Capitulo 9
Sua Rosa
Eles passaram a noite juntos. Não na cama, matando uma saudade que eles sabia que tinham, mas olhando cada uma das fotos e imaginando todas as viagens que fizeram juntos, tentando recriar as lembranças esquecidas.
Ela chorou em alguns momentos, quando a compreensão do que perderam lhe atingia volta e meia. Ele secava suas lagrimas e lhe acolhia em um abraço reconfortante, repetindo que ela não precisava ficar daquela forma, pois reconstruiriam o que tinha sido lhes arrancado.
Fizeram planos:
Novas viagens.
Renovação dos votos.
A nova casa que teriam, em uma cidade do interior, longe da correria de Seul.
Filhos. De preferência gêmeos.
Duas samambaias, um cachorro e um gato. Pelo menos.
E rosas. Muitas rosas.
Quando ela percebeu que usava uma tiara adornada com essas flores no casamento, foi que entendeu o apelido que ele lhe dera.
Ficou se perguntando se era assim que ele a chamava antes de se casarem e que, talvez, esse fosse esse o motivo do adorno.
-Como será que eu lhe chamava? – ela perguntou melancólica.
-Como você me chamaria?
Min Young deu de ombros. O Sol nascia defronte a eles que agora observavam o astro rei sentados na sacada do apartamento.
-Maluco? – ela brincou depois de um momento.
Seung Gi riu.
O celular dele tocou. Estranharam, era extremamente cedo.
-Detetive Im. Bom dia. – olhou de lado para ela e Min Young entendeu que provavelmente o policial perguntava por ela. Fez um sinal de concordância – Sim, ela está comigo sim. – balançou a cabeça em concordância a algo que o outro dizia – Comparar os depoimentos? Certo. Que horas? Ok.
E desligou.
-O que ele queria?
-Quer comparar o seu depoimento com o meu, quando eu estava agindo sob influência do chip.
Ela assentiu em concordância. Confrontariam as lembranças dos dois. Eles fizeram isso durante alguma parte da noite.
-Precisamos enfrentar isso. – ele disse diante da expressão vazia dela.
E mais uma vez, Min Young concordou.
-Mas precisamos ir a um lugar antes.
O grupo aguardava no quartel general, como havia sido solicitado. Estavam tristes, abatidos pela perda.
Dali, iriam juntos ao enterro. Sabiam que provavelmente seriam os únicos a aparecer por la.
A ultima integrante do grupo a chegar foi a mesma que pediu a reunião previa.
Mas Park Min Young não chegou sozinha. E a presença de seu acompanhante fez com que o grupo se exaltasse.
Oh Se Hum deu um pulo da cadeira, pronto para partir para cima de Lee Seung Gi. Fora Yoo Jae Suk quem o segurara, muito embora Kim Jong Min continuasse berrando insultos e incentivando a agressão física. Mas todos ali sabiam que ele era medroso demais para tomar tal atitude.
-Se acalmem. – disse o líder aos dois.
-Vai dizer que ele é confiável agora. – reclamou o mais novo, ainda borbulhando e raiva.
-Não, ele não é confiável... assim como nenhum de nós.
A frase surtiu o efeito desejado. Se Hun encarou o recém chegado, ainda com ódio no olhar, mas voltou a sua cadeira com um bufar irritado.
-Vocês vão deixa-lo voltar ao grupo? – chiou Jong Min, exasperado com o rumo que as coisas estavam tomando.
Seung Gi deu um suspiro antes de continuar.
-Eu não vou pedir desculpas, porque... bom, não ia adiantar. – deu de ombros antes de completar – E nada do que eu falei era exatamente mentira, não é? – completou debochado.
Min Young lhe deu uma cotovelada enquanto o restante do grupo voltava a encara-lo com ódio. Tentando desviar o assunto, a acompanhante levantou a sacola com Tupperware que trazia.
-Que tal comermos o café da manhã enquanto conversamos. – ela começou a abrir os potes cheios de Kimbap e arruma-los na mesa que todos ocupavam. Em seguida puxou uma das cadeiras para se sentar e fez sinal para que o acompanhante se sentasse próximo a ela.
Seung Gi obedeceu, assim como os demais que se re-arrumaram em suas cadeiras. Menos Jong Min.
-Vocês vão mesmo ouvir o que esse assassino tem a dizer? – voltou a perguntar.
-Fique calmo, oppa. – disse se Jeong, a conciliadora, em tom doce.
O líder fez novo sinal para que ele se acalmasse e sentasse. Ainda atordoado, ele o fez.
