso pedir o Wood emprestado por um instante?
-Ela vai colocar ele no time! –exclamou James, ansioso. –Esse cara deve ser o capitão.
-Não fique tão empolgado sem ter certeza –Lily repreendeu, mas foi ignorada.
Wood?, pensou Harry, intrigado; Wood seria alguma coisa que ela ia usar para castigá-lo? Mas Wood afinal era uma pessoa, um menino forte do quinto ano, que saiu da sala de Flitwick parecendo confuso.
-Capitão! –James continuou a dizer.
– Vocês dois me sigam – disse a Profa. Minerva, e continuaram todos pelo corredor, Wood examinando Harry com curiosidade.
– Entrem.
A Profa. Minerva indicou uma sala de aula que estava vazia exceto por Pirraça, que se ocupava em escrever palavrões no quadro-negro.
– Fora, Pirraça! – ordenou ela.
Pirraça atirou o giz em uma cesta, produzindo um eco metálico e alto e saiu xingando. A Profa. Minerva bateu a porta atrás dele e virou-se para encarar os dois garotos.
– Harry Potter, este é Olívio Wood. Olívio... encontrei um apanhador para você.
-O mais novo apanhador do século! –gritou James –É meu filho! Meu filho é o mais novo apanhador do século –urrava, dançando pela sala, enquanto todos riam da cara dele –Vem, Lily. Nosso filho é o mais novo apanhador do século! –e puxou a garota para dançar com ele.
A menina mal conseguia segurar a risada. Tentava acompanhar os passos ridículos do Maroto, mas não conseguia, já que sua barriga doía de tanto rir.
Um instante depois, Sirius e Remus se juntaram ao casal.
-Meu afilhado é o mais novo apanhador do século! –gritava Pads.
-Meu sobrinho é o mais novo apanhador do século! –gritava Moony.
Frank e Alice gargalhavam, mas resolveram não se juntar a eles; era um momento em família, bem íntimo, e eles respeitavam isso.
Severo tentava disfarçar o desgosto, mas não conseguia. Não acreditava que era Lily quem gritava e dançava junto aos estúpidos Marotos.
A expressão de Olívio mudou de confusão para prazer.
– Está falando sério, professora?
– Seriíssimo – resumiu a Profa. Minerva. – O menino tem um talento natural. Nunca vi nada parecido. Foi a primeira vez que montou numa vassoura, Harry?
-Meu filho tem um talento natural –o sorriso de James crescia a cada frase dita.
Harry confirmou com a cabeça. Não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, mas parecia que não estava sendo expulso, e começou a recuperar um pouco da sensibilidade nas pernas.
– Ele apanhou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de mais de 15 metros – a Profa. Minerva contou a Wood. – Não sofreu um único arranhão. Nem Carlinhos Weasley seria capaz de fazer igual.
-Falei que ela também ama quadribol –disse James, cutucando a ruiva, que sorriu para ele.
Olívio parecia agora alguém cujos sonhos tinham virado realidade, todos ao mesmo tempo.
– Você já assistiu a um jogo de quadribol, Potter? – perguntou excitado.
-O primeiro que ele irá assistir, será comigo, quando mudarmos isso tudo –James disse, firme.
-Conosco –Lily corrigiu –Faço questão de estar presente.
James a olhou bobo, e com carinho, beijou-a na testa.
-Obrigado, significa muito –ela apenas sorriu em resposta.
– Wood é o capitão do time da Grifinória – explicou a Profa. Minerva.
– E tem o físico perfeito para um apanhador – acrescentou Olívio, agora andando à volta de Harry, examinando-o. – Leve, veloz, vamos ter de arranjar uma vassoura decente para ele, professora, uma Nimbus 2000 ou uma Cleansweep-7, na minha opinião.
-Isso! Uma Nimbus 2000 para o meu garoto! –exclamou James, claramente feliz.
– Vou conversar com o professor Dumbledore e ver se podemos contornar o regulamento para o primeiro ano. Deus sabe que precisamos de um time melhor do que o do ano passado. Esmagadonaquele último jogo contra os sonserinos. Mal consegui encarar Severo Snape no rosto durante semanas...
