Autora: BelleDayNight

Tradutora: Juuh Haruno

Classificação: T-Rated

Disclaimer: Naruto e nem a história me pertencem, sou apenas a tradutora autorizada.


Capítulo 12: Quebre um Braço

Uma rotina se desenvolveu desde a semana anterior. Enquanto Kakashi saía cedo pela manhã para se encontrar com Tsunade, deixava sobre Sakura a responsabilidade de vigiar Sasuke. Kakashi o deixava na casa dos Haruno pela manhã, então tomavam o café juntos antes de irem ao campo de treinamento para praticarem taijutsu. Às vezes, Sai se juntava à dupla, mas na maioria dos dias ele estava ocupado ajudando Ino em sua loja de flores. Lee e Tenten também treinaram junto deles uma vez, mas foram enviados em uma missão no dia seguinte – acompanhados de Kiba como substituto de Neji. Mais tarde Kakashi assumiria a guarda do Uchiha e Sakura passaria um turno de oito a dez horas trabalhando no hospital.

"Kakashi-sensei diz que sairá em uma missão pela manhã. Isso significa que você vai se mudar para a residência dos Hyuuga?" Sakura perguntou enquanto levantava o antebraço direito para bloquear o chute de Sasuke.

Sasuke girou. "Sim. Minhas coisas já estão arrumadas, só estou esperando a ordem para ir." Desviou-se do punho direcionado ao seu rosto, mas não rápido o suficiente para impedir o gancho direito seguido da kunoichi de roçar no seu queixo de forma bem dolorosa. Ele esfregou o hematoma em desenvolvimento. "Se eu pudesse escolher, gostaria de ficar na casa dos seus pais. Mas como eles não são shinobis, o conselho não acha que são qualificados para serem meus guardiões."

"O que você acha do Kakashi ser o sexto Hokage?" Sakura perguntou. Aproximou-se para tocar as pontas dos dedos no ferimento dele, usando a técnica da palma mística para curar o dano feito pelo seu punho.

Sasuke sorriu com seu gesto.

A médica ainda estava se acostumando com a visão de um Sasuke feliz, com um sorriso normal no rosto, ao invés do sorriso malicioso que já viu algumas vezes no passado. Ele era uma companhia muito mais agradável agora do que a conhecida versão mal-humorada e perturbada de antes, seus últimos dias juntos foram muito bons para a amizade deles. "Eu ainda pretendo desafiar Naruto pelo título de sétimo."

"Não esperem que eu fique de fora dessa disputa!" Sakura disse com uma risada. Ela se agachou, varreu a perna direita e bateu com força nas canelas de Sasuke.

O rapaz caiu no chão com um bufar. "Droga, você me pegou dessa vez", admitiu balançando a cabeça. Ele passou os dedos pelo cabelo suado e rebelde. "Olha, Sakura, eu realmente gostei do nosso tempo juntos na semana passada. Fazia muito tempo que eu não aproveitava o tempo com qualquer coisa que não acrescentasse algo nas minhas habilidades de luta."

"Eu gostei de ter você por perto também, Sasuke-kun", disse Sakura, retornando ao seu velho carinho. "Nós fomos companheiros de equipe, mas nunca passamos muito tempo juntos como amigos, pelo menos não fora do restaurante de ramem com Naruto nos arrastando para lá! Foi bom para mim também." Não havia nenhum traço da antiga Sakura fanática e nenhum pedido de restabelecer o clã Uchiha da parte dele. Eram apenas Sakura e Sasuke.

Ela estendeu a mão para o amigo e ajudou-o a levantar do chão. "Eu sei que você só está ajudando Neji por causa da amizade que tem, mas isso que Hiashi fez não está certo. Contudo, não posso apontar o dedo para os Hyuga, talvez meu clã também fosse tão ruim quanto eles nesse aspecto." Sua expressão ficou sombria por um momento, então ele percebeu que ainda segurava a mão de Sakura e apressadamente soltou-a. "Eu realmente não me lembro como era antes do massacre. Exceto que mamãe fazia uma sopa de tomate realmente incrível." Um fantasma de um sorriso tocou seus lábios. "Eu lembro disso."

"Você não precisa falar sobre isso, Sasuke", Sakura disse calmamente.

