-Ok –resmungou Sirius quando todos voltaram do lanche –vamos acabar logo com isso.
Lily riu gostosamente.
-Quem diria, Black? O Rei das Apostas perdendo uma para mim –gargalhou gostosamente.
-Eu ainda sou o Rei das Apostas –chiou –Essa é a primeira que eu perco, e olha que no quinto ano eu apostei com Rabicho que vocês dois –apontou para Lily e James –um dia se casariam e eu seria o padrinho. O rato está me devendo 10 galeões.
-Você apostou o nosso futuro, cachorro? –perguntou James, claramente insatisfeito.
-Claro –deu de ombros –eu sempre soube que a Lilyzinha não resistiria ao seu charme, Prongs.
-Então você assume que James é charmoso? –perguntou Lily, com um sorriso maroto.
-Claro –falou em tom de "isso não é óbvio?" –Olha para ele, Lils. Meu amigo é bonitão. Claro, só não é mais bonito e charmoso que o cachorro aqui –apontou para si mesmo.
-Ridículo, Black –bufou a ruiva –James, qual é o mico que Sirius terá que pagar?
James levantou a sobrancelha para ela, impressionado com a facilidade dela de agir como se nada tivesse acontecido.
"Bom, se ela voltar a pedir meu abraço e ficar segurando a minha mão o tempo todo, quem sou eu para reclamar?", pensou.
-Bom, eu andei pensando...e é realmente difícil fazer Sirius ficar envergonhado. Ele é o maior cara de pau, vocês sabem. –Sirius gargalhou, recebendo olhares divertidos –mas...acho que ele tem um ponto fraco.
-Não tenho, não –disse Sirius, ofendido –Eu sou perfeito.
-Menos, Padfoot –falou Remus, girando os olhos –Continue, Prongs.
-Bom, acho que nada fará Pads se sentir mais envergonhado do que mexer diretamente com o ego dele. E vejamos...Sirius nunca pede desculpas, por nada. Não que ele não se arrependa das coisas que faz, ele se arrepende. A questão é que ele tem muita dificuldade em dizer "perdão", já que isso significa que ele está admitindo que errou, e Sirius Black, orgulhoso como é, nunca assumiria algo assim –falou James, em tom intelectual. –Portanto, eu acredito que nada fará Sirius se arrepender de ter feito essa aposta, exceto...pedir perdão, de joelhos, para Ranhoso, digo, Snape, por todas as azarações que já lançou contra ele em todos os nossos anos em Hogwarts.
-PRONGS! –urrou Sirius, claramente chocado –Me diz que isso é uma piada. Por favor, me diz que é uma piada.
-Eu acho muito justo –falou Remus –essa foi genial, Prongs.
-Eu não gosto da ideia de Sirius só pedir desculpas por uma aposta perdida, e não por se arrepender pelo que fez –murmurou Lily, interrompendo os gritos de Sirius.
-Viu, Lily está certa. Prongs, inventa outra coisa –falou Padfoot rapidamente.
-Não tão rápido, Sirius Black. –Lily sorriu orgulhosamente antes de continuar a expor seu raciocínio –Bom, como eu estava dizendo, eu não gosto da ideia de Sirius só pedir desculpas por uma aposta perdida, e não por se arrepender pelo que fez. Porém, conhecendo-o como conheço, sei que ele não pedirá perdão em mais nenhum momento. E eu não acho justo Sev ter sido humilhado todos esses anos, e nem receber um mínimo pedido de desculpa. Logo, Sirius, cumpra a aposta.
Alice e Frank se entreolharam, segurando o riso.
-Ele já me azarou em vários momentos também, Lily –falou Sirius –Ele não foi um santinho injustiçado.
-Isso não vem ao caso agora –interrompeu Remus, antes de iniciarem uma discussão –Pads, ande logo.
-Prongs, você me paga –James só piscou para o amigo.
-Severo Snape –disse Sirius, se ajoelhando em frente ao sonserino, que o olhava com a sobrancelha erguida –eu quero te pedir...eu quero te pedir...eu quero te pedir...meu Mérlin –respirou fundo uma vez.
Duas.
Três.
Quatro.
Cinco vezes.
-Ah, pelo amor de Deus, Sirius! Fala logo! –reclamou Lily.
-Eu quero te pedir desculpas por ter te azarado todos esses anos em Hogwarts, mesmo que você mereça cada um dos feitiços que já te lancei –Lily deu um tapa na cabeça do maroto, quando ele terminou de falar com rapidez.
-É para fazer direito –sibilou.
-Ok, ok. –ele suspirou pesadamente, fazendo uma careta de desgosto –Eu não fui justo com você em te azarar toda vez que te via, e te peço perdão de joelhos por isso –falou, suspirando mais uma vez.
-Pode levantar, Padfoot –disse James –Viu? Não foi tão difícil.
-Pois é, James –continuou Lily –Como você mesmo levantou, não é tão difícil. Que tal fazer o mesmo? –alfinetou.
Sirius gargalhou.
-Boa, ruiva –falou sorrindo.
-Eu vou pedir desculpas para ele um dia, Lils –falou James, com seriedade –mas não hoje. Eu vou pedir desculpas no momento em que eu me sentir honestamente arrependido de tudo.
