Depois de um domingo tranquilo em casa, Draco estava pronto para enfrentar mais uma semana cheia. Iria trabalhar de segunda a sexta o dia todo e sábado de manhã, além de ser a última semana antes do curso para os aurores.
Assim que chegou na sua sala no St. Mungus, segunda de manhã, escreveu um bilhete para Pansy, convidando-a para almoçar. Como ambos trabalhavam no mesmo local, almoçavam juntos sempre que conseguiam conciliar suas agendas. Mas Draco tinha um objetivo para aquele almoço em particular: pretendia convencer Pansy à ajudá-lo com o curso.
A manhã passou rapidamente e, como próximo às 11h Pansy havia respondido o bilhete aceitando o convite, 12:30 Draco foi almoçar. Ambos estavam com o dia atarefado e, por isso, decidiram que o melhor seria comer na lanchonete do próprio hospital. A comida da lanchonete não era muito boa mas era aceitável e, o mais importante, era o lugar onde conseguiriam almoçar mais rapidamente.
– Olá senhor Black. – cumprimentou Pansy, extendendo a mão e segurando o riso para tentar manter a falsa pose formal.
– Olá senhora Parkinson. – respondeu Draco, entrando na brincadeira da amiga.
– Senhora? Assim você me ofende! – disse Pansy abraçando o loiro e sendo acompanhada por ele nas risadass
Eles seguiram em direção à lanchonete para fazer os pedidos.
– Como você está? – perguntou Draco enquanto estavam na fila.
– Cansada por antecipação. Parece que essa semana acumulou um monte de coisa, espero que tudo dê certo no final. – respondeu Pansy – E você?
– Também estou com a semana cheia, na verdade queria falar com você sobre isso.
Pansy levantou uma sobrancelha em questionamento; mesmo eles sendo muito próximos, não era comum do loiro desabafar. Ela sabia que não era pessoal, o conhecia à tempo suficiente para saber que era apenas o jeito dele, Draco gostava de manter as coisas para si próprio. Mas antes que ela pudesse perguntar, a vez deles chegou na fila.
– Boa tarde! – cumprimentou o atendente – O que vocês vão querer hoje?
– Eu vou querer um número 4. E você, Draco?
– Pode ser também.
– Podem esperar ao lado que daqui a pouco estaram prontos. – indicou o atendente.
Draco e Pansy agradeceram com um aceno de cabeça andaram alguns passos para à esquerda, a fim de desobistruir a fila enquanto esperaram pela comida.
– Sem criatividade? – perguntou Pansy, se referindo à escolha do prato.
– Sem fome na verdade. – respondeu Draco dando de ombros.
– Então, sobre o que você queria conversar? – Pansy não conseguiu segurar a curiosidade.
– Sobre um projeto.
– Draco, eu...
– Eu sei que você acabou de falar que já está com muita coisa essa semana mas, se fosse possível, eu precisava da sua ajuda.
– Aqui estão, dois número 4. – interrompeu a atendende com um sorriso.
Draco e Pansy agradeceram novamente com um aceno de cabeça e foram procurar em uma mesa mais ao fundo do refeitório. Eles se sentaram e comeram os primeiros minutos em silêncio. Ao contrário de Draco, que quase só remexia a comida de um lado para o outro no prato, Pansy parecia faminta uma vez que comia como se aquela fosse a melhor comida do mundo.
– Sobre o curso... – começou Draco, afastando o prato após ter comido apenas algumas garfadas; aquela comida realmente não estava o apetecendo.
– Draco, – disse Pansy entre uma garfada e outra – você sabe que eu te ajudaria sem problema mas essa semana está tão corrida... Se puder ser na semana que vem!
– O curso é na semana que vem.
– Ah.
– Mas não teria muito trabalho para você, eu só queria checar algumas coisas e, se desse para você aparecer lá na terça também seria ótimo, mas se não der não tem problema.
