Capítulo 12

Lutei meu caminho em direção a Hanabi. Eu já não conseguia mais vê-la ou ouvi-la, mas continuei empurrando. Eu levei uma cotovelada no peito e me acertaram no queixo com a borda de um banner de madeira. Eu localizei o sapato rosa dela e andei na direção dele. Ela estava sentada no chão, seus braços estavam amarrados nas costas. Um policial gritava para ela parar de se debater, ou ela seria presa por agredir uma autoridade. Mas Hanabi não estava ouvindo. Ela estava histérica, chorando e gritando e chutando.

Eu tive que pegá-la e acalmá-la antes que ela fosse ferida ou presa. "Hanabi!" Eu gritei, empurrando o corpo suado de um homem que se aproximou muito de nós duas. A multidão era enorme perto dela, o nível de barulho era ensurdecedor. Estava um caos. Os manifestantes tentavam ficar na posição e explodiam quando a polícia prendia alguém. "Hana sou eu!" Eu disse enquanto me aproximava. "Pare de brigar com a polícia."

Outro homem bateu em mim e eu tentei afastá-lo, mas ele era muito pesado. Desequilibrado, ele caiu na minha direção e me derrubou. Ele pousou na metade do meu peito, mas se esforçava para ficar de pé, mas foi engolido pela multidão. Todo o ar me abandonou. Eu não conseguia respirar. "Hinata!" Hanabi gritou. Eu a vi através das pernas das pessoas. O rosto dela era só pânico enquanto ela olhava para mim com os olhos arregalados. Pelo menos ela parou de lutar contra o policial que a segurava. Eu tentei gritar e dizer-lhe que estava tudo bem, mas sem ar, as palavras não saíam. O pânico estava preso na minha garganta. Eu precisava respirar. Havia tantas pessoas ao seu redor, mas ninguém parecia estar ciente da minha presença. Pés me chutavam ou passavam por cima de mim. Se eu não me mexesse eu seria pisoteada. Mas eu não conseguia levantar, não podia pedir ajuda.

"Hinata!" Hanabi chorava. "Alguém a ajude! Ali!"

Uma pessoa me levantou em seus braços. Ele me segurou contra seu peito sólido e me carregou para fora do perigo para um banco debaixo de uma árvore onde ele suavemente me colocou, e não me deixou sair. Ele me embalava contra seu corpo, minha cabeça escondida por baixo do seu queixo. Ele esfregou minhas costas com gestos lentos, melódicos, acabando com o meu pânico. Eu voltei a respirar uma, duas vezes e me virei para o meu Salvador. E dei de cara com o semblante preocupado de Sasuke.

Ele recuou, respirando com dificuldade, como se ele também lutasse por ar. Então ele se virou e correu de volta para casa. Tentei falar o nome dele, mas minha voz não tinha voltado completamente. E o nome dele morreu nos meus lábios.

Um momento mais tarde Hanabi conseguiu sair do meio da multidão e correu na minha direção. "Hina! Você está bem?" Ela me ajudou a sentar, em seguida, sentou-se ao meu lado. "Eu te vi, mas a polícia não me deixou ir até você. A próxima coisa que eu vi foi Sasuke indo te salvar. Ele disse para o policial me deixar ir e ele agora está dispersando o resto dos manifestantes."

"Ele está? Como"? Segui o olhar para ver os tratores sendo conduzidos para a parte detrás dos caminhões. Os manifestantes aplaudiram e a voz de Kushina vindo do alto-falante, saudando o fato como uma vitória sobre o ganancioso Grupo Financeiro Uchiha e Sasuke. Ela disse que a guerra ainda não tinha terminado e que as escavadoras voltariam no dia seguinte. Sasuke não tinha desistido. Eu fechei os olhos e me concentrei em encher meus pulmões com o ar delicioso ao meu redor, mas eu não podia bloquear completamente Sasuke da minha mente, e a maneira que ele tinha envolvido seus braços ao meu redor e o terror que eu senti ao ver Hanabi sendo arrastada pela polícia. A ideia de fazer tudo novamente no dia seguinte me deixou nervosa. Eu comecei a chorar.

Hanabi me aconchegou em seus braços. "Nós vamos passar por isso juntas, minha Irmã. Vai ficar tudo bem." Era o que eu costumava dizer a ela depois que ela passava pelas seções de quimioterapia. Quase pensei que as duas coisas não podiam ser comparadas, mas com certeza as minhas palavras tinham causado um impacto. Eu me senti orgulhosa dela, de sua coragem, e abracei-a de volta. Ela era uma criança grande. Mulher, eu me corrigi. Ela estava crescida agora.

