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Os dias quentes de primavera passavam rapidamente enquanto as árvores de Kyoto se tornavam coloridas com os desabrochar das flores. As cerejeiras por toda a cidade ficavam tão rosas quanto os cabelos da moça que espreitava seu alvo com olhos firmes. Sua posição não era exatamente favorável, afinal, a pequena criatura era ágil, podendo sair em disparada a qualquer momento e para qualquer lado.

Havia um óbvio desafio no dia do banho dos oito cachorros de Hatake Kakashi. Buru era o maior e o mais fácil, ficava parado e parecia não se importar com a espuma que o esfregar das mãos faziam na pelagem negra. Era o mais fácil de verdade. Alguns achavam que era uma festa com água, como Urushi e Shiba, e ficavam brincando agitados sob a mangueira que jorrava água.

Tinha Pakkun, que ficava se tremendo de frio, mas que não era exatamente difícil de dar banho, exceto pelo seu olhar de pena que fez com que Sakura o envolvesse com a toalha duas vezes, mesmo antes de tirarem o shampoo. Guruko, Ūhei, e Akino eram os que se jogavam na grama verde assim que libertos e se sujavam novamente, como se nunca tivessem tomado um banho na vida.

E claro, tinha Bisuke.

Sakura deu um passo à frente, pronta para se lançar na direção provável que o pequeno animal iria correr, mas não sabia que ele era perspicaz a ponto de enganá-la e fugir pelo outro lado. Ela correu dando a volta na casa, tentando esbarrar com o cachorro no intermédio, mas escorregou e caiu de bunda numa poça que havia se formado enquanto via o pequeno animal rir.

Pelo menos era isso que parecia da perspectiva dela.

— Sakura, você está bem?

A voz grave de Kakashi se fez presente enquanto ele saia da casa pela porta dos fundos carregando uma fatia de presunto. Ele se ajoelhou ao lado da moça que estalava a língua em sua frustração.

Mais uma vitória para ele... – E semicerrou os olhos na direção de seu alvo, fazendo o homem ao seu lado rir.

— Peguei nossa arma secreta – Ele disse em seguida, balançando o presunto para Sakura, mas sabendo que seu alvo estava vendo também, juntamente com sete outros cachorros que se aproximavam em velocidade — Vem! – Disse estendendo a mão para ajudá-la a levantar.

A mulher sentiu sua bunda levemente dolorida, mas não era nada com que não conseguisse lidar. Assim, ela levantou e viu o homem distribuir o presunto em pequenos pedaços, um para cada, até seu alvo distraidamente se aproximar, como se tivesse esquecido do quê estava fugindo, e então...

— Peguei! – Vangloriou-se a mulher levantando o pequeno animal para o céu, exibindo seu prêmio.

O que aconteceu daí por diante fora muito simples. Bisuke tomou seu banho um tanto contrariado, mas deixou-se ser esfregado devidamente, sacolejou água para todos os lados mais vezes do que qualquer outro, mas o casal não se importou desde que já estavam ambos todos molhados. A camiseta azul escuro de Sakura tinha rastros de terra e grama, assim como seu short de malha completamente arruinado. O homem tinha desistido de sua camisa, estando coberto de pelos e grama.

Já havia se passado quase um mês desde que haviam efetivamente iniciado aquele namoro. Foram ver o Hanami naquela segunda-feira e pareciam estar no ginásio novamente, com as mãos dadas andando enquanto algumas pétalas se soltavam das lindas e intensas flores rosas. Tudo estava seguindo seu rumo do jeito que tinha que ser, e a relação deles se tornava cada vez mais estreita.

A verdade é que era fácil estar com Kakashi. Ele era tranquilo na maior parte do tempo, quase beirando a preguiça, e tudo que ela também queria era um pouco de paz. Seus amigos eram em grande parte um bando de festeiros, e Ino sempre estava dedicada a uma nova atividade, mas Kakashi estava ali lendo um bom livro na varanda de casa enquanto os cachorros faziam qualquer coisa. Ela gosta de acordar ao lado dele, e das conversas que vinham tão naturalmente.

Às vezes havia silêncio, mas era sempre o tipo de silêncio bom. E às vezes havia barulho, muito barulho, mas sempre o tipo bom. E ele tinha lá suas manias, era até um pouco metódico com certas coisas, e claro que ela havia descoberto aquelas pequenas coisas que a irritavam, afinal ninguém é perfeito, mas mesmo tais transgressões eram perdoáveis diante de tudo que tinham.

Quando terminaram a sessão banho em todos os cachorros, Sakura sorriu satisfeita com seu trabalho conjunto.

— Cansada? – Ele perguntou quando a viu sentar no chão da varanda, com as pernas para fora quanto Bisuke corria voltas e voltas incansáveis em torno da casa na esperança de aquecer-se mais rápido.

— Totalmente – Sakura riu deixando seu corpo ceder ao deitar no piso de madeira. — Quando você disse que era difícil eu não imaginei esse nível de difícil.

— Hoje foi até fácil. Buru colaborou. – Comentou se afastando brevemente para pegar a mangueira antes de continuar com uma voz mais grave, enquanto olhava para algum lugar além com uma expressão séria — Ei, vem cá ver isso.

— Isso o quê?

A pergunta foi feita enquanto a moça se levantava com a curiosidade súbita lhe invadindo. Não precisou dar muitos passos para se aproximar do homem enquanto olhava na direção que ele indicava quase de maneira despretensiosa, sem ver nada de diferente ou que lhe chamasse atenção de verdade. Estreitou os olhos enquanto perguntava para ele sobre o que diabos ele queria mostra-la, tentando ver da perspectiva dele ao se pendurar no ombro do homem, ficando na ponta dos pés no vão esforço para alcançar a mesma visão do homem que era bem mais alto que ela.

Quase se sentiu culpado quando a viu soltar aquele ruído de susto quando ele apontou a mangueira na direção dela, fazendo com que a mulher ficasse encharcada rapidamente. Riu quando ela se virou agarrando a mangueira de sua mão, jorrando água nele em revanche pela pequena brincadeira. Ficaram naquela guerra molhada por algum tempo, sem perceber o olhar curioso de Pakkun sobre eles, enquanto os outros tentavam se unir ao que estava acontecendo sem se molharem novamente.

Era a época avaliativa na universidade. Sakura tinha começado a estudar como uma louca nos últimos dias e como consequência, as saídas tinham diminuído. Quando ela lhe disse que estava indo à sua casa naquela manhã, Kakashi estava para desistir dos banhos nos cachorros para aproveitar ao máximo sua namorada estudiosa, mas ela quis viver aquele momento e insistiu em participar do banho.

Estavam se vendo a pouco tempo, mas já estavam completamente inseridos um na rotina do outro, como se fosse muito fácil abrir os espaços sem grandes sacrifícios. Se viam todos os dias, mesmo que por apenas um momento, já que tinham o benefício de poderem se ver na faculdade, durante um intervalo ou outro. Os finais de semanas passavam juntos seja na casa dele ou na casa dela.

E Kakashi tinha entendido que namorar Sakura era meio que namorar Ino também, porque ela já havia invadido sua casa duas vezes em busca da amiga em algum momento, se acomodando entre eles na cama para assistir algum filme com eles sem sequer preocupar-se com estar na mesma cama de Kakashi, mas isso não o incomodou. Na verdade, ele até gostava de saber que sua garota tinha alguém assim por ela, além disso, Ino era uma ótima companhia e sempre tinha algo novo para falar.

Naquele dia, no entanto, Ino não tinha dado sinal de vida e eles estavam no seu próprio mundo. Tomaram um longo banho antes de voltarem às atividades rotineiras. Sakura estava na cama enquanto assistia alguma reprise na televisão, sem realmente prestar atenção enquanto olhava seu instagram em busca de alguma novidade, vendo os storys de Naruto sobre como queria comer lamém pro resto da vida. Sorriu percebendo que estava com saudades dos meninos ao passo que derrubava o celular no colchão soltando um bocejo preguiçoso.

Ainda faltava algum tempo para o almoço e Kakashi estava ali, sentado naquela escrivaninha no quarto olhando para os papeis na sua mão. Ele sentava relaxado com as costas apoiadas e tinha uma caneta azul que balançava insistente entre os dedos enquanto seus olhos analisavam com precisão os papeis. Eram trabalhos que ele precisava corrigir, e deus, Sakura gostaria de saber se ele tinha noção de quão bonito era enquanto ficava daquele jeito, imerso no trabalho.

Às vezes ele dava uma breve risada, como se estivesse desdenhando do que estava escrito, às vezes ele apenas acenava com a cabeça, como se concordasse com o que quer que estivesse ali. Era engraçado como ele mantinha aquele olhar compenetrado enquanto mastigava o canto interno de sua bochecha, considerando as palavras, analisando as conclusões daquele papel cheio de linhas em sua mão.

Ela ainda conseguia lembrar daquele dia que o espreitou dando aula, o dia que o viu pela primeira vez. O jeito que ele se mexia, sua voz ocupando todos os espaços, a postura ereta, os ombros largos e relaxados, como se estivesse plenamente acostumado com o que estava fazendo. Kakashi era simplesmente magnifico.

O observou por um longo momento sentindo que estava sorrindo o tempo todo, porque nesses momentos ela percebia o quão surreal era a vida em todos os sentidos. Kakashi era o homem que a encontrou num site aleatório fazendo um show adulto para milhares de pessoas, e ela nunca imaginou que um dia estaria em sua cama, completamente apaixonada pela figura concentrada a sua frente. Ela nunca imaginou que pudesse, um dia, encontrar alguém como ele, porque ela se sentia essa pessoa cheia de problemas que só causaria mais problemas para qualquer um com quem se envolvesse.

Mas Kakashi parecia uma fortaleza, como se sua calma não pudesse ser perturbada, como se seu equilíbrio fosse absoluto e dominante, e a segurança que ele lhe trazia era algo que nunca imaginou ter.

E sim, talvez estivesse se dando rápido demais, talvez estivesse mergulhando de cabeça para no final quebrar a cara, mas era como Ino tinha dito, relacionamento é se arriscar, e Sakura tinha certeza que ele valia a pena toda vez que colocava os olhos nele e o pegava sorrindo como se ela fosse sua pessoa favorita no mundo.

A mulher se levantou da cama da maneira manhosa sem despertar a atenção do homem. Ela se aproximou dele deslizando sua mão pelos ombros dele, sentando em seu colo com naturalidade enquanto o pegou sorrido para ela num misto de surpresa e calma. As mãos dele a envolveram como um sinal que a mulher jamais atrapalhava, e a beijou suavemente quando os rostos ficaram no mesmo nível.

— Eu acho que se fosse sua aluna, eu ia repetir sua matéria sempre. – Ela comentou divertida — Porque você é tão gato que tira a concentração de qualquer um.

— Oh – Fingiu surpresa — Então deve ser por isso que tanta gente reprova na minha matéria.

— É sério! Você é incrível – Falou puxando-o para si, num beijo calmo, deixando todos aqueles sentimentos fluírem por ela sem parar. — Droga, Sensei, eu sou tão sortuda. – Completou com humor enquanto sentia as mãos dele deslizarem em suas coxas nuas.

Sensei? – Repetiu num tom divertido.

Kakashi-sensei! – Ela disse mais perto, buscando um beijo singelo enquanto ele ria.

— Isso soou mais sexy do que deveria, senhorita Haruno – E sorriu enquanto ela piscava aqueles olhos verdes brilhantes para si de maneira quase inocente — E o sortudo aqui sou eu.

Se olharam por um breve segundo e estavam repletos daquela energia suave que moldava o clima quando estavam juntos, como se absolutamente nada pudesse atrapalhá-los. Kakashi sorriu antes de beijá-la no rosto, ainda fazendo aquele carinho na coxa enquanto ela se empertigava em seu abraço, mantendo seus olhos apaixonados no homem que não conseguia parar de pensar nela.

Ficaram ali conversando por um momento, esquecendo todo resto enquanto os olhares e sorrisos flutuavam no ambiente, mas não por muito tempo, porque o alarme de Sakura soou e ambos sabiam que ela tinha que ir embora, afinal, tinha prometido a Ino que iria estudar com ela pela tarde e ajudá-la a se preparar para seu grande encontro logo mais à noite.

Com uma despedida nada breve, Kakashi a levou até o carro se certificando que ela voltaria a tempo do jantar, para ficarem o resto da noite juntos sem fazer muita coisa. A viu ir embora depois de lhe mandar um beijo, passou a mão nos cabelos enquanto dava meia volta pensando em fazer macarrão instantâneo para o almoço porque tinha muitos trabalhos para corrigir e não queria perder tempo cozinhando.

Olhou a geladeira com certo desinteresse, só para confirmar o que já sabia: Não havia nada que fosse de rápido preparo ali. Anotou brevemente num papel grudado na geladeira o que deveria comprar no supermercado antes de virar-se para pôr a água numa panela qualquer.

Pegou seu celular para ver as mensagens de Genma no grupo, como se não conseguisse ficar um segundo de boca fechada e precisasse estar ocupado o tempo todo. Estava compartilhando memes a todo instante, comentando promoções de sabonete, enviando links com pornô suspeito. No final das contas ficava bem evidente que o homem estava só o nervosismo.

Iria sair com Ino novamente, naquela noite.

E por isso sua namorada tinha sido requisitada no Jardim Botânico, afinal, duvidava que Ino iria querer estudar diante de um encontro iminente.

Colocou o macarrão no prato junto do molho, jogou o pano de prato por cima do ombro quando foi pegar os hashis seu celular se fazia presente com o toque comum que soava insistente toda vez que alguém o ligava.

Nohara Rin.

— Rin – Disse colocando o telefone no ouvido sem demorar muito para atender.

Kakashi, oi – Respondeu parecendo apressada — Você sabe se aquelas minhas botas de cano médio estão aí na tua casa?

Soltou um ruído pensativo sem saber muito bem de que par de sapatos ela estava falando. Rin não deixava muita coisa em sua casa, mas desde que tiveram um relacionamento de anos, era normal que coisas ficassem esquecidas em seu closet.

— Acho que sim, mas não tenho certeza.

Céus... Kakashi, por favor, eu preciso que você dê uma olhada. São de couro, bem simples na verdade.

— Certo – Ele disse maneando a cabeça — Você vem pegar?

Hoje? Não! – E riu como se estivesse desesperada — Na verdade, eu queria saber se você não teria nada para resolver no centro hoje ou amanhã, e aí deixaria a bota no meu trabalho ou lá em casa. Eu to super atolada com as coisas do casamento da Kurenai.

— Eu to corrigindo uns trabalhos, mas vou no supermercado no final da tarde, se eu achar suas botas deixo na sua casa – Explicou num tom de quem está propondo um acordo.

Ok, obrigada! – A mulher disse parecendo aliviada antes de simplesmente se despedir como se tivesse que terminar uma maratona em seguida.

Kakashi desligou e ficou olhando para a tela do seu celular onde Jaspion mandava um joinha para quem o estivesse vendo. Era sempre um tanto esquisito falar com Rin depois de tudo que havia acontecido. Ela parecia bem, mas ele não tinha tanta certeza, afinal ela evitava prolongar assuntos e sempre que o ligava era para algo prático, nunca tentando conversar mais do que o necessário.

Às vezes ele ficava pensando se deveria chamá-la para almoçar e conversar um pouco, mas achava que poderia estar sendo egoísta tentando checar como ambos estavam em nível de relacionamento amigável. Ele ainda gostava dela como uma amiga, quase como uma irmã, e queria que sua relação com ela ganhasse um contorno mais fixo, porque naquele momento Kakashi não sabia onde estavam.

Não eram um casal, eram ex's. Tinham ultrapassado a barreira da amizade a muito tempo, e tinham regredido do patamar do relacionamento amoroso, mesmo assim, ele queria entender em que meio termo estavam para poder operar a partir daquele ponto, afinal, ela não estava tentando cortá-lo da sua vida, não é?

Ele não gostaria que ela o fizesse, mas se fosse o caso respeitaria.

Mas ainda assim, Kakashi sentia que não queria romper seu laço com Rin e apesar de não saber como mostrar isso para ela, o homem esperava que eventualmente pudesse encontrar uma maneira de alcança-la sem que as coisas do passado fossem uma questão. Ele queria, mais ainda, que ela pudesse conhecer Sakura e se dar bem com ela, porque era importante para ele de alguma forma.

Porque Rin era importante.

Suspirou voltando para o quarto com seu miojo enquanto afastava os pensamentos sobre Rin. Largou o prato fumegante no aparador antes de ir ao seu closet. Ainda haviam muitas coisas de Rin perdidas por ali, e toda vez que ele encontrava algo, ele separava delicadamente até um setor que Sakura não encontrasse. Ele não sabia direito porque fazia isso, mas era como se instintivamente ele achasse que poderia, de alguma forma, deixá-la desconfortável.

Olhou na parte dos sapatos acendendo a luz interna do compartimento, viu seus tênis velhos de corridas e as botas além. Quem precisava de botas na primavera? Era uma pergunta que lhe surgiu enquanto as tirava lá de trás, vendo as manchas no couro sintético. Maneou a cabeça antes de ouvir seu celular tocar novamente.

Seria Rin?

Ele não sabia. Voltou ao quarto largando as botas no canto da porta antes de verificar o número na tela do smartphone. Desconhecido. Soltou um ruído pensativo antes de atender, esperando alguns segundos na linha enquanto repetia o alô insistente. Fazia semanas que recebia ligações onde ninguém falava absolutamente nada, antes tinham números oculto, mas com a ajuda de Genma tinha conseguido bloquear esse tipo de ligação, então se passou alguns dias e números aleatórios começaram a lhe ligar, dessa vez com menos frequência.

Às vezes o celular nem chegava a tocar, apenas registava que alguém havia telefonado sem deixar mensagem de voz. Tentou retornar algumas vezes, mas sempre dava ligação incompleta, sem possibilidade de correio de voz. Tentou mandar mensagens e descobriu que também era impossível. No final das contas, resolveu apenas conviver com isso da melhor maneira que pode: ignorando.

Pelo menos achou que poderia fazê-lo até aquele momento, quando finalmente alguém se pronunciava do outro lado da linha.

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Ficou com o celular na mão enquanto estava ali, na fila do café para pegar uns bolinhos de feijão e um copo grande com cappuccino. Esse seria seu almoço, afinal não tinha tempo para parar. Tinha fechado uma matéria sobre o aumento do valor da taxa de metrô para cobrir um colega de trabalho que havia ficado doente, e isso consumiu toda sua manhã.

Às vezes sentia saudade de escrever para o Caderno A, a parte do jornal que tratava de temas mais sérios, como política, cidades e economia. A agitação dos prazos apertados, os desafios de se conseguir informação de qualidade dentro dos órgãos governamentais, as tramoias e os contatos. Tudo era tão diferente de se escrever para o Caderno B, aquele que tratava de cultura.

Quando voltou para Kyoto, Rin conseguiu um trabalho naquele jornal desconhecido que circulava nos bairros quase como um folhetim. Tudo começou naquele jornal barato com matérias duvidosas, a imprensa marrom da cidade era sua única oferta de trabalho, e pagava tão mal. Na época só restava aceitar, não podia se dar ao luxo de ficar desempregada tendo que pagar aluguel porque voltar para casa dos seus pais não era uma opção.

Não que eles tivessem um relacionamento ruim, mas ela queria ser independente e escolheu o caminho difícil. Saiu de casa sem mais nem menos, viveu aquele ano fantástico com Obito, voltou para Kyoto com o rabo entre as penas e ela só queria fazer suas coisas sem ter que dar explicações a todo mundo. Morar só era difícil e libertador. Não tinha um real para nada na época, mas lembrava de tudo com carinho.

Foi depois daquela entrevista com o chefe distrital que Rin conseguiu seu salto profissional. Ela foi chamada, semanas depois, para uma entrevista de trabalho no maior e mais importante conglomerado comunicacional de Kyoto e entrou direto com uma matéria de capa sobre o escândalo com um dos representantes da câmara. Seu nome foi parar na boca dos mais importantes jornalistas, e ela até ganhou dois prêmios por conta dessa reportagem, mas mexer com o alto nível tem seu custo.

O jornal a colocou no Caderno B logo depois, dizendo que ela precisaria cobrir um déficit de pessoal, que seria temporário. Ela sabia que estava sendo encostada, mas desde que o salário era até melhor, resolveu simplesmente aceitar. Foi ali que ela conheceu a gastronomia e de repente encontrou seu lar na revista Queijos&Vinhos, mas eventualmente ainda escrevia uma ou duas matérias para o jornal principal.

Naquela época, ela imaginava que poderia casar com Kakashi a qualquer momento, porque finalmente estava num lugar de prestigio entre os seus, porque quando saiam nas ruas e iam a eventos, as pessoas chamavam Kakashi de namorado da Rin e não ao contrário, e isso era tão satisfatório.

Kakashi nunca se importou em ser o cara sem nome, era como se isso fosse tão irrelevante. Ele nunca entenderia como era ser a pessoa atrás da outra porque, por mais que essas coisas acontecessem, ele ainda era confiante demais para se deixar afetar e tinha tantos méritos que era até bizarro pensar nele incomodado com trivialidade como aquelas.

Mas Rin se importava.

Não que ela quisesse ser maior que ele, a verdade é que ela queria se sentir igual, e finalmente ela se sentia tão boa quanto qualquer um deles. Kurenai, Obito, Aoba, Kakashi... Ela estava numa posição tão boa quanto seus amigos, e isso a fazia se sentir preparada para a vida que esperava por ela, a fazia querer continuar a viver seu romance com Kakashi da maneira que deveria ser vivido.

Entretanto, nunca se passou pela sua cabeça que essa vida já lhe tinha sido negada por si mesma. Que ela havia acabado com todos esses sonhos no momento em que estava prestes a se realizar, porque no final das contas, ela podia ter se tornado grande ao lado de Kakashi, porque depois de tanto tempo ela entendia que podia ter lutado ao máximo sem colocá-lo de lado daquela ma neira.

Olhou para o seu celular conferindo o horário mais uma vez e percebeu que estava batendo o pé no chão insistentemente enquanto a fila não andava. Quantas horas demorava para se pegar um café? Estalou a língua ainda contagiada pela voz de Kakashi tão comum no telefone. Ele a tratava como sempre, bem prático e até solícito. Toda vez que ela ligava o homem atendia rapidamente e nunca soava esquisito do outro lado da linha, como se as coisas fossem daquele jeito sempre.

