ANTERIORMENTE...

- Ouvi sobre fogueiras. Vão queimar algumas bruxas em alguma aldeia pela região. - ele continuou.

- Bruxas?

- Sim, bruxas. Entendi que foram coletadas desde o reino de Hogwarts, durante todo o caminho, até a aldeia. Vão queimá-las dentro de alguns dias. - ele deu uma mordida na maçã olhando para a ruiva.

- E você jura que não achou estranho Sirius ter ficado abalado com essa notícia? - ela perguntou incrédula.

- Eu não disse que não achei estranho. Eu não tenho dúvidas de que ele deve conhecer alguém que esteja entre elas

(...)

- Acho que devo me apresentar. Perdoem minha falta de tato. – O homem se curvou um pouco sem tirar seu sorriso do rosto. - Sou Rodolphus. Barão Rodolphus Lestrange.

(...)

- Bom, o Duque acaba de voltar de uma longa viagem e estará realizando comemorações para sua volta e com suas realizações em Hogwarts, com o Novo Rei.

(...)

- Eu insisto. – Sim, você faz, pensou James. – Um fim de semana inteiro de festividades e finalizando com uma grande fogueira com várias bruxas resgatadas em nosso caminho. Eu creio que como o Sir que é, gostará de ver.

Os dois, James e Lily, agora pareciam ter sua atenção completamente voltada para os interesses desse homem. Eles estavam indo de encontro a exatamente isso, a grande fogueira das bruxas no vilarejo próximo. Quais as chances de não precisarem invadir o lugar ou fazer o que quer que Sirius fosse fazer, e acabar entrando como convidados?

(...)

Quando foi solta e estava retornando para James, sentiu que tremia.

Foi pega nos braços dele, mas ele nada falou. Continuaram a dançar e sabia que a música estava acabando. Aquilo a estava matando. Por que decidira ficar mudo agora?

- O que dizia? - Ela perguntou quase petulante.

A música acabou. James sorriu e fez uma reverência para ela, assim como todos os cavalheiros que dançavam fizeram para seus pares. Quando ele levantou, ainda sorrindo, ela podia dizer que não tinha mais coração. Aquela espera era agoniante.

- Dizia sobre a senhorita me abalar tanto quanto uma mulher pode abalar mesmo o mais corajoso dos homens.

(...)

Não, ele era muito grande, mas também por estar bem acima do peso. E o pior: ele comia Lily com os olhos como se ela fosse sua próxima refeição.

- Fico contente que tenham aparecido.- Lestrange sorria, mas era um sorriso completamente falso. - Este é o Visconde Goyle. Têm grandes negócios com Duque Malfoy e, particularmente, com minha família e até mesmo com o Novo Rei.

(...)

- Remus, é o Novo Rei. O que ele faz aqui? Eu...são muitos Comensais. Creio que Severus também está.

- Não tem importância. Não será pega. - Remus a soltou e segurou a própria cabeça com as duas mãos. - Quando o Novo Rei faz esse tipo de aparições, ele não fica por muito tempo. Ouvi que Duque Malfoy o prestigia muito e faz muito pelo Novo Rei, então deve ter o convidado apenas para agradar.

As palavras dele pareciam reconfortantes, mas sua pose dizia o contrário.

- Remus, eu preciso sair daqui. Mas preciso ficar para ajudar.

- Não se preocupe, Lily. Venha comigo. Eu estava prestes a ir até uma passagem secreta que descobri através de um contato. Acho que dará nas celas ou o mais perto possível. Assim ficará fora de vista de todos.

(...)

Enquanto James desaparecia por trás de uma das cortinas, Lily se enfiou embaixo das grandes cobertas e se ajeitou no travesseiro. Tentou focar a visão no fogo em frente da cama e deixar o quarto parar de girar. Conferiu se James não estava visível antes de se virar para a porta.

- Entre!

Uma mulher com vestes de trabalho entrou. Ela sorriu para Lily e deu uma olhada no aposento antes de ir até a cama.

- Me desculpe, madame, eu fui instruída a conferir se está confortável. Necessita de algo?

- Não, estou ótima. Estava prestes a dormir.

(...)

- O que irá fazer? - Lily perguntou voltando o olhar para a mulher.

- É apenas algo estimulante. Os serviçais sempre usam após uma noite de muita bebida.

O frasco foi aberto e tinha um cheiro agradável. A mulher fez menção de usar em Lily e esta concedeu, sabendo que estava segura com James por perto. Fechou os olhos e sentiu as mãos em seu rosto, rodeando seus olhos, suas têmporas, seu nariz, ao redor de sua boca.

(...)

- ...saia daqui! Não me faça te jogar pela janela!

Era a voz de James e estava muito alterada. Lily tentou abrir os olhos, mas ainda não conseguia. O que estava acontecendo?

- O que faz dentro do quarto da dama?

Era a voz de outro homem, mas não conseguia reconhecer, pois estava muito abafada. Ou parecia que tinha algo prendendo a garganta do homem, o impedindo de falar direito.

- Ela é minha irmã e isso não lhe diz respeito! Saia antes que eu tenha que puxar minha espada para você novamente.

(...)

James suspirou por um momento e ficou em silêncio.

- Eu não acho que tenha sido o vinho. Isso me parece sinais de outra coisa.

- Doente? - ela perguntou. Esperava que fosse o vinho, tudo menos doença. Nunca havia sentido isso e nunca havia bebido como essa noite.

- Não. Desconfio de algo, mas durma agora. Descanse e pela manhã pode estar melhor.

Foi a vez de Lily suspirar.

- Quem era? O que queria?

- Shhh. Amanhã conversaremos, ok? Durma. Eu vou estar aqui!

- Lado? - ela perguntou já quase entrando no sono novamente.

- O quê?

- Ao meu lado? - ela tentou novamente.

O calor do corpo de James de repente a pegou desprevenida. Ele estava muito perto, provavelmente deitado ao seu lado.

- Sempre!


A luz do dia parecia violenta para seus olhos. Sentia o calor de um sol fraco em seu rosto...e um calor muito grande em seus braços.

Abriu os olhos devagar, sentindo uma grande dor de cabeça e os fechou rapidamente. Nunca mais beberia vinho, ou nunca mais beberia vinho em uma festa como aquela. Aquilo era violento demais, fazia com que Lily se sentisse podre por dentro e...

O calor forte em seus braços respirou fundo. Sentiu que havia pernas enroladas nas dela por baixo do grande cobertor.

Ela não era estúpida. Céus, ela sabia, ou melhor, lembrava um pouco do que havia acontecido. E aquele calor era James. Aquelas pernas eram de James. James dormindo com ela na mesma cama, como se ela fosse uma meretriz ou uma amante.

Algo mais acontecera? Tentou não se mover muito enquanto tentava passar todas as lembranças pela cabeça, como tudo aconteceu e até onde estava acordada.

Sim. Algo de muito errado aconteceu com ela durante a noite e alguém tentou invadir o quarto.

E diabos, ELA estava abraçando James. O abraçava como se fosse um polvo: seu braço direito por cima da cintura dele, as suas pernas estavam para frente, emaranhando-se nas deles.