Draco sabia que Pansy e Blaise o ajudariam em qualquer coisa e ele faria o mesmo pelos amigos. Draco e Pansy já tinham sido modelo nos primeiros desfiles da BZ e ficado horas e horas no ateliê com um Blaise estressado enquanto programaga a próxima coleção ou dava os últimos ajustes nas peças; Malfoy e Zabini serviram de cobaias para algumas em fase experimental de Pansy, quando ela ainda estava fazendo um curso para trabalhar no laboratório do St. Mungus, as quais, mesmo a amiga garantindo que eram inofensivas, tinham rendido um ou outra ida à emergência; e Draco nunca agradecer todos os momentos em que teve seus amigos ao seu lado, desde os tempos de Hogwarts, passando pelo julgamento da sua família e, mais recentemente, os exames para ser qualificado curandeiro.
– Tudo bem. – Suspirou Pansy – Veremos no que eu posso te ajudar.
– Obrigado. – Agradeceu Draco com um sorriso sincero.
Draco explicou o mais rápido que conseguiu, devido ao curto tempo que dispunham, sobre como seria o curso e de onde havia surgido a ideia. É claro que Pansy não poupou piadas e olhares sugestivos quando Draco mencionou os encontros com o Santo Potter, os quais Draco fez questão de ignorar.
Quando começaram a falar sobre o kit de poções dos aurores, Pansy se empolgou, ela realmente gostava do que trabalhava. Draco mostrou todas as anotações que havia feito, sobre as poções que compunham o kit e quais ele acreditava que seriam melhores para substituí-las.
– Seria nessa parte que você entraria. – explicou Draco – Eu fiz essas anotações mas você sabe mais de poções de cura do que qualquer um. Realmente gostaria da sua opinião.
– Suas anotações estão ótimas! Vejo que, ao contrário da maioria dos seus colegas de trabalho, você prestou atenção nessa parte do curso de curandeiro. – brincou Pansy.
– Não podia decipiciar a minha amiga mestre das poções não é?!
– Muito bem! – respondeu Pansy rindo – Mas voltando para o curso. Eu posso dar uma olhada nessas suas anotações sobre o kit, você já fez a maior parte do trabalho então deve ser rápido.
– Obrigado. – Agradeceu Draco entregando as anotações.
– E o que seria na terça?
– Seria apenas para você falar sobre as poções que iriam compor o kit. Quando usar ou não, como usar, dosagem, se precisar fazer mais alguma coisa...
– Ok.
– Isso quer dizer que você vai?
– O que eu não faço por você, não é, loiro?! – disse Pansy revirando os olhos mas sem conseguir conter um sorriso.
– Obridado! – agradeceu Draco com um largo sorriso – Estou te devendo uma.
– Está mesmo. – disse Pansy fazendo dois rirem.
Eles se levantaram para devolver os pratos na lanchonte e seguiram para fora do refeitório.
– Vim relaxar no almoço com você e acabei arrumando mais trabalho... – despediu-se Pansy quando os dois pararam no ponto em que seguiriam em direções diferentes.
– Foi ótimo amoçar com você também. – respondeu Draco abraçando a amiga – Ah, estava quase esquecendo, o Potter disse que gostaria de encontrar com você antes do curso.
– Comigo?
– Apenas para explicar como vai ser, eu acho. Quando você pode?
– Sábado?
– Combinado então. Muito obrigado mesmo Pansy.
– Até depois, Dray.
O resto do dia seguiu sem grandes acontecimentos e, quando o expediente acabou, Draco seguiu para o OutBar para encontrar Potter. O moreno chegou no horário combinado e logo eles pediram alguns aperitivos e bebidas para enquanto estivessem discutindo o curso. Draco contou que a colega do laboratório havia aceitado o convite para participar do curso na terça e ajudar com o kit dos aurores e Harry ficou empolgado por terem uma especialista em poções para falar. Passava um pouco das 22h quando eles se despediram, ambos iriam trabalhar cedo no dia seguinte e decidiram que era melhor encerrarem e continuarem a conversa no dia seguinte.
Terça-feira seguiu de forma muito semelhante à segunda. Draco trabalhou o dia todo, parando apenas para almoçar no refeitório com um colega curandeiro, pois Pansy estava sem horário, e, no final do dia seguiu para o OutBar. Novamente ele e Harry discutiram sobre o curso, parecia que, quanto mais eles conversavam mais aparecia coisas para se planejar, e, por volta das 22:30 se despediram.
– Amanhã no mesmo horário? – perguntou Potter quando saíram do pub.
– Ok. – disse Draco, aparatando em seguida.
