Capítulo 9

Sasuke a matou? Eu não acreditei. De jeito algum ele tinha matado alguém. Ele podia ser teimoso na superfície, mas eu tinha visto um lado diferente dele e eu sabia que ele não machucaria ninguém. Isto tinha que ser um erro, ou um mal entendido.

Hanabi se deslocou para frente do seu assento, muito interessada. "Você quer dizer que ele a matou?"

Kushina suspirou e se sentou sob seus pés. "Assassinato, mas não no sentido tradicional."

"Um acidente," eu disse, minha boca seca.

"Não foi um acidente. De acordo com os registros oficiais, Rin se suicidou."

Hanabi se engasgou. "Oh, Kushina, eu sinto muito." O olhar dela se virou para mim. Eu podia ver na cara dela que ela queria que eu soubesse como isso podia ser culpa de Sasuke.

"Ele a influenciou a fazer isto? É o que você esperaria que alguém como ele fizesse."

"Hanabi," a repreendi. "Kushina, você me disse que sua irmã e Sasuke namoraram durante algum tempo." Kushina acenou com a cabeça, seu olhar focado no jardim, agora mergulhado em sombras que o fazia parecer proibido, perigoso.

"Por seis meses, mas ela tinha uma queda por ele há anos. Ele finalmente a chamou para sair e ela estava tão feliz. Mais feliz do que ela tinha sido há muito tempo. Seus olhos se iluminavam quando ele aparecia. Ela era obcecada por ele. Quando ele não estava por perto, ela esperava por ele. Ela ficava olhando o relógio do quarto dela e se ela visse o carro dele passar, ela ia correndo pelo gramado e passava pela conexão das cercas. Ela estava totalmente apaixonada por ele. Mas ele não estava por ela."

"Ele terminou com ela," eu disse. "O que a fez cair num buraco."

Kushina acenou com a cabeça. "Eu sei o que você está pensando. Que não é culpa dele. Que ela era mentalmente instável." Eu estava pensando, mas não disse para ela. Não era o que ela queria ouvir.

Kushina prosseguiu "Sasuke sabia que ela era delicada. Todos nós lhe dissemos que ele teria que lidar com ela, delicadamente, e ainda assim ele a jogou fora como se ela não significasse nada para ele e começou a sair com outra pessoa."

"É terrível," disse Hanabi. "Coitada."

"Como ela descobriu?" Eu perguntei.

"Ele disse. Ela ficou histérica aquele dia, o dia todo. Ela chorou muito, até que ela não teve mais energia para continuar a chorar, então ela ficou deitada em sua cama olhando para o espaço. Ela não bebeu ou comeu ou falou. Ela apenas olhava para o nada. Era como se o corpo dela estivesse vivo, mas a pessoa dentro dela estivesse morta. Ninguém conseguia chegar até ela." Ela baixou seu dedo para a haste do seu copo de vinho, uma delicada unha no vidro frágil. "Na manhã seguinte a encontramos flutuando no rio." Kushina fungou e enxugou uma lágrima.

Toquei no seu joelho. "Me desculpe. Vejo que é muito difícil para você, ainda hoje. Você amava sua irmã." Pareceu-me que ninguém poderia amar a pobre Rin o suficiente para fazê-la feliz. Hanabi acenou com a cabeça e eu pensei que ela ia dizer algo, mas ela permaneceu calada, com a testa franzida.

"Há quanto tempo isso aconteceu?" eu perguntei. "Doze anos no próximo mês. Ela tinha dezoito anos." Sasuke tinha sido jovem também. Devia ter sido um fardo pesado para alguém que apenas tinha deixado a adolescência. Quem me dera Kushina pudesse ver isso, mas não tentei convencê-la a parar de ter raiva dele. Essa história estava cozinhando por tanto tempo que algumas palavras de uma mulher que ela mal conhecia não iam fazer diferença.

"Minha idade," murmurou Hanabi sacudindo a cabeça. Ela levantou e me deu uma cotovelada. "É melhor irmos. Está ficando frio. Você ficará bem, Kushina?"

