Olá pessoal, Calborghete aqui, como estão todos? Espero que todos estejam bem.

Pessoal eu fico muito feliz em ver que essa história está agradando vocês, espero poder continuar assim, fico muito feliz mesmo.

Não esqueçam de curtir a página no Facebook, o link direto pode ser encontrado na página do meu perfil na Fanfiction, ou se vocês preferirem pesquise "Calborghete" e localizar uma imagem de Shinji e Asuka. Nesta página eu vou postar atualizações e também será mais fácil de entrarem em contato comigo.

Então agora sem mais enrolação, boa leitura.


"Diálogos"

- Pensamentos -

"Conversa via Rádio"

"Auto conversa."


Nota de Responsabilidade:

Evangelion, seus personagens e cenário são propriedade de Hideaki Anno. Qualquer marca, filmes e séries mencionado nesta Fanfic é propriedade de seus criadores.


(*)


Capítulo 08 - Nós fizemos isso.

"Shinji-Kun." Misato falou chocada, cada palavra saiu como se areia fosse colocada em sua garganta.

Todos na ponte da Wunder ficaram chocados com essa afirmação, eles não estavam esperando que Shinji entrasse em contato.

Gesticulando com os dedos, Ritsuko ordenou que seus tripulantes começassem o procedimento de rastreio, Misato somente observou quando Shigeru começou a digitar em seu teclado, mas sua mente não estava focada nisso.

Mari levantou levemente a cabeça, tendo sua mente parcialmente despertada por saber que era Shinji que estava do outro lado da linha, mas com a possibilidade de Asuka estar morta ainda estava travando a mente da garota que amava rosa.

Rei mantinha sua pose, mantendo o olhar monótono em Misato o tempo todo, mas sua mente se animou ao escutar a voz de Shinji depois de tanto tempo.

"Isso Katsuragi, que bom que se lembra, assim fica mais fácil." Shinji respondeu friamente.

Misato podia sentir alguma coisa na voz de Shinji, no fundo ela gostaria de poder perguntar como ele estava, para ele poder voltar, mas ela gostaria de saber o motivo de sua comunicação repentina.

"Como eu sei que vocês agora estão me rastreando, vou ser breve, Asuka está viva." Shinji começou a falar como se fosse a coisa mais normal do dia, não demonstrando emoção em nada que falava.

Ao escutar isso, todos na sala soltaram um suspiro, sabendo que a Wille estava à procura de uma de suas pilotos de EVA.

Franzindo o cenho para essa informação, Misato sentiu uma pontada de alegria ao escutar essas palavras, mas logo uma pergunta surgiu em sua mente, como ele sabia?

Umedecendo os lábios, Misato logo tomou coragem e fez sua pergunta, mantendo a postura de coronel da melhor forma que conseguia. "Como você sabe dessa informação?"

Um suspiro pode ser escutado do outro lado, Shinji não estava fazendo nem um esforço para ser impedido de ser rastreado, aliás ele se livraria do rádio ao terminar de falar.

Mari levantou a cabeça bruscamente ao escutar que Asuka estava viva, olhando ansiosamente para o rádio nas mãos de Misato, escutando cada palavra que era dita.

"Isso é fácil Katsuragi, não foi fácil." Shinji respondeu, mas logo se sentiu um idiota pela forma que falou, sabendo que sua resposta não iria chegar a lugar nenhum. "Tem que cuidar melhor de seus pilotos coronel, não vou estar sempre por perto para corrigir seus erros."

Sentindo o coração batendo forte em seu peito, Misato logo tratou de limpar a mente o melhor que podia. "Ela está com você?."

"Não mais, ela está indo ao encontro de uma de suas bases." Shinji respondeu com desdém.

Misato franziu o cenho, tendo imaginando milhões de cenários, mas uma pergunta pairou sobre sua cabeça, o motivo de Asuka não estar levando Shinji junto, pensando rapidamente, Misato tentou ganhar tempo. "E porque você está falando isso? Se ela está a caminho de uma das bases de segurança, porque me avisar? Você sabe que seriamos chamados de qualquer forma."

"Porque eu quero te avisar para cuidar melhor de sua gente! Dá próxima vez que você não cuidar de seus pilotos, não vou ter a bondade de resgatar para você!" Shinji rebateu irritado.

Misato estremeceu com a intensidade de sua voz, se lembrando claramente das palavras de Kaji sobre Shinji ter mudado, tremendo internamente com a forma que ele falava. Tendo a mente inundada com imagens dos tempos em seu apartamento, Misato abaixou o olhar, não conseguindo acreditar no seu tom de voz.

- O que aconteceu com você? – Misato pensou abatida ao saber que isso era fruto de seu erro.

"Ela está bem?" Misato perguntou começando a mostrar sua ansiedade, todos na sala estavam esperando pela resposta de Shinji com expectativa, principalmente Mari, que estava quase indo falar com Shinji, o suspense a estava consumindo por dentro, ela estava desesperada por informações

"Sim, eu a resgatei bem a tempo, cuidei de seus ferimentos o melhor que podia." Shinji respondeu abatido, se lembrando claramente da difícil tarefa de resgatar Asuka, de como seu corpo estava frágil e delicado, seu belo rosto machucado.

Dando um suspiro, Misato queria chorar ao saber que sua antiga protegida estava viva, mas ela estava falando com Shinji agora, ela tinha a oportunidade de poder convencê-lo a parar sua jornada autodestrutiva.

"E você?" Misato perguntou para surpresa de todos que julgava que os computadores ainda não tinham sua localização, mas Misato não estava pensando nisso, ela só queria poder trazer Shinji de volta.

Shinji deu um suspiro desconfortável, falar com Misato novamente estava fazendo sua mente se esforçar muito para não surtar. "Eu o que?"

"Onde você está?" Misato perguntou ansiosa.

Shinji franziu o cenho ao olhar para o rádio na palma da mão, já estando a caminho da Itália para recuperar sua Unidade 01, mas sua mente estava gritando pelo motivo de Misato estar perguntando sobre ele, logo sua resposta fora gerada.

