O número doze do Grimmauld Place apareceu imediatamente após Snape pousar os pés na praça do outro lado da rua deserta. O ódio era visível nos olhos dele e os degraus eram obstáculos nulos. A porta praticamente voou assim que o homem passou por ela e os protestos e ofensas de Walburga Black gritava e os corredores ecoavam fazendo com que Sirius descesse as escadas a cada dois degraus para ser surpreendido com o homem o erguendo pelo pescoço e batendo na parede próximo ao quadro.
– Como Marlene sobreviveu?
– O que?
– Marlene McKinnor. Você sabe quem é, portanto não preciso perder meu precioso tempo em relembrar. Como ela sobreviveu?
Sirius abriu a boca tentando respirar enquanto o homem empurrava o ódio contra o Black na ferocidade do olhar. Black balbuciava e inspirava sonoramente deixando a carótida pulsar sob o polegar do outro e decifrando os seus balbuciados, o homem soltou Sirius, deixando-o cair audivelmente
– McKinnor sobreviveu? – perguntou ele depois de aspirar bastante ar pela boca – Como...
– Eu não faço ideia, Granger comentou que ela estava no cemitério quando o lorde das trevas retornou.
O outro arrastou-se até o chão trazendo os joelhos para apoiar os cotovelos enquanto os olhos tentavam focar em alguma coisa entre a parede e os sapatos do homem a frente. Desistindo, ele abaixou e ficou apenas focado no espaço entre as pernas. Severus vendo que o homem não sabia nada sobre, agachou-se apoiando os antebraços nos joelhos
– Quando os ataques começaram, a primeira casa da Ordem extinta foram as dos McKinnor e quando tentaram invadir a casa dos Black, eu percebi que estavam atacando quem era próximo aos marotos – Um pequeno rosnado semelhante a imbecis escapou da garganta de Severus e isso fez Sirius erguer a cabeça – Oras, supere homem.
– Talvez eu o faça quando dependurar você e o lobo de cabeça para baixo na frente de toda a Ordem e lava-los a boca com água e sabão – Sirius rangeu os dentes
– Você não teria coragem...
– Tente-me. – O homem se inclinou mais para frente e isso fez Sirius se encolher – Você viu os ataques aos McKinnor?
– Não. Quando os aurores falaram que ninguém sobreviveu o meu instinto foi procurar a Peter e... Aquele traidor já havia entregado a localização dos Potter.
– Me poupe. Já tenho ciência de toda a ladainha quando o fiz tomar Veritaserum – Sirius arregalou os olhos – Me poupe de dramas, Black ou você acha mesmo que toda Ordem lamberia seus sapatos apenas pelo lobo afirmou ter testemunhado?
– Você é sorrateiro, Snape – grunhiu
– Eu sou Slytherin, não sou? – Snape ergueu-se – Então você não sabia sobre a sobrevivência de Marlene até poucos segundo atrás?
– Não. Mas qual o seu interesse repentino?
– Não é da sua conta.
– Ah, mas é sim – Sirius levantou tentando intimidar o outro homem – Marlene era a minha amiga e se você a desonrou, sugiro que duelemos pela honra dela.
Snape bufou revirando olhos e levou as mãos para trás
– Você, melhor do que ninguém, tem a ciência do que eu fiz e pelo o que eu fiz. McKinnor tornou-se apenas umas agregadas a meu círculo de proteção graças a segredos do seu irmão quem intercedeu por ela.
– Regulus? Co-como?
– Não me pergunte, pois, tenho voto em não o contar e, embora a minha outra parte do voto esteja morta, eu honrarei com minha palavra. Mas seu irmão arrastou, não apenas, asas de dragões como comensais para a morte por causa da sua amiga.
– Mas ele... ele não se envolveria com ninguém da Ordem. Isso ia contra seus ideais – Sirius arrastou as mãos pelo couro cabeludo enquanto se desesperava – Não! Ele não...
– O Black mais sensato entrou por uma ideologia e quando percebeu que não era o paraíso quem lhe prometeram, Regulus traiu os comensais e como punição...
– Ele... você-sabe-quem mandou matar os McKinnor, família a qual ele se aproximara, e os Black. – O homem completou. – Foi então o momento que Peter traiu a Ordem entregou James e Lily. O maldito não poderia entregar o Fidelius de Dumbledore então entregou ao próprio.
– A qual casa devo parabenizar pelo seu excelente raciocínio? – Desdenhou.
– Não faz sentido. Foram quase dois anos entre o sumiço dele e os primeiros ataques! Não, ranhoso, você está enganado em alguma coisa
– Você acha que foi fácil preparar todo um estoque de poções da verdade para o lorde das trevas quando se estava a horas da prova do seu mestrado? – Snape ergueu o braço esquerdo e puxou a manga até que o pulso e antebraço cicatrizados estivessem visíveis – O lorde das trevas não perdoa traições tampouco a demora em cumprimento da sua ordem – Finalizou voltando às vestes a posição inicial
– Mas Cissy e Bella... Oh, não consigo imaginar o quanto essas mulheres sofreram nas mãos daquele tirano
– Na época já eram Malfoy e Lestranger, respectivamente. Elas obtiveram o tratamento que mereceram conforme seus níveis dentro do grupo
– Oh, vejo o quão Bellatrix era íntima devido ao nível de insanidade mental que ela foi presa
– Vejo que tem senso de humor, Black. Entretanto, não vejo como isso ajudaria na causa inicial que é Marlene viva quando todos nós pensamos que ela havia sucumbido no ataque.