Mas o shinobi respirou fundo e olhou para a distância. Um par de corvos pousou em uma árvore na fronteira do campo de treinamento. "Sempre que vejo pássaros negros, penso em Itachi e em tudo o que ele passou. Todos esses anos, meu irmão estava cuidando de mim e eu o odiava. Saber que estarei vivendo sob as regras rígidas de outro clã nobre fez com que eu ficasse nostálgico, mas também cauteloso."

Sakura colocou a mão sobre o ombro de Sasuke. "Itachi ficaria orgulhoso de você, Sasuke. Ele queria que você tivesse uma chance em uma vida normal, e agora você tem isso."

Ele colocou a mão sobre a dela e apertou suavemente. "Você está certa. E eu só vou me concentrar em passar no Exame Chunin e recuperar minha autonomia, então nenhum de vocês será forçado a bancar a babá para mim."

Risos borbulharam no peito de Sakura. "Não seja ridículo. Os bebês são muito mais fáceis de cuidar do que você!"

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No dojo principal do clã, Neji treinava com seus primos.

Sasuke estava sendo transferido para o complexo do clã naquela manhã, a voz alta e excitada de Naruto se estendeu do pátio até o dojo enquanto ele ajudava seu companheiro a se mudar para o local. Hiashi concordou que Sasuke dividiria um quarto com Naruto; Neji e seu tio estavam de acordo que não era prudente confiar no último Uchiha sozinho. E a solução de tornar Naruto no companheiro de quarto de Sasuke ainda tinha o benefício adicional de que o loiro estava menos propenso a tentar entrar no quarto de Hinata se tivesse alguém no seu quarto para impedi-lo. No entanto, não havia chance de que Naruto conseguisse passar pela guarda de Neji quando se tratava da honra de sua prima.

Neji ficou de pé na porta aberta enquanto as duas irmãs continuavam a praticar o taijutsu do clã. Naruto e Sasuke caminhavam lado a lado a poucos metros de distância e ambos estavam com os braços cheios de caixas. Naruto falava sem parar sobre estratégias para o Exame Chunin, se gabando de como iria derrotar Sasuke em sua próxima luta, e sobre como, apesar de todas as suas fãs, que Naruto foi aquele a ter uma namorada primeiro. Sasuke estava quieto, seus olhos escuros atentos e sua postura desafiadora.

"Eu ainda não entendo porque ele tem que estar aqui", reclamou Hanabi.

"Duvido que ele esteja mais feliz do que você com isso", assegurou Neji.

"Bem, se o pai tivesse me perguntado, eu teria sido contra essa ideia terrível", continuou Hanabi. Ela cruzou os braços sobre o peito e olhou para Sasuke e Naruto. Como se sentisse a fonte de sua ira, Sasuke olhou por cima do ombro e olhou em sua direção. Hanabi recuou um passo nervosamente e limpou a garganta. "É obviamente um erro."

"Eu não concordo", Hinata respondeu. "Sasuke precisa de um ambiente doméstico seguro, com regras e rotinas rígidas, se quiser reintegrar a sociedade. Se não fosse por ele, Naruto-kun, Sakura e Kakashi, nenhum de nós teria um lar hoje."

Hanabi zombou, mas não disse nada. A garota recuou de volta para o canto oposto do dojo e derrubou um dos bokken. "Mostre-me como você melhorou, irmã", suplicou.

"Vá, ela é impossível quando está assim", sussurrou Hinata. "Pelo amor de Naruto", disse e em seguida, franziu os lábios, pensativa. "Pelo amor de Sakura. Faça com que ele se sinta bem-vindo aqui."

Neji assentiu e então se dirigiu para Naruto e Sasuke no pátio. "Permita-me ajudar", disse enquanto se aproximava. Os garotos fizeram uma pausa, o primeiro com um sorriso ansioso e o segundo com um olhar desconfiado.

"Não tenho certeza se quero sua ajuda", respondeu Sasuke.

"Com certeza!" Naruto protestou. "Você estava apenas reclamando de quão pesadas eram essas caixas tipo, dois segundos atrás."

Sem outra palavra, Neji pegou as duas primeiras caixas das quatro que Sasuke carregava, surpreso com o peso. Ele arqueou uma sobrancelha no último Uchiha.

"Eu não pedi sua ajuda", falou com um tom presunçoso.