"Eles não estão preocupados com você, você ainda é um monstro." Sua mente falou ao mostrar um possível cenário para Shinji, sabendo que provavelmente era verdade, logo o garoto queria poder dizer onde estava, finalmente poder voltar para ao lado de Misato e Asuka, mas ele sabia a realidade, sabia que isso nunca mais aconteceria.

Sentindo a raiva começar a brotar dentro do corpo, Shinji respirou fundo algumas vezes para se acalmar, ele sabia que Misato ainda estaria esperando por respostas, inspirando e suspirando para manter a voz sobre controle, logo ele falou com a boca seca ao se lembrar que muito provavelmente ele estava sendo rastreado.

"Isso não é da sua conta." Shinji respondeu com uma mistura de tristeza e aborrecimento.

Misato sentiu um aperto no peito ao escutar essa última frase de Shinji, mas logo ela viu Hyuga gesticulando com as mãos, vendo que ele estava dizendo algo, lendo seus movimentos, Misato percebeu que ele falava "Mais dois minutos."

Não ligando muito para o motivo de estarem pedindo para ela enrolar a conversa, mas sim pelo seu real interesse por saber onde Shinji estava, querendo capturá-lo para finalmente eles poderem ter uma conversa real, rebatendo imagens de como fora seu encontro com Shinji.

Ignorando sua mente, Misato logo tratou de rebater, mantendo a postura a todo o momento.

"É sim da minha conta, preciso saber para buscar minha piloto." Misato falou ansiosa ao saber que seu tempo estava acabando, ela podia imaginar como Shinji estava neste momento, sabendo que ele não estava com interesse de falar com ela, mas sim de somente revelar que havia resgatado Asuka.

"Meu Deus, como vocês ainda estão vivos?" Shinji rosnou pelo rádio, sabendo que Asuka já deveria estar na base da Wille uma hora dessas, novamente sua preocupação com sua segurança estava em sua mente, será que algo aconteceu com ela no trajeto?

Misato afastou levemente o rádio da boca, franzindo o cenho para a forma que Shinji estava falando, ainda se acostumando com a forma do novo Shinji estar falando com ela.

Todos estavam escutando tudo atentamente, vendo os status de rastreio em seu painel, Hyuga estava sentindo a pressão, mesmo não estando em batalha, mas ele podia sentir a pressão do momento, mas um pensamento estava na cabeça de todos e essa era a pergunta. Porque Shinji estava ajudando a Wille?

"Shinji, me escuta com atenção." Misato começou a falar, sabendo que muito provavelmente ele não confiava nela, isso a deixou abatida, mas sabia que isso era muito provável. "Onde você está?"

Uma risada pode ser escutada do outro lado do rádio, todos na sala olharam confusos, essa risada falsa penetrou a mente de todos, todos podiam sentir que ele tinha forçado ao máximo que podia.

"A essa altura você já sabe." Shinji rebateu mantendo o sorriso falso, mas ele já sabia que tinha tomado muito tempo, sabendo que essa não era uma conversa casual, com um suspiro abatido ao encarar o chão, Shinji respondeu. "Onde eu estou não importa, o que eu queria falar foi falado."

Misato arregalou seus olhos por trás de seus óculos, sabendo que a conversa muito provavelmente tinha acabado. "Shinji espera, vamos conversar!."

Todos viram a mudança de postura de Misato, suas pessoas mais próximas sabiam que ela estava tentando trazer Shinji de volta novamente em sua vida.

"Escuta Katsuragi, ela está na base de Arles, cuida melhor de sua piloto." Shinji falou sombriamente ao largar o rádio no chão, vendo o objeto afundar suavemente na terra vermelha aos seus pés, o mesmo voltou seu caminho para a Itália.

Misato somente observou a linha ficar muda, olhando com olhos chocados o rádio somente transmitir ruído, logo sua mente se abateu com a frieza em sua voz, sabendo que muito provavelmente o Shinji que ela conhecia estava morto.

"Shinji-Kun." Misato sussurrou abatida.

"Temos a localização!" Shigeru falou ao se virar e falar com expectativa, mas tudo que ele recebeu foi ver a postura de Misato endurecer, engolindo a seco ao ver ela ficar sombria.

Logo todos na sala estavam olhando para Misato que ainda segurava o rádio em suas mãos, as únicas que não estavam interessadas na perseguição de Shinji eram duas pessoas.

Mari estava visivelmente revigorada, sabendo que sua irmã estava viva e a caminho de uma das bases da Wille tinha lhe dado sua energia vital de volta, Rei estava feliz por voltar a escutar a voz de Shinji, mas no fundo ela ficou abatida ao saber que ele muito provavelmente não era aquela pessoa doce e de coração puro que havia conhecido no passado, isso a deixou triste.

"Então vamos atrás dele." Midori falou com um sorriso ao ter a localização de Shinji, mas logo ela percebeu o olhar feroz de Hyuga nela, como de Koji as suas costas.

Ritsuko caminhou alguns passos em direção de Misato que estava rigidamente, em suas mãos estava o aparelho de comunicação, vendo que Misato estava apertando o material com muita força que podia escutar o estalar de pressão.

"Misato!" Ritsuko falou ao colocar uma mão em seu ombro, vendo que sua amiga saiu de seu transe e a encarou fortemente, Ritsuko podia ver que falar com Shinji a tinha afetado.

Com um suspiro pesado, Misato se virou e falou para sua tripulação que a olhava atentamente. "Marquem rota para Arles."

Tendo atendido o pedido sem reclamar devido ao tom sombrio de Misato, todos começaram a trabalhar na ordem dada, menos uma garota de cabelos rosa que ficou parada com um olhar chocado no rosto, Mari alargou seu sorriso ao saber que eles estavam indo buscar Asuka.

"Mas senhora, temos que ir atrás do terrorista." Midori falou chocada, sua mente acreditava que recuperar Shinji era mais importante do que recuperar Asuka, todos pararam seus trabalhos ao ver a besteira que Midori tinha feito.

Hyuga somente balançou a cabeça com olhos arregalados, sabendo que Midori tinha começado a cavar sua própria cova, trocando um olhar rápido com Shigeru que estava ao seu lado.

