CAPÍTULO 12

Na manhã seguinte eu tentei o telefone de Sasuke novamente. Não tive resposta. Se eu precisasse de um sinal de que ele não queria nada comigo, era esse o sinal. Eu não tentaria mais.

Minha dignidade estava pendurada por um fio e outra ligação sem resposta podia cortar o fio completamente. Meu sofrimento aflorou por volta do meio da tarde. Meu pai tinha começado seu novo emprego naquela manhã, então não tinha ninguém para conversar, exceto meus próprios demônios, e eles eram uma triste companhia.

Visitei alguns amigos e perguntei se eles sabiam de alguma vaga, de qualquer trabalho. Então pedi um empréstimo para Jen, minha melhor amiga. Eu nunca tinha pedido dinheiro emprestado para ninguém antes, mas eu estava desesperada.

"Somente até meu pai receber seu primeiro salário," disse para ela. Ela me deu mais do que eu precisava para passar duas semanas e não aceitou uma parte do dinheiro quando tentei entregá-lo de volta.

"Vai se matricular no curso que você está sempre falando que quer fazer."

"Contabilidade?" Ela assentiu com a cabeça, mordiscando o lábio inferior com os dentes. Eu embolsei o dinheiro e dei-lhe um sorriso.

"Eu vou. Obrigada, Jen. Obrigada por sua amizade." Ela me deu um abraço e foi bom saber que eu tinha amigos como ela. Eu a tinha negligenciado ultimamente.

"Deixe-me saber se há alguma coisa que eu possa fazer por você," eu disse para ela.

"Tem uma coisa." Eu devia ter fugido uma milha, quando ela me deu um sorriso malicioso.

"Você pode me dizer o que está acontecendo entre você e Sasuke Uchiha." Eu suspirei. "Não há nada para dizer. Nós namoramos um pouco, mas acabou."

"Por quê?" Dei de ombros.

"Porque sim." Ela colocou o cabelo preto atrás da orelha.

"Você não parece feliz com isso." Dei de ombros novamente. Eu não estava com vontade de contar-lhe tudo o que tinha acontecido. Talvez um dia. "É provavelmente melhor você não ter nada a ver com aquela família agora," ela prosseguiu. Eu franzi a testa.

Tinha o sheik publicamente chamado o Sasuke de mentiroso? Meu coração começou a bater mais forte.

"Por quê?" Ela virou a capa do seu iPad e tocou na tela.

"Aqui." Ela estava olhando para um artigo em um site de notícias. Sob a fotografia de Taiko Uchiha estava escrito: UCHIHA PRESO POR ASSALTO.

"Oh meu Deus," eu disse com um suspiro. Li o resto do artigo, mas dizia muito pouco. Parecia haver poucos detalhes disponíveis e eu me perguntei se os Uchihas teriam usado sua influência para suprimi-los.

"Eu tenho que ir." Jen levantou-se e me seguiu até a porta.

"Aonde você vai?"

"Ver Sasuke." "Mas você disse que estava tudo acabado."

"Está, mas ele provavelmente precisa de um amigo. Podemos não estar mais namorando, mas eu quero que ele saiba que eu sempre vou estar com ele, se ele precisar de mim."

Agora, os problemas entre Sasuke e eu pareciam insignificantes. Tudo o que importava era certificar-me se ele estava bem. Ela não parecia convencida.

"Espero que você saiba o que está fazendo. Os homens Uchiha não são para brincadeiras." Dei-lhe um aceno triste. "Eu sei. Obrigada, Jen. Você é a melhor amiga do mundo." Nos abraçamos e depois corri até o meu carro.

Fui direto para o prédio de Sasuke. De acordo com o porteiro, Sasuke não estava em casa. Eu não tinha como saber se isso era uma mentira ou se era uma maneira de Sasuke me evitar. Tentei ligar-lhe novamente, mas a ligação caiu direta na caixa postal. Ele tinha desligado o telefone. Eu tentei o número do trabalho dele, mas sua P. A. disse que ele não tinha ido trabalhar e que se eu era da imprensa deveria ter vergonha de estar perseguindo um homem honrado e inocente.

Eu não me incomodei de corrigi-la. Droga. Ele provavelmente estava na sua casa em falando com os advogados da família. Eu não queria me intrometer, mas eu também sabia que Sasuke poderia ficar lá por muito tempo. Ele podia até mesmo ficar para dar suporte a seus pais. Eu briguei comigo mesma por quinze minutos e eventualmente decidi desistir. Ele estava com a família, com as pessoas que o amavam. Ele ficaria bem. Ele não precisava de mim. Tinha sido uma ideia tola achar que ele precisaria de mim quando ele tinha tantos entes queridos perto dele. Amor.

