Nós jantamos como se nada estivesse errado.
Sasuke falou sobre negócios com o sheik e eu entrava na conversa quando eles mudavam de assunto. Nós sorrimos e ficamos de mãos dadas na frente do sheik, rimos quando ele brincou sobre como nossos filhos seriam lindos. Mas era tudo mentira e insinceridade, até nossos sorrisos. Meu estômago estava muito embrulhado para comer e eu deixei a deliciosa comida intocada no meu prato.
Os olhos de Sasuke tinham uma dureza que me preocupava. Geralmente sua raiva ou tensão se dissolvia tão rapidamente quanto começava, mas não desta vez. A dureza o perseguia como uma sombra e deixava sua boca puxada.
Eu queria beijá-lo para que ela fosse embora uma vez que tinha sido eu que a tinha colocado lá. A noite se arrastava. Minhas entranhas estavam dando nós e meus nervos estavam tensos quando Sasuke pagou a conta. Era isto. A última vez que ficaríamos juntos como um falso casal.
Nosso próximo passo seria decidido em poucos minutos — se eu iria sucumbir ao meu desejo e iria para casa com Sasuke, ou se eu diria adeus a ele, possivelmente para sempre. Ainda não tinha decidido quando saímos do restaurante. Só chegamos até a porta, e nosso caminho foi bloqueado pela última pessoa que eu esperava ver. A última pessoa que eu queria ver no restaurante. Meu pai.
"Te encontrei," ele rosnou para mim. A mão do Sasuke se endureceu contra as minhas costas. Ele se aproximou, protetor.
"Quem é você?" O olhar inflexível do meu pai perfurou Sasuke.
"O pai de Hinata." Para meu horror, ele enfiou o dedo na cara de Sasuke. "E você, senhor, é um Uchiha sujo, sem coração."
Ah Deus. Meu coração pulava no meu peito. Isto não estava acontecendo. Como se minha vida não estivesse se desintegrando o suficiente, agora tinha que colocar meu pai longe de Sasuke. E do sheik também. O sheik limpou a garganta.
"Talvez eu deva sair."
"Não," meu pai surtou. "Você precisa ouvir o que eu tenho para dizer." Eu agarrei o braço dele.
"Não, ele não precisa. Pai, saia daqui. Você está me envergonhando."
"Sim?" Seu hálito cheirava a cerveja e seus olhos estavam nublados. "Bom, porque parece que a única maneira de chegar até você é te envergonhando. Eu tentei argumentar com você, quando eu vi a foto. Eu disse para ficar longe dos Uchihas. Mas aqui está você novamente."
Eu tentei levá-lo para a porta, mas ele não se mexia. Ele estava bloqueando a saída. "Pai. Vá embora. Agora."
Sasuke veio para o meu lado. "Vamos discutir isso lá fora," ele disse silenciosamente. "O gerente está olhando nervoso e ninguém mais precisa saber o que está te preocupando."
"Então eu vou dizer-lhes, posso?"
"Pai," eu murmurei através de lágrimas quentes. "Por favor, por que você não vai embora? A gente conversa mais tarde." Mas ele não estava ouvindo. Não acho que ele me ouviu.
Ele olhou para Sasuke. "Ela só está com você pelo dinheiro." Nós não estávamos nos tocando, mas senti o corpo inteiro de Sasuke endurecer. O sheik deu um passo para trás para nos dar privacidade, mas ele ainda nos ouvia. Ele ouvia tudo. Ele ia descobrir que o noivado era uma farsa. A pouca comida que eu tinha comido no jantar se embrulhou no meu estômago. Talvez passar mal no exclusivo restaurante iria distrair todos, do que meu pai estava prestes a dizer.
"Você sabia que ela perdeu seus dois empregos?" ele disse para Sasuke. Ouvi Sasuke engolir, mas ele não parou de olhar para mim. "Ela precisa do dinheiro. É por isso que ela está saindo com você. É a única razão pela qual ela está saindo com você, um maldito Uchiha. Minha garota é uma boa garota, e ela não chegaria perto de você e da sua família sem uma boa razão. Não depois de todos os avisos que eu dei para ela e das coisas que sua família fez para mim."
"Pai," eu falei. "Isso é o suficiente. Agora vá. Por favor."
"Hinata?" Sasuke franziu a testa para mim e balançou sua cabeça. Ele tinha uma nuvem de confusão em seus olhos. Uma fúria interior ameaçava explodir.
"O que ele quer dizer? O que a minha família fez para ele?"
"Não se preocupe com isso agora," eu disse dando um olhar sobre o sheik. "É uma história antiga. Eu vou te contar mais tarde."
Suas narinas se alargaram, mas ele absteve-se de fazer mais perguntas, embora eu achasse que ele estava testando sua paciência.
"Eles realmente não estão noivos," meu pai disse para o sheik. "Ela só quer o dinheiro dele, e ele só quer seu dinheiro." Ele mostrou os dentes num sorriso macabro quando o sheik lhe deu atenção. "Os Uchihas são uma família sem escrúpulos. Eles estão te enganando, senhor, e vão pegar todo o dinheiro que eles puderem espremer de você com este falso noivado entre minha filha e o filho deles. Mas eu não acho certo. Eu sou o pai dela e não quero que minha filha seja usada assim para que eles possam ganhar." Os músculos da mandíbula do sheik se cerraram. Os lábios dele ficaram brancos.