Koji somente balançou a cabeça para a ingenuidade de Midori, sabendo que momentos como esses todos deveriam acatar e calar a boca.

"Esses jovens de hoje." Sussurrou Koji ao voltar ao seu trabalho, ele sabia que a gritaria começaria logo.

Misato estava se virando para Ritsuko, ela estava pronta para pedir um canal de comunicação com a base de Arles, já tendo a mente muito ocupada com a pequena conversa que havia falado com Shinji a poucos minutos atrás.

Se virando lentamente para Midori, Misato a encarou com um olhar frio e feroz, se lembrando das palavras que a mesma havia dito antes na missão de recuperação de peças na França.

"Recuperar a piloto é mais importante." Misato falou com sua postura fria e rígida, não estando com cabeça e paciência para lidar com Midori, sua mente queria falar com a base de Arles para saber o motivo deles ainda não terem sido contatados sobre a possível recuperação de Asuka.

"Então é assim? Vamos deixar ele vagando por ai?!" Midori perdeu a paciência e elevou a voz para Misato que ainda estava olhando para ela.

Koji parou o seu trabalho ao escutar sua colega elevar a voz, sabendo que isso estava caminhando para terreno perigoso. "Midori, se acalma."

"Calma nada velho!" Midori falou ao sentir o sangue ferver, querendo recuperar Shinji para que ele possa pagar por seus crimes, mas ela ainda era jovem e impulsiva.

"Tenente Kitakami." Ritsuko a chamou, vendo a jovem perder a paciência, a falsa loira sabia que Misato estava prestes a explodir, principalmente quando o assunto era Shinji.

Midori olhou de volta para Ritsuko que estava parada ao lado de Misato, ela observou quando Misato fechou os punhos de sua mão. "Tenente, respeite a ordem de sua superior." Concluiu Ritsuko ao ver que Misato já estava no seu limite.

"Respeitar? Eu estou na Wille para proteger o mundo!" Midori gritou de seu lugar, ainda não acreditando que eles não iriam atrás de Shinji.

Mari estava sentindo o sangue ferver por ver que Midori estava querendo largar Asuka numa base na França, querendo arrancar a cabeça da jovem Tenente, mas logo ela sentiu uma mão em seu braço a impedindo, essa mão era de Rei, olhando para a garota de cabelos azuis com dúvida.

Rei não sabe o motivo de ter impedido Mari de entrar na discussão, mas algo em sua mente a tinha mandado fazer isso. "A coronel vai resolver."

Mari somente encarou os intensos olhos de Rei, sabendo que Misato estava prestes a explodir com as palavras de Midori, esse pensamento a tinha acalmado o suficiente para esperar por mais tempo.

"Deveríamos ter matado ele quando tínhamos a chance! Você está com pena do assassino!." Midori gritou ao apontar o dedo, mas logo seus olhos se arregalaram ao se tocar da besteira que tinha feito, olhando para Misato com olhos arregalados, ela só podia esperar pela bomba.

Ainda escutando as palavras de Midori, Misato já estava em seu limite, ela não iria deixar uma garota como Midori lhe dizer o que fazer com sua nave, respirando fundo, Misato falou.

"Escuta uma coisa ... Tenente!" Misato falou fortemente ao enfatizar a última parte, todos na sala ficaram em silêncio sabendo que a pessoa que abrisse a boca era uma pessoa morta neste momento.

"Quando eu quiser sua opinião eu peço!" Misato falou fortemente ao encarar a postura de Midori começar a tremer, mas ela ainda estava com raiva de tudo que fora dito, a pressão em seus ombros estava forte neste momento. "O que vamos fazer ou não com o prisioneiro quando o capturarmos não é de sua responsabilidade!"

Midori fechou os olhos, sentindo as palavras de Misato a atingido com força, ela sabia que novamente tinha passado dos limites, só podendo esperar pelas consequências de seus atos.

Misato observava Midori com olhos famintos, como um leão observando sua presa, sabendo que essa insubordinação não poderia ficar impune, ela tinha que mostrar sua autoridade, e não seria Midori que iria desafia-la. "Segurança!."

Caminhando cautelosamente e parando ao lado de Mari e Rei, ambos tremiam com a intensidade de Misato. "Senhora."

Ritsuko percebendo quais eram as intenções de Misato, só podia esperar que ela pegasse um pouco leve com a jovem tenente.

"Levem a Tenente Kitakami para a detenção!" Misato observou quando os homens assentiram, indo formalmente para o local de trabalho de Midori que estava em choque no lugar.

Vendo os homens se aproximando, Midori queria chorar, sabendo que tinha cavado a própria cova ao acusar Misato, finalmente entendendo o motivo de seus colegas a alertando sobre o cuidado com as palavras.

Segurando um dos braços de Midori, logo o segurança estava conduzindo-a para fora quando escutou Misato falando novamente. "Você vai ficar na detenção por quarenta e oito horas!" Misato falou fortemente ao encarar Midori que estava olhando para baixo.

"Espero que aprenda seu lugar!" Misato falou friamente ao gesticular para os homens levarem a garota para fora, se virando para seus homens que estavam em silêncio. "Vamos para Arles!"

Recebendo a confirmação que queria, Misato logo percebeu Mari a encarando com um olhar de expectativa, sabendo que ela queria informação sobre Asuka, assim como ela mesma, respirando fundo para se acalmar o suficiente.

"Hyuga!" Misato chamou, ainda mantendo a postura firme.

Hyuga sentiu o sangue gelar, torcendo para que ele não tomasse a culpa por nada que Midori tinha feito. "Se ... Senhora."

Vendo seu subordinado a encarando com insegurança, Misato ordenou. "Me abra um canal com a base de Arles!."

"Sim senhora." Hyuga falou ao se sentar e começar a trabalhar na nova ordem de Misato.

Com os braços cruzados, Misato esperava atentamente pelo canal de rádio.

"Pronto." Hyuga falou ao se virar e olhar Misato pegar o rádio.

"Posto de Arles na escuta?" Misato falou profissionalmente ao perguntar no rádio.