-É bom o suficiente –falou resignada –bom, pode começar a ler, Alice.
Severo até que achou aquela aposta bem interessante; era realmente bom ver Black ajoelhado aos seus pés depois de tudo que ele lhe fez.
Quadribol.
-Deve ser a primeira partida! Sonserina vs. Grifinória –disse James, animadamente.
-E já adiantamos que você está permanentemente proibido de fazer comentário a cada palavra lida, James Potter –Lily apontou o dedo para a cara do maroto –Ninguém é obrigado a aguentar!
Ele fez uma careta, passando a mão pelos cabelos rebeldes.
Quando entrou novembro o tempo esfriou muito. As serras em torno da escola viraram cinzagelo e o lago parecia metal congelado. Toda manhã o chão se cobria de geada. Hagrid era visto das janelas dos andares superiores do castelo degelando vassouras no campo de quadribol, enrolado num casacão de pele de toupeira, com luvas de coelho e enormes botas de castor.
Começara a temporada de quadribol. No sábado, Harry estaria jogando sua primeira partida depois de semanas de treinamento: Grifinória contra Sonserina. Se Grifinória ganhasse, subiria para o segundo lugar no campeonato das casas.
-Isso! Vai Grifinória! Vai filho –disse James, animado.
Lily apenas revirou os olhos.
Quase ninguém vira Harry jogar porque Olívio decidira que, sendo uma arma secreta, a participação de Harry deveria ser mantida em segredo.
-Boa estratégia, mas infelizmente, as fofocas voam em Hogwarts –disse James, pensativo.
-E voam mesmo –disse Lily, tentando inutilmente segurar o riso.
-O que você fez, Evans? –perguntou, levantando a sobrancelha, reconhecendo o tom da ruiva.
-Bom...eu posso ter testado a teoria com Lene uma vez –disse risonha, se referindo a melhor amiga, Marlene Mckinnon.
-Foram vocês! Eu sabia! –exclamou Remus, gargalhando –Lily Evans, você está se provando cada vez mais marota.
-O que ela fez? –perguntou Alice, curiosa.
-Sabe, o Potter aqui –apontou para o maroto –já estava me cansando, sabe? Ele não parava de me encher com pedidos para sair todo dia, e eu fiquei com raiva. Falei com Lene, e ela me deu uma ótima ideia.
-Vish, se a ideia veio de Lene, a coisa foi feia para você, Prongs –falou Sirius, rindo.
Marlene era uma garota do ano deles em Hogwarts, também da Grifinória, melhor amiga de Lily e tinha um "caso" com Sirius, de modo que eles já saíram algumas vezes, e são bem amigos também.
-O que você fez, Evans? –perguntou James, receoso.
-Ah, nada demais. Quero dizer, só espalhei para umas meninas do nosso dormitório que você tinha beijado Bellatrix Black,e que estava completamente apaixonado por ela... –deu um sorrisinho de lado.
-E que queria interromper o casamento dela e de Lestrange –completou Alice, lembrando da fofoca –Eu lembro disso! Então era mentira? –James a olhou com raiva.
-Claro que era! LILY EVANS! –gritou James –Como você pôde? Eu recebi um berrador de Lestrange! –Lily gargalhou –No meio do salão principal!
-Desculpe, -disse, mas com um sorriso que demonstrava que não se arrependia de nada –mas você mereceu. Naquele ano você estava impossível! Você não parava de ficar me chamando para sair o tempo inteiro! Eu não podia deixar barato, não é?
-Ok, Evans –sibilou –A vingança é um prato que se come frio. –ela ficou arrepiada, sabendo que James Potter era o mestre das pegadinhas.
Mas de alguma forma a notícia de que jogaria como apanhador vazara e Harry não sabia o que era pior – se as pessoas dizerem que ele seria brilhante ou dizerem que iriam ficar correndo embaixo dele com um colchão.
-É muita pressão, garoto, eu sei –James falou como se o filho tivesse em sua frente.
Era realmente uma sorte que Harry agora tivesse Hermione como amiga. Não sabia como poderia ter dado conta dos deveres de casa sem ela, diante dos treinos de quadribol convocados por Olívio à última hora. Ela também lhe emprestara o livro Quadribol através dos séculos, que acabara rendendo uma leitura muito interessante.
-É um livro realmente interessante –concordou Frank.
-Viu, Sirius? Harry é extremamente sortudo por ter uma amiga como Hermione Granger –Lily cutucou o maroto.
-Evans –ele a olhou com raiva –já paguei a aposta.
-Ah, eu sei bem disso –ela sorriu brilhantemente para ele –mas isso não significa que eu vou te deixar em paz.
-Prongs –ele gemeu em resposta –você criou um monstro!
-O monstro mais lindo do mundo –falou James, com um sorrisinho de lado e lançando uma piscadela para a garota.
Ela corou e desviou o olhar. Porém, parando para refletir, resolver se arriscar.
Deu um beijo na bochecha dele.
James a olhou atônico, abrindo e fechando a boca sem parar.
Os que observaram a cena apenas riram, com exceção de Severo, que fechou a cara.