"Você é um convidado deste clã", protestou Neji. Ele olhou para trás para ver que um trio de membros do clã Hyuga também tinha seus braços carregados com caixas. "Estou surpreso que você tenha trazido tantas coisas", observou Neji. "Seu quarto já está completamente mobiliado."

"Armas", respondeu Sasuke. "Herança de família. Eu não tenho outro lugar de confiança para deixá-las, então prefiro carregá-las comigo."

"Tudo que eu tenho é uma velha kunai do meu pai", Naruto disse com uma risada nervosa.

"São as heranças de todos os membros mortos do meu clã", Sasuke apontou. "Muitas pessoas." Ele ajustou as caixas em seus braços. "Embora eu tenha deixado algumas coisas com a Sakura." Seus olhos escuros se voltaram para Neji e os dois trocaram miradas por um momento para avaliar o outro.

Sasuke estava tentando deixá-lo com ciúmes? Neji estava ciente de que na semana passada Sasuke tinha passado muito tempo com Sakura e seus pais. "Como ela está?" o herdeiro perguntou. Ele tinha sido proibido de deixar o complexo desde a celebração do seu aniversário.

"Você quer dizer desde que seu tio a fez ser despejada?" Sasuke perguntou.

"O que?" Naruto olhou para Sasuke sem acreditar e então se virou para Neji. "Do que ele está falando?"

Finalmente chegaram no quarto que Sasuke dividiria com Naruto. Foi o quarto que, um dia, seu tio e seu pai compartilharam quando eram crianças. Havia duas camas, duas cômodas e duas escrivaninhas com prateleiras sobre elas. Naruto tinha movido suas coisas para ele no início da semana.

Neji colocou suas caixas contra uma das paredes ao lado da cama vazia "O tio Hiashi fez com que o depósito do aluguel de Sakura fosse devolvido e colocou seus pertences no depósito. Ele queria tornar mais fácil para ela voltar à supervisão de seus pais."

Naruto pousou as caixas, colocou as mãos na parte inferior das costas e arqueou a coluna. "Oh cara, ela vai te matar assim que te encontrar novamente." Ele se virou para o Hyuga. "Você acha que é por isso que seu tio não te deixa sair do complexo? Ele está tentando protegê-lo da ira de Sakura?"

Os lábios de Neji se afinaram pensativamente. Ele precisava encontrar uma maneira de falar com a Haruno e pedir desculpas pelas ações de seu tio, mas quando pedia permissão a Hiashi para visitar Sakura, todos os seus pedidos eram negados. Ele tinha considerado se esgueirar para fora do complexo, mas ter que passar por uma dúzia de guardas usuários do byakugan era um desafio quase impossível e com consequências que preferia evitar.

"Naruto, eu preciso que você quebre meu braço", disse Neji.

O queixo de Naruto caiu aberto. "O quê?"

"Você me ouviu." Neji segurou seu braço esquerdo. "O tio aprovou um decreto dizendo que apenas Sakura pode servir como médica para a família principal. Preciso falar com ela e explicar as coisas."

Sasuke sorriu, seus olhos escuros brilhavam malevolamente. "Eu ficaria feliz em ajudar."

Neji sacudiu a cabeça. "Não, tem que ser Naruto. Você não acha que já está sob escrutínio suficiente, Uchiha? Qualquer ato de violência aqui dentro e a Hokage será a menor das suas preocupações." Sem dúvida, seu tio o encarceraria. Não que ele se importasse de ter o traidor trancado em uma prisão escura e mofada.

Sasuke franziu o cenho e depois se sentou pesadamente na segunda cama da sala.

"Há quanto tempo você sabe que Sakura estava despejada?" Naruto perguntou com uma expressão séria.

"Lembra-se quando Ko se rastejou aos meus pés e nos de Hinata?" Neji perguntou.

Naruto assentiu. "O dia depois da celebração." Sua mão se fechou num punho e Neji podia sentir o chakra fluindo nele. "Por que você não me contou?"

"Segredos no clã Hyuga, que surpresa!" Sasuke disse deitando em sua cama, braços atrás da cabeça, e com uma expressão presunçosa.

"Não importa agora." Neji estendeu o braço e se preparou para a inevitável dor.

"Então Hinata sabia também?" Naruto perguntou, mas o outro permaneceu em silêncio. Naruto soltou um suspiro irritado. "Acho que vou gostar disso mais do que deveria", confessou. Ele recuou o braço e com um ataque de palma aberta, bateu o lado plano de sua mão em um ataque de corte no braço inferior que Neji tinha estendido.