"Hinata? Hinata, você está bem?" Era a voz de Tsunade, preocupada. Eu limpei minhas lágrimas e pisquei para ela.

"Você é a mãe dele," eu acusei.

"Quem é esta?" Hanabi perguntou.

"Tsunade." eu disse sem tirar meu olhar da minha ex-chefe. "Senhora Uchiha. Ela me contratou para dormir com o filho dela."

"Não fiz isso!" Tsunade disse com as mãos nos quadris. Ela balançou a cabeça e se sentou do meu lado. "Hinata, eu te contratei para fazer exatamente o trabalho que eu te disse para fazer. Impedir que Sasuke demolisse este lugar."

"Nós falhamos."

"Para mim parece que ele ainda está de pé."

"Sasuke voltará amanhã com seus tratores e mais polícia. O confronto vai continuar."

"Bem," ela disse numa voz frágil. "Por que você acha que ele veio até aqui hoje? Ele não vem aqui há dez anos, mas veio apesar de dizer para mim e seu pai e cada um de seus irmãos que não viria."

Dei de ombros. Não queria brincar com ela. Tsunade era muito boa e eu estava um caco. "Eu não sei e não me importo."

"Claro que você se importa. Itachi me disse por que Sasuke veio. Ele conhece o irmão melhor do que ninguém. Eles são muito parecidos."

"O que Itachi disse?" Eu estava muito cansada para lutar com ela. Eu não podia ver Sasuke e pela primeira vez em semanas, eu não queria. Ele não era bom para mim e já era hora de eu perceber isso e seguir em frente.

"Que Sasuke ouviu a tua voz quando Itachi ligou hoje cedo e veio direto para cá. Ele sabia o que ia acontecer aqui. Saiu em todos os noticiários, é por isso que eu vim também. Sasuke estava preocupado com você, Hinata."

Eu suspirei e olhei para a multidão que se desfazia. Eu vi Sasuke falando com a polícia, talvez acalmando a situação. Em um determinado momento, ele se virou e bateu em uma repórter empurrando um microfone na sua cara. Ela saiu em disparada com sua equipe de filmagem, para uma distância segura.

"Não acreditamos nisso," Hanabi disse para Tsunade. "Se ele estava preocupado, ele deveria tê-la procurado para saber se ela estava bem nas últimas semanas. E sabe por quê? Porque ela não tem estado bem."

"Hanabi," falei suavemente. "Por favor, não."

"Ele é orgulhoso demais para recuar e ceder," disse Tsunade. "Mas ele cuidou de você, à maneira dele."

Hanabi dobrou os braços e rosnou. Olhei para Tsunade. "Sasuke pagou meu empréstimo?" Ela assentiu com a cabeça. "Como ele soube? Eu nunca disse nada para ele. Ou para você, sobre esse assunto."

"Eu descobri assim que eu te contratei. Não me olhe assim, Hinata. Você não espera que eu contrate uma pessoa sem verificar sua linha de crédito e todos os outros registros, não é?"

Eu balancei minha cabeça, não porque eu estivesse discordando dela, mas porque não acreditava que eu a tinha subestimado. "Eram minhas informações particulares, e você contou para Sasuke! Cristo, Tsunade, isso é..." Fiquei sem palavras. Eu deveria estar mais irritada do que estava, mas era difícil ficar zangada quando ela e Sasuke tinham realmente feito um favor para mim. "Cruel" eu disse.

"Tal mãe, tal filho."

"Realmente a família tende a ser assim."

"As informações que você me deu diziam que o nome de sua mãe era Bertha. Seu nome é Bertha?" Ela fez uma careta. "Bertha. Ugh. Tsunade é meu nome do meio."

"Então que outros segredos você contou para ele, sobre Hanabi e eu?"

"Mais nada!" Ela levantou as mãos. Anéis de ouro em quase todos os dedos piscavam no sol. "Eu só disse isso porque fiquei preocupada depois que ele te demitiu. Eu sabia que você tinha dívidas e precisava de um emprego bem remunerado para pagá-las. Eu estava furiosa com ele e lhe disse que ele não deveria ter tomado uma resolução tão precipitadamente. Ele me pediu suas informações bancárias."

"Por que você não me disse?"

