Capítulo 8

I wonder if I'm being real

(Me pergunto se estou sendo real)

Do I speak my truth or do I filter how I feel?

(Eu falo minha verdade ou filtro a maneira como me sinto?)

I wonder, wouldn't it be nice

(Me pergunto, não seria maravilhoso)

To live inside a world that isn't black and white?

(Viver em um mundo aonde não fosse tudo preto e branco?)

Sesshoumaru estava na porta de Rin pontualmente no horário combinado e a jovem já estava arrumada o aguardando. Usava o vestido que ele dissera que seria entregue a ela e não conseguia parar de pensar que era o tipo de roupa que ela mesma não teria condições de comprar. Era um vestido verde-água que se moldava perfeitamente a seu corpo e que fazia parte da nova coleção de uma marca muito famosa.

— Espero que não pense que vai conseguir me comprar com esse vestido — ela disse assim que saiu de casa e começaram a caminhar em direção ao carro.

— Não estou tentando comprá-la, Rin — Sesshoumaru respondeu um pouco magoado com o que ela dissera, abrindo a porta do carro para ela. — Sei que ainda está com raiva de mim, mas a essa altura já devia saber que se eu quisesse realmente "comprar" uma mulher, não precisaria buscá-la aonde quer que fosse.

O youkai fechou a porta do carro e a jovem engoliu em seco. Merecera aquela resposta.

— Desculpe — ela pediu constrangida quando ele ocupou seu lugar ao lado dela.

— Tudo bem — Sesshoumaru replicou ligando o carro ainda um pouco taciturno. O que menos desejava era que a noite deles se resumisse a conversas daquele tipo e esperava que as coisas começassem a melhorar dali pra frente.


I wonder what it's like to be my friends

(Me pergunto como é ser meu amigo)

Hope that they don't think I forget about them

(Espero que eles não pensem que eu os esqueci)

I wonder, I wonder

(Eu me pergunto, eu me pergunto)

Ao chegarem à festa da empresa, Sesshoumaru levou Rin diretamente a seu pai.

— Como não pude apresentá-los antes... Rin, este é o meu pai, Inutaisho. — A jovem sorriu para o pai dele, que se aproximou para cumprimentá-la. — Esta é a minha namorada, pai.

Rin ficou surpresa com o título pelo qual Sesshoumaru se referiu a ela, porém não perdeu a compostura ao cumprimentar Inutaisho.

— É um prazer conhecê-lo — ela disse com um sorriso envergonhado.

— O prazer é todo e completamente meu — ele replicou em um tom galanteador, fazendo-a rir. — Vejo que pelo menos o bom gosto ele puxou de mim.

— Por favor, pai! — Sesshoumaru resmungou ficando um pouco vermelho.

— Tudo bem. Não vou mais constrangê-lo na frente da sua namorada. Pelo menos não hoje — Inutaisho falou piscando um olho para Rin e a jovem riu ainda mais. — Divirtam-se — o youkai concluiu apertando o ombro de seu filho, antes de ir cumprimentar algum conhecido que acabara de chegar.

Ao se afastar, Inutaisho fez um sinal de positivo para seu filho pelas costas de Rin e Sesshoumaru revirou os olhos, porém deu um sorriso de canto. Seu pai era um canalha na maior parte do tempo, mas daquela vez lhe dera um bom conselho. Sesshoumaru sabia que se arrependeria amargamente se não tivesse ido atrás de Rin e sentia-se mais feliz do que nunca por tê-la ao seu lado novamente. Nada poderia se comparar a isso.


I wonder why I'm so afraid of saying something wrong,

(Eu me pergunto por que estou com tanto medo de dizer algo errado)

I never said I was a saint

(Eu nunca disse que era um santo)

I wonder, when I cry into my hands

(Eu me pergunto, quando eu choro em minhas mãos)

I'm conditioned to feel like it makes me less of a man?

(Estou condicionado a me sentir menos homem por isso?)

Rin precisava confessar que se sentia um pouco emocionada por Sesshoumaru apresentá-la a todos os seus conhecidos como sua namorada. E não fazia diferença se a pessoa em questão era um humano ou youkai, a atitude dele permanecia a mesma.

Claramente ele tentava lhe demonstrar que a aceitava exatamente do jeito que era e que não se importava que todos soubessem disso. Rin estava orgulhosa dele.

— Quer beber alguma coisa? — ele perguntou tirando-a se suas distrações, e a jovem assentiu com um sorriso. — Certo. Espero aqui. Vou buscar nossas bebidas.

— Ok — ela respondeu parando perto da mesa onde os petiscos estavam dispostos para que os convidados se servissem.

Rin pegou um prato e começou a selecionar algumas coisas para ela e para Sesshoumaru sem perceber que alguém se aproximava dela e que esta pessoa não parecia ter boas intenções.

— Vejo que convenceu meu filho a aceitá-la de volta — disse Satori abordando-a repentinamente e a observando com cara de poucos amigos.

— Não preciso convencer ninguém de nada — respondeu a jovem encarando-a séria. — Sesshoumaru me fez um convite e eu aceitei.