"Aqui é o posto Arles." Uma voz masculina e com sotaque francês respondeu.

"Aqui é a coronel Misato Katsuragi, comandante da Wunder." Misato começou a falar, ainda agitada por todo o episódio com Shinji e Midori.

"O que posso fazer senhora?" O homem por trás do rádio respondeu, sua voz podia transmitir a ansiedade que sentia, pois uma de suas pilotos tinha entrado a poucas horas na base.

"Tenho informações que a capitã Asuka Shikinami está ai, isso procede?" Misato perguntou fortemente, sua voz mostrava que não havia espaço para respostas bobas.

"Sim ... A capitã Shikinami está no centro médico agora, ela deu entrada a poucas horas." Quando o homem respondeu, Mari jogou os braços ao ar em comemoração, sentindo um peso sumir dos ombros.

Mas Misato estava feliz por saber que Shinji tinha resgatado Asuka, mas saber que a base de Arles não havia informado sobre isso era um outro caso. "Posso saber o motivo de não ter sido informada!?"

Todos estavam com pena do jovem soldado da Wille que estava do outro lado da linha, mas todos guardaram para si suas opiniões, não querendo ter o mesmo destino de Midori e acabar falando a coisa errada, mas uma coisa ficou na mente dos tripulantes da ponte, principalmente dos mais jovens. O porquê de Shinji ter ajudado a Wille?, muitos começaram a duvidar do caráter de Shinji e das informações sobre o terceiro impacto.


Dois dias já haviam passado desde o contato com Shinji, Asuka estava sentada olhando para fora do VTOL de transporte que estava levando ela de volta para a Wunder.

Observando a escolta protegendo seu envio, Asuka estava com uma mistura de sentimentos, não sabendo qual das reações era a verdadeira, ela estava irritada, aborrecida, triste ou deprimida.

Se lembrando dos acontecimentos dos últimos dias e das milhares de perguntas médicas a respeito de sua saúde, mas nada disso importava para ela agora, somente uma coisa estava na cabeça da ruiva orgulhosa, o olhar de Shinji, como seus olhos não tinham vida.

Removendo sua atenção da janela, Asuka pegou sua mochila, ao abri-la a ruiva pegou um objeto, um que prontamente era importante para seu antigo dono.

Removendo o objeto de metal prateado, Asuka observou quando removeu a Beretta 9mm de Shinji, olhando para cada detalhe de sua estrutura, imaginando cada situação que ela livrou Shinji e como essa arma provavelmente estava sempre ao lado dele.

"Isso não é da sua conta." A voz de Shinji ecoou pela mente de Asuka.

Fechando os olhos para tentar conter a onda de lembranças que estava vindo, Asuka tentou com todas as forças controlar sua mente.

"Pode me matar, eu não me importo." Asuka sacudiu a cabeça levemente ao se lembrar do momento da sua última esperança de convencer Shinji a ir com ela, mas logo ela se lembrou da frieza de seus olhos.

"Pois vocês não se importam, nunca se importaram e nunca vão se importar." A voz fria de Shinji novamente ecoou pela mente de Asuka.

"Isso não é verdade ... Shinji." Asuka falou ao apertar o espaço entre os olhos, não que ela estivesse cansada ou nada, mas a ruiva estava numa tentativa de controlar suas emoções.

Soltando um suspiro cansado, Asuka levantou a cabeça com um leve som vindo da cabine de comando, mas ela não se importou em escutar.

"Capitã Shikinami, estamos a cinco minutos da Wunder." O piloto gritou novamente, ele pode ver que Asuka não tinha escutado, falando um pouco mais alto desta vez.

"Certo." Asuka respondeu com desdém, olhando novamente para fora, a ruiva pode ver quando as asas da Wunder surgiram, sabendo que Misato e Mari estariam a sua espera, logo mais lembranças de sua conversa com Shinji vieram em sua mente, principalmente o ponto onde ele falou que a invejava.

"Você tem uma família, eu não tenho nada"

Com um pequeno sorriso no rosto, Asuka sabia que mesmo depois de todas as suas birras e escândalos, no fundo Shinji estava certo, ela tinha uma família, mesmo que isso seria difícil de assumir.

Olhando para o assento vazio em sua frente, Asuka desejou ter mais uma pessoa sentada ali, mas sabia que isso era uma coisa que beirava o impossível.

Sentindo uma sacudida, Asuka foi tirada de seus pensamentos ao ver que o VTOL iniciava as manobras de aproximação, vendo a Wunder pela janela, Asuka se preparou para o show de abraços que Mari provavelmente estava esperando para lhe dar, assentindo levemente com a cabeça e com um sorriso tímido no rosto.

Sentindo o corpo começando a ficar ansioso, Asuka olhou para as mãos e conseguiu perceber que elas estavam tremendo levemente, flexionando as mãos devagar para se controlar, Asuka percebeu que o VTOL já tinha tocado o chão do compartimento da Wunder.

"Pronto capitã." O piloto sinalizou ao desligar os barulhentos motores do pássaro.

Soltando seus cintos e se levantando, Asuka escutou o som das portas se abrindo, com uma respirada final, a ruiva pegou sua pequena mochila e se levantou, caminhando lentamente para a porta lateral que lhe devolveria para sua casa nestes últimos quatorze anos.

Parando a poucos centímetros de sair, Asuka fechou os olhos e respirou fundo, sabendo que tinha falhando em conseguir trazer com ela Shinji, Asuka ainda tinha uma missão, ela tinha que proteger o mundo contra a NERV.

Abrindo os olhos, Asuka tinha uma sensação em seu peito, uma que ela não sabia como, mas de uma forma ou de outra, aquela não seria a última vez que veria Shinji, ela somente estava rezando mentalmente que seu próximo encontro não fosse violento.

Asuka desceu os degraus do VTOL lentamente, com dores no corpo pelo seu cativeiro, a ruiva logo tratou de virar a cabeça para o lado, mas antes que seu cérebro pudesse processar qualquer informação, a última coisa que ela conseguiu ver foi um borrão vindo em sua direção, e ele era da cor de rosa.