-Fique tranquila, professora, nós não conseguimos até hoje, tamanho o nojo –disse Sirius, com um sorriso cínico.
-Sirius –James repreendeu, por incrível que pareça –agora não.
Severo apenas revirou os olhos, ignorando-os. O que foi difícil, já que estava irritado.
A Profa. Minerva espiou Harry com severidade por cima dos óculos.
– Quero ouvir falar que você está treinando com vontade, Potter, ou posso mudar de ideia quanto ao castigo que merece.
Então, inesperadamente, ela sorriu.
– Seu pai teria ficado orgulhoso. Era um excelente jogador de quadribol.
-Ela falou bem de mim para Harry! –James exclamou –Eu sempre soube que tinha um motivo para ela ser minha professora favorita.
-Ela gosta realmente de você –disse Lily, o olhando com um sorriso carinhoso.
– Você está brincando.
Era hora do jantar. Harry acabara de contar a Rony o que acontecera quando deixara os jardins da propriedade com a Profa. Minerva. Rony tinha um pedaço de bife e pastelão de rins a meio caminho da boca, mas esqueceu o que estava fazendo.
– Apanhador?!– exclamou. – Mas os alunos do primeiro ano nunca... você vai ser o jogador da casa mais novo do último...
-Século –James disse, com orgulho.
– Século – completou Harry, enfiando o pastelão na boca. Sentia-se particularmente faminto depois da agitação da tarde. – Olívio me disse.
Rony estava tão admirado, tão impressionado, que ficou ali sentado de boca aberta para Harry.
– Vou começar a treinar na próxima semana – anunciou Harry. – Só não conte a ninguém, Olívio quer fazer segredo.
-Em Hogwarts? Impossível manter qualquer tipo de segredo –Frank disse, bufando.
-Não é tão impossível assim –falou Remus, olhando com cumplicidade para os amigos.
Fred e Jorge Weasley entraram nesse momento no salão, viram Harry e foram depressa falar com ele.
– Grande lance – falou Jorge em voz baixa. – Olívio nos contou. Estamos no time também...batedores.
-E eu gosto cada vez mais desses dois –sorriu Sirius. –Sinto que nos daremos muito bem.
– Sabe de uma coisa, tenho certeza de que vamos ganhar a taça de quadribol deste ano – disse Fred. – Não ganhamos desde que Carlinhos terminou a escola, mas o time deste ano vai ser brilhante. Você deve ser bom, Harry, Olívio estava quase dando pulinhos quando nos contou.
-Ele é o melhor –disse James com carinho, como se o filho estivesse em sua frente naquele momento. Lily segurou sua mão, igualmente satisfeita com a vitória de Harry.
– Em todo o caso, temos de ir, Lino Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair da escola.
Os marotos se entreolharam, sorrindo.
Fred e Jorge mal tinham desaparecido quando alguém menos bem-vindo apareceu: Draco, ladeado por Crabbe e Goyle.
– Comendo a última refeição, Harry? Quando vai pegar o trem de volta para a terra dos trouxas?
– Você está bem mais corajoso agora que voltou ao chão e está acompanhado por seus amiguinhos – disse Harry, tranquilo.
-Isso aí, Harry –falou Sirius, em um tom orgulhoso –Mostra pra ele!
Lily sorriu, satisfeita com a resposta do filho.
Não havia nada "inho" em Crabbe nem em Goyle, mas como a mesa principal estava repleta de professores, os garotos só podiam estalar as juntas e fazer cara feia.
– Enfrento você a qualquer hora sozinho – disse Draco. – Hoje à noite, se você quiser. Duelo de bruxos. Só varinhas, sem contato. Que foi? Nunca ouviu falar de duelo de bruxos, suponho?
– Claro que já – respondeu Rony virando-se. – Vou ser o padrinho dele, quem vai ser o seu?
Lily suspirou, olhando para James de olhos estreitos.
-Ok, ok, eu assumo –se rendeu –essa parte Harry puxou a mim.
-Ainda bem que você sabe.
Draco mirou Crabbe e Goyle, medindo-os.
– Crabbe, meia-noite está bem? Nos encontramos na sala de troféus, está sempre destrancada.