-Há um motivo para que ... esse moço... – Yoo Jae Suk apontou o recém chegado com desaprovação - ...esteja aqui. Como o dr. Kim já nos informou, assim como nós, ele também tem um chip implantado na nuca que gostaria de desativar... resumindo, temos o mesmo objetivo. Somos aliados. – ele colocou um dos kimbaps feitos por Min Young na boca e continuou, olhando para Seung Gi – Mas não espere alguma simpatia de nós. Não vou cair na besteira de trata-lo como a um irmão mais novo novamente.
O outro acenou em concordância, em seguida segurou o riso a cara de satisfação que o mais velho fazia para o gsoto da comida que mastigava.
-Isso está muito bom, Min Young.
Ela sorriu, em agradecimento.
-Já pode casar. – brincou Se Jeong, antes de experimentar, também, o quitute feito pela a amiga. Seguindo o movimento dos demais.
-Então, esse é o ponto que eu queria tocar, quando solicitei essa reunião matinal. – ela comentou, meio sem graça – Eu descobri uma lembrança que o chip me tirou...
O grupo voltou os olhos para ela, interessado, mas ainda mastigando os kimbaps com satisfação.
-Eu já sou casada.
Se os demais não estivessem surpresos demais com a informação, talvez percebessem a mudança sutil e rápida no semblante de Jong Min.
Lee Seung Gi percebeu. Ficou se perguntando o que passara na cabeça do medroso nesse momento.
Do grupo, Se Jeong foi a primeira a recuperar a fala e perguntar.
-E já sabe quem é seu marido? Já o encontrou, ele está vivo?
Se Hun parecia preocupado com outros por menores.
-Como você descobriu isso?
Ela deu uma nova olhada de lado para Seung Gi, para que ele tomasse a frente. Ele puxou a própria carteira do bolso do palito que vestia e a abriu. De lá, tirou uma miniatura, tamanho 5x7, da foto que tinha na própria sala e a esticou primeiro para Jae Suk.
O mais velho arregalou os olhos abismado ao se deparar com a imagem dos dois. Mas em segundos o semblante pareceu ser de compreensão.
-É, devo dizer que isso faz todo sentido. – comentou, esticando o pedaço de papel para os demais.
Se Joeng e Se Hun olharam para a pequena foto juntos, tamanha era a curiosidade.
-Não, sem chance! – berrou o rapaz, enquanto a mais nova levantava um olhar surpreso, porém animado, para Min Young, que lhe retribuiu com um risinho alegre.
-Ele está te manipulando. – disse Jong Min, sem nem ao menos olhar para a foto – Isso deve ser uma montagem.
-Há mais... – ela disse - ...Muito mais fotos comprovando a nossa relação, oppa.
-E como a conseguiram? – perguntou Jae Suk – Jong Min está certo, isso pode ser montagem... todas elas.
Seung Gi tomou a frente nas explicações.
-Quando me apresentei a polícia, depois do ocorrido... – ele se dirigia especificamente ao líder, que sabia da história – Fiquei preso um tempo até que o detetive Im me chamou e me apresentou o dr. Kim e a Pyo Ye Jin. Disse que eles tinham algo que eu podia me interessar. – ele se remexeu na cadeira, visivelmente incomodado – Os dois tinham um celular que eu não lembrava ter sido meu. Mas o conteúdo não deixava dúvida... além disso, eles disseram que haviam rastreado o dono e chegaram a mim.
Antes que alguém se pronunciasse, o que praticamente todos tentaram fazer, ele levantou o dedo pedindo silencio e continuou.
-O dono desse celular havia sumido um ano antes de eu começar as atividades como assassino das flores. E a esposa dele, voltou os olhos para Min Young, passou um ano o procurando até que a policia encontrou um carro carbonizado em um acidente. O carro e os pertences batiam com os do marido dela e ele foi dado oficialmente como morto, mas, por algum motivo, ela não aceitou tal fato.
-E o que aconteceu com ela?
-Segundo as investigações da Pyo Ye Jin, ela também sumiu alguns meses depois e foi encontrada morta, em Seju, também carbonizada. – ele tirou outras duas fotos do bolso, essas maiores – Essas são as fotos das duas urnas mortuárias deles.
O grupo voltou a avaliar o que ele lhes mostrava com interesse. Nas fotos, as urnas mortuárias tinham fotos de cada a identificar o "morador".
-Isso pode ser falso. – disse Jae Suk simplesmente.
Seung Gi concordou.
-Mas faz algum tempo que eu decidi confiar no Dr. Kim... foi ele quem tirou essas fotos, não eu. – suspirou – O nosso caso não foi o único. O grupo para o qual o dr. Kim e a Ye Jin trabalham são de familiares de pessoas desaparecidas que, tudo indica, foram usadas no projeto D. segundo as investigações deles, havia um grupo dentro do projeto que não tinha as mesmas intenções do K, quando a utilização das cobaias.