A dor foi impressionante e por um momento, a visão de Neji ficou preta. Podia sentir que ambos os ossos do antebraço tinham sido quebrados. O braço de Naruto imediatamente circulou a cintura de Neji. "Me desculpe, eu não quis bater tão forte!" Sua voz estava atada em preocupação e sua antiga hostilidade se foi, como se nunca tivesse existido.

Neji embalou seu braço ferido contra o peito. Já tinha passado do estado de desmaiar, mas agora estava bastante nauseado, então vômito não estava fora do leque de possibilidades. Talvez ele pudesse apontar quaisquer projéteis para o Uchiha, a imagem o animou ligeiramente. "Está tudo bem, eu pedi por isso. Sei que deveria ter te contado, mas não queria te preocupar."

"Talvez, eu deva acompanhá-lo", falou com preocupação.

"Não precisa, Ko vai comigo", suspirou.

"Ou talvez você consiga convencer seu tio a pedirem que Sakura venha aqui", Sasuke sugeriu.

"Não", Neji rosnou. A última coisa que precisava fazer era trazer Sakura de volta a esta prisão da qual ela recentemente escapou. Era culpa dele a perda do seu apartamento, o mínimo que podia fazer era encontrar uma maneira de visitá-la e pedir desculpas.

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Sakura e Shizune trabalharam lado a lado para remover o veneno de um pescador de um lago de água doce próximo. O lago havia sido infectado recentemente por cianobactérias com um efeito neurotóxico. A médica de cabelos rosados estava ditando a situação para a gravação de registro médico.

"O paciente é um pescador local conhecido por fornecer o melhor sushi da vila", afirmou Sakura. "Ele foi infectado pela neurotoxina cianobacteriana beta-metilamino-L-alanina, um aminoácido não proteico". Ela pausou quando Shizune terminou seu jutsu médico de preparação de limpeza para os venenos no sangue e assumiu sua vez. "Seus sintomas iniciais foram dores de cabeça, febre, cólicas abdominais, náuseas e vômitos. Ele estava nadando em um lago diferente, um que, após a avalização do paciente quando o mesmo apareceu no hospital, foi analisado e uma amostra revelou uma quantidade substancial de algas verde-azuladas. Em primeiro lugar, estabilizamos o paciente por meio da hidratação e do equilíbrio eletrolítico e, em seguida, usando a coagulação, removemos as células de cianobactérias. O lodo resultante se uma das células do corpo se rompe é duplamente perigoso, mas a quantidade de ingestão foi mínima."

Sakura concentrou-se no fígado do paciente, onde o perigo real se apresentava. "A complicação mais séria é a insuficiência hepática". Removeu o último traço da toxina e então utilizou sua técnica de palma mística para terminar o trabalho.

Contudo, houve uma batida na porta. Uma enfermeira abriu-a e colocou só a cabeça pra dentro. "Doutora Haruno", chamou. "Há um jounin esperando por você para ser examinado."

"Estou ocupada, Tadami. Ninguém mais pode atender ao paciente?" Sakura perguntou. Estava quase terminando de reparar os vasos rompidos na parede interior do fígado.

Tadami pigarreou. "É Neji Hyuga. Ele disse que esperaria quando você tivesse tempo."

A cabeça de Sakura se levantou e encontrou a expressão preocupada da enfermeira. "Neji?"

"Sim, doutora, e embora ele tenha dito que irá esperar, parece que não ficará consciente por muito mais tempo", explicou preocupada.

"Você vai em frente", disse Shizune. "Deixa que eu termino aqui. E vou me certificar de alertar o inspetor de alimentos para avaliar as cianobactérias nos ambientes marinhos."

Sakura tirou as luvas e as jogou no lixo descartável. "Onde ele está?" perguntou à enfermeira, enquanto lavava as mãos com cuidado na pia do de fora da sala de operação.

"Hum, ele está em seu escritório", a enfermeira respondeu com um sobressalto. "Ele se recusou a esperar em um dos quartos regulares dos pacientes."

Sakura subiu as escadas correndo para a sala em questão. Na mesa dela havia uma exibição brilhante de flores, cortesia de Ino. Sua amiga vinha apoiando-a com zelo desde que soube sobre seu despejo, sempre fazendo uma gentileza ou outra para melhorar seu humor. Neji estava sentado na cadeira em frente a sua mesa com o braço esquerdo em uma tipoia e sua pele mais pálida do que o habitual. Ele se virou na direção da porta para vê-la entrando.

