Tive que morder os lábios para não latir quando veio a minha libertação tão doce.
"Gostou? - Amy perguntou quando terminou de limpar os últimos resquícios no canto da boca. Abri um sorriso travesso com a pergunta atrevida.
"Acho que você sabe bem o quanto eu gostei, anjo. - Ela ruboriza com o apelido e eu dou um beijo no ombro nu dela. - Quem sabe eu possa retribuir o favor hoje a noite, você gostaria?
Mordo o pescoço dela de leve sem deixar marcas, um bom profissional nunca deixa vestígios. Tenho vontade de ri quando ela gagueja lindamente com o pedido, mas me contenho. Se eu ri, ela pode achar que eu estou zombando dela.
E eu nunca zombo de uma mulher. Meu tio me ensinou isso muito bem.
"Qual lugar? - Ela pergunta subitamente.
"Deixa que eu cuido disso.- dispenso a pergunta com um maneio de cabeça.
"Mas como eu vou saber aonde é?
"Eu te encontro. - Digo simplesmente.
"Mas como?
"Eu tenho um olfato especial para encontrar donzelas bonitas. - coloco um beijo modesto na carne macia do pulso dela e me viro em direção a saída do armário de vassoura.
Antes de ter tempo de desvia, esbarro em um corpo pequeno que vai em direção ao Chão com força.
"Por Merlin. - esfrego a testa com a mão esquerda, já pressentindo o galo que vai crescer ali. Já viro irritado pra dar um pedaço da minha raiva ao idiota que tombou comigo quando avisto Hermione Dumbledore toda estatelado no chão.
Como num passo de mágica, minha raiva evapora instantaneamente e um sentimento de culpa aperta minhas entranhas.
"Ei você está bem? Aqui, deixa eu te ajudar a levantar. - Ofereço uma mão e o meu sorriso mais charmoso possível. Ninguém resisti a esse sorriso.
Mais quem disse que Hermione era todo mundo?
Ela bate na minha mão oferecida com um maneio de pulso leve, e uma carranca no rosto levemente pálido.
"Você é cego? Derrubando as pessoas assim, francamente. - Eu não sei se é uma pergunta retórica ou não, mesmo assim, respondo.
"Foi você que apareceu do nada. - me defendo. Francamente, ela que apareceu igual uma alma penada.
"Do nada? - As bochechas dela brilharam com um tom escuro de vermelho e diferente da Amy segundos atrás, eu sei que esse é de raiva. - Eu estava indo em direção ao armário de limpeza pegar uma vassoura pra limpar uma bagunça que eu fiz em uma sala de aula vazia.
"Você não sabe que existem elfos domésticos no castelo justamente pra essas coisas? É só pedir em voz alta que eles vem.
"Eu sei disso! - Sua voz assumiu um tom muito parecido com Remus quando dava uma aula que eu não estava nem um pouco interessado. - Mas eu prefiro fazer meu próprio trabalho, já não acha que eles sofrem demais?
Elfos domésticos sofrendo por trabalhar? Que piada engraçada.
"Olha só garota..."
"Hermione!"
..."Hermione, que seja. Enfim, esses elfos gosta de trabalhar. "Falo com ela de forma calma deliberadamente, como se estivesse falando com uma criança pequena que tinha dificuldade de aprendizado.
Não sei bem o por que, mas eu tinha essa vontade inexplicável de cutucar essa leoa.
"É claro que você pensaria assim. - Seu tom era uma mistura de amargura com carinho.
Já ia responder quando Amy escolheu aquela hora exata pra sair do armário de vassouras. Seu cabelo em uma clara tentativa de arrumação que não deu muito certo.
Sua boca e bochechas ainda vermelhos da atividade de minutos atrás.
"Imaginei que você estaria ai por um motivo assim. - Hermione riu como se fosse uma coisa óbvia.
Por algum motivo, aquilo me irritou profundamente.
Era claro que eu tinha cultivado uma certa fama na escola e não era surpresa que ela já soubesse disso.
Mas ainda assim, a casualidade que ela falava aquilo, como se fosse rotineiro me pega em um quartinho com alguém, me deixou desconfortável em muitos níveis.
"Então eu vou deixa-los retornar a qualquer coisa que vocês estiverem fazendo ai. Depois eu pego a bendita vassoura. - E saiu andando, não dando tempo de responder qualquer coisa.
"Eu não acho que seja nada demais, você está vendo coisas aonde não tem, Almofadinhas. - James respondeu horas mais tarde.
"Cara eu tô dizendo, aquela menina era estranha. - Insistir novamente. Eu não sabia explicar aquele sentimento estranho toda vez que olhava pra ela. Como se de alguma forma, a conhecesse.
"Eu concordo com Pontas, Almofadinhas. A sua fama é grande demais, talvez alguém já tenha alertado ela. - Remus respondeu sem tirar os olhos do pergaminho. - De qualquer forma, nada disso teria acontecido se você tivesse vindo direto pra cá como prometeu.
Suspirei cansado. Aquilo de novo?
"Eu já te expliquei a Amy tem aquele jeito com a língua..."
"Pode parar ai. - James jogou uma almofada em mim, interrompendo o diálogo. - Ninguém está interessado nos detalhes sórdidos.
"Rabicho está, não está? . - Dou uma olhada em Rabicho que balança a cabeça com um Não. Ignoro as risadas de James e Remus.
"Então vamos deixar essa conversa estranha pra lá? "
"Não tinha nada de estranho nisso, Sirius. A garota só estava sobrecarregada com toda essa perseguição frenética que vem sofrendo na última semana. " Remus a defende de novo.
Estreito os olhos pra isso.
"Você por acaso, esta apaixonado por ela?
"O QUÊ? - Ele grita e todos os alunos do salão comunal olham pra ele.
Eu solto uma risada vitoriosa.
"De onde você tirou isso? - Ele abaixou a voz para um mero sussurro.
"Eu não sei, tudo que eu digo dela, você rebate com uma defesa implacável. - Dou de ombros casualmente. Não tenho nada contra Remus gostando dessa nova aluna, só não quero que ele saia dessa com o coração partido. É óbvio que todos os partidos da escola que vem de uma boa família, estão caindo matando em cima da garota.
"Ei o Pontas também estava a defendendo, por que você não acusou ele também? "
"Porque meu caro Moony, Pontas só tem olhos pro Lírio dele.
"Você disse meu Lírio? Aonde? Cadê ela ? - James pulou do sofá com um olhar frenético em todas as direções possíveis, a mão agarrando um poema tão tosco quanto o último.
Comecei a ri e logo Remus e Peter acompanharam.
