An Unexpected Partner
Capítulo 10 – O Vestido de Noiva
Acordei novamente na minha cama. Confusa e totalmente pronta a voltar a dormir. Mas a incessante batida na minha porta não parecia abrandar e aparentemente foi a mesma batida que me tirou do mundo dos sonhos.
— Bella, acorda – Alice falou.
— Vai embora, Alice – grunhi.
— Acorda Bella, esqueceu que hoje vamos ver os vestidos de noiva com sua mãe?
Puta merda. Eu gemi de tristeza. Sim, eu obviamente tinha esquecido desse detalhe importante. Empurrei as cobertas e me sentei.
— Já me levantei – falei.
Agora a ideia de sair foi uma péssima ideia.
Olhei para o meu cabelo bagunçado, a maquiagem borrada, e a roupa de ontem amassada e balancei a cabeça suspirando. Me despi e rapidamente fui para o chuveiro tomar banho e tirar os resquícios da noite anterior.
Assim que saí do banho eu já estava um pouco mais acordada, mas ainda era cedo demais, e eu havia ido dormir muito tarde. Sequei meu cabelo e coloquei uma roupa quente, e desci as escadas indo para a cozinha onde minha mãe e Alice já estavam prontas tomando café.
— Desculpe, mãe. Dormimos tarde ontem à noite – falei bocejando enquanto me servia de uma xícara de café.
— Sem problemas, querida.
— E ai? Animada? – perguntei.
— Estou comprando um vestido de noiva pela segunda vez na vida, definitivamente é uma sensação diferente – minha mãe falou sorrindo.
— Bom, então vamos comer para podermos ir à caça ao vestido – falei e sorrimos uma para outra antes de terminarmos o café. Assim que terminamos fomos para o carro, mamãe que iria dirigir, ela pegou o carro de Carlisle, um Wartburg 1.3.
Seguimos primeiro para Port Angeles, e caso não achássemos iríamos arriscar Seattle. Não tínhamos hora para voltar para casa hoje, ao que parecia.
A primeira parada foi na Bride's Prime. Uma pequena boutique de noivas muito badalada em Port Angeles. Eu não pude deixar de me sentir tão animada quanto minha mãe e Alice.
Assim que entramos na loja, uma garota chamada Ângela veio nos atender. Ela foi super simpática conosco nos levando para um provador, onde eu e Alice poderíamos sentar e olhar os vestidos que ela traria para minha mãe experimentar.
— Que tipo de vestido você busca? – ela perguntou para minha mãe.
— É meu segundo casamento – minha mãe falou – eu já me casei de branco uma vez, e não quero repetir isso, eu gostaria de um vestido Champagne.
— Certo, algum modelo em específico?
— Não, eu realmente estou aberta para ver todos os vestidos.
— Certo, bom, você pode ir tirando a roupa e eu vou escolher uns vestidos e trago aqui para começarmos, ok?
— Certo – minha mãe falou entusiasmada, Ângela sorriu para nós que estávamos sentadas esperando.
Minha mãe foi para o provador, e eu e Alice ficamos ali conversando enquanto esperávamos Ângela, ela demorou um pouco mas logo apareceu com várias sacolas de vestidos e entrou dentro do provador com minha mãe. Ouvimos as duas conversando um pouco e a excitação aumentou.
Alguns bons minutos depois, Ângela abriu a cortina e o sorriso que eu tinha na boca escorregou. O vestido era... Minha nossa, eu não sabia nem que adjetivo usar.
O corpete em si era a melhor coisa do vestido, ele tinha em formato de coração e delineava a cintura da minha mãe muito bem. A renda era linda, mas era aí que o bonito acabava. Ele tinha mangas longas bufantes que eram tão grandes que parecia que sinceramente dava para minha mãe se esconder entre elas. E a cauda do vestido descia como um bolo, com muitas camadas de tule e cetim.
O conjunto da obra era pavoroso.
Eu olhei rapidamente para o lado para ver a reação de Alice e percebi que sua reação era muito parecida com a minha. Ângela sorria como se o vestido fosse a coisa mais maravilhosa da vida.
