Corro pelos corredores, meu coração martelado contra as minhas costelas. Mais uma nova maratona de corrida desde que cheguei.
As vezes tenho a impressão que corri por toda a minha vida, sem nunca parar, nunca descansando. O perigo sempre espreitando a cada esquina aonde estávamos.
Mas não era surpreende, quando se é melhor amiga de Harry Potter, vem pacotes incluso.
Lorde das trevas, Basilisco nos canos, Comensais no Torneio.
Mas uma coisa posso dizer, minha vida nunca foi monótona ou chata. Nunca se para com as trevas respirando no seu pescoço.
Finalmente encontro a sala de aula na ala leste e entro para encontrar quase vazia. Ainda falta uns minutos para o início da aula, não é nenhuma novidade que os alunos mais atrasados são os da Grifinoria e Lufa-Lufa.
Passo por dois alunos da Lufa-Lufa que estão conversando e vou para o fundo da sala. Percebendo que eles pararam de conversar instantaneamente e tento não revirar os olhos, mantendo a cabeça baixa.
Hermione Granger era conhecida por muitas coisas.
A aluna mais inteligente da sua idade.
A melhor amiga de Harry Potter.
A garota do trio de Ouro que enfrentou Voldemort e viveu pra contar histórias.
A garota com o cabelo muito, muito espesso.
Uma Lagarta da biblioteca. Acompanhante de Viktor Krum.
Mas nunca, nem em um milhão de anos, pensei que seria conhecida como a garota mais disputada do mundo mágico.
Eu não sou boba de pensar que é por causa da minha beleza comum ou por minha inteligência acima da média, não,
Eu sei que é por causa do meu novo nome, meu nome fingido, emprestado pra dizer melhor.
Essa é uma das muitas coisas que tive que aguentar desde a minha excursão ao passado. Parece até piada.
Mas a pior coisa que eu tive que aguentar quando cheguei aqui, esta entrando agora na sala de aula.
"Ei Rabicho! Eu sei que você roubou meu chocolate belga. - Sirius apontou um dedo acusador para Peter.
- E você sabe o que é chocolate Belga pra começar, Sirius? - Remus mordeu de volta com um sorriso relaxado no rosto. Tive que conter umas lágrimas que queriam vir a tona com a cena.
Esse Remus, esse lado dele, tão feliz, tão confortável na própria pele. Era inédito pra mim. As vezes eu só tenho que piscar os olhos e o velho Remus vai sobressair em cima desse, seus olhos tão desolados, sem esperança no mundo. Odiando seu próprio ser, querendo sufocar esse lado até a morte e fazendo isso, estava matando a si mesmo.
Mas não esse, esse era feliz, esse ria constantemente, até fazia brincadeiras infantis e bem chatas com os outros Marotos.
"E se eu não souber? foi um presente da minha garota. - Ele enviou uma piscadela a uma garota aleatória na sala e eu revirei os olhos em descrença.
Veja bem, eu sempre soube que Sirius Black era um mulherengo de primeira, ele não fazia questão de esconder isso, até se gabou durante as férias que passei na mansão Black.
Mas ver de primeira mão, era indescritível. Quer dizer, toda vez que eu me deparava com ele, uma garota diferente ocupava seu Lugar.
Ainda fico surpresa que ele não pegou uma doença sexual ou algo assim.
- Qual delas? - James resolveu entrar na brincadeira, achando graça toda vez que Sirius rangia na direção deles.
Minha mão voou em direção ao meu peito, meu coração ardendo, doía. Toda vez que eu olho pra ele, dói como o inferno.
Harry Potter, sempre foi a pessoa que eu mais amei nesse mundo.
Ele foi meu primeiro amigo, minha primeira esperança. Ainda recordo na primeira vez que o vi no trem, era tão pequeno, tão encolhido no banco. Parecia que queria desaparecer dali, como se não merecesse seu lugar. Pra uma mente super rápida, eu fui tão burra, nunca ligando os pontos. O assustei ainda mais naquele dia, e quando ele me salvou, provando que a força pode vim até da pessoa mais assustada e inadequada, eu percebi, naquele momento, que faria tudo pra ele, que eu iria retribuir o favor algum dia.
E retribuir, várias e várias vezes depois disso. Sempre salvando um ao outro, se colocando em perigo, não importando o que.
Harry era uma droga pra mim, uma que eu tomava com frequência. Eu sou tão dependente dela que mesmo aqui, a anos de distância, sinto que poderia morrer.
Constantimente eu olho por cima dos ombros, procurando aqueles olhos verdes tão gentis, olhando para me como dois faróis de esperança, alimentando o fogo em minhas veias.
Sua voz era como um balsamo nos dias estressantes, sempre pedindo para parar de estudar um momento para relaxar, viver um pouco. Seu sorriso era fácil.