Ela conseguiu abrir os olhos. Levantou o braço do corpo dele vagarosamente. Ela constatou que conseguia se mover normalmente, então estava bem. O que quer que fosse o problema dela durante a noite, já havia passado.

- Bom dia.

Ela se assustou com aquela voz grave e pulou para fora da cama. Ele não estava dormindo? Estava pronta para planejar como escapar daquela situação embaraçosa sem acordá-lo.

James se virou para ela. Os olhos castanho esverdeados estavam pequenos do sono, seu cabelo mais bagunçado do que o normal e portava um sorriso encantador e divino.

Já Lily tinha certeza que ela mesma parecia um monstro nesse momento.

- O que aconteceu? - ela balançou a cabeça e se arrependeu logo em seguida com a dor. - Digo, eu sei o que aconteceu, mas...

- Sabe? - ele se apoiou no cotovelo e continuava a sorrir.

- Sei. Digo...- ela começou a ficar desesperada. - Não sei?! Algo muito errado aconteceu e eu não sei?

James riu e se sentou na cama, fazendo o lençol cair em sua cintura, tampando apenas o necessário e fazendo Lily perceber que ele não vestia completamente nada. Lily se virou de costas.

- Está nu? Dormiu nu comigo?

Como um reflexo, ela olhou para si e percebeu que ainda vestia a camisa dele.

- Aquelas roupas são terríveis para dormir. - Ele começou. - E nada aconteceu, Lily. Obviamente que não. E isso não é algo errado, apenas natural. Se houvesse acontecido, teria sido algo natural, mas com certeza a senhorita estaria acordada e...

- Sim, senhor James. Algo natural para os casais que entraram no matrimônio, ou amantes ou meretrizes. - Ela disse ainda de costas para ele.

Ela ouviu quando ele levantou da cama pelo deslizar do lençol. Seu coração começou a entrar em cena, quase a matando. Ele agora andava nu pelo quarto em que ela também se encontrava. O quão longe eles estavam chegando com essa loucura toda?

- Sabe...- ele estava atrás dela, muito perto. - Ainda espero ver um mundo onde as coisas naturais do ser humano não sejam consideradas atos tão chocantes e destinados apenas para um público específico. Algo tão natural e prazeroso deve estar ao alcance de todos e sem julgamento.

O que ele queria dizer? Céus, ele estava nu e muito perto. Não sabia o que pensar ou compreender muito as palavras dele.

- Não concorda? - a voz rouca dele só piorava a situação. Ela tentou focar nas palavras dele e responder sem parecer uma idiota.

- Diz então que quando casar, não espera que sua mulher seja pura e intocada?

Ele ficou em silêncio. James era tão silencioso que mal sabia se ele ainda estava no quarto. Estava a ponto de se virar quando sua voz, ainda muito perto, a alertou a continuar de costas.

- Eu não espero que ela seja pura e intocada. Mas eu ficaria extremamente enciumado no caso da senhorita se casar comigo, mas ter sido de outro homem antes. - Jesus, o que? - Vai contra o que penso sobre a liberdade, mas sim, eu ficaria completamente louco em saber disso e faria todo o possível para fazê-la esquecer que qualquer outra pessoa esteve com a senhorita antes.

Estava completamente sem reação. Seu peito doía e suas mãos tremiam. Doía até respirar. Sabia que não conseguiria andar sem cair, então apenas continuava a encarar a parede, sem dizer uma única palavra.

Aquilo era...aquilo foi...não sabia. Eram muitos pensamentos sobre aquela conversa que a deixavam sem ar. Pensava em como sua frase foi possessiva, quase como se ela fosse dele. Mas não podia negar que o que lhe chamou a atenção foi o fato dele poder fazer algo que a faria esquecer qualquer coisa de sua vida. Algo que seria tão bom, que a faria esquecer qualquer outra experiência anterior.

Aquele pensamento lhe tirou um pouco do fôlego.

- Como me faria esquecer que estive com qualquer outra pessoa? - ela perguntou num sussurro. Quando se deu conta que realmente havia dito aquilo, torceu para que tenha sido baixo o suficiente para ele não escutar.

Mas um sopro em seu ouvido a fez lembrar de que ele estava muito perto, perto o suficiente para sentir o corpo dele tocando na camisa larga que ela usava e para ele ouvir perfeitamente o que ela havia perguntado.

- Quando fizer o pedido certo, saberá.

Maldito fosse James. Ele deveria saber que ela não se contentava com meias respostas, que ele a faria perguntar e ir até o fim. Lily chegou a pensar em deixá-lo sem essa vitória, mas ela simplesmente não conseguia.

- Qual é o pedido certo? - ela mesmo se xingou por ter entrado na dele.

Ela queria ouvir uma resposta precisa, mas tudo o que ganhou foi uma pequena risada soprada em seu ouvido. E apenas percebeu que ele se distanciara quando ouviu a ação dele pelo quarto. Pelo barulho, ele vestia as calças.

- Temos que encontrar Sirius e Remus. - ele disse com a voz no tom normal, a fazendo acordar para a vida.

- Sim, sim. Temos. - Respondeu rápido. - Já está vestido?

- O máximo que posso.

Ela se virou e viu que ele estava vestido como da ùltima vez que o vira ontem. Seu torso ainda em evidência.

- Não terminará de se vestir?

Ele riu.

- Eu poderia pegar minha camisa e vesti-la, mas creio que a senhorita não ficará confortável nua na minha frente.

Claro. Ela vestia sua camisa. Depois de colocar seu vestido novamente atrás do biombo, devolveu a camisa de James e sorriu o agradecendo. E apesar de toda nuvem louca dos dois sempre pairar sobre eles, tinham uma missão e não poderiam se desviar.

Se serviram de algumas frutas que estava no quarto e rapidamente saíram, tentando ser o mais discretos possível.

- Onde acha que podemos encontrar os dois? - Lily perguntou. Pelo caminho, encontraram muitas pessoas dormindo a esmo, provavelmente por conta do vinho. Algumas vezes tiveram que pular um corpo completamente desmaiado e bêbado no meio do corredor.

- Talvez eu tenha uma ideia. Eu creio que Sirius tenha achado as celas.

Isso a fez estancar no corredor e cruzar os braços.

- Desculpe, mas isso Remus e eu já fizemos. Enquanto o senhor fazia estrepulias pela festa. - Quer dizer, ela imaginava que Remus havia encontrado.

James parou em sua frente e revirou os olhos.

- Pare de ser tão ciumenta, Lily. - Ela abriu a boca, ultrajada.- Eu não fiz estrepulias nenhuma, estava apenas pegando contatos e informações. Trabalhei tanto quanto a senhorita que ainda teve tempo para tomar vinho com o Visconde. Aliás, foi a senhorita que o convidou para seu quarto ontem à noite?

Ela abriu a boca em choque, não acreditando no tom que ele usou, a acusando.

- Está maluco? Não convidei ninguém para o meu quarto. Nem o senhor.

James pareceu pensativo por um momento.

- Imaginei. Aquela mulher com aquele óleo... sabe o que ela fez com a senhorita?

- Como assim o que ela fez? Ela passou o óleo para poder...

- Para o Visconde Goyle poder entrar em seu quarto a noite e se aproveitar da senhorita.