Ela acenou com a cabeça e também se levantou colocando suas mãos em seus bolsos traseiros e nos deu um sorriso triste. "Me desculpe. Não quis ficar tão mórbida. É que ter este lugar vendido pelas minhas costas me deixou muito abalada. Estou lidando com algumas coisas que eu pensei ter deixado para trás. A ideia de deixar este lugar trouxe tudo isso a tona de novo."

Hanabi chamou-a para um abraço. "Você não tem que lidar com isso sozinha. Me ligue se precisar conversar."

Kushina nos acenou da varanda da frente. Eu a vi pelo espelho do carro, uma figura esbelta, com os últimos raios de sol brilhando no cabelo dela. Ela era tão pequena contra a casa tão grande, tão vibrante e tão jovem contra seu exterior desfigurado. Parecia errado de alguma forma ela estar vivendo nesta casa sozinha. Alguém como ela merecia estar em um relacionamento amoroso com um homem que ela amasse. Ela não era sua trágica irmã. Ela era forte e, até o presente momento, sempre parecia feliz.

"Não entendo," disse Hanabi enquanto saíamos de Willow Crescent. "Ela era da mesma idade que eu."

"Rin? Eu sei. É tão triste. Pobre Kushina."

"Sim, é terrível para ela, e isso é o que eu não entendo. Kushina amava sua irmã e sua avó parecia ser alguém que tinha muito amor para dar também. Por que Rin teve que se matar por causa de um cara?" Ela deu de ombros. "É um desperdício."

Eu podia compreender sua dificuldade de entender. Hanabi tinha lutado muito para se agarrar à vida, e saber que alguém tinha tirado a sua própria vida devia ser muito difícil de entender. "Você ouviu a Kushina. Ela disse que sua irmã era delicada e precisava ser tratada suavemente. Parece que ela tinha algum tipo de obsessão pelo Uchiha. Não sou especialista, mas Rin provavelmente tinha um distúrbio mental. Talvez não tenha sido diagnosticado, ou se foi, ela não estava recebendo a medicação adequada. Se for esse o caso então é ainda mais triste. Mas não é culpa do Uchiha. Não do meu ponto de vista."

"Ele trocou ela por outra garota. Isso é uma merda."

"Ele era um adolescente também. Adolescentes fazem algumas merdas sem perceberem." Ela não conseguia acreditar. Hanabi não tinha um namorado desde que vencera o câncer. Talvez ela precisasse sair e conhecer alguém.

"Kushina claramente acha que ele é culpado," ela disse. "Se ela acha que ele é um idiota então estou inclinada a acreditar nela. Além disso, tudo leva a crer que ele é um sacana ganancioso, sem coração."

Eu suspirei. "Não acredite em tudo o que você ouve Hana."

"Ele vai derrubar a casa da irmã de uma ex-namorada que se matou por causa dele. Nem mesmo você pode dizer que ele é um cara bom, depois de ouvir isso."

Talvez. Mas eu também sabia que ele estava em dúvida. Talvez, com um pouco mais de persuasão, ele esqueceria por completo seus planos de construir um hotel em Serendipity Bend.

Flores chegaram à minha porta, antes que eu saísse para o trabalho na manhã seguinte. No cartão estava escrito: Faça uma mala. Você vem para a minha casa comigo hoje à noite. Sasuke.

Parecia que ele não tinha esquecido completamente sua natureza autoritária. Arrumei uma muda de roupa para usar no trabalho no dia seguinte e deixei um bilhete para Hanabi, com a promessa de ligar mais tarde. Eu coloquei o cartão de Sasuke no bolso do meu casaco para não deixar evidente quem era o remetente.

Hanabi me ligou quando eu passei pela minha mesa. "Não é que eu me importo de você passar a noite com ele novamente," ela disse. "Mas eu nem sei o nome dele."