Sentindo um par de braços envolvendo sua cintura, Asuka soltou um pequeno grito abafado, pois a pessoa que a segurou estava lhe apertando com muita força, mas logo Asuka percebeu as duas tranças que essa pessoa usava, somado ao perfume, Asuka identificou a pessoa que a esmagava e chorava em seu ombro.

"Oi ... Ma ... Mari." Asuka conseguiu sussurrar ao tentar se soltar do abraço de urso que Mari estava lhe dando, sentindo suas costelas gritando com a força do aperto, mas algo dentro de Asuka não queria que parasse, realmente era bom ter pessoas que se importavam com você, logo sua mente caíra em Shinji e suas palavras, como será que deve ser achar que está realmente sozinho?

"Não me assuste mais assim! Entendeu!?" Mari falou ao soltar Asuka, olhando para a irmã com o rosto manchado de lagrimas.

Asuka pode finalmente dar uma boa olhada em Mari, vendo como o seu desaparecimento deve ter afetado sua irmã, mas isso era conversa para outra hora, mas ver Mari realmente feliz por sua volta foi bom. "Você achou que eles iriam conseguir derrotar a grande Asuka Shikinami?"

Vendo Mari dar um sorriso aliviado no rosto, Asuka não pode deixar de pensar nas próprias palavras, sabendo que ela provavelmente estaria morta se não fosse por Shinji.

"Então? Como estão as coisas por aqui?" Asuka perguntou ao caminhar para um grupo de pessoas que estavam a sua espera, travando seus olhos em Misato que estava mantendo sua pose habitual, mas havia algo de diferente em sua postura.

- O que deu nela? – Asuka pensou ao analisar a postura de Misato, vendo que ela estava dividida entre aliviada e tensa.

"Tem muita coisa que eu quero te contar princesa." Mari falou com um sorriso ao andar ao lado de Asuka.

"Olá Coronel..." Asuka parou ao cumprimentar Misato, mas sua fala foi cortada ao sentir Misato lhe dando um abraço apertado, Asuka franziu o cenho ao tentar se lembrar da última vez que Misato havia lhe abraçado, mas devolveu mesmo assim.

Ao quebrar o abraço e se afastar de Asuka, Misato deu um suspiro e voltou a encara-la nos olhos, retomando a sua postura de forma parcial. "Asuka, você nos deu um belo susto."

Asuka ainda estava sem jeito com toda a atenção que estava recebendo, mas deixou seu ego ser massageado. "Susto? Foi só um passeio no parque."

Misato deu uma pequena risada ao cruzar os braços sobre o peito, já sabendo que Asuka era uma pessoa difícil de admitir que estava prestes a morrer, mas algo no fundo de sua mente estava gritando para leva-la para seu escritório, já sabendo que fora Shinji que a resgatou, sua mente gritava por informação dele.

"Mas serio agora Asuka." Misato falou ao ficar com a postura tensa, Asuka somente pode pensar no pior agora. "É bom ter você de volta."

Com um sorriso simples, mas sincero, Asuka somente agradeceu pelo apoio que recebia de todos, mas essa felicidade durava pouco, pois para cada sorriso de alivio que recebia de todos, mais sua mente se lembrava de Shinji e suas palavras, sabendo que esse encontro estaria sendo bem diferente se ela tivesse conseguido convencer Shinji a parar com sua jornada.

Vendo como as coisas com certeza teriam sido se Shinji estivesse com ela agora, provavelmente ele teria armas apontadas para ele, olhares de puro ódio pelas pessoas em volta, novamente uma gargantilha em volta de seu pescoço.

Misato percebeu o olhar de Asuka ficar abatido, já provavelmente sabendo qual era a linha de pensamento que a piloto em sua frente estava tendo, abaixando o olhar ao imaginar como seria se Shinji estivesse de volta.

Mas logo os olhos de Asuka travaram em uma pessoa que entrara acompanhado de Ritsuko no hangar, sentindo o sangue ferver ao ver os olhos vermelhos de Rei travarem nos seus.

Se lembrando das palavras de Shinji a chamando de boneca, defendendo o clone a sua frente, vendo a incrível semelhança que ambos agora tinham, Misato somente encarou o clima tenso que surgiu ao ver Asuka encarar Rei.

"Suzuhara!" A voz de Ritsuko ecoou pelo hangar, quebrando a linha de pensamento de todos.

"Senhora?." Sakura surgiu ao lado de Ritsuko.

"Leve Asuka para a enfermaria, quero um checkup completo." Ritsuko falou profissionalmente, como se nada fora do comum estivesse acontecendo.

"O que?!" Asuka gritou, tendo a ideia de ser submetida novamente a uma bagatela de exames inúteis sobre sua saúde.

"Princesa!" Mari falou ao sentir pena de seus ouvidos com o grito repentino de Asuka.

"Mas porquê?" Asuka perguntou aborrecida.

"Porque é necessário." Ritsuko rebateu com desdém, sem se importar com o olhar de Asuka nos olhos enquanto analisava relatórios que recebia em seu tablet sobre o funcionamento da Wunder.

"Uma ova!." Asuka rosnou ao travar seus olhos novamente em Rei, novamente se lembrando da discussão que havia tido com Shinji, tendo Rei a principal causa.

"Asuka." Misato falou, quebrando a linha de raciocínio de Asuka.

Olhando para o antigo guardião com choque no rosto, Asuka queria que Misato entendesse seu ponto nessa altura, Asuka só queria ir para seu quarto, tomar um banho e desmaiar na cama, mas ao encarar o olhar que Misato estava lhe dando, percebeu que isso não era uma negociação.

"Merda." Asuka rosnou ao saber que não tinha com o escapar.

Andando com passos pesados, Asuka passou por Misato e falou fortemente ao passar por Rei. "Boneca maldita."

Rei não se deu o trabalho de virar a cabeça, somente retrucando com sua voz de monótona e delicada. "Eu não sou uma boneca."

Asuka parou seus passos e se virou pronto para dar uma resposta padrão Asuka, mas logo ela sentiu as mãos de Mari virando seus ombros e forçando seu caminho de volta.