Quando Draco foi embora, Rony e Harry se entreolharam.
-Isso está me cheirando mal –disse Frank, em uma careta.
-Concordo –murmurou Snape. Todos o olharam com espanto. Ele falava tão pouco que quase esqueciam que ele estava ali –Malfoy deve contar algo a algum professor para pegarem Harry no flagra. É o que eu faria –deu de ombros.
James e Sirius fecharam os punhos, na tentativa de manter o auto controle.
– O que é um duelo de bruxos? – perguntou Harry. – E o que você quis dizer quando se ofereceu para ser meu padrinho?
-Rony está querendo tomar o meu lugar –suspirou Sirius, dramaticamente.
– Bom, o padrinho fica lá para tomar o seu lugar se você morrer
-Que facilidade em anunciar a morte de alguém –Alice arregalou os olhos.
– disse Rony com displicência, começando finalmente a comer o pastelão frio. Surpreendendo a expressão no rosto de Harry, acrescentou bem depressa:
– Mas as pessoas só morrem em duelos de verdade, sabe, com bruxos de verdade. O máximo que você e Draco conseguirão fazer será atirar fagulhas um no outro. Nenhum dos dois conhece magia suficiente para fazer estragos. Mas aposto que ele esperava que você recusasse.
– E se eu agitar minha varinha e nada acontecer?
– Jogue a varinha fora e meta-lhe um soco na cara – sugeriu Rony.
-Rony, não piora –suspirou Lily, insatisfeita com a situação. James a abraçou, tentando fazê-la se sentir mais tranquila.
– Com licença.
Os dois ergueram os olhos. Era Hermione Granger.
-Intrometida –bufou Sirius.
-Eu aposto, Sirius Black –desafiou Lily –que ela vai se tornar uma grande amiga dos dois e você vai se arrepender amargamente de julgá-la tão mal.
-Desafio aceito, Lily Evans –apertou a mão da ruiva –É claro que essa chata só vai servir para atrapalhar os dois.
-Quem perder, paga um mico escolhido por...Sev. –ela disse, sorrindo para o ex amigo.
-Claro que não –discordou o cachorro –Snape não será imparcial, pegará leve com você.
Snape revirou os olhos. "Como eu fui me envolver nisso?".
-Ok, então precisa ser alguém que não vá pegar leve com nenhum dos dois –concordou Lily.
-James não pode ser –acrescentou Padfoot –Ele vai acabar comigo e te defender.
-Claro que não! –reclamou o Maroto chamado para a conversa–Vou pegar pesado com os dois, afinal, gosto do meu melhor amigo e da minha namorada igualmente.
-Namorada? –perguntou Lily, em choque.
-Desculpe –murmurou corado, se atrapalhando com as palavras. Como pôde deixar isso escapar? –é claro que eu me lembro que nós não estamos namorando. Quero dizer, pelo menos não ainda, né? Senão nós não nos casaríamos e nem teríamos o Harry. E aí não faria nem sentido estarmos lendo a história dele se ele nem chegar a nascer. Seria uma leitura inútil, é claro. Na verdade, acho que nem tanto. O livro deve nos falar como derrotar Voldemort, e aí acabaríamos com ele e, então o mundo seria um lugar melhor. Isso é maravilhoso, é claro. Porém, seria muito triste se Harry não nascesse. Quero dizer, ele é um bom garoto e...
-James, respira –interrompeu Remus, vendo o desconforto do amigo –Você está se envergonhando mais –riu.
-Cala a boca, Moony –resmungou, ainda mais corado, passando a mão no cabelo, arrepiando-o ainda mais.
-Então...estamos de acordo que James escolherá o mico? –perguntou Alice, quebrando o silêncio constrangedor.
-Estamos –disse Sirius rapidamente, voltando a ler.
– Será que a pessoa não pode comer sossegada neste lugar?! – exclamou Rony.
Hermione não ligou para ele e se dirigiu a Harry.
– Não pude deixar de ouvir o que você e Draco estavam dizendo...
-Aposto que podia –disse Sirius.
– Aposto que podia – resmungou Rony.