Harry aprendera que havia setecentas maneiras de cometer faltas em quadribol e que todas haviam ocorrido durante a Copa Mundial de 1473; que os apanhadores eram em geral os jogadores menores e mais velozes e que a maioria dos acidentes graves no quadribol parecia acontecer com eles; que embora as pessoas raramente morressem jogando quadribol, havia juízes que tinham desaparecido e reaparecido meses depois no deserto do Saara.
-Na verdade, essa história pode muito bem...-começou James.
-Quieto –interrompeu Remus.
-Mas...
-Quieto –disse Lily, dessa vez.
-Eu odeio vocês –resmungou.
Hermione tornara-se menos tensa com relação às infrações ao regulamento desde que Harry e Rony a tinham salvado do trasgo montanhês e se tornara uma pessoa mais simpática.
Lily mostrou a língua a Sirius, que revirou os olhos.
Na véspera da primeira partida de quadribol de Harry, os três foram até a quadra congelada durante o intervalo das aulas, e ela fizera aparecer para eles um fogo azulado muito vivo que podia ser levado para toda parte em um frasco de geleia.
-Ela é muito inteligente –espantou-se Frank –eu demorei um tempão para aprender!
Achavam-se parados de costas para o fogo, se esquentando, quando Snape atravessou o pátio. Harry reparou logo que Snape estava mancando.
Sirius o olhou de relance, o analisando minuciosamente.
-Eu não estou mancando agora, Black –Severo disse, o olhando com raiva.
Sirius deu de ombros e continuou a sua análise.
Harry, Rony e Hermione se aproximaram mais para esconder o fogo com o corpo; tinham certeza de que era proibido. Infelizmente alguma coisa em suas caras culpadas atraiu a atenção de Snape. Ele veio mancando até onde eles estavam. Não vira o fogo, mas parecia estar procurando uma razão para ralhar com eles.
-Por que será? –alfinetou Alice.
– Que é que você tem aí, Potter?
Era o Quadribol através dos séculos. Harry mostrou-o.
– Os livros da biblioteca não podem ser levados para fora da escola – falou Snape. – Me dê aqui. Menos cinco pontos para Grifinória.
-Essa regra não existe e você sabe muito bem disso! –exclamou Lily, com raiva –Se fosse assim, você já teria deixado os pontos da Sonserina negativos, né? Não se lembra dos livros que levava para os jardins sempre que tinha um tempo livre? –Severo abaixou a cabeça, evitando olhar para a cara de decepção da antiga amiga.
– Ele acabou de inventar essa regra – murmurou Harry com raiva, enquanto Snape se afastava. – Que será que houve com a perna dele?
– Não sei, mas espero que esteja realmente doendo – falou Rony com azedume.
-Eu também –disse Sirius, com frieza.
A sala comunal da Grifinória estava muito barulhenta aquela noite. Harry, Rony e Hermione sentaram-se junto a uma janela. Hermione verificava os deveres de Harry e Rony para a aula de Feitiços. Ela nunca os deixava copiar ("Como é que vocês vão aprender?"), mas ao lhe pedirem para ler os trabalhos, eles recebiam as respostas certas do mesmo jeito.
-Harry! –brigou Lily.
-Ele puxou o pai nisso, Lily –disse Remus –Ele e Sirius fazem isso comigo toda vez.
-James! –o maroto deu um sorriso amarelo para ela.
Harry sentia-se inquieto. Queria de volta o Quadribol através dos séculos, para se distrair do nervosismo que a partida do dia seguinte estava lhe provocando. Por que deveria ter medo de Snape? Levantou-se e disse a Rony e Hermione que ia pedir a Snape para lhe devolver o livro.
-Má ideia, Harry –gemeu Frank –Por mais imbecil e imaturo que ele seja, ele ainda é seu professor.
Snape apenas abaixou os olhos para evitar olhar para a carranca da ruiva, dirigida diretamente a ele.
"Quando foi que ela parou de me defender para defendê-los?", pensou.
– Antes você do que eu – responderam eles juntos, mas Harry tinha a impressão que Snape não iria recusar se houvesse outros professores ouvindo.
-É um bom plano –elogiou Remus –principalmente se for Minnie ou Dumbledore.
-Esses ele respeita –Frank deu um sorriso de escárnio.
Ele foi à sala dos professores e bateu à porta. Não obteve resposta. Bateu outra vez. Nada. Talvez Snape tivesse deixado o livro na sala? Valia a pena tentar. Entreabriu a porta e espiou para dentro – e deparou com uma cena horrível. Snape e Filch estavam lá dentro sozinhos.
Todos olharam para Snape de olhos arregalados.
-Leiam tudo antes –murmurou, com medo do que estava por vir.
Snape segurava as vestes acima do joelho.
Mais olhares estranhos. Severo bufou.
Uma das pernas sangrava, lacerada. Filch entregava ataduras a Snape.
Todos soltaram um suspiro aliviado; Filch era apenas...nojento.
– Droga – dizia Snape. – Como é que se pode ficar de olho em três cabeças ao mesmo tempo?
-Você está tentando pegar a pedra! –exclamou Alice –Embaixo do nariz de Dumbledore! Seu cretino...