"Eu teria dito se você retornasse as minhas ligações." Eu mordi meu lábio. "Mas isso foi tudo o que eu disse a ele," ela disse. "Eu nunca mencionei a morte dos seus pais ou a saúde de sua irmã. Não sei como ele soube sobre ela, mas ele deve ter descoberto por que ele pagou por aquele centro de bem-estar do câncer." Hanabi engasgou. "

Ele pagou pelo centro! Você quer dizer... toda a construção?" Tsunade levantou um ombro. "Eles só precisavam de mais um milhão para terminá-lo."

Os olhos da Hanabi se arregalaram. "Um milhão!"

"Ele soube sobre a Hanabi," eu disse. "Ele descobriu pouco tempo antes de nós... antes dele me demitir."

Tsunade cutucou meu ombro delicadamente com o dela. "Viu?"

"Vi o que?"

"Ele gosta de você. Ele não teria feito essas coisas se ele não gostasse."

"Ele não fez por culpa. Quando ele descobriu que você precisava de dinheiro, ele sentiu que deveria fazer algo. Isso é tudo." Mas a notícia mexeu comigo. Provava que ele não me odiava totalmente.

"Então... ninguém te contratou para parar Sasuke? Não havia nenhum cliente?"

"Claro que havia um cliente. A família Uchiha me contratou."

"Eles são a sua família."

"E por isso eu lhes dei um desconto. Metade do preço para os meus filhos, o dobro para o meu marido."

Hanabi riu. Eu rolei meus olhos e Tsunade sorriu para mim. "Vá falar com ele," ela disse, acenando em direção de Sasuke. Ele estava perto de seu carro, rodeado por seus quatro irmãos e seu pai. "Ele parece que precisa ser resgatado."

Eu balancei minha cabeça. "Não temos nada a dizer um ao outro. Posso apenas pedir desculpas de novo antes de perder o pouco de dignidade que me resta."

"Se é o que você acha." Nós ficamos sentadas em silêncio por alguns momentos até que eu falei. "Ainda não acredito que você é mãe."

"Eu também não posso às vezes. Eu não tenho nenhum instinto maternal e nunca vou ter. Um dia eu estava recém-casada e então de repente tornei-me a mãe de cinco meninos vigorosos. A próxima coisa que eu vi foi que eles haviam crescido e não sabem como conseguir uma moça simpática."

"O que você quer dizer?"

"Pensei que Itachi ficaria bem com a Kushina, mas não deu certo. Então eu decidi fazer algo sobre isso, começando com Sasuke."

"Você juntou Sasuke e Hinata para isso também?" Hanabi disse incrédula.

"Não fiquem bravas," Tsunade disse para nós duas.

Para mim, ela disse, "mas no interesse de nossa recente honestidade uma para outra, eu pensei que deveria te dizer que parte da razão de eu ter escolhido você para trabalhar neste projeto foi porque pensei que você seria boa de outras maneiras além da profissional. Além disso, eu gosto de você. Eu não me importaria de ter você como minha nora."

" Tsunade... isto é... muito gentil. Eu acho. Você é manipuladora, mas doce. Você contou para Sasuke?"

"Sim."

"E o que ele disse?" "Ele me chamou de um monte de coisas, manipuladora foi uma delas, mas não me chamou de doce." Ela suspirou. "Sasuke é meu orgulho e alegria, mas mal o vejo. Não desde a morte de Rin. Ele está muito ocupado enterrado em sua culpa. Sinto falta dele e só quero que ele volte para casa de vez em quando. Mas não à custa de derrubar a casa da Kushina. Ele parece pensar que esta casa está ligada à suas más recordações e não escuta a razão."

"Ele acha que a demolir irá permitir-lhe esquecer," eu disse.

Nós três olhamos na direção dos cinco belos rapazes Uchiha e seu pai.

"Ele está aqui agora," Hanabi disse, "e a casa ainda está de pé." Ela tinha razão. Talvez suas defesas tivessem baixado um pouco. Talvez agora fosse o melhor momento para confrontá-lo. Levantei-me antes que eu mudasse de ideia e fui em direção a ele.

Nem Tsunade ou Hanabi tentou me impedir. Tão logo um Uchiha me viu, os outros rapidamente se viraram. Todos, exceto Sasuke. Que olhava para frente, rígido, sua mandíbula como uma rocha. Os outros se dispersaram, deixando-me sozinha com ele. Pelo menos ele não tinha saído. Eu engoli.

"Obrigada por me salvar."

"Você está bem?" ele perguntou.