"Hey", o rapaz cumprimentou.

Sakura queria ficar com raiva. Foi por culpa dele que perdeu o apartamento e estava morando com os pais. No entanto, um café da manhã completo todos os dias e os cuidados de lavanderia complementares não eram benefícios que pudesse descartar, isso sem contar a economia financeira por não ter que pagar pelo aluguel. Mas deveria ter sido sua escolha, não uma imposição de líder de clã alheio!

"O que aconteceu contigo?" Sakura perguntou, fechando a porta atrás dela.

Ele ergueu a tipoia e fez uma careta. "Braço quebrado."

Sakura se ajoelhou na frente dele e desatou a tipoia para que pudesse examinar o braço mais profundamente. Sua pele era uma mancha disforme e feia de vermelho e roxo. Tanto sua ulna quanto o raio foram quebrados ao meio. "Acho difícil acreditar que alguém possa ultrapassar sua defesa final", disse Sakura, começando a utilizar sua técnica de palma mística para curar o dano. Ficou realmente surpresa por ele ter mantido a consciência após esse tipo agressivo de lesão. "Hinata talvez pudesse curar isso para você não precisar vir aqui."

"Você é a única autorizada a curar a família principal", protestou Neji.

Sakura olhou para cima e encontrou seu olhar. "Você fez isso de propósito."

Ele assentiu. "Eu precisava de uma desculpa para te ver." confessou, seus olhos focados no vaso de flores em cima da mesa ao invés de olharem para ela. "Sinto muito pelo que aconteceu – o despejo".

Honestamente, a vontade dela era dar uns gritos com ele para despejar um pouco de sua raiva. No entanto, vendo o que ele teve que fazer para conseguir encontrá-la para pedir desculpa, acabou perdendo a coragem de brigar com o rapaz.

Pelo menos não era estranho estar ao redor dele. Temia que, depois do beijo, fosse agir como uma menina corada e envergonhada ao seu lado. Conseguiu terminar de curar sua ferida, mas utilizou tanto chakra hoje que seria inútil para qualquer outra cirurgia naquela tarde, a menos que usasse seu selo.

Neji flexionou os dedos em um punho e suspirou. "Preciso encontrar uma desculpa melhor para falar com você da próxima vez. Uma menos dolorosa, de preferência."

"Vou ter que concordar sobre isso", disse Sakura. "Como foi a mudança de Sasuke?", moveu-se para o outro lado da mesa e sentou-se pesadamente na cadeira.

"Ele se ofereceu para quebrar meu braço", disse Neji com um leve sorriso. "Hum", começou, olhando para os joelhos. "Posso te convidar para jantar?"

"Meu turno só termina dentro de algumas", alertou.

"Eu posso esperar", Neji disse pacientemente.

Sakura sorriu para o jovem a sua frente. Ele parecia tão pateticamente arrependido com esse olhar educado em seu rosto... era difícil negar seu pedido. "Mas posso pedir para me liberarem mais cedo hoje, já que você usou muito do meu chakra."

A tensão em seus ombros relaxou uma fração. "Isso seria ótimo."

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"Então, hum, as flores em sua mesa eram muito agradáveis", disse Neji. Eles estavam a caminho de um dos melhores restaurantes de Konoha. Nas raras ocasiões em que se aventurava na aldeia, Hiashi costumava reservar uma sala para a família principal e alguns dos membros mais proeminentes do clã. Neji era freqüentemente incluído devido ao seu status de prodígio.

"Esse é um dos benefícios de ser a melhor amiga da dona da maior loja de flores da vila", respondeu.

Neji fez o seu melhor para esconder o alívio ao saber que não eram de Sasuke. Não é como se achasse que a médica não tinha autorização para manter suas opções de namoro em aberto, sabia bem que o que eles tinham era apenas um acordo – um temporário. Mas a ideia de que Sakura poderia beijar Sasuke do jeito que tinham beijado dias atrás o deixava nauseado. O que ela via naquele narcisista egocêntrico? "Você e Sasuke passaram muito tempo juntos na semana passada."