— Esse vestido foi inspirado no vestido da Princesa Diana, o estilista valorizou ainda mais os traços mais marcantes do vestido da princesa, é realmente uma obra prima.
Eu mordi os lábios nesse momento para não rir.
Minha mãe parecia que queria rir junto com a gente. Ela claramente estava se divertindo. Eu respirei fundo para evitar rir.
— Acho que não ficou muito bom – falei simplesmente.
— Eu concordo, não valoriza o corpo de Esme muito bem – Alice disse.
— Tem certeza? Ele ficou maravilhoso – Ângela falou confusa.
— O que acha mãe? – perguntei.
— Quero experimentar os outros.
— Ok então – Ângela falou e as duas voltaram para dentro do provador.
E assim 2 horas se passaram voando. Um vestido mais pavoroso que o outro. O que a gente achou bonito, simplesmente não combinava com a personalidade da minha mãe.
Eu e Alice já estávamos puta.
Acabamos por desistir e agradecer a Ângela, antes de sairmos para outra loja.
— Sinceramente, eu não vi absolutamente nada que me agradasse – minha mãe falou frustrada.
— Eu também não gostei muito, mãe, mas não se preocupe que a gente vai achar um vestido.
— Eu não sabia que a moda da noiva estava tão ruim – Alice falou.
— Vamos agora para a Peek a Dress agora. Espero que lá tenhamos um resultado melhor do que aqui.
— Eu também espero.
O caminho até a Peek a Dress foi curto, a loja não ficava tão distante da Bride's Prime. Ficava numa rua movimentada cheia de lojas de roupas. O que foi um saco para achar um local para estacionar.
A loja em si não era tão grande e bonita como a Bride's Pride, e pelo que vi eles não eram especializados em moda noiva, já que tinha todo o tipo de vestido e roupas sociais.
Ao entrarmos na loja já veio uma atendente sorridente em nossa direção.
— Bem Vindas a Peek a Dress, o que podemos fazer por vocês?
— Estamos em busca de um vestido de noiva – minha mãe disse.
— Vieram ao lugar certo, venham! – ela falou e foi até uma sessão da loja onde vários vestidos de noiva estavam em exposição.
Ela começou a mostrar os vestidos, alguns de cara já não gostamos, mas escolhemos alguns para que minha mãe experimentasse. E então nos sentamos no banquinho e esperamos por minha mãe que havia entrado no provador.
O vestido em si seguia o molde da "moda" de noivas. Ele era longo, com uma cauda enorme que se arrastava no chão de cetim, a parte de cima era lisa, sem corpete ele cobria literalmente todo o corpo, ele tinha também gola alta, e mangas bufantes.
Horroroso. Pelo amor de Deus, não tinha um vestido que preste nessa cidade?
Nem precisamos falar nada, porque nem minha mãe gostou do vestido. Ela voltou pro provador e experimentou mais dois antes de desistir da loja.
E então decidimos ir para a última loja de noivas aqui em Port Angeles o Ateliê Siobhan Noivas.
Mas antes paramos para almoçar num restaurante italiano, La Bella Italia.
— Eu amo esse restaurante – falei.
— Lembra quando vínhamos eu, você e seu pai aqui? – minha mãe perguntou sorrindo.
— Claro que lembro, era nosso passeio favorito.
— Olha que legal, eu, meus irmãos e meu pai também vínhamos muito aqui – Alice disse – o ravioli de cogumelos daqui é de morrer.
— É o prato favorito da Bella – minha mãe riu – ela sempre que vem aqui pede ele.
— É maravilhoso – eu falei enquanto me sentava na mesa – eu definitivamente poderia viver comendo isso. E o tiramisù.
— Deuses, sim – Alice falou – eu amo.
— Você é das minhas, Alice – falei.
— Olá, boa tarde – a garçonete falou assim que nos sentamos – aqui está o cardápio. Assim que tiverem uma ideia do que vão pedir só me chamar.
— Não precisa do cardápio, conhecemos bem o menu – minha mãe falou – eu vou querer uma lasanha com molho quatro queijos e um vinho rose.
— Eu gostaria do ravioli a cogumelos e uma coca gelada – Alice disse.
— E eu vou querer o mesmo que ela – falei apontando para Alice e nós duas rimos uma para outra.
