Ai, caralho, como deu trabalho pra escrever isso. To morrendo de sono, mas valeu a pena. Como eu disse no cap. anterior, aquele era o ponto de virada, neste cap. cês vão perceber que as coisas "viraram". Tenso, mas já dá pra ver como que será o tom da fic daqui pra frente. Boa leitura, bom sábado, bom dia(no meu caso é boa noite).


Todos ficaram em completo silêncio depois da constatação enquanto que a navegadora encarava o olhar de seu capitão com pura determinação em seu semblante.

—E-ei... isso é sério mesmo?!- questionou Sanji, um cigarro recém aceso escorregando por seus lábios e chocando-se pela grama.

—Isso é bom, né?- perguntou Usopp, encarando cada um de seus companheiros para ter alguma noção sobre como reagir.

Sorrisos pouco a pouco foram tomando os rostos de seus colegas.

—AW! TEM UM CHAPÉUZINHO DE PALHA NO MUNDO?!- perguntou Franky fazendo algumas poses e com um semblante alegre.

—YOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHO!- de tão animado que estava, Brook, correndo para todos os lados, acertou o mastro principal do Sunny, mas sem deixar se abater por isto, ele surpreendentemente começou a caminhar pela madeira, subindo mastro acima, até dar com a viga de apoio da vela e começar a correr de ponta-cabeça - sua cartola-coroa caindo no processo -, até se permitir levar pela gravidade, dando uma cambalhota no ar e caindo de joelhos ao lado de Luffy e Nami, retomando sua cartola em meio a queda e fazendo um gesto como quem cumprimenta um igual.

—Bem-vindo ao clube, Luffy-san!- saudou o esqueleto.

—VOCÊ TEM FILHOS?!- perguntou Usopp no alto de sua surpresa.

—Yohoho! Na verdade eu- Usopp não chegou a ouvir o resto da resposta.

—De onde vêm os bebês?- questionou Chopper, puxando a perna da calça de Usopp para chamar sua atenção.

—COMO VOCÊ PODE SER UM MÉDICO SEM SABER DISSO?! E POR QUE VOCÊ TÁ PERGUNTANDO PRA MIM, EM PRIMEIRO LUGAR!? VOCÊ É NOVO DEMAIS PRA SABER DISSO DE QUALQUER MANEIRA!- disparou as respostas com mais rapidez do que gostaria de admitir o atirador.

—YOHOHOHOHO!

—Precisamos comemorar! Ei, Usopp, vai buscar aquele vinho que achamos semana passada!- ordenou Sanji, ao que ele já ia seguir quando...

—Eu cuido disso!- intrometeu-se Chopper, oferecendo-se para tomar o lugar de Usopp, já partindo para faze-lo.

—Ei!- protestou o rapaz, em vão.

—Franky! Vamos precisar fazer um berço! Mas onde é que vamos deixar ele? Não tem muito espaço sobrando no dormitório masculino desde que Jinbe entrou pro bando... apesar de que ele prefere dormir sempre no Soldier Dock System ou no aquário... no quarto das mulheres, talvez?!

—Não seja idiota!- retrucou ofendido o ciborgue. —Eu não vou fazer um simples "berço"! Eu vou fazer o FRANKY SHOGUN MK 2: MINI LUFFY! Vai ser de aço impenetrável, será flutuante, terá luzes e lasers e vai ficar num quarto especialmente projetado pro garoto na figura de proa do Sunny, para ter a melhor vista possível!- enquanto falava, Franky abraçara os ombros do cozinheiro com um braço enquanto que com a mão livre ele gesticulava como quem mostrasse o futuro e, ao final de seus dizeres, ele apertou seus nariz de ferro por alguns segundos e seus cabelos azulados mudaram-se, formando uma figura reta de topo arredondado, com duas pernas de apoio, dois olhos pouco acima de um corte feito rente ao começo da parte arredondada e um chapéu de palha cobrindo o domo.

—OH!- impressionou-se Sanji.

—QUE LEGAL!- Usopp precisou piscar os olhos repetidamente e sacudir a própria cabeça para tirar-se do estupor de maravilhamento. —EI, SEUS IMBECIS! UM NAVIO PIRATA NÃO É LUGAR PARA UMA CRIANÇA!- repreendeu ele.

—EI, SEI IMBICIL, IM NIVIO PIRITA NAO E LIGAR PIRA IMA CRIANSA- imitaram os dois em um profundo tom de deboche, o próprio Sanji apertando o nariz de Franky dessa vez, resultando em um corte de cabelo que mimetizava o rosto de Usopp fazendo uma careta com grandes lágrimas escorrendo pelos olhos.