– ... e você não deve andar pela escola à noite, pense nos pontos que vai perder para a Grifinória se for pego, e você vai ser. É muito egoísmo da sua parte.
– E, para falar a verdade, não é da sua conta – respondeu Harry.
Todos olharam para Lily, esperando que ela repreendesse o filho, mas ela olhava para baixo, mexendo em sua pulseira.
"Namorada?", era só o que conseguia pensar.
– Tchau – disse Rony.
Em todo o caso, não era o que se poderia chamar de um final perfeito para o dia, pensou Harry, muito mais tarde, deitado na cama sem dormir, percebendo Dino e Simas adormecerem (Neville não voltara do hospital).
Alice e Frank se entreolharam, preocupados.
-Ele deve estar bem –falou Frank –Madame Pomfrey sabe muito bem como cuidar dos mais diversos ferimentos. –a namorada assentiu, apesar de incerta.
Rony passou a noite toda lhe dando conselhos do tipo "Se ele tentar lançar um feitiço, é melhor você tirar o corpo fora, porque não consigo me lembrar como se fecha o corpo".
-Que animador –disse Remus, ironicamente.
Havia uma boa chance de serem pegos por Filch ou por Madame Nor-r-ra, e Harry sentiu que estava abusando da sorte, desrespeitando mais um regulamento da escola no mesmo dia.
-Isso é só o começo, Mini-Prongs –riu Sirius.
Por outro lado, a cara de deboche de Draco não parava de lhe aparecer no escuro – essa era sua grande oportunidade de vencer Draco cara a cara. Não podia perdê-la.
– Onze e trinta – Rony cochichou finalmente –, é melhor irmos.
Eles vestiram os robes, apanharam as varinhas e atravessaram sorrateiros o quarto da torre, desceram a escada em espiral e entraram na sala comunal da Grifinória. Algumas brasas ainda rutilavam na lareira, transformando todas as poltronas em sombras corcundas. Tinham quase chegado à abertura no retrato quando uma voz falou da poltrona mais próxima.
– Não posso acreditar que você vai fazer isso, Harry.
-Aposto que sei quem é –riu Remus.
Uma lâmpada se acendeu. Era Hermione Granger, de robe cor-de-rosa e cara fechada.
-Ah, pelo amor de Merlin –resmungou Sirius –que intrometida! –olhou para Lily, esperando que a garota o repreendesse, mas ela continuava brincando com sua pulseira.
Reparou também que James e ela haviam se afastado no sofá, como se estivesse fugindo um do outro. Severo também notou, e não pôde ficar mais satisfeito.
– Você! – exclamou Rony, furioso. – Volte para a cama!
– Quase contei ao seu irmão – retorquiu Hermione. – Percy, ele é monitor, ia acabar com essa história.
-Ah não –gemeu Sirius –Além de intrometida, é fofoqueira?
Harry não conseguiu acreditar que alguém pudesse ser tão metido.
– Vamos – chamou Rony. Afastou o retrato da Mulher Gorda com um empurrão e passou pela abertura.
Hermione não ia desistir com tanta facilidade. Seguiu Rony pela abertura do retrato, sibilando para os dois como um ganso raivoso.
-E ainda vai junto? –Sirius parecia mais incrédulo a cada frase.
– Vocês não se importam com a Grifinória, vocês só se importam com vocês mesmos, eu não quero que a Sonserina ganhe a taça de casa e vocês vão perder todos os pontos que ganheicom a Profa. Minerva por saber a Troca de Feitiços.
– Vai embora.
– Tudo bem, mas eu preveni vocês, lembrem-se do que eu disse quando estiverem amanhã no trem voltando para casa, vocês são tão...
Mas o que eram, eles não chegaram a saber. Hermione se virara para o retrato da Mulher Gorda para tornar a entrar e se viu diante de um quadro vazio. A Mulher Gorda tinha saído para fazer uma visita noturna e Hermione ficou trancada do lado de fora da torre da Grifinória.
-Ah, era só o que me faltava –falou Sirius, esperando uma reação de Lily, que não chegou.
– Agora o que é que eu vou fazer? – perguntou com a voz esganiçada.