A boca de Lily caiu ao chão. Aquilo não fora efeito do vinho?

- Por isso que eu me senti mal? Não conseguia falar e mal mexer meu corpo. - ela soltava as palavras, mas parecia estar longe dali. Conseguia lembrar de alguém no quarto e James o expulsando de lá. E em como ela se sentia fraca e mal conseguia abrir os olhos.

- Passou um óleo para adormecê-la. Conheço pessoas que usam isso para algumas pequenas cirurgias, assim o paciente não sente tanta dor. Estava dormindo quando o Visconde entrou em seu quarto. Sua sorte foi ter alguém ali para ajudá-la.

Aquele Visconde desgraçado era pior do que ela podia imaginar. Seu corpo estava completamente arrepiado e ela sentia náusea apenas em pensar que esteve tão perto de ser abusada por aquele canalha. Caiu na conversa daquela servente e quase perdeu uma das poucas coisas que conseguia manter nessa vida.

Sentia ódio agora. Se estivesse com sua espada, gostaria de cortar a garganta dele e provavelmente seus órgãos também.

- Acho que tenho que agradecer...

James sorriu.

- Eu fiz com o maior prazer. Ninguém chegaria...

-... Ao Sirius por ter tido a ideia de colocar alguém como companhia no meu quarto.

Foi a vez da boca de James cair. Lily sorriu e deu as costas para ele, continuando sua caminhada. Ela escutou seus passos quando ele se apressou para acompanhá-la

- Sei que gostaria de me agradecer, mas está brava comigo pelo meu suposto sumiço de ontem.

- O que quiser, James.

Agora eles tinham que voltar a missão. Tinham que encontrar Sirius e Remus, soltar as prisioneiras e fugir dali.

Parecia um ótimo plano, mas não seria um plano fácil. Com tantas pessoas à volta, mesmo que muitas delas inconscientes, era arriscado adentrar ao calabouço e tirar algumas dezenas de mulheres desesperadas para fugirem da morte.

Eles caminhavam em silêncio pelos longos corredores. Lily fechou mais o casaco que tinha, sentindo o vento gélido entrando pelas grandes janelas da propriedade. Tinha certeza de que havia caído mais neve nas montanhas para estar tão frio.

- Por aqui.

James tocou seu braço gentilmente para guiá-la por um pequeno corredor à direita.

- Sabe onde está indo? - Ela perguntou surpresa.

- Sim. Eu disse a Sirius e Remus que os encontraria por aqui hoje ao fim da manhã. Esse é o único lugar onde eles deveriam estar, caso não fossem pegos.

Aquele corredor estava vazio e não havia muitas janelas, deixando-o um pouco escuro. Haviam algumas portas que Lily não podia nem imaginar o que escondiam, mas ela tinha uma impressão de que não gostaria de abri-las.

Se dependesse de Malfoy e toda a sua corja, talvez ninguém teria estômago o suficiente para entrar.

E para a surpresa dela, James se dirigiu a uma dessas portas. O peito de Lily ficou pesado e hesitou por um segundo. James não perdeu a hesitação dela.

- Está tudo bem. Sirius e eu checamos todo esse lugar ontem.

James abriu a porta em sua frente e antes que Lily pudesse ver qualquer coisa atrás da mesma, ele pegou sua espada rapidamente. Esse movimento fez Lily pegar sua faca presa em sua perna.

- Não, não. Eles estão conosco.

Era a voz de Remus. Lily se embrenhou por baixo do braço de James e não culpou o moreno pelo susto: dentro do local vazio de mobília, decoração e à luz de vela, havia Sirius e Remus e mais quatro sombras. Ela até achou engraçado o fato de conseguir reconhecer Sirius e Remus dentro de um local semi-escuro.

- O que está acontecendo aqui? - Lily perguntou.

- Entrem e fechem a porta, rápido. - Uma das vozes os alertou.

James rapidamente empurrou Lily para dentro e fechou a porta em suas costas, fazendo-os cair na penumbra. Em um gesto rápido, ela esticou seu braço para trás tentando alcançar James. Ela achou seu braço e James rapidamente entrelaçou suas mãos.

Cinco velas se acenderam, dando vida novamente ao local. Sirius e Remus estavam ainda no mesmo lugar, assim como as outras cinco sombras.

- Você estava certo, Remus.

James e Lily se viraram espantados para o dono da voz . Ele era alto e magro, com cabelos e olhos escuros. Seu rosto era suave, sem nenhum traço de maldade. Lily quase podia dizer que ele era como Remus.

Porém o fato de ter espantado James e Lily fora sua voz. Eles a reconheciam.

- Longbottom? - Os dois disseram ao mesmo tempo.

Frank Longbottom sorriu.

-Ah, vocês ainda se lembram de mim.

Aquela presença era divina. Lily mal podia acreditar que estava novamente com Frank Longbottom. Além de James, ele era o responsável pela sua fuga de Azkaban.

Soltando a mão de James, ela correu em sua direção e o abraçou. Ela devia sua vida à ele. James a ajudara a sair dos escombros, mas Frank foi o responsável pela grande fuga. Os braços de Frank a abraçaram de volta. Uma lágrima de felicidade e gratidão escapou e ela deixou rolar, porque não queria impedir aquele sentimento tão puro por aquele homem.

- Obrigada. - Ela sussurrou. - Você salvou minha vida. A minha vida e de muitos outros.

- Foi um prazer, Lily.

Ela o soltou e olhou em sua volta: todos a assistiam. Seu rosto começou a avermelhar.

- Desculpem, eu não sei o que está acontecendo aqui, mas este homem salvou minha vida. Junto com aqueles outros homens. - Ela apontou para James, Sirius e Remus. - Eu devo muito mais do que um abraço.

- Oh cuidado. Eu sou a senhora Longbottom.

A mulher ao lado de Frank disse, mas ela sorria. Lily se aproximou dela. Elas eram da mesma altura, mas a mulher à sua frente era morena, com lindos olhos castanhos.

- Desculpe, eu não quis dizer nada disso. Eu devo minha vida à Longbottom.

A ruiva se afastou e olhou para todos. A loucura de agradecer Frank Longbottom estava dissipando, deixando-a confusa. O que raios estava acontecendo afinal? Como um grupo de quatro pessoas agora havia se tornado em nove pessoas?

- Eu conheço este olhar perdido. - Sirius disse, se aproximando de Lily. - Vamos explicar o que está acontecendo.

- Acho que já está mais do que na hora. - James respondeu.

- Eu posso começar, ficará mais fácil explicar. - Remus deu um passo à frente. Um sorriso orgulhoso e altivo estampado enormemente em seu rosto. - Eu gostaria de lhes apresentar a Ordem da Fênix. - Ele apontou para os ocupantes desconhecidos.

Ordem da Fênix? O que significava aquilo? Lily deu um passo para trás. Uma Ordem? Do Novo rei? Eles o prenderiam ou os matariam? Sirius também estava incluso naquilo?

- Continue rápido, Remus. Antes que eles comecem a nos atacar.

Os dois recém-chegados ainda tinham sua espada e facas em mãos. James parecia tão desconfiado quanto Lily.