-Ah, cale a boca –resmungou Snape.
-Fiquem quietos, os dois –ordenou Lily –Alice, não podemos julgar até terminar todos os livros. Sev, não perca o controle. Continue a ler, Lice.
Harry tentou fechar a porta sem fazer barulho, mas...
– POTTER!
-Será que eu já ouvi isso antes? –alfinetou James, levando uma cotovelada da ruiva ao seu lado.
O rosto de Snape contorceu-se de fúria ao mesmo tempo que ele largava as vestes para esconder a perna. Harry engoliu em seco.
– Eu vim saber se o senhor poderia devolver o meu livro.
– SAIA! SAIA!
-Quanta grosseria! –Alice fez uma careta de nojo para o futuro professor de seu filho.
Harry saiu, antes que Snape pudesse descontar algum ponto de Grifinória. E voltou correndo para baixo.
– Conseguiu? – perguntou Rony quando Harry se reuniu a eles. – Que aconteceu?
Num murmúrio, Harry lhes contou o que vira.
– Sabe o que isso significa? – terminou sem fôlego. – Ele tentou passar pelo cachorro de três cabeças no Dia das Bruxas! Era para lá que estava indo quando o vimos. Ele quer a coisa que o cachorro está guardando! E aposto a minha vassoura como eledeixou aquele trasgo entrar, para distrair a atenção de todos!
-Nunca aposte sua vassoura, Harry. Nunca! –falou James, balançando a cabeça em negação.
Harry é esperto –elogiou Frank –A maioria das outras crianças dessa idade, teriam deixado as informações passarem despercebidas.
Os olhos de Hermione estavam arregalados.
– Não. Ele não faria isso. Sei que ele não é muito simpático, mas não tentaria roubar uma coisa que Dumbledore estivesse guardando a sete chaves.
Lily abaixou os olhos, sem saber exatamente no que acreditar. Seu melhor amigo teria sido capaz de fazer algo assim? Ou havia um pingo de esperança ali e Harry estaria equivocado?
– Sinceramente, Hermione, você pensa que todos os professores são santos ou coisa parecida – disse-lhe Rony com rispidez. – Concordo com Harry, acho que Snape faria qualquer coisa. Mas o que é que ele está procurando? O que é que o cachorro está guardando?
-A pedra filosofal –suspirou Remus –Tudo por uma pedra.
Harry foi se deitar com a cabeça zunindo com aquela pergunta. Neville roncava alto e Harry não conseguia dormir. Tentou esvaziar a cabeça – precisava dormir, tinha de dormir, ia jogar sua primeira partida de quadribol dentro de algumas horas –, mas a expressão no rosto de Snape quando Harry vira sua perna era difícil de esquecer.
-Concentre no jogo, filho. Concentre no jogo –aconselhou James.
-Ele vai ganhar, Jay –falou Lily para o garoto. Ele a olhou pasmo; ela nunca tinha chamado-o por algum apelido. Ela corou, ao perceber –Desculpe.
-Não se desculpe –sussurrou –Só fiquei chocado. Apenas minha mãe me chama assim.
-Desculpe –falou envergonhada.
-Eu gosto, Lils, não se preocupe –sorriu para a garota, que corou ainda mais.
O dia seguinte amanheceu muito claro e frio. O Salão Principal estava impregnado com o cheiro delicioso de salsichas e com a conversa animada de todos que aguardavam ansiosos uma boa partida de quadribol.
James esfregou as mãos uma na outra, ansioso. Os outros apenas seguraram o riso ao notá-lo.
– Você tem que comer alguma coisa.
– Não quero nada.
– Só um pedacinho de torrada – tentou persuadi-lo Hermione.
– Não estou com fome.
Harry se sentia péssimo. Dentro de uma hora estaria entrando na quadra.
– Harry, você precisa de energia – disse Simas Finnigan. – Os apanhadores são sempre os que acabam aleijados pelo outro time.
-Grande incentivo –murmurou Remus, ironicamente. –James também não come antes dos jogos –disse para todos –Temos que quase enfiar comida na boca dele.
-É o nervosismo –deu de ombros. –Não posso culpar Harry.
-Pelo visto, sobrou para mim alimentar vocês dois –Lily suspirou pesadamente –Vou ter que mandar uma carta para Harry antes de todo jogo.
-Quem sabe poderemos estar lá pessoalmente em alguns? –James levantou a questão –Eu amaria.
-Tenho certeza que Dumbledore poderia dar um jeito –ela sorriu para ele.
– Obrigado, Simas – respondeu Harry, observando Simas amontoar ketchup sobre as salsichas.
Aí pelas onze horas a escola inteira parecia estar nas arquibancadas que cercavam o campo de quadribol. Muitos estudantes tinham levado binóculos. Os lugares ficavam no alto mas, às vezes, ainda assim era difícil ver o que acontecia.
Rony e Hermione se reuniram a Neville, Simas e Dino, o fã do time de segunda divisão na fileira do alto. Como uma surpresa para Harry, eles tinham pintado uma grande bandeira em um dos lençóis que Perebas roera. Dizia: Potter para Presidente e Dino, que era bom em desenho, tinha pintado o grande leão de Grifinória embaixo.