— Uma lasanha com molho quatro queijos, e dois ravioli de cogumelos, duas cocas e um vinho rose. Certo?
Nós confirmamos o pedido e ela saiu.
— Sobre o casamento, meninas, eu liguei para o buffet aqui de Port Angeles, e precisamos agendar o dia para virmos aqui e decidir a comida.
— Falou em comer e eu estou dentro.
— Engraçadinha – minha mãe riu.
— Acho que quinta-feira é um bom dia – Alice disse – eu vi também algumas boleiras, e a maioria aqui em Port Angeles também. Temos que vir experimentar. Poderíamos ver de marcar tudo para o mesmo dia.
— Para mim seria perfeito – minha mãe disse.
— Eu só preciso ver que eu devo ter que ir a Seattle essa semana ou na outra. Eu tenho que confirmar quando vai chegar os materiais da clínica.
— Como está indo, sobre a clínica? Jenks já deu algum retorno?
— Ainda não, ele disse que até amanhã iria dar uma resposta. Estamos aguardando.
— Espero que dê tudo certo – Alice disse.
— Eu também, não vejo a hora de começar a trabalhar.
— Eu te entendo, eu nem terminei a faculdade e já quero trabalhar.
— Tudo ao seu tempo, meninas. Vocês vão ver, daqui a pouco estarão pedindo férias – mãe falou.
— O casamento vai ser em La Push?
— Sim, eu já consegui com a prefeitura a autorização, e contratei a Leah Clearwater para organizar tudo.
— Aí vai ser lindo, mas precisamos ver a questão da chuva.
— Ela está vendo tudo isso. A festa vai ser na quadra da escola.
— Você conseguiu a quadra?
— Consegui – minha mãe falou toda orgulhosa de seu feito – foi difícil, mas não impossível.
— Chocada, nunca pensei que eles deixariam. O povo de Forks é tão chato – Alice falou.
Logo a comida chegou e nós passamos a comer e falar um pouco mais sobre o casamento, alguns detalhes da decoração.
Assim que terminamos de almoçar, não perdemos tempo, já pagamos a conta e fomos pro carro e fomos até o ateliê. O ateliê em si, ficava em uma boa localização, mas ele parecia mais uma casa do que uma loja, olhando por fora.
Se não fosse a placa confirmando nossa localização teríamos dúvida se estávamos no local certo. Saímos do carro e seguimos até a porta.
Não tivemos que esperar muito, pois logo a porta abriu e percebemos que o que não parecia como loja por fora, por dentro mostrava que claramente era uma loja.
O espaço era amplo e aberto, com várias araras com sacolas cheias de vestidos, e alguns manequins, prateleiras com acessórios, tudo voltado a moda noiva.
— Olá, sejam bem vindos, sou Mary e vou auxiliar vocês, eu que posso ajuda-las?
— Olá, bom, eu vou me casar mês que vem e estou em busca de um vestido.
— Nossa, um prazo curto então – Mary falou – Bom, você tem algo em mente? Algum estilo.
— Bom, sem mangas bufantes, sem corpetes apertados, sem camadas e definitivamente sem ser estilo princesa. E de preferência na cor champagne.
— Bom, definitivamente bem específica – Mary riu – eu tenho alguns modelos, se puderem me acompanhar.
Ela nos levou até um espaço na frente de um provador, com um sofá azul esverdeado, que combinava com a decoração despojada e colorida da loja.
Tinha um espelho enorme ali, na lateral um provador, e um palanque pequeno circular. Ela entregou um roupão para a minha mãe e pediu para ela entrar no provador e esperar que ela ia selecionar os vestidos.
— Eu estou um pouco mais otimista agora – falei para a Alice.
— Eu também, eu adorei aqui.
Logo uma moça apareceu com duas taças de champanhe, e eu e Alice aceitamos. Depois que ela saiu eu e ela trocamos um olhar impressionado e ficamos esperando.
Logo Mary voltou, e só pelas sacolas de vestido já dava para ver que tínhamos algumas diferenças. Primeiro que não eram sacos absurdamente cheios de tecido. Então já era uma mudança bem positiva.