Quarta estava sendo um dia até monótono no hospital, quase sem novos pacientes, apenas verificar a recuperação dos que já estavam lá. Era quase hora do almoço quando um dos recepcionistas bateu na porta da sala de Draco.
– Senhor Black, chegou uma coruja com essa carta para você.
– Obrigado, Roger. – agradeceu Draco pegando o bilhete.
O recepcionista saiu da sala, fechando a porta e Draco abriu o pedaço de pergaminho que havia recebido.
Malfoy,
Podemos nos encontrar na minha casa hoje? Gostaria de discutir alguns aspectos das missões dos aurores que acredito que possam ser importantes para o planejamento do curso. Não chegam à ser informações confidenciais mas não são de conhecimento público e por isso eu não gostaria de discutí-las em um local público.
Aguardo sua resposta.
Harry Potter.
"Que letra péssima." Esse foi o primeiro pensamento de Draco após ler o bilhete. Se as informações não poderiam ser discutidas em local público não havia nada que Draco poderia fazer. Pegou então um pedaço de pergaminho na gaveta de sua mesa e uma pena e esceveu.
19h.
DM
Assim que terminou de escrever, Draco se dirigiu a recepção para pedir para Roger enviar o bilhete. No caminho de volta, decidiu fazer um desvio e passou na cafeteria pegar alguma coisa para comer. Não estava com fome, então pegou apenas uma maça e uma garrafa de suco de abóbora e voltou para a sua sala.
O resto do dia se seguiu como o período da manhã: monótono. Por esse motivo, Draco, que nunca havia sido conhecido por sua paciência, encontrava-se em frente à casa de Potter com 30 minutos de antecedência.
Ele sabia que seria rude aparecer antes do horário combinado, havia sido bem educado sobre regras de etiqueta e chegar antes era ainda pior do que chegar atrasado. Deciciu então dar uma volta pelo bairro, aproveitando que estava uma noite agradável.
O bairro de Potter era agradável, Draco tinha que admitir. Em menos de 5 minutos Draco estava passando na frente do que deduziu ser o parquinho que Teddy tanto falava que brincava com os amigos trouxas. Naquele momento, restavam apenas alguns pais tentando convencer os filhos que estava na hora de voltar para casa.
Continuou a caminhada, mas poucos minutos haviam se passado quando um delicioso cheiro de café o fez parar; havia uma pequena cafeteria do outro lado da rua. Draco não hesitou de atravessar e entrar no estabelecimento, precisaria de um incentivo para as próximas horas de discussão sobre o curso.
– Boa noite, em que posso ajudá-lo? – perguntou a atendente com um sorriso simpático.
– Boa noite. Eu gostaria de um café grande para viagem por favor.
– Algo mais? – perguntou a atendende e, vendo Draco negar com um aceno de cabeça, informou – São 4 libras.
Draco estava tirando o dinheito trouxa da sua carteira quando um pensamento lhe ocorreu: será que Potter gostaria de um café? Não. Ele iria levar um café extra, mas era unica e exclusivamente para a conversa render e não haver perda de tempo. Se ele precisava de um café para manter o foco, o Cicatriz também iria precisar.
– Pensando melhor, vou levar dois café grandes para vigem. Aqui, pode ficar com o troco. – disse Malfoy entregando uma nota de 10.
Assim, dessa vez no horário combinado, Draco se encontrava esperando na porta de Potter com um copo descartável de café em cada mão.
– Olá Malfoy. – cumprimentou Harry abrindo espaço para Draco entrar.
– Potter. – disse Draco, entrando e entregando um dos copos para Harry – Café. – respondeu ao olhar questionador.
– Ah, obrigado. Não precisava.
Eles seguiram para a sala de estar onde diversos papéis já estavam espalhados sobre a mesinha de centro. Em alguns, Draco conseguiu distinguir a sua própria caligrafia.
– Podemos ir para a mesa da sala de jantar se você preferir. – disse Harry, tentando juntar alguns pergaminhos para abrir espaço.
– As suas coisas já estão aqui. – disse Draco se sentando no chão, era o jeito dele de dizer que não se importava.
Harry havia conversado com o chefe dos aurores sobre o planejamento do curso e estava atualizando Draco sobre os feedbacks que havia recebido. Depois de quase uma hora reorganizando a programação do curso, eles haviam finalmente chegado em uma versão final, que conseguiria cumprir todos os requisitos indicados pelo chefe de Potter.