"Vamos princesa, seu médico à espera." Mari falou ao forçar Asuka de volta ao caminho da enfermaria. "Aposto que nossa médica favorita pode acelerar as coisas, não é Sakura?"

Sakura estava olhando para seu tablet, já começando os pedidos de exames que Asuka iria fazer, mas ela conseguiu escutar a pergunta de Mari, levantando a cabeça e falando com um sorriso no rosto. "Sim, quanto mais você colaborar melhor."

Com um bufo indignado, Asuka caminhou pelos corredores, mas Mari estava ao seu lado com um sorriso brincalhão no rosto, já estando de volta ao seu estado normal com a volta de Asuka.

"Então princesa." Mari começou a falar, já sabendo que ela passou um tempo com Shinji, toda a Wunder só falava de uma coisa, um boato forte circulou pelos corredores dizendo que Shinji tinha resgatado Asuka, mas ela e o pessoal da ponte sabia que era verdade.

"Então o que quatro olhos?" Asuka rebateu aborrecida, tendo sua mente repetindo a discussão com Shinji sobre Rei.

Alargando seu sorriso, Mari trocou um sorriso rápido com Sakura que já tinha entendido sua estratégia. "Nada, só pensando nas coisas que você fez com o filhote."

Asuka congelou no lugar, virando seus calcanhares e encarando Mari com olhos chocados, ainda sem saber que Shinji havia entrado em contato com Misato sobre ela, mas a implicação da frase dita por Mari levava.

"O que?!" Asuka gritou enquanto corava.

"Então?" Mari perguntou com seu melhor sorriso.

Sakura estava escondendo seu sorriso atrás de seu tablet, tentando ao máximo se manter anônima nesta batalha verbal que com certeza viria.

"Então o que?" Asuka perguntou corada, ainda tendo imagens do que Mari havia sugerido segundos atrás.

"Como você é densa." Mari rebateu com falso aborrecimento. "Eu quero saber se o filhote tem um dos grandes."

"Mari!" Asuka gritou ao corar furiosamente, mas seu grito não impediu de trazer a imagem de Shinji nu aparecer em sua mente.

"O que?" Mari perguntou como se não fosse nada demais querer saber uma informação como essa. "Até Sakura quer saber."

Asuka ainda estava chocada com essa frase de Mari, olhando para a irmã congelada no lugar, somente escutando o grito abafado de Sakura ao lado de Mari.

Corando fortemente ao imaginar Shinji nu com o uniforme da Wille nos ombros em uma posse sensual, Sakura sacudiu a cabeça para voltar a realidade. "Mari!"

Alargando seu sorriso o melhor que podia, Mari estava satisfeita por poder voltar ao seu normal, olhando para Asuka e Sakura corarem mais que um tomate maduro.

"Bem." Mari falou ao juntar sua mão. "Isso prova que você estão pensando no assunto."

"Vai se foder quatro olhos." Asuka falou ao se virar e continuar seu caminho para a enfermaria, mas Shinji não saia de sua cabeça, não da forma como Mari sugeriu, mas sim de seu estado, se lembrando de todas as marcas e cicatrizes que marcavam seu corpo.

"Mas agora sério." Mari falou ao correr e voltar a ficar do lado de Asuka. "Como foi estar com ele?."

Asuka deu um suspiro, mas logo ela se lembrou de nunca ter contado sobre Shinji antes. "Como você sabe?"

Mari a encarou incrédula, mas respondeu a sua pergunta. "A tripulação só fala disso."

"Fala do que?" Asuka perguntou confusa.

"É verdade?" Sakura perguntou igualmente curiosa.

Isso só serviu para irritar ainda mais Asuka. "Mais que porra! O que!?"

Com uma longa suspirada, Mari se preparou, mas juntou seu folego. "A uns dias atrás, A Wunder recebeu uma chamada pelo rádio querendo falar com Misato."

Asuka somente assentia com a cabeça, mas ainda não estava entendendo, Mari vendo que tinha atenção de Asuka e Sakura.

"Eu estava lá então tudo que eu falo agora é verdade." Mari falou ao se lembrar das reações de Misato e de todos. "Era o filhote no rádio."

Asuka arregalou os olhos, não sabendo como deveria reagir, mas sua mente ficou num turbilhão de pensamentos e sentimentos. "Mas porquê?"

"Ele ligou para falar que tinha te resgatado." Mari falou sorrindo.

Asuka arregalou mais seus olhos, junto com Sakura por saber de primeira mão o assunto que tinha corrido na ponte da Wunder, com um sentimento em seu peito que ela não sabia como identificar.

"Então?" Sakura perguntou agitada querendo a resposta.

Com um suspiro abatido, Asuka respondeu. "Sim, ele me salvou."

"Meu Deus!" Sakura e Mari gritam em uníssono, fazendo com que suas vozes ecoassem pelos corredores.

"Meu Deus." Asuka falou ao coçar a testa, ela não gostava da ideia de ter sido a garota indefesa sendo salva por um cavaleiro branco, sabendo o que ela nunca gostava de ser vista como dependente.

"Então é verdade." Sakura falou ao sorrir, tendo a confirmação que seu salvador de infância tinha salvado Asuka das mãos dos simpatizantes, que ele não era o monstro que todos diziam.

"Então só se fala nisso?" Asuka perguntou cansada ao se virar e voltar a caminhar.

"Sim, a tripulação está confusa." Mari falou ao se acalmar o suficiente para voltar a conversar, ao receber um olhar de Asuka, a morena resolveu responder. "Eles estão pensando no motivo dele ter ajudado a Wille."

Vendo Asuka ficar abatida, isso era algo que até ela gostaria de saber, e a próxima pergunta de Sakura a tirou de seus pensamentos.

"Shikinami? Como ele está?" Sakura perguntou preocupada.

Logo imagens do olhar de Shinji, sua postura fria, as marcas em seu corpo e sua tosse forte vieram em sua mente.

Vendo como a mudança de postura de Asuka mudou, Mari já podia imaginar que a resposta não era boa.

"Ele ... Ele não está bem." Asuka respondeu abatida.