-Eu quero um assim! –exclamou James –Nem precisa mudar o sobrenome.
-Não vamos aumentar o seu ego, Prongs –riu Sirius, quase em um latido.
Depois Hermione apelara para um feiticinho para fazer a tinta brilhar multicolorida.
-Por favor! –gemeu James –Pelo menos no último jogo!
-Vamos pensar no seu caso –Remus riu.
Entrementes, nos vestiários, Harry e o restante do time estavam vestindo as roupas vermelhas de quadribol (Sonserina iria jogar de verde).
Olívio pigarreou pedindo silêncio.
-Hora do discurso –James apontou o óbvio.
– Muito bem, rapazes.
– E moças – acrescentou a artilheira Angelina Johnson.
– E moças – concordou Olívio. – Está na hora.
– O jogaço – disse Fred.
– O jogaço que estávamos esperando – explicou Jorge.
– Já conhecemos o discurso de Olívio de cor – comentou Fred para Harry. – Fizemos parte do time no ano passado.
-Os discursos precisam mudar –James franziu o cenho –Nunca é bom para o time...
-Meu Merlin, fique quieto –brigou Alice.
James mostrou a língua para ela, mas se calou.
– Calem a boca, vocês dois – mandou Olívio. – Este é o melhor time que Grifinória já teve nos últimos anos. Vamos vencer. Sei que vamos.
– Certo. Está na hora. Boa sorte para todos.
E encarou os jogadores como se dissesse "Ou vão ver".
-Que discurso péssimo –lamentou James –os meus são bem mais incentivadores.
-Até eu que não entendo nada disso, faria um melhor –Lily pigarreou –"Vocês jogam muito e eu acredito em vocês. Estamos treinando há semanas e temos o melhor time dessa escola. Confio em vocês, na capacidade de cada um, e sei que temos potencial para ganhar esse jogo. Façam como nos treinos que eu tenho certeza que sairemos vitoriosos dessa. Não fiquem nervosos, esse jogo é nosso. Viemos para vence que vamos fazer. Vai Grifinória".
Todos a olharam abobalhados por um tempo.
-Lily –James interrompeu o silêncio –vou te chamar para fazer um discurso motivador no meu próximo jogo.
Ela riu, corando.
Harry acompanhou Fred e Jorge na saída do vestiário e, esperando que seus joelhos não cedessem, entrou na quadra debaixo de vivas.
Madame Hooch era a juíza. Estava parada no meio da quadra esperando os dois times, de vassoura na mão.
– Quero ver um jogo limpo, meninos – disse quando estavam todos reunidos à sua volta.
-Contra a Sonserina? Impossível! –bufou Sirius.
A ruiva o lançou um olhar ameaçador.
Harry reparou que ela parecia estar falando particularmente para o capitão de Sonserina, Marcos Flint, um aluno do quinto ano. Harry achou que Flint tinha sangue de trasgo. Pelo canto do olho viu a bandeira, que piscava "Potter para Presidente" tremulando sobre as cabeças dos espectadores. Seu coração perdeu um compasso. Ele se sentiu mais corajoso.
-Vai Harry! –incentivou James –Arrebenta!
-Estamos torcendo por você, filho. Mesmo que você não saiba –disse Lily, suspirando.
-Ele vai saber –disse James, pegando a mão dela –Vamos a todos os jogos de Harry. -ela concordou com a cabeça.
– Montem as vassouras, por favor.
Harry subiu na sua Nimbus 2000. Madame Hooch puxou um silvo forte no seu apito de prata. Quinze vassouras se ergueram no ar. Fora dada a partida.
"E a goles foi de pronto rebatida por Angelina Johnson, de Grifinória – que ótima artilheira é essa menina, e bonita, também."
– JORDAN!
– Desculpe, professora.
O amigo dos gêmeos Weasley, Lino Jordan, estava irradiando a partida, vigiado de perto pela Profa. Minerva.
-Essa é uma narração que Sirius faria –falou Lily, olhando para o maroto.
-Não posso discordar –disse Sirius rindo.
"E ela está realmente jogando com força total, um passe lindo para Alícia Spinnet, um bom achado de Olívio Wood, no ano passado ficou no time de reserva – de volta a Johnson e... não, Sonserina tomou a goles, o capitão de Sonserina rouba a goles e sai correndo – Marcos está voando como uma águia lá no alto – ele vai mar... não, foi impedido por uma excelente intervenção do goleiro de Grifinória, Olívio, e Grifinória fica com a goles – no lance a artilheira Katie Bell de Grifinória, dá um belo mergulho em volta de Marcos e sobe pelo campo e – AI – essa deve ter doído, ela levou um balaço na nuca – perdeu a goles para Sonserina – agora Adriano Pucey corre na direção do gol, mas é bloqueado por um segundo balaço – arremessado por Fred ou Jorge Weasley, é difícil dizer qual dos dois
A sala riu.
– em todo o caso uma boa jogada do batedor de Grifinória, e Johnson tem outra vez a posse da goles, o caminho está livre à sua frente e lá vai ela – realmente voando – desvia-se de um balaço veloz – as balizas estão à sua frente – vamos, agora, Angelina – o goleiro Bletchley mergulha – não chega em tempo – PONTO PARA GRIFINÓRIA!".