"Escute aqui, mamãe, pare de se preocupar comigo," eu provoquei. "Ele é um cara legal. Eu sei o que estou fazendo. Se te faz sentir melhor, eu vou lhe enviar o endereço dele para que você possa enviar a polícia caso eu desapareça."

"Isso não é engraçado, Hinata. Se eu fosse passar a noite na casa de um cara, você iria querer saber todos os detalhes."

"Pare de se preocupar, Hanabi. Tenho que ir. Meu chefe está olhando para mim." Sasuke não estava me olhando. Ele estava de pé na porta, um ombro contra o portal, um sorriso curioso jogado em seus lábios.

"Ainda não falou para sua irmã sobre mim, certo?" ele perguntou depois que eu desliguei. "Estou só esperando o momento certo," eu menti. Não tinha havido o momento certo. Nunca haveria.

"Por que não agora?"

"Eu te disse, Sasuke. É tudo muito recente e você não namora, lembra? Você mesmo disse isso."

Ele franziu a sobrancelha. "Sim, sobre isso." Ele se aproximou de minha mesa com a graça predatória de um leão. "Admito que já faz muito tempo que eu não conheço alguém com quem eu queira estar. Realmente queira estar. Mas acho que talvez tenha encontrado esse alguém."

Eu engoli. "É muito cedo, Sasuke. Precisamos ir mais devagar."

Ele inclinou os dedos na minha mesa e abaixou a cabeça. "Se isso é o que você quer. Mas estou avisando, que eu não sou muito bom em marcha lenta. Uma vez que veja algo que eu queira, eu vou atrás e pego."

"Então, Uchiha Sasuke, precisa aprender um pouco de paciência." Eu agarrei-o pela gravata e o puxei para um beijo rápido. Mas ele não recebeu o memorando sobre a parte rápida e se aprofundou nele.

Deus, eu senti a falta dele no breve tempo em que estivemos separados. Eu queria continuar beijando-lhe e talvez deixá-lo fazer amor comigo em cima da mesa dele, mas eu freei minhas emoções e me afastei. Não era só o fato de que alguém poderia sair do elevador e nos pegar. Era também a morte de Rin que me incomodava.

Eu disse para Hanabi que caras faziam merdas como ter novas namoradas antes de romper com as antigas, mas eu não acreditava totalmente nas minhas próprias palavras. Ele tinha sido cruel, especialmente se ele soubesse que ela não era o tipo de garota que poderia lidar com a perda dele. Cruel. É como Kushina o havia descrito. Meu telefone tocou e o nome de Tsunade apareceu na tela. Sasuke beijou minha testa e voltou para seu escritório.

Eu verifiquei a mensagem de Tsunade. Ligue para mim. Urgente! A porta de Sasuke estava fechada, mas ele podia aparecer a qualquer momento, então me dirigi ao banheiro no final do corredor e liguei de volta para ela. "Alô, tudo bem?" eu perguntei. "Aconteceu alguma coisa?"

"Você viu o jornal de hoje?" A voz da Tsunade tinha um traço de pânico, tão diferente dela.

"Eles estão na minha mesa. Ainda não tive tempo para ler."

"Leia The Roxburg Chronicle, página 58 na seção da sociedade. Está muito interessante."

Secção da sociedade? Inferno. "Dê-me a versão breve."

"Você foi apanhada entrando em um carro com Uchiha Sasuke. De acordo com o jornalista — e uso o termo vagamente — parecia muito amorosa. O carro a levou para o apartamento dele." O sangue saiu do meu rosto. De repente senti tontura e tive que segurar a pia como apoio.

"Eu fui identificada?" "Seu nome está lá, e o fato de você trabalhar para o Sasuke. E a nota continua dizendo que muitas vezes ele tem relações com suas funcionárias."

Eu gemia. "Merda Isto é apenas... porcaria."

"Pode não ser tão ruim. Então você dormiu com ele e agora todo mundo sabe disso. Pode funcionar a nosso favor. Isto geralmente acontece com as outras garotas."