-A ideia desse grupo era conseguir criar um exército de pessoas que se adequassem a uma vida social normal, mas que eles pudessem usar para seus crimes. – comentou Min Young – Seung Gi foi uma das cobaias que deram certo.
-Então, eles dois não trabalham sozinhos... – comentou Jong Min, parecendo entender alguma explicação de primeira.
-Isso nós já sabíamos. – respondeu Se Hun, ainda olhando Seung Gi desconfiado – Eu continuo não confiando em você.
-E faz bem... Nem eu confio em mim mesmo. Como já disse para a Min Young e para Jae Suk, eu achei que a influência do chip tinha acabado quando completei o serviço para o qual havia sido programado... Mas a personalidade voltou quando eu confrontei o imitador. – respirou fundo e disse amargamente – Eu não tenho domínio sobre isso. Foi por essa razão que me entreguei a polícia. Seria mais seguro para mim e para todos.
-Eu... – Min Young tomou novamente a fala, mas dessa vez ela trazia um certo medo na voz - ...eu estou desesperada só de pensar que possa ter sido a responsável pela norte do oppa Jae Wook. – disse, desolada – Nós dois vamos a delegacia quando saímos daqui, o detetive Im quer comparar nossos depoimentos, tentar achar algum vestígio de que eu possa ter agido sob alguma influência do chip, mas não me lembre. – deu um leve olhar na direção do marido – Mas Seung Gi acha que não fui eu.
O grupo voltou a encara-lo e ele não se rogou em explicar.
-Eu lembrava de tudo que eu fazia... Às vezes, questionava meus motivos depois do ato, mas me lembrava. A Min Young não lembra de nada... não acho que tenha sido ela.
-Rezemos para que você esteja certo, então. – disse Jae Suk, pegando mais um kimbap e enfiando na boca.
Os demais acabaram por fazer o mesmo. Estavam todos com fome depois do assunto nada agradável.
-E se nós não nos lembrarmos... – comentou Se Jeong antes de morder o kimbap que pegar – Digo... e se o normal for não lembrarmos? Nós podemos já ter sido usados inúmeras vezes.
A pergunta não teve resposta, mas cumpriu o seu efeito de gerar incomodo no estomago de todos.
Após os eventos do funeral, era hora de voltarem novamente para o problema que os assombrava.
A comparação dos depoimentos de Min Young e Seung Gi não rendeu nenhum fruto tampouco. E a polícia acabou por concluir o mesmo que o assassino das flores. Embora a arma do crime tivesse somente as digitais dela, nada indicava que fora ela a aplicar os golpes que vieram a tirar a vida de Ahn Jae Wook, já que a hora da morte não batia com a do assalto a sua casa. Para tanto, Parlk Min Young precisaria ter se ausentado do hospital quando estivera internada, coisa que não fizera, em nenhum momento. Pelo menos não havia nenhum registro do fato. Sendo assim, o inquérito mostrava que alguém tentara incrimina-la...
No momento o grupo aguardava na sala de espera do hospital onde os caçulas do grupo aceitaram se submeter a uma tentativa arriscada de inutilização dos chips.
Já haviam se passado algumas horas quando, finalmente, o dr. Kim apareceu para lhes dar alguma satisfação.
Os detetives o olharam apreensivos e, em resposta, o médico balançou a cabeça em negativo enquanto se aproximava. O procedimento não havia dado certo.
-Eles estão bem... – disse, a expressão cansada – Mas os chips não foram desabilitados. Ficamos com medos e tentar algo mais forte. Oh Se Hun não reagiu muito bem as descasgas.
-Como ele está? – o tom de voz de Seung Gi era exasperado. Ele estava bastante preocupado, desde o começo da operação. Era notório que ele realmente se importava com o coreografo que o acolhera como a um irmão mais velho.
-Ele está bem. Ambos estão. São jovens e fortes... – o doutor pousou a mão sobre o ombro dele – Não se preocupem. Eles vão demorar a voltar da anestesia, vocês só poderão vê-los amanhã. – disse já voltando-se novamente para o grupo.
Eles acenaram em concordância e, muito embora a vontade não fosse sair dali, acabaram por faze-lo.
Seung Gi e Min Young se despediram dos dois mais velhos a porta do hospital e foram em bora de mãos dadas.
Yoo Jae Suk e Kim Jong Min observaram a cena com expressões bem diferentes. Uma de contentamento, a outra de inveja.
-Não gosto deles dois próximos assim. – reclamou Jong Min.
-Você não gosta por que tem ciúmes da Min Young. – reclamou o líder – Quando vai entender que ela não é para o seu bico?
Bufou, se afastando do outro em seguida.
Jong Min abaixou a cabeça irritado. E soltou um resmungo quase inaudível antes de, por fim, ir atrás do outro.
Continua...