-Vai time! –gritou James, sentando-se na ponta do sofá, de forma que ouvisse a narração de Alice de forma mais clara.
A torcida de Grifinória enche de berros o ar frio, e a torcida de Sonserina, de lamentos.
– Cheguem para lá, vamos.
– Rúbeo!
Rony e Hermione se apertaram para abrir espaço para Hagrid se sentar com eles.
– Estive assistindo da minha casa – disse Hagrid, indicando um grande binóculo pendurado ao pescoço. Mas não é a mesma coisa que assistir no meio da multidão. Nem sinal do pomo ainda, não é?
– Não – respondeu Rony. – Harry ainda não teve muito o que fazer.
– Pelo menos não se machucou, já é alguma coisa – disse Hagrid, levantando o binóculo e espiando o pontinho que era Harry lá no céu.
-E não vai –Lily falou com firmeza.
Ninguém ousou discordar.
Muito acima deles, Harry sobrevoava o jogo, procurando um sinal do pomo. Isto fazia parte da estratégia montada por ele e Olívio.
– Fique fora do caminho até avistar o pomo – dissera Olívio. – Não queremos que você seja atacado sem necessidade.
-É um bom conselho –admitiu Lily –é bom que Harry não se machuque de forma nenhuma, mas...
-Entendemos, Lily –disse Sirius, impaciente –Continue, Alice. Quero saber do primeiro jogo do meu afilhado.
A ruiva fez uma careta pela interrupção.
Quando Angelina marcou, Harry tinha feito uns loopspara extravasar a emoção. Agora voltara a procurar o pomo. Uma vez avistou um lampejo dourado, mas era apenas um reflexo do relógio de um dos gêmeos e outra vez um balaço resolveu disparar em sua direção e mais parecia uma bala de canhão, mas Harry se esquivou e Fred veio atrás dela.
-Lembrei o motivo de eu não gostar desse jogo –Lily gemeu.
– Tudo bem aí, Harry? – Ele tivera tempo de gritar ao rebater o balaço com fúria na direção de Marcos Flint.
"Sonserina de posse da goles." Lino Jordan continua narrando. "O artilheiro Pucey se desvia de dois balaços, dos dois Weasley, da artilheira Bell e voa para – esperem aí – será o pomo?".
James arregalou os olhos, com animação visível.
Correu um murmúrio pelas torcidas quando viram Adriano Pucey deixar cair a goles, ocupado demais em espiar por cima do ombro o lampejo dourado que passara por sua orelha esquerda.
Harry viu-a. Tomado de grande agitação, mergulhou em direção ao rastro dourado. O apanhador de Sonserina, Terêncio Higgs, vira o pomo também. Cabeça a cabeça, eles se precipitaram em direção ao pomo – todos os artilheiros pareciam ter esquecido o que deveriam fazer, pararam no ar, para observar.
-Não! O jogo tem que continuar! –disse James, revoltado.
Lily colocou a mão na perna dele a apertou suavemente, tentando acalmá-lo.
Harry foi mais rápido que Terêncio – estava vendo a bolinha redonda, as asas batendo, disparando para o alto –, imprimiu mais velocidade...
– Ohhh! – Um rugido de raiva saiu da torcida de Grifinória embaixo. Marcos Flint tinha bloqueado Harry de propósito e a vassoura de Harry perdeu o rumo, Harry segurou-se para não cair.
-FALTA –gritaram os marotos e Alice.
– Falta! – gritou a torcida de Grifinória.
Madame Hooch dirigiu-se aborrecida a Marcos e em seguida deu a Grifinória um lance livre diante das balizas. Mas na confusão, é claro, o pomo de ouro desaparecera de vista outra vez. Nas arquibancadas, Dino Thomas berrava:
– Fora com ele, juíza! Cartão vermelho!
-Isso! Cartão vermelho –Lily concordou, sorrindo de forma tensa.
– Isto não é futebol, Dino – lembrou Rony. – Você não pode expulsar jogador de campo no quadribol, e o que é um cartão vermelho?
Mas Hagrid ficou do lado de Dino.
– Deviam mudar as regras, Marcos podia ter derrubado Harry no ar.
Lino Jordan estava achando difícil se manter neutro.
"Então – depois dessa desonestidade óbvia e repugnante..."
-Eu já gostei dele –gargalhou Sirius.
– Jordan! – ralhou a Profa. Minerva.
"Quero dizer, depois dessa falta clara e revoltante...".
-Eu também –riu Remus.
– Jordan, estou-lhe avisando...
"Muito bem, muito bem. Marcos quase matou o apanhador da Grifinória, o que pode acontecer com qualquer um, tenho certeza, portanto uma penalidade a favor de Grifinória, Spinnet bate, para fora, sem problema, e continuamos o jogo, Grifinória ainda com a posse da bola."
Foi quando Harry se desviou de mais um balaço, que passou com perigoso efeito ao lado de sua cabeça, que a coisa aconteceu. Sua vassoura deu uma perigosa e repentina guinada. Por uma fração de segundo ele achou que ia cair. Segurou a vassoura com firmeza com as duas mãos e os joelhos. Nunca sentira nada parecido antes.