"Eu não sou como as outras meninas!" Por que ela não poderia ver isso? Por que ela não podia ver que eu agora não era melhor do que uma prostituta, tentando tirar algo de Uchiha Sasuke em troca de sexo? Não era dinheiro, no meu caso, mas não pensei que ele ia ver a diferença. Muito menos a Hanabu.

"Eu sei," ela disse calmamente. "Isso é exatamente porque eu escolhi você para este trabalho."

Apertei minha testa onde uma dor de cabeça começou a criar raízes. "Não me importa se isso ajuda ou não," eu lhe disse. "E quanto a Hanabi? O que ela vai pensar quando descobrir que estou dormindo com o homem que está sacaneando a amiga dela?"

"Ela lê o The Chronicle?"

"Não."

"Então provavelmente ela não vai descobrir. Respire fundo, Hinata e acalme-se. Isto não é o desastre que você acha que é. Eu só queria você soubesse para ficar preparada." Ela estava certa. Talvez não fosse um grande desastre, enquanto Hanabi não lesse o jornal.

"Obrigada, Tsunade. Sei que você sempre cuida de mim e eu aprecio isso." Ela não respondeu imediatamente, o que era estranho. Tsunade normalmente não ficava sem palavras. "Certifique-se de não ficar o tempo todo trabalhando e divirta-se," ela finalmente disse, com a sua voz suave. "Talvez você possa ser boa para Sasuke."

Eu tirei o telefone para longe da minha orelha e olhei para ele. O que diabos foi isso? "Como ela sabia se eu seria boa para ele?" Eu perguntei, colocando ele na minha orelha de novo. "Instinto. Estou neste jogo há muito tempo e sei o que faz o coração de caras como Uchiha Sasuke bater mais forte. Confie em mim, e não é o que você pensa."

"Não, ainda não entendi o que você está dizendo."

"Não tenho tempo para explicar agora. Depois a gente conversa, está bem?" Ela desligou me deixando mais confusa do que nunca.

Voltei à minha mesa. A porta de Sasuke ainda estava fechada, então eu procurei os jornais. Eles eram entregues todas as manhãs junto com a correspondência e era meu trabalho digitalizar as notícias mais interessantes que podiam afetar o Grupo Uchiha. Eu nunca tinha olhado para as páginas sociais até agora. Lá estava eu, entrando no carro de Sasuke com um melancólico olhar em meus olhos, enquanto olhava para ele. Melancólica ou bêbada, difícil dizer. Eu gemi e dobrei o papel novamente.

Sasuke não saiu de seu escritório a manhã toda, salvando-me de tomar uma decisão sobre a possibilidade de mostrar-lhe o jornal ou não. Não consegui decidir o que fazer. Se ele visse a notícia, ele poderia querer fazer que o nosso relacionamento — ou como ele quisesse chamar o que estava acontecendo entre nós — se tornasse público. Isso significava abrir o jogo com Hanabi, Kushina, nossos colegas. Eu não estava preparada para a reação que viria com a confissão.

Não estava pronta para ser rotulada como sua namorada só para ser largada quando ele encontrasse outra pessoa, alguém menos parecida como uma professora e mais parecida como uma modelo ou uma atriz. Eu achei difícil me concentrar, mas consegui escrever alguns relatórios. Até refiz um documento sobre o projeto Serendipity Bend.

Certamente isso clareou um pouco a minha mente — Sasuke não tinha feito quase nada sobre o projeto durante a última semana, apesar de algumas tarefas pendentes esperarem por sua aprovação. Era uma boa indicação de que ele não ia em frente com isso. Eu precisava conseguir que ele continuasse a pensar dessa maneira.

Pouco antes do almoço, as portas do elevador se abriram e um tornado na forma da minha irmã surgiu brandindo um jornal, o rosto estampando uma fúria estrondosa. Raios, diabo... e foda. Ela jogou o jornal no teclado a minha frente.

"Te encontrei," ela murmurou. Ela colocou o dedo no papel. "Kushina viu sua foto esta manhã e me ligou. Quando você ia me dizer que estava trabalhando para Uchiha Sasuke e transando com ele?"