"Sim, foi legal", confirmou. "Mas suponho que os espiões Hyuga lhe disseram." Pararam do lado de fora do restaurante e ela espiou o lado de dentro pela janela da frente. "Estamos um pouco mal vestidos. Poderíamos ir no Ichiraku Ramen mesmo", sugeriu.

"É minha culpa você ter perdido seu apartamento", afirmou. O comentário sobre os espiões magoou-o, mas ele não tinha controle sobre isso. Era uma consequência de estar em um namoro com ele. "Então você não vai comer só ramem hoje", concluiu ao pegar sua mão e levá-la para dentro. A anfitriã olhou-os com cautela. Eram dois dos mais famosos shinobis da aldeia, mas havia um código de vestimenta para o restaurante. "Nós gostaríamos de pedir o jantar para viagem, por favor", solicitou educadamente.

"Excelente ideia, muito romântico", disse a anfitriã, pegando um par de menus para que olhassem e estendeu um pedaço de papel e caneta. "Eu recebo seus pedidos e os trago para vocês aqui."

Escolheram rapidamente seus pratos, Neji pagou, e então sentaram-se no banco de couro na área de espera, mas então o rapaz teve uma ideia. "Eu já volto", desculpou-se. Saiu rapidamente do restaurante para encontrar seu guarda. "Ko",chamou sem elevar muito a voz e ele apareceu quase instantaneamente. "Eu preciso de um buquê de rosas brancas e rosas da Loja de Flores Yamanaka."

"Você quer que eu o traga para você, ou que peça para que seja entregue?" Ko perguntou.

"Como funciona a entrega?", perguntou. "Eu nunca pedi flores."

"Bem, desde que Sai começou a trabalhar para a Ino, ele leva as flores onde quer que o cliente peça para ser entregue", respondeu. Ele olhou por cima do ombro, nervoso, na direção da floricultura. "Eu não deveria te deixar fora da minha vista."

Neji deu a Ko algumas moedas. "Pelo menos uma dúzia de rosas", aconselhou. "Diga-o que estaremos no parquinho. E pare de se preocupar por um minuto. Posso ser o herdeiro agora, mas não sou um genin indefeso. Sou jounin capaz, então me dê um tempo." Ele retornou ao restaurante bem a tempo de receber as sacolas de viagem. "Já tenho um lugar em mente para irmos, Sakura."

"Esta semana foi cheia de surpresas", admitiu Sakura, gesticulando entre os dois. "Esta não é a menor das surpresas". Continuaram o caminho pela calçada. "Alguma dica de onde estamos indo?"

"O parquinho", disse Neji. Jamais contaria isso a ninguém, mas tinha uma estranha fantasia de empurrar Sakura no balanço. Era juvenil e algo que costumava fazer por Hinata. Porém, a ideia de fazer isso para Sakura agora o deixava meio animado.

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O sol se pôs e a lua quase cheia começou a se elevar acima do horizonte. O parque estava praticamente abandonado, além de Shikamaru balançando o bebê Sarutobi enquanto Kurenai observava de um dos bancos próximos. Mas já tinham saído há cerca de dez minutos.

Um dos membros do clã Hyuga manteve-se a distância, mas ainda estava lá assistindo.

Sakura e Neji sentaram-se um ao lado do outro, as coxas tocando-se pela proximidade, no carrossel parado e comeram a refeição num silêncio sociável. Ela usou os hashis para tirar a última fatia de bife da caixa de comida, pousando-o ao lado do papelão agora vazio.

"Meu pai costumava girar esse carrossel para nós quando Ino e eu éramos crianças. Lembro-me de uma vez, quando Naruto teve a coragem de perguntar se ele poderia brincar com a gente", Sakura lembrou com carinho. "Acho que foi quando ele desenvolveu sua queda por mim. Ele quase caiu, mas eu peguei o braço dele e o mantive a bordo!", riu da memória.

Neji sorriu suavemente e catou o lixo que tinham feito.

Enquanto ele se afastava em direção à lata de lixo, Sakura olhou para cima ao ver Sai entrar no parquinho, aproximando-se com um buquê de rosas nas mãos antes de ajoelhar-se no chão à sua frente. "Sakura Haruno, por favor aceite estas rosas como um sinal do afeto de Neji Hyuga". a médica pegou as flores e Sai desapareceu em uma nuvem de fumaça quando seu Clone das Sombras se dissolveu.