-A vassoura foi enfeitiçada –gemeu Lily, abraçando James.
-Isso definitivamente não é bom! Harry pode perder o jogo –Lily lançou-o um olhar raivoso –Ou se machucar feio, claro. Isso é bem mais importante.
-James!
Aconteceu outra vez. Era como se a vassoura estivesse tentando derrubálo. Mas uma Nimbus 2000 não decidia de repente derrubar seu cavaleiro. Harry tentou voltar em direção às balizas de Grifinória; tencionava avisar Olívio para pedir tempo – e então percebeu que a vassoura se descontrolara. Não conseguia virá-la. Não conseguia dirigi-la. Ela ziguezagueava pelo ar e de vez em quando fazia movimentos bruscos que quase o desequilibravam.
-Merlin! –gemeu Lily.
-Parece que esse tipo de coisa só acontece com o Harry –Frank fez uma careta desgostosa.
Lino ainda comentava.
"Sonserina ainda com a posse – Marcos com a goles – passa por Spinnet – por Bell – atingido no rosto com força por um balaço, espero que tenha quebrado o nariz – é brincadeira, professora – Sonserina marca – ah, não..."
A torcida da Sonserina vibrava. Ninguém parecia ter notado que a vassoura de Harry estava se comportando de maneira estranha. Carregava-o lentamente cada vez mais alto, afastando-se do jogo, dando guinadas e corcoveando pelo caminho.
– Não sei o que Harry acha que está fazendo – resmungou Hagrid. E espiou pelo binóculo. – Se eu não entendesse da coisa, eu diria que perdeu o controle da vassoura... mas não pode ser...
-Pode ser, sim! Alguém faz alguma coisa –murmurou Lily, começando a sentir as lágrimas descendo –Meu bebê, meu filho...
De repente, as pessoas em todas as arquibancadas estavam apontando para Harry no alto.
Sua vassoura começara a jogar para um lado e para outro, e ele mal conseguia se segurar. Então a multidão gritou. A vassoura dera uma guinada violenta e Harry desmontara. Estava agora pendurado, aguentando-se apenas com uma das mãos.
-Ah não! Por que essas coisas acontecem com o meu filho? –murmurava Lily –Deve ser para eu morrer do coração.
-Você já está morta –disse Sirius, de forma insensível, recebendo muitos olhares de ódio –Desculpe.
– Será que aconteceu alguma coisa à vassoura quando Marcos o bloqueou? – cochichou Simas.
– Não pode ser – respondeu Hagrid, a voz trêmula. – Nada pode interferir com uma vassoura a não ser uma magia negra muito poderosa, nenhum garoto poderia fazer isso com uma Nimbus 2000.
Ao ouvir isso, Hermione agarrou o binóculo de Hagrid, mas em vez de olhar para Harry no alto, começou a espiar agitadíssima para a multidão.
-Esperto, Hermione –elogiou Frank. Gostava cada vez mais da garota.
– Que é que você está fazendo? – gemeu Rony, o rosto branco.
– Eu sabia! – exclamou Hermione. – Snape. Olhe.
Rony agarrou o binóculo, Snape estava no centro das arquibancadas do lado oposto. Tinha os olhos fixos em Harry e movia os lábios sem parar.
-SNAPE! Eu não acredito –disse Lily, em choque –Como você pôde?
-Lils, não podemos julgar antes de saber da história completa –falou James, tentando acalmá-la.
Ela o olhou com raiva e esperou alguns segundos, antes de respirar fundo e tentar se concentrar na leitura.
-Ok –suspirou, fazendo um aceno para a amiga continuar a ler.
– Ele está fazendo alguma coisa, ele está azarando a vassoura – disse Hermione.
– Que vamos fazer?
– Deixem comigo.
-Primeira vez que eu realmente começo a gostar dela –Sirius disse, apertando as mãos em sinal de tensão –Salva o nosso garoto, Hermione.
Antes que Rony pudesse dizer mais alguma coisa, Hermione desapareceu. Rony tornou a apontar o binóculo para Harry. A vassoura vibrava com tanta força, que era quase impossível Harry se aguentar por muito mais tempo. A multidão se levantara, acompanhava com os olhos, aterrorizada, os gêmeos Weasley voaram para tentar transferir Harry a salvo para uma de suas vassouras, mas não adiantou – toda vez que se aproximavam dele, a vassoura subia mais alto.
-Esses gêmeos são incríveis –Lily disse, emocionada –Tentando salvar nosso filho.
Mantiveram-se em um nível mais baixo fazendo círculos sob Harry, obviamente na esperança de apará-lo se caísse... Marcos Flint apoderou-se da goles e marcou cinco vezes sem ninguém reparar.
-Temos que agradecer aos gêmeos depois –disse Remus –eles realmente se importam com Harry.
– Anda logo, Hermione – murmurou Rony, desesperado.