Era ela quem não sabia como lidar com tudo. Ficava inventando essas desculpas para falar com ele, manter contato sem parecer carente ou piegas. Queria apenas saber como ele estava, talvez convidá-lo para um café, mas não tinha nenhuma coragem. Depois que soube do lado dele da história, as coisas tinham ficado tão confusas e ela se sentia sem o direito de cobrar nada dele, como se, na verdade, fosse ela quem devesse alguma coisa.

A verdade era que o amava tanto que ainda doía pensar nele com outra pessoa, e que ao menor sinal de fraqueza, ela sabia que poderia começar a chorar e se humilhar pedindo para voltar. Não era como se se sentisse pronta para vê-lo, mas ao mesmo tempo pensava que seria como um exercício onde no começo seus músculos doem, mas uma vez que se acostumam fica mais fácil de lidar.

Ela podia conviver com um amor não correspondido.

Mas Kakashi não era um amor não correspondido, ele era um amor que fracassou. E ainda havia toda a questão da ninfeta-rosa e suas fotos felizes ao lado dele. O tinha dado, inclusive, um soft block no instagram, porque não precisava ver aqueles storys eventuais dos dois juntos em atividades diversas. Não que Kakashi usasse o instagram com frequência, mas às vezes, do nada, ali estava Sakura diante da câmera segurando Bisuke perto do rosto e sorrindo como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.

E não podia negar, Sakura tinha ganhado o melhor prêmio: Kakashi.

Finalmente fora atendida e saiu do estabelecimento como um raio, afinal precisava pegar um táxi para chegar no local da festa de casamento para aprovação das cores das toalhas de mesas e escolher as flores para os arranjos. Kurenai estava tratando de mantê-la ocupada ao máximo para evitar que ela tivesse uma recaída por Kakashi, ou pior, por Obito.

Quando chegava em casa finalmente, Rin só sentia vontade de dormir. Eram tantas coisas, e havia tão pouco tempo, e Kurenai estava tão ocupada, e Asuma era um idiota completo, e... Céus! Era como se estivesse sozinha para resolver o maior evento da sua vida, e as coisa não paravam de aparecer, os problemas com as luzes, o aluguel do som, a contratação do bufê... Ainda tinha tantas coisas...

Acenou com a mão para um táxi que passou ligeiro demais. Já era o segundo que não parava. Soltou um ruído de frustração imaginando a bronca que iria levar se não chegasse a tempo, mas como se fosse uma piada de mal gosto, um carro azul escuro tão velho estacionava levemente na via em que estava. Rin arqueou uma sobrancelha quando viu o vidro abaixar revelando Uchiha Obito em seu sorriso largo e óculos escuros.

— Entra! – Ele disse sem nem a cumprimentar.

De todos os homens que podiam lhe dar um carona, porquê logo Obito?

Ela hesitou por um momento imaginando se teria uma desculpa muito boa para recusar a carona do homem, mas o fato era que precisava muito chegar no local a tempo e os táxis estavam lhe ignorando naquela manhã. Podia dizer que estava esperando outra pessoa, não é? Devia ter dito isso, mas o impulso de simplesmente entrar no carro foi mais forte.

— Pra onde vamos? – Ele perguntou quando ela se acomodou e tinha a voz leve, como quem acorda com um bom humor irrevogável.

— Preciso ficar perto do Plaza Hotel – Disse tomando um gole do seu café ainda quente.

— Ao seu dispor. – Obito disse pegando a mão da direita, destinado a entrar na próxima via para o retorno.

O silêncio se fez presente enquanto a música soava no rádio do carro. Era incômodo estar com Obito daquele jeito, tão perto, tão indesejado. Não sabia se deveria falar alguma coisa e por isso se concentrou na atividade de comer, optando por ser tão mal-educada a ponto de não lhe oferecer nada que estava ali.

— Você não me ligou – Ele disse de repente, parecendo um pouco mais sério.

Rin engoliu um dos bolinhos a seco. Não esperava aquela declaração vindo daquele jeito, mas o fato era que ela até quis ligar, entretanto Kurenai tinha rasgado e jogado fora o cartão de visitas que ele tinha deixado, mas ela não podia dizer isso a ele, não é?

— Estive ocupada – Disse tentando parecer indiferente, mas não conseguia. Obito ainda era alguém importante na sua vida — O casamento da Kurenai tá próximo e eu sou a madrinha.

— Ah – O homem deixou escapar como se tivesse simplesmente deixado para trás uma questão — Então é por isso que você está indo ao Plaza?

— Sim – Respondeu percebendo que talvez fosse estranho para ele saber do casamento de Kurenai e não ser convidado — Ainda estamos definindo algumas coisas e eu vou me certificar que tudo está ok.

— Se você precisar de ajuda, ou de uma carona... – Ele disse com humor, balançando a cabeça levemente no ritmo da música boba que soava nos autofalantes — Quando eu disse qualquer coisa, foi qualquer coisa mesmo, viu?

O sorriso veio inevitavelmente diante daquela preocupação boba de Obito. Sim, ele provavelmente estava bem incomodado com a falta de contato dela, afinal a tinha deixado naquele estado deplorável. Ele era o tipo de cara que fazia de tudo para que a outra pessoa se sentisse bem e Rin sabia que no mínimo ele esperava que ela só avisasse a ele que as coisas estavam seguindo seu rumo, ainda que às vezes ela só se sentisse tão triste.

Mas ela também sabia que se o mantivesse por perto, faria dele um vício. Ele era tão fácil, tão divertido, e Rin estaria usando-o para se sentir melhor por tudo o que aconteceu com Kakashi quando, na verdade, ela não precisava fazer isso. Ela não queria que Obito fosse sua muleta.

— Eu sei – Disse finalmente depois de um momento — Obito, aquele dia... Você realmente me pegou num dia ruim.

— Não se preocupe, Rin. Todo mundo tem um ou dois dias ruins, não é um privilégio seu – E riu brevemente — Eu não espero que a gente continue transando, então não se preocupe com isso, pode me ligar se quiser conversar um pouco.

Quando ele era direto daquela maneira, Rin se sentia corar um pouco. Não esperava que ele fosse deixar as coisas tão claras assim, mas gostava que ele entendesse que o que havia acontecido não iria se repetir, ainda que parte de si quisesse sucumbir à ideia de fazer de Obito seu pau amigo.

— Desculpa... Eu fui infantil, não é? – Disse olhando para o seu copo meio cheio — No final das contas, eu sinto que preciso me afastar um pouco de Kakashi e de você também, porque... Eu não sei. Acho que preciso de um detox.

Riu sem jeito no final, porque sua fala tinha sido tão confusa e era assim que se sentia. Sentia-se confusa o tempo todo, como se seus sentimentos ainda estivessem rodando dentro de si, buscando entender o que tinha acontecido finalmente.

— Tudo bem, se é o que você precisa – Ele disse parecendo conformado — Mas Rin, não deixe a opinião dos outros te influenciar. Eu sei que o pessoal meio que tomou partido do Kakashi no passado, mas você me conhece, eu não sou um monstro.

— Obito, ninguém tá dizendo que—

— Eu sei o que eles pensam, Rin. – O homem interrompeu parando o carro na frente do hotel, virando-se para olhar nos olhos castanhos — Sei que eles devem ter me demonizado de alguma maneira, mas você sabe o que aconteceu. Não se afaste de mim por causa deles.

A mulher se pegou olhando para o homem atentamente sem saber como reagir diante daquele pedido. Sim, Obito tinha se tornado quase como um tabu no grupo. Ninguém falava dele, e quando falava era sempre como se fosse uma piada sem graça ou uma lembrança tão distante. Soava até como se ele estivesse morto de alguma maneira.

— Não se preocupe com isso – Ela disse num tom cheio de certeza — Eu sei quem você é, sei o que passamos juntos. – E colocou a mão no rosto dele de maneira delicada — Estamos do mesmo lado – Completou com um sorriso gentil.

Obito sorriu daquele jeito como se fosse ainda o mesmo moleque de antes. Era estranho como tudo nele soava nostálgico. Desde o jeito de falar até o modo como dirigia. Obito não era um homem ruim, mas tinha que reconhecer que diante da situação que passaram, era natural que as pessoas tomassem partido de Kakashi, afinal, ele ficou sozinho em Kyoto, quase como se tivesse sido abandonado.

E na verdade tinha sido.

Riu sem humor percebendo que suas ações tinham incidido também nas relações de Obito. Ela tinha não apenas destruído seu relacionamento, mas também havia acabado com as amizades que o homem tinha naquela cidade.

Parabéns, Nohara Rin.

Se despediu apressada antes que os pensamentos se acumulassem na sua mente, pegando o cartão que ele oferecia novamente só em caso dela ter pedido o outro, pulou para fora do carro deixando a embalagem dos bolinhos de feijão para trás enquanto terminava seu cappuccino num só gole, enfiando o cartão dentro da bolsa sem pensar muito. Ter encontrado Obito era a última coisa da qual precisava, e agora ela se sentia intoxicada com aqueles pensamentos sobre ter destruído também as relações de Obito.

Tinha sido tão cega por tanto tempo.

— Rin, estava te esperando.

Ela virou na direção da voz que saia de dentro do hotel. Aoba em sua camisa larga aparecia com as mãos nos bolsos. Se olharam por um momento e ela se perguntou se ele a havia visto sair do carro de Obito.

— Desculpe a demora – Disse encolhendo os ombros. — Problemas com táxis.

— Aquele era Obito? – Perguntou ignorando completamente a fala da mulher. Parecia confuso, quase atônito.

— Ah, bem... Sim. – Ela respondeu incerta, de repente com vergonha — Ele me deu uma carona.

— Desde quando ele está na cidade?

— Um mês, não sei... – Suspirou se sentindo nervosa — Aoba, eu não estou com ele. – E não sabia porque estava dizendo aquelas coisas, mas parecia imperativo dizer. — Eu e Obito não estamos juntos.

O homem a olhou por um longo momento antes de concordar com a cabeça, como se a avaliasse. Não se sentia julgada ali porque conhecia Aoba muito bem, mas ao mesmo tempo sentia essa necessidade de deixar as coisas claras desde o começo.

— Se você precisar de uma carona, sabe que pode me pedir, não é? – Ele disse com uma voz tranquila, se aproximando para jogar um braço sobre os ombros femininos de maneira casual — Não precisa pegar carona com qualquer um – Comentou num tom mais divertido.

Rin sorriu enquanto se deixava ser conduzida para dentro do hotel, agradecendo internamente por ele não ter feito mais perguntas ou tentando, de alguma forma, acuá-la sobre Obito. Aoba simplesmente jogou o problema para um outro plano, resolvendo fazer piada. A verdade é que graças a isso, Rin conseguia se livrar um pouco daquela sensação danosa de ter estragado a vida de várias pessoas com uma só decisão, ainda que o jeito com que o amigo se referia a Obito fosse um tanto incômodo.

— Não se ofereça dessa maneira, Aoba, senão vai acabar virando meu chofer. – Advertiu sentindo que o clima tinha ficado mais leve, que não havia mal-entendidos.

— Viro seu chofer sem nenhum problema se você me ensinar a diferença entre branco, marfim e off-white. Tudo parece tão igual, e sinto que a mulher das toalhas quer me matar lentamente depois que eu disse que qualquer um servia.

— Céus! Porque Kurenai te mandou aqui mesmo?

— Foi o Asuma.

— Ah... Explicado – Ela disse com uma risada — Vamos, chofer, ainda temos muito trabalho a fazer.

— Estou às suas ordens.

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Era final da tarde quando Kakashi resolveu finalmente ir ao supermercado. Tinha conseguido se livrar da pilha de relatórios que seus alunos haviam entregado após um estudo de caso e agora se sentia mais disposto a procrastinar cozinhando um espaguete simples com um molho elaborado.

— Você lembra, não é? Eu vinha recebendo aquelas ligações que ninguém dizia nada – Começou olhando para uma promoção de pasta de dente — Ontem eu recebi mais uma, mas dessa vez resolveram falar.

Quem era? – Perguntou Gai do outro lado da linha.

— A operadora, acredita? Disseram que estavam tentando me contactar a semanas para renovar meu plano de internet. Agora tenho o dobro de internet pelo mesmo valor.

Estava na sessão dos enlatados enquanto mantinha o telefone pressionado contra o ouvido, conversando com Gai sobre os misteriosos telefonemas que se mostravam ser apenas uma falha na rede da operadora ao tentar lhe contactar. Tudo bem que algumas ligações eram feitas em horários inconvenientes e muitas vezes conseguia escutar a respiração de alguém ao fundo, mas podia ser apenas coisa da sua cabeça.

No final, Gai estava ali reclamando da própria conta de telefone enquanto Kakashi se sentia com sorte, afinal acabava de achar uma promoção de palmitos e facilmente conseguia imaginar uma deliciosa salada com o ingrediente. Pegou dois frascos enquanto Gai continuava seu monólogo.

— Ei, mas deixa eu te perguntar uma coisa – Disse Kakashi depois de perceber que não tinha escutado uma só palavra do que o amigo dissera antes — Você acha que a Rin tá pronta para me ver com a Sakura? Digo, no mesmo espaço físico.

Não. – Gai respondeu categoricamente — Você quer levar a Sakura ao casamento? – Perguntou logo em seguida, como se estivesse lendo a mente do outro.

— Bem, sim – Kakashi disse sem muita demora — Ela é minha namorada e eu gostaria de levá-la ao casamento se a Kurenai e o Asuma me derem uma senha extra.

Você não deve se privar por conta da Rin. Ela pode não estar preparada, mas no fundo sabe que vai ter que lidar com isso em algum momento.

Kakashi suspirou enquanto olhava para os alimentos dispostos nas prateleiras, organizados por tipo e marca, empilhados cuidadosamente para que fossem vistos da melhor forma possível ao passo que sua mente entrava num turbilhão de pensamentos confusos. O ideal, ele sabia, era que Sakura e Rin pudessem se conhecer em algum momento antes do casamento, só para ver como esses dois elementos reagem quando estão juntos.

Sua intensão nunca foi magoar Rin apesar de várias vezes tê-lo feito, e com Sakura ele queria ser ainda mais cuidadoso, porque ela era tão jovem e leve, era quase como se ainda fosse seu segredo, como se fosse aquela mulher diante da câmera e só ele tivesse acesso a ela. Ele temia que colocar as duas frente-a-frente fosse perturbar esse equilíbrio perfeito.

Não que ele achasse que Rin era descontrolada a ponto de sair falando besteiras para Sakura, ou que a outra fosse sensível demais a ponto de não saber o que era a raiva de Rin falando e o que de fato era verdade, mesmo assim, em sua cabeça, tudo seria tão mais fácil se elas pudessem simplesmente se dar bem.

Mas era exatamente como Gai havia dito, mesmo que Rin não estivesse preparada, eventualmente ela ia ser obrigada a lidar com o relacionamento de Kakashi, afinal ele não pretendia evitar as saídas do grupo só porque Rin ainda estava muito fragilizada com tudo.

— Me sinto numa saia justa – Confessou colocando um repolho na cesta de comprar — Só queria sair com minha namorada sem magoar a minha ex.

Kakashi, faça o que está ao seu alcance – O outro disse e Kakashi não entendeu muito bem o significado daquilo — E não se torture tanto, o casamento é só daqui três meses. Os convites ainda nem chegaram. Relaxa que muita coisa ainda vai acontecer daqui pra lá.

Soltou o ar com um ruído enquanto concordava com as palavras de Gai. Talvez estivesse sendo muito ansioso com tais questões, afinal muita coisa poderia acontecer em apenas três meses, mesmo assim, ainda era algo que o preocupava, porque ele queria muito que Sakura fosse sua acompanhante no evento, e mais ainda, queria que ela se sentisse bem quando estivesse com seus amigos.

Mas também queria ver Rin bem.

— Você está certo – Disse por fim — Tenho que desligar. A gente se fala depois.

Se despediram enquanto o homem se encaminhava para o caixa destinado a pagar pelos itens escolhidos deixando as questões que rondavam sua mente para trás. Pagou com o cartão de débito e saiu do local com três sacolas nas mãos. Olhou ao redor por puro costume, sem esperar encontrar, na entrada ao lado, a alguns metros de si, Uchiha Obito compenetrado ao olhar um papel nas mãos enquanto empurrava um carrinho de compras para dentro do lugar.

Kakashi agradeceu aos deuses por ele não tê-lo visto.

A última coisa que precisava era fingir simpatia ao ter que falar com ele na saída do local. Se adiantou em ir ao seu carro, largando as compras no banco do carona depois que entrou. Então Obito estava mesmo na cidade. Era a primeira vez que o via, e era tão bizarro e estranho vê-lo novamente.

Coçou a barba que não existia ainda pensando na figura de Obito, sem entender como estava se sentindo sobre isso. Deu os ombros depois de um momento, percebendo que nada significativo tinha acontecido para ele estar tão reflexivo daquela maneira, e então afastou seus pensamentos enquanto saía do local, afinal tinha coisas mais importantes para fazer.

Como o jantar.

.

.

.

— O que você acha?

Perguntou antes mesmo de sair de seu closet e entrar no quarto em seu vestido longo de corte simples, com uma fenda lateral ousada e um decote frontal de dar inveja. Seus seios eram cobertos com o tecido lilás que se prendia atrás de seus cabelos. As costas nuas até a cintura, o suficiente para que seu acompanhante pudesse sentir um pouco da sua pele quando colocasse a mão ali.

Sem colares, as joias escolhidas eram apenas um bracelete dourado, anéis com pedras mais caras que casas populares e um par de brincos longos que caiam até seus ombros, reluzindo em conjunto com sua maquiagem poderosa em tons de dourado.

Deu alguns passos para mais perto enquanto via Sakura com uma expressão de satisfação enquanto a olhava de cima a abaixo, demorando um pouco em suas sandálias pretas de salto e tiras.

— Você está fabulosa.

Sakura disse sem nenhum resquício de dúvida, sorrindo para a amiga em confirmação. Virou-se para o amplo espelho do seu quarto, olhando-se mais uma vez sob a luz mais direta do ambiente, vendo o caimento do tecido em suas curvas, observando seus ombros expostos e como sua pele brilhava juntamente ao iluminador que tinha utilizado.

— Troco essa sandália? – Perguntou flexionando o joelho brevemente para olhar suas pernas através da fenda do vestido — Tenho uma mais alta, acho que vai me dar mais postura.

— Não, Ino! Você tá perfeita, é sério! – Sakura disse pulando para fora da cama — E se for pra mudar algo, eu mudaria os brincos.

— Meus brincos? – Questionou mirando-os com intensidade. Eram longos e um pouco pesados, mas compensavam a falta de um colar estravagante e mesclavam bem com o loiro de seus cabelos soltos — Porque?

— Bem... – Sakura começou se posicionando atrás dela — Se eu fosse o Genma, eu iria querer começar por aqui – Disse se empertigando nas pontas dos pés para que seu rosto alcançasse a curva do pescoço da amiga, tocando-a de leve naquele lugar — Mas seus brincos impedem que ele avance muito mais – Completou arrastando seu dedo por ali, sabendo que estava causando um arrepio em Ino.

— Céus, é normal ficar excitada quando você me toca assim? – Perguntou divertida para o reflexo de Sakura no espelho, que riu dando os ombros.

— Sou uma camgirl, excitar as pessoas é o que eu faço – Explicou antes de correr para dentro do closet da amiga, voltando em seguida com um novo par de brincos — Esse aqui combina melhor.

Menos estravagante, mas ainda muito chamativo. Era como se fosse um fio de ouro cravejado com cristais. Flexível, discreto até ser visto, e aí era impossível não notar como se movia como se fizesse parte do cabelo dela. Maneou a cabeça decidindo se queria usar algo pensando em facilitar o trabalho de Genma ou se iria com sua primeira opção.

— Acho que quero continuar com o que estou – Disse fazendo biquinho — Não parece certo trocar um brinco por causa de um homem.

— Você está trocando um brinco porque sua amiga está te aconselhando a fazê-lo – Retrucou sem muita demora — Ele nem sabe com que brinco você vai.

— Sim, mas você está sugerindo isso porque acha que vai ser melhor para ele.

— Ino, vai por mim, você vai querer que ele consiga beijar o seu pescoço – Disse ela com um suspiro — No final, se você for com esse brinco enorme só vai atrapalhar o seu objetivo, que é transar. – Lembrou de maneira muito prática.

— Odeio quando você tá certa. – Resmungou trocando finalmente o par de brincos. — É isso – Disse por fim se olhando no espelho pela última vez — Me deseje sorte – Pediu depois de se virar.

— Como se você precisasse de algo assim. – A outra retrucou com um sorriso esperto.

De fato.

Se despediu de Sakura ainda no quarto, dando passos largos pelos corredores da mansão até alcançar a garagem. Particularmente, Ino amava morar naquele lugar tão chique e imponente. Era como se fosse uma princesa escondida atrás de um grande labirinto, e tivesse um jardim florido ao seu dispor, como nos filmes de fantasia.

Às vezes, é claro, nada era prático quando se morava num lugar tão enorme, mas mesmo nesses momentos ela percebia o quão gostava daquele lugar com sua arquitetura mista, sua decoração nem moderna nem antiga, sua paleta de cor em tons pasteis... Gostava da madeira, de esbarrar nos funcionários que passavam de lá para cá. Adorava aquela mesinha no canto do salão de entrada e amava mais ainda o acesso para a garagem.

Todos aqueles carros brilhando sob os spots luminosos cuidadosamente instalados para exibirem o melhor de cada veículo. Seu pai era um grande colecionador de automóveis, tendo comprado clássicos em suas edições limitadas e reformado alguns outros. Tinha boas lembranças naquele lugar, das conversas que tinha com ele sobre os motores, carrocerias, aerofólios e tudo mais. Sabia a marca, o ano e o motor de cada carro que existia naquele espaço apenas de bater o olho.

Naquela noite, Ino decidiu que queria impressionar. Tinha passado mais tempo do que previra de papo com Genma, deixando que o homem fizesse suas piadas cafonas e lhe contasse sobre o seu dia eventualmente. Ela não sabia quando foi que normatizou aquela troca de mensagens, mas quando percebeu já estava tão acostumada a estar conversando com ele que sentia falta quando ele não lhe mandava bom dia.

Esse foi o seu sinal de alerta.

Tinha deixado aquela coisa rolar por tempo demais e agora o tratava como se fosse algum tipo de ficante sério, com o adendo que nunca se viam. Ele era algo como seu webficante. E logo ela que zombou tanto de Sakura na época do seu webnamoro com Kakashi.

O problema é que Ino não queria um ficante, sequer um namorado.

Ino queria sexo.