"Como assim?" Sakura perguntou preocupada, tendo o momento passado facilmente, agora ela estava coberta de preocupações.

"Ele está debilitado ... Fisicamente e Psicologicamente." Asuka respondeu ao sentir um calafrio percorrer seu corpo ao se lembrar do momento com Shinji.

"Muito mal?" Mari perguntou seriamente, já sabendo que esse não era o momento de fazer piadas.

"Seu corpo está coberto de cicatrizes, sendo que muitos de seus ferimentos ele mesmo costurou." Asuka falou ao limpar a imagem dos pontos no rosto de Shinji.

"Meu Deus." Sakura falou chocada ao imaginar a cena em sua cabeça, sendo médica, ela sabia como deve ter sido dolorido para ele ter feito esses procedimentos em si mesmo.

O mesmo acontecia com Mari que abaixou o olhar para chão.

"Porque ele não procurou ajuda?" Mari perguntou abatida ao imaginar Shinji assim.

"Eu fiz essa pergunta." Asuka falou sombriamente ao se lembrar do momento, se lembrando claramente de Shinji falando que não era problema dela. "Ele falou que não era problema meu."

Sakura arregalou suavemente seus olhos, sabendo que era difícil imaginar Shinji agindo assim.

"Ele falou que não poderia procurar um hospital para não ter que voltar para o inferno que era a prisão." Asuka falou ainda mantendo o tom sombrio.

"Inferno?" Sakura perguntou curiosa, Mari já podia imaginar o motivo, mas resolveu esperar por Asuka.

"Ele falou que ... " Asuka começou a falar, mas as palavras morreram em sua garganta, se lembrando claramente de Shinji mencionar que muitas vezes tentaram matar ele na prisão. "Falou que muitas vezes tentaram matar ele na prisão."

"Meu Deus." Sakura levou a mão aos lábios, sendo fielmente contra Shinji ter sido preso, acreditando firmemente na sua inocência.

Mari somente abaixou a cabeça, sabendo que isso era uma realidade, tendo Shinji sido abandonado na prisão envolta de criminosos reais, as coisas não devem ter sido fáceis para Shinji pensou Mari.

"Vamos logo com isso, Misato vai querer falar comigo mais tarde." Asuka falou sombriamente ao puxar as duas para a enfermaria, sabendo que sua antiga guardiã iria querer essas informações sobre Shinji.

Sentada em uma maca, Asuka observava quando Sakura removia amostras de sangue, ela não percebeu quando Mari parou ao seu lado e colocou uma mão em seu ombro, saindo de seu mundo.

"Vamos trazer ele de volta." Mari falou confiante, mas no fundo ela podia sentir que o tempo estava acabando para Shinji, se ela queria fazer a coisa certa, eles teriam que fazer rápido.

- Tomara. – Asuka pensou ao fechar os olhos, somente com as duras palavras pesadas de Shinji ecoando em sua mente.


Escritório de Misato – Wunder.

Lendo a infinidade de relatórios que estavam em sua mesa, Misato estava fazendo o possível para se manter profissional diante de tudo, sabendo que os boatos que circulavam dentro da Wunder estavam deixando a tripulação agitada.

Mas isso não era o que incomodava Misato, a volta de Asuka tinha melhorado as coisas em sua cabeça, mas saber que Shinji havia cooperado despertou um novo sentimento em seu coração, o sentimento de esperança. Porque Shinji não tinha obrigação nenhuma de fazer o que fez.

Abaixando uma folha de papel e olhando para a parede de seu escritório, Misato deu um suspiro cansado, todos esses anos de guerra consumiram muito de seu corpo e espirito.

Enterrando a cabeça em suas mãos, Misato fechou os olhos e deu longas suspiradas, ainda esperando por Asuka para lhe dar qualquer informação sobre Shinji. Sua mente ansiava por informações, sua consciência gritava para que ela pudesse conversar com Shinji mais uma vez.

BATIDA NA PORTA.

Se ajustando o melhor que poderia, Misato voltou a olhar os documentos na mesa, mas sua mente não estava nas longas linhas de relatórios.

"Entre." Misato falou profissionalmente.

Abrindo a porta lentamente, Asuka deu uma olhada no interior, somente vendo Misato sentada em sua mesa com um olhar sério no rosto, entrando e fechando a porta, a ruiva caminhou até estar de frente para a mesa de Misato.

"Mandou me chamar?" Asuka perguntou com a voz neutra, ela não queria estar lá, pois depois da infinidade de exames médicos que fora submetida, a única coisa que ela queria agora era dormir, ou tentar pelo menos.

Abaixando as folhas e dando uma longa suspirada, Misato levantou a cabeça e travou seus olhos nos de Asuka, assentindo levemente para a pergunta feita a poucos segundos, sinalizando com as mãos para que ela se sentasse.

Puxando a cadeira e se sentando suavemente, Asuka somente encarou a sua antiga guardiã e esperou, não estando com paciência para conversar.

Um silencio desconfortável surgiu na pequena sala, Misato suspirou novamente e começou a falar. "É bom ter você de volta."

Asuka manteve a postura externa fria, mas gostou de escutar isso. "É realmente é." Mas logo sua mente levou de volta para Shinji, olhando para a cadeira ao seu lado vazia, a ruiva gostaria que uma certa pessoa estivesse agora sentada ali junto com ela.

Misato percebeu esse pequeno movimento de olhos, sendo muito boa em ler as pessoas, olhando para a cadeira ao lado e tendo o mesmo desejo que Asuka. "Como foi?"

"Como foi o que?" Asuka perguntou com ligeira confusão.

Misato revirou os olhos mentalmente, mas sabia que Asuka era uma pessoa difícil, mas logo seus olhos percorreram as marcas de contato no rosto de Asuka, já presumindo que deve ter mais pelo seu corpo. "O que fizeram com você?"

Asuka abaixou o olhar ao se lembrar das surras que levou enquanto estava prisioneira, com um suspiro abatido a ruiva olhou para baixo. "Não foi fácil."

Misato percebeu a mudança de postura de Asuka, realmente não deve ter sido fácil aguentar. "Como você está?"