- Nós somos uma Ordem contra o Novo Rei. Nós estamos do seu lado. - Remus continuou. Eles ainda não pareciam convencidos. - Vocês me conhecem, eu estou do seu lado.

- Não, eu não o conheço. Para mim, você era apenas um cara perdido na vida que escrevia romances ou qualquer outra coisa que fosse. - James começou. - Mas aparentemente você faz parte de algo maior do que isso e vem nos seguindo por algum motivo que eu ainda desconheço. - O moreno se virou para Sirius. - Qual o seu papel nisso tudo, Black?

Sirius levantou as mãos para o alto.

- Ei, há algumas horas atrás, eu estava tão perdido quanto vocês. Eu não faço parte de nada.

- Certo, vamos com calma. - Frank interrompeu. - A Ordem foi fundada há alguns anos atrás, quando uma parte da população já bem descontente com o Novo Rei, decidiu agir. Eu não entrarei muito em detalhes agora, porque são irrelevantes e não temos muito tempo. Mas nós acreditamos ter a arma que destruirá Tom Riddle. Nós estamos a caminho de Hogwarts para poder botar nosso plano em prática. - Ele se aproximou de James e Lily. - Nós vamos tirá-lo do trono. Nós iremos trazer a velha Hogwarts de volta!

James e Lily encararam Frank por alguns segundos. A ruiva soltou um riso entre os lábios, incrédula.

- E como vocês pretendem fazer isso? - Lily perguntou. - Com um grupo de cinco pessoas? Vocês chegarão em Hogwarts e vão ameaçá-lo com o que? Com os seus explosivos? Não me entenda mal, Frank, eu adoro o seu explosivo, mas antes que você consiga sua fagulha novamente, suas cabeças já estarão rolando à seus pés.

Os ocupantes desconhecidos riram. Ela não sabia se era dela ou se de Frank e seu explosivo.

- Uma arma é mais do que algo que mata, Lily. - Frank respondeu sorrindo.

Ela ponderou por alguns instantes. Sim, ela concordava com isso, mas ainda... Era do Novo Rei, Tom Riddle, que eles estavam falando. Um homem que traiu o seu Rei, o matando junto com sua Rainha e a maioria de seus súditos. Alguém que havia feito uma parte da população ao seu favor mesmo com toda essa matança. Para a ruiva, a morte era a única coisa que o pararia.

- Eles precisam da nossa ajuda. - Sirius disse. - Quanto mais gente para ajudar, mais chances há de acabarmos com o Novo Rei.

- Esperem. Vocês aparecem de repente, querendo nos recrutar para essa tal Ordem no intuito de tirar o Novo Rei do trono dizendo ter uma arma que não mata?

- James, nós temos a arma perfeita para acabar com tudo isso. Nós apenas precisamos de mais ajuda - Remus continuou.

- Antes, eu gostaria de saber o que você estava fazendo com a gente esse tempo todo, se na verdade você faz parte dessa tal Ordem.

- Eu estava seguindo viagem, pesquisando para ajudar a Ordem, isso é tudo. Eu os encontrei, eu me engajei no plano de hoje para salvar Marlene. Eu apenas quis ajudar todos vocês.

Tudo estava muito confuso para Lily. Tudo parecia estar correndo bem até eles entrarem naquela sala escura com pessoas desconhecidas segurando velas dizendo fazer parte de uma Ordem contra o Novo Rei e que eles haviam uma arma não mortal para acabar com ele.

E o pior: Remus fazia parte disso o tempo todo e não os havia contado.

- Isso está me soando muito estranho. - Lily começou e dando alguns passos para trás. - Honestamente, eu acho que irei partir.

A ruiva deu as costas, se direcionando para a porta.

- Espere! - Era a voz da Senhora Longbottom. - Não queremos forçá-los a nada. - Lily se virou para ela. - A Ordem é muito maior do que cinco pessoas dentro de uma sala. Somos enorme, temos centenas de seguidores. Eu diria que temos mais seguidores do que o Novo Rei. Queremos fazer isso dar certo, mas precisamos de boas pessoas conosco.

Eles não podiam simplesmente se juntar à um grupo que acabaram de conhecer. Aquilo soava tão bizarro. Ela conhecia melhor Remus, ou ao menos gostava de pensar assim, e Longbottom a ajudou a escapar da prisão.

Droga! Ele a ajudara. Ela não havia pedido ajuda, mas ele a ajudara sem conhecê-la. Era para todos em Azkaban estarem mortos a esse ponto e provavelmente jogados no mar ou queimados, para dar lugar à novos prisioneiros e assim por diante.

Lily olhou para James como se procurando uma resposta. Deveria ajudar Frank e a Ordem? Ela, de certo, se sentia em dívida com ele, mas seria certo se juntar a eles por isso? O quão louco aquilo era?

James parecia estar perdido nos próprios pensamentos. Ele encarava o chão a sua frente, a espada girando em suas mãos.

- Remus nos contou sobre Hagrid!

A voz de Frank fez com que ambos o encarasse e depois se virassem para Remus com espanto.

- Se acalmem, eu fiz isso para ajudar. - Remus respondeu de prontidão.

- Nós sabemos que ele estava em Hogwarts, em qual ala e quem estava tomando conta dele. Não podemos confirmar se ele ainda continua lá, mas essa era a informação há dois dias atrás. - Frank continuou. - Nós também podemos salvá-lo.

- Lily... - Sirius interviu. Ele se aproximou de James e Lily, tentando evitar que o resto escutasse o que falavam. - Ele é o responsável por Hagrid. Snape!

Os olhos verdes se arregalaram e por um momento ela pareceu esquecer de como respirar. Severus era o Comensal responsável por Hagrid. Seu amigo de infância e que, também, a ajudou a escapar da morte, era o último a enfrentar para salvar Hagrid.

Um riso abafado fez com que Lily e Sirius olhassem para James. O moreno tampava os olhos com uma das mãos e ria levemente.

- Eu não acredito nisso. Quantas pessoas existem neste reino? Por que cruzamos com as mesmas o tempo todo? - O moreno continuava rindo, mas eles perceberam que era um riso irônico e nervoso.

- James, isso é perfeito! - Lily disse. - Eu posso falar com Severus e...

- Ele é um Comensal, Lily! - James a cortou, abaixando a mão e a encarando. - Ele foi de grande ajuda para você no passado, mas isso não significa que será de grande ajuda agora.

- Eu sei que posso falar com ele, James. Eu sei disso, eu sinto. Preciso encontrá-lo fora do Castelo e então será mais fácil.

- Você acredita neles? Como sabe se isso não foi apenas uma mentira para nos integrar nessa Ordem? Uma Ordem da qual nós nunca ouvimos falar? Até onde eu sei, eles podem estar recrutando pessoas para morrerem por eles ao invés de lutar com eles.

Eles ouviram alguém tossir levemente. Frank estava parado logo atrás deles.

- Desculpem interromper, mas vocês ainda estão falando alto. Ainda podemos ouvir, mas se vocês ainda tem dúvidas sobre Hagrid, eu talvez posso ajudar. - O homem pegou um pergaminho do bolso, deu uma rápida conferida e entregou para o trio.