– O problema é seu – disse Rony. – Nós temos de ir, se não vamos nos atrasar.
Nem tinham chegado ao fim do corredor quando Hermione os alcançou.
– Vou com vocês.
Sirius bufou audivelmente, olhando para a ruiva novamente, que não se mexeu.
– Não vai, não.
– Vocês acham que vou ficar parada aqui, esperando o Filch me pegar? Se ele encontrar os três, conto a verdade, que eu estava tentando impedir vocês de saírem e vocês podem confirmar.
– Mas que cara de pau – disse Rony bem alto.
-Totalmente –disse Sirius. Lily não falou nada.
– Calem a boca, vocês dois – disse Harry bruscamente. – Ouvi uma coisa.
-Eu conheço uma história de amor que começou com esse tipo de briguinha –disse Alice, olhando para os futuros pais de Harry, que estavam perdidos em pensamentos.
Era como se alguém estivesse farejando.
– Madame Nor-r-ra? – murmurou Rony, apertando os olhos para enxergar no escuro.
Não era Madame Nor-r-ra. Era Neville. Estava enroscado no chão, dormindo a sono solto, mas acordou repentinamente assustado quando eles se aproximaram.
-O que meu filho está fazendo dormindo no chão? –guinchou Alice.
– Graças a Deus que vocês me encontraram! Estou aqui há horas, não consegui me lembrar da nova senha para entrar no quarto.
-Tinha que ser meu filho –ela reconheceu, suspirando.
– Fale baixo, Neville. A senha é "focinho de porco", mas não vai lhe adiantar nada agora, a Mulher Gorda saiu.
– Como está o braço? – perguntou Harry.
– Ótimo – disse Neville mostrando-o. – Madame Pomfrey consertou-o na hora.
Alice suspirou aliviada, e Frank a abraçou rapidamente, igualmente aliviado.
– Que bom, olhe, Neville, temos de ir a um lugar, vemos você depois.
– Não me deixem aqui! – pediu Neville pondo-se de pé. – Não quero ficar sozinho, o barão Sangrento já passou por aqui duas vezes.
Alice fez uma careta.
Rony consultou o relógio e em seguida fez uma cara furiosa para Hermione e Neville.
– Se formos pegos por causa de vocês, não vou sossegar até aprender aquela Feitiço do Morto-Vivo que Snape falou e vou usá-la contra vocês.
-Não é um feitiço –resmungou Remus.
Hermione abriu a boca, talvez para dizer a Rony exatamente como usar o Feitiço do Morto-Vivo, mas Harry mandou-a ficar quieta e fez sinal para prosseguirem.
-Nós realmente conhecemos um casal assim, apesar de estarem no mundo da lua no momento –murmurou Frank para a namorada, que sorriu.
Passaram quase voando pelos corredores listrados pelo luar que entrava pelas grades das janelas altas. A cada curva Harry esperava topar com Filch ou com Madame Nor-r-ra, mas tiveram sorte.
Subiram correndo uma escada até o terceiro andar e, nas pontas dos pés, dirigiram-se à sala dos troféus. Draco e Crabbe ainda não tinham chegado. As vitrines de cristal onde estavam guardados os troféus refulgiam quando tocadas pelo luar. Taças, escudos, pratos e estátuas piscavam no escuro com lampejos prateados e dourados. Eles caminharam rente às paredes, mantendo os olhos nas portas de cada lado da sala. Harry tirou a varinha da caixa para o caso de Draco aparecer de repente e começar a duelar. Os minutos passaram vagarosos.
– Ele está atrasado, quem sabe se acovardou – Rony sussurrou.
-Ou planejou contra vocês –apontou Sirius.
Então um ruído na sala ao lado os sobressaltou. Harry acabara de erguer a varinha quando ouviram alguém falar e não era Draco.
– Vá farejando, minha querida, eles podem estar escondidos em algum canto.
-Merda –xingou Padfoot.
Era Filch falando com Madame Nor-r-ra. Horrorizado, Harry fez sinais frenéticos para os outros três o seguirem o mais depressa possível; e fugiram silenciosos em direção à porta mais distante da voz de Filch.
-Pelo visto, Harry é o líder –riu Remus –Igualzinho ao pai dele.