– Seu café deve estar frio, Potter. – comentou Draco, observando que Harry não havia mexido no copo desde que tinham se sentado.
– Ah, é.
Harry pegou a varinha e a apontou para o copo fazendo um feitiço silencioso, pegou o café, agora quente, e tomou um gole rápido.
– Você não gosta de café. – disse Draco, não era uma pergunta.
– É que... – Harry começou a justificar, coçando a cabeça, sem graça.
– Era só ter falado. – disse Draco tomando o café da mão de Potter.
– Ei, o que você está fazendo?! – exclamou Harry, surpreso com o ato.
– Se você não vai tomar o café, eu vou.
– Ah.
Draco tomou um gole do café, que antes era de Harry, o depositou na mesa, agora do seu lado, e voltou a se concentrar nos pergaminhos e anotações. Depois de alguns segundos percebeu que Harry ainda estava parado o encarando.
– O que foi, Potter? – perguntou, sem desviar os olhos da mesa.
– Foi realmente atencioso da sua parte trazer café para mim.
– Ok.
– Eu não quero que você ache que eu não apreciei o gesto.
– Você agradeceu.
– É só que, tomar café de noite me dá insônia.
Draco revirou os olhos; Potter estava realmente se justificando por não ter tomado o café. Será que ele realmente achava que o loiro ficaria irritado, ou pior, chateado, com isso? Se Draco tinha algum sentimento com relação à isso era felicidade por ter mais um copo de café à disposição. Levantou os olhos para responder dessa vez.
– A próxima vez eu trago um chá então.
Harry arqueou levemente a sobrancelha e deu um pequeno sorriso, tinha sido uma agradável surpresa essa resposta.
– Será que agora podemos voltar o foco? – disse Draco, em tom mais seco depois de notar o olhar de Harry.
Não haviam se passado nem 15 minutos quando Harry parou novamente, apoiando a pena no pergaminho.
– Você gosta de pizza? – perguntou Harry.
– O que? – indagou Draco, confuso com o assunto rependino.
– Temos que comer alguma coisa e tem uma pizzaria gostosa aqui no bairro. Eu posso ligar lá para pedir.
– Tudo bem.
– Qual sabor?
– Tanto faz? – repondeu Draco. O tom de dúvida não passou despercebido para Harry.
– Malfoy, você já comeu pizza alguma vez?
– Não.
– Nunca?
– Não Potter, eu nunca comi... isso.
– Pizza. Vou pedir meia mussarela e meia calabresa então, assim você já experimenta dois sabores. Você vai gostar, confia em mim.
Draco deu de ombros e voltou para as anotações enquanto Harry se levantou para buscar o telefone e fazer o pedido.
A pizza chegou rápido e eles resolveram fazer uma pausa e ir comer na mesa de jantar. Harry fechou a porta e estava agora com uma grande caixa fina na mão.
– O que você vai querer beber? – perguntou Harry, apoiando a caixa na mesa.
Draco deu de ombros, sem desviar os olhos da caixa, o que quer que fosse estava com um cheiro muito bom. Harry revirou os olhos para a falta de resposta, mais uma vez, do loiro e abriu a caixa, segurando uma risada quando a sobrancelha de Draco levantou se surpresa, mesmo que por uma fração de segundos.
– Vou pegar cerveja para nós dois então. Pode ir se servindo. – disse Harry indo em direção à cozinha.
Quando voltou, Malfoy estava parado exatamente da mesma forma, encarando a pizza, que continuava intacta.
– Malfoy? – chamou Harry entregando a cerveja.
– Obrigado.
– Não vai se servir?
– Como? – perguntou Draco encarando a pizza. Odiava se sentir perdido e precisar da ajuda dos outros mas aquele circulo gigantesco coberto de queijo não estava deixando muitas dicas sobre como proceder. A risada de Harry que se seguiu não ajudou e fez Malfoy fechar a expressão.
– Desculpa. – disse Harry tentando parar a risada quando viu a careta do loiro – Aqui, eu pegou para você. Só de queijo ou queijo com calabresa?
Draco odiava admitir, mas Harry tinha razão, aquela comida trouxa era muito gostosa, teria que apresentar aquilo para Pansy e Blaise.