Conversar com Genma era só um meio de conseguir o que almejava, e nada além disso. Não queria se apegar, não queria que ele se apegasse, e mais ainda, queria ter aquela noite de prazer que lhe foi negada pelo nervosismo dele, e depois simplesmente sumir. Tinha decidido que não queria que ele fosse um pau amigo, tinha internalizado que queria apenas aquela noite e se preparou para aquilo.

Porque quando seu sinal de alerta disparou, Ino sabia que era a hora de agir, e que precisaria fazer sacrifícios. Então ela disse para ele que se veriam naquele dia, que ela passaria na casa dele para buscá-lo e que jantariam num restaurante à escolha dela. Disse também que estaria levando camisinha, e que se ele não tivesse certeza que não poderia lhe dar o que queria, então dissesse de uma vez.

Mas Genma apenas concordou com todos os seus termos.

Ela não o disse, entretanto, que aquela noite seria como um adeus. Na sua cabeça, Genma não precisava saber porque ele já sabia. Ele era tão cafajeste quanto ela era com os homens ao seu redor, então ele não precisava de um aviso, não precisava que ela deixasse aquilo claro. Era um jogo de duas pessoas que conheciam muito bem as regras.

E tudo bem que esse mês conversando fora algo atípico, mas no final das contas, era só um meio para um fim. Era algo necessário para um objetivo mutuo que era apenas transar.

Chega de falar com Genma durante seus banhos de banheira, enquanto ele lhe falava aquelas indecências como um estimulo para que ela chegasse ao ápice com seus próprios dedos. Chega de se masturbar pensando naquela língua e toda sua proficiência. Chega de rir daquelas piadas idiotas e de o ouvir reclamar sobre como o cara da iluminação era burro.

Chega de falar com Genma.

Era o momento final.

O momento decisivo.

E por isso ela escolheu aquele vestido e aquele batom. Por isso ela optou por ir o mais deslumbrante que conseguia. Por isso escolheu aquele Jaguar E-Type prateado.

Porque ela queria que Genma percebesse, em todos os detalhes, quem era Yamanaka Ino. Queria que ele soubesse que ela era o tipo de mulher decidida e que não perde tempo com trivialidades, queria que ele entendesse que tudo o que foi dito e feito naquele mês tinha sido apenas para um único momento, e que ele aproveitasse cada segundo disso, porque não haveria uma terceira chance.

Estacionou na entrada do prédio, pegando o telefone de sua bolsa para discar por ele, mas não foi preciso. O viu abrindo a porta do seu carro sem hesitar nem por um momento. Estava com uma camisa bordô com os primeiros botões abertos por baixo de um blazer preto, com um uma corrente prata que reluzia a luz do poste que invadia a janela do carro brevemente, não parecia ser daquelas estravagantes, como se fosse um acessório bem discreto por dentro da camisa. Usava jeans escuro e tinha prendido parte do cabelo num rabo de cavalo que o deixou com o semblante cada vez mais sexo casual.

Oh, céus!

Quando ele a cumprimentou com aquele sorriso de canto, Ino apenas sorriu de volta prestando atenção no trânsito a sua frente. Genma elogiou o carro, começando uma conversa qualquer sobre veículos que apareciam em filmes, mas não parecia exatamente surpreso pela mudança, afinal ele a conhecia dirigindo um Saab. Também não a elogiou num primeiro momento, mas isso ela já esperava, porque eles eram tão iguais.

Sabiam que elogiar no primeiro momento soava como bajulação barata, e para parecerem mais honestos, preferiam esperar por uma situação mais oportuna, como quando saíssem do carro e se vissem em pé pela primeira vez. Ino sabia que fazia mais efeito sob a luz amarelada da entrada do restaurante, e sabia que ele babaria naquele seu decote assim que pudesse vê-lo de frente, por isso não se incomodou quando ele sequer pareceu notar sua aparência.

Nenhum pouco incomodada.

Aliás, mesmo que estivessem sentados, Ino conseguia sentir o cheiro do perfume dele tão dominante, quase como se brigasse com o cítrico dela. E ela se sentia assim, numa disputa, enquanto ele gesticulava daquele jeito animado de sempre sobre como carros refletiam um pouco do gosto pessoal da pessoa, como se estivesse dizendo que dava para descobrir muitas coisas sobre uma pessoa pelo tipo de carro que ela tinha.

— E o que esse Jaguar diz sobre mim? – Ela perguntou mantendo seus olhos azuis longe dos castanhos dele.

— Você vindo aqui num Jaguar desse tipo, hoje, soa como se quisesse impressionar – Disse sem hesitar — Mas esse não é seu carro, Yamanaka. – E deu aquela risada no final como quem tinha uma mão excelente no poker.

Saab 9-3, 2020 – Disse Ino ignorando a primeira parte da fala dele — O que meu carro diz sobre mim? – Perguntou mais enfática, sem notar que soava irritada.

— Que você é rica – E ambos riram com a óbvia declaração — Gosta de espaço, sem se importar muito com modernidades. Carros da Saab geralmente são muito confortáveis e não trazem itens que estão na moda, mas o design geralmente remete a algo mais agressivo, e o seu na cor vermelha... Bem, eu diria que, pelo seu carro, você é uma pessoa que quer conforto, mas que não gosta de deixar isso transparecer. Preferem que as pessoas achem que você é inacessível quando na verdade você é bastante dedicada.

— Fala sério – Ela resmungou com humor — Quer ler a minha mão também?

Brincou fazendo-o rir um pouco antes de mudarem de assunto. A verdade é que se sentiu estranhamente exposta pelas coisas que ele dizia com tanta naturalidade. Talvez ele só estivesse jogando frases aleatórias que poderiam servir para qualquer um, e além disso, meio que ele a conhecia, afinal tinham ficado de papo por um longo mês, e era impossível não mostrar algumas de suas facetas.

Mas discordava dele.

Sim, ela queria conforto para toda uma vida e não tinha medo de admitir isso. Não é por isso que todos lutavam? Por uma vida confortável em diversos aspectos? Não conhecia uma só pessoa que não quisesse algum tipo de conforto. Até mesmo aventureiros como eles, no final das contas, precisavam de relacionamentos em que pudessem se sentir confortáveis.

Enquanto ele falava sobre o processo de escolha dos carros para seus clipes, Ino remoía seu incômodo. Porque ele a classificava daquela maneira? Ela não tentava parecer inacessível, na verdade era muito solícita à sua maneira. Era quase como se ele estivesse insinuando que ela escondia seu lado gentil, quando na verdade estava tudo ali exposto para quem quisesse ver.

Mordeu o lábio sem perceber.

Mas Genma notou.

A verdade é que ela o havia pegado de surpresa com aquele convite repentino, e seu primeiro impulso foi de tentar adiar aquele encontro, mas ela tinha deixado bem claro que era pegar ou largar. Tudo ou nada. Não havia margem para um meio termo com Yamanaka Ino, então ele optou por seguir o chamado dela e deixar tudo por conta daquela mente brilhante.

O mês que passaram conversando fora surreal. Ele já sabia que ela era fantástica, mas a mente dela funcionava de uma forma muito direta, e isso o pegava de surpresa várias vezes. Era como se ela fosse tão confiante a ponto de não se importar em soar arrogante e no começo isso o fazia tremer nas bases, porque por mais que fosse difícil de admitir, a confiança dela o acuava.

Mas não era apenas isso, também havia o fato dela ser alguém que ele admirava previamente. Sim, ele a acompanhava nas redes sociais desde que ela tinha apenas dez milhões de seguidores. Era um pouco estranho estar saindo com alguém que ele conhecia alguns aspectos de sua vida, meio como um stalker, por isso a confiança dela, misturado com seus conhecimentos sobre ela, lhe deixavam tão inseguro.

Era como se ele já soubesse do que ela gostasse, mas ao mesmo tempo ela sempre o surpreendia, e ao contrário das outras mulheres com quem dormiu, Genma nunca se sentiu tão pressionado como naquela noite onde brochou miseravelmente.

Ela tinha expectativas sobre aquela noite e ele conseguia ver isso até no jeito com que ela o olhava. Queria corresponder a todos os desejos dela, queria ser o homem que ela esperava que ele fosse. O cara do sexo casual inesquecível, mas no fundo havia algo dentro de si que não queria que ela lembrasse dele apenas como uma foda incrível. Talvez fosse esse conflito interno que havia acabado com seu desempenho logo após aquele oral.

E podia ter pensado sobre isso, podia ter descoberto o que diabos havia acontecido e pelo que ele estava passando internamente, mas decidiu que ia jogar com as cartas que tinha, e fuçar demais em algum pseudoproblema poderia não dar os resultados esperados, então se concentrou na segunda chance que ela o tinha lhe dado e...

Bola pra frente.

Só que ela era tão perfeita.

Tudo que ela falava, o jeito com que dirigia, o olhar afiado sendo iluminado pelas luzes da antiga Kyoto. Ino era fantástica. Às vezes soava mandona, abusada, como se fosse dona do mundo, mas não a culpava: Era uma Yamanaka afinal, dona de metade da cidade. Aliás, para alguém com tanto dinheiro, Ino era até racional quanto a finanças e parecia conhecer bem sobre impostos e qualquer calculo financeiro.

Naquela noite, ele esperou na portaria do prédio por ela, completamente ansioso e tentando internalizar que não precisava ficar assim. Quando aquele carrão apareceu na entrada, ele apenas sorriu porque sabia que ela vinha preparada para matar, e ele queria muito ser a vítima dela. Entrou no carro sem nem se anunciar porque achou que poderia gaguejar, mas quando a viu tão séria, percebeu que talvez ela estivesse um pouco nervosa também e isso ajudou.

Talvez ele estivesse tagarelando um pouco, mas tudo era para evitar ficar que nem um idiota olhando para ela naquele vestido lindo com os cabelos se mexendo brevemente pelo vento fraco que entrava por uma fresta da janela, afinal aquele carro era um clássico intocado e não tinha ar-condicionado.

E como ela conseguia dirigir naqueles saltos?

Genma sentia como se estivesse prestes a ser destruído da melhor maneira possível naquela noite, mas de repente a expressão dela mudou depois daquela conversa besta sobre carros e personalidade de seus donos. Ela parecia incomodada e talvez ele tivesse falado coisas que não deveria, ou quem sabe ela não havia lembrado de algo mais urgente?

Ele não sabia.

Mas ela estava mordendo aquele lábio fino perfeito enquanto parecia pensar em tantas coisas e ele só queria aproveitar aquela noite com ela, porque estava tudo incrível e ele sentia que podiam finalmente ficar juntos no mesmo espaço sem que ele perdesse todos os seus neurônios.

— Yamanaka – Ele chamou fazendo-a olhar de canto para ele — Você está linda esta noite.

A viu virar o rosto para ele pela primeira vez naquela noite. Alli estava aqueles olhos azuis e seus lábios entreabertos, como se tivessem sido pegos de surpresa e até arriscava dizer que estava brevemente corada com o súbito elogio, ou talvez fosse pelo jeito contente com que ele a olhava. Não poderia dizer com certeza, mas durou apenas um segundo antes dela virar novamente, se recompondo ao olhar para a rua.

— Obrigada – Disse depois de um momento — Você também caprichou essa noite.

Ele sorriu de canto sem saber porque tinha demorado tanto para dizer aquilo, mas ficou feliz porque achou o timming perfeito. Foi aquela fala que fez as coisas ficarem mais leves dentro do ambiente ao passo que as ruas iam passando. Ela era uma excelente motorista, e o fato daquele carro ser mecânico fazia com que Ino parecesse ter o controle de tudo.

Seus dedos longilíneos agarravam o topo da marcha sem hesitar, fazendo daquele um passeio tão suave apesar do ronco do motor. Ela era surpreendente, porque nunca na vida Genma imaginaria que Ino sabia dirigir carros manuais, afinal o Japão já era conhecido pelos carros elétricos de direção simples, mas ela estava ali naquele carro bem lustrado fazendo as pessoas virarem suas cabeças para vê-la imponente entre os outros carros.

Conversaram trivialidades até chegarem ao seu destino, o restaurante mais caro da cidade, com três estrelas Michelin, de culinária tradicional: Hyotei.

Ficava na velha Kyoto com uma fachada antiga e tinha um ar intimista, e Genma sabia de todas aquelas informações por apenas dois motivos: Rin já havia feito uma crítica daquele lugar e por consequência Kakashi tinha jantado ali com ela, lembrava dos comentários dele sobre como a comida era simplesmente incrível, mas que o preço não era nada digerível, o que o levava a segunda razão para conhecer aquele lugar: Já tinha tentado levar Shizune ali, na época em que namoraram, mas as reservas são feitas com muita antecedência.

Duvidava, entretanto, que Ino tivesse reservado a mesa muito tempo antes, afinal ela resolvera quase que do nada encontrar-se com ele, então aquilo só reafirmava o poder da mulher sobre os reles mortais de Kyoto. Ela era uma Yamanaka afinal e jamais enfrentaria uma fila sequer.

Ele desceu do carro vendo-a passar por ele decidida. O vestido balançava com o movimento do seu quadril que rebolava pelo andado e ela parecia brilhar de alguma forma, como se emitisse uma luz própria que o deixava cada vez mais hipnotizado.

Lutou para se recompor e segui-la. Ficar admirando Ino àquela altura era contra producente, mas tinha que admitir que ela estava estonteante. Ela sequer olhou para ele enquanto entrava no restaurante, nem se dispôs a esperá-lo.

— Ocorreu um imprevisto, Tohū, e eu não vou poder ficar – Informou ao homem com vestes tradicionais que a recepcionava — Vim apenas pegar a garrafa do vinho que pedi.

— Vou providenciar, Yamanaka-sama. – O homem disse solenemente, curvando-se brevemente antes de sinalizar para um outro mais longe. Genma arqueou uma sobrancelha confuso, mas não perguntou nada.

Não demorou mais de um minuto para o outro voltar com o vinho numa embalagem simples. Ino se curvou brevemente num agradecimento e desculpas antes de se virar com todo seu magnetismo. Nesse momento seus olhos se encontraram, e Ino lhe sorriu com uma expressão esperta antes de simplesmente mover seu dedo de maneira significativa num convite para que ele a acompanhasse até o carro.

Voltaram aos seus acentos e logo estavam de partida novamente. Genma tinha o vinho nas mãos e o reconheceu rapidamente, era aquele rosé de sua noite frustrada com ela. Sorriu de canto imaginando o quão surpreendente era aquela mulher enquanto se deixava levar pelo que quer que estivesse se passando na cabeça feminina.

Não era difícil para ele se deixar viver o desconhecido, porque ele adorava esse sentimento de descoberta, e tudo bem se ela quisesse estar sempre no controle, afinal ela sempre parecia saber o que estava fazendo. Deixaria tudo por ela enquanto aproveitava a vista.

E que vista.

Pararam novamente depois de um momento e o homem reconheceu o local. Era aquela lanchonete 24 horas que sempre ia quando queria comer após um porre. Desceu do carro sem entender nada, mas dessa vez estava mais firme, aguardando pela mulher que dava a volta no carro para oferecer-lhe um braço. Ino sorriu aceitando ser conduzida para o estabelecimento, que parecia pequeno demais para toda sua glória.

As pessoas pararam de comer para admirar a beleza daquela mulher que parecia tão deslocada daquele ambiente. Muito elegante para um fast food. Mas não era como se ela se importasse. Daquele jeito confiante, ela se dirigiu ao caixa tendo Genma ao seu enlace.

— O que você recomenda? – Perguntou a ele parecendo genuinamente em duvida enquanto olhava os banners com as promoções nas paredes.

— Eu sempre peço batata-frita – O homem confessou dando os ombros, porque o lanche era bom, mas no final das contas era tudo um tanto igual. Ino assentiu um pouco mais decidida.

— Quero uma porção grande de batata-frita e uma menor com bolinhos de queijo – Disse e de repente pareceu lembrar de algo fundamental — Genma, você pode pagar? Eu deixei a bolsa no carro.

— Claro – Ele disse rindo enquanto tirava uma nota do bolso.

Sim, ela tinha ido daquele restaurante chique e sequer se preocupou com dinheiro. Talvez já tivesse pago adiantado, talvez não. Ele não sabia como pessoas ricas lidavam com seu próprio dinheiro, mas era engraçado ela lhe pedir para pagar alto tão barato.

Os pedidos nunca demoravam muito e por isso ela optou por não sentar, ficando perto do balcão o tempo todo. Nesse meio tempo, Genma viu aquela funcionária que sempre o atendia o chamar discretamente. Pediu licença e se dirigiu a mulher, que sussurrava quase envergonhada "Aquela é Yamanaka Ino?"

— Sim, é ela – Confirmou com um sorriso, olhando para a mulher que continuava parada de costas para ele.

— Você acha que ela tiraria uma foto comigo? – A menina perguntou um pouco mais animada.

— Vamos descobrir. – Disse divertido com um misto estranho de admiração e felicidade. Era esquisito estar com alguém daquele nível num lugar que ele frequentava tão casualmente. E não, não estava naquele estado porque a estava exibindo por aí, mas sim porque ela estava fazendo daquela noite algo tão aleatório, que ele não conseguia imaginar o que viria a seguir. — Yamanaka, tem uma fã sua querendo saber se você pode posar com ela para uma foto.

— Huh? – Soltou aquele ruído de quem ainda está processando a informação enquanto olhava para a menina ao lado do homem, tão animada, se segurando para não dar pulinhos. Ino sorriu — Mas é claro.

— Me dá seu telefone. – Genma pediu a moça e se afastou o suficiente para pegar um ângulo que as duas pudessem sair de corpo todo.

Ino se empertigou ao lado da menina que ficou mais baixa por conta de seu salto. A mocinha fez um "V" para a câmera enquanto a loira a acompanhava com um largo sorriso. O momento foi aproveitado por mais duas pessoas que pediram fotos com a mulher, e Ino foi completamente gentil e paciente, tirando algumas selfies com os fãs também.

Era surreal.

Não era como se Genma não estivesse acostumado a sair com estrelas, afinal sua profissão exigia que ele se relacionasse com pessoas que tinham um certo nível de popularidade na cidade, mas em sua visão Ino era tão sublime em tudo que fazia, porque ela tinha essas várias facetas de si mesmo que a tornava muito mais interessante do que qualquer outra mulher que já conhecera.

Quando o pedido ficou pronto, Ino se despediu de todos, voltando para o carro com a mão apoiada no braço de Genma, deixando seu perfume exalar pela noite quente enquanto ele sorvia a sensação de estar com ela daquele jeito tão corriqueiro, tão estupendo.

Novamente estavam em movimento naquele carro chique. O ronco do motor denunciava que estavam numa velocidade superior enquanto ela costurava entre os carros no trânsito não tão calmo do sábado à noite, e a cada momento que passava, Genma se sentia cada vez mais empolgado para descobrir o que viria a seguir.

Tinha bebida e comida, e o que faltava agora afinal?

O silêncio gostoso pairava no ar sem causar incômodos. Ela sustentava um sorriso leve nos lábios, como quem está gostando do rumo que as coisas estavam tomando enquanto ele não conseguia parar de olhá-la pelo canto do olho, tentando não ser invasivo, mas adorava a visão de Ino dirigindo. Adorava que ela estivesse no controle de tudo.

Não demorou muito para chegarem no destino final. Um prédio baixo na parte mais moderna da cidade, com lojas de variedades em baixo e salas comerciais em cima, parecendo um local alugado e sem significado a princípio. O homem a olhou confuso quando ela parou e ficou olhando para o topo do prédio de maneira contemplativa antes de apenas virar para ele e lhe encarar com uma espécie de expectativa.

— Onde estamos, Yamanaka? – Ele perguntou divertido, vendo-a piscar daquele jeito lento e debochado.

— Esse prédio é meu – Ela disse por fim como se estivesse com uma repentina vergonha — E quando eu digo meu, quero dizer que é meu mesmo. Não do meu pai ou da minha família. Esse prédio foi um investimento que fiz quando comecei as aulas de administração, e até acho que meu pai não faz ideia disso.

— Então você é uma rebelde, hein? – O homem disse num tom zombeteiro, ela riu deixando sua cabeça tombar no próprio ombro.

— Vamos lá, quando entrarmos você vai entender porque estamos aqui – Disse num óbvio convite e Genma sentiu que não era mais apenas um encontro. Aquilo que estavam fazendo tinha agora um tom a mais, ainda que indefinido.

— Damas na frente.

— Você só quer olhar a minha bunda, Genma.

— Eu deveria ficar envergonhado por isso?

A mulher riu brevemente daquela declaração ousada, porque ele era sempre assim com aquelas piadas oportunas e senso de humor irrevogável. O olhou por mais um momento antes de descer e sentia que não sabia o que estava fazendo, mas agora que tinha ido tão longe não queria voltar atrás.

Sim, porque enquanto ela tirava as chaves da bolsa para abrir a porta de acesso às escadas, Ino se lembrava das palavras dele, sobre como ela se escondia atrás de uma capa poderosa porque não queria deixar as outras pessoas saberem quem ela era de verdade, e por um momento ela quis retrucar todas aquelas suposições dele até perceber o que estava fazendo.

O vestido, o carro, o restaurante... Ela tinha feito tudo aquilo para acuá-lo de verdade, como se fosse um teste para saber até onde ele aguentava. Queria saber se ela ainda exercia aquela pressão nele a ponto de fazê-lo brochar apenas com a ideia de que não poderia satisfazê-la. Ela queria deixar claro que era ela quem estava no controle absoluto daquela situação, e se tinha lhe dado o beneficio de um longo mês de conversa então isso tinha sido apenas caridade.

No final das contas, era tudo o que ele havia dito. Ino estava se escondendo dentro de seu casulo de autoconfiança porque não queria ser a pessoa vulnerável ali, porque ela conhecia tipos como o de Genma e sabia que era muito fácil de apaixonar por eles, com toda a lábia, piadas e sorrisos, afinal, ela mesma era um tipo como Genma, e quando duas pessoas assim se encontravam, então uma sempre dominava a outra, que ficava em desvantagem. Em todos os seus relacionamentos, seja passageiro ou duradouro, Ino sempre foi a pessoa que dava as cartas. Era ela quem definia o ritmo de tudo, e sabia que as vezes acabava por magoar alguns dele, mas era inevitável e ela não se sentia culpada por isso.

Subiram os 5 lances de escadas para alcançarem a porta que os levava para um apartamento aconchegante. Era amplo e parecia ser habitado por uma adolescente hipster pelas plantas e artigos de decoração espalhados por ali. Ela ligou a luz indo para o sofá acolchoado para tirar uma manta que jazia sobre ele, dizendo a Genma que ainda tinha um lance de escadas para subirem.