Hermione abrira caminho até a arquibancada onde estava Snape e agora corria pela fileira atrás dele; nem parou para pedir desculpas quando derrubou o Prof. Quirrell de cabeça na fileira da frente. Ao chegar perto de Snape, ela se agachou, puxou a varinha e disse algumas palavras bem escolhidas. Chamas vivas e azuladas saíram de sua varinha para a barra das vestes de Snape.
-Essa menina é ótima! –elogiou Alice.
-Agora sabemos que ou Snape ou Quireell estava tentando descontrolar a vassoura de Harry, já que Hermione interrompeu os dois –falou Remus, pensativo.
Levou talvez uns trinta segundos para Snape perceber que estava em chamas. Um grito súbito confirmou que Hermione conseguira o seu intento. Recolhendo o fogo num frasquinho que trazia no bolso ela retrocedeu depressa pela mesma fileira – Snape nunca saberia o que acontecera.
Foi o suficiente. No alto, Harry conseguiu de repente voltar a montar a vassoura.
-Graças –Lily suspirou aliviada.
– Neville, pode olhar! – disse Rony. Neville passara os últimos cinco minutos soluçando no casaco de Hagrid.
-Nosso bebê é tão sensível –se derreteu Alice, olhando para Frank, que assentiu sorrindo.
-E empático –concordou Frank.
Harry estava voando rápido de volta ao chão quando a multidão o viu levar a mão à boca como se fosse vomitar – ele pousou no campo de gatas – tossiu – e uma coisa dourada caiu em sua mão.
– Apanhei o pomo! – gritou, mostrando-o no alto, e o jogo terminou na mais completa confusão.
-Isso! Isso! Harry ganhou o primeiro jogo! Ele apanhou o pomo! –urrava James.
-Meu afilhado é incrível –gritou Sirius.
-Meu sobrinho é incrível –gritaram Remus, Frank e Alice em uníssono.
-Meu filho é incrível –comemoravam James e Lily.
– Ele não agarrouo pomo, ele quase o engoliu – continuava a esbravejar Flint vinte minutos depois, mas não fez diferença, Harry não infringira nenhuma regra e Lino Jordan continuava a gritar alegremente o resultado: Grifinória ganhara por cento e setenta pontos a sessenta. Harry porém não ouvia nada disso. Hagrid lhe preparava no casebre uma xícara de chá forte, em companhia de Rony e Hermione.
– Foi Snape – explicou Rony. – Hermione e eu vimos. Ele estava azarando a sua vassoura, murmurando, não despregava os olhos de você.
Todos pararam subitamente de sorrir para olhar para Severo e o fuzilar com o olhar.
– Bobagens – disse Hagrid, que não ouvira uma única palavra do que se passara ao seu lado nas arquibancadas. – Por que Snape faria uma coisa dessas?
Harry, Rony e Hermione se entreolharam, imaginando o que lhe contar. Harry decidiu contar a verdade.
– Descobri uma coisa – falou a Hagrid. – Ele tentou passar pelo cachorro de três cabeças no Dia das Bruxas. Levou uma mordida. Achamos que estava tentando roubar o que o cachorro está guardando.
Hagrid deixou cair o bule de chá.
– Como é que vocês sabem da existência do Fofo?
-Aquele cachorro é de Hagrid? –perguntou Lily, incrédula.
– Fofo?
– É... é meu... comprei-o de um grego que conheci num bar no ano passado. Emprestei-o a Dumbledore para guardar o...
-Hagrid tem um cachorro de três cabeças! –exclamou Alice, arregalando os olhos.
– O quê? – perguntou Harry, ansioso.
– Não me pergunte mais nada – retrucou Hagrid com impaciência. – É segredo.
– Mas Snape está tentando roubá-lo.
– Bobagens – repetiu Hagrid. – Snape é professor de Hogwarts, não faria uma coisa dessas.
Sirius, James, Frank, Remus e Alice deram um olhar nada discreto e desconfiado para o dito cujo.
– Então por que ele tentou matar Harry? – perguntou Hermione.
Os acontecimentos daquela tarde sem dúvida tinham mudado a opinião dela sobre Snape.
-Não que possamos culpá-la –apontou Remus.
– Eu conheço uma azaração quando vejo uma, Rúbeo, já li tudo sobre o assunto! A pessoa precisa manter contato visual e Snape nem ao menos piscava, eu vi!
-Esperta –elogiou Frank, novamente –Gosto dela.
– Estou dizendo que vocês estão enganados! – falou Hagrid com veemência. – Não sei por que a vassoura de Harry estava agindo daquela forma, mas Snape não iria tentar matar um aluno! Agora, escutem bem, os três: vocês estão se metendo em coisas que não são de sua conta. Isto é perigoso. Esqueçam aquele cachorro e esqueçam o que ele está guardando, isto é coisa do Prof. Dumbledore com o Nicolau Flamel...
-Hagrid é incapaz de manter segredo –falou Remus, balançando a cabeça.
– Ah-ah! – exclamou Harry. – Então tem alguém chamado Nicolau Flamel metido na jogada, é?
Hagrid parecia furioso consigo mesmo.
-Eu também estaria –riu Alice. –Acabou o capítulo.
-Minha vez –falou Severo, pegando o livro com a garota.
Todos o olharam com certa desconfiança, mas nada disseram.