Três pedaços de pizza e duas garrafas de cerveja para cada um depois, Harry se levantou para ir guardar as duas fatias restantes na geladeira e Draco o seguiu, com os pratos e talhares. Eles ficaram em silêncio quase todo o jantar e enquanto arrumavam as coisas e ambos se surpreenderam com o fato daquele silêncio não ser desconfortável.
Depois do jantar, Harry compartilhou as informações que eram o principal motivo de terem mudado aquela reunião para a sua casa. Se tratavam de alguns relatos sobre acidentes dos aurores em trabalhos, anotações sobre aparatação, dados sobre os principais tipos de missões para as quais o esquadrão era enviado, indicações sobre locais e condições de aparatação ou outros meios de transportes... Draco imediatamente entendeu o que Harry havia dito: aquelas não eram informações confidenciais, mas eram dados importantes que, nas mãos erradas, poderiam ser prejudiciais para o esquadrão.
Depois de mais de duas horas conversando sobre como essas novas informações afetariam o curso, os dois estavam exaustos.
– Amanhã às 19h? – perguntou Draco quando chegaram na porta da casa de Harry.
– OutBar?
Draco assentiu com a cabeça, caminhou alguns passos para fora e aparatou.
Quinta-feira transcorreu de forma muito semelhante à terça: horas de trabalho seguidas de petiscos, bebidas e discussões com Harry no OutBar. A única diferença foi que, naquele dia, Draco teve que ouvir Pansy resmungar por ele estar deixando de sair com ela e Blaise para se encontrar com Potter.
Sexta-feira ainda no período da manhã, Roger bateu na porta da sala de Draco com mais um bilhete de Harry, avisando que, devido a uma missão de última hora, não conseguiria encontrar com Draco. Já haviam resolvido quase tudo sobre o curso, então Draco aproveitou o tempo livre para relaxar em casa, depois do trabalho.
Como Harry havia pedido para conversar com a colega de trabalho de Draco que o ajudaria no curso, eles combinaram de se encontrar sábado às 10h em um café em uma das ruas secundárias do Beco Diagonal.
Draco foi o primeiro a chegar e escolheu uma das mesas próximas às janelas laterais de onde poderiam olhar o movimento do lado de fora sem ficarem expostos como nas janelas da frente. Harry chegou poucos minutos depois.
– Bom dia, Malfoy.
– Potter. – respondeu Draco, indicando a cadeira para Harry se sentar.
– Bom dia, senhores. – cumprimentou a atendente ao se aproximar – Já sabem o que vão querem hoje?
– Um café, por favor. – pediu Draco.
– Um chá de alfazema para mim. – acrescentou Harry.
As bebidas chegaram e Draco não pode deixar de se indignar por Potter preferir tomar aquilo que parecia uma água suja com cheiro doce de flor do que um maravilhoso café.
– A sua colega vem hoje? – perguntou Harry.
– Sim. Ela teve que passar no St. Mungus antes para conferir o andamento de um outro projeto mas já deve estar chegando.
Eles continuaram tomando suas respectivas bebidas e conversando sobre nada em particular. Cerca de 20 minutos depois, Pansy chegou.
– Olá, olá, desculpem o atraso. – disse ela colocando a bolsa no encosto da cadeira e se sentando.
– Parkison? – disse Harry, surpreso.
– Olá, Potter.
– Por que não me falou que a sua colega de trabalho era a Parkison? – Harry perguntou para Draco, que se limitou a dar de ombros e tomar o último gole de seu café.
– Algum problema? – perguntou Pansy, como uma sobrancelha erguida e um olhar quase que desafiador.
– Não, é só que... Bem, estudamos juntos, ele poderia ter me falado.
– Agora você sabe. – disse Pansy, encerrando o assunto – Acredito que Draco já tenha te passado as sugestões que eu havia comentado com ele, certo?
– Sim.
– E eu vou paticipar do curso na terça.
– Terça será o dia mais focado no kit dos aurores, então seria o dia mais importante para você participar, mas será bem-vinda nos outros dias também.
– Um dia já é muito mais trabalho do que eu preciso. – resmungou Pansy, baixinho, mais para si mesmo.
Algumas xícaras de chá, café e chocolate quente e alguns bolinhos e biscoitos depois, os últimos detalhes de terça-feira foram acertados e o curso estava finalmente todo planejado, faltava apenas executá-lo.
