Eu estava me sentindo doente. O Chefe deve ter visto a minha foto no jornal também. Nossa tentativa de fazer o sheik acreditar em nós foi um tiro que saiu pela culatra. Eu não queria nem pensar na reação de Sasuke se o Chefe se aproximasse dele para falar sobre meu pai e as nossas dívidas. Seria melhor morrer de humilhação.
Abri a porta antes que meu pai me impedisse. Golias entrou com sua careca familiar e seu porte grande, seguido de perto por um homem que achei que era o Chefe. Ele era tão musculoso quanto Golias, apenas mais baixo e tinha uma cicatriz esculpida em sua bochecha em forma de lua crescente. Ele sorriu, revelando um dente de ouro. O bandido fechou a porta com o pé.
"Entregue o que você me deve," disse o Chefe. "Com vinte por cento de juros."
" O quê?" Meu pai explodiu. "Isso não é justo. Não concordamos com esses vinte por cento."
"Pare de choramingar, ou eu vou fazer os vinte virarem quarenta por cento." Ele me cutucou com os dedos. "Venha, menina, eu sei que você me entendeu. Me dê meu dinheiro." Cruzei meus braços e coloquei meus pés um pouco separados. Meu show de rebeldia só fez o Chefe e seu capanga sorrirem com mais força.
"Vou te dar o resto que o meu pai te deve e nada mais. Acredito que são mil dólares." O chefe deu uma risada fria, frágil.
"Você acha que você pode me dizer o que fazer menina?"
"Não, mas Sasuke Uchiha pode e Sasuke vai fazer qualquer coisa que eu lhe peça. Incluindo chamar a polícia ou comprar seus interesses dos seus negócios e arruiná-lo. Você é muito pequeno, Chefe," eu zombei, "e os Uchihas não são. Estou disposta a pagar as dívidas do meu pai para você justamente porque somos os Hyuugas e um Hyuuga sempre paga as suas dívidas. Mas não somos tão orgulhosos em pedir ajuda para o meu namorado se for necessário."
O sorriso dele sumiu do seu rosto e seu olhar ficou sem brilho olhando para mim, desta vez com mais respeito. Eu fui até o meu armário e peguei o resto do dinheiro que Sasuke tinha me dado por assistir o casamento.
Foi naquele momento que eu percebi que ele não tinha me pagado pelo dia que passeamos no barco do sheik. Parte de mim gostava que nós dois tivéssemos esquecido, mas parte de mim estava preocupada. Não tínhamos dinheiro sobrando. Entreguei todo o dinheiro para o Chefe. Nós estávamos pobres novamente. Adeus taxa da faculdade.
Sentei-me de pernas cruzadas na minha cama e olhei para o meu celular, meu coração na garganta. Sasuke não tinha ligado o que significava que ele ainda não tinha lembrado que devia me pagar pelo dia anterior. Ou significava que ele odiava me pagar tanto quanto eu odiava ser paga por passar tempo com ele? Ele poderia ter decidido parar a prática mercenária, já que ele não tinha como saber o quanto eu precisava do dinheiro. Mas ele não faria isso sem me consultar primeiro. Sasuke era um cara honesto. Um acordo era um acordo e ele iria honrá-lo. Sim, ele era maravilhoso, sexy e perfeito. Não havia como ele permanecer solteiro enquanto eu tentava fazer algo por mim. Isso podia levar anos, e ele ia ser agarrado num piscar de olhos por uma mulher bonita e bem sucedida, com uma vida e uma carreira gratificante.
Além disso, não tinha mais o dinheiro para me inscrever no curso de contabilidade, a menos que eu lhe pedisse o pagamento do passeio de barco com o sheik, e eu ia detestar fazer isso. Eu tinha gostado que ele tivesse esquecido. Gostei de saber que ele tinha curtido passar tempo comigo e que ele não sentia o passeio como parte do nosso negócio. Lágrimas pairavam a beira das minhas pálpebras, deixando a minha visão desfocada. Senti-me tão desesperada, e eu odiava me sentir sem esperança.
Eu queria falar com Sasuke, confiar a ele meus problemas e deixá-lo me ajudar, como ele tinha se oferecido. Mas parte de mim sabia que, se eu não resolvesse os problemas eu mesma, eu nunca seria verdadeiramente digna dele. Do seu amor. Sim. Amor. Eu tinha me apaixonado por ele. A dor no meu coração me dizia isso. Não era como o que aconteceu com o Naruto. Nunca me sentira tão horrível e maravilhosa ao mesmo tempo antes, durante ou após essa relação. Nunca me sentira como se eu fosse me quebrar em mil pedaços se ele conhecesse todos os meus segredos sujos.