"Meio gigante, grande barba, longos cabelos, foi capturado com grande casaco feito de pele de cervo há algumas semanas atrás.

S.S Oeste."

- Que tipo de código...? - Lily começou a perguntar.

- Ala oeste, Severus Snape - Frank a respondeu. - Parece um código bobo, mas se o bilhete for interceptado, Comensais não perdem tempo para tentar descobrir. Eles gostam de mensagens diretas. E nós precisamos ser rápidos em escrever mensagens e em ler todas elas. Temos uma lista de todos os Comensais que trabalham no castelo e usamos suas iniciais para mensagens.

Lily devolveu o bilhete.

- Bom, Frank, ainda sim não podemos dizer que é Hagrid. Todos sabem que há muito gigantes ou meio gigantes vivendo como grandes comunidades mais ao Norte.

- É ele!

Lily se virou para James. Ele voltou a encarar o chão, pensativo. Era claro que ele não estava feliz em dar razão para todos eles tanto quanto Lily queria, mas se era mesmo Hagrid, ele não podia perder essa chance.

- Como podemos ter certeza?

- Eu tenho, é ele. Hagrid deve ser o único meio gigante do mundo a usar casaco de cervo.

Então Hagrid estava em Hogwarts, sendo guardado por Severus. Eles haviam chegado até Marlene e agora eles tinham a informação para salvarem Hagrid.

E Lily podia ajudar!

- Nós temos que ir, então. - Ela finalmente disse.

James virou o rosto para ela, deu uma segunda olhada para as pessoas que não conhecia e depois a fitou novamente.

- Você não pode ir. - James sussurrou.

- Eu vou!

- Você é procurada, Lily.

- Eu. Vou! - Ela repetiu pausadamente.

Sirius se aproximou mais dos dois.

- Eles têm um bom plano para invasão. Os dois gêmeos ali, acho que são Gibian e Fabion…- Sirius apontou para os dois ruivos gêmeos ao lado de Frank que não haviam falado até aquele momento e que Lily não havia dado nem uma segunda atenção até o momento.

- Gideon!- Um dos gêmeos corrigiu, deixando claro que todos ainda ouviam a conversa.

- E Fabian! - o outro gêmeo também se apresentou.

- Isso, isso! - Sirius abanou a mão. - Eles estão dentro do castelo, trabalhando disfarçados, por anos. Eles têm fácil acesso duas vezes por semana. Escutem o plano…- Sirius olhou para Lily. - Porém, eu concordo com James. Você é procurada, Lily.

- Engraçado que para vir até aqui ninguém se importou tanto e agora a minha presença é um grande problema. - Ela começou.

- Aqui não é Hogwarts e nós não tivemos muita escolha, já que nós dois encontramos com Lestrange na floresta. - James retrucou.

- Aqui é tão perigoso quanto Hogwarts. Eles nunca imaginariam que uma fugitiva estaria lá.

Sirius e Lily assistiram James levar as mãos aos cabelos e se afastar. Ele foi até a janela, passando por todos os outros ocupantes do lugar. Lily não entendia e nem via motivos para ele agir assim. O que eles estavam fazendo agora era tão perigoso quanto. Em Hogwarts, ela poderia usar seus cabelos negros e se disfarçar de inúmeras maneiras.

Ela esteve no mesmo corredor que o Novo Rei ontem e não foi vista ou reconhecida. Ele poderia confiar mais nas habilidades dela de não ser pega, não?

E no final, a decisão não era de nenhum deles e sim dela.

Tinha que contatar Severus. Ele seria a porta de entrada para o resgate de Hagrid antes de qualquer coisa.

- Apenas para informar a vocês dois e a todos vocês nesta sala…- ela olhou para o restante atrás deles. - Não há ninguém neste mundo que me dirá o que fazer ou o que não fazer. Vocês entenderam? - Ela fixou os olhos em James por alguns segundos. - Se eu decidir ir, eu irei. Se eu decidir não ir, eu não vou!

- Eu não quero tomar decisões por você, eu apenas estou pensando que…- James começou.

- Que eu tomo as minhas decisões e eu decido quais riscos eu aceito ou não. Muito gentil da sua parte, obrigada. - Ela o cortou, ironicamente.

- Impossível! - ouviu James resmungar de seu canto.

Lily checou, como vinha fazendo sempre, se sua faca estava bem presa em sua perna.

- Eu não sei quem são vocês, digo, além de seus nomes e suas ocupações. Eu vou sair e pensar. Eu quero salvar Hagrid, e eu tenho a vantagem de conhecer quem o guarda, eu acho que isso mais que me coloca indo para Hogwarts. Mas eu quero pensar em como fazer isso e se há alguma maneira onde podemos sair ilesos. Eu preciso ficar sozinha por alguns momentos e sair dessa conversa louca.

Ela foi em direção à porta, mas já sabendo que seria parada mais cedo ou mais tarde. Descobriu que seria "mais cedo", quando James apareceu ao seu lado, ficando entre ela e a porta.

- Você vai ficar perambulando por esse lugar sozinha? Nós não sabemos se o Novo Rei ainda está aqui.

- Ele foi embora durante a noite. Nós o vimos pegar sua carruagem e sair escoltado. - Um dos gêmeos, Lily achava que era Gideon, disse.

Os olhos verdes se viraram para James no momento que ele revirava os seus próprios olhos.

- Não há tanto perigo quanto ontem, quando eu estive sozinha por alguns momentos.

- Onde eu te encontro depois? - James perguntou, já sabendo que insistir contra ela seria em vão.

- Eu te encontro. Talvez nos aposentos.

A ruiva fez menção de continuar seu caminho, mas James colocou a mão em seu ombro, a parando novamente. Lily estava pronta para começar a briga pela independência dela novamente.

- Tome cuidado!

Aquilo a fez sorrir.

- Eu irei!


- Estava a sua procura, senhorita.

Lily revirou os olhos impaciente enquanto ainda estava de costas para ele. Depois de tudo o que acontecera, ela apenas queria ir embora daquele lugar. Todos eles precisavam parar de pensar nessa maldita Ordem e voltarem a pensar naquelas mulheres que estavam sofrendo e esperando um sofrido fim na frente de todas aquelas pessoas asquerosas.

Salvar um de cada vez: Marlene e Hagrid. Mas agir e não ficar discutindo em uma sala vazia na propriedade do Duque Malfoy!

- Em que posso ajudá-lo ? – ela forçou o sorriso.

Visconde Goyle, pela primeira vez, parecia envergonhado ou sem graça. Bom, ele realmente deveria. Lily cruzou os braços esperando qual a infeliz conversa que teria com ele agora. Estava tão irritada depois do que este pedaço de estrume tentou fazer na noite passada, que apenas queria que aquela conversa fosse de mal a pior e ela pudesse atacá-lo no final das contas.

- A senhorita conversou com o seu irmão esta manhã ?

- Com todo o respeito, Visconde, mas não vejo motivos para isto ser da sua conta.

Ela deu as costas e continuou a caminhar. Ele demorou alguns segundos para acompanhá-la. Lily suspirou.

- Por estar tão amarga, então creio que a resposta seja positiva.