Sempre tão cheio de dentes, transmitindo exatamente o que ele estava sentindo no momento.
Harry nunca foi mal, mesmo que as vezes fosse ácido e um tanto debochado e condescendente. Mas nunca mal com ninguém, exceto, talvez, Draco Malfoy. Mas honestamente, quem podia culpa-lo? Quando Draco fez de tudo para tornar sua vida difícil desde o começo, com sua voz zombeteira e seu sorriso asqueroso.
Um conselho para os bons. Nunca, em hipótese alguma, se apaixone pelo seu melhor amigo. Ainda mais se esse amigo for um herói, um farol de esperança para o mundo. Você não vai conseguir abandona-lo nunca, seu amor não vai permitir.
Então você vai ficar ansiosa para cada momento dividido com ele, suas pernas vão falhar quando ele entrar na mesma sala que você. Seu coração vai bater mais rápido e sua mão vai começar a suar quando ele tocar alguma parte sua.
Vai ficar tão atenta a cada movimento dele, seus sentidos estarão ligados no máximo, audição só pra ouvir sua voz. Tato só pra sentir seu toque, ficando atenta ao mínimo contato, sua cabeça rodando em um ângulo, tentando entender se tem algo a mais ali, sua mente vai começar a te pregar peças.
Seu toque significativa que ele queria senti-la tanto quanto ela queria?
Aquele abraço, foi mais do que amigável? Durou uns segundos a mais...
E é ai que a coisa fica feia. Você vai se tornar algo que não conhece mais, todos os momentos, sua mente vai criar cenário entre você e ele. Coisas que não são reais, mas você não consegue parar.
Por quê é tão bom. Sonhar é melhor que a realidade de ser rejeitada.
Então a ilusão não é o suficiente, seu coração pede mais, seu corpo, vibra, imaginando beijando a boca dele. Suas mãos bagunçando os cabelos negros, admirando as pupilas dilatadas de desejo e amor.
Então eu beijei, foda-se tudo, eu quase morri, e ele literalmente morreu de verdade.
Mas não era ele, era o pai dele e então, toda a merda foi jogada no ventilador.
Eu, Hermione Granger, beijei James Potter. O pai do meu melhor amigo.
Eu teria rido se o desespero não fosse tão esmagador na hora.
E então aqui estou eu, no passado, bem próxima da Primeira-Guerra Bruxa. Como se não bastasse ter acabado de sair de uma.
Meus braços ainda sangrando e ardendo como o inferno por causa da maldição que foi colocada na faca. É como dizem, a casa Black tem seu jeito especial de deixar sua marca em alguém.
Respiro fundo, praticando o exercício que fiz com Dumbledore quando a pressão das lembranças fossem demais. É engraçado aprender um método tão mundano de um dos maiores bruxos da História.
Como sempre o professor está atrasado novamente. Ele é um completo inútil, isso não é novidade. Já tentei falar com Dumbledore mas ele falou que nesses tempos sombrios, quase ninguém está disposto a ensinar DCAT.
Isso era como assinar uma sentença de morte e colocar na testa com os dizeres "Me mate".
Por conta disso, na próxima semana, vai ser enviada Aurores para lecionar, cada um revezando toda a semana.
Ele entrou na sala de forma desengonçado, seu quadril bateu com força contra a mesa, causando um estalo no ar assustador.
Ele forçou um sorriso no rosto redondo, seu bigode balançando com o vento invisível. Seus olhos eram como amêndoas, bem pequeno e fundo no crânio grosso.
Minha aversão com ele foi instantânea, mesmo ele sendo claramente um tapado. Os professores de DCAT não foram exatamente confiáveis.
O primeiro foi um servo das trevas que tinha o próprio Voldemort fundido na própria cabeça
O segundo era um tapado que não ganharia uma batalha nem da própria sombra. Além de um charlatão de primeira, e pensar que eu tive uma queda por ele...ugh.
O terceiro foi um lobisomem, não me entenda mal. Remus Lupin foi o melhor professor que eu já tive, tão carismático e inteligente. Mas nunca pensei que ele fosse um lobisomem, é só mais um segredo sombrio para se juntar a lista.
O quarto ano foi um Comensal se passando por um Auror, Alastor Moody. Além de ter enganado a todos, ele ainda fez grande parte do esquema de trazer Voldemort de volta; Sabotando as provas e enviado Harry ao Cemitério Maldito.
O quinto ano foi a Sapo Velha. Desde aquele dia, tudo que tinha de rosa foi completamente eliminado do meu quarto. Não podia nem olhar um tecido sem querer vomitar.
Toda vez que lembro dela e o que ela tentou fazer com Harry, sangue sobe a minha cabeça e eu tenho que me segurar pra não azarar alguém.
O sexto ano, não preciso nem falar, duas palavras já dizem tudo.
Severus Snape.