"Hanabi, calma —"

"Não me peça para eu me acalmar! Não vou me acalmar! Estou tão zangada contigo agora, Hinata."

Dei a volta na mesa e agarrei os ombros dela. Eu podia sentir a raiva vibrando através dela e comecei a tremer também. Não por estar com raiva, mas por estar preocupada. Eu nunca a tinha visto tão emocional antes. Não podia ser bom para ela. Ela me sacudiu e ficou fora do meu alcance.

"Como você pode fazer isso comigo? Você mentiu para mim —"

"Nunca menti."

"Evitou me dizer a verdade. Porra, Hinata, ele é o inimigo!"

"Será que eu sou?" Sasuke falou da porta. Eu não tinha ouvido a porta dele abrir. Eu tinha ficado tão presa a reação da Hanabi que me fechei para todo o resto.

" Sasuke," eu disse... e parei. O que eu deveria dizer? A quem eu deveria me dirigir? Decidi que minha irmã era a minha preocupação imediata.

"Hanabi, podemos ir a algum lugar e falar sobre isso?" Cheguei perto ela, mas ela bateu na minha mão.

Sasuke veio atrás de mim, uma presença sólida e tranquilizadora. Eu pensei em permanecer ao lado dele e mostrar uma frente unida, mas era à hora errada. Hora errada, e o cara errado, uma vez que Hanabi estava preocupada.

"Vamos falar sobre isso aqui," ela disse.

"Não acho que deveríamos. Você precisa se acalmar. Ficar chateada assim não é bom para você."

"Eu não sou uma boneca de porcelana, Hinata! Ficar brava não vai me matar. Pegar um ônibus ou ouvir os problemas dos outros não vai me levar de volta para o hospital."

"Hospital?" Sasuke perguntou. "Você está doente?"

Hanabi deu-lhe um olhar gelado. "Não é da sua conta, mas um tempo atrás eu tive câncer. Estou bem agora, mas algumas pessoas insistem em me enrolar em seda porque pensam que não consigo lidar com as coisas da vida."

"Coisas como essa?" Peguei o jornal e acenei na cara dela. Eu não queria ficar brava com ela, mas algo dentro de mim parecia ter se quebrado. Algo que estava sendo preparado ao longo das últimas semanas e finalmente tinha ficado pronto e sido enrolado tão apertado que tinha se quebrado, lançando um rio de emoções reprimidas.

"Olha como você está reagindo, Hana. Eu sabia que isso ia acontecer, é por isso que eu não te disse."

Sasuke pegou o jornal da minha mão e o folheou.

"Estou reagindo desta forma porque você dorme com Uchiha Porra Sasuke!"

"Hanabi! Basta!"

Sasuke parou de passar as páginas rapidamente. "Por que isto é um problema?" ele perguntou, batendo na foto do jornal. "Eu gosto de Hinata e ela gosta de mim. É bom saber que você se preocupa com ela, mas eu prometo que não vou machucá-la."

"Sim, com certeza. Como você nunca magoou ninguém em sua vida."

Eu agarrei o braço dela e a conduzi em direção à porta. Ela se livrou das minhas mãos e olhou para nós dois. "Como você pode ficar aí e me dizer que você não vai machucar minha irmã quando você machucou muitas pessoas? Kushina é minha amiga e você quer tirá-la da casa dela por causa do seu esquema ganancioso."

Eu achava que Sasuke estava tentando achar uma resposta para ela, mas ele não disse nada. Ele ficou parado como uma estátua, os olhos frios, rosto impassível e aceitou suas palavras abusivas.

"A Hinata sabe o que a Kushina sente por você," ela prosseguiu. "Ela sabe como eu me sinto sobre você também, e mesmo assim ela ainda escolhe vir trabalhar aqui. Eu não entendo." Ela se virou para mim. "Você recebe ofertas de trabalho o tempo todo, e, no entanto optou por vir trabalhar aqui sabendo como eu me sentia. Por quê?"