-Ei, eu que sou o líder –reclamou Pads, claramente ofendido.
-Claro que não, Padfoot–murmurou James –eu que sou.
-Pense bem, cachorro –falou Remus –Harry é James, liderando o grupo; Rony é você, incentivando James a quebrar as regras, assim como ele faz com Harry; Hermione sou eu, tentando colocar um pouco de juízo na cabeça oca de vocês; e Neville é Peter, que só segue o bando. –falou o final com um olhar culpado para Alice e Frank, que o fuzilaram com os olhos.
-É uma excelente comparação, na verdade –disse James.
As vestes de Neville mal tinham acabado de passar a curva quando ouviram Filch entrar na sala dos troféus.
– Eles estão por aqui – ouviram-no resmungar –, provavelmente escondidos.
– Por aqui! – disse Harry, apenas mexendo a boca, para os outros e, petrificados, eles começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras.
Podiam ouvir Filch se aproximando. Neville, de repente, soltou um guincho assustado e saiu correndo. Tropeçou, agarrou Rony pela cintura e os dois desabaram em cima de uma armadura.
-Meu Merlin! Ele não podia ser menos desastrado? Vão dar detenção para o meu afilhado! –resmungou Sirius.
Alice e Frank gemeram, com medo da punição de Neville.
A queda e o estrépito foram suficientes para acordar o castelo inteiro.
– CORRAM! – gritou Harry e os quatro desembestaram pela galeria, sem virar a cabeça para ver se Filch os seguia.
-Viu, Padfoot? –falou Remus, em tom seu de sabe-tudo irritante. –Ele é o líder –Sirius bufou.
Fizeram a curva firmando-se no alisar da porta e saíram galopando por um corredor atrás do outro, Harry na liderança, sem a menor ideia de onde estavam nem que direção tomavam. Atravessaram uma tapeçaria, rasgando-a, e encontraram uma passagem secreta, precipitaram-se por ela e foram sair perto da sala de aula de Feitiços, que sabiam estar a quilômetros da sala dos troféus.
– Acho que o despistamos – ofegou Harry, apoiando-se na parede fria e enxugando a testa.
Neville estava dobrado em dois, chiava e falava desconexamente.
-Tadinho do meu bebê desastrado –suspirou Lice.
– Eu... disse... a vocês – Hermione falou sem fôlego, agarrando o bordado no peito. – Eu... disse... a vocês.
-Tudo que ela tem a dizer é "eu te avisei"? –bufou Sirius.
– Temos de voltar à torre de Grifinória – lembrou Rony –, o mais rápido possível.
– Draco enganou você – disse Hermione a Harry. – Já percebeu isso, não? Não ia enfrentar você. Filch sabia que alguém ia estar na sala dos troféus. Draco deve ter contado a ele.
Harry achou que ela provavelmente tinha razão, mas não ia dar o braço a torcer.
– Vamos.
-Teimoso igual aos pais –falou Remus, erguendo a sobrancelha para os dois, que evitavam se olhar.
Eles se entreolharam e disseram em uníssono:
-Cala a boca, Remus.
Não ia ser tão simples. Não tinham caminhado nem dez passos quando ouviram o barulho de uma maçaneta e alguma coisa disparou da sala de aula à frente deles.
Era Pirraça. Avistou os garotos e soltou um guincho de prazer.
-Harry definitivamente não é sortudo! –apontou Frank –E por extensão, meu filho também não.
– Cale a boca, Pirraça, por favor, você vai fazer a gente ser expulso.
-Isso só o faz ter mais vontade de ferrar vocês –falou Sirius.
Pirraça soltou uma gargalhada.
– Passeando por aí à meia-noite, aluninhos? Tsc, tsc. Que feinhos, vão ser apanhadinhos.
– Não, se você não nos denunciar, Pirraça, por favor.
-Nunca implore nada ao Pirraça –gemeu James, surpreendendo todos –Vou precisar ensinar algumas coisas para o Harry, por Mérlin!
– Devia contar ao Filch, devia – disse Pirraça bem comportado, mas seus olhos cintilaram de maldade. – É para o seu próprio bem, sabem?