Eu ainda não tinha coragem de falar as palavras de Mikoto. Era demais para eu esperar que fosse verdade. Fui para casa. Era fim de tarde e o trânsito estava horrível. Não importava. Eu não estava com pressa de estar em qualquer lugar. Eu estacionei na garagem e subi as escadas. Parei no topo. Vi Sasuke sentado no chão, suas longas pernas estendidas, a cabeça encostada na porta do meu apartamento, seus olhos fechados.

Uma penugem escura sombreava sua mandíbula e linhas profundas vincavam sua testa. Ele usava um terno, mas sem gravata, os dois primeiros botões da camisa estavam abertos. Eu respirei. E respirei de novo.

"Sasuke." Ele deu um saltou e ficou de pé num piscar de olhos. Ele me encarou.

"Hinata! Não te ouvi." Olhei para meus sapatos. Eles tinham um solado macio e silencioso.

"Seu carro não está parado aí na frente." Parecia uma coisa estúpida de se dizer, mas tinha dado um branco na minha mente.

"Eu pedi David para me trazer e me deixar aqui. Eu vou chamá-lo quando estiver pronto para ir."

Ficamos sem falar por um longo instante, até que me lembrei de ser educada.

"Você quer entrar?"

Ele assentiu. "É provavelmente melhor falar onde nós não podemos ser ouvidos." Abri a porta, ciente de que estava perto de Sasuke e que eu podia sentir o seu perfume e sentir o seu calor.

Assim que a porta estava aberta, eu me arrependi de tê-lo convidado. O apartamento estava limpo, mas agora ele ia ver como eu vivia. Eu tentei colocar o tapete sobre a maior mancha que ficava perto do sofá, mas ele pegou minha mão.

"Está tudo bem, Hinata," ele disse com aquela voz suave, melódica que eu sentia tanta saudade.

"Você não precisa esconder nada de mim." Como ele sabia o que eu estava fazendo? Eu engoli e ele me soltou. Eu senti a impressão da sua mão na minha pele depois que ele a soltou. Nós nos sentamos em lados opostos do sofá até que me lembrei de perguntar-lhe se ele queria uma bebida. Ele balançou a cabeça.

"Ouviu sobre Taiko?" ele perguntou.

"Sim. Há poucos minutos. Tentei ligar para ver se você estava bem, mas você não atendeu."

Ele estremeceu. "Eu desliguei meu celular. Os repórteres não paravam de ligar e estavam me deixando louco".

"Eu pensei que era o seu número privado".

"Assim como eu. Não sei onde eles conseguem essas informações. Eu sei que você ligou ontem à noite também, mas eu... Eu não estava preparado para falar com você. Me desculpe."

"Tudo bem. Como você está desde que ele foi preso?" Ele inclinou os cotovelos sobre os joelhos e abaixou a cabeça.

"Não acho que Taiko vai sair dessa." Ele não parecia zangado com seu irmão, nem o culpava.

"Ele fez isso?" Ele assentiu.

"Ele tinha suas razões, mas não podemos negar que ele bateu no outro cara."

"E o outro cara está bem?"

"Ele está no hospital em coma induzido, enquanto eles esperam o inchaço no seu cérebro diminuir."

Eu soltei um suspiro. "Ah, Sasuke. Isso é horrível. E o Taiko está bem?"

"Eu não sei. Ele não está falando com qualquer um de nós. Se o cara morrer... Taiko nunca mais vai ser o mesmo. Ele vai pirar. Nós nunca vamos ter nosso irmão mais novo de volta." Ele apertou seus olhos e beliscou a ponta de seu nariz.

Eu me desloquei para mais perto dele e coloquei a mão em suas costas. Os músculos dele se contorceram sob a minha palma. "Sua família é forte," eu disse para ele. "Vocês vão passar por isso juntos e vão sair vitoriosos. Só vai levar algum tempo."

"Eu sei," ele sussurrou. "Obrigado. Eu precisava ouvir isso."

"Há mais," eu disse, tentando aliviar seu humor negro. "Eu tenho um monte de palavras de sabedoria, se você quiser ouvi-las. Há um livro inteiro na minha prateleira se você puder esperar que eu vá pegá-lo."

Ele inclinou a cabeça e riu suavemente. "Sério Hinata. Obrigado por me receber hoje. Eu não tinha certeza se eu devia vir aqui depois da outra noite."

Eu balancei minha cabeça. "O que aconteceu não é culpa sua, Sasuke."