Neji voltou com uma expressão incerta no rosto. "Eu sei que você é a melhor amiga da dona da floricultura, mas espero que mesmo assim aprecie um buquê de desculpas."

Sakura levou as rosas até o nariz e respirou o aroma. "Desculpas? Eu pensei que foi por isso que você quebrou o seu braço. Fiquei com a impressão de que eram flores de afeto", brincou.

As bochechas de Neji instantaneamente coraram de vergonha, mas ele engoliu o constrangimento e estendeu a mão. "Acredito que o balanço está disponível. Você gostaria de se juntar a mim?"

A boca de Sakura caiu aberta. "Oh minha nossa, estamos em um encontro", sussurrou e as bochechas de Neji ficaram um pouco mais rosadas. Ela mudou as flores para a mão esquerda e pegou a mão de Neji com a mão direita. Ele a guiou até o balanço e pegou as flores dela para colocá-las de lado.

Neji ficou atrás e começou a empurrar o balanço de Sakura. Suas mãos tocavam repetidamente e gentilmente na parte inferior de suas costas enquanto ela subia cada vez mais alto. Sakura olhou por cima dos ombros, fazendo o balanço ficar instável e quase entortar.

"Olhe para frente, Haruno", ordenou, mas estava sorrindo.

"Preste bastante atenção agora", disse Sakura. Esperou até que o balanço se endireitasse e então, quando se aproximava da crista do arco, saltou do balanço, deu um giro no ar e pousou de pé, voltando-se para Neji. Seus olhos estavam arregalados de preocupação, mas ele rapidamente voltou para a expressão em branco de sempre. "Sua vez", desafiou-o.

"Você está tentando ver se eu posso voar fora do balanço?" Neji perguntou. Ele se acomodou no balanço abandonado, Sakura assumiu sua posição anterior e começou a empurrá-lo gentilmente.

"Isso é algo que eu nunca imaginei", admitiu Sakura.

"Isso o quê?", perguntou, olhando para ela por cima do ombro enquanto se aproximava. O balanço permaneceu estável apesar do movimento.

"Ir para o parque com você e brincar no balanço". Continuou a empurrar a base de suas costas, tocando sua bunda uma vez só para ver se teria alguma resposta. Ele não disse nada, mas notou os nódulos brancos dos seus dedos ao apertarem mais a corrente do balanço. Neji saltou do balanço e executou um movimento similar ao seu desmonte anterior. "Você vinha no parque quando era pequeno? Não me lembro de ter visto você por perto."

Negou com um balanço de cabeça. "Eu costumava fantasiar em vir ao parque com meu pai depois de sua morte. Foi uma das muitas atividades que nunca tive a chance de fazer." Ele ficou em silêncio e olhou para a lua.

Sakura pegou as flores com uma mão e a mão de Neji com a outra, fazendo-o se sobressaltar com a surpresa. "Por que não me leva para casa? Então você e sua sombra poderão voltar em segurança para o complexo."

"Eu apreciaria", falou com solenidade. Seu olhar opaco permaneceu no dela.

Sakura bateu de brincadeira no peito musculoso com as flores e riu. "Embora, da próxima vez, apenas me envie uma mensagem se você quiser conversar. Não há necessidade de ir tão longe!"

Ele flexionou os dedos do braço recentemente curado e resmungou: "Vou manter isso em mente."


Olha eu aqui pela segunda vez no dia \o/ Pois é, conseguir dar uma adiantada na tradução dos capítulos (o fim da A1 na faculdade me deixou feliz demais), então decidir adiantar esse que planejava postar lá pra sexta ou sábado. Mas podem deixar que o capítulo 13 vai substituir!

O título do capítulo "Break an Arm/Quebre um Braço" tem um significado duplo aqui. Em inglês, o termo "Break a Leg/Quebre uma Perna" é uma gíria para "Boa Sorte", e no capítulo o Neji precisa pedir ao Naruto para quebrar o braço dele para que possa tentar a sorte com a Sakura por causa da merda que o tio fez. A autora só mudou Leg por Arm para combinar com a história.

E como eu prometi, olha aqui a história deles dando os primeiros passinhos? No capítulo 10 eles aprenderam a engatinhar e agora dão os primeiros passos vacilantes. Tô doida para ver esse casal aprender a correr e pular bastante ( ͡° ͜ʖ ͡°) E vocês?