– Saia da frente – disse Rony com rispidez, baixando o braço em Pirraça. Foi um grande erro.
-E põe grande nisso –falou Sirius, com uma careta. –Já fiz isso uma vez, e os resultados foram desastrosos.
– ALUNOS FORA DA CAMA! – berrou Pirraça. – ALUNOS FORA DA CAMA NO CORREDOR DO FEITIÇO!
Passando por baixo de Pirraça eles saíram desembalados até o final do corredor onde depararam com uma porta... fechada.
– Acabou-se! – gemeu Rony, empurrando inutilmente a porta. – Estamos ferrados! É o fim!
-Alunos do Primeiro Ano costumam ser tão dramáticos assim? –perguntou Frank, para si mesmo.
Ouviram passos, Filch correndo a toda em direção aos gritos de Pirraça.
– Ah, sai da frente – Hermione resmungou aborrecida. Agarrando a varinha de Harry, bateu na fechadura e murmurou:
– Alohomora!
-Até que enfim ela serviu para alguma coisa –Sirius deu um sorriso irônico.
A fechadura deu um estalo e a porta se abriu – eles se atropelaram por ela, fecharam-na e apuraram os ouvidos, à escuta.
– Para que lado eles foram, Pirraça? – era Filch perguntando. – Depressa, me diga.
– Peça "por favor".
– Não me enrole, Pirraça, vamos, para que lado eles foram?
– Não digo nada se você não pedir "por favor" – disse Pirraça na cantilena irritante com que falava.
-Ainda bem que ele está sendo "imparcial" –apontou Frank –Não ajuda nenhum dos lados.
– Está bem, por favor.
– NADA! Ha haaa! Eu disse a você que não dizia nada se você não pedisse por favor! Ha ha! Haaaaaa! – E ouviram Pirraça voar rápido para longe e Filch xingar com raiva.
-Pelo menos ele não os denunciou –falou Alice, aflita. Frank começou a fazer cafuné nela, para acalmá-la.
– Ele acha que a porta está trancada! – Harry falou. – Acho que escapamos. Sai para lá, Neville! – Neville puxava a manga do robe de Harry fazia um minuto. – Que foi?
Harry se virou – e viu, muito claramente, o que foi. Por um instante teve a certeza de que entrara num pesadelo – era demais depois de tudo o que já acontecera.
-Isso não pode ser bom –falou Frank, em tom de preocupação.
-Definitivamente não pode ser bom –Remus concordou.
Não estavam numa sala, conforme ele supusera. Achavam-se num corredor. O corredor proibido do terceiro andar. E agora sabiam por que era proibido.
-Logo o corredor proibido! Harry definitivamente não tem sorte! –bufou Sirius.
Estavam encarando os olhos de um cachorro monstruoso, um cachorro que ocupava todo o espaço entre o teto e o piso. Tinha três cabeças. Três pares de olhos que giravam enlouquecidos; três narizes, que franziam e estremeciam farejando-os; três bocas babosas, a saliva escorrendo em cordões viscosos das presas amarelas.
-Ah não, ah não, ah não –murmurava Lily, mordendo os lábios.
James esticou a mão para ela, ainda afastado no sofá. A ruiva sorriu grata, pegando a mão do maroto e aproximando-se dele, enterrando a cabeça em seu peito.
-Harry vai ficar bem –dizia a ela, com um leve tremor na voz.
Tentava se manter forte por ela, mas estava tão preocupado quanto.
Estava muito firme, os olhos a observá-los, e Harry sabia que a única razão por que ainda estavam vivos era que o seu repentino aparecimento apanhara o cachorro de surpresa, mas ele já estava se recuperando e depressa, não havia dúvida quanto ao significado daqueles rosnados de ensurdecer.
Harry tateou à procura da maçaneta – entre Filch e a morte, ficava com o Filch.
-Ainda bem que ele tem noção das coisas, pelo menos –murmurou Frank, puxando Alice para um abraço, visto que ela não parava de se balançar, em sinal de aflição.