Naruto sabia tudo sobre mim no final, e apesar de ter sido terrível na época, eu sabia que eu ia me recuperar. Se Sasuke visse o meu pai bêbado, com seu humor sombrio, ou se ele descobrisse que eu tinha mentido sobre perder meu emprego, eu iria querer me esconder numa caverna e nunca mais sair. Ele era perfeito, e eu estava tão longe da perfeição que era risível. Uma vez que ele descobrisse as coisas que eu tinha tentado manter escondidas dele, ele correria uma milha na direção oposta a mim. Era mais difícil sair da minha autopiedade do que jamais tinha tentado. Eu odiava me sentir tão indefesa — por causa de um cara — e esforcei-me para parar de olhar para o telefone e sair da cama.
Eu tinha acabado de escovar os dentes, quando ouvi uma batida na porta da frente. Eu abri a porta e meu coração bate mais apressado. Não era Sasuke, era sua mãe. "Mikoto! Er, bom dia."
Mikoto entrou sem ser convidada. Ela usava uma saia preta com camisa preta e branca, batom vermelho que proporcionava a única cor na sua aparência. O cabelo dela estava assustadoramente perfeito, mas acho que ela era uma Uchiha e todos eles eram perfeitos. Exceto talvez Fugaku e seu ciúme, se meu pai tinha dito era verdade.
"Hinata." A rápida saudação de Mikoto levantou as minhas defesas. "É bom te ver de novo."
Levantei uma sobrancelha para ela, mas ela não reparou. Ela estava muito ocupada, lançando um olhar crítico ao redor do meu apartamento. Graças a Deus meu pai não estava em casa. Eu o tinha ouvido sair uma hora antes, mas não sabia para onde, ou quanto tempo ele ficaria fora. Uma vez que eu não tinha certeza qual seria a reação dele ao ver Mikoto, eu esperava que ele ficasse fora enquanto ela estivesse aqui. Seu desgosto pelo meu apartamento apareceu claramente no seu nariz franzido e sua boca franzida.
"Há algo que posso fazer por você?" Eu perguntei.
"Você é Hinata Hyuuga."
"Sim, e?"
"E é um sobrenome bastante comum. Quase não pensei mais sobre ele até que eu o vi mencionado no jornal de ontem." O jornal? Então Fugaku não tinha dito nada para ela. Ele tinha sido o único que tinha perguntado meu sobrenome no casamento. Se ele tivesse me ligado ao meu pai, ele não tinha dado nenhum sinal.
"Mas então eu não consegui parar de pensar," ela prosseguiu. "Então comecei a cavar." Eu balancei minha cabeça.
"Eu não estou te entendendo. Pensando sobre o que. Procurando o que?"
"Não tente jogar comigo, Hinata. Tenho jogado muito mais que você e não sou nenhuma amadora. Você não pode vencer."
"Não estou tentando ganhar nada, eu estou tentando descobrir o que você está fazendo aqui."
"Gostei de você quando te conheci." O olhar dela encontrou o meu, os olhos escuros assim como os de Sasuke, presos em mim. "Gostei de você muito. Toda a minha família gostou. Então se você está fazendo isso como uma espécie de vingança, eu ficarei muito infeliz."
Seu brilho e suas palavras me obrigaram a dar um passo para trás. Eu pisquei para ela.
"É isso que você acha? Que isso tem algo a ver com seu marido destruindo meu pai? Por que diabos eu faria isso?"
"Eu já disse. Vingança."
Eu rolei meus olhos. "Uau, você é a rainha do drama, não é?" Meu sarcasmo pareceu chocá-la. Seus lábios franzidos se abriram e ela expulsou um pequeno suspiro. Felizmente, o choque parecia ter roubado suas palavras. "E se eu estiver com raiva o suficiente para me vingar de toda a sua família? Porque diabos eu iria fingir um falso noivado com Sasuke? Como é que funciona? Oh espere, você acha que eu vou humilhá-lo na frente do sheik. Ou que eu vou terminar com ele publicamente, talvez contar aos jornais como ele beija mal ou algo assim. É isso?"
Seus lábios se uniram novamente. "Não, não é isso o que eu penso."
"Então o que?" Eu coloquei minhas mãos nos meus quadris, furiosa porque ela tinha vindo a minha casa para me acusar de todos os tipos de coisas. Sua família podia possuir metade de Konoha, mas ela não tinha o direito de insinuar que eu era uma vadia. Ela inclinou o queixo, desafiadora. "Eu acho que você está tentando machucar meu filho para ferir Fugaku e eu."