"Não." Sua mandíbula se retraiu, e ele me olhou dos pés à cabeça.

"Você está machucada?" Eu bati no meu peito. "Aqui. Dói aqui, Sasuke."

Seus lábios e narinas se alargaram. "Não diga isso."

"Está bem, não vou. Não estou aqui para falar de nós, de qualquer forma. Estou aqui porque Tsunade — sua mãe — está desesperadamente infeliz. Ela quer ir para casa, para um jantar de família."

"Ela mandou você aqui para dizer isso?"

"Não. Ela ficaria horrorizada se soubesse que eu estou falando dela como se ela tivesse instintos maternais. Ela acredita que não tem nenhum, mas ela tem."

Ele deu uma gargalhada dura. "Você não a conhece muito bem se acha que ela tem instintos maternais."

"Ela te ama, Sasuke, e tem dificuldade em demonstrar isso."

"Talvez se ela não se intrometesse tanto —"

"Não coloque a culpa nela," falei. "Todos nós sabemos por que você não vem em casa e eu vou te dizer uma verdade dura, porque, bem, o que eu tenho a perder? Eu já perdi você, então que diferença faz?"

Ele ficou quieto, como se estivesse se segurando. Eu esperava que ele fizesse um escarcéu, mas ele não fez nada. "Pare de se culpar pela morte da garota. Não foi sua culpa, não importa o que Kushina pensa. Rin era mentalmente desequilibrada e precisava de ajuda profissional."

"Essa é sua opinião."

"Essa é a opinião de todos." Ele não disse nada, apenas olhou para frente, seus braços ao longo do seu corpo. "Bom. Você pode continuar a se punir e achar que a culpa é sua, mas não puna aqueles que te amam. Vá para casa. Visite os teus pais. Só evite esta casa se você realmente não aguenta ficar aqui." Eu estava com raiva, e frustrada com a sua teimosia, com sua cabeça dura.

"Você parece ter perdoado a minha mãe muito facilmente," ele disse preguiçosamente. "Você sabe que ela armou para a gente?"

"Eu sei. De novo, uma mãe preocupada com seu filho."

"Não preciso que ela se preocupe comigo. Eu preciso que ela caia fora da minha vida."

Eu baixe minhas mãos e deixei-as ao lado da minha cintura. "Você sabe quão sortudo você é de ter pais que se importam tanto com você?" Para minha vergonha e horror, minhas lágrimas jorravam novamente. Ultimamente estavam sempre na superfície. "Eu faria qualquer coisa para ter pais como os seus, eu faria qualquer coisa para ter meus pais de volta."

Seu rosto ficou branco. "Hinata, por que você está chorando?" Eu balancei minha cabeça, incapaz de responder-lhe através da cachoeira de lágrimas. Ele se aproximou de mim, seu rosto era um borrão. "Hinata... os teus pais... onde eles estão?"

"No cemitério de Roxburg West."

"Jesus," ele murmurou. "Eu não sabia." Ele olhou para esquerda, para direita, para cima e para baixo, mas não olhou para mim. "Eu sabia que você não morava com eles, mas eu pensei que você tinha saído de casa. Achei que seu nome estava nos documentos do empréstimo porque você ganhava mais do que eles."

"Bem, agora você sabe." Eu limpei minhas lágrimas, com raiva por ter chorado na frente dele. Eu queria ser forte, arrogante, não uma pessoa patética chorando a toa. "Somos eu e Hanabi há sete anos. Eles morreram no tiroteio em High Park Roxburg no dia da minha formatura."

"Eu me lembro desse tiroteio," ele sussurrou. "No dia da sua formatura. Isso significa que você estava lá. Você os viu morrer." Eu assenti com a cabeça e engoli mais lágrimas quando me lembrei daquele dia, que sempre ameaçava obstruir as boas memórias que eu queria manter na minha mente. "Jesus," ele disse outra vez. "Você passou a tomar conta da sua irmã sozinha depois que eles morreram?"

"Sim. Eu era velha o suficiente para ser a guardiã dela."

"Eles não estavam vivos quando ela ficou doente?"

"O que importa?"

"É importante por que... vocês são tão unidas." Eu franzi a testa. O que diabos ele estava dizendo? "Você é normal," ele continuou.

"Puxa, obrigada. É seu jeito de dizer que eu sou chata?"