— Não me faça rir — a youkai insistiu com desdém. — Não confio em pessoas da sua laia; e só espero que não esteja pensando que esse capricho do meu filho irá durar muito. Portanto, se está se iludindo pensando que serão felizes para sempre e terão uma linda casa, com inúmeros filhos e um cachorro, é melhor pensar de novo, pois isso não vai acontecer. Youkais não se misturam com humanos.

Rin engoliu em seco e respirou fundo antes de responder, pois sua vontade naquele momento era bater na mãe de Sesshoumaru.

— Pelo que ouvi dizer o senhor Inutaisho se casou com uma humana — a jovem retrucou com um sorriso de canto, sentindo-se um pouco mais controlada. — Então me parece que suas informações não são muito precisas.

And I wonder if some day you'll be by my side

(E eu me pergunto se algum dia você estará ao meu lado)

And tell me that the world will end up alright

(E me dirá que o mundo vai acabar bem)

I wonder, I wonder

(Eu me pergunto, eu me pergunto)

Satori ficou furiosa ao ouvir aquilo. Rin estava, basicamente, jogando na cara dela que fora trocada por uma reles humana.

— Como ousa...?

— O que está acontecendo aqui? — Indagou Sesshoumaru aproximando-se delas com duas taças de vinho nas mãos.

— Nada — respondeu Rin sem deixar de sorrir. — Sua mãe estava apenas me explicando como os youkais pensam. Mais nada.

Satori engoliu em seco, lançou um olhar de desgosto a seu filho e se afastou do dois soltando fogo pelas ventas.

— Está tudo bem mesmo? — insistiu Sesshoumaru lhe entregando uma das taças.

Rin, finalmente, soltou o ar que estava prendendo e bebeu o conteúdo da taça em apenas um gole.

— Está tudo bem. Eu só... Só estou cansada — disse um pouco desanimada.

Depois de tudo que ouvira sentia-se péssima, na verdade, mas não queria falar sobre isso no momento.

— Quero ir pra casa — a jovem concluiu e Sesshoumaru lhe lançou um olhar de partir o coração.

— Podemos ir agora — ele respondeu em um tom magoado, segurando a mão dela —, mas você vai mesmo permitir que a minha mãe estrague a nossa noite? É exatamente isso que ela quer.

A jovem refletiu por um momento e chegou a mesma conclusão que Sesshoumaru. Se fossem embora agora, Satori ficaria feliz da vida.

— Você tem razão. Ela ficaria exultante com isso — Rin falou por fim fazendo uma careta. — Não podemos deixar que isso aconteça. Vamos ficar mais um pouco só pra irritá-la.

Sesshoumaru riu e Rin logo o acompanhava nas risadas, o que chamou a atenção dos convidados próximos, porém em pouco tempo os dois estavam tão entretidos em si mesmos que se esqueceram completamente do plano de irritar Satori.


Right before I close my eyes

(Logo antes de fechar meus olhos)

The only thing that's on my mind

(A única coisa que tenho em mente)

Been dreaming that you feel it too

(Tenho sonhado que você sente isso também)

— Está entregue — disse Sesshoumaru ao estacionar o carro na entrada da casa de Rin.

No fim das contas, eles foram quase os últimos convidados a irem embora da festa.

— Obrigada — respondeu Rin prestes a sair do carro, porém acabou voltando a se acomodar no assento suspirando. — Foi uma noite divertida.

O youkai assentiu e aguardou, sabendo que isso não era tudo que ela tinha a dizer.

— Mas não sei se isso dará certo.

— Se continuar ouvindo as coisas que minha mãe diz, realmente não dará certo — ele falou em um dar de ombros. — Achei que fosse mais esperta que isso.

— Você ouviu... — a jovem constatou. — Bem, até pouco tempo você a escutava também — concluiu com um tom magoado.

— Eu cresci sob a influência dela — Sesshoumaru retrucou um pouco irritado. — Qual a sua desculpa?

Rin sentiu seu rosto corar, pois as palavras do youkai ao seu lado a atingiram com a força de um tapa. Era óbvio que ele estava certo com relação a isso, mas não tinha o direito de julgá-la.

— Você é inacreditável, sabia? — ela falou também irritada, abrindo a porta do carro.

— Eu sei — o youkai respondeu puxando-a pelo braço e colando seus lábios aos dela. Rin se entregou e se derreteu entre os braços dele, correspondendo ao beijo com paixão para, em seguida, empurrá-lo.

— Não — a jovem disse saindo do carro. — Você não pode achar que tudo vai se resolver assim.

Rin se apressou em direção à sua casa antes que ele pudesse segui-la.

— Então o que acontece agora? — ele indagou de dentro do carro, reunindo forças para não correr atrás dela como realmente queria fazer naquele momento.

— Eu vou te ligar. Provavelmente — a jovem concluiu antes de entrar em casa e se encostar à porta com o coração aos pulos.

Ela ainda não sabia o que pensar ou o que fazer, mas tinha plena certeza de que não conseguiria raciocinar enquanto estivesse perto de Sesshoumaru.

I wonder what it's like to be loved by you

(Eu me pergunto como é ser amado por você)

[Wonder – Shawn Mendes]