– E como, exatamente, você ficou sabendo disto?
– O seu afilhado afirmou que ela estava no lugar do Diggory quando o lorde retornou. Mas, como ela não estava na reunião dos aurores...
– Lene estava com os aurores? Mas ela sequer chegou a terminar a academia. E como ela entrou no labirinto?
– Polyjuice.
– Que você forneceu? – O homem assentiu – E como, em nome de Merlim, você não notou que era ela quem tomaria?
– Eu não sei se o tempo que você ficou com o Buckbeak que tenha esquecido como humanos pronuncia "ela não estava lá". Marlene McKinnor entrou, de alguma forma, despercebida pelo castelo, tomou a poção e arrastou-se pelo labirinto para matar Peter embora particularmente, quereria eu fazer tal feito. – Snape levou a mão a manga onde exatamente a marca jazia, inconsciente.
– Ele não...
– Não embora eu não duvide que ele vá demorar mais. Ele quererá saber o que se passa dentro do castelo, o motivo do senil nunca mais ter dado as caras e, certamente o traidor já deve ter pedido a sua cabeça então, ele quererá saber onde você está escondido e como usá-lo contra o Potter.
– Oh céus, agora sim me arrependo daquele sabão... – Sirius arfou – Eu preciso de uma bebida antes de perguntar o que você vai fazer. – E caminhando até uma poltrona, ele apossou-se servindo do liquido âmbar sendo acompanhado a distância pelo mestre
– Isso não é da sua conta. – Snape respondeu duramente e Sirius quase derramou a bebida espantado – Entretanto, ele pode saber seu paradeiro já que os quadros desta casa têm lealdade com todos que carregam o sangue-negro, mas não pode adentrar mesmo tendo conhecimento do fidelius.
– Mas você...
– Black, eu sou conhecedor, mas não sou detentor. Não posso adicionar ninguém as enfermarias mesmo que eu quisesse vê-lo torturando um pouco. – Sirius engoliu de uma vez o liquido do copo, engasgando – Por tanto, se você acredita que a segurança do Potter vale tanto, permaneça com os pés e cabeça dentro deste local caso contrário os seguidores dele não hesitarão e te torturar e o mártir não pensará, o que eu duvido que ele tenha a capacidade em fazê-lo, e correrá para armadilhas.
– Se já terminou as ofensas, eu tenho muito que pensar antes de perguntar a Dumbledore o que Marlene, e não um auror realmente formado, fazia naquele cemitério.
– Boa sorte em fazê-lo. Não tenho outra coisa a desejar além disto para encontra-lo sem retirar os pés daqui, levando em consideração que ele não se encontra em Hogwarts.
– Oh céus, quem está tomando conta de tudo lá?
– Um bicho-rosa de estimação quem Cornelius implantou pessoalmente, quem distribui ordens e deixa os alunos de cabelo em pés, principalmente quando Potter não sabe diferenciar McKinnor do Diggory quando conta o seu relato de "sobrevivi-mais-uma-vez"
– Céus. Marlene – como se a ficha finalmente caísse, Sirius se inclinou para frente aspirando – estamos indo aos poucos, embora pensávamos que ela já estivesse ida antes e com mais crueldade envolvida.
– Não saí apenas para ouvir as suas lamentações, Black. Mas como vejo que sabe menos que eu, partirei.
Sirius quase protestara com a saída do homem do portal quando se viu sozinho enquanto Walburga comemorava que o mestiço havia parado de poluir o ar da sua mansão. O seu sinistro quase tremia pelo misto de confusões e tristezas dentro de si. Se Marlene havia morrido pela Ordem, ela deveria ter um enterro justo e descente, mas ninguém sabia seu paradeiro excerto por Dumbledore e o diretor estava sumido.
Saber que Snape escondia mais coisas que se deixava falar também não ajudava, principalmente segredos referentes ao paradeiro do irmão, que coincidia com o pedido de proteção a Marlene.
Sirius sabia que viviam sob pressões altíssimas e que a bruxa havia abandonado o treinamento dos aurores no último mês, em abril de 79, por causas desconhecidas e ficou sem paradeiro até 81 quando todos pensaram que ela havia morrido lutando pela Ordem. Entretanto, o testemunho do afilhado por Snape provara que ela estava viva até o ano anterior.
Cansado, com a consciência pesada, o último Black sentiu a impotência de confiar em pessoas erradas. E, caminhando até a tapeçaria, ele passou os dedos na fotografia do irmão, quando algo quase imperceptível lhe chamou atenção: do nome do seu consanguíneo saia uma ramificação, mas não tinha final, já que foi queimada propositalmente ou acidentalmente.
Irado, o bruxo caminhou até ao quadro da mãe quem aparentava estar mais entediada que ele, mas não deixava o nariz perfilado cair.
– Quem? Quem queimou o nome do descendente de Regulus da parede? – A mulher quase desdenhou – Responda
– Você confia demais nas pessoas que te cercam, querido. Foi por isso que você parou naquela casa imunda dos leões e não a casa da única pessoa quem defendeu e protegeu o que nos restou do seu irmão.
– O que custa você me dizer uma coisa diretamente por, pelo menos, uma vez?
– O mesmo que custou você ir para a nossa casa de nascença.
– Eu já disse mulher: o chapéu mal foi colocado na minha cabeça antes de falar "O Black esperado" e gritar...
– Não ouse falar o nome daquela casa imunda sob meu teto!
Irritado, Sirius riu em descrença e deu as costas a mulher do quadro
– Eu vou conversar com o Buckbeak, tenha uma excelente conversa com a parede