"Bom dia, Alunos. - Ele salda com sua voz que parece entupida com carrato. - Vamos começar com umas perguntas básicas hoje.
Tento não revirar meus olhos e falho miseravelmente. Veja bem, eu adoro estudar. Mas eu já passei esse ano na escola com Harry e Ron no meu tempo. Estudar é inútil se não reter informações novas.
Mas Dumbledore insistiu que eu deveria se misturar e por isso, tenho que aguentar calada.
"Qual o propósito do feitiço Cave Inimicum? -
Remus levanta a mão imediatamente seguido por três alunos, dois da Lufa-Lufa e outra da Grifinoria.
"Sim, Senhor?..."
"Lupin, Professor.
"Muito bem, qual a sua resposta meu jovem?-
"Esse feitiço cria uma "barreira" protetora em volta de algum lugar, que não permite quem esteja de fora dessa barreira veja o que acontece dentro da mesma. Porém, cheiros e barulhos podem ser sentidos e ouvidos. -
"Muito bem meu jovem! 5 pontos para?...-
- Grifinoria Professor.
"Grifinoria! Que grande dia. - E bateu palmas como se estivesse em uma festa infantil.
Céus, como Dumbledore arruma essas pessoas. Será que ele foi pegar no portal do submundo? Não é possível que uma pessoa tenha um dedo tão podre.
Finalmente depois de 40 minutos infernais, essa tortura acabou.
Junto as minhas coisas com pressa, quero sair correndo logo da sala antes que os perseguidores desafortunados tenham a chance de se reagrupar.
Na minha presa, não presto atenção a minha frente e acabo batendo de frente com costas largas.
"Aí! - Resmungo do chão. Tudo está indo de mal a pior a cada segundo.
"Nossa me desculpe. Aqui, pega minha mão. - Fecho os olhos com força, meu sistema congelando, incapaz de funcionar direito.
É sério mesmo? Meu Merlin.
Tantas pessoas nessa sala, tantas e eu tive logo que bater na única que estou evitando como uma praga.
Não acredito em destino, mas se acreditasse, acharia que ele está me pregando uma peça.
Uma daquelas de terror.
"Ainda tá ai? - saio do transe e subo os olhos para encontrar pupilas castanhas e quentes olhando pra mim. Um sorriso malicioso puxando os lábios finos. Desde que cheguei aqui, tenho a nítida impressão que um sorriso foi costurado na cara dele.
Mesmo quando ele não está sorriso, seu rosto, indica que sim. Como se estivesse congelado naquela expressão.
"Estou, voei por uns segundos. - Respondo e aceito sua mão para levantar.
"Você está bem? Se machucou? -
"Não. Só um pouco dolorida da queda, mas vou ficar bem. Sem alarde. - Abaixo a mão pra tirar um pouco de sujeira da minha perna.
Volto minha atenção para ele e vejo seus olhos vidrados, seu olhar seguindo a linha da minha meia aonde acabei de limpar.
Pelo canto do olho, vejo Sirius, Remus e Peter (tento não prestar muita atenção no último) com sorrisos travesso no rosto.
- Estou bem aqui, Potter. - Estalo os dedos na sua frente. Ele balança a cabeça como se acabasse de acordar, seu rosto ganhando um adorável tom de vermelho vibrante.
Bom. Quem diria que James Potter Seria um Sirius 2.0 na vida? Sempre visando as pernas das garotas?
"M-me desculpe. - Ele gagueja um pouco, seus dedos puxando os fios da cabeça em um tique nervoso.
Minha garganta fecha imediatamente, minha mente acelerada, mostrando meu Harry no lugar. Todas as vezes que ele fazia bobagem e chegava todo nervoso pedindo perdão.
Meu coração se despedaça com as lembranças.
Sem perceber, um rastro de lágrimas escorre pela minha bochecha.
"Ai meu merlin! Por favor, não chora. Foi sem querer, eu juro. Faço qualquer coisa pra compensar, por favor, não chora. - Suas mãos começam a agitar sem saber o que fazer, seus óculos tortos no rosto. Ele parece um peixe fora d'agua, se debatendo sem parar.
Não consigo evitar, começo a ri da situação. Seu rosto é impagável!
Ele para de se debater quando escuta minha risada. Seu rosto em descrença.
"E agora você tá rindo! Eu oficialmente nunca vou entender as mulheres. - Ele joga as mãos para o alto. - Você está bem mesmo? Talvez esteja em choque por causa da queda, será que bateu a cabeça?
"Eu estou bem! - afirmo em reposta. Tudo que quero é sair dessa situação o mais rápido possível. - Agora eu vou indo.
Saio praticamente correndo, passando pelos marotos pasmos.
"Espera, você..." Não escuto a última frase quando saio da sala.
Só mais uns dias, Hermione. Aguente só mais uns dias.