"Cristo." Ele se recostou contra a porta do seu carro e olhou para a casa. Ele parecia exausto e miserável. Quase morri porque eu não podia pegá-lo em meus braços e abraçá-lo. Eu mordi meu lábio e saí. Era hora de ir para casa. Amanhã ia ser outro dia longo. Amanhã. Mais um dia sem Sasuke em meus braços e fora da minha cama. Eu mordi o interior da minha bochecha para parar de chorar. Funcionou. Eu era capaz de sair com a cabeça erguida e os olhos sem água.

"Hinata," ele gritou. Eu continuei andando. Parar só me daria esperança e ter esperança faria eu me decepcionar de novo, e ficaria cada vez mais difícil para eu me curar. Ele agarrou meu braço, puxando-me e me obrigando a parar. Eu o empurrei.

"Não, Sasuke. Você já disse tudo o que queria dizer. Eu entendi. Eu sou uma puta e eu te machuquei. Me desculpe." Minha voz estava rouca. Eu limpei minha garganta. "Lamento, mas recuso-me a pensar como seria nós dois juntos. Eu fiz isso durante quatro semanas e não me levou a nada, a não ser um coração dolorido e uma bunda gorda de tanto tomar sorvete." Seus lábios se contorceram.

"Sua bunda parece boa para mim."

"Cale-se! Você não vai mais olhar para minha bunda!"

"Então não ande na minha frente."

"Isso não é engraçado!" Eu tentei golpear o ombro dele, mas ele pegou minha mão e puxou-me para perto dele. "Não, Sasuke," eu soluçava, incapaz de olhar para ele. "Não seja maravilhoso novamente e depois me dê um chute na bunda. Não vou conseguir mais me recuperar. Dói muito." Ele pressionou seus lábios quentes na minha testa e eu chorei ainda mais. Senti meu coração cheio, transbordando de alegria, mas ainda me sentia machucada e agredida. Eu não conseguia entender mais nada. Por que ele estava sendo legal comigo novamente?

"Não," ele murmurou contra a minha testa. "Não vou machucar você novamente. Eu te prometo Hinata".

Eu balancei minha cabeça. "Tenho certeza de que fui eu quem te machucou, e não o contrário." Eu senti que ele sorria. Seu coração batendo contra meu braço. Seu corpo era um casulo morno que queria se afundar em mim. Meu amor feroz por ele me assustava, mas eu fiquei nos braços dele e lutei contra o meu medo na esperança de poder um dia parar de sentir o que eu sentia por ele. Ele deu uma respiração profunda e expirou lentamente.

"A morte de Rin não foi minha culpa." Eu olhei para ele. Parecia ter custado muito para ele dizê-lo, mas parecia que ele tinha acreditado no que tinha dito.

"Isso é o que todo mundo tem tentado lhe dizer, mas você se recusou a ouvir."

"Agora estou ouvindo."

"Por que, Sasuke? O que mudou?"

"Você entrou na minha vida." Seus braços me apertaram. "Você é tão forte e capaz e maravilhosa. Eu não sabia que você tinha visto seus pais morrerem e que você teve que lidar com o susto do câncer da Hanabi por conta própria. Estou admirado com você." Ele tinha respeito por mim? Suas palavras enviaram um frisson de orgulho e prazer por toda a minha pele.

"O que isso tem a ver com Rin e você?" Eu perguntei.

"Tudo. Eu pensei que ela era frágil por causa do que ela tinha passado. Mamãe e papai tentaram me dizer que ela sempre tinha sido assim, mas Rin me fez acreditar que era porque ela tinha visto os pais dela morrerem. Ela disse que precisava de mim para ajudá-la a esquecer o que tinha acontecido. Eu escolhi acreditar nela, e não nos meus pais. Mas depois de saber que você passou por tantos problemas, vejo que não foi a morte dos pais que a tornava delicada. Era assim que ela era."

"Também não foi você." Eu tirei o cabelo dele da testa e afaguei sua bochecha. Ele inclinou a cabeça. "Não havia nada que você pudesse fazer para ajudar alguém assim, não importa o que ela dizia ou quanto tempo você dava a ela. Ela nunca ia ficar bem sem medicação. Nunca seria feliz."

Ele assentiu. "Eu sei disso agora. Graças a você." Ele acariciou meu rosto e agarrou suavemente o meu queixo. "Eu te amo, Hinata."

Meu coração inchou de alegria e começou a bater num ritmo irregular, mas feliz em meu peito. "Eu também te amo, Sasuke." Ele finalmente me beijou, e ao fundo ouvi aplausos.

FIM.