Voltaram para o corredor e terminaram seu caminho para o terraço do prédio. As lufadas de vento àquela altura vinham com mais força, fazendo o vestido dela balançar de maneira frenética. Os cabelos também eram jogados para lá e para cá com o vento enquanto ela jogava a manta no chão embaixo de uma marquise.

— Deixa eu te ajudar – Ele disse entendendo o que ela queria fazer.

Esticou a manta no chão deixando um espaço óbvio para os dois. A loira agradeceu com um sorriso calmo enquanto sentava delicadamente, tirando suas sandálias finas para cruzar as pernas. Ele se sentou também depois de tirar seu blazer e oferecer a mulher, que aceitou de bom grado, afinal dali de cima o vento era muito mais frio.

Genma abriu o vinho reparando na paisagem dos prédios e árvores além. Aquela área da cidade não tinha prédios tão altos, mas ainda assim era uma parte urbana bem movimentada no centro e sob a luz noturna suave que se espalhava através dos astros no céu e das lâmpadas fluorescentes nos postes, Ino e Genma se olharam.

Pareciam compartilhar confidências com aquele olhar cumplice que se estabeleceu entre eles. A moça foi a primeira a cortar o contato visual, pegando uma batata frita na embalagem enquanto maneava a cabeça ainda tentando entender o porquê tinha cedido a um impulso tão ridículo como o de mostrar que não tinha medo de intimidade. A fala de Genma despertara isso nela, essa vontade de mostrar para ele que não era alguém que tinha medo de se abrir.

Mas uma vez naquele lugar sob aquele céu, Ino se perguntava se tinha feito uma escolha assertiva. Não conhecia Genma tão bem assim e talvez estivesse caindo no papo dele bem como ele queria. Não sabia até que ponto ele podia ser ardiloso, mas ele parecia tão tranquilo diante de todas aquelas repentinas mudanças de curso que Ino se viu relaxar.

— Você disse que eu ia entender quando estivesse aqui – Ele disse de repente depois de tomar um gole do vinho direto da garrafa.

— Achei que não ia precisar explicar nada.

— Yamanka, eu pensei que já tinha deixado claro que não sou tão inteligente – Disse com aquele sorriso de canto esperto, de quem é confiante demais a ponto de fazer aquele tipo de declaração sem parecer autodepreciativo.

A mulher deu os ombros enquanto desviava o olhar para ver o céu e as estrelas. Explicar aquilo, pela primeira vez na vida, poderia soar como um desabafo ingrato de uma menina que tinha tudo o que queria, mas resolveu dar uma chance para ele entender quem ela era, e era apenas isso que ela poderia oferecer.

— O último andar desse prédio é meio que meu apartamento – E fez aspas com os dedos, envergonhada porque aquilo era tão pequeno e irrelevante. Não era como se ela precisasse ter um apartamento. — Eu comprei esse prédio quando tinha apenas 18 anos, e foi resultado de uma quantia gorda que meu pai me deu como presente para eu comprar o que quisesse.

— Parece uma compra bem inusitada.

— Pois é – Ela riu com a nostalgia lhe invadindo — Sakura estava morando sozinha a dois anos e eu queria o tipo de liberdade que ela tinha. Investir foi só um pretexto, já que o aluguel de todas essas salas simboliza um valor ínfimo perto do patrimônio de minha família – Disse sem nenhuma vergonha — Mas eu queria ter algo meu e só meu, que fosse um lugar que eu pudesse ir para esquecer o mundo e relaxar.

— Sakura saber?

— É claro que ela sabe – Disse com uma risada — Quem você acha que me ajudou a comprar isso?

O homem concordou com a cabeça num gesto de quem acabava de perceber que tinha feito uma pergunta óbvia e tomou mais um gole. O frescor dos sabores cítricos do vinho se espalhavam pela sua boca, e de repente ele percebeu que gostava muito daquela acidez suave que encorpava a bebida.

— Porque você me trouxe aqui, Yamanaka? – Ele perguntou depois de um momento, ainda com a sensação gostosa do vinho em sua boca.

Direto e simples.

Ela gostava disso em Genma, facilitava as coisas. E eles eram tão iguais em externar seus pensamentos de uma maneira tão crua, sem se importar se as pessoas estavam ou não prontas para receber a informação que tinham. Ino apreciava isso, mesmo assim não era como se ela mesma fosse imune a hesitação diante de uma questão que significava muito mais nas entrelinhas.

Era só sexo.

Ela só queria isso.

Porque tinha que ser complicado? Porque tinha aceitado ficar conversando com aquele idiota? E mais ainda, porque tinha baixado a guarda a ponto de sentir falta daqueles "bom dia" idiotas e sem sentido que ele enviava toda seis horas da manhã, como se ela estivesse acordada.

Talvez ele tivesse virado um bom amigo, daqueles com quem você pode transar de vez em quando.

Mas ela nunca quis um amigo.

Ela queria sexo.

— Se você quer mesmo saber, nem seu sei direito – Disse de uma maneira diferente, como se estivesse acessando diversas partes de si mesma para tentar encontrar aquela resposta — Eu fiquei incomodada com o que você disse sobre mim mais cedo e tomei uma atitude por puro impulso. – Confessou esticando a mão para ele enquanto o homem lhe passava a garrafa.

— Eu fui indelicado?

— Oh, não – Ela deu os ombros tomando um longo gole daquele saboroso vinho que lembrava tanto aquela primeira noite fracassada que tiveram — Você foi perfeito, Genma. Respondeu minha pergunta sem hesitar, eu gosto disso. Gosto que você não tenha medo de me dizer as coisas.

— Então qual foi o problema? – Perguntou olhando para ela com um semblante mais sério.

A mulher deu uma risada sem humor processando aquela pergunta tão simples. Conversar com Genma era uma montanha-russa. Numa hora poderiam estar falando qualquer besteira aleatória e no segundo seguinte estariam numa conversa profunda sobre as coisas e tudo que representam. Era como se pudessem ir a qualquer lugar, e isso tão perigoso de alguma forma.

— Posso não responder essa pergunta?

— Você pode o que quiser, Ino.

Ino.

Não era assim que ele a chamava. Mordeu o lábio inferior enquanto arrumava seus cabelos para trás da orelha com um bom-humor repentino. Ela gostava como ele a chamava daquele jeito impessoal, como se ela fosse a chefe. O nome de sua família soava tão largado naquele tom de voz cheio de segundas intensões. Era como se ele zombasse dela de uma forma que não soava desse jeito, e ela gostava daquela ambiguidade.

Mas Ino?

Para ela foi como uma primeira vez.

— Genma, eu preciso te alertar que se você deixar tudo por mim, então não vai ter direito a reclamar depois.

— Mas eu to deixando tudo por você justamente para poder reclamar depois.

— Eu sei – Ela disse com seu olhar afiado — Eu te conheço. Somos peixes do mesmo aquário.

— Ah, eu discordo – O homem disse jogando os cabelos para trás — Você é um peixe de água salgada, e eu sou um de água doce.

— O que isso significa?

— Vai ser mais divertido se você descobrir sozinha. – Disse dando os ombros de um jeito que até aquela besteira soava de um jeito profundo.

O som da risada dela se espalhou enquanto percebia que não havia entendido nada daquela conversa. Como assim peixes de água salgada e doce? O que eles tinham de tão diferentes a ponto de não serem do mesmo ambiente? Era sobre dinheiro que ele estava falando? Porque se fosse o caso isso também não significava muita coisa.

Genma a observava de maneira gentil, e sob aquelas luzes, Ino parecia muito mais viva. Resistiu a vontade de tocá-la, porque não parecia ser o momento para isso e ele não queria que ela o interpretasse errado. Sim, ele sabia que estavam ali para transar, mas isso não significava que ele queria só isso.

Os olhares se encontraram e Ino parecia mais voraz, mais ativa. Ele sabia que o momento à dois estava acabando, que logo em breve seriam apenas um homem e uma mulher cedendo aos desejos mais carnais.

— Genma – Ela chamou naquela voz de quem tinha a resposta para todos os problemas — Eu te trouxe aqui porque queria que você me fizesse esquecer do mundo e relaxar.

— Estou conseguindo?

— Não. – A mulher respondeu com um sorriso leve — Esse lugar... – Contemplou por um momento — Em teoria esse lugar era para isso, mas sempre que eu venho aqui acabo pensando em tantas coisas, e hoje você está me fazendo pensar em muitas coisas.

— Devo me desculpar?

— É claro que não. Você não tem culpa de nada. Acho que no final das contas você me lembra disso aqui. – Disse resoluta, ainda com aquele sorriso leve nos lábios — Mas eu não quero que as coisas se tornem muito contemplativas nesse encontro, então você deveria apenas me beijar.

O homem sorriu para ela com calma antes de se aproximar vagarosamente. Sentou-se bem ao seu lado num ponto que podiam sentir o calor um do outro emanando. Ele passou a mão por ela quase como se fosse tocá-la, mas levou mais além até a garra ao lado dela e a pegou para mais um gole daquele delicioso vinho.

Ino riu um pouco mais com a expectativa frustrada achando que aquele homem adorava fazer aquilo consigo. O viu colocar a garrava do outro lado sem nenhuma pressa, para só então olhá-la daquele jeito intenso enquanto colocava uma mecha dos loiros cabelos atrás da orelha, fazendo-a arrepiar com um gesto tão simples.

— Yamanaka, eu sou vou dizer isso uma vez, então preste atenção – Disse num timbre mais baixo e estava tão perto que ela mal conseguia ter uma visão nítida dele — Você vai ter tudo o que quiser de mim, basta querer.

E antes que ela pudesse perguntar o que aquilo significava, Genma a tomava com fervor. Seus lábios se encontrando em plena sincronia como se estivessem ansiando um pelo outro a cada segundo. O gosto do vinho se espalhava entre eles e as sensações do beijo quente propagavam pelos seus corpos.

Ele segurou o rosto dela com uma mão aprofundando aquele gesto sem deixar que ela escapasse, e estava tão calmo, tão passional. Genma carregava aquela certeza absoluta de quem tinha tudo planejado, de quem já tinha traçado todas as suas ações a partir daquele ponto e que iria fazê-la chegar aos céus que tanto desejava.

Suspirou quando ele a liberou de seu beijo, sorrindo para ela daquela maneira perversa, deixando bem claro que era ela quem precisava de folego ali, porque ele estava pronto e cheio de energia. Ino sorriu quando ele afundou na curva de seu pescoço, mordiscando sua pele alva enquanto seu brinco dançava pelos cabelos, e pensou, por um breve momento, que deveria agradecer à Sakura por aquilo.

Gemeu em expectativa quando a mão dele passeou pelo seu corpo tão suavemente, provocando aquela sensação de quase toque, como se sua mão fizesse contato apenas com os pelos do seu corpo, sem lhe tocar realmente. Suspirou o puxando para si em sua urgência de algo mais, sentindo seus lábios deslizarem uns nos outros de tão úmidos enquanto esfregava suas pernas uma na outra.

Mas ele estava ali, tão vagaroso, tão sem pressa... Era como se quisesse torturá-la com todas aquelas sensações intensas e suaves.

— O que você está fazendo? – Ela perguntou sentindo que queria sentar no rosto dele e fazê-lo lambê-la como nunca outra pessoa o fizera antes.

— Curtindo meu momento – Disse daquele jeito sacana, como quem não se importa na urgência do outro — Hoje eu vou te mostrar o que posso fazer quando meus neurônios funcionam.

Ino riu da bobeira dele afastando seu rosto para olhá-lo por um momento. Se encontraram em divertimento e ela adorava como ele não se importava em citar a noite em que brochou, fazendo aquilo de tempos em tempos sem ferir o próprio ego.

Quando ela pensou numa resposta, Genma a puxou para si, tomando novamente os lábios dela numa óbvia ação para calar-lhe a boca. Ele gostava da voz dela e do jeito convencido que ela lidava com as coisas, mas preferia, por hora, que ela se comunicasse por gemidos.

Tateou pelas costas dela em busca do fecho superior daquele vestido delicado, e uma vez que o encontrou, liberou aquele par de peitos que saltaram a sua frente implorando para que ele os beijasse, mas ele não o faria por hora, queria apenas sentir aqueles mamilos entumecidos se esfregando contra seu peito coberto pelo tecido da camisa.

A noite continuava quente e o vento não cessava, fazendo os fios dos cabelos loiros flutuarem conforme a intensidade das lufadas. Com uma mão experiente, Ino iniciou o processo para livrá-lo daquela camisa incomoda. Queria sentir a pele dele, queria que ele estivesse tão exposto quanto ela, afinal qual era o sentido daquilo se não estivessem em pé de igualdade?

Aproveitou-se e se livrou do seu vestido por completo depois que Genma abriu o zíper lateral. Sentou em cima dele apenas com sua calcinha de renda enquanto sentia o jeans dele arranhar suas coxas delicadas, e mais ainda, sorriu ao sentir a ereção dele tentando se libertar daquelas calças apertadas. Ela afastou o corpo brevemente, olhando o castanho perigoso dos olhos dele que queimavam em desejo.

Ino colocou sua mão espalmada no peito dele, olhando o princípio de suor fazer a pele morena brilhar, mordeu o lábio sem perceber enquanto arranhava de leve o peito malhado como se estivesse a ponto de devorá-lo. O escutou dar aquela risada de deleite, mostrando que ele estava no completo controle de tudo, e pela primeira vez, Ino não se importou.

A buscou chocando seus corpos quentes, sentindo os seios dela serem esfregados contra sua pele nua enquanto a beijava de modo exigente, querendo que ela cedesse cada vez mais, reconhecendo o corpo da mulher e suas curvas marcadas que fariam qualquer homem enlouquecer, inclusive si mesmo.

Sentiu as mãos dela o empurrarem com força nos ombros, se afastou bruscamente franzido o cenho enquanto ela o olhava quase atordoada e então avançou contra ele, chupando sua língua de uma maneira desesperada enquanto rebolava em cima do seu pau. Ela o arranhava, o puxava e empurrava como se não soubesse como pedir que a comesse.

Mas ele ainda queria muito mais dela, queria prová-la toda.

Puxou o cabelo loiro levemente, exigindo que ela se controlasse enquanto buscava o acesso ao pescoço e colo feminino, dando beijos calorosos enquanto o vento soprava sem suas peles causando uma mistura de sensações tão inebriantes. Finalmente levava a boca aos seios dela, chupando um deles avidamente enquanto mostrava um pouco do poder de sua língua áspera. Ela gemia cada vez mais alto, esfregando seu quadril de maneira frenética contra sua ereção ainda coberta, parecendo cada vez mais desesperada em seu desejo errático.

Sim, porque para ela aquilo estava sendo tão confuso. Era ela quem deveria ditar o ritmo daquilo, mas ao mesmo tempo estava tão bom daquele jeito lento, como se ele a venerasse e quisesse sentir cada pedaço dela no seu próprio compasso. Ele era um metrônomo e seu tic-tic coordenava toda música que subia em seus ouvidos.

É claro...

Transar com Genma era como música.

Ritmado, as vezes constante, as vezes surpreendente e podia também ser tão caótico.

— Eu vou te fazer gozar tão gostoso, Yamanaka – Prometeu com a boca contra sua pele, arrastando seus lábios com força pelo meio de seus seios — E você já tá tão molhada.

— Me deixa gozar no seu pau, Genma. – Disse sentindo os dedos dele penetrarem pelo tecido de sua calcinha apenas para sentir seus efeitos naquela parte especifica de seu corpo.

Com habilidade, o homem abriu seu cinto de uma maneira quase surreal, deixando que Ino o ajudasse a pegar a camisinha no bolso de trás do jeans, e ele não podia ser tão mais óbvio deixando-a ali, bem a mão.

Ela riu quando percebeu que o homem estava sem cueca o tempo todo, e é claro que ele notou o motivo daquela súbita risada enquanto colocava o preservativo devidamente. Eles se olharam por um momento e tudo era como música. A sinfonia de Genma. Ino subiu as pernas brevemente enquanto se posicionava, olhando para ele diretamente com seus olhos azuis refletindo as luzes do ambiente, mostrando a intensidade do seu olhar.

Quando sentou, ele gemeu e ela suspirou. Jogou o corpo para trás enquanto os movimentos delgados surgiam. Ele tinha tirado as mãos do corpo dela, deixando que ela cavalgasse por si só, entrando no ritmo daquela dança lenta e erótica, deixando seu corpo guiar seu desejo, sentindo-o tão duro dentro de si que a fazia querê-lo cada vez mais fundo.

Mas não teve pressa. Entre seus gemidos arrastados, Genma a olhava com intensidade, deixando um ou dois ruídos escaparem entre a contemplação do corpo feminino que buscava o prazer através dele. A energia fluía entre os corpos, o vento fazia o cabelo dela balançar, e as luzes que vinham de trás a iluminava como se fosse um ser etéreo.

A mulher passou as mãos pelo próprio corpo, sentindo sua pele, seus pelos arrepiados, o suor por todos os lugares. Abriu os olhos brevemente, com aquele azul nublado de quem está completamente tomada pelo prazer, e os movimentos iam vacilando à medida que ela acelerava, foi quando Genma a alcançou segurando firme em sua cintura e fazendo-a manter o compasso.

Entretanto, aquilo não durou por muito tempo. Logo o tom da música subiu e Ino perdia sua sanidade enquanto sentava cada vez mais rápido. Seus gemidos escapavam altos se misturando aos dele, que a agarrava com vontade, sentindo que seu ápice chegaria a qualquer momento a partir dali.

Ele soltou um ruído gutural quando ela sentou uma última vez, fazendo-o ir o mais fundo possível, e então sentiu que estava encontrando o paraíso no cheio cítrico do perfume dela, na pele maculada, na voz aguda e respiração ofegante.

Genma a manteve ali consigo enquanto sentia os efeitos do seu ápice, de repente querendo uma cama confortável para levá-la, mas não ousou sugerir nada enquanto ela ainda estivesse tremula em seu enlace, numa vulnerabilidade tão atípica de seu ser.

Porque era assim que se sentia: Vulnerável. E era isso que a incomodava em Genma, porque por mais que ele não se importasse em estar no controle, só essa atitude o deixava num lugar em que estaria acima dela. Porque controle só era importante para Ino.

Agora ela entendia.

Foi nos braços dele, enquanto estava praticamente nua, que Ino entendeu: Genma era um peixe de rio, nadava com a correnteza buscando chegar num calmo lago enquanto que ela era um peixe do mar decidindo seu próprio caminho, lidando com tantas adversidades e nadando muitas vezes contra a maré.

Ela recuou por um momento quando sentiu seu corpo parar de tremer um pouco mais, e então olhou para ele com aquela expressão séria, como se esperasse pelo comando dela, sempre seguindo o fluxo. Tudo o que quisesse dele, ele tinha dito que ela teria, então porque ela estava hesitando?

O beijou de maneira súbita, deixando suas línguas quentes se encontrarem num gesto quase apaixonado.

Quando se separaram, ele parecia confuso, como se não entendesse aquele sinal, mas sequer ela conseguia se se entender. Sorriu para ele com suavidade, deixando quaisquer questões que tivesse para um outro momento, porque depois daquela noite ela queria apenas que ele a levasse para o quarto e deitasse com ela para, quem sabe, mais um round ou talvez somente conversar. Não importava.

No final das contas, ela só queria ficar um pouco mais com ele, e no outro dia lidaria com o que tivesse que lidar.

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Fio dental, tanga com bordado, rendada, transparente, lisa... Haviam tantas calcinhas jogadas em cima da sua cama e Sakura ainda não sabia qual escolher. Todas eram minúsculas e cobriram apenas o extremamente necessário, fazendo parte dos conjuntos de lingerie que usava nos shows que fazia nas quintas a noite.

Porém, ali era um sábado e depois que saiu da casa de Ino, Sakura correu para o seu apartamento em busca do que precisaria para o dia de amanhã. Era uma data especial e ela havia preparado algo especial, e tinha que levar tudo que precisava ainda naquela noite porque sabia que Kakashi não a deixaria sair de perto dele pela manhã.

Na verdade, ela já queria que ele acordasse sendo surpreendido.

Dispensou o corselet, porque seria contraproducente usar tantas peças de roupas. Pensou naquelas meias com cinta liga, mas parecia exagerado. Talvez algo básico, fácil de tirar, mas não soava preguiçoso? Ali, diante das peças, Sakura já não tinha muita certeza do que queria vestir.

Foi quando a porta se abriu e do nada haviam dois homens no seu quarto. Um loiro e um moreno. Eles olharam para ela e depois para a cama e pareciam estar fazendo as próprias considerações sobre a cena.

— É crime querer usar algo sexy para o meu namorado? – Perguntou quando eles se entreolharam.

— Tá em dúvida? – Sasuke questionou deitando a cabeça brevemente para o lado, como se estivesse curioso sobre alguma peça.

— O que vocês tão fazendo aqui? – Sakura perguntou porque essa era principal questão.

Naruto e Sasuke, junto com mais uma penca de pessoas tinham acesso livre ao seu apartamento. Ela deixava o nome deles na portaria e podiam aparecer a qualquer momento, as vezes lhe pegando em momentos como aquele, onde ela preferia estar sozinha.

Mas não é como se ela ficasse constrangida.

— É assim que você nos recebe, Sakura-chan? – Naruto disse com um tom dramático — Você começou a namorar, sumiu dos rolê, e age assim quando nos vê? – Ele fungou exageradamente — Sasuke, ela mudou. – Disse por fim olhando para o namorado que revirou os olhos.

— Vai te catar, Naruto. A gente se viu não tem nem quatro dias – Disse antes de olhar para as lingeries espalhadas na cama — Me ajudem a escolher uma bem sexy. – Pediu porque Kakashi já estava lhe esperando.

— A azul escuro – Naruto apontou sem hesitar, pegando o sutiã pelas alças e erguendo. — Vai dar pra ver a cor dos seus peitos através da renda.

— Certo, e coloco umas meias? – Perguntou pegando um conjunto dentro da gaveta.

Naruto deitou a cabeça como se avaliasse o corpo de Sakura de uma maneira não profissional. Sasuke revirou os olhos com o óbvio exagero, colocando a mão na cara do namorado e empurrando para o lado, visivelmente incomodado.

— Sério que você tá pedindo conselho do que vestir ao Naruto? – Sasuke disse na sua voz de tédio — O cara que propôs um ménage entre a gente?

A mulher deu uma risada porque Sasuke era um ciumento indiferente. Os ciúmes de Sasuke vinham sempre com um tom de indiferença que só mostrava o quão afetado ele estava, e Naruto ser bissexual por muito tempo foi uma questão para o Uchiha, que se sentia ameaçado pela possível atração que poderia surgir eventualmente em Naruto por algumas mulheres.

Incluindo Sakura.

