Algumas semanas mais tarde
Chloe e Lucifer estavam cada vez mais próximos, às vezes, quase inseparáveis. Eles estavam na biblioteca há algumas horas e o fogo que queimava alto na lareira aqueceu rapidamente a divisão que se tornava cada dia mais fria com a chegada do inverno. Ele acompanhava-a em praticamente tudo. Os sentimentos que ele começou a sentir por ela apenas se intensificaram, mas ele não queria admitir. Ele tinha medo de 'cair' novamente. O pior de tudo é que ele sabe que desta vez será devastador porque não pode aceitar a desaprovação daquela humana tão especial. Em vez disso ele abraçou a amizade que a Chloe encorajou. Todos os momentos que estavam juntos para ele eram como se fosse o último, ele vivia com intensidade e alegria junto dela. Ele não queria perder nada disso. Ela era genuína nos seus sentimentos e pensamentos. Todo o medo que ela tinha desapareceu e agora ela já não olhava ou agia de forma diferente com ele. Todos os muros estavam lentamente a ser ultrapassados.
Chloe riu imenso quando o Lucifer lhe contou a história dos bodes. "Não teve piada." Ele disse com tom sério, mas no fundo ele estava feliz por a ver tão alegre. Algo no seu sorriso era tão puro e adorável.
"Oh… teve sim." Ela continua a rir enquanto se encosta mais no sofá.
"Eu vou-te dar uma razão para rires."
"O que…?" Ela não teve tempo para terminar a pergunta, ele estava sobre ela fazendo-lhe cócegas na cintura. A respiração dela ficou ainda mais irregular enquanto tentava se ver livre dele. "Por favor… pára… pára!" Ele era muito mais forte do que ela então não se livrou dele. Mas ela também não parecia estar a fazer um grande esforço. Eles estavam tão perto, ela só percebeu isso quando ele parou e ela olhou diretamente nos olhos dele. Ele não estava a mais de um palmo dela. Tão perto que a respiração de ambos se misturava. O perfume almiscarado do Lucifer tão intenso quanto ele. "Lucifer…" Ela sussurrou ainda respirando com força.
Para o Lucifer era o cheiro dela, tão puro e selvagem, ela não usava perfume apenas o sabonete de rosas habitual e o cheiro da lavagem da roupa. Era autenticamente ela, tão deliciosa… ele adorou. Hipnotizado nela ele aproximou-se ainda mais, mas não tocou os lábios dela. Ele não se atreveu. Ela não se moveu. Ficaram assim por alguns segundos antes que ele beijasse a sua testa e se afastasse, saindo da sala sem qualquer desculpa.
Ela ficou confusa. Porque ele não a beijou? Era a pergunta pendente na sua mente. Eles estavam tão perto, ela teria permitido que ele a beijasse se assim quisesse. Ela recostou-se tentando acalmar o seu coração enquanto olhava para a chama que crepitava à sua frente na extensa lareira. Ela olhou para cima, lá estava ele. Os lindos olhos castanhos pareciam olhar diretamente na sua alma. Quase tão intenso quanto o seu olhar de fogo. Ela render-se-ia aos seus desejos, se era ela que ele desejava. Ela tentou afastar o pensamento, mas a verdade é que a cada dia a preocupação dela crescia. Ele parecia visivelmente bem, as feridas tinham sarado, mas não havia nada a fazer em relação à estrela. Então cada dia podia ser o último e o coração dela apenas apertou mais com o pensamento, ela não queria perder o que estava a crescer entre eles.
"Eu quase a beijei Linda." Lucifer parecia um lunático a andar de um lado para o outro no quarto.
Linda estava sentada numa poltrona junto à lareira do quarto e olhou para ele. "Como isso te fez sentir?" Ela perguntou.
"Foi celestial estar tão perto dela, mas esse não é o ponto… ela não me afastou."
"Isso são ótimas notícias!"
"Eu não sei o que fazer."
"Nada de pânico. Tu sabes que ela gosta de como te abres para ela. Aceita tudo o que ela tem para te dar, talvez ela seja a tal." Linda diz.
"Eu não quero sofrer com essa falsa esperança. Eu não lhe posso contar como a maldição funciona, pode ser demais para ela. Eu não quero que ela pense que a estou a manipular ou usar com segundas intenções."
Linda suspira. "Apenas fica perto dela e deixa acontecer."
Lucifer concordou antes de sair do quarto e descer as escadas. A porta da entrada estava aberta e vozes altas eram ouvidas lá fora.
"Viemos matar a besta!" Daniel diz seguido por um grupo de pelo menos trinta homens.
"Não! O que pensam que estão a fazer?" Um homem forte pegou a Chloe desprevenida e agarrou-a.
"Ela esta enfeitiçada pelo monstro."
"Não! Não lhe deem ouvidos!" Chloe protestou tentando ver-se livre do homem que a mantém presa.
Lucifer avanço na esperança de conseguir ajudar a Chloe, mas o grupo viu-o. "Vejam o Diabo! Matem o MOSNTRO!"
"NÃO!" Chloe conseguiu se libertar do homem atingindo-o na sua masculinidade. Essa foi a sua oportunidade para correr para o interior. Os homens correram atrás dela, mas ela fechou a porta bem a tempo. Isso não iria deter os homens por muito tempo.
"Lucifer! Sobe! Vai para o quarto, fica seguro." Ela diz tremendo.
"Não vou a lugar nenhum." Ele diz.
"Tu és vulnerável!" Ela diz com medo.
"Ela tem razão!" Ella diz empurrando mobília para manter a porta.
"Vem comigo." Chloe concordou e os dois subiram.
A tensão no quarto era cada vez maior. Eles ficaram em silêncio enquanto tentavam ouvir o que estava a acontecer no piso inferior. As emoções que ele queria partilhar com a Chloe agora esquecidas pela preocupação da invasão.
"Achas que eles vão conseguir chegar aqui?" Ela pergunta.
"Não sei, talvez tentem queimar o palácio seria o mais lógico… e não seria a primeira vez." Diz Lucifer. Ele olhou para ela. "Se eles chegarem aqui, fica fora do caminho. Aconteça o que acontecer."
"O que queres dizer? Queres que eu não faça nada se te tentarem matar?" Ela pergunta.
"É mais seguro, tu não tens de sofrer."
"Mais seguro?" Ela quase ri. "Se algo te acontecer vou sofrer de qualquer forma." Ela diz com sinceridade. "Eles vão fazer o que quiserem de mim, podem-me matar, mandar-me para um asilo ou o Daniel finalmente conseguirá a sua querida esposa." Ela reflete. "Nada de bom virá." Ela diz olhando para o nada.
Ela olha para além dele. A porta abriu atrás dele ou foi impressão dela? "Lucifer!" Ela corre para o empurrar, uma besta estava apontada a ele. Daniel lançou a flecha e acertou.
"CHLOE! NÃO, NÃO, NÃO!"