Lily parou novamente e se virou para ele, sentindo o seu rosto esquentar de raiva. Se eles continuassem assim, ela finalmente poderia, pelo menos, acertar um bom soco em sua cara.

- Amarga, Visconde ? O senhor tentou me atacar. O senhor pediu para uma outra mulher me adormecer e então o senhor me atacar e abusar de mim completamente indefesa. – O tom de Lily aumentava a cada frase e agora ela estava quase gritando. – O senhor pode ter CERTEZA que eu estou amarga, furiosa e louca para vê-lo a sete palmas abaixo da terra.

Por sorte eles estavam já há alguns corredores de distância de onde a tal reunião da Ordem estava acontecendo e ninguém precisava presenciar aquilo. Esperava também que James não abrisse a boca sobre o ocorrido para ninguém. O que o Visconde Goyle havia feito era tão baixo, que ela sentia vergonha. E ainda mais vergonha de ter confiado naquela mulher.

Novamente ela deu as costas e continuou o seu caminho. Se ele fosse esperto, não a seguiria novamente.

- Senhorita, um momento.

Ela começou a rir. O que ele queria afinal das contas ?

- Me deixe em paz, Visconde.

Os passos da ruiva aumentaram a velocidade. Queria apenas chegar ao seu aposento e poder pensar em toda aquela loucura. Tinha que enviar a carta para Severus o mais rápido possível. Poderia salvar Marlene agora, mas começando algo para Hagrid, já que sua vida poderia estar dependendo dela agora.

Pelo menos estava agindo, diferente dos outros.

Uma sombra grande se postou em sua frente a obrigando a parar. Ela revirou os olhos.

- Eu não serei mais cordial à partir de agora, Visconde.

- Senhorita, eu gostaria de lhe pedir perdão pelo o ocorrido.

- Tarde demais.

Ela tentou passar por ele, mas Goyle a impediu novamente com a sua grande figura.

- Diga-me o que gostaria, senhorita. Eu tenho muito dinheiro, posso comprar propriedades, cavalos, belos vestidos. Diga-me e será seu.

- Eu gostaria do senhor longe das minhas vistas.

- Não antes de ter o seu perdão. Diga-me, eu faria o necessário.

- O que eu quero não há preço , Visconde. – Que era simplesmente finalizar o plano, sair dali e encontrar um pouco de paz. Tudo muito difícil para ela, mas ela tinha que se manter positiva.

- Bom, eu tenho muitos contatos. Eu posso conseguir o que desejar, seja com um preço alto ou algo que posso conseguir com meus contatos. Diga e o terá.

Céus, ela só queria que ele fosse embora e a deixasse em paz. Por que ele não aceitava isso ? Será que pedir um pergaminho e uma pena seria o suficiente para ele a deixar? Talvez ela pudesse tentar.

Lily abriu a boca para pedir aquelas duas simples coisas, mas algo de repente surgiu em sua mente. Ela fechou a boca e olhou pela janela. Viu vários homens caminhando pelos jardins carregando toras e mais toras. Ela sabia para onde e para o que elas serviriam. Aquilo lhe causou um arrepio na nuca e quase a fez correr para a tal reunião e arrastar Sirius, Remus e James para fora e lembrá-los o motivo de suas presenças ali.

Mas talvez ela não precisasse deles.

E alguns minutos depois, ela estava feliz por descobrir que Remus estava certo. Aquele quadro realmente levava às celas das mulheres capturadas para a fogueira.

Não fora muito difícil de convencer Goyle a levá-la até lá. Ele dissera que ela teria o que queria. Ele ficou um pouco preocupado com o pedido dela « Leve-me para ver as bruxas. Quero vê-las sofrer nas celas antes de vê-las sofrer na fogueira ! ». Ela soara quase tão sem coração quanto qualquer um dos outros convidados daquela festa horrível. E ele havia caído naquela baboseira.

Havia doído dizer aquilo, mas ela tinha que ser convincente. E ela foi. Por isso ambos estavam descendo as escadas logo após o quadro que Remus havia descoberto. Em direção às celas.

Era úmido e frio ali embaixo. Podia ouvir algumas gotas pingarem por toda a extensão do corredor, assim como sussurros e choramingos. Não demorou muito para aquele corredor terminar em uma câmara com duas enormes celas de cada lado.

Ambas estavam cheias. Cheias de mulheres de todas as idades, inclusive crianças e adolescentes. A câmara caiu em um grande silêncio. Visconde Goyle e Lily estavam sendo observados e devorados por cada par de olhos presos injustamente ali. Ela queria chorar, queria gritar que estava ali para ajudá-las, queria poder voltar todos os degraus e matar todos os responsáveis por aquilo.

Mas tinha que manter a calma. Respirou fundo e adentrou. Sirius não havia descrito Marlene, ela não tinha ideia de como ela poderia ser, só sabia uma única coisa : Marlene era a mulher mais linda da vida, segundo Sirius. Infelizmente, ali dentro, ela podia ver muitas mulheres deslumbrantes.

Aquilo também não importava. Se Lily estava ali para salvar Marlene, ela estava ali para salvar todas.

- Então? O que acha?

Visconde Goyle tinha um olhar de puro contentamento. Aquilo não a impressionava, já sabendo do que aquele homem era capaz de fazer. Lily apenas seguiu com aquele plano de descer até as celas com ele, porque pedira que um mensageiro encontrasse seu irmão ou algum de seus empregados e lhes avisasse onde estava e com quem. Também duvidava que eles seriam encontrados a tempo, então também se sentia segura sabendo que sua faca ainda estava segura com ela.

- Eu..acho esplêndido.

As celas começaram a ficar ruidosas. Mulheres começaram a gritar insultos, algumas cuspiram em direção à eles. Lily tentava se esquivar, mas não podia impedir de ser atingida. Ela poderia correr e se abrigar no corredor, mas sentia que merecia aquilo, mesmo que suas palavras tenham sido apenas um teatro.

- Elas mal perdem por esperar o que lhe aguardam para esta tarde. – ele riu demoniacamente. Os pelos de Lily se arrepiaram.

- O senhor tem….as chaves ? – ela perguntou com a voz doce, depositando sua mão suavemente no ombro do homem.

Goyle sorriu para ela.

- Eu imaginei que a senhorita iria querer fazer algo com uma delas. – Ele enfiou a mão dentro de seu casaco e tirou duas grandes chaves. – Tudo para o seu bel prazer, senhorita.

Lily sorriu de volta para ele e dessa vez a felicidade era real. Não havia contado com aquilo, mas ela tinha que perguntar em caso ele tivesse as chaves consigo. Não havia se arrependido.

- Gritem. Gritem mais, vadias. – Goyle começou a gritar de volta fazendo Lily se assustar. Ele começou a andar pelo corredor sendo acertados por cuspes e xingamentos vindo de todos os lado. Aparentemente aquilo lhe agradava absurdamente.

Aquele homem era louco.

E burro.

Ela aproveitou que ele estava há alguns metros de distância e enfiou a mão por entre suas saias, alcançando sua faca. As prisioneiras que estavam mais perto de Lily viram o que a ruiva fazia. Lily piscou para elas.