Porque foi naquela festa onde eles beberam demais que Naruto deixou escapar que fantasiou um ménage entre os três e gozou em apenas sete minutos enquanto batia uma, e que ele toparia o sexo a três caso Sakura e Sasuke quisessem também. Naquele dia, Sasuke e ele tiveram aquela briga enquanto Sakura ria da situação com uma Ino chapada de tanto álcool.

— Você não vai me perdoar nunca? – Naruto disse com um bico. — Não posso ter desejos?

— Vocês podem discutir sobre isso depois que eu escolher a lingerie. – Ela disse com humor erguendo as meias finas — Meia ou não?

— Não – Sasuke disse categoricamente — Suas pernas são perfeitas demais e você vai querer que ele as veja.

— Na verdade, Sakura-chan – Naruto disse cruzando os braços numa tentativa de não transparecer a imagem mental que estava em sua cabeça — Você devia usar preto.

— Que tal esse conjunto, com sutiã meia taça com esse fio dental aqui – Sakura mostrou, adotando a sugestão de Naruto pelo preto — Bem simples, mas dá um destaque.

— O seu namorado tem quantos anos mesmo? – Naruto perguntou de maneira aleatória.

— 36.

— Ah, então o coração dele aguenta. Só vai, Sakura-chan! – Disse com aquele sorriso pervertido, fazendo Sakura gargalhar com a idiotice dele.

— Ok! Obrigada meninos – Ela falou colocando tudo na bolsa, junto com um óleo e outros produtos que Naruto não fazia ideia do que se tratava.

— Você vai levar o sortudo pra festa? – Naruto perguntou — Ino me disse que ele é gente boa, mas quero tirar minhas próprias impressões.

— Sim, vou apresentar vocês a ele amanhã – Disse com um sorriso calmo depois de juntar as peças em cima da cama e enfiá-las na gaveta sem muita organização — Não se preocupa, ele é gente boa de verdade. – E colocou a mão no ombro dele num agradecimento mudo.

Naruto tinha sido fundamental depois do término com Sasori, e não só ele, Sasuke também tinha sido um de seus portos seguros. Era normal eles se preocuparem quando alguém novo aparecia na sua vida por conta do histórico que ela tinha.

Se olharam por um momento com sorrisos e Sasuke colocou as mãos nos bolsos com aquela expressão de satisfação. Era estranho como eles três conseguiam se dar bem sendo tão diferentes, mas de algum jeito, eles eram família e cuidavam um do outro.

— Agora, rapazes, é melhor vocês me dizerem porque estão aqui – Ela disse colocando a bolsa no ombro — Eu preciso ir porque Kakashi tá me esperando.

Eles se entreolharam e depois olharam para ela. A mulher franziu o cenho percebendo que eles não estavam ali por qualquer coisa. Semicerrou os olhos enquanto esperava a resposta, encarando de maneira quase ameaçadora.

Sasuke pigarreou.

— É que, a gente soube que você tá passando os finais de semana na casa do seu namorado — Começou explicando — Ino disse pra gente.

— Sim! – Naruto falou pegando a bola, já que Sasuke parecia desconfortável — E o irmão do Sasuke tá na cidade, né? Você sabe...

— É claro! A cirurgia de Itachi! – Falou lembrando da doença dele — Como ele está?

— Bem. A cirurgia foi um sucesso e ele vai voltar a enxergar em breve. Veio para Kyoto para se recuperar e tá lá no meu apartamento pra gente passar um tempo de qualidade juntos enquanto ele não tem toneladas de coisas para resolver da empresa.

— Que alivio! No jornal fizeram parecer que ele ia morrer por conta do problema nos olhos. – Ela disse lembrando da notícia sensacionalista que fez as empresas Uchiha caírem dois pontos na bolsa.

— Nada disso. Itachi tá muito bem e aproveitando o tempo de folga lá em casa. Papai que tá louco para que ele volte pro trabalho.

— E por isso a gente quer saber se você não pode emprestar o seu apartamento pra gente! – Naruto emendou praticamente correndo com as palavras.

— O que? Pra que? – Sakura falou confusa.

— Itachi tá lá em casa e meu pai fica aparecendo do nada para ver como ele tá, e você sabe que meu pai odeia que eu seja gay. – Explicou — Não dá pra ficar de boas com o Naruto lá, apesar do Itachi não se importar.

— Fora os jornalistas de plantão. Se pegarem eu e o Sasuke juntos o pai dele nos mata.

— E a sua casa? – Sakura perguntou para Naruto cruzando os braços — Seus pais amam o Sasuke-kun. Sua mãe inclusive só fala de como ele é perfeito.

— É exatamente por isso que não dá pra ficar lá! – Naruto disse gesticulando de maneira exagerada — Ela não deixa a gente em paz, quer ficar falando com o Sasuke o tempo todo! Ai, Sasuke-kun você quer alguma coisa? Um suquinho? Como você tá na faculdade? Você tá tão cheiroso...

Sakura gargalhou com a explicação do amigo. Conseguia até ver Kushina falando todas aquelas coisas enquanto eles estavam na cama querendo transar, porque ela era desse jeito, toda animada mesmo. Naruto tinha pais excelentes que eram tão divertidos e desencanados.

— Então vocês querem fazer meu apartamento de motel – Sakura disse de maneira direta vendo Sasuke encolher os ombros.

— Eu disse pra gente ficar num hotel, ou motel, qualquer coisa – Naruto disse dando os ombros — Mas o Sasuke é fresco.

— Vocês não veem problemas nesses locais? Parece que tá indo num abatedouro. Só pra transar e tchau!

— Eu concordo com o Sasuke-kun – Sakura falou tendo que admitir que achava motéis algo muito impessoal.

— Então você vai emprestar pra gente? – Sasuke perguntou de maneira aproveitadora. Sakura riu.

— É claro que eu vou. – Disse recebendo um abraço de Naruto — Mas me avisem quando estiverem aqui para que eu não venha e ache você dois... – E enfiou o dedo indicador de uma mão no aro que fez com os dedos da outra mão.

Sasuke revirou os olhos levemente corado enquanto Naruto declarava que iriam mandar mensagem sempre que fossem utilizar do apartamento dela, para garantir que ela não estivesse também.

— Sakura-chan, você é a melhor! – Disse a abraçando.

— E eu quero tudo limpo! – Ressaltou olhando para Sasuke, porque Naruto não se importava em limpar nada.

— Hai, hai! – Naruto disse com um sorriso.

— Agora vamos embora, vocês podem começar a usar na próxima semana. – Falou enquanto puxava os dois para fora, porque já estava tão atrasada e ela odiava deixar Kakashi esperando.

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— Obrigada por vir comigo, Aoba – Rin disse arrumando o casaco vermelho que havia acabado de colocar — Odeio ter que jantar sozinha nesses lugares.

— Sério, Rin? Eu quem devo te agradecer. Comida boa e grátis... Tudo que um homem precisa. – Ele disse com humor, deixando suas mãos dentro dos bolsos do casaco cor mescla que vestia.

Estava ventando muito naquela noite e parecia que tinham ficado tão pouco tempo dentro daquele lugar, mas quando perceberam a hora, já era tão tarde. Saíram do restaurante chique que solicitou um crítico para avaliar o novo menu e Rin foi a bola da vez. A comida era excelente e eles tinham melhorado o atendimento desde a última vez que havia ido lá.

— É sério, Aoba – Ela disse virando para ele já perto do carro dele — Eu teria vindo sozinha não fosse você, e é tão difícil de ter que se acostumar com a falta de companhia.

Encolheu os ombros com certa vergonha. Era triste ser uma adulta que parecia depender da atenção alheia para existir. Não que ela não pudesse ter ido só, mas a noite tinha sido bem mais aprazível na companhia do amigo.

— Rin, eu já te falei, no que você precisar é só me chamar – Disse de maneira séria, olhando para ela com honestidade — Não é nenhum sacrifício jantar com você, principalmente quando eu não tenho que tirar um iene do bolso.

Ela sorriu divertida, concordando com a cabeça e aceitando a gentileza. A verdade era que, dos meninos, Aoba sempre foi o mais próximo dela, e talvez fosse porque tinham gostos parecidos, mas o fato é que a afinidade com Aoba era tão natural quanto sua afinidade com Kurenai.

— Tudo bem então – Disse por fim se sentido leve — A gente se vê depois.

— Você não vai pra casa? – Ele perguntou confuso.

— Sim, vou. Tá tarde e eu realmente preciso dormir, então vou pegar o primeiro táxi e-

— Já falei, se precisar de uma carona eu te dou. – A interrompeu abrindo a porta do carona.

— Não precisa, Aoba – Rin se adiantou em dizer, gesticulando para enfatizar sua fala, porque o havia alugado pelo dia todo, não queria ter que incomodá-lo com aquilo também — Sua casa é bem ali, e eu moro muito longe daqui.

— Justamente por isso eu vou te dar uma carona. Vamos lá, entra aí.

Ela olhou para o amigo incerta. Em seu mundo, caronas eram sempre bem vindas, mas ultimamente sentia que estava pedindo favores demais a todo mundo. Era como se fosse aquelas mulheres que acabaram de se separar e tinham esquecido como se faz as coisas sozinhas. Se não estava com Kurenai, estava ocupando o pouco tempo de Shizune, ou até mesmo fazendo Aoba passar o dia consigo sem o menor aviso prévio.

Não queria pegar aquela carona porque ele já tinha feito muito por ela. Sua companhia lhe deixou mais leve, e Aoba tinha um senso de humor esquisito, como se fosse um botão que ele apertasse e tcharan! Ele virava um completo boboca. Passar o dia com ele resmungando sobre como tudo parecia igual naquela amostra de tecidos ou provando óculos lá loja perto do hotel, ou comentando sobre o preço do bife no orçamento que enviaram a Rin naquela tarde.

Aoba era gentil a sua maneira, sendo bizarramente reservado. Se achavam Kakashi discreto, Aoba elevava aquilo a outro nível.

Mas era sempre bom passar um tempo com ele, só que agora era a hora de virar abobora.

— Aoba, não precisa – Ela disse com um sorriso — Obrigada por passar o dia comigo. Foi muito divertido.

Ele parecia hesitar, como se tentasse articular um plano para fazê-la aceitar a tal carona, e isso a fez rir maneando sua mão ao vento, chamando-o para um abraço final.

— Sério, muito obrigada mesmo – E jogou seus braços ao redor do pescoço do homem enquanto sentia as mãos dele na sua cintura por dentro do casaco vermelho. As mãos dele estavam frias, e ela podia sentir isso mesmo com a mão dele sob o tecido fino da sua blusa. Soltou um ruído característico da súbita mudança de temperatura pelo toque. — Suas mãos estão frias. – Comentou recuando o rosto minimamente.

— Desculpe — Ele disse fazendo menção de soltá-la, mas ela apenas riu puxando-o novamente.

— Não é nenhum problema. Me deixe aquecer suas mãos – Disse demorando o abraço enquanto lentamente as mãos dele iam absorvendo o calor dela naquela troca de energia. Não falaram nada por um longo momento e ela se sentia confortável ali como a muito tempo não se sentia.

Sentiram que a mão dele já tinha aquecido, mas continuaram abraçados ali como se nenhum deles quisesse ser o primeiro a desfazer aquele enlace. Ela não sabia o que se passava na cabeça dele, mas parte de si queria apenas ficar ali até o ano acabar, ou talvez até mesmo um pouco depois, porque era tão confortável e aconchegante. Riu levemente com o pensamento, recuando a cabeça apenas para ver os olhos negros divertidos.

Havia aquela leveza absoluta, e eles se olharam com aquela alegria calma, que lentamente foi se dissipando enquanto seus rostos se aproximavam como imãs.

Ela já sentia a respiração dele tão perto de si, e tinha certeza que estava corada àquela altura. Iam se beijar? Ela iria beijar com o cara que era seu amigo a sabe-se lá quantos anos? Ela iria dar um passo que não sabia se tinha certeza que queria dar só pelo clima de repente se instaurou? Aliás, de onde veio aquele clima?

Se olharam intensamente enquanto suas pálpebras iam cedendo. No instante que fecharam os olhos, seus lábios se tocaram num gesto singelo e tão pueril. Apesar da confusão que havia na mente da mulher, ela conseguiu se deixar aproveitar aquele momento do jeito que merecia ser aproveitado, movimentando seus lábios contra os dele, que eram tão diferentes e novos.

Rin só havia ficado com 5 homens em sua vida toda, e apenas dois deles ela conhecia de verdade, os outros três pegou em festas aleatórias entre seus términos com Kakashi. Sequer lembrava direito deles, porque sua vida só tinha espaço para Kakashi e às vezes para Obito.

Mas ali com Aoba, Rin se sentia diferente, como se estivesse descobrindo algo novo sobre si. Ele não era um desconhecido num bar, e também não era um ex com quem tinha um histórico, sequer era alguém com quem ela um dia considerou estar em qualquer tipo de situação que envolvesse romance ou sexo, mesmo assim estavam ali num beijo cálido em frente ao restaurante chique em que jantaram.

E de repente tudo naquele dia soou como um primeiro encontro.

Quando se separaram levemente ofegantes, Rin e Aoba se encararam de repente percebendo de verdade o que tinha acabado de acontecer. Ele recuou, soltando-a do seu enlace enquanto a mulher pigarreava com um leve constrangimento. O viu passar a mão entre os cabelos enquanto olhava para todos os lugares exceto ela, e Rin se viu coçando a lateral do seu rosto porque não sabia mais o que fazer com as mãos.

— Acho que é melhor a gente ir andando – Ela disse num timbre mais agudo, como se estivesse forçando sua voz a sair o mais normal possível.

— Certo – Ele confirmou parecendo confuso, olhou para o carro e depois para ela — Eu te levo.

— É melhor não, Aoba – Disse com uma risada nervosa, céus, o que tinha acontecido? — N-não me faça nenhum convite – Pediu incerta, porque aquilo era tudo tão estranho e confuso e... Sua vida estava numa situação tão complicada.

— Entendi – O homem falou de maneira mais séria, sua expressão mostrava que havia entendido de verdade o significado daquele pedido — Então eu já vou – Completou olhando para a mulher mais uma vez, que o incentivou com um aceno de cabeça. — Me manda uma mensagem quando chegar.

— Certo. – E levantou a mão num tchau nervoso.

Ele retribuiu o gesto e deu a volta, entrando no carro de maneira quase atrapalhada e partiu, buzinou antes de sumir pela rua em meio aos outros veículos e Rin se viu soltando o ar da boca com se estivesse segurando a respiração por todo aquele tempo.

Céus!

Aoba?

Riu sem jeito percebendo que não havia entendido nada do que havia acabado de acontecer. Mordeu o lábio inferior se sentindo animada de um jeito quase infantil enquanto seus pensamentos borbulhavam. Ok, era o Aoba que dizia que chá era melhor que café, e tinha aqueles hábitos de gente velha, metódico. Aoba era um cara engraçado, veterinário de dia, músico a noite.

Ela nunca pensou em ter qualquer tipo de envolvimento com ele além da amizade, ainda que Kurenai, por um tempo, tenha tentado empurrar os dois para um relacionamento amoroso quando voltou de Tóquio. Na época, Rin foi muito categórica em dizer que queria Kakashi, e Aoba parecia achar apenas engraçado as tentativas de Kurenai de dar uma de cupido.

Tinha a mais absoluta certeza que era algo tão confuso para ele quando foi para ela, afinal de contas, ela o conhecia.

E poderia ter entrado naquele carro e, quem sabe, convidá-lo para subir ao seu apartamento, mas ao mesmo tempo ela estava num momento ruim da sua vida e Aoba era seu amigo antes de tudo. Não queria envolvê-lo na bagunça que estava vivendo, colocá-lo num roll com Kakashi e Obito. Além disso, ela ainda tinha sentimentos por Kakashi, e ainda sofria por ele.

Talvez estivesse pensando demais, talvez fosse só sexo, mas ela não queria arriscar a amizade deles se envolvendo dessa maneira. Fora que, do jeito que estava, era capaz de fazê-lo de muleta e Aoba não merecia isso. Ela nem sabia onde estavam, céus, tinha sido apenas um beijo.

Porque estava pensando tanto? Estava tão carente a esse ponto?

De repente sentiu vergonha. Abraçou a si mesma enquanto olhava os carros na rua esperando pelo primeiro táxi que surgisse para levá-la ao seu casulo. O que você está fazendo, Nohara Rin? Perguntou a si mesma sentindo que estava prestes a destruir a vida de mais um de seus amigos. Pegou seu celular sentindo que precisava colocar isso pra fora com alguém, mas o celular de Kurenai provavelmente estava descarregado.

Normalmente, em caso de uma Kurenai ocupada, Rin ligaria para Aoba.

Riu de sua desgraça colocando o celular de volta na bolsa apenas para sentir, amassado no meio de suas coisas, aquele cartão preto de papel rígido. O içou para olhá-lo claramente, Uchiha Obito, detetive.

Considerou ligar para ele por um momento. Não queria ficar sozinha e voltar pra casa depois de ter beijado Aoba parecia tão estranho. Ela provavelmente ficaria pensando naquilo mais do que deveria e chegaria a conclusões que não faziam jus ao que de fato aconteceu. Ela queria, de verdade, conversar com alguém naquele momento, porque depois que o amigo foi embora e a ficha foi caindo, Rin percebia que talvez estivesse procurando alguém para ser sua muleta.

E apesar de Aoba ser o tipo de cara que ela e Kurenai classificavam como come quieto, ainda assim ele era seu amigo, e ultrapassar essa linha com ele significava arriscar perder mais uma pessoa. Não que ela tivesse perdido Kakashi, mas chamá-lo para uma conversa casual a essa altura parecia impossível. Anos de namoro impediam que qualquer conversa entre eles fosse casual, principalmente quando ela ainda tinha esses sentimentos por ele.

Com Obito as coisas já eram um pouco mais diferentes, porque conseguia conversar com ele de um jeito despretensioso, mas ainda assim, ligá-lo daquele jeito poderia passar a impressão errada, e Rin não queria mais transar com Obito, não queria ter esse tipo de relacionamento com ele apesar de saber que o homem não se importaria.

Soltou ar dos pulmões abraçando a si mesma.

Ligar ou não ligar, eis a questão.

.

.

.

Abriu os olhos com a luz matinal invadindo seu quarto suavemente. Deixou sua visão se adaptar a claridade enquanto percebia que estava sozinho na cama. Olhou para o espaço vazio ao seu lado vendo alguns fios de cabelo rosa denunciarem que sim, não tinha sonhado com um mês incrível por todo esse tempo e que Sakura era bem real. Sorriu de maneira preguiçosa antes de um bocejo imaginando onde a moça estaria àquela hora da manhã.

Aliás, que horas eram mesmo?

Olhou por cima do ombro para o visor da Alexa. Era cedo demais para um domingo, mas ainda assim sentia que tinha dormido o suficiente. Levantou da cama e foi em direção ao banheiro achando que Sakura poderia estar por lá, mas não aconteceu. Deu os ombros enquanto colocava pasta na escova de dentes, fazendo a higiene bucal antes de lavar o rosto e por fim urinar.

Foi para a janela do quarto olhar a parte externa da casa vendo seus cachorros fazerem qualquer coisa, enquanto o cheiro do sabonete novo se fazia presente. Sakura tinha razão, aquela marca era muito melhor do que a que ele costumava comprar e ele meio que queria lavar as mãos direto para manter aquele cheiro flutuando por aí.

Franziu o cenho ao perceber que Sakura não estava na varanda, mas o carro dela estava ali, bem atrás do seu. Será que ela já estava comendo? Foi quando ele resolveu sair do quarto finalmente, querendo seu bom dia cor-de-rosa. Girou a maçaneta da porta do quarto e abriu, percebendo um papel caído no chão logo a sua frente.

Pegou o papel branco e leu naqueles kanjis caprichados o convite de Sakura para que fosse ao quarto de hospedes número 1. Arqueou a sobrancelha em divertimento, porque de repente estava curioso com aquele mistério barato e segundo porque ela havia nomeado os cômodos extras de sua casa com números como se houvessem muitos. Eram só dois quartos extras fora o escritório que ele tinha feito e nunca usava.

Passou a mão nos cabelos colocando o papel sob o aparador enquanto fazia seu caminho para o quarto de hospedes número 1. Imaginou que fosse o mais perto do seu quarto, e por isso bateu na porta com suavidade, chamando o nome dela logo em seguida.

— Pode entrar – Ele ouviu bem longe, como se ela estivesse muito distante da porta.

Quando finalmente estava dentro do lugar, Kakashi percebeu que tudo estava exatamente do mesmo jeito que ficava sempre, exceto por uma cadeira colocada fronte à porta com um tapa-olhos preto, daqueles que se usa para dormir em seu acento.

— Eu devo sentar e pôr isso? – Ele perguntou divertido para a porta do banheiro enquanto se aproximava da cadeira, pegando a venda com curiosidade.

— O que você acha? – Ela respondeu de lá de dentro naquele tom petulante o fazendo rir.

O que ela estava aprontando àquela hora?

— Estou sentando agora, e não enxergo nada – Falou ajustando o tapa-olhos de forma honesta no rosto, sem conseguir conter o sorriso divertido nos lábios em expectativa.

Bom menino.

A ouviu dizer mais claramente depois de abrir a porta. Ele percebeu a aproximação dela enquanto perguntava, inutilmente, o que ela estava fazendo, mas é claro que ela apenas riu da pergunta dele, dizendo que logo ele descobriria enquanto amarrava suas mãos nas costas da cadeira.

— Só estou deixando você fazer isso porque você é rica e sei que não vai me roubar – Falou em tom jocoso enquanto ela puxava as cordas, conferindo se o homem estava bem atado.

— Vai que eu seja uma dessas pessoas que tem compulsões estranhas – Disse se afastando, deixando-o ouvir o barulho das cortinas sendo serradas.

Kakashi apenas riu com a declaração enquanto sentia a aspereza das cordas em seus punhos, mantendo suas mãos juntas. Ouvia os passos dela de lá para cá enquanto esperava com sua curiosidade crescente, quase se arrependendo por não ter deixado uma brecha naquele tapa-olhos para espiar a mulher que se mantinha focada no que estava fazendo.

— Ok. Vamos começar – Ela disse com as mãos apoiadas em cima dos ombros dele, dando um suspiro como quem se prepara para algo. Kakashi arqueou uma sobrancelha em divertimento enquanto sentia as mãos dela subindo pela pele dele, tirando o tapa-olhos apenas para ele enxergar a escuridão — Alexa, comece.

Tudo bem!