Harry se surpreendeu com Pansy, não gostava da garota nos tempos da escola, mas aquela mulher que estava sentada com eles na mesa não parecia a mesma pessoa. Pansy era uma pessoa divertida, fazia piada com tudo e todos, sem muito filtro. A personalidade extrovertida lembrou Harry de Gina.
Gerar conversa quando Pansy estava junto era extremamente fácil, visto que a morena conversava sobre qualquer assunto. Em dado momento começaram a discutir quadribol, definitivamente a parte em que Draco mais participou da conversa.
– Gina disse que os treinos estão mais intensos do que nunca. Acredito que as Holyhead Harpies tem grandes chances nessa temporada. – comentou Harry.
– A Weasley? – perguntou Pansy.
– Sim. – respondeu Harry. – Você a conhece?
– Lembro vagamente dela em Hogwarts pois a Luna andava bastante com ela no último ano.
– Ah, sim, a Luna! Eu sempre esqueço que vocês são amigso dela. – disse Harry com uma risadinha – Na verdade, eu só descobri isso no dia do encon-... – Harry se interrompeu, corando fortemente, e se apressou em concluir – descobri um dia desses.
– O encontro de vocês dois! – exclamou Pansy gargalhando – Merlin, como eu queria estar presente para ver a cara de vocês!
Harry sabia que estava com o rosto parecendo um pimentão mas não pode deixar de, lá no fundo, sentir uma pontada de felicidade por saber que Draco havia contado sobre o encontro dos dois para os amigos.
– A Luna sempre surpreende. – comentou Draco em tom casual, mesmo Harry podendo jurar que, por uma fração de segundo, havia visto um leve tom rosado no rosto do loiro.
– Vocês tem recebido notícias dela? – perguntou Harry, aproveitando a mudança de assunto – Esse mês acabamso não trocando nenhuma carta.
– Impossível alguém que convive com Blaise não saber notícias da loira. – disse Pansy revirando os olhos mas com um sorriso divertido no rosto.
– Zabini? – perguntou Harry, confuso.
– Uhum.
– Não sabia que eles eram tão próximos.
Pansy e Draco torcaram um olhar significativo; não era bom sinal que Luna não tivesse comentado nada com os amigos. A troca de olhares não passou despercebida para Harry que, em alguns segundos, surpreendendo até a si mesmo, conseguiu montar o quebra-cabeça.
– Luna está saindo com o Zabini! – exclamou Harry empolgado por ter chegado nessa conclusão, Hermione estaria orgulhosa dele.
Mas em um segundo a empolgação do moreno se transformou em uma mistura de preocupação e careta. Os Sonserinos em geral, os dois que estavam sentados naquela mesa e Blaise, em particular, não tinham uma boa fama.
– O Zabini... – começou Harry sem saber muito como proceder – ele gosta da Luna?
– Se está tentando conseguir algum podre do Blaise pode desistir. – respondeu Pansy, seca.
– Não, não é isso! – Harry apressou-se em corrigir – Eu só me preocupo com a Luna. Ela é minha amiga e, às vezes, as pessoas se aproveitam da bondade dela.
– Ela é nossa amiga, e de Blaise, também. – constatou Draco.
– Eu sei, é só que... – Harry começou a se justificar, mas foi interrompido por Pansy.
– Blaise é uma ótima pessoa e realmente gosta da Luna.
Harry sorriu com a resposta, era apenas isso que ele precisava saber. Pansy logo mudou de assunto e eles voltaram a jogar conversa fora. Depois de algum tempo, Harry olhou distraidamente no relógio do seu pulso.
– Merlin já são 12:30! – exclamou Harry, já começando a se levantar. – Estou atrasado para buscar o Teddy, tenho que ir!
– Teddy? Seu namorado? – perguntou Pansy.
Draco notou que Harry corou com a pergunta, mesmo que Teddy fosse apenas seu afilhado, provavelmente não estava acostumado com a falta de filtro de Pansy. Ela tinha o costume de falar o que vinha na cabeça e parecia desconhecer o conceito de "informação pessoal".
– Não. – respondeu Harry com uma risadinha – Teddy tem 8 anos, sou padrinho dele. Vou buscá-lo para o almoço.
– Ah. Mas você tem namorado? Ou alguém? – disparou Pansy.