—MIDORI BOSHI!- num rápido ataque de oportunidade, os dois foram atingidos em suas testas.

—ORA, SEU!- recuperaram-se, prontos para ataca-lo.

—SUICIDAL HAMMER CORN*!- da testa de ambos o caule de duas plantas cresceu, se uniu num só, criando uma grande planta cujo longo caule deu fruto a inúmeros brotos de flor que logo desabrocharam, deixando crescer de seu cerne uma dura espiga de milho no formato de martelo que, ao crescer, desfiaram-se da planta, batendo contra as cabeças que estavam abaixo, desferindo assim inúmeras marteladas.

Um sorriso vitorioso preencheu o rosto do atirador vendo seus algozes derrotados.

—Lu-luffy, q-quem seria e-ssa... mu-mulher que vo-você engravi-gravidou?- questionou com intensa dificuldade Robin, mantendo um sorriso rígido e falso, olhos fechados e escorrendo suor.

Brook começou a tocar uma agradável sinfonia e por um momento, percebeu Usopp, todos esqueceram de seus estômagos vazios.

Se perguntava se quando ele tivesse um filho as coisas seriam assim também. Apesar de que não tinha como ele saber se seria possível, graças a saúde delicada de Kay- ele sentiu seu rosto esquentar só com o pensamento de... ! Ele que sequer tinha perdido sua virg... ! Será que ela já tinha?! Ela era de uma família importante, talvez já tenha até se casado... ! Não! Melhor voltar pro outro pensamento! Imaginar uma criança correndo pela casa, crescendo entre eles... !

A ideia trazia até mesmo um sorriso ao rosto.

E ele não era o único sorrindo.

(não pelo mesmo motivo, é claro)

Mesmo que Luffy quase tivesse se afogado a pouco, Usopp podia ver o sorriso escondido no rosto de Nami, mesmo que ela estivesse de costas para ele.

As únicas quatro pessoas que não esboçavam uma boa reação agora eram Sanji e Franky, quem ele havia nocauteado - talvez por causa da fome -, e Jinbe e Zoro, ambos sentados no canto, recostados no corrimão.

Os olhos de Zoro estavam estreitados para seu capitão enquanto que Jinbe mantinha um cenho franzido em seu semblante.

Usopp se perguntava por que eles estavam assi-

Por pouco, muito pouco, ele conseguiu evitar um fato de chamas.

—AGORA VOCÊ ME PAGA! VEM AQUI!- gritou Franky irritadíssimo, queimando a planta que subia por sua cabeça, a pele ao redor de seu olho direito completamente quebrada, deixando o metal que costuma ficar embaixo dela exposto e o globo ocular emitindo uma luz vermelha o encarando ameaçadoramente.

Tentou fugir escada acima, mas Sanji foi mais rápido e se colocou na sua frente, bloqueando sua passagem.

Pôde sentir o aperto de metal da mão de Franky em seu ombro e começou a rezar para que sua alma descansasse em paz no pós mortem...

Até que uma resposta tão baixa quanto um sussurro o salvou.

—E dai?- as palavras foram tão baixas que a tripulação em si mal as ouvira.

E elas vieram dos lábios do capitão.

—Como?- perguntou Nami com a testa franzida e um olhar confuso no rosto, olhos ainda presos aos olhos de Luffy, suas mãos ainda segurando-o pela gola de sua camisa.

—Você disse que eu preciso tomar mais cuidado a partir de agora porque eu vou ter um filho... e dai?- perguntou ele, inclinando a cabeça para o lado, genuinamente curioso.

Zoro fechou os olhos como quem já sabia onde isso ia dar desde o começo e Jinbe apertou a ponte de seu nariz, já sentindo a dor de cabeça que viria dali.

—Achei! Eh?- Chopper finalmente voltou da cozinha, carregando a garrafa de vinho, sentindo o pesado clima que agora se abatia por sobre seus colegas.

Robin, quem cobrira o próprio rosto com uma de suas mãos, a abaixara, limitando-se à cobrir seus lábios e narina, para poder olhar para a rena e observar o desenrolar da cena.

—Ei, Luffy, você não pode se arriscar por nada agora! E o seu filho?!- a pergunta veio do ciborgue, que soltou Usopp e deu alguns passos na direção de seu capitão.

—Eu não ligo.- foi a resposta, dada em um tom quase que de desprezo, enquanto que ele dava de ombros sem se importar em esconder sua indiferença.