"Eu não devia ter gritado com você." Ele se endireitou e mexeu no bolso do paletó. "E não devia ter deixado você me devolver isto." Ele estendeu um maço de dinheiro. Eu pisquei volta para ele, não tinha certeza do que dizer, ou até mesmo como me sentir.

Eu deixei Jen me emprestar dinheiro — porque aceitá-lo de Sasuke era diferente? Mas não queria que ele pensasse que era tudo que eu queria dele.

"Sasuke... Eu... um amigo me deu algum dinheiro e novo emprego do meu pai paga a cada duas semanas. Obrigada, mas não preciso desse dinheiro."

Sua respiração era audível. "Estou preocupado com você, Hinata." Ele colocou o dinheiro no sofá e passou as mãos pelo cabelo dele. "Estou tão envergonhado da minha resposta na outra noite no restaurante. Eu vivo em minha torre de vidro, como minha mãe diz e nem sempre vejo as coisas do ponto de vista das pessoas ao meu redor. Jesus, Hinata, você me deixou pensar que estava tudo bem, que tinha dinheiro de seus outros trabalhos e ao mesmo tempo estava quase morrendo de fome."

Retirei a minha mão. "Você não sabe se eu estava morrendo de fome," disse rigidamente.

"Falei com Naruto. E tivemos a certeza de que você não tinha muito."

Maldito Naruto e todas as vezes que eu tinha confiado nele. Eu dobrei minhas mãos no meu colo, torcendo um dedo ao redor do outro. Olhei para eles que já estavam ficando brancos.

"Obrigada pelo dinheiro. Eu pagarei de volta, Sasuke."

"Você não precisa."

"Eu preciso. Mas eu só vou aceitá-lo se você me prometer que agora podemos ser amigos." Parei de torcer os dedos e os apertei juntos com mais força. "Eu quero te ver novamente. Não quero que você saia da minha vida para sempre e nunca mais ouvir falar de você ou te ver." Eu funguei enquanto as lágrimas jorravam. "Será que você, por favor, pode perdoar meu pai por ter estragado tudo com o sheik? Você pode, por favor, ser meu amigo novamente?"

Foi tanto tempo antes de ele falar que eu comecei a entrar em pânico. O que eu tinha dito? Por que ele não podia ser meu amigo? O que havia de errado comigo? Eu estava com muito medo de olhar para ele e ver a resposta em seus olhos. Além disso, meus olhos estavam cheios de lágrimas e eu não queria que ele visse.

"Não," ele falou irritado. Senti uma batida no meu rosto como se ele tivesse me dado um tapa. Finalmente, eu estava olhando para ele. Emoção enchia seus olhos e aparecia no seu rosto. Não sabia o que fazer com a mudança, mas uma saudade bateu dentro de mim, tão profunda e poderosa, como um grito cortante.

"Não?" Eu sussurrei.

"Não." Suas narinas se alargaram enquanto ele lutava por controle. "Não quero ser seu amigo, Hinata."

Meu coração se rachou em pequenos pedaços e finalmente explodi. As lágrimas se derramavam pela minha face, e eu não me importava o quanto eu desejava que elas parassem porque isso não ia acontecer. Coloquei minhas mãos sobre o meu rosto, então ele não me podia ver chorando, mas já era tarde demais. Ele devia me achar patética. Mãos quentes abraçaram meu rosto. Seus polegares acariciaram minhas têmporas. Sobre o som dos meus soluços, o ouvi dar um suspiro e soltar sua respiração lentamente.

"Não quero ser seu amigo, Hinata," ele murmurou no meu ouvido. Por que ele tinha que repetir novamente? Uma vez não tinha sido ruim o suficiente? "Eu quero ser seu melhor amigo. Eu quero ser seu amante, seu confidente, a pessoa que você procura quando precisa de ajuda, ou quando você vê algo engraçado e quer compartilhar."

Eu parei de chorar, mas mantive as mãos sobre o meu rosto. Eu tinha medo de tirá-las e quebrar o feitiço das palavras maravilhosas que ele estava me dizendo.

"Eu quero acordar com você na minha cama e dormir com você em meus braços. Eu quero segurar a sua mão e andar ao seu lado na rua. Eu quero que as pessoas saibam como tenho sorte de estar com você. Eu quero ouvir seu riso e sua voz de manhã, de tarde e de noite. Quero dizer para você todos os meus segredos, meus medos, meus desejos."

Ele colocou as mãos por cima da minha e gentilmente levou-as para longe do meu rosto. Eu pisquei meus olhos lacrimejantes, mas não confiava em minha voz ainda. Felizmente, ele não queria que eu falasse.