Asuka levantou a cabeça e respondeu profissionalmente. "Bem."

Misato sabia que Asuka nunca iria revelar como realmente se sentia, mas antes de pensar em fazer outras perguntas, Misato parou ao escutar novamente a voz de Asuka.

"Depois de vários dias eu pensei que nunca mais sairia de lá." Asuka falou abatida, Misato somente observava a mulher na sua frente. "Muitas vezes me deixaram sem nada, nem água ou comida, só largada."

"Mas agora acabou." Misato respondeu com uma sombra de um sorriso no seu rosto.

"Sim ... Graças a ele." Asuka respondeu ao se lembrar um pouco de Shinji resgatando-a.

Misato arregalou levemente os olhos com essa última frase, mas resolveu esperar. "Como foi?"

Suspirando ao se lembrar, a mente de Asuka estava um pouco nublada, mas conseguia se lembrar o suficiente. "Eu sempre que estava na minha cama, com dor no corpo inteiro. Comecei a escutar disparos e gritos."

Misato somente escutava tudo, tentando imaginar a cena em sua mente.

"Logo o líder abriu a porta e entrou." Asuka fechou os olhos ao se lembrar dos momentos que pedia por ajuda ou alguém. "Ele queria que eu fosse com ele, mas você me conhece, eu mandei ele tomar no cú." Mentindo sobre a última parte, seu orgulho não queria que as pessoas soubessem que ela estava implorando por ajuda ou por Shinji.

Misato deu uma pequena risada, sabendo que provavelmente Asuka mentiu sobre a última parte, mas resolveu manter para si mesma. "Foi quando ele chegou?"

Asuka somente assentiu. "Ele estava com a arma na minha cabeça. Shinji apareceu e os dois começaram a brigar feio." Asuka estremeceu com as poucas lembranças que tinha, ela descreveu tudo que lembrava. "Shinji socou ele tanto que eu podia sentia a raiva dele."

"Depois eu senti uma mão em meu ombro, eu pude dar um deslumbre de seu rosto." Asuka falou ao olhar para as mãos, Misato escutava tudo atentamente, mas sua mente não queria acreditar na descrição de Shinji.

"Depois de alguns de segundos eu escutei ele se afastar, somente escutei o som dele cortando a garganta do líder." Asuka falou ao fechar os olhos, Misato arregalou os olhos.

"Ele ... Ele executou o líder?" Misato perguntou chocada, ainda não conseguindo acreditar nas palavras de Asuka, era difícil para ela ver alguém como Shinji agir de tal maneira.

"Sim." Asuka respondeu sombriamente. "Depois que ele o matou, eu apaguei." Asuka escondeu um pequeno rubor no rosto ao se lembrar que se sentiu sendo carregada por Shinji, da sensação de segurança e conforto ao escutar seu coração.

"E depois? Ele te levou para a Wille?" Misato perguntou ao se recuperar do choque.

"Não, ele me levou para um apartamento velho." Asuka respondeu ao se lembrar do ambiente em que acordou. "Eu estava com um soro."

Misato assentiu, mas internamente ela queria saber mais coisa.

"Depois disso, eu acordei e ele estava parado na porta." Asuka falou ao se lembrar.

"Como ele estava?" Misato perguntou ansiosa.

Asuka percebeu isso, mas resolveu ceder, quanto mais rápido ela terminasse melhor. "Frio, é outra pessoa com o rosto de Shinji."

Novamente se sentindo abatida, Misato abaixou o olhar, sabendo que isso era culpa da Wille.

"Ele ainda sabe cozinhar." Asuka respondeu ao se lembrar do gosto de sua sopa.

Misato deu um leve sorriso com isso, sabendo que a comida da Wunder era horrível, seu estômago gritava por uma refeição feita por Shinji, mas logo sua mente voltou a realidade.

"Nós brigamos." Asuka respondeu abatida, se lembrando das palavras de Shinji sobre ela ser a boneca da Wille, sobre ele achar que ninguém se importava com ele. "Ele ... Ele me chamou de 'a boneca da Wille.'"

Misato arregalou os olhos, sabendo do passado de Asuka pelos relatórios da NERV, sabendo que isso deve ter afetado muito Asuka.

"Eu tentei convence-lo, mas ele não..." Asuka começou a falar, mas não conseguiu, o sentimento ao fracassar estava forte demais, depois de um bom tempo, Asuka falou tudo que se lembrou da briga, cada frase que Shinji havia falado, cada momento Asuka descreveu tentando manter o mais fiel que conseguiu.

"Meu Deus." Misato enterrou as mãos no rosto ao escutar tudo, não conseguindo acreditar nas palavras de Asuka, isso só serviu para alimentar sua culpa. "Como ele ... Como ele pode pensar assim?"

Asuka se ajustou na cadeira, já tendo a resposta em mente, algo que ela cultivou. "Não é óbvio?"

Misato e encarou em busca de resposta, mas sua mente já sabia quem era os culpados pelo comportamento atual de Shinji, duas dessas pessoas estavam nesta sala.

Asuka respondeu sombriamente ao se lembrar de tudo com relação ao Shinji desde seu despertar, finamente entrando em acordo que a Wille errou no tratamento de Shinji, sabendo que ele recebeu toda a responsabilidade desta guerra.

"Nós fizemos isso."


Notas do Autor: Olá pessoal Calborghete aqui, como vocês estão? Gostaram? Espero que sim. Como sempre não deixem de segui-la e salva-la em seus favoritos para não perderem mais nenhuma atualização futura.

Demorei para postar pois sugiram contratempos na minha casa de campo em Atibaia, agora estou de volta. Mas quero deixar uma coisa muito clara, surgiram preocupações sobre a continuidade desta história, eu NÃO vou abandonar nenhuma das minhas histórias, posso demorar para postar um capítulo sim, pois contratempos acontecem com todos, mas se eu iniciei uma nova história, vou terminá-la.

Por favor revisem, suas críticas (Boas ou ruins) são muito importantes para mim, vocês sabem que eu levo muito em consideração o que é dito e também me dá forças para continuar.

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