Todos pareciam repentinamente congelados pela tom do homem. Demorou alguns segundos para o processador de Franky computar a displicência de seu capitão.

Quando finalmente o fizera, fumaça começou a sair por entre as brechas da máquina.

—Você "não liga"?!- rosnou ele por entre os dentes, seus músculos tensionando e seus punhos fechando perigosamente.

—Não.

—Espera, Luffy! E a mãe? Como que ela vai cuidar de uma criança sozinha?!- interveio Nami, apenas para ser respondida com outro balanço de ombros.

—Não me importo.

—Como... ?- a pergunta da navegadora saiu num dom ferido de descrença e foi recebida com um suspiro entediado.

—Eu não me importo. A mãe é maravilhosa, uma das melhores pessoas que eu já conheci e inclusive, o sexo foi ótimo... mas a criança? Não, eu não me importo. Não estava nos planos. É só um acidente de percurso, eu não quero.

Cada palavra proferida foi dita enquanto Luffy olhava a mulher a sua frente diretamente nos olhos, como se fosse um desafio.

Nami não conseguiu se segurar e desferiu outro tapa em seu rosto.

Ou tentou, desta vez o moreno aparou o golpe, segurando-a pelo pulso.

—Ei, Luffy! Solta ela!- reclamou Sanji, se movendo contra a força que o capitão impunha sobre o pulso de sua navegadora.

—Ela disse que se descobrirem sobre isso, vão mata-la, ou estou errada?- as palavras da ruiva voltaram a calar todos.

Luffy acenou em concordância.

—E você não vai fazer nada sobre isso?

Então o moreno olhou nos olhos das ruiva e, com toda a calma do mundo, com uma voz que transbordava serenidade, ele a respondeu.

—Ela é uma mulher forte. Mais forte do que a maioria que eu conheço. E ela já salvou minha vida uma vez. Ela vai saber lidar com isso.- tanto a voz quanto o rosto do capitão não demonstraram qualquer emoção em seus dizeres.

Num borrão azul, Jinbe se ergueu de onde estava e se colocou em posição de batalha, com os punhos encharcados com água retirada da umidade do ar, ele aparou um potente chute carregado com as mais ardentes chamas.

—E ISSO LÁ É JEITO DE TRATAR UMA MULHER, SEU MERDA?!- berrou Sanji, olhando diretamente para Luffy, até que Jinbe, que ainda segurava o pé do cozinheiro, o empurrou, derrubando-o no chão.

—Acho melhor se acalmar.- disse o tritão, agora que havia conseguido a atenção do loiro.

Pesados e rápidos passos foram seguidos pelo som de metal se chocando contra metal.

—Concordo com Jinbe-san. Seria melhor se nos acalmássemos, senhor.- em tom plano Brook alertou Franky, cujo soco fora bloqueado pela lâmina do cantor espadachim.

—Me solta! Você não vai fazer nada mesmo?! Hein!? Me responde!- gritava Nami, tentando se soltar do agarre de Luffy.

—ME ACALMAR? VOCÊ QUER QUE EU OUÇA ESSE MONTE DE ASNEIRAS E FIQUE QUIETO?!- gritou o ciborgue para o morto.

—Sim, por favor.- foi a resposta simples do mais velho.

—Se você não conhece a história de ninguém desse navio é melhor não se meter no que não sabe, a menos que queria que tenhamos tubarão para o jantar.- ameaçou o cozinheiro para o timoneiro, que não se abalou, limitando-se a mudar sua postura, sem deixar sua guarda baixa.

—Eu não estou aqui pela história de vocês, estou?

—Robin.- todos assistiram com total descrença quando Luffy soltou o pulso de sua companheira e Nami caiu, vitima do Haki do Rei de seu capitão.

—COMO VOCÊ OUSA?!- gritou Franky, empurrando Brook que começou a congelar o braço do ciborgue.

—DIABLE...- começou Sanji, mas não teve tempo de terminar, pois seu chute fora bloqueado mais uma vez por Jinbe.

—Gyojin Karatê!- começou também Jinbe, também sem a oportunidade de terminar, pois Sanji deu um chute fazendo um arco em meia lua, acertando o rosto do tritão.

Ainda assim, Jinbe desferiu seu golpe contra a boca do estômago do cozinheiro, fazendo voar e bater contra a parede atrás de si.

No entanto, o Perna Negra usou a parede para se impulsionar, aproveitando que seu último chute deixou uma brecha na guarda do Cavaleiro dos Mares. Novamente, Sanji se lançou ao ataque, passando diretamente por Jinbe e mirando o rosto de Luffy.