— Você comprou uma Alexa pro quarto de hospedes? – Ele perguntou num tom provocativo, girando a cabeça para tentar enxergar a moça, enquanto Alexa demorava seus três segundos para fazer as luzes vermelhas acenderem no quarto de maneira suave.

Cala a boca – Ela disse com a boca próxima demais ao ouvido dele, o fazendo arrepiar com o jeito que sussurrava aquelas palavras enquanto as pontas de seu cabelo roçavam levemente em seu ombro.

Kakashi se empertigou quando o tom alto da música começou a soar. As luzes acompanhavam com fades ora suaves ora intensos, piscando ao passo que a música avançava enquanto a moça saia de trás da cadeira, andando em seu rebolado quase nu para ficar na sua frente. Ainda de costas, os movimentos sinuosos começaram acentuando as curvas do seu corpo de maneira explícita.

Não usava quase roupa nenhuma, com sua bunda sendo adornada por finas tiras pretas enquanto ela a empinava de maneira que ele pudesse ver o quão fino era aquele fio dental. Sorriu quando a luz se acendeu em um vermelho intenso, colorindo a pele alva enquanto ela erguia seu tronco novamente, girando seu corpo parcialmente para lhe lançar aquele olhar.

Naquele momento, Kakashi soube que a stripper que ele havia conhecido estava emergindo por todos os lados. Sakura transpirava tesão, inebriando sua mente com seu cheiro doce de perigo. Ela se aproximou dele enquanto passava as mãos pelo seu próprio corpo, com aquela expressão deliciosa de quem está pronta para fazê-lo perder a sanidade. Apertou um seio enquanto mordia o lábio, esfregando uma mão pelo seu ventre e descendo por entre suas pernas.

Foi inevitável medir o quão forte ela o tinha amarrado. A cadeira andou um centímetro com a força que ele aplicou, tentando se libertar para alcançá-la, mas a mulher apenas sorriu daquele jeito jocoso, lançando aquele olhar de que ele não poderia fazer nada enquanto ela não quisesse que o fizesse. Kakashi se sentia ofegante enquanto seu pau pulsava dentro da cueca que usava, tão duro e pronto para fodê-la como ela merecia ser.

— É melhor nem tentar, Kakashi – Disse com uma risada de superioridade — Senão vai se machucar.

Alertou antes de agachar na frente dele abrindo seus joelhos um pouco mais, arranhando as coxas masculinas enquanto puxava o único tecido que o homem vestia para deixá-lo completamente nu. Colocou as mãos nos joelhos dele enquanto subia tortuosamente, olhando para ele ali de baixo enquanto levava seu rosto bem próximo ao membro ereto, lambendo com sua língua pequena da base até a ponta, o ouvindo gemer em resposta, puxando a corda mais uma vez sem nenhum sucesso.

Ela se demorou na cabeça do pau dele, ora pressionando com sua língua ora chupando avidamente, tudo dependia do ritmo daquela musica enquanto o homem jogava sua cabeça para trás, sem conseguir segurar os ruídos que escapavam pelos estímulos que surgiam de todos os lados.

Sakura, eu vou gozar na sua boca – Disse com dificuldade sentindo a aspereza das cordas machucarem sua pele enquanto sentia que precisava tocá-la, que precisava fazer alguma coisa, porque seu corpo estava tenso de tanto tesão, consumido pela breve dança e olhares de perigo que denunciavam que ali, Sakura estava performando só para si.

Um show privado.

— Ainda não, Kakashi – Disse rindo — Você ainda não pode gozar.

Ela parou de chupá-lo apenas para sentar no colo dele, com as penas abertas de modo que ficassem de frente um para o outro. Seu rebolado fazia com que o pequeno tecido de sua calcinha criasse atrito enquanto ela estimulava seus seios bem na sua frente, soltando suspiros enquanto passava aquela língua entre os lábios.

Se sentia salivar, pronto para fodê-la do jeito mais primitivo. Queria arrancar aquele sorrisinho do rosto bonito, queria fazê-la gritar seu nome enquanto entrava e saia dela, de novo e de novo. Se sentia perdido naqueles olhares, tomado pela luxúria que ela evocava com o menor dos contatos. Sakura se masturbava em seu colo, soltando suspiros enquanto a música mudava, e todos os seus sentidos estavam aguçados a ponto de conseguir sentir a umidade dela, o cheiro de sexo subindo tão denso entre o perfume que ela usava.

Sakura, me deixe... – Se calou quando ela abriu os olhos, o mirando com o verde nublado sendo colorido pelas luzes vermelhas que baixavam. Ela sorriu com o canto da boca levemente curvado, passando seus dedos nos lábios dele, o fazendo lamber desesperadamente em sua ânsia de possui-la.

Kakashi a queria. Queria qualquer coisa que ela pudesse lhe dar naquele momento. Queria implorar para ela, pedir que por favor tirasse aquelas cordas e o deixasse penetrá-la tão fundo quanto podia. Mas ela continuava em seu jogo, adorando ver ele tão sedento e vulnerável. O beijou delicadamente no rosto com se estivesse parabenizando um menino por ser paciente. Sussurrou em seu ouvido que talvez se fizesse gozar ali, daquele jeito, pairou seu rosto no dele com seus lábios tão próximos enquanto sua mão o masturbava levemente.

Àquela altura a música já havia acabado, e a única coisa que ele ouvia era a risada tão cruel de Sakura, que recuava quando ele tentava beijá-la, sem poder simplesmente tomar sua boca em puro desespero. Porque ele estava completamente perdido nas sensações dela, deixando escapar gemidos enquanto ela se divertia em sua tortura.

Sakura... – Gemeu ofegante, sentindo que estava vermelho de tesão, sentindo seus braços doerem pela pressão exercida nas costas — Eu não posso aguentar muito mais.

— Sim, Kakashi – Ela disse com a boca contra a pele dele, abandonando a masturbação dele para subir suas mãos pelo peito dele, arranhando de leve pelo caminho — Você pode sim. – Disse rindo em sua vitória, finalmente o beijando enquanto suas mãos desciam pelos braços dele.

Ela o possuía. Comandava aquele beijo com sua língua pequena e esperta. Dominava seus lábios com movimentos intensos, esfregando seu corpo no dele, rebolando sua bunda em seu colo, o fazendo perder o último fio de sanidade que tinha para simplesmente fazê-lo sentir prazer e apenas isso.

Se afastou limpando o canto da boca, riu brevemente quando enfiou a mão na taça do sutiã tirando a embalagem da camisinha. Girou-a nos dedos em pura tortura. Kakashi abaixou a cabeça em vergonha e descrença. Ela ainda iria fazê-lo pedir, ele sabia... Foi quando sentiu o toque dela suave no queixo, levando o rosto dele apenas para fazer aquele som estalado de reprovação.

— Não tire seus olhos de mim, Kakashi – Ela falou beijando os lábios dele de leve — Você não vai querer perder esse show.

E finalmente abriu a embalagem, colocando o preservativo habilmente em seu pau enquanto mantinha seu olhar vivo em chamas verdes nos dele. A moça se levantou brevemente, afastando a calcinha tão pequena antes de posicionar sua cavidade no pau dele, esfregando-o ali, o fazendo sentir o quão quente e molhada ela já estava.

Por favor, Sakura... Por favor.

— Você é tão gostoso – Ela disse finalmente sentando lentamente, soltando um suspiro que se misturava com o gemido penoso dele, a voz rouca sobrepujando o ruído breve dela — Eu amo sua voz, Kakashi. Você não sabe o quanto me excita ver você assim – Completou rebolando lentamente enquanto ele gemia novamente.

Céus... Você é tão... Tão...

A mulher riu da incapacidade de fala do homem que já parecia tão atordoado, tomado por aquelas sensações que ela produzia nele com a intensidade que havia adquirido sendo Healer. Porque a confiança dela, somada a forma com que ela conduzia toda aquela experiencia fazia com que ele fosse incapaz de resistir. Sakura era perversa quando queria ser, a ponto de fazê-lo implorar por uma noite toda enquanto se satisfazia.

Você é meu – Ela disse com um sussurro erótico, descendo suas mãos pelos braços dele levemente antes de finalmente desfazer o nó que o atava com tanta facilidade.

Num frenesi, Kakashi se levantou abrupto segurando a mulher pelas coxas. Girou em busca da parede mais próxima, chocando o corpo feminino com menos delicadeza do que planejou. Ela arquejou num misto de surpresa e prazer, deixando que ele a fodesse daquele jeito desesperado enquanto o prazer subia pelo seu corpo sendo reproduzido em forma daqueles gemidos tão altos e agudos.

Sakura o arranhava, cravando suas unhas nas costas dele e a dor do ato só o fazia querer ir cada vez mais fundo na boceta sedenta da mulher. Soltou um ruído gutural que se misturava com os sons que seus quadris produziam quando se chocavam e o suor fazia suas peles ficarem escorregadias, envolvendo os dois numa sensação quente e molhada.

Kakashi – Ela soltou num gemido entrecortado, segurando-o cada vez mais forte, sentindo inebriar-se com o prazer que a consumia como chamas de um incêndio devastador. Era enlouquecedor, e sua mente já estava em branco, sentindo apenas o homem dentro de si, lhe envolvendo com força enquanto alcançava o prazer.

Gemeu alto com o gozo latente lhe consumindo, mas ele continuou a invadi-la repetidamente. A sensação do orgasmo se espalhava pelo seu corpo sendo estimulada pelas estocadas cada vez mais descompassadas. Ela pairava num estado de êxtase e alerta enquanto o corpo chegava perto do ápice novamente sem sequer ter processado seu primeiro pico.

Kakashi, ah... – Gemeu em uma tortura interna, com sua pele tão quente e mente entorpecida com as múltiplas sensações. — Eu não vou aguentar, eu...

E o jogo virava.

Kakashi riu entre um gemido, sentindo que estava dando tudo de si para mostrar a ela que também era um jogador, mas a verdade é que estava em seu limite, e quando ela gemia daquele jeito, falando aquelas coisas da maneira mais torpe, Kakashi apenas se deixou levar pelo prazer que explodia dentro dele, pressionando seu quadril uma última vez contra a mulher, rugindo enquanto ejaculava entre as pernas dela, perdido no jeito que a voz dela se espalhava no quarto de maneira alta e intensa.

Sequer se mexeram enquanto a energia do ato ainda pairava em seus corpos, agitando seus pensamentos e mexendo com seus sentidos. Sakura ofegava enquanto se mantinha abraçada com ele, que a segurava firme pela base da coxa, girando num movimento quase letárgico para leva-los à cama mais próxima.

A colocou na cama deitando logo depois de se livrar da camisinha. Arfava ruidosamente enquanto olhava para a mulher que mantinha seus olhos fechados, como se estivesse se concentrando em algo. Não resistiu e a puxou para perto de si enquanto via o sorriso tomando os lábios dela com suavidade de um convite bem-vindo. Ela se enroscou no corpo masculino, passando uma perna por cima dele ao passo que sua respiração estabilizava.

— Feliz aniversário de um mês! – Ela disse depois de um tempo, enquanto se olhavam divertidos. Kakashi riu jogando a cabeça para o outro lado, antes de voltar a olhá-la.

Era verdade. Faziam um mês completo de namoro naquele domingo. Kakashi não havia esquecido, mas não achava que a comemoração começaria tão cedo. Ele a beijou brevemente os lábios com humor. Sakura era inacreditável em suas surpresas.

— Todos os meses, no nosso aniversário, eu vou ganhar um show assim? – Ele perguntou atrevido.

— Não – Ela respondeu de maneira categórica, piscando seus olhos como certo tom esnobe. — Nem se acostuma. – Disse em seguida enquanto buscava a mão dele para olhar seus punhos marcados. — Eu nunca mais vou usar uma corda em você. – Declarou por fim com uma expressão de quem sentia uma pitada de culpa.

Em sua defesa, você me avisou para parar de puxar. – Disse tocando o rosto dela com carinho.

— Mas você não parou, e eu nem reparei que você continuou puxando – Suspirou — Você não sabe brincar com cordas, Kakashi. Vai ficar marcado por semanas, mais tarde vai tá super sensível. – Disse e parecia quase arrependida — Céus, você puxou demais.

— Achei que poderia me soltar. Você estava me deixando insano.

— Kakashi, não tente se soltar. Meu nó é perfeito, eu fui escoteira.

— Sério?

— Não.

Riram com a bobeira dela. A mulher explicou que suas habilidades com nós vinham de um livro guia. Não era como se ela conhecesse muitos, mas pelo menos conseguia amarrar bem para garantir que conseguiria terminar uma dança erótica sem ser interrompida.

Continuaram conversando por mais um momento antes de Kakashi a convidar para um longo banho de banheira, dessa vez indo para o banheiro do quarto dele. Com uma chuveirada prévia para limpar os fluidos corporais e garantir que as queimaduras causadas pelas cordas recebessem pelo menos 15 minutos de água fria. Depois, Kakashi apenas se afundou na banheira quadrada juntamente de Sakura, que se deitava em cima dela soltando um ruído de satisfação.

De fato, os punhos já estavam doloridos e provavelmente iriam inchar um pouco mais. Sakura parecia se sentir tão culpada toda vez que ele emitia algum som baixo de dor, e ele só queria que ela entendesse que estava tudo bem. Iriam para uma festa na piscina logo mais na casa de uma das amigas de Sakura e todos iam reparar nos seus pulsos fodidos, mas quem liga?

Combinaram uma desculpa esfarrapada sobre seus cachorros terem puxado a guia com força, e era isso. Não podia fazer mais nada além de ficar deitado naquela banheira, com Sakura logo em cima de si, relaxando na água aromática que o fazia lembrar os momentos intensos de antes. E dai se houve esse pequeno acidente com as cordas? Foi estranhamente estimulante estar incapacitado daquela forma, e mais ainda, foi interessante sentir aquele tipo de dor enquanto queria apenas pôr suas mãos nela.

Fazia círculos na barriga submersa da mulher enquanto percebia que ela cochilava brevemente. Sabe-se lá que horas ela havia acordado para preparar tudo aquilo, e por mais matinal que ela fosse, Kakashi sabia que ela gostava muito de dormir até mais tarde quando podia. A moça se mexeu brevemente buscando o aconchego do abraço dele, o olhando preguiçosamente com um sorriso suave.

Buscou um beijo tranquilo, porque adorava que estavam naquele momento em que podiam fazer qualquer coisa, como se houvessem tantas possibilidades e todas fossem perfeitas.

— Eu vou instalar uma banheira na minha casa – Ela disse quando seus lábios se separaram, e Kakashi riu com a declaração.

— Vai tirar sua cama pra colocar uma? Porque você não tem mais espaço.

— É verdade – Sakura falou tão séria quanto antes, se empertigando no abraço dele para ficar mais confortável enquanto o olhava — Então eu vou só abusar da sua.

— Podemos ficar aqui o dia todo se você quiser.

— Aí nossa pele vai ficar engelhada – Disse fechando os olhos de maneira preguiçosa enquanto sentia uma das mãos masculinas subir seu carinho em círculos até um de seus seios.

— Não me importo.

mhmm — Disse num ruído longo, fechando seus olhos enquanto se deixava sentir a caricia despretensiosa que lhe provocava sensações por todo corpo. — Eu sei o que você está fazendo, Kakashi. – Disse abrindo os olhos novamente para vê-lo divertido — Você não vai me distrair, nós vamos para a festa.

— Mas eu nem falei da festa – Falou inocente enquanto sua outra mão escorregava por entre as pernas dela, arrastando as pontas dos dedos pela coxa submersa, alcançando o sexo sensível da moça, tocando-a com suavidade. — Só quero ver você gozar.

Quando ele falava aquelas coisas com aquela expressão erótica, Sakura sentia seu corpo responder. A voz dele soava baixa e grave, como quem está sendo tomado por um impulso maior. Ela fechou os olhos deixando que ele a tocasse daquele jeito delicado, sabendo que ainda estava sensível pelo momento intenso de mais cedo.

— Não faz nem uma hora que você me viu gozar – Ela falou com seu rosto rubro num misto de vergonha e sensações. Seu peito subindo e descendo enquanto sua respiração ia ficando mais intensa, sentindo o membro de Kakashi endurecer ao passo que segurava os gemidos finos que se projetavam em sua garganta.

Ela se mexia de maneira manhosa em cima dele fazendo a água balançar em seus corpos, entregue ao jeito que ele estimulava seu mamilo e clitóris. Os sons mudos pairando no ambiente enquanto ele se via perdido naquela expressão que era quase inocente com aquele tom avermelhado de vergonha que a tomava, com jeito como tentava esconder seu rosto enquanto mordia o lábio no intuito de sentir seu prazer sem revelá-lo.

— Eu não consegui ver direito – Disse num sussurro no ouvido da moça enquanto os movimentos delgados de seu corpo se intensificavam ao passo que ela parecia ainda tentar resistir às sensações que eram produzidas por seus dedos.

— Não olhe para mim desse jeito – Sakura pediu parecendo tensa numa agonia prazerosa, mas ele não se importou em atender aquele pedido. Continuou com seus olhos negros firmes na expressão da mulher. — Kakashi... – Ela gemia seu nome, finalmente deixando as coisas fluírem pelo seu corpo.

— Isso, Sakura... Me deixa ver você assim, tão gostosa – Falou tão perto dela, tão absorto naquela imagem erótica de uma mulher que a menos de uma hora sustentava um olhar tão fatal a ponto de lhe fazer implorar, e agora ela estava ali, gemendo de maneira penosa enquanto evidenciava um misto de vergonha e prazer, como se fosse apenas uma menina inexperiente.

Kakashi adorava essa dualidade. Adorava como fazer amor com Sakura podia ir de um extremo a outro, de como ela o fazia experimentar tantas coisas novas e ao mesmo tempo se derretia em sua mão com um estimulo tão vagaroso, gemendo de maneira cada vez mais indiscreta, como se aos poucos sua mente fosse ficando em branco, sendo preenchida apenas pela busca de seu ápice.

Quando o quadril dela iniciava movimentos mais e mais urgentes, Kakashi sabia que a moça estava prestes a encontrar seu próprio prazer, e aquela expressão erótica se intensificava com seus lábios entreabertos e olhos fechados com força. A viu tremer, como se um terremoto estivesse acontecendo dentro de si enquanto deixava escapar aquele gemido longo que ondulava pelo cômodo, chegando aos ouvidos masculinos da maneira mais intensa.

Respirava ofegante enquanto seu corpo caía no deleite do prazer e da exaustão. Não havia mais o que fazer além de assistir sua Sakura relaxar sob seu corpo daquela maneira deliciosa.

— Feliz um mês de namoro – Ele disse depois de beijar seus cabelos, sentindo-a rir em divertimento.

Feliz mesmo. – Confirmou com um sorriso se espalhando entre os tons ainda corados de seu rosto. Se olharam por um longo momento trocando aquela energia gentil antes da moça ceder novamente e se aconchegar nos seus braços — Mas agora estamos engelhados.

— Eu disse que não me importava – Ressaltou apoiando a cabeça no ombro dela.

— Vamos ficar aqui mais cinco minutos e então sair para comer algo e ir para a festa – Sakura o informou sabendo exatamente o que ele estava fazendo.

— Que tal a gente fazer um programa à dois. – Ele sugeriu vendo-a soltar uma breve risada — Podemos ir à praia, e então tiraríamos uma foto bonita, eu colocaria no instagram junto com um texto não muito longo sobre como eu não trocaria esse último mês que passou por absolutamente nada.

— Que tal a gente ir à festa – Disse depois de soltar um longo ruído pensativo — E aí nós tiramos uma foto bonita lá e você coloca no instagram junto com um texto falando que eu a melhor namorada do mundo?

— Vou colocar que você é mandona.

— Aceito o elogio.

Eles riram em divertimento e Kakashi sabia que ela não cederia. Vinha falando daquela festa a sabe-se lá quanto tempo. Era sua vez de conhecer os amigos da mulher, e meio que não estava preocupado com isso, afinal ele já tinha conquistado Yamanaka Ino e duvidava que qualquer pessoa fosse mais severa que ela naquele grupo.

Mas era domingo e eles mal se viram naquela semana. Ele só queria ser um pouco egoísta e ficar o tempo todo com ela, mas era importante para ela que fossem juntos naquele lugar, então se era importante para Sakura, era importante para ele também.

Estariam juntos de qualquer maneira.

.

.

.

Abriu os olhos de maneira preguiçosa se adaptando a luz do ambiente. Estava claro demais e sua boca estava seca. Se mexeu brevemente descobrindo que estava ali abraçando alguém e evitou uma risada. Genma dormia como a conchinha menor, e quando ela se empertigou levemente para ver o rosto dele, descobriu que ele fazia um biquinho bonito quando dormia.

Ela voltou a relaxar seu corpo sentindo o cheiro do shampoo de flores dele, um cheiro parecido com os cosméticos de Hinata e talvez fossem os mesmos. Riu imaginando o homem comprando produtos em locais especializados, tirando dúvidas com as vendedoras e tudo mais.

Agarrado a seu braço, Ino estava presa naquela posição. Se puxasse, certamente acordaria o homem, mas ao mesmo tempo estavam ali e ela sequer sabia que horas eram. Tinham dormido em seu apartamento secreto e ela podia ouvir o barulho dos carros passando na rua a frente e também pedaços de uma conversa animosa vindo da sala logo abaixo.

O que estava fazendo?

Transaram no terraço e depois foram para ali. Transaram no banho também, conversaram besteiras e em nenhum momento Ino quis que ele fosse embora, aceitando que ele dormiria ali ao seu lado, completamente nu enquanto ela usava um pijama velho que estava ali por tempo demais. Haviam coisas dela ali apenas em caráter de não querer ir para casa, mas não era como se ela verificasse sempre o que tinha nas gravetas.

De toda forma, estava ali com Genma dormindo em seus braços e ela não sabia o que queria fazer. Na verdade, racionalmente, Ino sabia que precisava enxotá-lo antes que ele pensasse qualquer besteira, mas ao mesmo tempo, depois de tudo que foi compartilhado na noite anterior, a mulher pensava que talvez, só talvez, ela pudesse lhe dar o benefício de deixá-lo acordar do seu lado como se fosse algo natural.

Foi uma transa incrível e Genma era intenso da maneira certa. Sabia o que estava fazendo e tinha aquela cara de quem estava preparado para tudo, mas mais que isso, Genma tinha o papo certo e as piadas certas. Ele sabia conversar de maneira bem articulada, e sempre que gesticulava sua aura ganhava um poder a mais, como se tudo corroborasse para que ele fosse alguém tão magnético.

Gostoso, bonito, bom papo, cheiroso, inteligente, perspicaz... Parecia o pacote completo.