Não demorou muito para minha mãe sair em um lindo vestido de cetim, esse não era estilo princesa, apesar de ele cair solto nos quadris e ter um pouco de volume, as mangas eram levemente bufantes, não o suficiente para dar a ilusão de bufante, mas o suficiente para ser só um pouco mais soltinho na parte superior do braço e mais justo na parte inferior. O decote era em v, com uma faixa logo abaixo dos seios. Era lindo.
Eu e Alice soltamos um suspiro.
— É lindo – falei.
— Maravilhoso – Alice concordou.
Mary ajudou minha mãe a subir no palanque a virou para o espelho deixando-a se olhar.
— O que acha? – Mary perguntou.
— Eu acho que esse foi o melhor vestido que experimentei até o momento, mas não sei se gosto desse decote.
Mary assentiu.
— Talvez um decote diferente, como em formato de coração? Ou você prefere sem o decote?
— Acho que sem o decote, eu não me sinto muito confortável mostrando tanta pele assim na frente.
— Entendo. Eu tenho uma outra opção, quer colocar?
— Adoraria – minha mãe falou já descendo do palanque e voltando junto com Mary para dentro do provador.
— Essa definitivamente foi uma boa mudança, se tivéssemos vindo aqui primeiro provavelmente já teríamos achado o vestido – falei.
Alice concordou, fazendo uma careta.
— E teríamos sido poupadas de ver tantos vestidos horrorosos.
Logo minha mãe saiu com um novo vestido e eu senti meus olhos encherem de lágrimas. O vestido em si era simples. Sem mangas bufantes, mas ainda com mangas cumpridas, o decote era inexistente, indo de ombro a ombro. Cobrindo totalmente seu torço, tinha uma pequena faixa na cintura e caia se moldando ao seu corpo. Ele não era um vestido justo, ele tinha seu movimento, um deslizar elegante. Quando ela subiu no palanque e virou de costas para nós e eu pude ver as costas cobertas por uma renda delicada. Eu não sei para ela, mas para mim esse definitivamente era o vestido.
Eu enxuguei uma lágrima.
Nunca havia visto minha mãe tão deslumbrante como naquele momento. E o olhar sonhador em seu rosto.
— Meu deus mãe, esse vestido... – falei quase sem fôlego – ele é... Nossa, eu não tenho palavras. Você está deslumbrante. Absolutamente deslumbrante.
— Esme, esse vestido é um sonho – Alice suspirou – eu estou absolutamente em choque. Ele é perfeito. Como se ele tivesse sido feito para você.
Minha mãe parou alguns minutos sem responder só olhando no espelho e percebi que ela estava emocionada assim como nós duas. Eu sorri para ela.
— Você quer se casar nesse vestido, mãe?
— Quero – ela respondeu – Esse é o meu vestido.
— Então pronto – falei – esse é o seu vestido.
— Quer pôr o véu?
— Adoraria – minha mãe disse e Mary saiu por alguns instantes e quando voltou ela tinha um lindo véu que combinava com o vestido ela o colocou na minha mãe e podemos ver o visual completo.
— É perfeito – falei.
Linda. Deslumbrante.
— É esse! – minha mãe falou.
— Perfeito – Mary disse – fico feliz que tenha encontrado o seu vestido.
A partir desse momento, tudo foi decidido. O vestido foi comprado e combinamos também o modelo do vestido das madrinhas, ao que parece minha mãe já tinha um segundo vestido e queria que o vestido das madrinhas seguisse o mesmo estilo na cor azul claro.
Mary tirou minhas medidas, e medida de Alice, e falou que precisava que as outras madrinhas viessem o mais rápido possível para fazer as medidas. Para providenciar os outros vestidos. Eu nem sabia que iríamos ver nossos vestidos agora, mas ao que parece nós vamos, os vestidos da madrinha iriam ser uma versão azul bebê do vestido usado pela Jennifer Grey na cena final de Dirty Dancing.
E lá vamos nós com mais referência ao filme.
Mas eu não iria reclamar, já que estávamos todas nós felizes pelo dever cumprido e o vestido belíssimo escolhido. Uma coisa a menos e em breve seria o casamento.
O tempo passava cada vez mais rápido.