As celas ficaram mais ruidosas. As prisioneiras que viram Lily pegar a faca começaram a instigar mais as outras prisioneiras. Estava quase impossível não tapar os ouvidos com a gritaria. Goyle continuava a rir como um maníaco. Ele olhou para trás, para uma Lily com as mãos nas costas escondendo a faca. Ela sorria para Goyle.

- Façam- as sofrer, Visconde. Faça .- Ela instigou gritando para ele e caminhando lentamente em sua direção.

Aparentemente a notícia estava voando rápido pelas celas, pois nenhuma prisioneira focava em Lily agora. Todas as atenções estavam em Goyle. Aquele homem estava ensopado de cuspe.

A ruiva se aproximava lentamente dele, contando cada passo. Haveria apenas uma chance para aquilo e teria que ser esperta.

De repente, ele se virou para ela.

- Qual a senhorita quer ? Talvez duas ?

Lily olhou aleatoriamente para a cela da esquerda e apontou para uma mulher loira e raivosa. A mulher sorriu.

- Quero aquela. Pode pegá-la, Visconde ?

- Com todo o prazer.- Goyle pegou as chaves e começou a gritar com as prisioneiras perto da porta, mandando-as se afastar.- Afastem-se, bruxas imundas. Não ousem me tocar.

Ele colocou a chave na porta ao mesmo tempo que Lily pulou em sua direção, acertando o cabo de sua faca na nuca molhada do Visconde.

O homem caiu em seus joelhos, um pouco desorientado. Lily segurou a faca em posição de ataque, mas ela não conseguiu seguir em frente.

Visconde Goyle era desprezível e com certeza havia feito coisas muito mais terríveis do que aquela, mas ele não estava a atacando. Lily hesitou com a faca no ar, quando começou a ouvir o grito de « mate-o » vindo de ambas as celas. Tinha uma ideia melhor.

A ruiva acertou o Visconde mais uma vez na nuca, o fazendo cair completamente no chão. Aquilo a daria algum tempo. Ela correu para a porta e girou a chave, abrindo a primeira cela.

- Ele lhes pertence. Façam o que quiserem. – Ela gritou.

As mulheres passaram pela porta da cela gritando injúrias. Lily teve que se espremer contra a parede do fundo da câmara para deixá-las passarem. Um grande grupo se juntou em volta de Goyle e ela podia ouvir socos, chutes e cuspes. Elas tinham mais raiva e, de certa forma, mais direitos de se vingarem dele. Mesmo aquilo sendo contra tudo o que ela pensa, Lily não seria a pessoa a impedir aquelas mulheres de se vingarem contra um dos responsáveis por sua capturas.

Ela começara a escutar muitos gritos e percebeu que as outras prisioneiras, as do lado direito, clamavam para serem libertadas. Lily rapidamente se espremeu entre as prisioneiras soltas para alcançar as chaves. Correu para a cela da direita e a abriu. A câmara estava pequena para o número de pessoas ali. Era incrível como aquelas mulheres preferiram ficar ali e deferir golpes em Goyle do que correrem para a sua liberdade. Lily não podia imaginar o que elas haviam passado para preferirem aquilo. E ela também nas as julgaria.

- Marlene ! EU PRECISO ENCONTRAR MARLENE !

A ruiva começou a gritar. Ela olhava para todas as mulheres, quase como esperando que na testa de alguma delas estivesse escrito Marlene.

- MARLENE!

De repente, ela sentiu uma mão quente tocar seu braço. Era suave e quase como um calmante. Ela se virou e se deparou com incríveis olhos azuis, lindos e profundos. Um cabelo longo, bonito e brilhante.

Aquela mulher era a personificação da beleza. Seu rosto era angelical e ao mesmo tempo bruto, dizendo que ela poderia acabar com qualquer um em um instante.

- Quem é você ? – ela perguntou.

- Amiga de Sirius.

Ela havia visto a felicidade e esperança no rosto de algumas pessoas antes, mas Marlene havia mostrado a Lily que haviam níveis e aquele era um nível bem avançado de felicidade e esperança.

- Onde ele está ?

- Esperando por você . – Lily sorriu e olhou para os lados começando a ficar preocupada. – Escute, vocês tem que correr. Para bem longe daqui. Neste momento, eu tenho certeza que Sirius não deve estar longe do fim do corredor. Pegue-o e corram. Eu vou ajudar todas elas a saírem daqui.

- Eu vou ajudá-la também .

- Não, Marlene. Você tem que correr. Você é uma fugitiva também. Corra. – Lily começou a empurrá-la. – Corra. Ache Sirius e corra.

Marlene começou a empurrar as outras prisioneiras, gritando para todas correrem. Lily gritava com todas, fazendo-as saírem do estupor da vingança contra Goyle e entrarem em modo fuga. Os guardas não demorariam a notar o que havia acontecido, principalmente quando as primeiras prisioneiras começassem a sair pela propriedade.

- Corram. Vão para bem longe daqui. Corram para o Nordeste, há menos guardas por lá e muitas montanhas rochosas para se esconderem. CORRAM.

E elas começaram a correr. Lily ainda tentava ajudar as mais novas e as mais velhas, impedindo-as que caíssem entre as outras.

A câmara estava esvaziando quando por cima das cabeças, Lily viu uma porta lateral se abrindo, uma porta que não havia visto. Provavelmente nenhum guarda estava sendo capaz de entrar pelo quadro e passar pelo grande corredor com mulheres desesperadas fugindo. Ela ouvira os gritos de fuga se transformar em gritos de desespero. A ruiva correu em direção à porta pronta para usar sua faca, mas ela se surpreendeu em ver quatro guardas já caídos no chão, desacordados. Um com certeza morto, pois tinha a própria espada cravada em seu peito. Riu em deboche de si própria por duvidar do que mulheres unidas podiam fazer.

Ela ajudou uma última prisioneira a passar pelo corredor antes de olhar para trás e conferir se nenhuma mulher havia ficado para trás. Agora tudo o que podia ver eram duas celas completamente vazias, Goyle e quatro guardas caídos.

Agora quem sorria como uma maníaca era ela. Ela havia conseguido! As prisioneiras agora eram mulheres livres, assim esperava, correndo para longe dali.

A ruiva colocou a faca novamente bem presa em sua perna e começou a correr pelo corredor.

Cinco passos foram dados antes dela se deparar com uma grande e brilhante espada saindo da escuridão, apontando para o seu rosto.

- Há uma prisioneira muito lenta aqui. – ela ouviu a voz do guarda.

Ele avançava, a forçando dar passos para trás. A luz da câmara a iluminara novamente e também iluminando pelo menos cinco guardas em sua frente. Atrás deles, uma voz se sobressaiu.

- Ela não é uma prisioneira. Ela é a causa da fuga.

Lestrange finalmente entrou na câmara e sorria como um louco.

Agora ela sabia que não havia escapatória.


- Ela entende o quão importante isso significa. E esperamos que você também, James.

O moreno rolou os olhos para Remus. Vira Lily sair e apenas queria poder sair com ela, mas não podia invadir o seu espaço. Se ela quisesse ficar sozinha para pensar, ele tinha que deixá-la. Teria que inventar algo mais para poder também sair daquela reunião. Estava ali há meia hora ouvindo sobre a Ordem e estava já bem cansado daquilo tudo.