"Merlin, Pansy realmente não estava pegando leve para uma primeira conversa com Harry", pensou Draco. Mas ele não iria intervir, Harry com as bochechas rosadas, as sobrancelhas erguidas de surpresa com as perguntas inexperadas e as expresões sem graça com o assunto que eram completadas por aquela bagunçada nervosa no cabelo eram boas demais.
– Eu... é... – Harry começou a responder. Parou, deu uma bagunçada no cabelo e, quando voltou a falar, sua voz saiu mais baixa do que planejava. – Não.
– Hm. – disse Pansy com um sorriso ladinho que Harry acho parecido com os que Draco dava às vezes e que ele nunca conseguia interpretar completamente – Bem, até terça então!
– Até terça. – disse Harry, completamente perdido com o encerramento da conversa de forma mais rependino do que como ela havia começado. Virando-se para Draco perguntou. – Nos veremos só na segunda, agora?
– Acredito não haja mais nada para planejarmos. – repsondeu Draco.
– Qualquer coisa é só me mandar uma coruja. – disse Harry com sorriso tímido.
O moreno deixou algums galeões em cima da mesa, despediu-se rapidamente mais uma vez.
– Você não é tão ruim como eu imaginava, Potter. – despediu-se Pansy – Um encontro com você pode ser realmente... como você descreveu mesmo, Dray? Ah, é, agrável.
– Ahn, obrigado? – disse Harry, corando.
Draco fuzilava a amiga com o olhar pelo comentário enquanto Harry pegava o casaco que havia deixado no encosto da cadeira e, em seguida, desaparecia pela porta da frente.
– De nada. – disse Pansy, assim que os cabelos pretos de Harry saíram do campo de visão.
– Posso saber sobre o que você acha que eu deveria agradecer? – perguntou Draco, ainda irritado com o comentário anterior.
– Potter acabou de confirmar que não está com ninguém.
– Ah, sim. A sua pergunta sutil. – ironizou Draco, fazendo Pansy revirar os olhos.
– Eu consegui a informação não consegui? Isso que importa.
– E para que exatamente você queria essa informção? – perguntou Draco, arqueando as sobrancelhaças.
– Eu não, você!
– E por que eu iria querer essa informção?
– Não se faça de desentendido comigo, Malfoy. – respondeu Pansy e, sem deixar tempo para Draco falar, acrescentou – Onde vamos almoçar?
– Eu já havia combinado de almoçar com a minha mãe lá em casa. Quer ir?
Pansy frequentava a casa de Draco desde que era criança então conhecia Narcissa muito bem. Principalmente depois de tudo que havia acontecido, com a guerra, e, agora que Pansy já estava adulta, as duas haviam desenvolvido um carinho grande uma pela outra.
– Claro! Tem tempo que eu não encontro com a sua mãe. – repondeu Pansy
O almoço dos três acabou se transformando em uma tarde de conversas e terminando apenas depois de um queijos e vinhos no jantar. Às 21:30 Narcissa se despediu do filho e de Pansy e seguiu pela rede flu.
Pansy e Draco abriram mais uma garrafa de vinho para tomarem enquanto assitiam um filme qualquer que estava passando na televisão. Já passavam das 3 da manhã quando Draco acordou com o braço dormente; haviam cochilaod no sofá e Pansy estava em cima do seu braço.
– Pansy, acorda. – disse Draco dando uma leve sacudida na amiga.
– Me deixa dormir... – resmungou Pansy virando para o lado, travando mais ainda o braço de Draco.
– Pansy, sai de cima do meu braço e vamos para a cama!
Mesmo contrariada, Pansy se levantou e seguiu para o quarto do loiro. Draco costumava arrumar o quarto de visitas quanso alguém ia passar a noite na sua casa, mesmo Pansy e Blaise, mas era igualmente comum eles ficarem com preguiça e os amigos acabarem dormindo na cama com Draco mesmo.
Draco vestiu um short de pijama e pegou uma blusa que Pansy gotsava de usar como camisola, pois era muito mais baixa que o loiro. Já estava deitado, com todas as luzes apagadas e quase voltando a dormir quando ouviu a voz de Pansy.
– Uma agradável noite para você Draquinho.
– Cala a boca, Pansy.
– Você me ama.
– Boa noite, Pansy.