Retrocederam. Harry bateu a porta e eles correram, quase voaram pelo corredor. Filch devia ter tido pressa para procurá-los em outro lugar porque não o viram em parte alguma, mas nem se importaram – a única coisa que queriam era abrir a maior distância possível entre eles e o monstro. Não pararam de correr até chegarem ao retrato da Mulher Gorda no sétimo andar.
– Onde foi que vocês andaram? – perguntou ela, olhando para os robes que caíam soltos dos ombros e os rostos vermelhos e suados.
– Não interessa. Focinho de porco, focinho de porco – ofegou Harry, e o quadro girou para a frente. Eles entraram de qualquer jeito na sala comunal e desmontaram, trêmulos, nas poltronas.
-Por que eles mantém algo assim em Hogwarts? Um cachorro com três cabeças?–perguntou Alice, com os olhos arregalados.
-Deve estar guardando a Pedra Filosofal –respondeu Snape.
Todos pararam um segundo para refletir, chegando a conclusão de que ele provavelmente estava certo.
Levou algum tempo até um deles falar alguma coisa. Neville, então, parecia que nunca mais voltaria a falar.
-Meu pobre bebê –disse Alice, suavemente.
– Que é que vocês acham que eles estão querendo, com uma coisa daquelas trancada numa escola? – perguntou Rony finalmente. – Se existe um cachorro que precisa de exercícios é aquele.
Hermione tinha recuperado tanto o fôlego quanto o mau humor.
– Vocês não usam os olhos, vocês todos, usam? – perguntou com rispidez. – Vocês não viram em cima do que ele estava?
– No chão? – arriscou Harry. – Eu não fiquei olhando para as patas, estava ocupado demais com as cabeças.
A maioria riu, mesmo que de forma forçada. A preocupação era maior.
– Não, nãoestou falando do chão. Ele estava em cima de um alçapão. É claro que está guardando alguma coisa.
Ela se levantou olhando feio para eles.
– Espero que estejam satisfeitos com o que fizeram. Podíamos ter sido mortos, ou pior, expulsos. Agora, se vocês não se importam, eu vou me deitar.
-Ela precisa rever suas prioridades, e nem Lily pode discordar disso –falou Sirius.
-Ela realmente precisa –deu de ombros.
Foi aí que percebeu que ainda estava abraçada a James. Os dois se olharam e coraram, voltando a se afastar, sem graça.
Rony ficou olhando para ela, de boca aberta.
– Não, não nos importamos. Qualquer um pensaria que nós a arrastamos conosco, não é mesmo?
Mas Hermione tinha dado a Harry algo em que pensar quando voltou para a cama. O cachorro estava guardando alguma coisa... Que era que Hagrid tinha dito? Gringotes era o lugar mais seguro do mundo quando se queria esconder alguma coisa – com exceção talvez de Hogwarts.
-Esperto –elogiou Remus.
Parecia que Harry descobrira onde o pacotinho encalombado do cofre setecentos e treze tinha ido parar.
-Acabou o capítulo –falou Sirius –e eu não sei vocês, mas já estou começando a ficar com fome.
-Dá para ler mais um antes de comer –disse Lily, rápido até demais.
-Também acho –disse James.
-Ótimo –resmungou, passando o livro para Frank –então vamos logo com isso.
~ J & L ~
Yaaay, voltei, amores! O que acharam do capítulo? E esse climão do nosso casal, será que vai ser resolvido rapidamente?
Harry apanhador e James mal pode se conter de felicidade. Minha vontade era de colocá-lo em um potinho, quem mais?
Bom, gente, esse é o último capítulo lançado esse ano, então espero que tenham aproveitado!
Passando também para agradecer cada um de vocês que tirou um tempinho da rotina louca que tem para ler as minhas histórias! Sempre fui apaixonada pela escrita, mas eu estava desmotivada há algum tempo e não conseguia desenvolver mais nada. Porém, no meio desse ano, a inspiração voltou, e eu me reconectei novamente com ela.
Obrigada a cada um que leu, votou, comentou, me mandou mensagens incríveis dignasde coração quentinho e me motivou a continuar por esse caminho! Vocês são incríveis, e fizeram do meu 2020, um ano inesquecível! Obrigada, meus amores!
Beijinhos e até ano que vem!