Era minha vez de processar as palavras. Eu pisquei os olhos lentamente para ela e abaixei minhas mãos para os lados. "Machucar Sasuke? Como eu posso fazer isso?" Minha voz soou firme, uma prova do quanto eu queria ouvir a resposta dela.
O olhar dela se estreitou. "Se você ainda não percebeu que ele te ama então você é uma tola."
"Eu... nosso relacionamento é apenas negócios." Se eu não tivesse ouvido a minha voz, eu não teria percebido o que eu estava falando. As palavras pareciam sair por sua própria vontade. Os lábios dela se fecharam de novo.
"É isso? Talvez para você, mas não para ele. Duvido que alguma vez tenha sido. O sheik não se importa se seus sócios são casados ou não. Sasuke não precisava de uma noiva." Ah, inferno. Eu me sentia tonta e meu estômago estava embrulhado. Eu queria vomitar.
"Não quero machucá-lo," disse pateticamente.
"Então desista, se você não vai transformar seu acordo em algo mais pessoal. Faça isso hoje." Ela se virou e agarrou a maçaneta da porta. "A propósito, como está seu pai?"
Levei um momento para reunir meus pensamentos. "Ele está bem." Ela assentiu com a cabeça.
"Bom." Ela empurrou a porta e saiu. Eu escutei seu salto alto fazendo barulho escada abaixo.
Assim que parei de ouvi-los, eu me inclinei contra a porta e soltei um suspiro. Se eu não tivesse ficado tão chocada por suas palavras, provavelmente a teria desafiado. Senti que eu deveria ter dito algo para me defender.
Eu ainda estava um pouco abalada quando Sasuke me ligou uma hora mais tarde. Eu tinha saído para passear, incapaz de ficar dentro de casa por mais tempo. O dia estava fresco e nublado e as folhas estavam esparramadas pelo chão, amaciando minhas passadas. A brisa forte varria as teias de aranha do meu cérebro e me ajudava a pensar direito. Mas o telefonema de Sasuke bagunçou tudo de novo.
"Esqueci de te dar o dinheiro," ele disse depois de uma estranha troca de gentilezas.
"Oh, certo, você se esqueceu." Eu estava calma e tranquila. "Quando você puder está bem para mim."
"Que tal hoje à noite?" Eu mordia o meu lábio inferior. Se eu dissesse que sim, isso me faria parecer desesperada? Mas se eu dissesse que não... Eu não queria dizer não.
"Claro. Onde eu te encontro?"
"Eu vou pegar você. Nós vamos jantar com o sheik. É sua última noite aqui em Konoha."
"Oh. Certo. Está bem." Meu coração martelava no meu peito, mesmo sabendo que eu estava sendo boba.
"É um jantar formal. Eu vou pegar você às oito horas."
"Ótimo."
"Estou ansioso para vê-la novamente, Hinata. Ontem foi muito bom." Ele desligou.
Não houve nenhuma menção sobre sua mãe então ele não sabia que ela tinha vindo me visitar, graças a Deus. Eu não sabia o que eu teria dito se ele tivesse falado. Passei o resto do dia temendo a noite e ao mesmo tempo aguardando-a com expectativa. Não foi até o meio da tarde que percebi — Sasuke tinha dito que esta seria a última noite do sheik em Konoha – que Isso significava que o nosso acordo estava chegando ao fim. Depois desta noite, eu poderia nunca mais tornar a vê-lo novamente.
Parecia que Mikoto ia conseguir o que ela queria. Sentei-me no sofá, sem fôlego. O que eu faria se Sasuke simplesmente desaparecesse da minha vida? A enormidade desta verdade era demais e eu não queria pensar nisso. Eu ainda tinha essa noite com ele e eu ia aproveitá-la, apesar do tumulto dentro de mim, apesar do aviso da mãe dele e apesar da raiva do meu pai.
Ele me apanhou as oito em ponto, desta vez dirigindo um conversível vermelho brilhante. "É um pouco exagerado," ele disse com um sorriso adorável onde eu queria colocar meus lábios. "Obito de alguma forma me convenceu a comprá-lo." Eu ri. Só um Uchiha compraria um carro chamativo por capricho e depois se arrependeria. Em vez de ligar o carro, ele pegou seu casaco no banco de trás e vasculhou os bolsos.
"Isso é por ontem, o passeio de barco" ele disse, tirando um monte de notas de 50 dólares. "E isto é por hoje à noite."
"Você pode me pagar mais tarde," eu disse, pegando a primeira pilha, mas deixando a segunda.
"Vou me sentir melhor após realizar meu trabalho." Seu rosto ficou aflito quando ele pegou de volta a segunda pilha.