Mas... O que queria dele?

— .. Yamanaka?

A voz rouca do homem se fez presente enquanto ele se virava parecendo estar levemente confuso. Ele a olhou com os olhos miúdos pela claridade em excesso e então sorriu daquele jeito grogue e preguiçoso. Ino riu. Era como se ele apenas quisesse confirmar que ela estava ali, ao seu lado.

— A única. – Ela disse de maneira firme. — Bem, há outros Yamanakas, mas... enfim...

— Você sabe que só existe uma Yamanaka para mim, então sim, a única. – O homem falou liberando o braço dela enquanto se empertigava na cama, dizendo aquelas coisas de maneira tão descuidada.

— Cuidado, Genma, você está soando meloso – Ela disse em divertimento, mas a verdade é que estava tentando levar a conversa para um plano que pudesse lidar melhor naquele momento, porque talvez aquelas palavras tenham soado de maneira estranha para ela, quase como uma declaração velada.

Ou explícita.

— Então que soe dessa forma – Disse dando os ombros, ainda com aquele sorriso torto na face. — Você sabe que horas são, Yamanaka?

— Não faço ideia. – Respondeu com sinceridade — Talvez nove horas.

O homem olhou ao redor confuso, esticou o braço para além da cama depois de um momento, alcançando seu celular no chão e viu o visor dando uma risada.

— São 11 horas – Ele revelou mostrando seu protetor de tela genérico enquanto exibia o visor para a moça. — Quer almoçar ou tomar café da manhã? – Perguntou de maneira tão natural.

Ino o olhou por um longo momento ponderando sobre aquela questão. Tinha passado uma noite maravilhosa com ele e sua companhia estimulante, mas ao mesmo tempo sabia quem ele era, e por mais que se colocasse como um peixe de água doce, Ino sabia que no final das contas Genma tinha um histórico.

O homem sabia como agradar uma mulher, sabia como conseguir o que queria delas, e agora estava ali conversando com ela como se fosse corriqueiro transar e dormir de conchinha consigo. Ino não estava acostumada a acordar com os homens que passava a noite só por passar, ela os mandava embora da mansão sem pensar duas vezes, ou simplesmente ia embora antes deles acordarem.

Mas não estavam na mansão ou na casa de Genma. Estavam naquele espaço extremamente íntimo da vida dela que, por algum motivo, parecia ser o lugar perfeito para uma noite quente e intensa com o homem, mas e depois?

Foi só pelo sexo.

Tudo até aquele momento tinha sido apenas pelo sexo, mas agora que já havia acontecido, então porque ainda estavam se tratando daquela maneira? Ela não precisava de mais, apesar dele ser muito bom no que fazia, Ino sentia que não era um motivo tão forte para fazê-la ficar, então qual era o motivo dela estar tão hesitante?

— Yamanaka, é só uma refeição – Ele disse parecendo ler os pensamentos dela — Se você quiser que eu suma depois disso, então é só me dizer. Já falei que o que quiser de mim você vai ter, basta querer.

— E o que isso significa? – A mulher perguntou deixando seus olhos azuis medirem a sinceridade no rosto dela — Você fica me dizendo essas coisas como se fosse algum tipo de mensagem codificada, mas não me diz claramente o que quer.

— O que eu quero?

— Sim, Genma. – Disse imperativa — Você vai me dar o que eu quero, mas e o que você quer?

Era exatamente essa a pergunta, porque Ino não tinha mais certeza do que queria e desde o começo sabia que estava prestes a cair numa armadilha. Podia pôr a culpa em Sakura e dizer que ficou de papo com ele porque ela insistiu, mas sabia que aquela tinha sido uma decisão dela, e assim a mulher se expôs ao contato mais íntimo, porque sexo era fácil e não precisava de palavras, mas uma conversa conseguia ser muito mais invasiva e reveladora.

— Eu não sei o que eu quero – Falou de forma honesta — Mas sei que não quero ser sua foda de uma noite, mas meio que não depende só de mim.

Quando o olhou naquele momento, Ino sentiu como se estivesse vendo um espelho. Era isso o tempo todo. Ainda que fossem peixes de aquários diferentes, ainda assim, era como se fossem tão iguais.

Ela não queria ser a foda de uma noite dele. A menina famosa que ele havia pegado uma vez e se divertido um pouco. Ino queria ser lembrada como algo mais, seja por sua performance ou porque, de alguma forma, aquilo não tinha sido apenas sexo.

O momento de epifania lhe acometeu de maneira absoluta. Ela mordeu seu lábio pensativa enquanto entendia a si mesma. Genma representava perigo, porque ele era tão semelhante a ela de uma forma muito mais tranquila, e aquilo a enlouquecia, porque não podia medir até que ponto ele estava naquilo da mesma forma que ela, e mais ainda, Ino não queria ser a pessoa que se expõe e fica vulnerável ao outro, porque Genma tinha um histórico.

Assim como ela.

E justamente por isso Ino sabia que ele podia ser o mais doce homem do mundo apenas para que, quando se cansasse, deixar de responder suas mensagens e sumir. Porque ela mesma já havia feito isso, porque sabia que ele também tinha feito isso. O olhou por mais um momento, sabendo que era aquele momento decisivo que poderia dar meia volta e garantir sua estabilidade, ou podia dar mais um passo e adentrar ao desconhecido.

— Você não é minha foda de uma noite, Genma – Ela disse com a expressão séria, mirando os olhos castanhos enquanto sentia que havia mergulhado numa correnteza tórrida, e que seu caminho seria sinuoso, e ela não sabia de muita coisa a partir dali, mas esse era o lance com relacionamentos.

— Então me diga, Yamanaka, onde vamos comer? – Genma deixou o sorriso se espalhar pelo seu rosto e Ino sabia, com toda certeza, que valeria o risco.

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Sua manhã tinha sido tranquila e perfeita. Acordou relativamente cedo e fez um belo café da manhã para si enquanto trocava mensagens com sua amiga sobre o que havia acontecido na noite anterior após o jantar com Aoba. Naquela noite, Rin havia resistido ao impulso de ligar para Obito, voltando para casa sozinha e lidando com seus sentimentos de forma madura.

Ela sabia que aquela vontade repentina de ligar para o homem era apenas o desejo de não se sentir solitária depois de um dia cheio e divertido. Sabia que aquele beijo com Aoba tinha despertado em si a vontade de ter alguém para passar a noite, e poderia ter feito isso com o homem, mas Rin não queria desperdiçar uma amizade, e não queria transformar Aoba em sua muleta.

Não é como se ela tivesse qualquer sentimento amoroso por ele, mas a ideia de viver algo novo era excitante, no entanto ela preferia seguir o conselho de Kurenai e, antes de viver qualquer coisa nova, sabia que precisava se livrar das coisas velhas. Era como abrir espaço no armário. Fazer aquela faxina e tirar as peças que queria doar antes de comprar roupas novas.

E Aoba era uma roupa nova que Rin não sabia se queria, mas não era o momento de pensar nisso. Ela apenas resistiu ao impulso de ceder aos seus sentimentos confusos e resolveu fazer pipoca e assistir um filme. Dormiu cedo e acordou se sentindo tão bem, como se o mundo a estivesse recompensando por ter feito algo consciente e benéfico para si.

Obito não a traria nada de bom naquela noite.

Também não era como se ele fosse um escroto, mas tinha que admitir que havia algo ruim naquele relacionamento, porque ela o tinha evitado desde que terminaram na época, e de repente o homem estava ali tão tranquilo e fácil. Não era algo saudável para nenhum dos dois, porque ela não queria nada com ele além de torná-lo um bom conhecido, e ela sabia que Obito queria muito mais que isso.

Ele sempre queria mais.

O interessante foi que, uma hora depois do almoço, quando já estava entediada com os programas de TV, Rin resolveu olhar suas redes sociais. Ela tinha configurado seu instagram para não mostrar os storys de Kakashi, porque, apesar dele quase nunca postar, quando o fazia era sempre uma foto de Sakura com um dos cachorros, e o sentimento que vinha não era muito agradável.

Não que fossem coisas românticas ou reveladoras, mas era sempre ela segurando um deles num dia claro em seu quintal, e era como se um filme passasse na cabeça da mulher naqueles momentos, dizendo que podia ser ela ali se não tivesse ferrado com tudo, e sabia que não precisava se torturar com isso e portanto, o havia bloqueado apenas nos storys.

O que Rin não imaginou era que, Hatake Kakashi, no auge de suas 6 fotos no feed, iria simplesmente postar um carrossel de fotos do nada com um texto enorme na legenda, e ela sabia, só de ver a primeira foto, que não deveria passar para as outras nove e muito menos ler o que estava escrito logo abaixo.

Mas o cérebro curioso e magoado se recusou à ouvir sua parte racional. Passou a foto de Sakura segurando o pote de patê como se estivesse apaixonada por aquilo para a foto dela deitada num cochilo com a cabeça no torso de Buru enquanto mais outros 7 cachorros dormiam perto dela, incluindo Pakkun em seu ombro. E a filha da puta conseguia ser bonita até dormindo. Haviam também fotos de Sakura num ambiente que parecia ser a casa dela, no sofá com macarrão instantâneo, e tantas outras dela fazendo qualquer coisa.

E tinha a última foto.

Era o Hanami no Maruyama Park sem dúvida nenhuma. As flores de cerejeira tão rosas e bonitas coloriam o espaço junto do azul celeste tão incrível. Estavam na ponte de madeira e alguém havia os fotografado num beijo apaixonado naquele lugar. Era uma foto incrível e Rin conseguia sentir dali o quão envolvido Kakashi estava.

Já estava sentindo seu coração se espremer em seu peito com o impacto daquilo num misto de raiva e tristeza, porque Kakashi nunca havia tirado uma foto como aquela dos dois. Eles tinham fotos se beijando, mas eram todas tão estamos apenas curtindo, não era nada apaixonado como aquilo, mas não podia ficar por aí.

Havia aquele texto também.

Aquele maldito texto com aquelas coisas tão lindas sobre como ele jamais imaginou ter alguém como ela em sua vida, sobre como o sorriso dela era o mais lindo de todos e como ele não trocaria aquele mês por nada, estando ansioso pelos próximos que seguiriam, porque ela era aquilo que ele nunca imaginou ter, mas que agora não conseguia sequer pensar numa vida sem Sakura.

Sua Sakura.

Era impossível descrever seus sentimentos diante de tudo aquilo que lia. A raiva, a dor... Ela queria ligar para ele e lhe dizer coisas horríveis, queria ir na casa dele e lhe bater forte no rosto para ver se ele conseguia entender o quanto aquilo a feria. Um mês de namoro e ele estava falando aquele tipo de coisa como se nunca tivesse vivido algo similar na vida, e agora Rin começava a se perguntar o que foram todos aqueles anos.

Chorava compulsoriamente enquanto se torturava vendo e revendo aquelas imagens, lendo e relendo aquele texto ridículo que havia aberto aquela ferida que estava cicatrizando lentamente. A mágoa crescia em seu peito e ela só queria ter tido um pouco daquilo para saber que aqueles 14 anos não foram só um completo desperdício.

Sim, porque diante daquilo era como se sentia, como se aqueles 14 anos não tivessem passado de uma história sem significado para ele. Dane-se se não havia instagram na época boa de seu relacionamento, dane-se se Kakashi não era um cara dado à declarações públicas de afeto, ela ainda queria tudo isso, ela queria o que Sakura estava tendo e que Kakashi nunca se esforçou para lhe dar.

Sentia como se fosse quebrar a qualquer momento, sabia que precisava racionalizar todos esses sentimentos, mas tudo vinha de maneira tão caótica, e ela só conseguia entrar num estado onde queria esquecer, precisava esquecer. Abriu aquele vinho branco caro que estava na cozinha a décadas, ingerindo seu conteúdo amargo direto da garrafa de maneira desesperada, deixando o liquido vazar de sua boca, escorrendo para pingar em sua blusa azul escuro.

Foi quando tomou aquela decisão inútil e contraproducente. Aquela decisão que havia se orgulhado de não tomar.

Ligou pra Obito.

E não sabia como ele havia chegado tão rápido, mas no segundo que ele cruzou a porta, Rin se atirou contra ele buscando os lábios do homem num beijo com gosto de vinho e amargura. Ele não hesitou, nunca o fazia. Começou a se livrar se suas roupas numa velocidade assustadora enquanto arranhava a pele dela, mordendo seu pescoço, deixando marcas por todo seu corpo.

Ele a fodeu em cima do aparador da sala, entrando e saindo com força, fazendo o móvel bater contra a parede repetidas vezes num toc toc incomodo, mas Rin não se importou enquanto gemia tão alto quanto podia e que se danem os vizinhos. Ela precisa sentir alguma coisa que não fosse Kakashi, precisava sentir seu corpo vibrar loucamente sob a pressa de Obito, sob o egoísmo dele em querer o prazer antes do dela.

Quando ele entrou com força e prensou seu corpo contra o dela daquele jeito violento sem gozar, Rin arquejou em desejo. Obito levou sua boca até o ouvido dela e com aquela voz perigosa lhe falou que ela estava gemendo alto demais enquanto beliscava seus mamilos fazendo-a sentir a dor se espalhar em meio a toda tensão do prazer.

— Eu vou foder sua boca porque é isso que você quer, não é, Rin?

Me fode, Obito – Ela disse numa voz torpe — Apenas me foda!

Então ele contornou nos lábios dela com um dedo num momento atípico daquele sexo tão degradante. A fez ajoelhar ali mesmo na sala diante de seu pau duro e melado com todos os seus fluídos. Com Obito não havia isso de lamber e chupar. Quando ela o colocou na boca, o homem segurou sua cabeça e começou a mexer os quadris sem nenhum cuidado, forçando seu pau contra a garganta dela, gemendo entre as risadas de superioridade.

Não havia prazer naquele ato, mas o jeito que ele investia contra si, segurando seus cabelos com força enquanto seu pau deslizava pela sua língua e lábios até a sua garganta lhe fazia esquecer, e era tudo que precisava. Sempre podia contar com Obito para isso. Sempre podia contar com aqueles gemidos altos e graves, com sua voz lhe dizendo o quão gostosa era, e o quanto ele sentia saudades de fodê-la daquele jeito.

De repente, ele tirou seu pau da boca dela. Se curvou brevemente enquanto se masturbava, dizendo que queria que ela visse seu pau explodir em prazer, e rapidamente o liquido quente e viçoso atingia seu rosto e colo, escorrendo lentamente enquanto ele ofegava, ajoelhando também na frente, dela, esfregando a bochecha suja com o polegar enquanto espalhava sua porra no rosto da mulher.

— Você fica tão linda assim – Ele disse esfregando o polegar sujo nos lábios dela antes de beijá-la, sugando sua língua violentamente. — Adoro te cobrir de porra.

— Sexo sujo é sua especialidade – Rin disse sem se importar, porque ela já não ligava mais para o que estava acontecendo e sabia como Obito gostava das coisas.

Não a incomodava que ele estivesse, naquele momento, passando o dedo de cima para baixo num acumulo se seu sémen, colhendo aquilo para esfregar na boceta dela enquanto lhe sorria daquele jeito vulgar. Era até estranho que gostasse do jeito que ele enfiava seus dedos de maneira tão bruta, a fodendo com tanta força mesmo que fosse com as mãos.

Ela tombou nele, se agarrando ao homem enquanto gemia pelos estímulos, esfregando seus seios no peito dele, o sujando com seu próprio liquido enquanto ele não parava.

— Hoje você não quer nada delicado, não é? – Ele perguntou sacana, sabendo que ela não poderia responder aquilo enquanto estivesse chegando perto do ápice. — Hoje você quer ser fodida como só eu sei fazer. – Disse mais para si do que para ela, porque Rin não estava escutando mais nada enquanto seu quadril se mexia loucamente contra os dedos dele.

Cala a boca, Obito – Ela gemeu enquanto jogava seu corpo para trás sendo mantida pelou outro braço masculino que a segurava enquanto o prazer lhe consumia de uma maneira cruel e involuntária, mas era exatamente o que queria. Nada parecido com o que Kakashi fazia, nada parecido com o que teve durante uma vida.

Ele tirou os dedos de dentro dela e a envolveu, a erguendo junto a si. Não tinha pretensões de ir muito longe e Rin não queria deixá-lo em sua cama. Deitaram no sofá enquanto o silêncio se fazia presente. Não haviam mais lágrimas nos olhos de Rin e ela se sentia um tanto vazia. Obito tinha conseguido. A fez esquecer e tirou tudo de si, absolutamente tudo.

— Agora é a parte que você me conta o que aconteceu – Obito disse parecendo voltar ao seu estado de pessoa racional, porque durante o sexo ele era apenas aquele animal que agia por instinto.

— Hatake Kakashi aconteceu, mas eu não quero falar sobre isso – Ela disse ríspida, esfregando seus lábios para tentar tirar o gosto amargo da boca. — Como você chegou tão rápido aqui? – Perguntou logo em seguida, se esticando por cima do homem para pegar a camisa dele, passando-a em seu rosto.

— Tem uma delegacia aqui por trás, Rin – Ele falou apontando para a janela atrás deles — Eu fui transferido para lá.

— Te tirei do trabalho? – Ela perguntou confusa — Você não devia ter vindo se estava ocupado.

— Não se preocupa – Deu os ombros — Eu sou inspetor aqui, então trabalho muito de maneira externa.

— Ah... – Soltou enquanto resolvia essa questão dentro de si — Aliás, porque você foi transferido mesmo? Eu lembro de você dizer que jamais sairia de Tóquio se pudesse evitar.

— Mas foi justamente isso, eu não pude evitar. – E riu sem nenhum humor — Casos de família Uchiha.

— O que houve dessa vez?

Ele suspirou antes de começar. Aparentemente o primogênito e herdeiro da maior parte dos negócios da família estava doente, e de alguma forma bizarra os acionistas da empresa tentaram colocar Obito como uma possível indicação para assumir e dar mais controle a eles assim que Uchiha Fugako se aposentasse. A presença de Obito em Tóquio estava dificultando a sucessão, já que o filho mais novo do homem tinha sido pseudo exilado por conduta impropria.

O menino era gay.

Rin tinha visto as noticias de que Uchiha Itachi tinha passado por uma cirurgia nos olhos, mas muitas pessoas achavam que era mentira, que na verdade o homem tinha passado por uma operação muito mais complicada e podia morrer a qualquer momento, tudo isso devido a uma notícia sensacionalista que foi publicada ainda no final do ano passado, sobre ele estar muito doente e com os dias contados.

A família de Obito era bem tradicional e rica. Ele tinha em torno de 1% das ações e isso o qualificava para sucessor tendo em vista que era primo de segundo grau de Fugako. Se os acionistas quisessem mesmo tirar a família principal do poder, o caminho mais fácil era arrumar um Uchiha desgarrado que parecesse fácil de manipular.

Mas Obito não tinha interesse nessas coisas, nunca teve. Ele sempre quis ser um Uchiha independente.

— Aí ele arrumou uma transferência para mim, já que minha presença em Tóquio estava se tornando ameaçadora – Disse parecendo incomodado.

— Só tem babaca na sua família – Ela disse sem tentar esconder o que achava de tudo aquilo.

— Bem, eu não acho que isso vá durar muito tempo. Espero que Itachi se recupere logo para que eu possa voltar para Tóquio – Falou deixando muito claro que não pretendia ficar em Kyoto, e se alguma forma isso deixou Rin aliviada — Ou que morra e o Sasuke assuma logo.

— Não deseje o mal das pessoas, Obito – Disse censurando aquela reclamação — Sei que você tá frustrado, mas não precisa querer a morte de alguém.

— Desculpe. É só da boca pra fora. – Suspirou — Lembrar disso me deixa irritado.

— Tudo bem – Ela deu os ombros — Vamos tomar um banho. Você me melou toda. – Resmungou enquanto ele ria com humor.

— Vamos lá. Consigo te fazer gozar mais uma vez antes de voltar pro trabalho.

A mulher revirou os olhos com humor pela ideia. No final das contas estavam mesmo do mesmo lado.

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Kakashi nunca havia entrado naquele condomínio. Os boatos diziam que era o lugar mais caro para se comprar uma casa em Kyoto, e também o mais seguro. Todas as casas eram enormes e ele se sentia num filme de gente rica enquanto Sakura conduzia seu carro pelas ruas pavimentadas do lugar. Era bizarro saber que ela conhecia tanta gente influente e que todos os seus amigos tivessem uma tonelada de dinheiro.

Ela não tinha dito que a festa seria na casa Hyuuga Hinata, filha de um dos homens mais poderosos do Japão. A menina morava em Kyoto juntamente com vários empregados para que pudesse receber ensino de qualidade, porque sua família era cheia de tradições e todos os Hyuugas importantes estudavam nas instituições de Kyoto.

Foi inevitável se perguntar se acharia também um Uchiha ali no meio, e não se surpreenderia se fosse Itachi, o Uchiha mais importante depois de Fugaku, porque Sakura parecia só ter esse nível de amigos. E não, não era como se estivesse se sentindo inferior, afinal ele tinha dinheiro apesar de não ser nada comparado a Yamanaka Ino ou Hyuuga Hinata, mas era tão bizarro saber que estava frequentando lugares assim completamente do nada, e que aquilo era completamente normal no dia-a-dia de Sakura.

— Tá nervoso?

Sakura perguntou de repente em seu short jeans curto e sua blusa branca semitransparente que fora amarrada com um nó na cintura, mostrando sua barria perfeita. Ele não sabia com que biquini ela estava, mas gostaria que fosse um bem pequeno, e só com isso que ele estava preocupado no momento, mas resolveu não externar.

— Não – Disse dando os ombros — Só tô me dando conta que pessoas ricas conhecem pessoas ricas.

— O que? – Ela riu de sua declaração como se ele tivesse falado qualquer besteira — Você é tão bobo. – Disse divertida.

— Deixa eu te perguntar uma coisa.

— Diz.

— Você conhece Uchiha Itachi? – Ele perguntou com uma sobrancelha arqueada, a mulher o olhou brevemente enquanto mordia o lábio inferior, diminuindo a velocidade do carro enquanto chegavam numa rua com vários carros de luxo estacionados.

— Sim – Respondeu por fim, como se estivesse com receio — Eu conheço Uchiha Itachi.

— Qual seu nível de intimidade com ele? – Kakashi perguntou enquanto ela parava atrás de um Porsche.

— Hã... Não muita. Digo, ele é irmão dele é meu ex namorado. – Confessou olhando para o rosto do homem, que cruzou os braços com um ar de surpresa. — Qual é a dessa cara? – Perguntou rindo nervosa.