- Vocês não entendem ainda o que estão pedindo para ela. Lily é procurada pelo Novo Rei e vocês querem que ela volte para Hogwarts num suposto plano e uma tal Ordem que ela acabara de conhecer. Ela, com certeza, não deveria ir. – James respondeu.

- Você ainda virá conosco se ela disser não ? – Frank perguntou, se sentando ao seu lado.

Ele não queria se vangloriar, mas sabia que era um bom guerreiro, porém não entendia como faria tanta diferença indo ou não. Eles estavam indo antes de James aparecer na vida deles, então por que eles não continuavam a ir sem eles ?

- Eu não disse que estava indo. – Ele se limitou a responder e se levantou, se distanciando. Foi até uma janela que estava coberta por uma grande cortina e admirou o jardim. Era uma bela propriedade. Não o tipo de propriedade que ele gostaria de ter, mas ainda sim era impressionante.

De repente, uma sombra negra começou a cobrir rapidamente o jardim. James esfregou os olhos e abriu a janela para tentar ter certeza do que via.

Eram mulheres. Muitas. Correndo por todo o jardim.

Ele não perdeu mais tempo e tirou sua espada, correndo pela sala.

- Elas conseguiram fugir! CORRAM!

James não queria ficar para trás esperando a reação de ninguém, ele apenas saiu da sala e correu.

Tinha que encontrar Lily agora. Como encontrar uma mulher no meio de centenas de outras mulheres correndo ?

Ou ele não estava correndo muito rápido ou o desespero faz coisas incríveis, pois no segundo seguinte ele viu Sirius passando por ele como uma flecha, descendo o corredor como se sua vida dependesse disso. E na verdade era um pouco verdade.

Em frente as escadas, eles encontraram ainda mulheres correndo. Guardas corriam atrás delas com suas espadas. Sirius e James analisaram a cena por um segundo, tentando achar o melhor plano para aquilo.

- Vá atrás de Marlene, Sirius e corra para a cabana. Eu vou atrás de Lily e te encontro lá.

James pensava que Sirius simplesmente havia concordado com o plano e o seguir, mas se enganou quando viu o moreno descer as escadas em desespero, ao mesmo tempo em que vira uma das prisioneiras correr em sua direção.

Sirius a pegou no momento que a mulher se jogou em seus braços e James não tinha dúvida de que agora o homem havia encontrado a luz da sua vida novamente. Podia ficar assistindo ambos se abraçarem, passar a mão pelo rosto um do outro e se beijarem, provavelmente trocando juras de amor eterno, mas eles não tinham tempo.

- Sirius, vá! - Ele gritou em meio à bagunça.

Sem pestanejar, Sirius agarrou a mão de Marlene e eles saíram correndo entre as mulheres. Os olhos de James corriam por todos os lados do grande hall, tentando encontrá-la. Algumas mulheres ruivas passaram e seu coração disparava, mas depois tinha que lidar com a decepção em poucos segundos enquanto continuava a procurar.

De repente, começou a ter um mal pressentimento. Como aquelas mulheres haviam escapado? Duvidava que existissem outros convidados com a mesma intenção deles ali, então algo em sua mente insistia em lhe dizer que Lily estava envolvida.

E não vê-la por ali lhe enviava um sinal de perigo.

- Vocês conseguiram salvá-las! - Frank apareceu ao seu lado, mas James não respondeu e nem perguntou como ele sabia sobre isso. Remus devia ter comentado antes, paravariar. - Onde está Lily? Vocês precisam sair daqui.

- Assim como vocês! - James respondeu. - Chame Remus. Diga que eu irei procurar Lily e nos encontraremos na cabana.

James começou a descer as escadas, mas foi parado por Frank.

- Espere!

Mas antes que Frank continuasse, um dos gêmeos da reunião, ele não tinha ideia de qual, chegou até eles correndo, arfando e vermelho.

- Eu falei com a minha fonte aqui. Uma mulher foi pega e não era uma das bruxas. Lestrange está com ela!

O desespero o fez sentir uma fraqueza nas pernas, mas teve que se recompor rapidamente. Não precisava ser um gênio para descobrir quem era.

- Onde estão? - James perguntou com uma voz falha.

- Eu não sei.

Tinha que encontrá-la. Ele desceu as escadas pulando vários degraus ao mesmo tempo sob os gritos de Frank, mas não parou. Se Lily libertou as mulheres, então ela foi pega nas celas. Começou a ir contra as poucas mulheres que ainda restavam, tentando ter uma ideia de onde eram as celas, mas agora os corredores estavam vazios. Olhava para os lados, com o coração nas mãos, tentando ter ideia onde poderia encontrá-la, mas tudo estava silencioso. Estranhamente silencioso.

O sentimento de impotência só crescia, mas ele tinha que lidar com o problema de cabeça fria, ou então não conseguiria achar uma solução.

- James! - Era Frank, que parecia aliviado em achá-lo. - Precisamos sair daqui. Não conseguiremos tirar Lily estando aqui dentro.

- Ela está aqui dentro e eu não vou sair sem ela.

- Escute. Eles vão prendê-la, ok? Nós sabemos, graças à Remus, onde estão as celas das bruxas e onde estão as celas de prisioneiros normais. Eu tenho explosivos!

Os olhos de James se abriram.

- Longbottom, se você me ajudar a tirar Lily daqui, eu vou até Hogwarts e mato Riddle com minhas próprias mãos, se quiser!

- Eu te ajudaria ainda que sem essa opção, mas eu ficaria grato com sua sua ajuda. - Frank sorriu.

- Você tem a minha palavra!

- Então venha comigo antes que sejamos pegos e então não poderemos ajudar nem Lily e nem matar Riddle!


N/A: Uau...dois meses sem postar? é isso mesmo produçao? Eu tentei colocar um recapitulativo no começo para ajudar na lembrança, mas ne...dois meses sem postar é muito tempo e muita coisa esquecida. Espero que não fique confuso =(

Desculpem, eu estava mesmo focada na minha outra fic, mas estou de volta e com um capitulo curto. Sorry. Não vou demorar para postar o proximo, promessa de mindinho xD

Resposta para a review sem conta:

Karol: lindaaaaaaaaaaaa, muito obrigada. Voce sempre fazendo presença nas minhas fics hahahahaha Desculpa pela demora, mas acho que voce sabe bem que a "Say" tava pegando fogo e eu foquei total la. Mas aqui esta mais capitulo :D Espero que goste S2 Beijooooos

Sneakpeek para vocês ficarem felizes:

"Ela agarrou o pescoço dele e trouxe seu ouvido para perto de sua boca.

- Acho que estou voltando a ouvir. - ela achava e esperava que sussurrava.

James aproximou sua boca do ouvido da ruiva.

- Ficará bem logo.

Ela sorriu e o encarando, ela sussurrou.

- Eu já estou!

O sorriso dele a deixou sem palavras. Ela não sabia por que dissera aquilo, mas sentiu que saiu naturalmente de sua boca. Ela se sentia bem, se sentia bem dentro de uma árvore fria, na chuva e com James colado a seu corpo."

Beijos, pessoas lindas.