"Peço desculpa por ter me esquecido ontem."
"Tudo bem. Também me esqueci." Seu sorriso torto estava de volta, mas desta vez era inseguro, hesitante.
"Isso significa que você se divertiu?"
"Muito. Obrigada. Eu me diverti muito, desde que me tornei sua noiva." Eu sorri. "Tenho muita sorte por você ter me escolhido."
O sorriso dele desapareceu e ele balançou a cabeça. "Você faz parecer que eu a escolhi na prateleira do supermercado." Eu me foquei na estrada e mordi meu lábio. "Espero que você realmente não ache isso."
Ele tocou o dedo no meu queixo, gentilmente me forçando a olhar para ele. "Talvez algum milagre nos tenha colocado juntos neste acordo, mas isso é tudo. Você era a única mulher que eu teria pedido para... me ajudar." Isso levava a verdade que os outros tinham alegado: que um noivado não era necessário para fechar o acordo com o sheik, mas vendo-o admitir roubou o meu fôlego.
"E se eu dissesse não? O que o sheik faria?"
"Eu acho que nós nunca vamos descobrir." Seus olhos ficaram escuros com desejo, seus cílios se abaixaram quando ele se inclinou mais perto. Ele colocou seus lábios levemente nos meus, o beijo mais doce que eu já tinha experimentado.
"Venha para minha casa comigo esta noite," ele murmurou contra a minha boca. "Eu quero fazer amor com você. Lentamente."
Ele acariciou meu peito através de meu vestido, provocando tanto meu mamilo que ele ficou dolorido. Calor dançou pela minha pele e se agrupou entre as minhas coxas.
Cada parte de mim tensa com antecipação, esperando ele me tocar lá, querendo muito que ele me tocasse lá. Ele não me decepcionou. Sua mão encontrou a bainha do meu vestido e ele acariciou minha coxa subindo cada vez mais, até as pontas dos dedos encontrarem minha calcinha úmida.
"Quero te tocar em todos os lugares," ele sussurrou com uma voz rouca. "Gosto de você. Eu quero que você fique maluca e eu quero ficar louco com você. E então eu quero te abraçar até de manhã e não deixar você ir embora nunca mais. Para o inferno com o que eles pensam."
O que? Eu pisquei saindo da névoa do desejo e inclinei-me, longe de seus dedos experientes e de sua boca deliciosa. Eu limpei a palma da minha mão na minha testa e tentei reagrupar meus pensamentos dispersos.
"Talvez eles estejam certos," eu disse. "Nós não deveríamos deixar isto ir mais longe do que já foi."
"Hinata, não é o que eu quis dizer. Eu não devia ter dito nada." Ele chegou para mais perto de mim, mas eu balancei minha cabeça e ele deixou sua mão cair no seu joelho. Ele parecia pálido, os olhos confusos.
"Isso não vai funcionar de qualquer forma," eu disse para ele, tentando colocar o máximo de convicção que eu podia.
"Você é um Uchiha pelo amor de Deus."
"E daí?" ele falou, abrindo os olhos.
"Então, nós não estamos juntos, e sua família sabe disso."
"O que diabos eles sabem?" Mas ele disse calmamente, como se ele não acreditasse nele próprio. Eu senti como eu tivesse levado um soco no peito.
"Nós nunca devíamos ter feito amor na outra noite. Aquela noite complicou tudo e levou a isto — nos levou — para além de amizade. Não podemos voltar agora. Desculpa. Depois do jantar desta noite, precisamos dar uma parada e deixar de nos encontrar. É o melhor a fazer.
" Ele ligou o carro, enfiou o pé na embreagem. "Certo. Se você diz. Covarde."
Eu me virei para enfrentá-lo. "Perdão?"
"Você me ouviu," ele disse sem tirar seus olhos da estrada. "Você é uma covarde, Hinata. Você tem medo do que possa acontecer, você tem medo de algo que pode nunca vir a acontecer. Você tem medo do que outras pessoas pensarão sobre você e eu estarmos juntos, do que vão dizer os meus pais. Eles apenas querem que eu seja feliz. Você sabia? Essa é a razão pela qual eles estão preocupados e porque olharam estranhos para você no casamento. Eles estão tentando determinar o quão séria você é porque eles sabem o quanto eu sou —" ele engoliu pesadamente e flexionou os dedos no volante. "Eles sabem o quanto eu quero estar com você e eles estão preocupados que você possa me machucar."
Ele não disse nada sobre a sugestão de sua mãe de que eu estava com Sasuke por vingança. Ele não sabia. Quanto pior tudo seria se ele soubesse?