— Nada... – Ele disse com um tom zombeteiro — Sabe, eu não conheço nenhum Uchiha da casa principal, mas eu conheci um Uchiha que me disse que o irmão do Itachi era gay – Falou como se estivesse prestes a pegá-la na mentira.

— Porque todo mundo sabia disso menos eu? – Ela falou com uma falsa reclamação. Kakashi riu da expressão dela enquanto ela se explicava — Ele foi meu primeiro namorado, ficamos uns 3 meses, e aí terminamos quando ele não aguentava mais ficar no armário.

— E você não sabia que ele era gay? – Kakashi perguntou mais enfático.

— A Ino me disse, mas eu só era muito apaixonada. – Falou com um dar de ombros minúsculo enquanto mantinha o sorriso divertido — Além disso, ele sempre foi muito gato, pelo menos eu tirei uma casquinha.

— Oh, ele é mais gato do que eu? – A provocou com aquele sorriso sacana.

— Hmmm... Eu teria que colocar vocês lado a lado para decidir – Respondeu petulante enquanto o homem ria declarando que era algo justo. A mulher segurou o rosto dele suavemente com uma das mãos para beijá-lo em meio aos sorrisos zombeteiros que ele lhe lançava.

Estar com Kakashi era assim, leve e divertido. O homem tinha aquela tranquilidade acolhedora que parecia ser infinita. Até o mau-humor dele era acolhedor.

Saíram do carro e Kakashi a esperou dar a volta para alcançá-lo na calçada. Deram as mãos enquanto se aproximavam da enorme casa de três andares em estilo moderno, mas não entraram. Foram caminhando pela trilha de pedras entre a grama verde na direção da parte de trás da casa, onde o som da música frenética já te tornava audível.

Era um churrascão na piscina num final de tarde. Haviam pelo menos umas 20 pessoas divididas entre as mesas redondas de madeira na beirada, ou nas cadeiras brancas onde podiam deitar para tomar sol. A piscina era enorme e o cheiro do tempero da carne exalava. Mas não era um churrasco comum, afinal tinham funcionários cuidando da carne, um bar com um bartender preparando drinks e música ao vivo.

Asuma iria ter uma síncope se visse aquilo. Porque para Asuma churrasco era arte, comunhão.

Sakura o puxou de leve, olhando para ele com um sorriso calmo de quem fala vem comigo. Eles se aproximaram de uma mulher de longos cabelos negros e franja reta que vestia um maiô lilás bem cavado. Ver Hinata as vezes lhe deixava depressiva, porque ela tinha aqueles peitos e Sakura não tinha aqueles peitos.

A apresentou para Kakashi, que se cumprimentaram como velhos amigos. Kakashi a conhecia de vista desde que ela namorava com Kiba, o monitor de sua disciplina. Eles trocaram algumas palavras e a moça o chamava de Sensei de um jeito tão fofo que Sakura queria apertá-la com força. Hinata era sempre muito fofa e gentil, dizendo para que se sentisse à vontade para pegar bebidas e ocuparem uma mesa.

Olhando ao redor, Sakura viu Sasuke e Naruto se pegando num canto da piscina e soube que a abstinência causada pela presença aleatória de Fukago os estava fazendo mal a ponto de eles praticamente estarem transando ali. Ouviu Kakashi sussurrar em seu ouvido dizendo todo mundo sabia que ele é gay, e Sakura jogou o cotovelo contra ele levemente em divertimento.

Viu Temari largada na piscina sob uma boia em formato de unicórnio com um copo de algum coquetel na mão enquanto deixava o sol bronzear seu corpo. Ela olhou para Sakura brevemente, acenando tranquila para ela e Kakashi, e quando o homem pareceu olhar para outro lugar, Temari só piscou para Sakura daquele jeito pervertido.

Foi inevitável ficar vermelha porque a amiga era tão escrachada. Sakura viu Shikamaru sentado a beirada junto com Chouji e pareciam meio bêbados enquanto beliscavam a carne que era servida. Shino, Kiba e Kankuro estavam em algum tipo de competição aleatória sobre quem consegue beber mais e pareciam tão alheios.

Saiu apresentando Kakashi para todo mundo que não parecia estar absorto em alguma atividade, até finalmente encontrarem em uma mesa longe da banda duas figuras bastante conhecidas. Kakashi riu em surpresa e Sakura arqueou uma sobrancelha inevitável.

Ino e Genma.

— Por isso ela não me ligou – Sakura falou antes mesmo que os dois pudessem notar a presença do casal.

— Por isso ele não me ligou – Kakashi falou divertido olhando para uma Sakura quase incrédula. Segurou na mão dela indo na direção dos amigos enquanto imaginava o que diabos tinha acontecido para Genma conseguir fazer com que Ino o levasse numa festa privativa como aquela.

Bonito, né – Sakura disse quando se aproximou, fazendo Ino olhá-la com humor — To atrapalhando o casalzinho aí?

— Vai te catar, Sakura – Ino falou se levantando para abraçá-la, sussurrando em seu ouvido — Vamos pegar umas bebidas pra gente conversar.

— E aí, Kakashi – O outro falou para o amigo com uma expressão relaxada — Qual é a dessas marcas no seu braço? – Perguntou em seguida, fazendo Ino girar a cabeça em seu biquini azul marinho para vê-lo.

— É, Kakashi, qual é a dessas marcas? – Reforçou a pergunta voltando a olhar para Sakura que corava de maneira muito violenta com o jeito que Ino simplesmente insinuava várias coisas sem sequer fingir o que se passava em sua mente.

Genma abriu um sorriso mais sacana ainda enquanto Sakura e Kakashi se entreolhavam.

— Buru puxou a guia com força – Disse dando os ombros.

— Foi um passeio selvagem, hein? – O outro retrucou olhando para Sakura e depois para Kakashi, tão cínico quanto Ino.

— Sim, ele ficou excitado com algo que viu e puxou – Explicou entrando na brincadeira daquele jogo de palavras enquanto Sakura sentia que era a única que queria que um buraco abrisse no chão bem embaixo de si.

— Oh, e veja – Ino disse cutucando Sakura — Deve ter acontecido pelo menos duas vezes, porque tem marca nos dois braços – E ficou encarando a amiga de um jeito pervertido.

— Muito perspicaz, Yamanaka – Genma falou sorvendo um pouco de sua bebida.

— Calem a boca – Sakura largou incapaz de lidar com aquilo por muito mais tempo, fazendo com que a loira se pendurasse em seu pescoço para dizer que ela ficava tão fofa quando estava envergonhada.

Kakashi se sentou a mesa enquanto as meninas declaravam que iriam pegar alguma coisa para beber, saindo de perto deles rapidamente porque Sakura não estava entendendo o que diabos Genma fazia naquela festa se Ino estava tão determinada a enxotá-lo logo após conseguir sua noite prometida, e Ino queria detalhes da surpresa de um mês de namoro que Sakura havia feito para o homem, porque aquelas marcas diziam claramente que tinha sido algo muito memorável.

— Foi o melhor sexo da minha vida – Ino disse com uma certeza absurda — Ele sabe bem o que faz, e dessa vez sequer usou a língua. O cara é um deus do sexo.

— Tô vendo... – A outra disse com humor — Mas o que ele está fazendo aqui? Vocês vão continuar saindo?

— Bem... Sim, eu acho – Ela disse incerta — Eu não sei o que isso vai dar, mas gosto da companhia dele, então vou mantê-lo por perto e descobrir. – Confessou absorvendo suas próprias palavras — Eu ainda sinto que não quero um relacionamento, mas ao mesmo tempo não quero dispensá-lo.

— E ele está de acordo com isso? Ele sabe que você não quer um relacionamento?

— Eu não sei, Sakura. Eu estou nessa fase que eu ainda não sei dizer várias coisas sobre o que está acontecendo. Acho que a única coisa que combinamos foi de deixar as coisas acontecerem. – Disse reflexiva.

— Eu soube de Kakashi que ele tá muito na sua, mas não consegui arrancar dele o que isso significa. – Ela falou se virando no tampo do bar, ficando de costas para eles.

— Se ele estiver apaixonado isso vai se tornar muito caótico. – Suspirou — Porque eu não sei se quero ir nesse caminho.

— Honestamente? – Sakura perguntou como quem pede permissão para continuar e Ino apenas confirmou brevemente com a cabeça — Só de você estar aqui com ele me parece que você está se apaixonando – Disse dando os ombros.

Ino considerou aquelas palavras de forma séria, não havia humor, não era Sakura zombando de si.

— Você acha? – Perguntou depois de um momento, olhando para o homem que conversava com o amigo de forma animosa sem saber direito se estava indo nessa direção.

— Você não trás homens de quem não gosta à esse tipo de festa onde só tem nosso amigos íntimos – Falou quando os drinks chegaram — Gaara já era do grupo quando vocês namoraram, com Sai você praticamente não o apresentou a ninguém, e os outros nem sonhavam com isso, mas Genma já está aqui como se fizesse parte disso. Ou melhor, como se fizesse parte de você.

Como se fizesse parte de si.

— Até que ponto você acha que eu posso ir com ele sem me comprometer? – Perguntou de maneira aleatória. — Não sei se você está me entendendo – Falou com dificuldade em explicar aquela pergunta.

Sakura riu.

— Você uma vez me disse que relacionamento é se arriscar, e hoje você me fala que não quer um relacionamento, então... Acho que você só não quer correr riscos, mas Ino, você já está se arriscando – Falou bebericando sua bebida — Ele tá aqui com você e já está fazendo você pensar tanto que parece que você está tentando esconder alguma coisa.

— O que eu tenho para esconder? – Questionou com humor.

— Que Genma te assusta – Ela disse diretamente fazendo Ino revirar os olhos com exagero — Ele não é o tipo de cara com quem você tem um relacionamento a longo prazo. Gaara e Sai eram parecidos com seus sentimentos delicados e intensidade poética, como você mesma dizia. Mas Genma... Ele é o tipo que lida com seus sentimentos como lida com a roupa suja: Lavou tá novo.

— Tenho certeza que essa metáfora é usada em outra situação, Sakura – Ino disse com humor, mas sem deixar de refletir sobre as palavras da amiga.

— Só to dizendo que o Genma parece ser uma pessoa desapegada, e você tem medo de ser a única a se apegar.

— Odeio quando você dá uma de Ino pra cima de mim – A loira disse querendo deixar aquela conversa para depois, porque estavam numa festa e queria apenas curtir a música com todas aquelas pessoas. Ouviu Sakura rir enquanto tomava mais um gole de sua bebida.

— Às vezes é preciso – Sakura comentou dando os ombros.

— Eu sei que você só tá me enrolando para não me contar o que fez com Kakashi para ele ficar daquele jeito.

Sakura riu alto enquanto sentia seu rosto começar a ganhar um tom rubro ao passo que sua amiga loira exigia os detalhes de sua surpresa para o homem. Ficaram ali escoradas no bar sendo observadas de longe pelos dois homens que jaziam sentados na mesa um pouco mais além.

— Conta logo o que rolou – Genma resmungava levemente frustrado com a falta de informação de Kakashi — Ela te amarrou na cama, numa cadeira, ou tem ganchos na casa dela? Foi tipo um BDSM completo ou só bondage mesmo?

— Você acha que eu to namorado uma dominadora? – Kakashi disse com humor — Foi numa cadeira, rolou na minha casa, nada de BDSM completo, e é o máximo que você vai obter de mim.

— Ela fez um lapdance? – O outro perguntou ignorando a última parte e Kakashi apenas gargalhou.

— Porque você não me fala o que diabos está fazendo aqui com Yamanaka Ino? – Disse querendo mudar o foco, porque definitivamente queria manter seu presente para si.

— Cara, eu vou casar com essa mulher – Genma falou com um sorriso e Kakashi apenas balançou a cabeça negativamente enquanto ria da declaração — Tô falando sério, ela vai ser a senhora Shiranui.

— Mais fácil você virar Yamanka Genma do que ela trocar o sobrenome. – Retrucou sendo completamente honesto.

— Touché.

— E vai com calma, Romeu, pelo que eu sei ela não tá muito afim de um relacionamento – Kakashi disse dando os ombros.

— Eu sei que ela tá confusa, parece relutante. Acho que ela tá afim de mim tanto quanto eu estou afim dela, mas não quer admitir não sei porquê. – Disse de maneira honesta — Mas vou deixar as coisas rolarem porque ela é sensacional. Eu não imaginava que fosse gostar tanto dela.

— Ela tem muita atitude – Kakashi disse olhando discretamente para as duas que pareciam trocar confidencias — Você vai ser um pato na mão dela.

— Pato, cachorro, periquito... Eu sou ser o que ela quiser que eu seja – Falou com aquele sorriso sacana — Só espero que ela queira que eu seja alguma coisa.

— Vou torcer por você – Kakashi falou com humor.

Enquanto isso, Sakura e Ino se divertiam com conversas que já beiravam o aleatório quando duas figuras se aproximaram. Sasuke e Naruto cumprimentaram as duas com abraços molhados e sorrisos.

— Vocês precisam transar – Ino disse de maneira categórica — Aproveitem que aqui tem um milhão de quartos e escolham um para aliviarem.

— Estamos a duas semanas sem dar umazinha – Naruto resmungou — Tudo porque o Sasuke é fresco.

— Cala a boca, dobe – Exigiu revirando os olhos.

— Relaxa, Ino. Graças a você, eles vão usar meu apartamento como motel. – Sakura falou com um falso tom de incomodo. Ino riu.

— Um apartamento daquele tamanho só serve pra isso, Sakura. – Disse dando os ombros — Você tem que se mudar.

— É verdade. Não faço ideia de como você não enlouquece naquele quarto que você chama de apartamento. – Sasuke resmungava.

— Ei! É naquele quarto que você vai transar! – Retrucou ofendida — Respeita, pô!

— Uma coisa é transar, outra é morar – Disse ainda com sua habitual cara de tédio.

— Tem um apartamento ótimo a venda no prédio do Sasuke – Naruto falou como quem acaba de se lembrar — Três quartos, varanda ampla, cozinha larga...

— Eu não preciso de mais espaço.

— Você precisa é de vergonha na cara – Ino disse autoritária — Você tem dinheiro, faça jus a ele e compre um apartamento decente.

— Sakura-chan, é verdade. Você podia comprar uma coisinha melhor...

Argh... – Soltou porque quando até Naruto ficava contra ela, então não havia muito mais o que fazer.

— E cadê seu namorado? – Sasuke perguntou de repente.

— É! Cadê seu namorado? – Naruto reforçou como quem está pronto para surrar alguém. Ino riu porque achava Naruto tão irmão mais novo protetor.

— Tá bem ali, ó... – E apontou para a mesa, demorando seus olhos na cena que iniciava junto com os outros três que estavam ao seu lado.

Parecia uma cena de filme. Kakashi e Genma se levantaram das cadeiras conversando casualmente, tão alheios ao efeito que tinham juntos enquanto tiravam as partes de cima de suas roupas.

Era pura câmera lenta enquanto Genma puxava sua camiseta por cima da cabeça, fazendo todos os seus músculos contraírem com o movimento, e Kakashi não ficava atrás abrindo os últimos botões da camisa de linho que vestia, para tirá-la naquele movimento perfeito que evidenciava o quão gostoso era.

Sakura se sentiu como se fosse um cão de rua vendo a vitrine do açougue. Ela olhou para Ino um tanto atordoada e a amiga parecia estar vivendo algo parecido naquela troca de olhares, quando a loira simplesmente se sentia salivar.

— Ele tá de sunga branca? – A voz de Naruto soou fazendo-a olharem novamente. Os dois já haviam se livrado das bermudas, e Genma estava de sunga branca.

Céus.

Ino pigarreou desviando o olhar, virando para o bar para pegar sua bebida e dar um longo gole. Sakura coçou os cabelos tentando se recompor enquanto os dois se jogavam na piscina. A meninas se olharam e começaram a rir naquela comunicação que não precisava de palavras.

— Quem é o seu namorado, Sakura? – Sasuke perguntou depois de um momento — Qual dos dois?

— O de cabelo prata – Ela disse segurando uma risada.

— E o outro?

Peguete da Ino.

— Parabéns pra vocês duas – Sasuke completou cruzando os braços sem evitar olhar. Algo interessante sobre o Uchiha era que ele conseguia manter seu olhar sério e indiferente mesmo que estivesse muito curioso sobre algo, como obviamente estava ao ver os dois mergulhando.

— Eu faço o que eu posso – Ino disse com uma risada e Sakura lhe deu uma cotovelada.

— Eu sou mais gostoso – Naruto disse categoricamente, parecendo incomodado. Sakura riu.

— Claro, Naruto – A loira confirmou com desdém — Quando você tiver aquele corpo, e aquele olhar, ai você faz esse tipo de afirmação, até lá pare de passar vergonha.

— Ei! Eu tenho um tanquinho! – Ele falou se empertigando enquanto Ino o olhava cética.

Isso não é um tanquinho.

— Não liga pra ela, Naruto. Você é perfeito – Sasuke falou com aquele sorriso.

— Tá vendo? É essa expressão que faz alguém ser gostoso. – Ino reforçou — Sasuke é gostoso. Você é no máximo bonitinho.

— Para de zoar com o Naruto, Ino – Sakura disse sentindo pena do amigo que parecia começar a se irritar. — Naruto, você é o homem mais gostoso que eu conheço – Ela disse e todos sabiam que não era verdade.

— Você tem certeza que quer fazer essa declaração depois do que acabou de ver? – Ino perguntou com aquela sobrancelha arqueada.

— Cala a boca, porca! – Respondeu com humor.

— Ela tem bom gosto, ao contrário de você, Ino! – O loiro disse com orgulho — Obrigada, Sakura-chan!

— É claro que ela tem bom gosto, você viu o namorado dela. – Falou apontando para trás. — Mas não desista, Naruto, treine na frente do espelho e comece uma academia. Confio no seu potencial.

A conversa foi andando naquele ritmo, com Naruto ficando cada vez mais puto enquanto Ino zoava a cara dele sem nenhuma piedade. Apesar de estar falando coisas para apoiar Naruto, Sasuke era quem estava mais se divertindo com a crueldade de Ino. Sakura apenas mediava entre rir de Naruto e apoiá-lo. No final, ela adorava estar entre eles, todo juntos e se divertindo daquela maneira.

Até que finalmente Genma e Kakashi se aproximaram, e as apresentações aconteceram de maneira tranquila. Logo todos estavam envolvidos em uma conversa até que Sakura precisou explicar como os braços de Kakashi tinham ficado daquele jeito.

— Vão se foder! – Disse constrangida enquanto Naruto e Sasuke ajudavam Ino com as piadas. — Eu o amarrei mesmo, foda-se! – Admitiu finalmente, cruzando os braços com um bico abusado enquanto todos riam. — Mas que caralho, a pessoa não pode nem transar mais.

Ela sentiu o braço de Kakashi lhe puxar pela cintura, enquanto seus lábios lhe beijavam a temporã. Sakura desmanchou a expressão amarrada, sorrindo para ele com seu bom-humor restaurado pela expressão tranquila antes que ele a beijasse levemente os lábios. Ouviu Genma soltar aquele ruído de quem está achando algo muito fofo e ficou vermelha por motivos que não envolviam cordas e sexo.

E o dia foi passando regado a boa conversa. Kakashi foi bem acolhido e instantaneamente gostou dos dois patetas que eram amigos de Sakura e no final de tudo, ele confirmava que Sakura era como aquela menina popular da escola que conseguia conversar com todo mundo.

Genma e Ino saíram da festa antes de Sakura e Kakashi, que ficaram por mais uma ou duas horas até resolverem que queriam passar a noite juntos vendo aquele reality show ruim que ela gostava tanto e ele também havia aprendido a gostar. Entraram no carro depois de se despedirem de todos, e Sakura dirigiu até a casa dela para pegar alguma coisa que iria precisar no dia seguinte.

Ela estacionou na frente do seu prédio deixando o carro ligado enquanto informava a Kakashi que não iria demorar. Pegou o celular ainda intoxicado com a festa e as conversas, viu as mensagens do grupo com seus amigos para logo em seguida uma notificação chegar no seu celular. Um número desconhecido lhe enviava um arquivo de foto. Abriu a conversa sem pensar muito apenas para ver a foto de um carro muito parecido com o seu estacionado na frente de um prédio muito parecido com o de Sakura.

Estreitou os olhos com um sentimento de urgência lhe invadindo. Olhou para os lados tentando enxergar alguma coisa através dos vidros do veículo, mas não havia ninguém na rua. Ele respondeu a mensagem com uma série se interrogações, confuso com o significado daquela mensagem. Era uma foto de agora? Era uma imagem antiga?

Então seu celular tocou.

Número Oculto.

— Quem é? – Kakashi perguntou com sua voz grave sem hesitar em atender no primeiro toque. Ouviu um ruído bem longe, com estática, que se perdeu em algum momento enquanto Kakashi forçava sua voz mais alta, exigindo que a pessoa se identificasse.

Ela é minha. Não mexa com Sakura, ou vai se arrepender.

Kakashi franziu o cenho confuso com a declaração. A voz não era grave, mas também não soava esganiçada, parecia estar irritado com algo, e Kakashi não conseguia se lembrar se já a tinha ouvido antes.

Estava ofegante quando o tom da chamada encerrada soou em seus ouvidos. Ele olhou para o prédio sentindo algo estranho, como se algo dentro dele dissesse para ir atrás de Sakura desesperadamente. Não hesitou em sair do carro sem sequer tirar a chave da ignição, porque precisava se certificar que estava tudo bem, garantir que Sakura estava segura.

Mas já era tarde demais.

Porque Sakura só queria entrar em casa para pegar seu notebook e uma roupa que havia deixado na secadora. Achou estranha a luz da sala acesa, porque lembrava de tê-la apagado, mas não pensou muito nisso e seguiu para o banheiro, onde deixava sua maquina de lavar e secar. Abriu a porta distraidamente e ligou a luz sem pensar duas vezes, e fez isso apenas para sentir seu coração parar.

Seus olhos verdes se arregalaram e seu corpo entrou em estado de alerta. Sakura não sabia mais como respirava enquanto seus pulmões faziam movimentos intensos. Seus pelos arrepiaram até a nuca em um visível estado de pânico e alerta. Deus... Ela se afastou com um pulo para trás, soltando um grito agudo enquanto cada célula de seu corpo despertava em puro pânico.

Diante do que via, Sakura não conseguia mais racionar, enquanto sua voz pasma pronunciava num tom quase profético.

Sasori.

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GENTE. DO. CÉU!

ASOAISDPJASDAPHSID 30MIL PALAVRAS!

Façam uma autora que escreveu pra krl feliz e deixem uma review! 3