"Nós não podemos ser só amigos, Hinata, porque eu quero tudo. Acho que sou egoísta assim."

O aperto na minha garganta não me deixava dizer uma palavra. Eu só olhei para ele, tentando descobrir como eu tinha tido sorte por esse homem maravilhoso ter se apaixonado por mim, mesmo depois de ver o pior de mim e da minha família. Parte de mim queria dizer-lhe que eu não merecia seu amor, mas eu enterrei essa pequena voz nos confins da minha alma. Eu merecia. Eu o merecia. A gente podia fazer esse relacionamento funcionar. Seus dedos apertaram os meus.

"Hinata?" ele sussurrou. "Por favor. Isso está me matando. Eu só quero uma chance para te provar o quanto eu amo você."

"Sasuke." Foi tudo o que eu consegui dizer. Eu joguei meus braços ao redor dele e beijei-o profundamente. Depois de um momento em que ele parecia estar acreditando no que estava acontecendo, ele me beijou de volta com toda a paixão que estava em seu coração. Seu beijo era possessivo e exigente, mas estava cheio de admiração e de saudade também. Sem parar de me beijar, ele tirou o casaco. Pus a mão no peito dele. Ele piscou para mim, o peito subindo e descendo com a sua respiração irregular.

"O que está errado?"

"Aqui não. Meu pai vai chegar a qualquer momento."

Seus olhos fecharam. "Graças a Deus. Eu pensei que você tinha mudado de ideia."

Beijei-o novamente e ele sorriu contra a minha boca. Ele envolveu seus braços ao meu redor, mantendo-os depois que eu parei de beijá-lo.

"Seu apartamento?"

"Vou pedir ao David para trazer o carro." Ele pegou seu celular.

"O vidro do carro entre o David e a parte de trás é grosso?"

Ele levantou suas sobrancelhas. "Eu não sei se eu posso esperar até chegarmos ao seu apartamento."

Ele riu e discou. Ele deu as ordens ao motorista para buscar-nos enquanto eu colocava alguns produtos de higiene pessoal e roupas em uma mala. Peguei o suficiente para dois dias. Estávamos prestes a sair quando a porta abriu.

Papai ficou no limiar e olhou para Sasuke. Ele congelou com a boca entreaberta, os olhos bem abertos. Sasuke pressionou a minha mão.

"Eu sou Sasuke Uchiha. Prazer em conhecê-lo, senhor." O olhar do meu pai parou na mão de Sasuke. Por um tempo achei que ele ia destratá-lo, mas ele apertou a mão de Sasuke.

"É um prazer conhecê-lo também. Por favor, me desculpe, pela outra noite."

"Esquece. Todos nós já dissemos algumas coisas que nos arrependemos depois. Quero esquecer tudo e começar de novo." Papai olhou surpreso de ter sido tão fácil.

"Eu gostaria disso. Então vão a algum lugar?" Ele assentiu com a cabeça em direção a minha sacola na mão de Sasuke.

"Vou passar um tempo na casa dele," disse. "Você vai ficar bem sozinho?" De repente estava repensando. Papai estava tentando vencer o alcoolismo. Não queria que ele desistisse. Ele ainda precisava de mim.

"É claro," disse ele, beijando minha bochecha. "Além disso, não posso fazer companhia para você esta noite, de qualquer forma, ou nas próximas semanas."

"Por que não?" Ele levantou a pasta que estava segurando. "Eu tenho que analisar essas contas. Elas estão uma bagunça. Eu provavelmente vou trabalhar até tarde e sair cedo para o escritório todas às manhãs." Eu sorri e depois o abracei.

"Não trabalhe demais." Nunca pensei dizer isso para ele. Ele riu suavemente.

Para Sasuke, ele disse, "tome conta dela. Ela é preciosa para mim."

"Eu sei, e eu vou. Ela é preciosa para mim também."

Eu beijei meu pai novamente e fomos embora. David e o carro estavam nos esperando do lado de fora, e Sasuke entregou-lhe a minha sacola. David fechou a porta, seu rosto uma máscara de desinteresse o tempo todo.

O carro mal começou a rodar quando Sasuke retomou de onde tínhamos parado no meu apartamento. Ele me garantiu que o vidro escuro entre os bancos da frente e de trás era grosso o suficiente para bloquear qualquer imagem ou ruído.

Eu escolhi acreditar nele.

Minhas roupas estavam espalhadas no banco de trás quando deixamos a minha rua, e nós estávamos quase chegando à casa de Sasuke quando eu tive o melhor orgasmo da minha vida. ]

Fim