Só que dessa vez o chute encontrou a barreira de três espadas de Zoro, que não perdeu tempo em empurra-lo de volta.

—CIEN FLEUR!- das costas da mulher desmaiada surgiu um amontoado de braços que deu suporte para que seu corpo não caísse descuidadamente sobre o chão.

—Independente do que vocês acham ou não, de como veem o idiota do nosso capitão ou do tamanho da intimidade que têm com ele, não se esqueçam: ele é o nosso capitão, as palavras dele são as nossas ordens e seus desejos nossos objetivos. Cada um de vocês sabia disso quando entrou para o bando, então não se esqueçam disso agora.

Disse por fim Zoro, olhando para os olhos de Franky, com a Wadou Ichimonji em seus lábios com o fio perigosamente próximo do rosto do ciborgue.

—Capitão?- perguntou ele sem se virar.

E depois de um minuto de silêncio, Luffy tornou a falar.

—Estamos todos cansados, com fome e irritados. Vamos apenas seguir fazendo o que pudermos para chegar a próxima ilha o mais rápido possível e lá podemos discutir esse assunto de novo se quiserem. Até lá, não quero mais ouvir falar deste assunto. Isso é uma ordem.

E o silêncio voltou a imperar, até que Sanji o quebrou, levantando-se.

—Metade da tripulação deste navio foi abandonada por seus pais ou os perdeu quando ainda éramos pequenos. Se você não sabe disso, não pode imaginar o quão sensível o assunto paternidade é pra nós. Se não sabe de todo esse contexto, qual a sua utilidade entre nós?- perguntou ele se limpando, encarando Jinbe diretamente nos olhos antes de sair escada acima.

—Ei, vamos nos acalmar, sim? Tenho certeza de que podemos resolver isso se estivermos mais calmos... !- falou Usopp para Sanji, sendo sumariamente ignorado pelo cozinheiro que tomou a garrafa de vinho das mãos de Chopper enquanto subia as escadas. —Né, Chopper?

A rena olhou com um olhar ferido para Usopp antes de subir também.

—Sanji! Me espera!

—Hmpf! Eu pensei que você fosse diferente dos outros, mas no fim, são todos iguais.- disse Franky se afastando e abrindo o alçapão para a oficina. Antes de descer, ele olhou diretamente para o capitão, para o imediato e para o músico do bando. —Obrigado por me lembrar o quão desprezível são vocês piratas.

E desceu sem dar chance para que fosse retrucado.

Robin enfim se moveu. Agachou-se para segurar o corpo mole de Nami e olhou Luffy nos olhos por um segundo. —Conversamos sobre isso mais tarde.- Usopp já não sabia precisar quem dissera, apenas observou enquanto Robin subia com Nami para o quarto delas ao estilo noiva.

Por fim, Brook embainhou sua lâmina e se dirigiu à Luffy com um suspiro.

—Com sua licença, capitão, vou ver se Chopper precisa de ajuda com algo na enfermaria.

E quando o capitão concedeu sua licença, o morto-vivo saiu caminhando calmamente, ao invés de sua agitação natural.

—Vai ficar tudo bem, né, Luffy? Quando tudo isso acabar vai ficar tudo bem, né? Você não vai simplesmente ignorar seu filho, né? Nem a sua mulher...- perguntou por fim o atirador e com um suspiro cansado, Luffy se levantou pela primeira vez desde que todo aquele confronto começara.

—Descanse um pouco, Usopp. Vai ser melhor pra você.

E ao fim de seus dizeres, ele subiu para a proa.

Jinbe e Zoro o acompanharam.

E assim ficaram os três no fim: sozinhos.


Por sinal, este também foi o último dos capítulos do Usopp. Mesmo que o Usopp não tenha tido grande destaque nestes capítulos, mas enfim. Foi divertido. Se tudo der certo, amanhã eu consigo postar três capítulos, mas eu não ponho muita fé não. Enfim, vou lá. Bjos, papai ama vocês.

*Estrela verde: Milho-martelo-suicida. Plantinha criada por mim, se trata de um milho que cresce o mais alto possível a dá flores no topo de seu caule, destas flores nascem suas espigas especiais no formato de martelo, justamente para que o peso e o ponto de gravidade de cada espigas as faça cair de maneira que a planta "desfie", sendo autodestruída no processo para que a morte do caule primário mate também suas raízes, dando espaço para que cada espiga vire uma planta nova nas proximidades sem ter que competir com as raízes da planta anterior. Não, este milho não é comestível.

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