"Isso é verdade?" ele perguntou para Sasuke. "Você mentiu para mim?" Sasuke inclinou a cabeça em um aceno. O sheik empurrou meu pai e caminhou para fora. Tinha acabado. A mentira tinha chegado ao fim. Tinha estragado tudo. Meu pai tinha estragado tudo, e agora ele ia ficar repreendendo a família de Sasuke na cara dele.
Eu não ia aguardar e deixá-lo machucar Sasuke assim, mas não parecia que ele estava indo a qualquer lugar. A única maneira de fazêlo parar foi dar-lhe um motivo para sair. Então eu saí. Eu corri. As lágrimas escorrendo pelo meu rosto borrando minha visão para que eu não soubesse para qual direção eu me dirigia. Tudo o que eu sabia era que eu estava fugindo do restaurante, do meu pai e de Sasuke. Longe da minha vida confusa. Senti-me doente, com meu coração em pedaços. Como meu coração ainda conseguia bater era um mistério para mim porque doía muito. Esfreguei meus olhos, mas mesmo assim as lágrimas vieram. Eu continuei a correr. O ar frio acalmou um pouco a minha pele quente... e o vento varria o meu cabelo. Meu ombro bateu num poste de luz e quase tropecei em uma seção desigual do pavimento. Então uma mão agarrou meu braço e me empurrou de volta.
"Pare, Hinata!" Sasuke. Ele parecia preocupado e aliviado e com raiva ao mesmo tempo. "Jesus. Você está indo para a estrada." Olhei através de meus cílios molhados e vi que eu tinha quase entrado na pista que levava a estrada. Meu corpo começou a tremer. Não conseguia parar. O ar fresco da noite se infiltrou em meus ossos e alojou-se lá. Sasuke me largou e minhas lágrimas começaram a jorrar novamente. Eu queria o seu toque, mas precisava de sua ira. Era bem-vinda. Eu merecia depois do jeito que eu tinha enganado ele.
"Não acredito," ele rosnou. "Não acredito que eu não vi como realmente você é. É por isso que você estava fingindo gostar de mim? Foi por isso que você dormiu comigo? Para se vingar?"
"Não! Meu pai é quem quer se vingar, eu não." Ele resmungou.
"Não me importo com os motivos dele, só com os seus. Você é a única que importa para mim."
Soou amargo, mas as próprias palavras me deram algo positivo para eu me agarrar. Eu precisava disso, já que tudo ao meu redor estava em movimento, como um mar tempestuoso.
"Então foi por dinheiro" ele zombou. Não havia nada do homem gentil e amável que eu conhecia naquela voz cruel. Os olhos dele brilhavam como diamantes frios contra a luz ofuscante dos postes. Ele era o cruel e feroz CEO. "Eu sabia, mas parte de mim sempre quis acreditar que eu estava errado." Ele enfiou a mão no bolso do paletó e tirou algum dinheiro.
"Aqui. O pagamento final pelo seu tempo." Ele empurrou o dinheiro e tirou sua mão.
"Não quero seu dinheiro. Não é sobre dinheiro." Eu abri minha bolsa e encontrei o maço que ele tinha me dado mais cedo. Eu estendi-lhe as notas. "Eu vou te pagar o resto quando eu tiver. Tudo o que você me deu."
Ele não aceitou, mas olhou para mim, assim que enfiei o dinheiro no bolso do paletó. Algumas notas se derramaram pela calçada e o vento as levou embora. Era difícil ver na luz fraca da rua, mas achei que seus olhos se amoleceram e sua mandíbula relaxou.
"Eu não queria te pagar também. Me sentia sujo e o que senti por você não era sujo." Eu queria chegar perto dele e abraçá-lo, dizer a ele que o amava e que não me importava com o dinheiro dele. Mas seu corpo se enrijeceu novamente, e quando ele falava, sua voz era desafiadora e implacável. "Por que, Hinata? Por que você fez isso se não era o que você queria?"
Era o que eu queria! Eu queria gritar para ele, mas se hoje eu tinha aprendido alguma coisa era que eu estava certa. Uma relação entre nós não iria suportar as tempestades jogadas em nós pelo comportamento de um bêbado e vingativo - meu pai. Havia muita história ruim sob a ponte Uchiha-Hyuuga e não ia levar a lugar nenhum
"Se não é sobre o dinheiro a única razão que posso pensar é vingança," ele disse. "Porque você não quer ficar comigo. Você já deixou isso claro em várias ocasiões." A tristeza e a decepção em sua voz me machucavam.
Eu odiava que ele pensasse isso de mim, mas talvez fosse melhor. O que tornou mais fácil para ele ir embora. "Deus, eu sou um tolo. Confiei em você, Hinata. Eu me apaixonei por você."
Meu coração parecia morto no meu peito. As palavras dele pairavam no ar entre nós, uma bela promessa e uma prisão ao mesmo tempo. Eu segurei um soluço, mas as lágrimas voltaram. Ele limpou a palma da sua mão na boca.
"Espero que você esteja dando uma boa risada às minhas custas." Ele se virou e caminhou de volta para seu carro.
Papai estava pairando à distância, e agora que ele tinha me visto, vinha na minha direção. Eu entrei num táxi e fiquei aliviada que ele chegou antes do meu pai.