O olhar de Sasuke deslizou para o meu e eu tremi sob seu olhar gelado. Foi-se o calor dos últimos dias, a ternura e a vulnerabilidade. Em seu lugar apareceu gelo e aço e uma raiva tranquila que irradiava ondas. Claramente ele estava pensando a mesma coisa que Hanabi.

Meu coração vibrou mais rápido no meu peito como um pássaro preso numa gaiola. Eu estava presa entre Sasuke e Hanabi e a única saída era a verdade. Mas não toda a verdade, apenas o suficiente para criar uma abertura para que eu pudesse escapar.

"Admito que minha motivação para trabalhar aqui não fosse de toda inocente", disse, arriscando um olhar de relance para Sasuke. Os músculos da sua mandíbula se trincaram, mas ele não disse nada. "Eu queria encontrar uma maneira de salvar a casa de Kushina e pensei que se eu trabalhasse para você eu teria acesso a informação que eu precisava. Me desculpe, Sasuke. Foi uma coisa terrível, e eu sou uma vadia por enganar você. Você tem todo o direito de me demitir."

Não foi Sasuke quem respondeu, no entanto, foi Hanabi. Ela jogou os braços ao meu redor. "Você pegou este trabalho para me ajudar? Ah. Certo. Isto faz total sentido." Seu olhar se desviou para Sasuke, ainda de pé perto da minha mesa.

"E a outra coisa?"

"Isso foi inesperado. Eu não pretendia passar a noite com ele." Eu mordi meu lábio e assisti sua reação. Ele não teve nenhuma. Era como se eu mesma não tivesse falado. Eu queria ir até ele e dizer-lhe que eu gostava de estar com ele, mas Hanabi ia ficar chateada. Eu estava prestes a levá-la de volta para o elevador quando Sasuke deu a volta e foi para o seu escritório. Ele fechou aporta. Eu pisquei lágrimas quentes, sentindo-me estranhamente oca e completa ao mesmo tempo.

"Significa que você está demitida?" Hanabi perguntou.

Eu pressionei meus lábios juntos para que eles parassem de tremer. "Não vou para casa esta noite," Eu disse para ela.

Ela engasgou. "Você vai ficar com ele? Depois disso?"

"Se ele quiser."

Ela balançou a cabeça. "Não entendo Hinata. O que você vê nele?"

"Ele não é um cara mau".

"Ele é! Você não ouviu? Ele deixou a irmã de Kushina tão triste que ele a levou ao suicídio."

"Você não pode culpar ele por isso. Não é justo."

"E agora ele vai expulsar Kushina da casa dela. Você não pode negar isso."

"Ele está repensando sobre o assunto. Eu sei que ele tem boas intenções. Hanabi, se eu puder passar mais tempo com ele, vou ser capaz de convencê-lo a deixar que ela fique com a casa. Deixe-me tentar hoje à noite?" Eu podia ver que sua opinião estava oscilando e eu sabia que a tinha convencido quando ela deu uma respiração profunda.

"Certo. Mas não espere um milagre, Hinata. Ele não vai mudar quem ele é só por causa de um sexo quente."

"Não espero que ele mude. Eu espero que ele tire a máscara que ele está usando todos esses anos."

Ela revirou os olhos e abanou a cabeça. "Você é tão romântica." Ela me abraçou e me disse para não se preocupar com ela. "Faça o que tiver que fazer. É para um bem maior. Eu suponho. Tenha cuidado, porém. Não o deixe entrar no seu coração." Ela deu outro olhar para a porta de Sasuke, em seguida, saiu do meu escritório. Ela parecia convencida que eu ainda estava do lado dela. Por agora.

Vi a porta do elevador se fechar e dei um suspiro. Agora era a parte mais difícil. Bati na porta de Sasuke e entrei. Ele não levantou os olhos de sua papelada.

"Saia," ele rosnou. "Você está demitida. Pegue suas coisas e deixe as chaves na mesa. Não quero ver você de novo."

...